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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Barragens - Governo chinês suspende construção de duas barragens







Barragens no rio Yangtzé
Governo chinês suspende construção de duas barragens


















Foto: Sean Yong/Reuters




O Ministério da Protecção Ambiental chinês anunciou que suspendeu o projecto de construção de duas barragens no Yangtzé, o maior rio da China, em Yunnan, porque não têm as autorizações ambientais necessárias e porque terão um "impacto ecológico muito grande".
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in Públicoecosfera - 12 de Junho de 2009

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O terramoto do ano passado na China pode ter causas humanas


O terramoto do ano passado na China pode ter causas humanas

pict881Foto: Steven Wang

Segundo o Telegraph.co.uk, o terramoto de 7.9 de magnitude que matou 80.000 pessoas na China no ano passado, pode ter sido despoletado pela mega barragem de ZiPingPu. 

A suspeita está a ser levantada por cientistas chineses e norte-americanos. Fan Xiao, que é o engenheiro chefe do Departamento de Geologia de Sichuan diz que é muito provável que a construção e enchimento do reservatório de 315 milhões de toneladas de água, em 2004, tenha levado ao desastre.

Christian Klose, um cientista da Universidade de Colombia, diz que a mudança de grandes quantidades de água na região, pode ter relaxado a tensão entre os dois lados da falha geológica, permitindo que elas se movessem, e ao mesmo tempo aumentasse o suficiente a pressão directa para causar uma ruptura violenta.

A construção desta mega barragem tinha sido alvo de forte contestação que foi duramente reprimida pelas autoridades chinesas. O que pensarão agora as vítimas do terramoto, ao ter conhecimento destes desenvolvimentos?

mescalero, in Agitação - 5 de Fevereiro de 2009

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Terramoto na China pode ter sido provocado pelo homem, dizem cientistas






Terramoto na China pode ter sido provocado pelo homem, dizem cientistas



O terramoto que no ano passado matou pelo menos 80.000 pessoas em Sichuan pode ter sido despoletado por um enorme barragem situada a poucas milhas do epicentro.

Os 511 pés de altura (aprox. 156m) da barragem de Zipingpu suportam 315 milhões de toneladas de água apenas a 550 jardas (cerca de 500m) da linha de falha, e a três milhas (aprox. 5,5 km) do epicentro do terramoto de Sichuan.

Agora cientistas chineses e dos Estados Unidos acreditam que o peso de água e o efeito de subsidência, poderiam ter afectado a pressão na linha de falha, possivelmente originando a libertação de uma série de rupturas que conduziram ao abalo.
Fan Xiao, o engenheiro-chefe do Departamento de Geologia e Minas de Sichuan, em Chengdu, disse que tinha era "muito possível" que a construção e o enchimento do reservatório em 2004 possam ter provocado o acidente.

"Tem havido muitos casos em que uma albufeira despoletou um terramoto" disse Fan Xiao. "Este terramoto era muito improvável nesta região. Antes deste sismo não houve actividades sísmica maior que a magnitude sete, ao longo desta cintura sísmica".
O abalo de magnitude 7.9 despoletado em Maio passado desalojou mais de cinco milhões de pessoas. Continua a ser um triste e comovente assunto para a maioria dos chineses, e o governo tem sido célere a eliminar qualquer ideia de que Zipingpu possa ter sido responsável pela catástrofe. Entretanto o acesso a dados sismológicos e geológicos tem sido recusado aos investigadores que querem estudar o terramoto.

Zipingpu é apenas uma das quase 400 barragens hidroeléctricas na zona do terramoto. Fan Xiao diz que o governo estava avisado do perigo de construir tantos projectos de grandes dimensões numa área sismicamente activa, mas os avisos foram ignorados.
"Eu não só me opus à construção de Zipingpu, mas também ao sobredimensionamento das albufeiras no rio Minjiang. Existem dez importantes albufeiras no rio principal, 29 nos seus afluentes, e muitas mais represas de menor escala, que no conjunto bloqueiam completamente a corrente do rio, e são um perigo geológico para a região", refere Fan Xiao.

