sábado, 31 de maio de 2008

PNBEPH - TÂMEGA: A PRIMEIRA BARRAGEM DO ALTO TÂMEGA

 

PNBEPH - TÂMEGA

A PRIMEIRA BARRAGEM DO ALTO TÂMEGA

Por ordem da entrada do rio Tâmega em Portugal, a primeira barragem começa a ser construída a partir do concelho de Chaves, concretamente, na denominada praia de Vidago, junto à estrada n.º 311 que liga Boticas a esta vila termal.

A grande albufeira vai estender-se pelos concelhos de Chaves, Boticas, Vila Pouca de Aguiar e Ribeira de Pena, terminando do lado esquerdo na aldeia de Parada de Monteiros e no lado direito em Padroselos. Está previsto começarem as obras em 2010, podendo terminar em 2015.

O Presidente da AMAT (Associação de Municípios do Alto Tâmega), Eng.º Fernando Campos, manifestou o seu agrado pelo lançamento do concurso público.

Será uma obra grandiosa, com uma capacidade de escorregamento prevista em 1850 metros cúbicos/segundo e uma capacidade útil de 60 milhões de metros cúbicos; enquanto a capacidade total atingirá 134 milhões de metros cúbicos. (Estes elementos são, ainda, provisórios.)

De uma coisa já todos temos a certeza. Nada ficará como dantes numa região altamente carenciada, social e economicamente, mas das mais belas do país pela riqueza das suas paisagens e variedade de espécies vegetais naturais existentes nas margens do rio, sobretudo, junto a Fiães do Tâmega e Mosteirão, do concelho de Boticas.

O dia um de Abril de 2008 ficará marcado na História desta região e do país como tendo sido a coroação do trabalho do Primeiro Ministro Eng.º José Sócrates, também transmontano, e dos autarcas que ao longo de anos se têm batido pelo progresso das nossas pobres gentes que, ao longo dos tempos, têm morado paredes meias com os bichos, a miséria e a marginalização. Esperemos que, dentro de pouco tempo, se ouçam as grandes máquinas a trabalhar e as populações a beneficiarem da qualidade de vida a que têm direito. O turismo aquático e de montanha vai ser um grande pólo de atracção. Um hotel de cinco estrelas, Vidago Palace Hotel, com um campo de golfe de dezoito buracos, vai ser inaugurado brevemente. Pedras Salgadas são vizinhas próximas. Muito mais virá por acréscimo. Surgiu uma nova luz ao fundo do túnel.

Artur Couto, in Notícias de Trás-os-Montes e Alto Douro - 31 de Maio de 2008

PNBEPH - BARRAGEM DE FRIDÃO: CONSEQUÊNCIAS PREVISÍVEIS NO TÂMEGA

 PNBEPH - BARRAGEM DE FRIDÃO 

CONSEQUÊNCIAS PREVISÍVEIS NO TÂMEGA



Ontem, 30 de Maio de 2008, na Casa da Cultura de Mondim de Basto, a convite da estrutura juvenil socialista (JS) local, coloquei em debate a tese que prospectivamente desenvolvi em 1994 (editada no ano seguinte pela Associação Cívica e Ecológica Os Amigos do Rio), sobre algumas das problemáticas ambientais que se resultarão para o Baixo Tâmega com a construção da Barragem de Fridão, cujos fundamentos podem ser consultados na versão integral em http://barragemdefridao.wordpress.com/2008/02/09/3/.

Apontando o cursor acima, respectivamente sobre a designação «Barragem de Fridão» e sobre o endereço electrónico, e fazendo click, surgirão os diapositivos com o assunto exposto, em modo sintético, assim como surgirá o conteúdo do ensaio e da intervenção. 


José Emanuel Queirós, in PlenaCidadania - 31 de Maio de 2008

quarta-feira, 21 de maio de 2008

AMARANTINOS NÃO ACEITAM BARRAGEM EM FRIDÃO

AMARANTINOS NÃO ACEITAM BARRAGEM EM FRIDÃO
A voz dos que estão na linha de rebentação



POPULAÇÃO DA ZONA RIBEIRINHA RECEIA UM ACIDENTE NA FUTURA BARRAGEM DE FRIDÃO

A população de Amarante está contra a anunciada construção de uma barragem no Rio Tâmega em Fridão.
Ainda bem frescos na memória dos amarantinos estão os malefícios que a barragem do Torrão causou à zona ribeirinha da cidade: O rio deixou de ser a principal atracção turística nos meses de Verão e toda a cidade perdeu, principalmente o sector da restauração.


Com a construção do novo empreendimento, " a cidade de Amarante corre o risco de sofrer um desastre ambiental devido à elevada poluição do rio Tâmega, se a barragem de Fridão for transformada em aproveitamento reversível, ficando emparedada entre dois açudes e duas barragens", alertou recentemente Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os- Montes e Alto Douro.

