quarta-feira, 31 de março de 2010

2010 ANO INTERNACIONAL DA BIODIVERSIDADE: DIA 1 DE ABRIL VERDES PREMEIAM EDP PELA MENTIRA DO ANO








2010 ANO INTERNACIONAL DA BIODIVERSIDADE
DIA 1 DE ABRIL VERDES PREMEIAM EDP PELA MENTIRA DO ANO


No Ano Internacional da Biodiversidade, o Partido Ecologista “Os Verdes” vai premiar a EDP com a atribuição do “Planeta de Pechisbeque” pela maior mentira do ano.

Esta escolha de “Os Verdes” é atribuída à EDP pela sua campanha “Viva a Energia”, anteriormente apelidada de “Sinta a Energia”, campanha que defende que as barragens são promotoras de melhor ambiente e contribuem para a biodiversidade.

“Os Verdes” convidam os(as) Senhores(as) Jornalistas para a “Cerimónia” de entrega do troféu, quinta-feira, dia 1 de Abril, pelas 11 horas, frente à Sede da EDP, na Praça Marquês de Pombal.


Partido Ecologista “Os Verdes” (Gabinete de Imprensa) - 30 de Março de 2010

Causas Ambientais: CONTABILIDADE

Causas Ambientais
CONTABILIDADE

Muitas das polémicas suscitadas pela defesa de «causas ambientais» radicam numa incompreensão de base, quando não em grosso equívoco: os defensores da Natureza pretendem a preservação de valores ambientais, um rio, um vale, uma floresta, uma zona húmida, que deverão prevalecer em prejuízo de infra-estruturas que pretensamente induzem «progresso» e até «desenvolvimento». Em alternativa radical, a preferência por um desses valores implica a recusa do outro. Se mantemos a paisagem natural, não teremos auto-estrada e barragem e hipermercado, por exemplo. Não admira que o mais das vezes a Natureza fique para trás, porque interesses poderosos podem esgrimir com o argumento (dito de forma definitiva e grave) de que as necessidades humanas de «desenvolvimento», e as promessas de mais emprego e mais prosperidade, não devem ser prejudicadas pelo amor às belezas naturais. Poucos falam do valor que se perde e fica a ideia de que prevaleceu o «realismo».

Significa isto que é preciso abordar, em profundidade, o problema do «valor» da Natureza em termos, não apenas espirituais e culturais, ou éticos, mas igualmente em termos económicos. O divórcio antigo entre Ecologia e Economia tem marcado as grandes decisões do nosso tempo— pese embora a sintomática origem comum das duas palavras. Ambas as disciplinas são jovens enquanto ciências e não tem sido fácil acertar contas entre instrumentos de análise que nos habituámos a ver como «opostos».
Um grande economista português, interessado de forma precursora na Ecologia, Henrique de Barros (que foi em 1975 presidente da Assembleia Constituinte) escreveu que «toda a actividade económica se insere na biosfera» o que justifica tentar «o alargamento do campo de visão dos economistas para além do que é mercantil» e também «a consciencialização económica dos ecologistas». Para este autor a Ecologia privilegia o «homem natural» e a Economia o «homem social»; o âmbito de acção da primeira é o estudo das formas de vida em relação, a segunda observa o mercado e a competição. A Ecologia foca a globalidade e o «ser», a Economia tende para o parcial e para o «ter». Mas, avisa Henrique de Barros, que não é possível continuar a ver a riqueza de uma nação dentro do apertado crivo do PNB, hoje PIB-Produto Interno Bruto, porque este meio de análise não contabiliza o valor dos ecossistemas naturais nem o custo da sua destruição. Além de que «o crescimento económico constante é apenas a filosofia do impossível, a não ser que se trate de crescimento para o caos, se entendermos que tudo finda na morte».
Os leitores hão-de perdoar-me esta incursão por terrenos que não cabem na crónica. Mas quero dizer que existe o «pecado original» da desvalorização da Natureza— com trágicas consequências.
Enquanto em todo o mundo se procura reconciliar teoricamente as duas disciplinas irmãs e inimigas, no concreto se vê ao que chega a separação delas: a nossa economia faz mal, ou nem faz, as contas necessárias. O que vale mais, o rio Tâmega, o rio Tua, o Douro, que são água, fauna e flora, pesca e recreio, paisagem atractiva, agricultura e economia local, património natural e cultural— ou as barragens que prometem aprisionar os rios em paredes de cimento? Na economia que temos, ganham as barragens e suas «vantagens» imediatas. Mas será lógico não atribuir valor económico ao que os rios dão e representam? O mesmo para uma floresta--que só entra nas contas do PIB se for cortada e vendida aos toros!
Muito para mudar na definição do que é riqueza e do que não é. Entretanto, arriscamo-nos a ficar mais pobres, em vários sentidos, em nome de ganhos fugazes e enganosos!


Bernardino Guimarães, in Jornal de Notícias, N.º 303, Ano 122 (p. ) e Peregrino - 30 de Março de 2010

PNBEPH - Programa Nacional de Barragens: E depois das barragens feitas, quantos empregos terão elas criado?

PNBEPH - Programa Nacional de Barragens
E depois das barragens feitas, quantos empregos terão elas criado?


O plano de construção das novas barragens, que como já sobejamente demonstrei vão produzir energia nenhuma, tem sido invocado como um dos grandes projectos do Governo para a criação de "dezenas de milhar de empregos".
Também já expliquei que esses empregos são de construção civil, mal pagos e em alojamento em regiões deslocadas, e que duram só parte dos 4 anos de construção típicos de uma barragem.
Porém, a questão que quero colocar é a seguinte: depois de todas as barragens construídas, quantos empregos ao certo ficarão depois, em permanência? Será possível saber com rigor?
É. Esse número foi dito numa entrevista ao Expresso de um Administrador da EDP, publicada num suplemento especial dedicado a estas barragens, em Maio de 2009. O número é... 84 empregos!
Por outro lado, sabendo-se que só a amortização destas barragens vai requerer um aumento de uns 6% do preço da electricidade, fica a questão de quantos empregos serão destruídos pelo efeito desse encarecimento na economia e na retracção do poder de compra das famílias...

José Luís Pinto de Sá (Professor do Instituto Superior Técnico - Área Científica de Energia), in A ciência não é neutra - 16 de Março de 2010

Actualidade: Manifesto considera política de apoio às renováveis uma "aberração económica"

Energia eólica: o manifesto defende que a
subsidiação do sobrecusto das renováveis '
não pode constitutir uma prática permanente'

Chama-se "Manifesto por uma Nova Política Energética em Portugal", é assinado por 33 personalidades e ataca as políticas de apoio às renováveis, que considera "uma aberração económica".

A actual política de apoio às energias renováveis "carece de uma profunda revisão", porque os seus custos "podem ter reflexos extremamente negativos nas condições de vida dos portugueses e na competitividade das empresas", afirma um manifesto assinado por 33 conhecidas figuras do mundo económico, empresarial e académico.

O documento, intitulado "Manifesto por uma Nova Política Energética em Portugal", vai ser tornado público a 7 de Abril, na Associação Comercial de Lisboa, e classifica de "aberração económica" os preços subsidiados pagos aos produtores de renováveis .

E é assinado por nomes bem conhecidos como Mira Amaral, Alexandre Relvas, António Borges, Augusto Barroso, Demétrio Alves, Fernando Santo, Francisco Van Zeller, Henrique Neto, João Duque, João Salgueiro, Luís Campos e Cunha, Valente de Oliveira, Avelino de Jesus, Miguel Cadilhe, Miguel Horta e Costa, Pedro Ferraz da Costa e Pedro Sampaio Nunes.

"Tem-se procurado convencer a opinião pública do pretenso sucesso da actual política energética, mas esta mensagem não podia estar mais longe da realidade", assinala o manifesto.

Com efeito, esta política "tem vindo a ser dominada por decisões que se traduzem pela promoção sistemática de formas de energia 'politicamente correctas', como a eólica e a fotovoltaica".

"Preços injustificadamente elevados"

E, na perspectiva dos signatários, estas fontes de energia "apenas sobrevivem graças a imposições de carácter administrativo que garantem a venda de toda a produção à rede eléctrica a preços injustificadamente elevados".