Apesar de Sichuan ser uma região predisposta a sismos, muitos cientistas foram apanhados de surpresa pela magnitude do abalo. Christian Klose, um cientista do Observatório da Terra Lamont-Doherty da Universidade de Columbia, disse que nessa linha falha não havia alguma "actividade sísmica importante" há milhões de anos.
Ele argumentava que o rápido surgimento de enorme quantidade de água na região poderia ter simultaneamente diminuído a tensão entre ambos os bordos da falha, permitindo-lhes movimentos diferenciados, e incrementado também a pressão directa necessária para causar uma ruptura violenta. A consequência foi uma pressão "25 vezes mais" do que o valor de um ano de stress natural do movimento tectónico, refere.

Embora a orientação do governo sustente que as construções colossais nada tiveram a ver com o terramoto, alguns investigadores estatais em Beijing pediram uma investigação completa. Lei Xinglin, do Departamento chinês de Sismos, disse que a albufeira de Zipingpu "claramente afectada pela sismicidade local, vale a pena estudar o seu papel jogado em accionar o terramoto". Contudo, acrescentou que ainda é "prematuro" para tirar conclusões.
Há uma história de sismos despoletados por barragens, incluindo vários causados pela construção da barragem de Hoover nos EUA, mas nenhum atingiu semelhante magnitude.

Malcolm Moore (Shanghai), in Telegraph.co.uk - 02 Feb 2009

(Tradução de José Emanuel Queirós)

domingo, 18 de janeiro de 2009

Milhares de chineses fogem temendo rompimento de barreiras





Milhares de chineses fogem temendo rompimento de barreiras

BEICHUAN, China (Reuters) - Milhares de chineses fugiram de suas casas no sábado, em meio a temores de que um lago possa romper suas barreiras, prejudicando os esforços de resgate depois de o terremoto mais catastrófico em mais de 30 anos ter deixado cerca de 29 mil mortos.

Trabalhadores de resgate retornaram ao condado de Beichuan, perto do epicentro do terremoto, na província de Sichuan, mas muitos moradores estavam assustados demais para voltar, temerosos devido a um lago formado depois de os abalos posteriores ao terremoto principal terem provocado avalanches que bloquearam o fluxo de um rio.

"Depois de uma breve retirada de moradores, os trabalhos de resgate voltaram ao normal em Beichuan", disse um site oficial (www.china.com.cn), atribuindo a fuga de moradores a um falso alarme.

Um oficial paramilitar tinha dito à Reuters antes que a probabilidade de o lago romper suas barreiras era "extremamente alta."

A situação "é muito perigosa, porque ainda há tremores que provocam deslizamentos de terra que podem danificar a barragem," disse Luo Gang, operário da construção que deixou a cidade portuária de Xiamen, no sudeste do país, e voltou para casa para procurar sua noiva desaparecida.

Os trabalhos de resgate foram complicados pelo mau tempo, o terreno irregular e as centenas de abalos posteriores.

O Instituto Geológico dos EUA relatou um tremor de 6,1 pontos com epicentro a 80 quilômetros a oeste de Guangyuan. É o mais recente de uma série de abalos posteriores que atingiram a província de Sichuan. A agência oficial de notícias chinesa Xinhua disse que não há informações imediatas de mais danos ou mortes nessa região.

"Embora o melhor momento para resgatar sobreviventes já tenha passado, salvar vidas ainda é nossa primeira prioridade", disse o presidente Hu Jintao a sobreviventes em choque, uma semana depois de a China ter comemorado a chegada da tocha olímpica ao cume do monte Everest.

Enquanto o tempo esquenta, os sobreviventes se preocupam com a higiene e começam a fazer perguntas sobre seu futuro de mais longo prazo.

"O que não precisamos mais no momento é macarrão instantâneo", comentou o caminhoneiro Wang Jianhong, na cidade de Dujiangyan. "Queremos saber o que vai ser de nossas vidas."