Em entrevista recente, a este jornal, Hugo Silva afirmou que se tivesse uma casa na Rua 31 de Janeiro "fugia de lá". Esta afirmação, corroborada pelo presidente da Câmara, deixou a população ribeirinha preocupada, ainda mais quando o deputado municipal Emanuel Queirós levantou a questão para o perigo dos sismos induzidos, um problema que "está completamente desvalorizado e foi até descurado".

Já em 1995, Emanuel Queirós falava das consequências previsíveis sobre o rio Tâmega e a cidade de Amarante.
Para o actual deputado municipal, "A Barragem de Fridão encontra-se projectada para ser construída no limite das freguesias de Fridão e Codeçoso, dos concelhos de Amarante e Celorico de Basto, respectivamente, 6 Km a montante da cidade de Amarante. Com a supressão da localização intermédia prevista inicialmente para o nível da Senhora da Graça (Mondim de Basto), prevê-se que a barragem de Fridão possa atingir uma altura de 110 metros, que a morfologia do lugar comporta. Pleneada para interceptar o leito do rio Tâmega e nele reter um volume de 210 hm3 de água, a barragem de Fridão, tanto pela sua dimensão como pela posição relativa face à cidade de Amarante, vem colocar em questão não só os impactes ecológicos imediatos resultantes da inundação que a albufeira originará nos concelhos de Basto, mas, sobretudo, os impactes directos potencialmente consequentes a jusante da construção. Assim será no que se relaciona com o desvio do leito do rio Olo, na parte final do seu traçado; a dificuldade em garantir a manutenção do caudal ecológico do próprio rio Tâmega em período normal de estiagem entre a barragem de Fridão e a cidade de Amarante; a integridade e eficiência do sistema de captação, tratamento e abastecimento público de águas, partindo do rio Tâmega, em consequência da libertação de águas quimicamente alteradas depois de acumuladas na albufeira.
A grandeza e a extensão das consequências que a construção da Barragem de Fridão irá provocar localmente justifica, que o respectivo dossier seja colocado perante as mais altas instâncias decisórias do País, levado aos principais órgãos de soberania do Estado Português, para que as mais sérias preocupações locais sejam devidamente atendidas, e a decisão final sobre o futuro da barragem de Fridão fique com quem tem o sentido justo do exercício democrático"
.


Todos os partidos já manifestaram a sua discordância em relação à anunciada construção da barragem de Fridão.

Para conhecermos a posição das pessoas que trabalham e vivem da rua 31 de Janeiro, o NTA registou a opinião de alguns comerciantes, já habituados a sofrer com o efeito da barragem do Torrão em época de cheias. 

O sentimento é de revolta e manifestaram-se totalmente contra a construção de um paredão no Tâmega, com 110 metros de altura.

A possibilidade, ainda que remota, do rebentamento da barragem, é outro dos problemas que afligem os amarantinos.

António Gonçalves (Casa Gonçalves)
Sou contra a construção da Barragem por várias razões: a primeira é precisamente por causa da destruição ambiental que vai acontecer e a segunda por causa do nível das cheias. Se agora é mau, quando construírem a barragem o nível das águas vai subir ainda mais. Acho que ninguém construiria uma casa perto de uma central nuclear por muito seguro que fosse. Portanto, no nosso caso, é quase igual porque os nossos estabelecimentos ainda vão estar mais ameaçados.
A história diz-nos que de vez em quando uma barragem vai abaixo e também nos diz que a massa de água aliada à velocidade destruiriam Amarante em seis minutos. Uma parede de água com 110 metros de altura a uma distância de 6 Km ia com certeza destruir a nossa cidade. O que me comove é que o que representa a barragem de Fridão no plano energético nacional é praticamente nulo. Eu faço parte do movimento "Por Amarante sem barragens" e peço que toda agente se una a nós para travar esta barragem porque o que está aqui em causa é uma cidade e, por isso, não pode haver divisão de partidos.
Eles têm que se unir e lutarem com mais força. Estou convencido que Amarante ainda vai conseguir que não se faça esta barragem, já que o Dr. Armindo Abreu disse publicamente que é contra a construção da barragem.
Espero que ele não fique só pelas palavras. É um apelo que eu lhe faço.

Hilda Faria (Pastelaria Tinoca)
Sou contra a barragem porque já tenho tido muitos problemas com as cheias e acho o facto de ser construída uma tão perto ainda vai ser pior. Aquilo vai ser um muro de betão tão grande a reter a água que se vem um ano de chuvas fortes eles abrem as comportas e nós é que levamos com a água toda.

Lúcia Monteiro (Restaurante Zé da Calçada) Sou contra a barragem, porque temo pelos meus bens. Sem a barragem já temos tido problemas de cheias, de águas paradas a provocar maus cheiros e isso é muito prejudicial para um estabelecimento de restauração porque os clientes não gostam de estar a comer e a sentir um cheiro nauseabundo vindo do rio.
Se o nível da água subir muito vai estragar as margens do rio e a paisagem que se vê.

