terça-feira, 30 de dezembro de 2008

PNBEPH - Programa Nacional de Barragens: Testemunho de apoio à «Causa» do Tâmega livre de barragens

PNBEPH - Programa Nacional de Barragens
Testemunho de apoio à «Causa» do Tâmega livre de barragens

Olá, Sou Natural de Arco de Baúlhe, mas trabalho em Lisboa. Não concordo com as barragens e estou disponível para tudo o que estiver ao meu alcance para mudar o rumo a esta desastrosa ideia. Obrigado pelo bom trabalho desempenhado, para algo que desconhecia completamente. Temos de acordar o País para este desastre!
 
João Machado

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Assembleia de Freguesia de Arco de Baúlhe aprovou voto de protesto: ARCO DE BAÚLHE CONTRA AS BARRAGENS NO TÂMEGA

ASSEMBLEIA DE FREGUESIA APROVOU VOTO DE PROTESTO
ARCO DE BAÚLHE CONTRA AS BARRAGENS NO TÂMEGA
 









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Na passada sessão de Dezembro (29) de 2008 a Assembleia de Freguesia de Arco de Baúlhe (Cabeceiras de Basto) aprovou um Voto de Protesto contra as incidências que resultarão em Basto com a aplicação do Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH).


A iniciativa proponente partiu do 1.º secretário da Mesa da Assembleia de Freguesia, eleito pelo Partido Socialista, Vítor Pimenta, activo fundador do Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega.

Pelo valor documental da proposta, que pesa e interpreta plenamente o quanto de nefasto o PNBEPH arrasta para todo o vale do Tâmega (nomeadamente pela anunciada construção de uma barragem em Fridão–Amarante, e pelo transvase das águas do rio Olo), segue o texto na sua versão integral:


«VOTO DE PROTESTO
Cara Presidente e membros da Assembleia de Freguesia de Arco de Baúlhe.
No dia 4 de Outubro de 2007, o Governo lançou o Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) com o objectivo de reduzir a dependência energética externa do país, aumentando o aproveitamento do potencial hídrico dos actuais 46 para 70 %, e com isto também reduzir as emissões de gases com efeitos de estufa, no sentido das exigências do Protocolo de Quioto.

Das 10 (dez) Barragens previstas pelo PNBEPH, 5 (cinco) serão na bacia do Tâmega, e foram já lançadas no passado mês de Abril, num investimento previsto a rondar os 1200 milhões de euros só aí, para a construção das barragens que vão frenar o rio Tâmega e afluentes em quase toda a sua extensão. Toda a paisagem natural e cultural do Vale do Tâmega, o qual compreende a Região de Basto, vai sofrer uma modificação dramática e irreversível, cujas consequências ainda não foram bem explanadas nos inúmeros relatórios ambientais e económicos disponibilizados pelo Governo no seu Portal da Web e no site do Instituto da Água, IP (INAG).

É minha convicção pessoal, depois de ler, ouvir e discutir com diversas pessoas, nomeadamente técnicos com carreira académica e de organizações ambientalistas que o PNBEPH é um erro estratégico no solucionamento do problema da Energia em Portugal. Se não vejamos, assim que concluído em 2020, segundo o prazo estipulado, o PNBEPH terá acrescentado um máximo de 5% na produção eléctrica nacional, quando, segundo relatórios comunitários, a procura de energia em Portugal cresce anualmente à razão dupla do crescimento do PIB. Isto significa que em poucos anos o retorno será rapidamente anulado, não representando o tal efeito positivo na factura energética que tanto se anuncia.

E isto, apesar das perdas na Biodiversidade, na qualidade de vida das populações, nos recursos naturais e culturais da nossa Região, do Vale do Tâmega, que é a mais pobre da Europa segundo a Rede Europeia Anti-Pobreza.

Arco de Baúlhe, é uma freguesia encostada ao Tâmega e por isso esta questão não pode passar ao lado. Com a construção da Barragem de Fridão (Amarante) cuja albufeira atingirá a nossas margens, teme-se uma perda séria da qualidade de vida e ambiental na nossa terra. Com um rio Tâmega que vindo poluído desde Espanha, que sorve ainda grande parte dos efluentes domésticos, agrícolas e industriais das povoações – exemplificado na falta de qualidade balnear da praia fluvial do Caneiro – há risco muito real de eutrofização das suas águas paradas pelo complexo de Barragens. Este problema é até apontado num relatório ambiental do INAG.

A acumulação excessiva de nutrientes, derivados do fósforo e nitratos, causará uma proliferação excessiva de algas, que, em decomposição, levam ao aumento do número de microrganismos e à consequente deterioração da qualidade da massa de água, com a morte de espécies de plantas, de peixes e outros animais, gerando um desequilíbrio praticamente irreversível no ecossistema da região.