Por outro lado, a corrida às renováveis "não tem tido um efeito sensível na redução do endividamento externo" e tem agravado o défice tarifário, uma dívida "que as famílias vão ter de pagar". E que em 2009 atingiu "um valor assustador, superior a 2000 milhões de euros".

Deste modo, o manifesto considera fundamental "exigir uma avaliação técnica e económica, independente e credível", da actual política energética nacional, de forma a ter em conta "todas as alternativas actualmente disponíveis".


Virgílio Azevedo, in Expresso (www.expresso.pt) - 30 de Março de 2010

terça-feira, 30 de março de 2010

Rio Tâmega versus barragens: «Luta desigual» de António Patrício

Rio Tâmega versus barragens
«Luta desigual» de António Patrício


Num período de destemperada insensatez recaída sobre o Tâmega e as suas gentes com a ameaça desregulada da ordem natural da Vida no vale, há consciências despertas que acusam os tormentos dos negócios proxeneta das águas e do Tâmega, solvidos na sombra confortável dalgum palácio alfacinha.

Quem assim Mexia e mexe no Governo e deste modo trata e Pina os recursos da Terra - que são de todos, porque em primeiro lugar são das pessoas e das regiões que dão integridade ao País -, patenteia um despreso incomum por valores intemporais e transgeracionais que muito menos são mercadoria para aves de rapina que dão conta da qualidade do seu contributo republicano para a 'sustentabilidade' da terra, o 'aprofundamento' da democracia e a 'ética' do Estado.

O Tâmega continua vivo e fecundo - de Vidago a Amarante - naqueles que conhecem o afago temperado das suas águas e os encantos milenares das suas irrepetidas paisagens, que o estimam e velam a protecção da sua seiva vital.

Enquanto uns, indecisos e temerosos, como "o tolo no meio da ponte", andam de volta e outros se encobrem no parco disfarçe de um chapéu ou na sombra de algum mastro de bandeira, como a luz que irradia sem limite, outros há que não temem dar testemunho da sua indignação pela desusada e concupiscente volúpia dos que assim se comportam com sofisma a «gerir» o património de todos e de sempre.

Com o rio Tâmega no coração, é como António Patrício, fundador do Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega, interpreta a «Luta desigual» que estamos a travar pelo rio e pela Vida, patente no poema.

>> Luta desigual <<

Entre margens de esperança

Corre um rio atormentado

Que homens de dúbia crença

Querem ver amordaçado.



Nem a Senhora da Ponte

Chorosa, pelo filho morto,

Abranda a déspota afronta

De quem um dia nasceu torto.



Não podem calar teu grito

De gesta e liberdade

Rio que corres contrito

Entre margens de saudade.



Luta, vence a batalha

Não esmoreças na sorte

O inimigo canalha

Merece a pena de morte.



Estarei sempre a teu lado

Serei sempre a tua voz

Nesta vida, neste fado,

Tão desigual e atroz.



Luta desigual - execução musical de «Submundo»

António Patrício (letra) [Luís Patrício (composição) e Submundo (execução)] - Maio de 2009
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Amarante)

Mondim de Basto - Concentração "+ Barragens? Não!": Os Mondinenses manifestaram-se contra as barragens para o Tâmega




Mondim de Basto - Concentração “+Barragens? Não!”
Os Mondinenses manifestaram-se contra as barragens para o rio Tâmega


No dia 28 de Março centenas de mondinenses manifestaram-se pela 1.ª vez contra as barragens de Fridão e do Alto-Tâmega (Vidago). Associaram também a este protesto os habitantes da Região de Basto, de Amarante e do Alto-Tâmega, cordão esse, que tem vindo a fortalecer cada vez mais, dado os problemas serem comuns. Incluiu também várias organizações ambientalistas, como a Quercus, Coagret e o Campo Aberto, como também alguns representantes das distritais de partidos políticos, PCP, BE e PCTP/MRPP.

A concentração teve como palco simbólico de partida, a ponte sobe o Rio Tâmega. De seguida, quase uma centena de pessoas deram início a marcha até ao centro da vila aonde estavam a espera mais de uma centena de pessoas.

Não obstante a esta concentração protestaram também dezenas de canoistas que se encontravam na vila a participar num convívio realizado pelo clube local, manifestando assim o seu protesto com um verdadeiro BUZINÃO.


Na Praça da Via Cova teve lugar as intervenções dos oradores convidados, Dr. Emanuel Queirós, Dr. Amílcar Salgado, Eng.º Viana Oliveira e Eng.º João Branco, que abordaram os vários factores críticos das especialidades do Estudo de Impacte Ambiental - EIA, nomeadamente o clima, a qualidade da água, segurança, as expropriações, a sócio-economia entre outras situações que mereceram o seus reparos.

O Presidente da Junta de Freguesia de Mondim de Basto na sua intervenção de abertura informou os presentes as razões que levaram o Executivo da freguesia a deliberar o seu posicionamento contra a Barragem de Fridão. Das várias participações nas apresentações e discussões do EIA da EDP realizadas em Amarante, Mondim de Basto e no Porto, não foram suficientemente esclarecedoras e convincentes, pecando sobretudo, pela falta de respostas nas solicitações mais pertinentes.
Associado a estas questões, junta-se a Linha de muita Alta Tensão que está definido passar no concelho de Mondim de Basto nomeadamente no Monte Farinha (Sr.ª da Graça), que irá ser mais uma intrusão e incómodo na vida das pessoas e irá também desfigurar a imagem da nossa paisagem.
A confirmação desta tomada de posição, vem a ser justificada quando se tem conhecimento do EIA da IBERDROLA das barragens a montante de Fridão, aonde revelam que os factores negativos serão o nevoeiro, a neblina, o risco elevado de poluição acidental, a má qualidade das águas (eutrofização), as oscilações dos níveis da água, o risco de um deslizamento da encosta, que provocará uma onda que com a sua passagem, produzirá elevados prejuízos em termos de potencial perdas de vidas humanas e destruição de casas.
De entre as de maior risco, destacam-se as localidades ribeirinhas de Mondim de Basto e Amarante. Como o rio e o vale são os mesmos, não restam dúvidas que a EDP tentou omitir os pontos negativos e que a IBERDROLA vem de seguida revelar as consequências negativas.
A finalizar o presidente da Junta citou um dos pareceres dos factores críticos que a Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Norte - CCDR.Norte enviou em 2007 ao Instituto da Água – INAG informando o seguinte: “Relativamente aos critérios do Factor Critério - Desenvolvimento Humano – julga-se que está por provar que a construção de uma barragem faça aumentar o nível de educação das populações locais, ou o seu poder de compra, ou que ajude a combater a pobreza e o analfabetismo, e muito menos a esperança de vida das populações. Não foi isso que aconteceu no passado e portanto não haverá motivos para concluir que se irá verificar nos novos empreendimentos. O concelho de Montalegre, é o concelho de Portugal com o maior número de grandes albufeiras e nem por isso deixou de figurar nos piores lugares do ranking de desenvolvimento das populações locais”.
Conclui-se assim, que perante esta afirmação de uma entidade credível, não restam dúvidas que estes empreendimentos não serão um factor de desenvolvimento para o concelho de Mondim de Basto.

O presidente da Junta de Freguesia aproveitou o momento para expor a sua opinião, afirmando que o concelho tem um potencial turístico enorme e único, basta haver da autarquia capacidade e vontade em desenvolver uma estratégia sustentada deste potencial desprezado até à data. Reconhece que Mondim de Basto necessita de melhores vias, no entanto, não é necessário trocar uma barragem por uma estrada (Via do Tâmega), quando esta mesma estrada é um direito que assiste aos mondinenses no compromisso do Governo, há mais de 20 anos, pelo encerramento da Linha ferroviária do Tâmega e não como uma contrapartida. Lembrou ainda, que Celorico de Basto lutou pela Via do Tâmega sem contrapartidas e recentemente o Município de Cabeceiras foi brindado com uma ligação do Arco de Baúlhe até Cabeceiras sem haver uma barragem como moeda de troca.

O Presidente da Junta agradeceu a presença de todos os presentes e colaboradores, e ficou na expectativa de que esta concentração tenha sido proveitosa para as pessoas como contributo na formação de uma opinião sensata e coerente da realidade deste projecto que poderá comprometer o futuro de Mondim de Basto.