As autoridades planejam distribuir diariamente 0,5 quilo de alimento e um subsídio de 10 yuans (1,45 dólar) às pessoas que enfrentam dificuldades financeiras nas regiões atingidas pelo terremoto, durante o prazo de três meses, informou a Xinhua, após uma reunião presidida pelo premiê Wen Jiabao.

Também pretendem instalar trailers residenciais, salas de aula temporárias e ambulatórios para a população atingida pelo terremoto.

POPULAÇÃO TENSA
Há receios crescentes sobre a segurança de barragens e açudes que sofreram abalos na província montanhosa de Sichuan, uma área aproximadamente igual à da Espanha.

Em Sichuan e na vizinha Chongqing, 17 açudes foram danificados e algumas barragens apresentam rachaduras e vazamentos. Várias delas ficam no rio Min, que passa pelas áreas mais afetadas pelo terremoto, entre o planalto tibetano e a planície de Sichuan.

A barragem de Lianhehua, construída no final dos anos 1950 a noroeste de Dujiangyan, apresenta rachaduras tão grandes que se pode colocar um punho fechado nelas.

"Com a barragem nesta situação, não podemos ficar tranquilos", disse o lavrador Feng Binggui, que mudou-se de seu povoado, situado abaixo da barragem, para as montanhas.

A China prevê que o número de vítimas fatais do terremoto, de 7,9 pontos de magnitude, exceda os 50 mil. Cerca de 4,8 milhões de pessoas perderam suas casas, e os dias para o resgate de sobreviventes estão contados.

O porta-voz ministerial Guo Weimin, fazendo uma pausa para se recompor ao ler o relatório de vítimas em uma entrevista à imprensa, informou que o número de mortos no momento está em 28.881.

O premiê Wen disse que o terremoto foi "o maior e mais destrutivo" desde antes da revolução comunista de 1949 e que a reação rápida ajudou a reduzir o número de mortes.

E isso mesmo quando comparado ao terremoto de 1976 na cidade de Tangshan, no norte do país, que matou até 300 mil pessoas.

O vice-governador de Sichuan, Li Chengyun, disse que mais de 188 mil pessoas ficaram feridas e cerca de 10.600 pessoas continuam presas sob os destroços. Cerca de 2,6 milhões de barracas são necessárias para abrigar 4,8 milhões de pessoas, disse ele.

Um operário que reparava cabos morreu no sábado, três meses antes de Pequim sediar as Olimpíadas, atingido por pedras quando um abalo posterior moderado atingiu o condado de Lixian.

O presidente Hu elogiou os funcionários de resgate por sua bravura em Wenchuan, o epicentro do terremoto, quando a região foi atingida por outro abalo.

Num vislumbre de esperança de que mais pessoas ainda possam ser retiradas dos escombros com vida, 33 pessoas foram resgatadas em Beichuan, incluindo um camponês de 69 anos que passara 119 soterrado. Soldados retiraram 18 cientistas que não tinham meios de sair de uma floresta na vizinha Mianzhu.

Um site do governo disse que a China está em alerta cautelar contra possíveis vazamentos radiativos. O principal laboratório nacional de pesquisas com armas nucleares fica em Mianyang, ao lado de vários sítios atômicos secretos, mas não há usinas nucleares.

A China enviou 150 mil soldados à região do desastre, mas suprimentos e trabalhadores de resgate vêm tendo dificuldade em chegar às áreas mais atingidas devido às quedas de barreiras e à destruição de estradas pelo terremoto.

Ofertas de ajuda do exterior vêm chegando constantemente, e equipes de resgate do Japão, Rússia, Taiwan, Coréia do Sul e Singapura já chegaram ao país. As doações recebidas ultrapassam os 6 bilhões de yuans.