Este desastre ambiental é já observado a jusante, na Barragem do Torrão, onde também se verifica, como seria de esperar, uma degradação da actividade agrícola, da qualidade do ar com a produção de gases tóxicos, contaminação de nascentes de água e aumento de pragas, com maior necessidade de uso de insecticidas por parte dos agricultores. Não será por acaso que médicos locais registaram um aumento anormal de casos osteoporose e leishmaniose – doença que afecta cães e seres humanos, causada por um protozoário (microorganismo) transmitido pelo mosquito.

É isto que as populações podem esperar se este plano for avante: uma pior qualidade de vida. E mesmo a promessa de postos de trabalho é uma falácia vendida à boca cheia. Salvo raríssimas excepções, nenhuma barragem gera emprego permanente na economia local, quer directa quer indirectamente, que justifique o património humano e material sacrificado com a sua construção. Mais, com as alterações ambientais, microclimáticas e com as perdas de valores patrimoniais, alguns deles classificados, e vias de comunicação, perde-se muito do nosso potencial turístico e dinâmica económica da região. A produção agrícola, da qual o Vinho Verde é exemplo, será seriamente afectada.

Face a esta perspectiva nebulosa, creio que a população desta Região merece ser ouvida nas decisões que tomam à sua revelia, merece ser auscultada sobre o seu futuro, e merece sobretudo outros investimentos. O País, com graves indicadores de desperdício energético, necessita de apostar em políticas sérias de eficiência que, com menos custos, poderiam reduzir a sua dependência em 40 %. O País, deve largar o paradigma errado e atrasado das Barragens, que só serve corporações insensíveis do Sector da Energia, do Cimento e da Construção, com os seus impactos negativos no ambiente, e apostar claramente nas Energias Alternativas: Solar, Geotérmica, Éolica e das Marés.

É por estes motivos, que me manifesto publicamente contra este Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico e a sua implementação no Vale do Tâmega.

É por estes motivos que proponho à votação nesta Assembleia de Freguesia, de um Voto de Protesto contra a Construção de Barragem em Fridão e restante Bacia do Tâmega, que, a ser aprovado, deverá ser comunicado à Assembleia Municipal de Cabeceiras de Basto e ao Governo da República Portuguesa.

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Vítor Filipe Oliveira Gonçalves Pimenta
29 de Dezembro de 2008»



ARCO DE BAÚLHE CONTRA A BARRAGEM DE FRIDÃO

Depois da leitura da proposta ao plenário da freguesia, seguiu-se uma discussão participada em que se esgrimiram argumentos pró e contra o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, tendo sido abordadas expectativas de oportunidades de emprego, energia, turismo e qualidade de vida das populações.

O Presidente da Junta de Arco de Baúlhe, Armando Duro, referiu que a Assembleia Municipal de Cabeceiras de Basto já se pronunciara favoravelmente à construção das barragens no Tâmega, e que o processo dificilmente seria reversível. No entanto, quando colocada à votação, a proposta de Vítor Pimenta foi aprovada com o seu voto favorável e dos dois membros do PSD, obtendo ambém 3 votos contra e 2 abstenções dos restantes membros do PS, tendo o desempate sido anulado com o voto de qualidade da Presidente da Assembleia de Freguesia, Marisa Conde e Sousa.


A Assembleia de Freguesia de Arco de Baúlhe tem agora uma posição própria sobre o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, contrário à a construção de barragens no rio Tâmega, e expressamente contra a construção da Barragem de Fridão, projectada para o concelho de Amarante.


Estão criadas as condições para que a matéria das barragens no Tâmega chegue às instâncias municipais de Cabeceiras de Basto com o equilíbrio da fundamentação e dos argumentos invocados por Vítor Pimenta na Assembleia de Freguesia de Arco de Baúlhe, de modo a proporcionar o esclarecimento, o debate e participação cívica das gentes da Região de Basto e do vale do Tâmega, sendo de augurar que nos órgãos representativos de Cabeceiras de Basto prevaleça a defesa do Interesse Público local e regional quanto ao que a este assunto interessa ter em conta.

sábado, 27 de dezembro de 2008

RIO TÂMEGA - Cabeceiras de Basto: Entrevista com o «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega»





RIO TÂMEGA - Cabeceiras de Basto
Entrevista com o «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega»



 
Marco Gomes e Vítor Pimenta, in Rádio Voz de Basto - 26 de Dezembro de 2008
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Cabeceiras de Basto)

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

PNBEPH - CASCATA DO TÂMEGA: Barragens poderão afectar Fisgas de Ermelo






PNBEPH - CASCATA DO TÂMEGA
Barragens poderão afectar fisgas de Ermelo

A maior queda de água de Portugal - as fisgas de Ermelo - localizada no Parque Natural do Alvão, poderá "ser seriamente" afectada com a construção da barragem de Gouvães, alertou um especialista da Universidade de Vila Real.

Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e especialista da área do ambiente, afirmou à Agência Lusa que a construção de quatro barragens na bacia hidrográfica do Tâmega e de três derivações de cursos de água vão "alterar completamente" a zona envolvente a este rio e até mesmo o Parque Natural do Alvão (PNA).

Uma dessas derivações, refere, é o rio Olo, que alimenta as Fisgas de Ermelo, aquelas que são consideradas como as maiores quedas de água de Portugal e uma das maiores da Europa, anualmente visitadas por milhares de pessoas.

O projecto das quatro barragens da "cascata do Tâmega" - Alto Tâmega, Daivões, Padroselos e Gouvães - foi adjudicado ao grupo espanhol Iberdrola, que abriu concurso público para escolher a empresa que vai efectuar o Estudo de Impacte Ambiental (EIA). Estes empreendimentos fazem parte do Plano Nacional de Barragens anunciado pelo Governo de José Sócrates.

Segundo explicou o especialista, a barragem de Gouvães, a construir no rio Torno, vai derivar água de dois afluentes, o Olo - na zona a montante das Fisgas - e Alvadia. "Ou seja, o caudal que actualmente alimenta as fisgas será reduzido ao mínimo, afectando seriamente esta queda de água, que desaparecerá nos moldes em que a conhecemos actualmente, e o próprio PNA", sublinhou o responsável.

Rui Cortes diz que não está a por em causa a construção da barragem, mas sim a derivação de água do Olo. Por isso mesmo, o especialista espera que esta situação seja resolvida em sede do EIA.

As Fisgas de Ermelo estão localizadas na freguesia de Ermelo, Mondim de Basto, e possuem um desnível que se estende ao longo de 200 metros de extensão, separando as zonas graníticas das xistosas das terras envolventes.

Contactado pela Agência Lusa, o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), responsável pelo PNA, referiu que se vai pronunciar sobre o assunto em sede do EIA.
Mas, Rui Cortes vai mais longe e diz que a construção das quatro barragens vai transformar o rio Tâmega "praticamente num grande albufeira" com cerca de 150 quilómetros, desde a fronteira, em Espanha, até Amarante. A tudo isto vai ser acrescentada, mais tarde, a construção de uma outra barragem - a de Fridão - próxima de Amarante. Cortes salientou ainda que a construção destas barragens vai afectar "parte das vilas de Mondim de Basto e Ribeira de Pena e mais de 10 aldeias ribeirinhas" deste território.

Ao contrário da barragem do Fridão, contestada pela população de Amarante, as restantes quatro, foram apoiadas pelos autarcas do Alto Tâmega (Chaves, Boticas, VP Aguiar, Valpaços, R. Pena e Montalegre), que, conjuntamente com a EDP, concorreram à construção das mesmas.

in
Jornal de Notícias

domingo, 21 de dezembro de 2008

Rádio Clube Português (Braga): Entrevista com o «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega»







Rádio Clube Português (Braga)
Entrevista com o «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega»

..................................................................................MCDT - entrevista
 
José Emanuel Queirós, in Rádio Clube Português (Braga) - 18 de Dezembro de 2008
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Amarante)

Humor anti-barragista

Humor anti-barragista


























 
 

«Querida, podes ligar a água?»




























«Diz "Cuidado: a água que sai desta torneira poderá estar sobre alta pressão".»


 
 

sábado, 20 de dezembro de 2008

Contra a construção da Barragem de Fridão...- Movimento cívico quer salvar o Tâmega e a vida no Olo




Contra a construção da Barragem de Fridão...
Movimento cívico quer salvar o Tâmega e a vida no Olo



Movimento de Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega conta com cidadãos de Amarante, Cabeceiras, Celorico e Mondim de Basto. No passado dia 28 de Novembro, na cidade de Amarante, efectuou-se uma conferência de imprensa de apresentação do Manifesto do Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega. Este movimento composto por cidadãos de Amarante, Cabeceiras, Celorico e Mondim de Basto, asseverou, pela voz de José Emanuel Queirós, as razões da contestação ao que o «Programa Nacional de Barragens (PNBEPH)» reserva para Amarante e para a Região de Basto. Em causa está a transformação do rio Tâmega numa albufeira (com quase 150 km de extensão) desde a fronteira com Espanha até ao concelho de Amarante, para aproveitamento hídrico pelas grandes empresas de produção eléctrica.

Este movimento denuncia, também, a possibilidade das cinco barragens, a construir na sub-bacia do rio Tâmega, "artificializarem" o rio, acelerar o processo de eutrofização, destruir o equilíbrio dos ecossistemas e interromper a vida natural, tal como a conhecemos, em torno do rio. Nomeadamente, na Região de Bastom a contestação do "Programa Nacional de Barragens" é reforçada com a possibilidade das famosas cascatas das "Fisgas de Ermelo", uma das maiores cascatas naturais da Europa, e os campos agrícolas mais férteis da Região de Basto desaparecerem com a subida das águas.