O Executivo da Freguesia de Mondim de Basto, in Freguesia Mondim de Basto - 30 de Março de 2010

Mondim de Basto - Rio Tâmega: Protesto na rua contra barragens



Mondim de Basto: Rio Tâmega
Protesto na rua contra barragens

Eduardo Pinto, in Jornal de Notícias (Norte), N.º , Ano 122 (p.19) - 29 de Março de 2010

Fridão. Considerações gerais sobre viticultura: A Barragem de Fridão na Vitivinicultura

Fridão. Considerações gerais sobre viticultura
A BARRAGEM DE FRIDÃO NA VITIVINICULTURA

Séneca (filósofo, séc. I) e Plínio (naturalista, séc.I) já se referiam aos vinhos da região Minho.
A designação Vinho Verde parece ter sido usada pela 1.ª vez em 1606, e está registada num documento da Câmara Municipal do Porto.
Desde 1929 que a Região tem legislação própria.
Em 1949 o OIV (Organisation International de la Vigne et du Vin) reconheceu-lhe a especificidade.
Em 1992 forma aprovados os Estatutos da Região Demarcada dos Vinhos Verdes

Plantar uma vinha significa escolher um lugar para viver de forma estável. Uma vinha define uma paisagem e constitui-se frequentemente como a única forma de fixação de pessoas em locais de fracos recursos naturais e económicos.

Amarante é uma das 9 sub-regiões da Região Demarcada dos Vinhos Verdes. A região de Basto é uma outra sub-região.
Em Amarante, como castas recomendadas temos:
- para o vinho branco - Azal e Pedernã/Arinto,
- para os tintos - Borraçal, Espadeiro e Vinhão.

O Vinhão constitui 20% do encepamento regional, sendo também a 3.ª maior casta tinta em termos de expansão/utilização nacional.
Existem para uma determinada zona, índices bioclimáticos (indicações numéricas que caracterizam o potencial climático de determinado lugar para a produção de uvas). Todos eles incluem o factor temperatura.

A massa de água da albufeira contribuirá para um incremento da temperatura média do ar e para uma subida da taxa de humidade relativa do ar. Daqui resultarão dificuldades de atempamento (repouso invernal da planta) e um aumento da incidência de doenças criptogâmicas na videira.

Aumento dos custos dos tratamentos, redução na produção e alteração do perfil aromático dos vinhos, serão as consequências imediatas.

Concelho de Amarante
Produção de vinho – 6,4 milhões de litros (8% do total da Região Demarcada com os seus 80 milhões).
Receitas – 4 milhões de euros/ano
Nº de viticultores – 3216 (9,5% dos 34 000 da Região), o que equivale a 13,4% da população activa do concelho.
Área de vinha – 2800ha ( 0,7% dos 352 000ha).
Freguesias mais afectadas – Chapa, Fridão, Gatão e Rebordelo.

Concelho de Celorico – 2000ha de vinha

Amarante e Celorico totalizam 4800 ha de vinha instalada, ou seja, 1,4% da Região Demarcada “Minho”, sendo de admitir que toda ela venha a ser afectada, embora com diferentes níveis de gravidade.

Considerações gerais

Estão já construídas em Portugal 230 albufeiras. Deste total, 67 estão na bacia hidrográfica do Douro (29%). Algumas estão, surpreendentemente, inactivas. (Como exemplo de proximidade temos a mini-hídrica do rio Olo).

Na sua grande maioria não dispõem de uma simples passagem para os peixes (ex. Azibo, Alto Rabagão, Cávado, Caniçada, Miranda do Douro, mini-hídrica do Olo, Torrão). As que a têm, ou está inoperacional ou não são adequadas às espécies autóctones (porque foram projectadas para salmões, que não existem nestas águas). O Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal chama atenção para a situação de perigo crítico e/ou vulnerabilidade de 15 espécies de peixes. Destas, 3 serão fortemente prejudicadas pela albufeira de Fridão.

25% de todos os medicamentos por nós utilizados são provenientes de apenas 40 plantas e 16% são extraídos de animais ou micróbios, pelo que há fortes riscos de perdermos possibilidades de cura de doenças, por cada hectare de natureza que destruamos. Com as albufeiras de Fridão e Olo, serão destruídos (ficarão submersos) 870ha de solo.

Como termo comparativo, refira-se que um parque eólico com a mesma potência a instalar em Fridão (255 MW) ocuparia apenas cerca de 153ha ou seja, 18% da área inundada pela albufeira (ver Quadro 1).


A zona que abrange a totalidade da vida no planeta, tem cerca de 20 km de espessura (desde os Himalaias à fossa das Marianas). Para os humanos cerca de 99,5% deste espaço está vedado, considerando que apenas conseguimos povoar o espaço terrestre entre as cotas 0 - 2500 metros. Se o planeta estivesse 5% mais perto ou 15% mais longe do Sol não existiria sequer vida. Ou seja, a existência de qualquer forma vida, tal como a conhecemos, é uma sorte tremenda.

Os humanos são constituídos por 65 % de água, o que nos torna mais líquidos do que sólidos. A água é uma matéria estranha. Não tem forma, não tem sabor, não tem cheiro, é transparente. Por ser tão ubíqua temos tendência a não lhe dar valor e, pior, a maltratá-la.

A quantidade de água que existe na Terra (1,3 biliões de Km3) é fixa, não aumenta nem diminui, apenas muda de forma e foi criada há cerca de 3,8 biliões de anos. Ou seja, a água que bebemos é a mesma que lava as sanitas, é a mesma que poluímos nos nossos mares e rios e barragens.

97% de toda a água está nos mares o que significa que o planeta apenas oferece 3% de água doce. Desta, a grande maioria encontra-se retida nos gelos das zonas polares e apenas 0,04% se encontra nos lagos, rios e reservatórios. Ou seja, 99,96% de toda da água do planeta está de momento inacessível.

Se considerarmos a porção do planeta ocupado por Portugal e nele, a porção ocupada pelos nossos rios e reservatórios, facilmente se conclui que dispomos de uma infinitésima parte de água doce para a nossa sobrevivência enquanto povo e enquanto país.

As necessidades energética aumentam e vão continuar a aumentar.
Os recursos naturais, infelizmente, não! Após uma má utilização, estarão perdidos para sempre.

Viana Oliveira

Cultura- Mondim de Basto: “Neste preciso momento «ser Mondinense» e «ser de Basto» é, acima de tudo, Ser pelo Rio!”






CULTURA - Mondim de Basto
“Neste preciso momento «ser Mondinense» e «ser de Basto» é, acima de tudo, Ser pelo Rio!”



“Momento único, tocante e lindo”, assim comentou a maioria das pessoas que abarrotou o Pavilhão dos Bombeiros Voluntários de Mondim de Basto. Uma verdadeira epopeia ao rio Tâmega realizada e encenada por Luís Jales de Oliveira. Quando se juntam pessoas, arte e emoção, o resultado é simplesmente maravilhoso. E foi maravilhoso ver a concentração, no mesmo espaço físico,de variadíssimas formas de expressões com o mesmo objectivo: sentir o Tâmega. Com um filme sobre paisagens do Tâmega como suporte, o público foi agraciado com o tema "Espelho de água", música de Paulo Gonzo interpretada, por antítese, por Nuno Miguel, Bi, Ana Luisa e Margarida. “O espelho de água que nos querem vender não é o espelho de água que pretendemos comprar. Aliás nós já temos o mais belo espelho de água do mundo – o rio Tâmega!”.
Actuaram também os já consagrados “Orangtang” que interpretaram em versão acústica dois dos temas do trabalho que estão a editar presentemente. Brilhante!
O poeta Nelson Teixeira da Silva disse, com elevação, poesia sua dedicada ao rio, a cantora lírica Dinora, intérprete de eleição, cantou dois temas de Zeca Afonso, quatro crianças do rio (o Zé, o Alfredo, a Filipa e o Luís) declamaram poesias publicadas no livro, transformando aquele momento num momento muito especial. Actuou ainda o Grupo de Fados de Mondim de Basto (Silvério Meireles na guitarra, Carlitos Ribeiro na viola, Prof. Reinaldo no baixo e Manuel Faustino na voz) que interpretou e arrebatou a sala, com dois fados: “Povo que lavas no rio” de Pedro Homem de Melo e “Corre-me um rio no peito” de Luís Jales de Oliveira. O jovem músico José António Machado (Zé Tó), improvisou, com brilhantismo, ao piano, tendo como pano de fundo um filme dedicado à “gente do rio”. O Grupo Coral de Mondim de Basto, sobre a regência de Manuel Marinho, ofereceu, como corolário daquela noite especial, uma pequena e encantadora abordagem sobre temas populares dedicados ao rio.
Ao encerrar a noite o autor abraçou todos os presentes, cumprimentando as autoridades e agradecendo, reconhecido, a rádios, jornais, sites, blogues, MOND'EVENTOS e particulares que o têm apoiado, divulgado e incentivado. Por fim fez a leitura dum trecho do livro que retrata as vivências de várias gerações nas margens do nosso Tâmega sagrado. Deu-se um mergulho, mataram-se saudades e foi feito um brinde à nossa Região.
Por Artur Bastos

NB - 'Corre-me um Rio no Peito' é o livro que agora será lançado. Em tempos de discussão de discussão da barragem de Fridão pode explicar melhor o título escolhido para a obra.Como olha para a Barragem? Uma ameaça ou uma oportunidade?