Avelino Basto (Casa das Malas)
Sou contra a barragem. Preocupa-me muito manter o estabelecimento neste local atendendo à forma como irá ficar a barragem. Este é o meu local de trabalho e receio um dia vir a perder alguma coisa. Já é um transtorno muito grande quando acontecem as cheias que fará com a subida do nível das águas. É provável que com a barragem toda a beleza que esta rua transmite se perca e faça com que as pessoas se afastem.

Nova Tribuna de Amarante, in Por Amarante, Sem Barragens - 21 de Maio de 2008

sábado, 17 de maio de 2008

PNBEPH - Barragem de Fridão: Património a submergir pela albufeira

PNBEPH - Barragem de Fridão: Património a submergir
Brug-Mondim


de Frederik Thoolen

Além desta ponte medieval, este local tem a jusante um conjunto de açude e moinhos de àgua de valor turístico importante para este Concelho de Mondim de Basto. 

Será tudo submergido se a cota da Barragem de Fridão a construir for de 160 m?

Comentário feito à foto por miskunk, in Panoramio - 17 de Maio de 2008

quinta-feira, 15 de maio de 2008

CARICATURA DE EDUARDO BATISTÃO: MALABARISTAS EM NEGÓCIOS DE RIOS DE ÁGUA

 CARICATURA DE EDUARDO BATISTÃO

MALABARISTAS EM NEGÓCIOS DE RIOS DE ÁGUA



A estória da ilustração reporta a uma matéria de natureza política de amplitude nacional com repercussões seriíssimas no território, à escala regional e local. 

A temática envolvente prende-se com o denominado Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), uma patranha apresentada ao país por mão do incumbente Governo, em que pontifica o comprometido Instituto da Água, e a ele levado por interesses rendeiros das empresas eléctricas REN e EDP, sobre recursos estratégicos dos rios e dos seus caudais. 

Retomado um antigo projecto remanescente do Estado Novo, sem atendimento a qualquer condicionante de pendor ambiental, a bacia do Tâmega ressurge completamente artificializada em cascata, numa sucessão de barragens e albufeiras, comportando 5 (cinco) centrais previamente negociadas entre a EDP e a IBERDROLA, para além da que, em 1989, no Torrão (Alpendorada) tratou de afogar o curso inferior do rio. 

Neste contexto, desde há alguns anos, uma cidade ribeirinha no Baixo Tâmega anda embrulhada em decisões e recuos, quanto à criação de uma guilhotina que sobre ela impende, armada nos jogos palacianos alfacinhas, decorrente da eventual autorização de construção de uma central hidroeléctrica, seis quilómetros a montante da urbe, em pleno leito do rio Tâmega. 

De pouco vale que Amarante exista e seja habitada, tal como de nada conta para os interesses em jogo que o rio corra em vale estrutural formado a partir da evolução de uma falha tectónica, onde a cidade tem os alicerces edificados. Pensar em segurança regional e local acaba por ser uma inconveniência que não gera lucros a ninguém e se os habitantes amarantinos permanecerem embalados no sofisma colonizador dos artífices do trapézio, muito menos será questionada a subsequente qualidade de vida da comunidade e dos seus cidadãos.

Com a eventual construção da barragem em Fridão (Amarante) - comportando o topo do coroamento da edificação, e do ancoramento das águas, cerca de 100 metros acima da cota de base da cidade de Amarante, as águas eutrofizadas da albufeira de jusante (Torrão) tenderão a subir cerca de três metros, afogando margens, ilhas e cobrindo parte dos alicerces de uma velha ponte que é Monumento Nacional (Ponte de São Gonçalo).

A legislação nacional e da Europa comunitária atende, sobremaneira, às questões ambientais, da Água, da segurança e da preservação da paisagem como recursos inalienáveis, mas a pressão construtora e lobística das empresas das energias, mascaradas dos argumentos da redução das emissões de carbono (Quioto) e do aproveitamento das energias renováveis determinaram que o Ministro do Ambiente (Francisco Nunes Correia) passasse a fazer o discurso que competiria muito mais ao seu congénere da Economia, ficando sem haver quem verdadeiramente defenda o ambiente nesta região.

O Presidente do Instituo da Água - que é nomeado pelo Ministro do Ambiente - adequou a sua acção, não no sentido da gestão da água como recurso escasso e necessário à vida para fins múltiplos, mas como fonte potencial exclusiva geradora de energia.

De cócoras, entre os compromissos que sustenta com a política do «seu» Governo e os que estabeleceu com a população de Amarante que o elegeu - fica o edil da Câmara Municipal de Amarante, prometendo à população que lutará contra a barragem, fazendo por que tudo não passe de um facto consumado, sem ondas que o comprometam, ajustado às manobras e aos malabarismos que os políticos em Portugal andam a fazer com os recursos da Terra e com o povo de Amarante.

Com o devido agradecimento pela permissão de uso do cartoon original ao seu autor, Eduardo Baptistão. 