A qualidade de vida e de vivência nesta Região de Basto está inequivocamente ameaçada com este projecto, segundo o manifesto deste «Movimento» de cidadãos.

O «Movimento» reforçou que este empreendimento [construção das barragens] que suporta este programa não trará desenvolvimento para a bacia do Tâmega.

«É, simplesmente, um "retrocesso" ambiental e que visa apenas satisfazer as "apetências" das grandes multinacionais em nome de um desenvolvimento sustentável». Referindo como exemplo o "não-desenvolvimento" ligado à barragem de Torrão (Amarante) no curso do rio Tâmega.

Petição na Internet contra a Barragem já tem mais de 1300 assinaturas.

José Emanuel Queirós sustenta que «O "programa" em curso - totalmente feito em gabinete a partir de Lisboa - do ponto de vista técnico e científico é um logro (...)» e que o «Programa Nacional de Barragens» constitui, do ponto de vista ambiental e do desenvolvimento sustentável - por via da exploração exaustiva e massificada da água dos rios (do Tâmega, em particular) - uma verdadeira «patranha».

Este «Movimento» define-se como um «Movimento» de cidadãos sem qualquer conotação política, de todas idades e estratos sociais unidos na causa «Salvar o Tâmega e a vida no Olo». Causa esta, que surgiu como resposta ao "irresponsável" e "incompreensível" "silêncio" dos órgãos governativos do vale do Tâmega.


Defendem que a solidariedade local e regional em torno da causa «Salvar o Tâmega e a vida no Olo» é decisiva para a defesa do rio e da vida que dele brota. Contra o "silêncio" institucional regional, o «Movimento» propõe-se a alertar os órgãos de soberania portugueses e as populações afectadas para esta problemática. De facto existe uma petição na Internet (http://www.petitiononline.com/PABA/petition.html), com mais de 1300 assinaturas recolhidas (até ao momento), para atingir este objectivo.

Para José Emanuel Queirós, porta-voz do movimento anti-barragem, é importante transmitir às populações da bacia do Tâmega «que nada está decidido e que o processo de construção da barragem pode ser revertido».

No dia 3 de Dezembro uma delegação do «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega» dirigiu-se a Marco de Canaveses onde entregou um exemplar do Manifesto Anti-Barragem ao presidente da República Cavaco Silva. Um acontecimento que serviu para sensibilizar o presidente para esta causa.

in Jornal O Basto - 20 de Dezembro de 2008

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Barragens no Tâmega em carta ao Presidente da República

Missiva endereçada ao Presidente da República pela comissão mandatada pelos movimentos cívicos «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega» e «Por Amarante, Sem Barragens»





terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Mensagem de apoio à «Causa» do Tâmega na "blogosfera"

Mensagens de apoio à nossa «Causa» na "blogosfera"

Carlos Leite disse...


«(...) Caros Leitores onde estão nas Terras de Basto este envolvimento da população, nas matérias de desenvolvimento?
Quero dar um Bem-haja ao aparecimento do MOVIMENTO CIDADANIA PARA O DESENVOLVIMENTO NO TÂMEGA , e que a sua força se estenda alem da questão das barragens, por isso faço um apelo aos leitores para também se envolverem neste tipo de iniciativa ou criar novas alternativas concertadas para propor e participar em debates que visem o desenvolvimento desta terra.»

Carlos Leite, in Pensar Basto - 16 de Dezembro de 2008

PNBEPH - Programa Nacional de Barragens: Mensagem de apoio à «Causa» do Tâmega na "blogosfera"

PNBEPH - Programa Nacional de Barragens
Mensagem de apoio à «Causa» do Tâmega na "blogosfera"

Abraço esta causa e espero com esta minha postagem dê mais ampla expressão nacional. Segue-se o texto e a petição. (...)

Em face da brutal acção política do Governo contra o Tâmega/Olo e as suas populações, contida no Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, e da manifesta incapacidade reconhecida nos órgãos do poder local (câmaras e assembleias municipais) se oporem a tal investida, um grupo alargado de cidadãos dos concelhos de Amarante, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto e Mondim de Basto, tomaram em mãos a iniciativa de agir contra a acção vil e mercenária de alienar os caudais dos rios Tâmega e Olo às eléctricas ibéricas EDP, S.A. e IBERDROLA, S.A., visando obstar que as populações do Baixo Tâmega se vejam espoliadas de um dos bens naturais mais preciosos da nossa região.

Deste modo, foi criado o Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega, o qual tem as suas bases programáticas para esta acção expostas em Manifesto próprio, o qual pode ser consultado na nossa página,de onde é possível aceder à Petição Anti-Barragem - Salvar o Tâmega e a vida no Olo.