LUIS J. OLIVEIRA - “Corre-me um rio no peito” é um cântico ao Rio. É acima de tudo um grito de afirmação do nosso Tâmega sagrado. Não é uma posição técnica e muito menos uma
posição política. É um grito contra a inevitabilidade do nosso Rio desaparecer e por consequência é um grito contra a barragem de Fridão. Dei-lhe este título porque considerei que é a frase que melhor caracteriza quem nasceu nestas margens encantadas e quem bebeu da luz de Basto no esplendor dos dias claros.Todos nós sentimos que nos corre um rio cá dentro…

NB - Segundo sei o livro apresenta prosa e verso. Quando começou a delinear este livro?

LO - Há livros que se insinuam, há livros que nos segredam, há livros que nos devoram, há livros que nos provocam durante toda uma eternidade. Há livros escritos a fogo mesmo antes de terem sido escritos a tinta permanente, a esferográfica ou no ecrã do computador.
Pois se me corre um rio no peito, é natural que os gritos desse Rio condenado já ecoassem cá dentro de mim. Alguns textos já existiam, mas foi a partir da II edição do “Contar, cantar e pintar Mondim”, dedicado aos nossos rios, que peguei nas páginas da intervenção que fiz a convite da organização, a aumentei, lhe dei forma e enquadramento e a transformei neste volume que agora tenho o atrevimento de vir apresentar.

NB - Qual é a fonte de inspiração?

LO - Quem nasceu aqui neste quadrilátero esquartelado que o sagrado Tâmega escancara e franqueia, quem lavou as remelas na sublime contemplação de Nossa Senhora da Graça e os cueiros nas cálidas águas do Poço, do Vau, de Santo Aleixo D’Além Tâmega, ou da Ponte de Cavez, não evoca inspiração. Ela vai correndo como um rio. Ela é a água daquele rio que em todos vai correndo.

NB - Este livro relata uma infância ligada a Mondim, à terra onde o Tâmega está sempre presente. O que mudou desde esses tempos de infância?

LO - Mudaram os olhos com que vemos o mundo que nos rodeia. Perdemos a inocência, o sonho e a utopia, ficaram os olhos embaciados pelas duras realidades, pelos preconceitos, pelas convenções, pelo politicamente correcto e pelas modas de circunstância. No entanto, esta paisagem marcante, este património natural extraordinário, apesar de dos bombardeamentos sistemáticos e das agressões mais brutalizadas, continua a dilatar-nos as retinas e a insuflar-nos o peito.

NB - Como vê as novas gerações e a sua ligação com a terra, com Mondim, com o Rio?

LO - Acredito nas novas gerações. E creio que têm alterado, apurado e purificado o seu olhar, inundado e enevoado com ídolos de pés de barro, para uma perspectiva diferente em relação à memória, à história, aos usos, costumes e tradições, em relação a tudo aquilo que nos caracteriza e diferencia, em relação a tudo aquilo que nos torna singulares. E isto é afirmação.

NB - O que é hoje ser Mondinense?

LO - Como dizia, há pouco, ser Mondinense, ser de Basto, ser desta conchinha escancarada é, sobretudo, ter noção das raízes mais profundas do nosso ser, é termos noção do povo a que pertencemos, é ter história, é ter memória e, por consequência dessa mesma consciência, ter futuro prometido. Se as novas gerações, para além de tudo o que possam ter, tiverem isto, que grande Mondim e que grande Basto poderemos ter. Neste preciso momento “ser Mondinense” e “ser de Basto” é, acima de tudo, Ser pelo Rio! N. G.

Luís Jales de Oliveira, in Notícias de Basto, N.º 137 , Ano VIII (p. 13) - 19 de Março de 2010

segunda-feira, 29 de março de 2010

PNBEPH - Programa Nacional de Barragens: O EMPREGO NAS RENOVÁVEIS





PNBEPH - Programa Nacional de Barragens
O EMPREGO NAS RENOVÁVEIS


As capacidades instaladas de energia eólica (3350 MW) e de fotovoltaica (75 MW) estão a ser pagas por nós, consumidores, respectivamente a cerca de 90 e €350 euros/MWh, enquanto que o preço de mercado da rede andará pelos 30-40 euros MWh. Se o 'mix' energético já estava desequilibrado, vem agora o Governo, numa autêntica fuga para a frente, propor-se aumentar a capacidade instalada da eólica para 8500 MW e da fotovoltaica para 1500 MW!

Essa nova eólica será complementada por novas barragens de bombagem. Se para a eólica já existente, e cujo investimento é um custo afundado (sunk cost), se justificava a instalação dessas hídricas para armazenar a eólica produzida em excesso nas horas de menor consumo, a decisão de investimentos novos no binómio eólica-bombagem é um erro, pois aos custos da nova eólica haverá que somar os do investimento na bombagem, num processo em que a mesma tem desperdícios de energia da ordem dos 25%, devido às perdas de carga nos circuitos hidráulicos. Tais perdas anulam, pois, parte da electricidade produzida!

Por outro lado, os opositores da energia nuclear dizem (e bem) que essa energia só produz electricidade, não permitindo reduzir as importações de petróleo. Ora a eólica e a fotovoltaica também só produzem electricidade e, por isso, ao contrário do que agora se insinua, esta nova fuga para a frente não vai reduzir a factura petrolífera!

Verdadeiramente delirante é a previsão de 130 mil novos postos de trabalho.

As novas barragens só criam emprego na fase de construção. Em funcionamento serão telecomandadas e, segundo um administrador da EDP citado no Expresso em Maio de 2009, o número de empregos permanentes nas novas barragens será só de 85! Que se saiba, a fábrica de componentes para os geradores eólicos em Viana do Castelo criará mil empregos. Juntamos-lhe mais alguns na produção das torres noutras empresas portuguesas.

Mesmo com um multiplicador de emprego (relação empregos indirectos/empregos directos criados) generoso, não consigo ver como se chega a tais números. Por outro lado, os sobrecustos destas renováveis destroem empregos na economia devido às suas consequências na competitividade empresarial e na retracção do poder de compra das famílias.

Tudo isto vem referido em dois relatórios arrasadores sobre o balanço negativo da criação de emprego nestas renováveis em duas economias que, ao contrário de nós, até conseguiram desenvolver o cluster industrial na eólica e na fotovoltaica: a Espanha e a Alemanha.

Recomendo pois vivamente a leitura de: "Study of the Effects on Employement of Public Aid to Renewable Energy Sources" em Espanha (http://www.juande-mariana.org/pdf/090327-emplo-yement-public-aid-renewa-ble.pdf) e "Economic Impacts from the Promotion of Renewable Energies" na Alemanha (http://www.instituteforenergy-research.org/germany/Ger-many_Study_-_FINAL.pdf)

Luís Mira Amaral (competitividade2@sapo.pt) - Professor de Economia e Gestão IST, in Expresso - Economia, (p. 31) - 27 de Março de 2010

Amarante - Rio Tâmega: Manifestação contra a "Barragem de Fridão"

Amarante - Rio Tâmega
Manifestação contra a "Barragem de Fridão" (1)

Conforme haviamos prometido, respondemos ao apelo do Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Mondim de Basto, Fernando Gomes, e estivemos presentes na Manifestação contra a construção de mais Barragens ao longo da Bacia Hidrográfica do Rio Tâmega, no caso especial da "Barragem de Fridão" que iria afectar negativamente a região de Mondim de Basto, solidarizando-nos assim à defesa desta causa.