José Emanuel Queirós (MCDT) - 15 de Maio de 2008


quarta-feira, 14 de maio de 2008

SISMO: China tenta evitar que barragem danificada se rompa





Terremoto provoca rachaduras 'extremamente perigosas' na construção e cidade pode ser inundada

China tenta evitar que barragem danificada se rompa


Gestante de 8 meses é retirada de escombros com vida nesta quarta-feiraAP

Gestante de 8 meses é retirada de escombros com vida nesta quarta-feira

PEQUIM - A imprensa estatal chinesa afirmou nesta quarta-feira, 14, que 2 mil militares correm contra o tempo para evitar o rompimento da barragem da represa de Zipingku. Os soldados tentam consertar rachaduras "extremamente perigosas", já que as instalações e prédios próximos foram danificados e parte chegou a afundar.

Segundo o Ministério de Recursos Hídricos, o sistema de irrigação da cidade de Dujiangyan, responsável pela contenção de inundações da cidade de mais de 630 mil habitantes, pode ser prejudicado. As autoridades alertaram para os riscos da crescente pressão sobre as demais barragens locais, assim como os deslizamentos de terra nas regiões montanhosas.

O número de mortos no pior terremoto em décadas na China subiu para quase 15 mil na quarta-feira. Militares, bombeiros e civis lutam para salvar milhares de pessoas soterradas por terra e escombros. Na tarde de quarta-feira, o número de mortos era de 14.866, segundo a Xinhua, a agência de notícias oficial. O número de mortos deve subir, já que a mídia estatal informou que 25 mil pessoas estão soterradas.

As equipes de resgate retiravam os pedaços retorcidos de prédios caídos e observavam as fendas entre eles, atrás de sinais de sobreviventes do terremoto de magnitude 7,9 que destruiu casas, escolas e hospitais. O governo mandou 50 mil soldados para procurar vítimas na província de Sichuan.
Mas, entre os momentos sombrios, houve alguma alegria.

Em Mianzhu, onde milhares de pessoas foram confirmadas mortas, cerca de 500 pessoas foram retiradas vivas dos escombros dos prédios. Em Hangwang, um vilarejo em Mianzhu, uma menina recebeu comida e água enquanto tentavam tirá-la dos escombros do prédio de uma escola. Uma mulher grávida de oito meses e sua mãe, presas há dois dias debaixo de um prédio em Dujiangyan, foram resgatadas pelos bombeiros e levadas a um hospital. "Estamos muito felizes. Estávamos gritando aqui há dois dias", disse Pan Jianjun, um parente. "Mas ainda há três pessoas fazendo barulho ali."

Nos arredores da cidade de Miangyang, desabrigados circulavam por um estádio lotado, segurando cartazes com os nomes de parentes, na esperança de encontrá-los. A maioria é do condado rural de Beichuan, uma das áreas mais severamente afetadas. "Eles não disseram nada sobre o que vai acontecer conosco. 

Este é somente um lugar temporário. Não sei se vou conseguir voltar para casa," disse Hu Luobing, da vila de Beichuan, onde, segundo ela, tudo foi destruído. Ela deixou a filha no abrigo improvisado no estádio, onde cerca de 10 mil moradores de Beichuan estão, para procurar roupas. Outros procuravam comida e abrigo da chuva.

Fotos de Beichuan, área montanhosa de difícil acesso para a equipe de resgate, mostram uma devastação quase total. Os sobreviventes ficam ao ar livre, ao lado dos mortos e cercados por prédios reduzidos a pedaços de concreto.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, que está em Sichuan fazendo apelos e visitando crianças órfãs, esteve em Beichuan no meio do dia. "A sua dor é a nossa dor", disse ele na televisão estatal. Ele estava entre uma multidão de moradores da região. Alguns deles choravam. "Salvar a vida das pessoas é a tarefa mais importante."

Só o condado de Beichuan precisa urgentemente de 50 mil barracas, 200 mil cobertores e 300 mil casacos, além de água potável e medicamentos, disse a Xinhua. 

O tremor de segunda-feira é o pior na China desde 1976, quando 300 mil pessoas morreram. 

Com o desastre, fica suspensa a propaganda patriota do governo, a três meses das Olimpíadas de Pequim.

in Estadao.com.br - 14 de Maio de 2008

segunda-feira, 12 de maio de 2008

POR AMARANTE SEM BARRAGENS: PETIÇÃO POR AMARANTE E PELO RIO TÂMEGA – ASSINA TAMBÉM

 POR AMARANTE SEM BARRAGENS

PETIÇÃO POR AMARANTE E PELO RIO TÂMEGA – ASSINA TAMBÉM



UMA PATRANHA NACIONAL CHAMADA «PNBEPH»

Com a figura do «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH)», mandado elaborar pela empresa Redes Energéticas Nacionais, SGPS, S.A., o Governo encontrou a fórmula precisa para dar cunho nacional à conhecida pretensão de submeter o rio e a bacia do Tâmega aos ditames do betão e da electricidade.

Conhecendo o meio físico do vale do Tâmega e os contextos sociais para os quais as cinco barragens são projectadas, quando confrontados com o relatório de «Avaliação Ambiental» do PNBEPH, ninguém pode deixar de constatar que estamos perante uma peça meticulosamente urdida para subverter o sentido do seu propósito originário: o documento que fundamenta a iniciativa do Governo ignora fundamentos geomorfológicos estruturais e estruturantes (condicionantes naturais), como a existência da falha sismo-tectónica percorrida pelo Tâmega, e usa recurso ao impiedoso argumento de que «não há sobreposição a áreas classificadas».