Quando a Justiça bate mais forte:
Tribunal Administrativo dá razão à Plataforma Sabor Livre (in Público, 11/12/08)


Recomendo ainda a leitura do
Relatório da Comissão Mundial de Barragens (2000, pdf, traduzido em PT para a Dams.Org)

João Soares, in Bioterra -


sábado, 13 de dezembro de 2008

Um exemplo a seguir no Tâmega






Barragem do Baixo Sabor
Tribunal Administrativo dá razão à Plataforma Sabor Livre
A Plataforma Sabor Livre (PSL) ganhou um novo "round" na luta contra a construção da barragem do Baixo Sabor e acusa a EDP de desrespeitar ordens judiciais.

No passado dia 3 de Dezembro, o Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa emitiu um despacho que dá razão ao pedido de providência cautelar interposto pelo grupo de organizações ambientalistas reunidas na plataforma. Segundo a Plataforma, a decisão determina a supensão imediata das obras e a suspensão da prorrogação da validade da declaração de impacte ambiental da obra.

Neste processo polémico que se arrasta há vários anos, junta-se agora esta decisão do Tribunal Administrativo suscitada pelo facto de o contrato de construção da barragem ter sido assinado a 30 de Junho de 2008, quinze dias depois de a declaração de impacte ambiental ter caducado.

in Público - 11 de Dezembro de 2008

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008






População diz “não” a barragem


asd

O Movimento [Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega] contra a Barragem de Fridão, em Amarante, aproveita a deslocação do Presidente da República, esta manhã, ao Marco de Canavezes, para dar visibilidade ao seu protesto.

A questão da segurança da albufeira, em construção prevista a montante da sede de Concelho, é a principal preocupação dos manifestantes.

“Não é agradável sabermos que a 10km da cidade temos um muro em betão com cerca de 90 metros de altura e com uma albufeira enorme. Portanto, a minha primeira preocupação e a de todos os amarantinos é a questão da segurança. Em caso de catástrofe, evidentemente, a cidade seria destruída”, afirma Armindo Abreu, Presidente da Câmara de Amarante.

A Câmara já aprovou por unanimidade uma moção contra a construção da barragem e o socialista e autarca, Armindo Abreu, diz que agora é necessário esperar pelo estudo de impacto ambiental.

BM, in Rádio Renascença - 03 de Dezembro de 2008

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Rio Tâmega - Mondim de Basto: Salvem o "Quilhão"! - Alfredo Pinto Coelho

Rio Tâmega - Mondim de Basto
Salvem o "Quilhão"!
 
Pois é. Parece que agora é de vez e não há volta a dar!
A barragem em Fridão está aí. Adeus Tâmega do nosso contentamento.


Durante décadas, gerações e gerações de mondinenses tiveram no rio Tâmega a sua casa de verão. Banhos para todos os gostos, saltos para todas as aventuras, mergulhos de arrepiar!, sedielas a arrebentar!, picnics de arromba!, peixinhos do rio a fritar... beijinhos ao mergulhar!
Saudosismo?... É verdade!

Nos últimos anos, é um facto, o rio Tâmega já não tem a qualidade da água que os da minha geração e anteriores usufruíram. Os areais e as margens, já não são como então.
A frequência de banhistas é menor, obviamente. Mas continua a ser o nosso rio. Continua a ser um dos nossos cenários magníficos: a água a correr, os açudes, os moinhos, as pedras para saltar, ainda lá estão todas: a “fraguinha” para os mais pequeninos, o “figueiras”, o “quilhão” (o pequeno e o grande), a “panela”, a “manteiga”, o “salta-carneiros”, o “foguete”... os barbos, as bogas, os escalos, as trutas, as enguias... a pesca de lazer continua de igual forma generosa; recentemente, também a possibilidade de fazer pesca desportiva na pista de Mondim.

A água já não é cristalina, já não se vê o fundo do “poço”. Já não se conseguem apanhar as moedas que vinham pelo ar, de cima da ponte, lançadas aos putos pelos romeiros à Sr.ª da Graça. Mas a verdade é que o rio ainda tem vida própria e ainda se pode tomar banho no Tâmega em Mondim.

As águas balneares são habitualmente analisadas e não tem havido resultados (pelo menos do conhecimento público) que dêem a água como imprópria para o fim a que se destina. E mesmo que assim fosse, que não se pudesse tomar banho, que não é verdade, não seria mais que uma antecipação ao que se vai passar na albufeira de Fridão quando a barragem estiver construída. Porque aí sim, pelo que tenho lido e pelo que tenho ouvido através de especialistas, não mais se vai poder tomar banho, ou pelo menos nas condições de qualidade, que apesar de tudo ainda se mantêm.

O Tâmega está considerado como uma «zona sensível» em termos de eutrofização. As condições para que tal fenómeno se desenvolva, e os efeitos negativos que daí podem advir, vão ser potenciados com a construção da barragem. Por isso, meus amigos mondinenses, podemos dizer adeus banhos, adeus barbos, escalos e bogas, e com a subida de cota da água, adeus “quilhão” e “figueiras”, adeus “poço”, adeus “fraguinha”... enfim, adeus nossa alegre casa de Verão!