«Barragem de Fridão, Não!»

A concentração de cerca de quatro centenas de manifestantes activistas/naturalistas, demonstrando as razões porque se opôem à construção de mais cinco barragens no rio Tâmega, teve lugar junto ao núcleo arquitectónico da Ponte e Mosteiro de São Gonçalo, da bela cidade de Amarante. Com um dia tão lindo, confesso que esperava ver mais gente presente, nomeadamente fregueses de Mondim de Basto mas, tal não aconteceu, o que deixa pena.
Identificados e presentes pela luta desta causa, estavam Partidos que se reprentam na Assembleia da República, como o Bloco de Esquerda e os Verdes. Vários "Movimentos" compareceram, entre eles o GAIA, o Movimento Cívico pela Linha do Tua, Campo Aberto, Geota, SOS Paiva, Salvar o Tua e com natural destaque para a QUERCUS. Foi-me dito não estarem presentes quase nenhums autarcas, salvo o nosso amigo Fernando Gomes, da Freguesia de Mondim, bem como os presidentes de Junta de São Gonçalo e de Cepelos. Parece que a maioria dos políticos da região se alheou do problema. Se estão no cargo para defender da melhor forma o que é melhor para as populações que os elegeram, como é possivel baixar os braços e estender a toalha ao chão tão cedo?
"Tem de vir gente doutras regiões defender os interesses dos de cá! - ouvimos dizer. É lamentável!"



Mereceu-nos algum destaque as intervenções do Professor Emanuel Queirós, do «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega» que afirmou que "Esta Manifestação é a Voz do Tâmega!" e das gentes não consultadas e desconsideradas pelo Governo que quer "vender" um dos seus principais recursos naturais, o rio Tâmega, fragmentando o seu natural curso em 6 albufeiras. Este programa, disse, é "contra-natura" e só vai sacrificar as populações e empresas produtoras de "energia com propostas alternativas" que trariam para a região um desenvolvimento construtivo e sustentável.
Prestamos a devida atenção à "fascinante" intervenção do jovem Ricardo Marques, da Quercus, ao afirmar que as barragens previstas irão produzir apenas 1,6 % da energia do país e reduzir só 0,25% das importações de petróleo, não tendo inclusivé algum impacto relevante ao nível das emissões poluentes. O activista e ambientalista fez ver aos presentes que, ser forem avante, as barragens não vão gerar emprego com futuro, mas sim, "prejuízos enormes" para além duma destruição ambiental jamais reparável. Serão milhares os hectares de reservas agrícolas de actual produção significativa, como a vinha, bem como toda a "Biodiversidade" do rio e ao redor das margens que vai ficar submersa. Com os "lagos artificiais" represados ao longo do Vale do Tâmega, a qualidade da água vai deteriorar-se considerávelmente, o ecossistema piscícola será adulterado e (estremecemos por momentos!) o Lobo Ibérico, que ainda vagueia pelo Parque Natural do Alvão, deixará de poder deslocar-se para a vertente sul do Tâmega. Como nos emocionáste, Ricardo!

Dei atenção aos cartazes afixados e dependurados para o rio e algumas mensagens eram arrepiantes para a minha sensibilidade.


Mas, deixei propositadamente para o fim a acção de luta dos «Verdes» Partido Ecológico, que têm vindo pelo país numa campanha de luta e sensibilização pelas causas de defesa do Ambiente, juntando-se a outros Movimentos, Associações, Entidades e Cidadãos comuns, na manifestação contra o Programa Nacional de Barragens. Para além da sua participação nesta manifestação contra a construção da "Barragem de Fridão", os cinquenta activistas/naturalistas no final deslocaram-se no autocarro que os transportou já desde Lisboa e foram a Mondim de Basto verificar com os próprios olhos toda uma região envolvente à bacia dos rios Tâmega, Cabril e Olo que irá ficar submersa, analisando bem as causas negativas patrimoniais, paisagísticas e sociais que se irão repercutir na vida das pessoas. Foram guiados pelo Sr. Presidente da Junta de Freguesia, Fernando Gomes e pelo elemento da Assembleia da Freguesia e Historiador, Sr. João Alarcão, um conhecedor profundo de património edificado em Portugal e no Mundo.
Nós também os acompanhamos e queremos deixar aqui este importante registo.

Bem Haja!

Continua...


in Passeios da Caramulinha - 16 de Março de 2010

Vale do Tâmega - Amarante: Manifestação para “Salvar o Tâmega” juntou centenas de manifestantes



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Vale do Tâmega - Amarante
Manifestação para “Salvar o Tâmega” juntou centenas de manifestantes

Centenas de manifestantes junto à Ponte de São Gonçalo

Em Amarante, no passado dia 13 de Março, centenas de pessoas manifestaram-se contra a construção de seis barragens [de 10 do total] previstas para a bacia do Tâmega no “Plano Nacional de Barragens” (PNBEPH). Exigiram a suspensão do “Plano Nacional de Barragens” bem como o apoio de todos para esta causa comum.

A ponte de São Gonçalo, como também a zona envolvente, esteve repleta com cartazes alusivos à “luta” em “Salvar o Tâmega”. Aquela zona de Amarante foi o palco da reivindicação de diversas pessoas que ali se juntaram para ouvirem “as suas vozes”. Durante a manhã houve diversas iniciativas desde a entrega de comunicados, panfletos, autocolantes, a venda de “t-shirts” com as frases e os símbolos da manifestação, a momentos de música e dança a condizer.

Ao meio-dia houve discursos. Intervieram Ricardo Marques da Quercus e José Emanuel Queirós do Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega. Ricardo Marques salientou as desvantagens e os “mitos” anexos ao “Plano Nacional de Barragens”. Afirmou que estas hidroeléctricas produzirão cerca de 1,6 por cento da energia do país e irão reduzir apenas 0,25% das importações de petróleo. Um impacto irrelevante também ao nível das emissões poluentes, salientou o ambientalista. Ricardo Marques afiançou que caso as barragens sejam construídas, estas não vão gerar qualquer emprego e serão responsáveis por prejuízos e uma “destruição ambiental imensa”. Reforçou a ideia a afirmar a submersão de milhares de hectares de reserva agrícola e ecológica, a diminuição da qualidade da água, a alteração a ecossistema piscícola e que os lobos deixarão de movimentar-se para sul do Tâmega.
José Emanuel Queirós afirmou que o Vale do Tâmega tem sido “desconsiderado pelo poder político nacional” e que “fizeram a venda do nosso principal recurso nas costas de toda a população. Venderam e estão a pensar retalhar o Tâmega, fragmentando em seis grandes albufeiras [Fridão terá duas barragens], fazendo que o Tâmega deixe de ser rio e a água deixe de correr livremente”. Queirós lançou um apelo a afirmar que “o país não pode estar alheio ao que se passa no Tâmega, o país tem de estar solidário com o que se passa aqui”.

No decorrer da manifestação pode-se ver a presença de diversas associações ambientalistas, movimentos cívicos e associações desportivas. A representação política sentiu-se com a presença de alguns presidentes de junta de freguesia, vários elementos do partido “os Verdes” e os deputados do Bloco de Esquerda João Semedo, José Soeiro e Rita Calvário.

A próxima manifestação está marcada para o dia 28 de Março e realizar-se-á em Mondim de Basto.


in O Basto - 20 de Março de 2010

PNBEPH - Rio Tâmega: MANIFESTO SALVAR O TÂMEGA

PNBEPH - RIO TÂMEGA
MANIFESTO SALVAR O TÂMEGA

Com a manifestação de 13 de Março, realizada em Amarante, o movimento de associações, partidos políticos, movimentos e cidadãos participantes na acção designada «Salvar o Tâmega» apresentaram e subscreveram o “Manifesto Salvar o Tâmega”, enviado no dia 25 de Março de 2010 a diversas instâncias da Administração do Estado.
Este documento, conforme o texto a seguir, protesta contra a construção de 6 grandes novas barragens na sub-bacia do Tâmega, provando que os benefícios são demasiado reduzidos para justificar os avultados prejuízos que se antevêm, quando há alternativas viáveis que deveriam ser prioridade para o País.



