quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Terras de Basto - Barragem de Fridão (Amarante): Autarcas exigem 2,5% da facturação da barragem





Terras de Basto - Barragem de Fridão (Amarante)
Autarcas exigem 2,5% da facturação da barragem


Os presidentes das Câmaras Municipais de Cabeceiras, Celorico e Mondim de Basto exigiram, ontem, medidas compensatórias face ao aproveitamento hidro-eléctrico de Fridão, que se estende ao longo de cerca de 35 quilómetros para montante da barragem, desde Codessoso/ Fridão até Cavez/Cerva.

Considerando que o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) “não avalia de forma correcta os custos ambientais e socio económicos provocados pela construção da barragem, sendo quase nulas as medidas de valorização apresentadas”, o porta-voz dos municípios das terras de Basto, Joaquim Barreto, apontou como primeira exigência a atribuição permanente de 2,5 por cento da facturação da barragem de Fridão, no rio Tâmega.

Trata-se de uma compensação financeira, por parte da EDP, que poderá atingir os 2,5 milhões de euros anuais. “Não nos opomos à construção da barragem, o que não queremos é que à custa dos nossos recursos naturais o país fique mais rico e as populações locais mais pobres”, afirmou Joaquim Barreto, ao lado dos autarcas Joaquim Mota e Silva (Celorico de Basto) e Humberto Cerqueira (Mondim de Basto).

Contrapartidas

Defendendo que “parte da riqueza deve ser destinada para a quem mais sofre com os impactos negativos”, Barreto enumerou mais seis contrapartidas para que os municípios não se oponham à construção da barragem.

De entre as medidas compensatórias destaca-se, ainda, a execução da Variante do Tâmega no troço entre Celorico de Basto e Arco de Baúlhe (9,7 quilómetros), incluindo a ligação a Mondim de Basto (1,7 quilómetros). “É uma exigência que fazemos”, salientou o autarca de Cabeceiras de Basto, lembrando que o troço está contratualizado desde 1983.

A construção da Ecopista da Linha do Tâmega, entre Celorico de Basto e a vila de Arco de Baúlhe; a execução de infra-estruturas que permitam a acostagem de embarcações de recreio na albufeira e a substituição das lâmpadas incandescentes por lâmpadas económicas, através de uma campanha de juntos dos consumidores, estão entre as exigências.

Equipamento para bombeiros

Os municípios pretendem também que as corporações de bombeiros locais sejam apetrechadas com equipamentos adequados ao meio aquático, afirmando que “só aceitam a construção da barragem no Nível Pleno de Armazenamento (NPA) à cota de 160,00”.
Mas acordos só mesmo quando as medidas compensatórias forem contratualizadas.
Destacando que “aqui fala a voz da razão”, Joaquim Barreto disse as terras de Basto vão aguardar por uma contraproposta da EDP.

Garantindo que as pretensões têm como objectivo “o progresso e o desenvolvimento da região”, Joaquim Mota e Silva disse aos jornalistas que “temos intenção de resolver isto a bem” e que não deixará “a população caminhar só e isolada” na defesa pelos seus direitos.

Na sua intervenção, o autarca de Mondim de Basto, Humberto Cerqueira, falou dos impactos negativos que a barragem de Fridão provocará no concelho, nomeadamente a destruição de 40 habitações e a inundação de quatro pontes.
Afirmando que o trabalho conjunto é o caminho para a obtenção de “valor compensatório”, Humberto Cerqueira prometeu, também, não ‘baixar os braços’ no que toca ao aproveitamento hidroeléctrico de Fridão.


Vera Batista Martins, in Correio do Minho - 16 de Fevereiro de 2010

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