Chris Buckley e John Ruwitch, in Swissinfo.ch - 18 de Janeiro de 2009

quarta-feira, 14 de maio de 2008

SISMO: China tenta evitar que barragem danificada se rompa





Terremoto provoca rachaduras 'extremamente perigosas' na construção e cidade pode ser inundada

China tenta evitar que barragem danificada se rompa


Gestante de 8 meses é retirada de escombros com vida nesta quarta-feiraAP

Gestante de 8 meses é retirada de escombros com vida nesta quarta-feira

PEQUIM - A imprensa estatal chinesa afirmou nesta quarta-feira, 14, que 2 mil militares correm contra o tempo para evitar o rompimento da barragem da represa de Zipingku. Os soldados tentam consertar rachaduras "extremamente perigosas", já que as instalações e prédios próximos foram danificados e parte chegou a afundar.

Segundo o Ministério de Recursos Hídricos, o sistema de irrigação da cidade de Dujiangyan, responsável pela contenção de inundações da cidade de mais de 630 mil habitantes, pode ser prejudicado. As autoridades alertaram para os riscos da crescente pressão sobre as demais barragens locais, assim como os deslizamentos de terra nas regiões montanhosas.

O número de mortos no pior terremoto em décadas na China subiu para quase 15 mil na quarta-feira. Militares, bombeiros e civis lutam para salvar milhares de pessoas soterradas por terra e escombros. Na tarde de quarta-feira, o número de mortos era de 14.866, segundo a Xinhua, a agência de notícias oficial. O número de mortos deve subir, já que a mídia estatal informou que 25 mil pessoas estão soterradas.

As equipes de resgate retiravam os pedaços retorcidos de prédios caídos e observavam as fendas entre eles, atrás de sinais de sobreviventes do terremoto de magnitude 7,9 que destruiu casas, escolas e hospitais. O governo mandou 50 mil soldados para procurar vítimas na província de Sichuan.
Mas, entre os momentos sombrios, houve alguma alegria.

Em Mianzhu, onde milhares de pessoas foram confirmadas mortas, cerca de 500 pessoas foram retiradas vivas dos escombros dos prédios. Em Hangwang, um vilarejo em Mianzhu, uma menina recebeu comida e água enquanto tentavam tirá-la dos escombros do prédio de uma escola. Uma mulher grávida de oito meses e sua mãe, presas há dois dias debaixo de um prédio em Dujiangyan, foram resgatadas pelos bombeiros e levadas a um hospital. "Estamos muito felizes. Estávamos gritando aqui há dois dias", disse Pan Jianjun, um parente. "Mas ainda há três pessoas fazendo barulho ali."

Nos arredores da cidade de Miangyang, desabrigados circulavam por um estádio lotado, segurando cartazes com os nomes de parentes, na esperança de encontrá-los. A maioria é do condado rural de Beichuan, uma das áreas mais severamente afetadas. "Eles não disseram nada sobre o que vai acontecer conosco. 

Este é somente um lugar temporário. Não sei se vou conseguir voltar para casa," disse Hu Luobing, da vila de Beichuan, onde, segundo ela, tudo foi destruído. Ela deixou a filha no abrigo improvisado no estádio, onde cerca de 10 mil moradores de Beichuan estão, para procurar roupas. Outros procuravam comida e abrigo da chuva.

Fotos de Beichuan, área montanhosa de difícil acesso para a equipe de resgate, mostram uma devastação quase total. Os sobreviventes ficam ao ar livre, ao lado dos mortos e cercados por prédios reduzidos a pedaços de concreto.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, que está em Sichuan fazendo apelos e visitando crianças órfãs, esteve em Beichuan no meio do dia. "A sua dor é a nossa dor", disse ele na televisão estatal. Ele estava entre uma multidão de moradores da região. Alguns deles choravam. "Salvar a vida das pessoas é a tarefa mais importante."

Só o condado de Beichuan precisa urgentemente de 50 mil barracas, 200 mil cobertores e 300 mil casacos, além de água potável e medicamentos, disse a Xinhua. 

O tremor de segunda-feira é o pior na China desde 1976, quando 300 mil pessoas morreram. 

Com o desastre, fica suspensa a propaganda patriota do governo, a três meses das Olimpíadas de Pequim.

in Estadao.com.br - 14 de Maio de 2008