MANIFESTO SALVAR O TÂMEGA

Ao cuidado de
Sua Exa. O Presidente da República, Prof. Dr. Cavaco Silva
Sua Exa. O Primeiro Ministro, Eng. José Sócrates
Sua Exa. A Ministra do Ambiente, Eng.ª Dulce Pássaro
Sua Exa. O Ministro das Finanças, Dr. Teixeira dos Santos
Sua Exa. O Presidente da Autoridade Nacional da Água, Eng.º Orlando Borges
Sua Exa. O Ministro da Economia da Inovação e do Desenvolvimento, Dr. Vieira da Silva


O recente processo de consulta pública ao Estudo de Impacte Ambiental (EIA) das duas Barragens em Fridão, no rio Tâmega, evidenciou os seus enormes impactes negativos e, ao mesmo tempo, o elevado número de cidadãos, especialistas, associações e movimentos cívicos que se opuseram à sua construção. Terminado este processo, e enquanto decorre a consulta pública ao EIA de outras quatro novas grandes barragens projectadas para a sub-bacia do Tâmega (Vidago, Gouvães, Daivões e Padroselos), esses mesmos movimentos cívicos e um crescente número de cidadãos juntam-se para exigir a renúncia da construção destas 6 novas barragens ou a refutação cabal dos vários pontos que justificam esta exigência:


1 - Fracos benefícios

Produção de electricidade
As seis barragens previstas para o rio Tâmega representam um acréscimo de apenas 1,61% na produção de electricidade em Portugal, algo facilmente obliterado por um ligeiro aumento do consumo de electricidade (só entre 2000 e 2007 Portugal aumentou o consumo em mais de 20%).

Independência energética
Portugal importa combustíveis fósseis como fonte de energia; no entanto, só uma pequena percentagem é utilizada na produção de electricidade e estima-se que as seis barragens previstas para o Tâmega venham a representar uma redução de apenas 0,25% da importação nacional de petróleo.

Alterações climáticas
Estas seis barragens poderão reduzir as emissões de gases de efeito de estufa (GEE), responsáveis pelas alterações climáticas. Porém, essa redução é insignificante (na ordem de algumas décimas em termos percentuais) em relação ao total nacional, admitindo-se ainda neste cálculo que não há emissões significativas de metano pelas albufeiras criadas (provenientes da decomposição da matéria orgânica e plantas do solo inundado e de prováveis fenómenos de eutrofização). Acrescente-se ainda que a poupança referida só será atingida ao fim de quatro anos (devido às emissões associadas à construção das barragens).

Criação de emprego
Terminada a sua construção, estas novas barragens serão insignificantes a nível de emprego, uma vez que actualmente muitos empreendimentos idênticos não têm absolutamente ninguém a operá-las no local. Pelo contrário, perdem-se empregos, especialmente a nível regional, devido à destruição de solo produtivo, à perda das águas bravas que alimentam o turismo e o desporto, à deslocação de pessoas, entre outros motivos.

Armazenamento de água
As seis novas barragens previstas para o Tâmega poderão constituir uma reserva de água útil para abastecimento e combate a eventuais incêndios, mas por outro lado serão afectadas várias captações de água existentes e fontes de águas termais, e a reserva de água não consegue justificar o investimento e prejuízos.


2 - Prejuízos avultados

Qualidade da água
Seis novas albufeiras de água parada em substituição de um rio corrente irão provocar uma deterioração da qualidade e saúde ecológica da água, numa altura em que mesmo sem as barragens já será difícil atingir os requisitos da Directiva Quadro da Água (atingir o bom estado ecológico das águas superficiais até 2015).

Biodiversidade e ambiente
As várias barragens projectadas para o Tâmega representarão a destruição irreversível de um importante eixo de interacção e comunicação entre os diferentes ecossistemas que constituem um rio corrente, produzirão um efeito barreira para peixes e outras espécies, submergirão muitos habitats classificados e prioritários e afectarão significativamente a fauna e a flora da região, inclusivamente várias espécies endémicas, ameaçadas, com distribuição restringida, com estatuto de protecção e variedades horto-frutícolas regionais. Com seis novas barragens na sub-bacia do Tâmega, e acrescentando a do Torrão que já existe, são previsíveis vários e significativos impactes cumulativos de todas estas barragens. Continua aliás a faltar uma análise dos impactes cumulativos das várias barragens, algo que é importante para a protecção dos ecossistemas e que é obrigatório por lei (Directiva Quadro da Água)

Socioeconomia
As várias barragens projectadas para a sub-bacia do Tâmega não serão factor de desenvolvimento local ou regional. Irão extinguir recursos endógenos singulares, eliminar espaços naturais irreproduzíveis e ameaçar várias áreas de desenvolvimento, como o turismo (perda de turismo e desporto de águas bravas, submersão de património com interesse turístico – incluindo elementos classificados, submersão de praias fluviais e parques, profunda alteração e artificialização da paisagem), a agricultura e silvicultura (submersão de milhares de hectares de solo produtivo, perda de cultivo de variedades regionais), a pesca e a fixação de populações que terão de ser deslocadas (só a albufeira de Fridão cobrirá 108 edifícios). Só no Concelho de Amarante estima-se que as barragens possam vir a afectar 2500 ha de vinha de uma região demarcada que representa uma receita de quatro milhões de euros/ano para 3216 viticultores da sub-região.

Risco de segurança
As barragens constituem um risco para as populações do Alto e Baixo Tâmega devido à violência das descargas de água e da oscilação brusca da cota das albufeiras e à hipótese da sua ruptura, caso que, embora raro, não é inédito. A questão da segurança coloca-se em todas as barragens projectadas para o vale do Tâmega, muito especialmente para as de Fridão que ficam a apenas 6 km da cidade de Amarante e onde um grande volume de água ficará a cerca de 100 metros acima da zona ribeirinha desta cidade.


3 - Alternativas viáveis

Eficiência energética
Estima-se que o investimento previsto para as novas barragens, aplicado em medidas de eficiência energética, pouparia 10 a 15% do consumo total de energia do país, sem sacrificar a economia e o conforto e evitando os grandes prejuízos das barragens. No entanto, em Portugal, continua a imperar a lógica da gestão da oferta de energia e não a gestão da procura, que é a que melhor se enquadra numa lógica de desenvolvimento sustentável. Ao mesmo tempo, na última década, o consumo de energia aumentou significativamente sem igual aumento do PIB, algo indicativo de desperdício energético.

Reforço de potência e armazenamento de energia
Portugal tem já mais de 160 grandes barragens. No que respeita às barragens com produção hidroeléctrica, apenas seis irão sofrer um reforço de potência, de acordo com informações da EDP. Prevê-se que estes seis reforços de potência possam, por si só, fornecer mais potencial de energia hídrica que toda a energia eléctrica proveniente das novas barragens do Tâmega e das restantes barragens que constam do Plano Nacional de Barragens, verificando-se assim ser desnecessária a sua construção para atingir as metas nacionais de energia hídrica previstas no Plano. Igualmente, o armazenamento do excedente da energia eólica, para ajudar a gerir as flutuações diárias, pode ser feito utilizando as barragens existentes.

Energias renováveis
Uma maior aposta em energias renováveis com menor impacte poderia suprir os objectivos energéticos das seis barragens previstas para o Tâmega e das restantes barragens que constam do Plano Nacional de Barragens. O apoio à microgeração, eólica e fotovoltaica, por exemplo, está neste momento em risco de ser bastante restringido, sendo conhecidas pessoas e empresas que têm tentado, sem sucesso, investir milhares de euros na produção de energia limpa.

Reserva de água
Os volumes de água necessários ao abastecimento são muito mais baixos que os das albufeiras projectadas, acrescendo que as albufeiras agravam a qualidade da água. Assim, seria mais racional apostar em sistemas de pequena escala e no uso eficiente da água: optimização das redes de abastecimento, reciclagem de águas cinzentas, aproveitamento de água da chuva, mudança para equipamentos de baixo consumo, salvaguarda dos aquíferos e nascentes.