De tal modo essa avaliação é conduzida que, o relatório «Ambiental» do PNBEPH, omite a existência da cidade de Amarante situada 6 Km a jusante do escalão de Fridão (Amarante), acabando por constituir um exemplo eloquente de como é possível recorrer ao uso de técnicas de planeamento – escamoteando conhecimentos não desprezíveis, da realidade que opera – para apresentar como resultados finais os que eram tidos por definitivos antes da realização do referido «estudo».

Para Amarante e para o Tâmega, o «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH)» é uma enorme patranha nacional, patrocinada e adoptada pelo XVII Governo Constitucional, para justificar antigas apetências construtoras e hidroeléctricas sobre os rios mais favoráveis, há muitos anos conhecidas.


PETIÇÃO A EVITAR MAIORES DESMANDOS SOBRE AMARANTE

Em tempos de globalismos re-inventados no declinar do segundo milénio, qual novo internacionalismo para subordinar o início do terceiro, fica a sensação de que Amarante, tal como a conhecemos – com as particularidades do micro-cosmos em funcionamento quase perfeito de integração na paisagem – talvez possa constituir um paradigma para outras esferas, mas está em visível desconformidade com esta nova ordem de «progresso» que o Governo adoptou.

Antes que aporte o tempo do arrependimento e da avaliação dos estragos, e nos convença que Amarante não era uma exorbitância da natureza malbaratada pelo Homem, uma fortuna imerecida para os autóctones e, portanto, uma desnecessidade global, assina a petição que está online no endereço

http://www.petitiononline.com/PASB2008/petition.html.

Com recurso ao exercício de "plena cidadania", faz com que esta matéria integre proximamente a agenda política da Assembleia da República, visando evitar a construção da famigerada barragem em Fridão, e manter viva a possibilidade de Amarante se livrar da guilhotina que se erguerá sobre a cidade em ameaça permanente, até que a natureza a accione.

Este cenário brutal criado pelo XVII Governo constitucional constitui uma investida cega sobre os recursos naturais do país. O «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH)», não pode sobrepor-se às repercussões nefastas dos efeitos regionais e locais esperados – em perdas patrimoniais, degradação da qualidade ambiental, e insegurança por exposição fortuita a riscos induzidos de escala sobredimensionada – tendo por referência o vale do Tâmega e a localização sobrevivente da cidade de Amarante.

José Emanuel Queirós, in PlenaCidadania - 12 de Maio de 2008

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Construção da Barragem de Fridão [Amarante]: Ponte sobre o Tâmega [Mondim - Veade] ficará submersa






Construção da Barragem de Fridão (Amarante)
Ponte sobre o Tâmega [Mondim - Veade] ficará submersa



Henrique Gomes / Fernando Vilas Boas, in Notícias de Basto, N.º 110, Ano VII (pp. 1 e 7) - 09 de Maio de 2008

AMARANTE - RIO TÂMEGA: Cidade em risco de desastre ambiental







AMARANTE - RIO TÂMEGA

Cidade em risco de desastre ambiental

A cidade de Amarante corre o risco de sofrer um desastre ambiental devido à elevada poluição do rio Tâmega, se a barragem de Fridão for transformada em aproveitamento reversível, ficando emparedada entre dois açudes e duas barragens, alertou um especialista ambiental

A afirmação foi feita num debate, em Amarante, por Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e especialista em estudos de impacte ambiental.

Segundo o técnico, que tem colaborado em estudos ambientais de diversas barragens - nomeadamente Alqueva, Sabor e Foz Tua - o Tâmega é porventura o curso de água, dos rios internacionais, que apresenta maior grau de poluição, devido à eutrofização (formação de algas tóxicas).

Rui Cortes sustenta ainda que se for construído um contra-embalse/açude a jusante da barragem, para permitir a recolocação da água na albufeira principal durante a noite aproveitando a energia das eólicas - a qualidade da água colocada no curso de água (caudal ecológico) será de pior qualidade.

Outro problema crucial a debater no âmbito do estudo de impacte ambiental (EIA), a cargo do consórcio que ganhar o concurso, será a profundidade a que a água será turbinada.

"Quanto mais fundo for turbinada mais poluição terá o caudal libertado. Será necessário diminuir as fontes de poluição, a montante, se não vamos ter em Amarante um desastre ambiental", avisou o professor da UTAD.

Linha de alta tensão com 22 quilómetros

Participaram também no debate Hélder Leite, que chamou a atenção para os problemas da construção de uma linha de alta tensão de 400 KVA com 22 quilómetros de extensão, e Berta Estevinha, que considerou preocupante o aumento da eutrofização das águas do rio, devido à poluição.

A eutrofização é um problema que afecta o rio Tâmega há quase uma década, sobretudo na albufeira formada pela actual barragem do Torrão, localizada na foz do rio.