Também é verdade, que a paisagem não tem preço (principalmente quando é nossa e nos é roubada!).
O valor afectivo à mesma é livre e cada um sente-o como quiser e com direito próprio. Mas para a generalidade dos mondinenses, a ligação sentimental ao rio é eterna: na infância (o aprender a nadar na “fraguinha”!), na adolescência (as aventuras no rei da pedra! os saltos de pé, pote e cabeça!, os namoros nas bordinhas do rio) e em adulto (o recreio, o descanso, o relembrar de tanto e tão bom quando pequeninos). E isso, para nós, tem um valor indelével.


Dirão alguns que outros valores se levantam!

Quais? O interesse nacional? A tão famigerada auto-suficiência energética?
Aqui, importa colocar a interrogação: E não existem outros meios para a conseguir?
E porquê cinco (5!) barragens, todas no Tâmega?
Os mondinenses são portugueses, solidários com o País, mas é só ficar sem o que de mais genuíno temos... sem tanto de nós?
Onde estão as contrapartidas?
O que vamos ganhar uma vez que vamos perder algo que é nosso e uma vez que seguramente vamos perder qualidade de vida?
Alguém me sabe dizer, se por exemplo, o município que representa as gentes da minha terra, vai passar a receber mais dinheiro para desenvolver o concelho?
Interesse nacional ou interesse do grande capital?
Quem vai ganhar dinheiro com a barragem?
Uma riqueza para Mondim?
Com quê?
Com as indemnizações pelos terrenos ocupados?


Ora essa! Não faltava mais nada.

As indemnizações não são para dar dinheiro aos donos dos terrenos, mas sim para retribuir-lhes e compensá-los por aquilo que se lhes vai tirar.

Com um hipotético aumento de visitantes, de mais dormidas, refeições,...Pergunto: Quem é que quer ver um lençol de água parada?


Se é pelo volume de água, então ficam no litoral porque têm lá muita, mais bonita e em movimento... Se é pelo volume de água vão para as barragens do planalto, como por exemplo a dos Pizões.

Se houver lugar a comparações então compare-se com a Barragem do Torrão no Tâmega, a jusante de Amarante. Aí sim, a realidade está bem à vista. Albufeira eutrofizada, não se pode tomar banho, perigo para a saúde (cianobactérias), não se pesca porque não há peixes (dos nossos), água “manchada” de verde pelas outras microalgas criadas pelo fenómeno da eutrofização.

Pergunte-se, hoje, às populações afectadas pela Barragem do Torrão se estão contentes? Pergunte-se se estão mais ricas? Pergunte-se quantas casas novas foram feitas junto à barragem. Porque deixou de se poder tomar banho, porque deixou de se pescar, porque se deixou, até, de andar de barco (desportos motorizados).

Haverá quem ache que é mais bonito ver um lençol de água parada, com microalgas para todos os gostos (onde se incluem as cianobactérias), sem peixes autóctones (porque os nossos vão deixar progressivamente de ter condições de vida), onde não se poderá tomar banho, do que um rio (como o nosso), com água a correr, por entre o fraguedo no vale?

Neste caso, não entram aqui sequer valores sentimentais. Tão só opinar sobre a beleza (que é subjectiva)...

Mas enfim, pelos vistos quem manda pode!

Adeus Rio, adeus infância e juventude, adeus marco da minha identidade!
Alfredo Pinto Coelho – eng.º Agrícola / lic. Gestão Agrária
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega
(Mondim de Basto – Setembro de 2008)

in O Jornal de Mondim (Número 35 - Agosto de 2008) e O Povo de Basto (Número 263 - 5 de Setembro de 2008)

sábado, 6 de dezembro de 2008

Movimento em Conferência de Imprensa - Cidadãos contestam a barragem de Fridão







Movimento em Conferência de Imprensa (28.Novembro.2008)
Cidadãos contestam a barragem de Fridão




in Tâmega Jornal, N.º 25 (p. 24) - 06 de Dezembro de 2008 

Durante a visita de Cavaco Silva ao Marco de Canaveses (3.12.2008) - Iniciativa do Movimento junto do Presidente da República: Iniciativa do Movimento junto do Presidente da República


Durante a visita de Cavaco Silva ao Marco de Canaveses no dia 3 de Dezembro de 2008
Iniciativa do Movimento junto do Presidente da República
Em conformidade com o anúncio divulgado na conferência de imprensa do dia 28 de Novembro, e posteriormente difundido em vários OCS regionais e nacionais, no passado dia 3 de Dezembro de 2008 uma comissão do Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega, contactou o Presidente da República (PR), na sua visita ao município do Marco de Canaveses, transmitindo-lhe a sua inconformação perante as dramáticas consequências para a cidade de Amarante e para a segurança das populações ribeirinhas do vale do Tâmega e Olo, que resultarão da construção da barragem em Fridão (Amarante) e do transvase das águas do Olo (Lamas de Olo - Vila Real). 

