quinta-feira, 23 de abril de 2026

ALTO TAMEGA - BARRAGENS: PS PRESSIONA O GOVERNO SOBRE REPOSIÇÃO DE PONTE SUBMERSA NO ALTO TÂMEGA

 

ALTO TAMEGA - BARRAGENS

PS PRESSIONA O GOVERNO SOBRE REPOSIÇÃO DE PONTE SUBMERSA NO ALTO TÂMEGA


O Partido Socialista (PS) questionou o Ministério do Ambiente e Energia sobre a ausência de uma data concreta para a reposição da ponte de arame que ligava as aldeias de Monteiros e Veral, submersa desde o enchimento da albufeira da barragem do Alto Tâmega, em outubro de 2023.

A infraestrutura, que assegurava a ligação pedonal entre Monteiros, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, e Veral, em Boticas, desapareceu com o avanço das águas da barragem, integrada no Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET), concessionado à Iberdrola.
Numa pergunta enviada à Assembleia da República, os deputados socialistas, liderados por Pedro Vaz, interrogam a ministra Maria da Graça Carvalho sobre eventuais entraves ao projeto. Em concreto, querem saber se existe alguma objeção por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), se a responsabilidade pela obra continua atribuída à Iberdrola, qual o financiamento previsto e quando arrancará a construção.

APA afasta objeções e aponta para solução em articulação

O Ministério do Ambiente garante que a APA “não só não se opõe ao projeto” como acompanha o processo desde 2018, promovendo a articulação entre as autarquias e a empresa concessionária para viabilizar a reposição do acesso “no mais curto espaço de tempo”.
A tutela sublinha ainda que, enquanto autoridade de Avaliação de Impacte Ambiental, a APA tem monitorizado o cumprimento das condições impostas ao SET, incluindo a reposição de serviços afetados e a implementação de medidas compensatórias de natureza socioeconómica, entre as quais se inclui a reconstrução da ponte.

População continua sem alternativa próxima

O desaparecimento da travessia teve impacto direto no quotidiano das populações locais. Segundo o PS, os habitantes são agora obrigados a percorrer cerca de 50 quilómetros por estrada para um trajeto que anteriormente era feito a pé em poucos minutos.
Apesar de reuniões realizadas entre a APA, os municípios de Boticas e Vila Pouca de Aguiar, a Iberdrola e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, e da apresentação de um anteprojeto em novembro de 2023, o processo permanece parado.
No final de 2024, o então secretário de Estado do Ambiente, Emídio Sousa, terá garantido que as condições estariam reunidas no início de 2025 para o arranque da obra ainda durante o ano. No entanto, mais de um ano depois, os trabalhos continuam por iniciar.

Uma reivindicação antiga

A reposição da ponte tem sido uma reivindicação persistente das populações desde o anúncio da construção da barragem do Alto Tâmega. A causa tem mobilizado autarcas, associações locais e cidadãos, com petições e manifestações públicas a exigir uma solução.
O Sistema Eletroprodutor do Tâmega, um dos maiores projetos hidroelétricos da Península Ibérica, integra três barragens, Alto Tâmega, Daivões e Gouvães e respetivas centrais, sendo apontado como estruturante para a produção de energia renovável, mas também marcado por impactos locais que continuam por resolver.


A Redação com Lusa, in Canal N - 23 de Abril de 2026


quarta-feira, 22 de abril de 2026

ALTO TÂMEGA - BARRAGENS: PS quer saber quando vai ser reposta ponte de arame submersa no rio Tâmega


 

ALTO TÂMEGA - BARRAGENS

PS quer saber quando vai ser reposta ponte de arame submersa no rio Tâmega


O "desaparecimento da ponte teve um impacto significativo", pois obriga a fazer "50 quilómetros por estrada", relembrou o PS. O ministério do Ambiente diz que a APA tem ajudado os afetados.

O PS questionou o Ministério do Ambiente sobre uma data para a reposição da ponte de arame entre Monteiros e Veral, submersa após enchimento da albufeira da barragem do Alto Tâmega, no distrito de Vila Real.

População e autarcas têm reclamado a reposição da ponte de arame que une as aldeias de Monteiros (Vila Pouca de Aguiar) e Veral (Boticas), que ficou submersa depois de a Iberdrola ter iniciado o enchimento da albufeira da barragem, inserida no Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET) em outubro de 2023.

Numa pergunta dirigida à ministra do Ambiente e Energia, através da Assembleia da República, e remetida esta quarta-feira à agência Lusa, o grupo parlamentar do PS questionou a ministra Maria da Graça Carvalho sobre o projeto, querendo saber se a governante “tem conhecimento de alguma objeção por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) à reposição da ponte entre Monteiros e Veral”.

Na pergunta, cujo primeiro subscritor é o deputado Pedro Vaz, coordenador dos socialistas na Comissão de Ambiente e Energia, quer-se ainda saber se se mantém a responsabilidade pela execução do projeto de reposição da ponte atribuída à empresa Iberdrola, que montante de financiamento está previsto pelo Governo para a concretização do projeto e qual a data prevista para o início dos trabalhos de construção da estrutura.

O ministério do Ambiente disse, em resposta à agência Lusa, que a “APA não só não se opõe a este projeto como, desde 2018, acompanha as queixas das câmaras de Boticas e de Vila Pouca de Aguiar e promove iniciativas de articulação entre estas e a empresa promotora do SET, com vista ao desenvolvimento e operacionalização da solução de reposição do acesso em causa, no mais curto espaço de tempo”.

Acrescentou que a APA, na qualidade de autoridade de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA), tem vindo a acompanhar a implementação do SET, assim como a verificação do cumprimento das condições impostas nas decisões e pareceres ambientais emitidos e aplicáveis.

Segundo o ministério, entre estas condições salientam-se “a reposição dos serviços afetados e o pacote de medidas compensatórias de cariz socioeconómico, nas quais se inclui o acesso indicado, inerentes ao plano de ação, em que esta infraestrutura se insere”.

Na pergunta subscrita por 11 deputados, o PS lembrou que o “desaparecimento da ponte teve um impacto significativo, porque obriga os habitantes a percorrer cerca de 50 quilómetros por estrada para fazer um trajeto que antes era feito a pé em poucos minutos”.

Segundo os socialistas, depois de várias reuniões entre a APA, câmaras municipais de Boticas e Vila Pouca de Aguiar, Iberdrola e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) sobre a reposição da ponte de arame, em novembro de 2023, os presidentes das câmaras reuniram com as populações e apresentaram o anteprojeto para a reposição da ponte, mas “o projeto não teve continuidade, tendo sido transmitido que o processo aguarda decisão da APA”.

No final de 2024, em reunião entre o então secretário de Estado do Ambiente Emídio Sousa, os autarcas de Boticas e de Vila Pouca de Aguiar, a APA e a associação “Amigos da Ponte”, foi “garantido que no início de 2025 estariam reunidos todos os pormenores para que, ao longo do ano, fosse possível iniciar a construção”, no entanto, “volvido mais de um ano ainda não teve início a construção da ponte”.

Desde o anúncio da construção da barragem do Alto Tâmega que a população luta pela ponte. À sua reivindicação juntaram-se os autarcas dos dois concelhos, tendo subscrito petições e feito manifestações.

O SET, concessionado à espanhola Iberdrola, é um complexo formado por três barragens e três centrais hidroelétricas: Alto Tâmega, Daivões e Gouvães.


Agência Lusa, in Observador - 22 de Abril de 2026