Durante o debate, o deputado municipal por Amarante, Emanuel Queirós, alertou para o perigo dos sismos induzidos, um problema que, afirmou, "está completamente desvalorizado e foi até descurado" na análise dos dez empreendimentos considerados prioritários.

Dos dez aproveitamentos seleccionados pelo Governo, a barragem de Fridão é a segunda infraestrutura em potencial hidroeléctrico, logo a seguir a Foz Tua, já adjudicada à EDP.

in Jornal de Notícias - 9 de Maio de 2008

PNBEPH - TÂMEGA: AMARANTE E O VALE DO TÂMEGA NA PENEIRA DOS ELEITOS LOCAI

 PNBEPH - TÂMEGA

AMARANTE E O VALE DO TÂMEGA NA PENEIRA DOS ELEITOS LOCAIS

Acabando de saber que na reunião da Câmara Municipal de Amarante, ocorrida no passado dia 5 de Maio de 2008 (Acta N.º 17/2008), o Executivo deliberou estudar a possibilidade de interposição de uma providência cautelar à abertura do concurso de concessão  da Barragem de Fridão, não me surpreende minimamente a posição contrária, assumida pelo Presidente da Câmara e pela sua Vereadora, ao arrepio daquilo que o próprio até aí vinha propalando, na comunicação social e nos órgãos do Município.

Ao fim de 14 anos, desde que algumas das problemáticas relativas ao projecto hidroeléctrico de Fridão/«cascata do Tâmega»  passaram ao domínio público por minha intervenção (enquanto membro-fundador da Associação Cívica e Ecológica «Os Amigos do Rio»), entre todas as iniciativas conhecidas da responsabilidade do Presidente da Câmara Municipal de Amarante, o que verdadeiramente me surpreendeu foi a que, sob sua proposta, em Setembro (17) de 2007, levou a Câmara Municipal de Amarante (Acta n.º 34/2007) a marcar posição contrária ao consignado no «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico» quanto ao projectado empreendimento para o escalão de Fridão. Tudo o mais, quanto ao que à designada «Barragem de Fridão» e à «cascata do Tâmega» diz respeito, dos actos de que não guardou reserva e não se me desvaneceram da memória, são de inteira coerência argumentativa, tanto nas posições “caseiras” que manifestou como pela influência que, certamente, exerceu em alguns dos seus vereadores a quem delegou o pelouro do Ambiente, até reflectida na falta de posicionamento e atitude, durante cerca de década e meia, do órgão executivo a que preside.

Portanto, quando no passado dia 19 de Abril de 2008, o Presidente da Câmara Municipal de Amarante se fez notar pela ausência na sessão realizada sobre as repercussões da Barragem de Fridão, nos Paços do Concelho, levada a efeito pela «Comissão de Acompanhamento da Barragem de Fridão» de que faz parte, creio podermos daí inferir, justamente, um sinal sintomático deixado pelo próprio no contexto mais apropriado.

 

O «CHUMBO» À CLASSIFICAÇÃO DA PAISAGEM DO TÂMEGA

Evitando, por agora, a exaustividade das circunstâncias e da cronologia, que não é propósito presente, retenho o que assisti na sessão ordinária da Assembleia Municipal de Amarante de Dezembro (22) de 2007. Confrontado com o meu dever de eleito, com a faculdade proponente que o estatuto me concede e com respaldo no Decreto-Lei n.º 19/93 de 23 de Janeiro (números 1 dos artigos 9.º e 26.º), nessa sessão plenária, para deliberação no período de «Antes da Ordem do Dia», apresentei uma moção visando a classificação de

«a) toda a faixa do território concelhio enquadrada na paisagem do vale percorrido pelo rio Tâmega, de área de «paisagem protegida», e

 b) das raras formações sedimentares insuladas existentes no rio Tâmega, no concelho de Amarante, tais como são exemplos a Ínsua dos Frades e a Ilha dos Amores, de «monumento natural».»

Estando os trabalhos a decorrer, comigo na tribuna a apresentar e a defender o que creio ser um desiderato legítimo e justo dos amarantinos e de Amarante, quando o Presidente da Câmara Municipal de Amarante, não encontrando melhor argumento para influenciar o sentido de voto da bancada municipal do PS, soltou dizendo em tom e som que obrigou à minha interrupção: «Isto é truque! Isto é truque!...»

A fase de discussão da proposta teve as provas mais eloquentes até onde pode ir a desvergonha da maioria dos eleitos, a desonestidade intelectual plantada no contorcionismo dos argumentos mais inverosímeis, e o descompromisso com o juramento a que todos devemos respeito: Juro que cumprirei com lealdade as funções que me são confiadas!. É o que cada um afirma em de viva voz, ante o Município, no acto de posse.

Perante tudo o que de mais insensato outros eleitos locais me fizeram presenciar, numa matéria que supunha pacífica e consensual – mas o que perderam de assistir in loco os cidadãos deste País que não se deslocaram naquela manhã de Dezembro ao Salão Nobre dos Paços do Concelho! – logo percebi que o «chumbo» era uma inevitabilidade política conjuntural, e que de positivo, para Amarante, ficaria o lastro incorruptível que o texto a seguir consubstancia. 