Conclusão
Há que ser sensível aos desafios que Portugal tem pela frente a nível das metas de produção de energia renovável, de redução de emissões de gases com efeito de estufa e da dependência energética do exterior e há que estar aberto e debater de forma equitativa as várias soluções. Fazendo uma análise aos fracos benefícios, aos avultados prejuízos e às várias alternativas disponíveis, não se consegue senão concluir que a construção de novas grandes barragens em Portugal não pode ser vista como primeiro recurso ou prioridade. Assim, exige-se a renúncia da construção das seis barragens previstas para a sub-bacia da Tâmega ou a cabal refutação de todos os pontos acima mencionados.

Vale do Tâmega, Amarante, 13 de Março 2010

Subscrito pelas seguintes entidades:

Bloco de Esquerda
Campo Aberto – Associação de Defesa do Ambiente
FAPAS – Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens
GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente
LPN – Liga para a Protecção da Natureza
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega
Por Amarante, Sem Barragens
Proviverde - Associação de Produtores de Vinho Verde de Amarante
Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
Partido Os Verdes


Amarante: A Água no Tâmega a reflectir usos insustentáveis

Amarante
A Água no Tâmega a reflectir usos insustentáveis


Desde há 18 anos (1992-2010) o dia 22 de Março foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) Dia Mundial da Água.
Sendo abundante no planeta, mas cada vez mais escassa nas suas propriedades naturais em virtude da poluição que sobre ela é vertida, a Água reflecte hoje o desenvolvimento das sociedades humanas e a qualidade do ambiente reservado ao Homem.
Este ano o Dia Mundial da Água é dedicado ao tema “Água Limpa para Um Mundo Saudável”. A necessidade da conservação da Água potável associada à enorme carência de saneamento básico adequado à sua preservação e ao seu uso sustentável justificam a campanha da ONU tendo em vista alargar e aumentar a consciencialização do problema como forma de partir para a sua solução.
A saúde do planeta depende de nós, de cada um e da sociedade, e todos nós dependemos do estado de saúde dos recursos naturais, solo, ar e água, sendo os países pobres os que mais reflectem escassez e falta de qualidade dos recursos hídricos.
Um exemplo em como é importante aproveitar este dia mundial para reflectir localmente o que há a corrigir na nossa sociedade, no âmbito da relação estabelecida com a Água, está patente no vídeo sobre o rio Tâmega, às portas da cidade de Amarante, feito no Verão passado (2009), tal como pode ser visto a seguir.



in EB1 - JI Torreira (Fregim-Amarante) - 25 de Março de 2010

PNBEPH - Programa Nacional de Barragens: As Barragens da Nossa Perdição

PNBEPH - Programa Nacional de Barragens
As Barragens da Nossa Perdição

O Plano Nacional de Barragens que José Sócrates tem defendido obstinadamente é um daqueles erros históricos cuja factura havemos de pagar colectivamente como temos pago a herança da horda de políticos que nos governa desde que o Marquês do Pombal se eclipsou.

O país não produz. O país não inova. O país desperdiça. Mesmo sabendo disso, o plano que nos propõem tem por base o pressuposto de que precisamos de produzir mais energia. Para desperdiçar mais energia, está claro.

A coberto da produção das chamadas "energias limpas", o país demite-se de uma política energética consistente, afundando-se em barragens com custos incalculáveis para todos. Destruir os ecossistemas do Sabor, Tâmega e Tua, submergir a Linha do Tua e colocar Amarante em risco de submersão são erros clamorosos que recusamos em absoluto.

Pedro Morgado, in O Mal Maior - 29 de Março de 2010

domingo, 28 de março de 2010

Economia Real - As eólicas e o mau tempo





Economia Real
As eólicas e o mau tempo


Noticiava o Expresso que estávamos a dar a preço zero electricidade a Espanha. A culpa seria do mau tempo e do Mercado Ibérico de Electricidade (MIBEL). A história está mal contada.

Existe uma elevada correlação entre vento (que produz electricidade eólica) e chuva (que enche as albufeiras), tal como entre secas e ausência de vento. No fundo, água e vento têm o mesmo combustível: as depressões atmosféricas... Tudo isto tem explicado o prof. Pinto de Sá do IST no seu magnífico blogue http://a-ciência-nao-e-neutra.blogspot.com.

Tivemos, numa convergência normal, muito vento e também muita chuva, a qual, enchendo as albufeiras, não permitiu que estas fossem utilizadas para armazenar a água que seria puxada para elas por bombagem alimentada por essa electricidade eólica em excesso. É essa água que é normalmente descarregada produzindo electricidade nas horas de maior consumo. A água é assim a forma de acumular habitualmente a electricidade em excesso.

Nós portugueses pagamos a electricidade eólica aos produtores, em contratos leoninos a preços entre 60 e 93Mwh, precisemos ou não dela, através dos custos gerais do sistema, suportados pelos consumidores. Como não precisámos da energia e não a conseguimos armazenar, tivemos que a passar para Espanha durante treze dias de Dezembro a preço zero durante as horas de menor consumo e a 30-40€/Mwh nas outras horas! Como o 'camarada' Zapatero professa a mesma ideologia eco-utópica, também teve o mesmo tipo de problemas e por isso não precisava muito dela. Por outro lado, a França que tem no nuclear a sua energia 'verde' também não necessitava da nossa electricidade. Assim sendo, a culpa não é do MIBEL. Se bem que ele esteja longe de ser um verdadeiro mercado, aqui até funcionou bem no jogo da oferta e procura que ditou o preço da nossa exportação!

Tudo isto resulta do excesso da eólica que já temos cá. Nos países que têm eólicas e que fazem planeamento a sério (caso da Dinamarca que só tem 20% de eólica) tal teria sido acautelado. Por cá, o resultado está à vista! Tal, além de nos levar quer a preços elevados contribuindo para o défice tarifário, que é uma bola de neve crescente, quer à instabilidade da rede que nos conduzirá a apagões, não se resolve só com o reforço das barragens existentes ou com as novas albufeiras em construção. Precisaríamos para acumular toda essa água nesses períodos críticos de albufeiras de grande dimensão, o que é inviável num país pequeno.

A propósito ainda do mau tempo, um grande especialista de ventania mediática desapareceu durante os temporais no Oeste, deixando os engenheiros da EDP a tentar explicar a falta de investimento nas redes de distribuição e a resposta muito lenta da empresa ao temporal, mas reapareceu como treinador de futebol num jogo a favor do Haiti. Realmente isto de haver redes físicas nas utilities (em vez de apenas realidade virtual) é uma grande maçada...

Luís Mira Amaral, in Expresso - 30 de Janeiro de 2010

Mondim de Basto - 28 de Março de 2010: + BARRAGENS? NÃO! SALVAR O TÂMEGA AINDA É POSSÍVEL

Mondim de Basto - 28 de Março de 2010
+ BARRAGENS? NÃO! SALVAR O TÂMEGA AINDA É POSSÍVEL!

Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega - 28 de Março de 2010

Mondim de Basto - «Mais Barragens? Não!» - Convite à população: Salvar o Tâmega ainda é possível!


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Mondim de Basto - «Mais Barragens? Não!»
Convite à população: Salvar o Tâmega ainda é possível!


>> CONVITE <<

As circunstâncias que têm rodeado a apresentação do Ante-Projecto da Barragem de Fridão e também a do Alto Tâmega (Vidago), está a criar nas populações as maiores reservas e preocupações.
Por isso, o Executivo da Junta de Freguesia de Mondim de Basto decidiu organizar uma Concentração “+ Barragens? Não!” [28 de Março de 2010], por forma a demonstrar a sua solidariedade junto das pessoas directa ou indirectamente afectadas o seu protesto de rejeição dos termos em que se pretende impor as barragens no rio Tâmega, à revelia dos direitos das populações.
Assim, convidamos V. Ex.ª a participar nesta Concentração [Ponte de Mondim .16H00] da qual teremos o imenso prazer da sua presença.


O Presidente da Junta de Freguesia
Fernando Gomes

in Freguesia Mondim de Basto - Março de 2010

sábado, 27 de março de 2010

Alto Tâmega: Mexilhão põe barragem em causa





Alto Tâmega:
Mexilhão põe barragem em causa


A ministra do Ambiente afirmou hoje que o mexilhão de rio do norte, espécie protegida descoberta no rio Beça, poderá condicionar a construção da barragem de Padroselos, mas salientou que a decisão final só será tomada após o processo de avaliação ambiental.