Tendo as contingência de espaço e tempo inviabilizado uma abordagem mais exaustiva, e a comissão sido remetida pelo PR para o Chefe da sua Casa Civil, Dr. Nunes Liberato, vai agora o Movimento enviar ao Palácio de Belém uma informação mais detalhada, com vista a um mais estreito acompanhamento do processo, por parte do PR, no âmbito do seu magistério.


..............................> Registo vídeo


Artur Freitas (texto) e Vítor Pimenta (vídeo) - 3 de Dezembro de 2008
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Rádio Clube Português - «Não à Barragem de Fridão!» Entrevista a Artur Freitas (cor.)

Excerto de noticiário do Rádio Clube Português (3.Dezembro.2008)

Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega

...

................................................................MCDT - entrevista



...

Artur Freitas (cor.), in Rádio Clube Português - 3 de Dezembro de 2008

Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Amarante)

CARTA ABERTA
AO SENHOR ALEXANDRE PANDA,
DIRECTOR-ADJUNTO DO JORNAL REPÓRTER DO MARÃO

Exmo. Sr. Alexandre Panda,

Estive a ler atentamente o artigo que o senhor assina no destaque do jornal Repórter do Marão de 20 de Novembro, e a indignação é tanta que rasgar o jornal não chega, tenho que lhe dizer que o seu jornalismo habilidoso não encontra uma via verde na inteligência de todos os que o lêem.

Não estou propriamente preocupado se aquilo que o senhor Panda escreve é resultado apenas da sua ignorância, ou se, como me parece mais óbvio, é fruto de uma manhosa encomenda de quem se serve dos fracos de personalidade para promover os seus elevados interesses.

Todo o artigo é habilidoso, a começar pelo título em destaque na primeira página, onde se afirma que a construção da barragem irá gerar negócios em Fridão, acrescentando-se ainda o pormenor de que essa obra trará “Oportunidades na venda de terrenos em Amarante e Celorico de Basto”. Esta suposta notícia aparece depois, obviamente, nas páginas centrais do jornal, a cores, tal é a importância e seriedade da informação veiculada. Só que o senhor Panda não teve o cuidado de sublinhar que tudo se situa no plano da possibilidade. Não utilizou nenhuma oração condicional, não se serviu de nenhuma combinação verbal que desse a entender aos incautos leitores que a peça jornalística irá apenas testemunhar as crenças das populações, cujo digno representante parece ser o senhor Abílio Moura, um humilde e ilustre proprietário de terrenos, convencido (não importa quem o convenceu, se um abutre disfarçado de pomba, se a inocência grávida de ambição) que aquela barragem será o seu euromilhões. O senhor Abílio diz saber, embora não diga quem lho garantiu, que o Estado o irá contactar “para tratar da questão da indemnização”, que isso ainda não aconteceu, «mas não deve demorar», e que, entretanto, como sublinha o atento repórter, sem qualquer maldade nas entrelinhas, ““esfrega as mãos” a pensar na indemnização.”.

No terceiro parágrafo do seu extra ordinário artigo, o senhor Panda escreve que em Fridão há opiniões divididas, que há quem esteja preocupado com as consequências ambientais (humidade excessiva, descontrole do ecossistema natural) e até mesmo com a ameaça de uma catástrofe possível que destruiria Amarante. No entanto, o senhor Panda compõe o seu brilhante artigo com um contra-argumento (seleccionado ao acaso entre os muitos que o senhor Artur Moreira, uma autoridade na localidade de Fridão) que me fez corar de vergonha: poderão ocorrer vários fenómenos ambientais graves, Amarante até poderá ser destruída, “Mas, por outro lado, também vai trazer empregos, novas acessibilidades e oportunidades de negócio com o desenvolvimento do turismo fluvial.”.

Que bonito, senhor Panda! Já estamos todos a imaginar o reflorescer da actividade turística na Amarante futura, com resmas de curiosos a fotografar as ruínas de São Gonçalo. Que interessante será o mundo poder assistir a excelentes documentários da National Geographic sobre as pragas de insectos no Vale do Tâmega, ou as belas reportagens sobre os safaris nas margens da Cascata do Tâmega, uma multidão de caçadores que ocorrerá à região para participar nas batidas às ratazanas. É claro que até a indústria naval reflorescerá com a necessidade de construir quilhas capazes de lavrar no espesso tapete de micro-algas.