PREÂMBULO PARA CLASSIFICAÇÃO DO TÂMEGA E ILHAS

«Para o território que dá pelo nome de Amarante, para a cidade que constitui sua sede administrativa, e para a região Tâmega, a Natureza fundiu magma e água num tracto fecundo e generoso, legado remoto que temos em usufruto no lugar que tem por nome Amarante.

O chão comum que da terra se eleva em xisto e granito, do fundo do vale às alturas do Marão, fixa em Amarante marcas singulares de um cenário multi-milenar, activo, transposto e tornado fértil pela brandura do rio, onde o homem pacificamente se acolheu.

A paisagem diversa e prolífica que o rio edificou em terras de Amarante, é um fenómeno telúrico irrepetível, de equilíbrio entre cada um dos seus elementos naturais que a integram, estabelecido no permanente e necessário afeiçoamento do homem à terra. Desse diálogo insondável das civilizações com a Natureza, mantido ao longo do vale na constância fecunda das águas, advém para Amarante um valor cénico intrínseco, amplamente reconhecido, acima do próprio valor natural do ecossistema. A paisagem que o rio abriu, ora rasgando o vale e humificando a terra, ora brotando aquecidas águas das suas entranhas, e que o homem trabalha arroteando courelas vinhadeiras no sopé da serra, detém indelével cunho natural-civilizacional.

As marcas naturais e culturais, singulares na sua origem e na resultante da sua conjugação inscritas no cerro da terra amarantina, são produto da mesma categoria de forças que atraíram o Santo à beira-Tâmega, ditaram a fundação da vila e do concelho, impulsionaram Pascoaes na descoberta do valor deste nosso «vale sagrado», e despertaram em Amadeo o traço e as cores da sua profunda sensibilidade criativa.

O vale do Tâmega, com o rio fluindo no seu curso natural, sempre fugidio e sempre reflexivo aos pés da cidade, nem sempre foi entendido e defendido na dimensão genesíaca dos valores equilibrados e únicos que possui. E, só por isso, o vale, o rio, a cidade e o seu povo, reflectem injustificadas faltas que o verdadeiro trabalho político há que realizar, definindo localmente regras de reconciliação com a Natureza.

Sem pressas nem agravos, enquanto a cidade se conscientiza ou se alheia, o rio Tâmega trabalha a paisagem ao ritmo equilibrado da auto-regeneração do vale, incutindo em Amarante uma prosperidade natural registada na sucessão dos ciclos temporais. Sazonalmente, oferece a descida das águas, no Verão, e, no Inverno, a subida e as cheias do Tâmega (quando as há!) que tratam de limpar as margens e o leito, e de renovar os depósitos aluvionares e as areias, que na cidade há quem compreenda e estime.

Amarante, erigida no vale sobre ambas as margens do Tâmega, mantém com o rio uma relação de estreita convivialidade, tão necessária quanto dela está dependente a existência da própria cidade e o reflexo da sua imagem.

Esta paisagem crescida em diálogo perene entre o rio Tâmega e as características geomorfológicas do vale, cuja história remonta à remota história geológica do planeta, teve florescimento autónomo e ganhou harmonia singular, que se observa no território onde Amarante ganhou lugar, até chegar a concelho e o lugar a cidade. E, hoje, na tomada de consciência do factor determinante de vida que o rio consubstancia e gera em curso natural, perscruta-se o seu apelo ao homem para que evite mais desmandos e novos excessos, que impeça a degradação da qualidade das águas e a destruição dos biótopos, que limite a introdução de mais desarranjos no sistema biofísico e perturbação à harmonia dinâmica da paisagem.


QUANTO VALE A PAISAGEM DEFINIDA PELO RIO TÂMEGA

1. Reconhecendo a relevância e dando expressão pública ao valor estético – pictórico e poético – da paisagem definida pelo vale percorrido pelo rio Tâmega em território concelhio, fonte do forte sentimento que os amarantinos desenvolvem pelo Tâmega e pela paisagem que de si se eleva em multímodos cenários na presença constante do rio, e que constitui verdadeiro potencial propulsor do turismo para o concelho e para a região, ainda pouco aproveitado;

2. Considerando que o rio Tâmega, a geomorfologia do tracto e o cenário do vale são a estrutura de suporte à vida na região e no concelho, e permanecem factores de importância vital extrema no arranjo biofísico e na dinâmica natural da paisagem de Amarante, na estabilidade de todo o contexto sócio-económico, patrimonial, e de equilíbrio entre todos os elementos que alimentam a complexidade ambiental regional e local;