Dulce Pássaro, que falava à margem da inauguração da Estação de Tratamento de Águas Residuais de Chaves, referiu que está a ser equacionada a não construção da barragem, incluída na "cascata do Alto Tâmega" concessionada à espanhola Iberdrola.

O Estudo de Impacte Ambiental do aproveitamento hidroelétrico do Alto Tâmega, que incluiu a construção de quatro barragens - Alto Tâmega, em Vidago, e Daivões (ambas no rio Tâmega) e Gouvães e Padroselos (afluentes) -, está em consulta pública até 14 de Abril.

No decorrer da elaboração do EIA foi descoberto o mexilhão de rio do norte, margaritifera margaritifera, uma espécie rara protegida pela legislação nacional e europeia e que em 1986 chegou a ser dado como extinto em Portugal.

A construção da barragem de Padroselos implicaria a eliminação desta colónia de bivalves e, por isso, o EIA revela já um "possível cenário alternativo do projecto", que passa pela exclusão desta barragem aumentando a potência prevista para Gouvães.
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in Rádio Renascença - 26 de Março de 2010

Construção das barragens do Alto Tâmega: Estudo de impacto ambiental "inundado" de críticas





Construção das barragens do Alto Tâmega
Estudo de impacto ambiental "inundado" de críticas

Autarcas defenderam outro Estudo de Impacto Ambiental.

"Documento considerado como pouco fiável e demasiado pobre", foram as críticas mais ouvidas ao Estudo de Impacto Ambiental, EIA, referente à construção dos quatro empreendimentos hidroeléctricos do Alto Tâmega.

Na sessão que juntou no Auditório do IPJ em Vila Real, a Agência Portuguesa do Ambiente, APA, Iberdrola, autarcas, associações e população, ficaram muitas dúvidas no ar quanto ao efeito das várias barragens.

O presidente da Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar, Domingos Dias, não gostou do que ouviu e viu sobre o EIA. O autarca que é também o responsável máximo em exercício dos Empreendimentos Hidroeléctricos do Alto Tâmega e Barroso, EHTB, sugeriu mesmo a substituição do documento apresentado. "É evidente que o estudo apresentado é demasiado pobre para que se possam executar os empreendimentos com tantos impactos no Alto Tâmega. Neste momento, a melhor solução passava pela retirada deste estudo e apresentar um outro mais credível, suspendendo mesmo a execução destes projectos, tal como nos foram apresentados".

Domingos Dias adiantou ainda que a EHTB fica na expectativa. "Sustentando que o estudo não avalia correctamente a implicação da alteração dos solos e a criação de lençóis de água que poderão afectar os ventos e isso poderá ter alterações ao nível da energia eólica, que é uma das fontes de rendimento da empresa".

"No Estudo de Impacto Ambiental não foi avaliado correctamente se a Barragem de Padroselos é ou não executada. Se for executada, o nosso empreendimento de Bragadas, que é o melhor que temos, fica completamente destruído, mas, se não for executado, a barragem de Daivões vai afectar o local de produção da barragem de Bragadas".

Amílcar Salgado, membro do núcleo do Alto Tâmega do Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega e Pedro Couteiro, da COAGRET, e alguns docentes da UTAD, ligados à área ambiental e biológica, foram alguns dos intervenientes que defenderam outro EIA, alertando para as consequências que o empreendimento poderá ter na componente ambiental e socioeconómica, nomeadamente na vitivinicultura.

Por sua vez, Paulo Ferreira, representante da Procesl, empresa que levou a cabo o EIA, admitiu que "o estudo tem lacunas", mas sublinhou que "foi feito um trabalho sério, onde cerca de 40 pessoas andaram no terreno". No entanto, garantiu que as dúvidas deixadas poderão ser desenvolvidas na fase do Relatório de Conformidade Ambiental.

Confrontado com as críticas, o Administrador em Portugal da Iberdrola, Pina Moura, mostrou-se irredutível quanto à alteração do projecto. "As opiniões adversas não me fazem nem diminuir a determinação, nem catalogar quem quer que seja. Isto está fora de questão. O que nos trouxe aqui foi o cumprimento da nossa primeira obrigação de ouvir as reacções de um conjunto de personalidades que aqui estiveram, autarcas, universitários e cidadãos interessados na sorte dos seus concelhos e das suas localidades. Ouvimos com todo o respeito, tomamos nota e vamos reflectir. Agora isto não significa um menor empenhamento nas responsabilidades que já assumimos. A Iberdrola investiu, por condições fixadas pelo próprio concurso, 300 milhões de euros para cumprir um caderno de encargos que nos foi fixado pelo Governo português".

A "cascata" do Alto Tâmega foi adjudicada à empresa espanhola Iberdrola e prevê a construção de quatro barragens. Alto Tâmega (Vidago) e Daivões - ambas no rio Tâmega, e em Gouvães e Padroselos (afluentes).
O EIA está em consulta pública até 14 de Abril.


José Manuel Cardoso, in A Voz de Trás-os-Montes (Rede Expresso) - 25 de Março de 2010

Alto Tâmega: mexilhão pode «estragar» a barragem - Ministra garante que decisão final só será tomada após o processo de avaliação ambiental





Alto Tâmega: mexilhão pode «estragar» a barragem
Ministra garante que decisão final só será tomada após o processo de avaliação ambiental



A ministra do Ambiente afirmou esta sexta-feira que o mexilhão de rio do norte, espécie protegida descoberta no rio Beça, poderá condicionar a construção da barragem de Padroselos, mas salientou que a decisão final só será tomada após o processo de avaliação ambiental

Dulce Pássaro, que falava à margem da inauguração da Estação de Tratamento de Águas Residuais de Chaves, referiu que está a ser equacionada a não construção da barragem, incluída na «cascata do Alto Tâmega» concessionada à espanhola Iberdrola, resume a Lusa.

O Estudo de Impacte Ambiental do aproveitamento hidroelétrico do Alto Tâmega, que incluiu a construção de quatro barragens - Alto Tâmega, em Vidago, e Daivões (ambas no rio Tâmega) e Gouvães e Padroselos (afluentes) -, está em consulta pública até 14 de Abril.

No decorrer da elaboração do EIA foi descoberto o mexilhão de rio do norte, margaritifera margaritifera, uma espécie rara protegida pela legislação nacional e europeia e que em 1986 chegou a ser dado como extinto em Portugal.

A construção da barragem de Padroselos implicaria a eliminação desta colónia de bivalves e, por isso, o EIA revela já um «possível cenário alternativo do projecto», que passa pela exclusão desta barragem aumentando a potência prevista para Gouvães.

A ministra Dulce Pássaro referiu que a decisão final será tomada após a consulta pública, recolhidos e analisados os contributos dos participantes.

A construção das quatro barragens do Alto Tâmega está a ser contestada pelas populações afectadas, autarcas, universitários e ambientalistas, que se mostram preocupados pela dimensão da albufeira, qualidade da água ou alterações no clima.

Dulce Pássaro recebe terça-feira os autarcas de Chaves, Vila Pouca de Aguiar, Boticas, Ribeira de Pena, Montalegre e Valpaços, que vão aproveitar para entregar à ministra um estudo alternativo elaborado por especialistas da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

A ministra destacou os aspectos positivos decorrentes da construção das barragens referindo que, em primeira linha, vão ajudar a defender o ambiente porque vão produzir energia renovável e diminuir a emissão de gases com efeito de estufa.

«Depois, também vão ajudar a diminuir a nossa dependência energética das fontes tradicionais e o desequilíbrio da nossa balança de pagamentos. Para além disso, criam emprego na fase de construção e depois ajudam a desenvolver outras actividades como turismo ou actividades agrícolas», salientou.

Dulce Pássaro frisou que o plano nacional de barragens «é uma excelente opção para o país».


Redacção / CP, in Iol, TVI 24 - 26 de Março de 2010

PNBEPH - Rio Tâmega: Iberdrola arrisca perder uma barragem




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Iberdrola arrisca perder uma barragem

in Expresso (Economia), 1951 (pp. 22 e 23) - 20 de Março de 2010