Aliás, o senhor Abílio Moura, o senhor Artur Moreira, o senhor Rodrigo da Silva, o senhor Bruno Machado, o senhor Pedro Moura, e, naturalmente, o senhor Panda estão todos certos que as populações a montante de Amarante irão ser tão beneficiadas, lucrarão tanto com a construção de mais quatro (não é uma; são mais quatro, senhor Panda) barragens no Tâmega e seus afluentes, como o foram as populações que ladeiam o pântano chamado Barragem do Torrão: vendas milionárias de terrenos, novas moradias, passeios no rio, competições em motas de água (?!!), imensos restaurantes com uma gastronomia feita à base de roedores, insectos e peixes estranhos – tudo, tudo mais valias proporcionadas pela construção da barragem do Torrão; tudo fruto da excepcional qualidade das águas do Tâmega.

Perdoe-me o sarcasmo senhor Panda, mas só quem nunca foi ao Torrão, só quem é completamente ignorante em relação a tantos outros casos de desrespeito pelos mais elementares direitos das populações (como aconteceu recentemente no Alqueva), só quem nunca reparou que as barragens construídas em Portugal foram sempre implantadas em regiões pobres, e que, passadas décadas, continuam pobres, porque ninguém lhes pagou o que lhes foi prometido, e porque agora têm ainda menos do que no tempo em que lhes compraram as vontades com um saco de rebuçados envenenados.

Se o senhor Panda fosse um jornalista a sério, se o seu artigo não fosse um punhado de areia atirado aos olhos do povo, o senhor faria aquilo que se espera de uma pessoa credível: investigaria. Nessa altura, no seu artigo, consideraria a hipótese da gente da sua terra poder estar (a ser) enganada. Sabe porquê? Porque a população não sabe que as grandes barragens são construídas em regime de condomínio fechado, pelo que o senhor Pedro Moura ou o senhor Rodrigo da Silva não venderão uma única alface, uma cerveja ou uma galinha à construtora da barragem. Porque os terrenos desapropriados, se algum dia forem pagos (investigue outros casos ocorridos no nosso país), serão comprados de acordo com o valor matricial declarado nas finanças – uma ninharia, portanto. Porque os empregados das grandes construtoras são emigrantes de leste, africanos ou brasileiros, mão-de-obra mais barata do que os necessitados operários da região. Porque ninguém quer tomar banho em águas podres. Porque ninguém quer construir uma casa de férias junto a um pântano. Por tantos e tantos motivos que o senhor não conhece ou não considera dignos de serem referenciados no seu vaidoso artigo, senhor Panda.

O senhor Alexandre Panda também nunca se terá questionado se cinco barragens numa mesma região não será demais. O senhor também não parece estar muito interessado em publicitar o transvase do rio Olo, de forma a alimentar a barragem de Gouvães. Não o incomoda o facto dessa acção ter consequências irreversíveis do ponto de vista ambiental, social e cultural, destruindo o mesmo rio e uma das paisagens naturais mais belas do nosso país: as fisgas de Ermelo.

O senhor Panda começa o seu artigo informando-nos que existe uma oposição à construção da barragem de Fridão, “essencialmente em Amarante”, mas não se digna a identificar nem a caracterizar esse movimento cívico de oposição, não pensou que seria pertinente escutar essa opinião e citá-la no seu artigo. Aliás, o senhor Panda não sabe, mas o Movimento de Cidadania de oposição à construção da barragem tem núcleos dinâmicos em toda a região, incluindo Celorico de Basto, Mondim e Ermelo. O senhor não sabe que a recente petição colocada on-line conta já com mais de 1300 assinaturas, onde constam muitos nomes de cidadãos das zonas que o senhor diz estarem identificadas com o projecto da barragem. Neste momento, há muitos amarantinos espalhados pelo mundo que vivem com grande angústia a possibilidade dessa construção e que estão disponíveis para lutar contra quem quer roubar o “seu rio” transformando-o numa imensa cascata de betão. Neste momento, há jovens estudantes que escolheram o impacto ambiental com a construção da barragem como tema dos seus trabalhos na disciplina da Área de Projecto. Também não sabe que esses jovens escrevem canções de protesto, escrevem textos de revolta que editam em diversos blogues solidários com a causa do Movimento de Cidadania. O senhor não sabe, mas continua a escrever.

O senhor Panda não sabe de muita coisa, porque provavelmente só sabe o que lhe convém. Enquanto director adjunto de um jornal local, cuja principal função deve ser informar e não desinformar, estar atento às ameaças que coloquem em perigo a qualidade de vida dos seus potenciais leitores, a sua posição deixa muito a desejar. Um dia, não se admire se alguém lhe atribuir uma co-responsabilidade moral pelo assassinato de toda uma região.

Talvez não seja por acaso que o senhor se chama Panda. O senhor Alexandre move-se muito devagar, só se alimenta de folhas seleccionadas e vive em cativeiro. O panda é um animal em vias de extinção. Mas, infelizmente, jornalistas da sua espécie há muitos.

António Costa
MOVIMENTO CIDADANIA PARA O DESENVOLVIMENTO NO TÂMEGA
(subscritor da Petição Anti-Barragem - Salvar o Tâmega e a Vida no Olo)
(Amarante – Novembro de 2008)