3. Em ordem à:

a) consagração definitiva do valor geográfico, ecológico, e estético da paisagem irrepetível do vale do Tâmega, resultante da necessária inter-relação existente, com o seu curso fluindo a ritmo natural, pelo reconhecimento do seu valor patrimonial natural e construído, ecológico, cultural e social, insubstituíveis;

b) promoção da melhoria da qualidade de vida dos amarantinos, à garantia da gestão e utilização equilibrada da paisagem definida pelo vale do Tâmega, à conservação da Natureza e ao desenvolvimento sustentado;

c) protecção dos nossos recursos naturais, bem patentes no rio e no vale do Tâmega, contra todas as formas de degradação do meio e do nosso ambiente;

4. Considerando que:

a) no âmbito do Regulamento do Plano Director de Amarante (PDM) – ratificado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 165/97, em conformidade com o regime da Reserva Ecológica Nacional Decreto-Lei n.º 93/90 de 19 de Março – o leito do rio Tâmega está classificado de «reserva ecológica nacional (REN)», bem como toda a rede hidrográfica instalada em território do concelho (al. a) – número 2 - Anexo I);

b) com a publicação do Decreto-Lei n.º 152/97 de 19 de Junho, a Bacia Hidrográfica do Tâmega, foi classificada de «zona sensível», em virtude de se «revelar eutrófica»;

c) pelo normativo regulamentar do Plano de Bacia Hidrográfica do Douro, em vigor – aprovado pelo Decreto Regulamentar n.º 19/2001, de 10 de Dezembro –, para a sub-Bacia do Tâmega se estabelece e classifica de «ecossistema a recuperar» o sector terminal do rio Tâmega «desde Mondim de Basto, confluência da ribeira de Cabresto, à confluência com o Douro», em cuja secção do vale está integrado o seu percurso feito em território deste concelho (al. n) - Parte VI);

d) pela Lei n.º 58/2005 de 29 de Dezembro (Lei da Água), toda a Bacia do rio Tâmega recebeu o estatuto de «zona protegida» (Artigo 4.º - al. jjj));

5. Observando o regime jurídico estabelecido pela Lei n.º 11/87, de 7 de Abril (Lei de Bases do Ambiente), nomeadamente quanto aos princípios específicos enunciados – «Da prevenção», «Do equilíbrio», «Da participação», «Da procura do nível mais adequado de acção», e «De recuperação» (all. a), b), c), f), g), h) - Artigo 3.º) –, e no qual se consagra a «protecção e valorização das paisagens» como instrumentos da política de gestão das próprias paisagens (Artigo 19.º);

6. Tendo em vista dotar o Município de Amarante dos instrumentos legais que proporcionem limitar os processos degradativos que se registam sobre cada um dos componentes da paisagem amarantina atravessada pelo rio Tâmega, e promover, nomeadamente, a recuperação da qualidade das águas do rio e das paisagens do vale por si percorrido em território concelhio.»


AMARANTE E O VALE DO TÂMEGA AINDA PODEM ESPERAR?

O que poderá constituir surpresa para muitos, é que esta minha iniciativa – enquanto no cumprimento da função de eleito local – visando dar início a um processo de classificação do vale e das ilhas do Tâmega, esbarrou com as «nomenclaturas» partidárias formadas e instaladas nos órgãos representativos do Município de Amarante. E, sem dúvida, deram provas insofismáveis de estar muito rotinadas nestas coisas dos «usos» do poder. Mas, simultaneamente, provaram também que se comportam por cânones recônditos e por propósitos castradores onde não se vislumbram reais interesses colectivos do concelho nem respeito pelos valores que Amarante em si comporta.

No atoleiro político-partidário em que Amarante mergulhou, muito por falta de exigência cívica e por força do afastamento que os cidadãos deram aos seus eleitos, episódios semelhantes a este são rotina no órgão fiscalizador e deliberativo do Município de Amarante, onde contra o facto do PS exibir o seu poderio sectário atroz, não há argumentos que possam vingar fora do recalcitrado espírito de horda.

José Emanuel Queirós, in PlenaCidadania - 9 de Maio de 2008

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Ainda a Barragem de Fridão

Ainda a Barragem de Fridão








Tâmega - S. Gonçalo - Amarante - Portugal
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Hoje volto à carga para reforçar a ideia de perda irreparável que se verificará em Amarante se tudo o que está previsto pela construção desta malfadada barragem se vier a concretizar. 

Perda irreparável para Amarante e perda irreparável para cada um de nós, amarantinos que amam a terra que os viu nascer.

Por isso postei as mesmas fotografias de ontem, desta vez sem cortes, e no maior tamanho em que é possível publicá-las aqui no blogue. 

Já o disse e repito. Não é um tamanho de fotografia que eu use muito. Porque gosto de postar o tamanho mais pequeno e deixar que as pessoas as ampliem investigando e absorvendo um ou outro pormenor que achem mais interessante. Mas, porque a hora é grave, aqui ficam as mesmíssimas fotografias que ilustraram o meu "post" de ontem no maior tamanho possível.

Para que as pessoas interiorizem o que corremos o risco de deixar afogar, e de perder, sem possível reparação futura.

E nós, amarantinos, não estamos já fartos de perder?

Anabela Magalhães, in Anabela Magalhães - 8 de Maio de 2008