domingo, 30 de novembro de 2008






TÂMEGA: Movimento de cidadãos que contesta barragem de Fridão vai ser recebido por Cavaco Silva

O Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega, que luta contra a construção da barragem de Fridão, em Amarante, vai ser recebido quarta-feira pelo Presidente da República, anunciou hoje a organização. Cavaco Silva visita a 3 de Dezembro o Município do Marco de Canaveses, onde vai inaugurar um parque fluvial no rio Tâmega e as piscinas municipais de Alpendorada e Matos.
Será após a sessão de boas-vindas, na qual o Presidente da República receberá a Medalha de Honra e o título de cidadão honorário do Município, que uma delegação do movimento contestatário das barragens no rio Tâmega entregará a Cavaco Silva um exemplar do Manifesto Anti-barragem "Salvar o Tâmega e a vida no Olo".
O líder do movimento, Emanuel Queirós, disse à Lusa que o lançamento do manifesto anti-barragem serve "para mobilizar a população para a fase da discussão pública" sobre o projecto da barragem, que deverá ocorrer no segundo semestre de 2009, quando for apreciado o estudo de impacte ambiental, em elaboração. Além do manifesto, o movimento anti-barragem lançou uma petição na internet, que recolheu mais de 1.100 assinaturas em menos de duas semanas.
O manifesto é subscrito por cidadãos dos quatro concelhos afectados pela construção do empreendimento – Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Mondim de Basto e Amarante.
"As barragens no Tâmega vêm fazer a artificialização do rio, provocam a implosão do vale, a destruição dos ecossistemas, ou seja, a interrupção da vida natural tal como nós a conhecemos", considera o movimento de cidadãos. Insurgindo-se contra "a falta de voz de determinação e reivindicação" dos órgãos da região, o movimento quer fazer ouvir a sua voz junto dos órgãos de Estado.
"Não queremos a barragem de Fridão nem aceitamos o transvase das águas do Olo para a ribeira da barragem de Gouvães e exortamos os órgãos de soberania do Estado português a respeitar a cidadania e a vida tal como nós a conhecemos", salienta Emanuel Queirós. Para o líder do movimento anti-barragem, é importante dizer às populações da bacia do Tâmega "que nada está decidido e que o processo de construção da barragem pode ser revertido".

Contrato de concessão avança em Dezembro
O contrato da concessão da barragem de Fridão, no rio Tâmega, a celebrar entre o Estado e a EDP vai ser assinado em Dezembro, assegurou à Lusa, no início de Novembro, o presidente do Instituto da Água (INAG).
A atribuição dos contratos de concessão com a EDP – que ganhou o concurso para Fridão, Alvito e Foz Tua – com a Endesa – que ganhou Girabolhos – e com a Iberdrola – que ganhou Gouvães, Padroselos, Alto Tâmega e Daivões – será feita por decreto-lei, precisou Orlando Borges.
O Estado vai encaixar 624 milhões de euros com a adjudicação da concessão de oito barragens do Programa Nacional de Barragens à EDP, Iberdrola e Endesa, afirmou à Lusa o presidente do Instituto da Água (INAG).O investimento total nas oito barragens será de cerca de 3.000 milhões de euros e o aumento da produção hídrica, que estava previsto ser de 1.100 megawatts (MW) para as 10 barragens programadas, será “ultrapassado”, afirmou Orlando Borges.
O presidente do Instituto da Água confirmou que as barragens de Almourol e Pinhosão não receberam qualquer proposta no concurso lançado pelo Governo, ficando por construir.
Orlando Borges afirmou, no entanto, que dadas as “fortíssimas restrições” colocadas à construção das barragens de Almourol e Pinhosão, vê como “positiva” a sua não construção. “Os objectivos que tínhamos com dez barragens [em termos de encaixe financeiro e de produção hídrica], vamos conseguir atingi-los com oito”, afirmou.

in Marão online - 29 de Novembro de 2008





Cavaco vai receber Movimento contra barragem de Fridão

O Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega, que luta contra a construção da barragem de Fridão, em Amarante, vai ser recebido quarta-feira pelo Presidente da República, anunciou hoje a organização.
Cavaco Silva visita a 3 de Dezembro o Município do Marco de Canaveses, onde vai inaugurar um parque fluvial no rio Tâmega e as piscinas municipais de Alpendorada e Matos.
Será após a sessão de boas-vindas, na qual o Presidente da República receberá a Medalha de Honra e o título de cidadão honorário do Município, que uma delegação do movimento contestatário das barragens no rio Tâmega entregará a Cavaco Silva um exemplar do Manifesto Anti-barragem «Salvar o Tâmega e a vida no Olo».
O líder do movimento, Emanuel Queirós, disse à Lusa que o lançamento do manifesto anti-barragem serve «para mobilizar a população para a fase da discussão pública» sobre o projecto da barragem, que deverá ocorrer no segundo semestre de 2009, quando for apreciado o estudo de impacte ambiental, em elaboração.
Além do manifesto, o movimento anti-barragem lançou uma petição na internet, que recolheu mais de 1.100 assinaturas em menos de duas semanas.

Cavaco vai receber Movimento contra barragem de Fridão
O manifesto é subscrito por cidadãos dos quatro concelhos afectados pela construção do empreendimento – Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Mondim de Basto e Amarante.
«As Barragens do Tâmega vêm fazer a artificialização do rio, provocam a implosão do vale, a destruição dos ecossistemas, ou seja, a interrupção da vida natural tal como nós a conhecemos», considera o movimento de cidadãos.
Insurgindo-se contra «a falta de voz de determinação e reivindicação» dos órgãos da região, o movimento quer fazer ouvir a sua voz junto dos órgãos de Estado.

in Diário Digital/Lusa e Milleniumbcp.pt - 29 de Novembro de 2008

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

"A verdade fugiu"



O tema musical "A verdade fugiu" foi elaborado durante o mês de Novembro de 2008 por dois alunos do Colégio de São Gonçalo (Amarante). A Amália Carvalho (autora da letra) e o Vasco (autor da música e intérprete) estão solidários com a «Causa» anti-barragem no Tâmega, e escolheram uma forma de expressão artística muito tocante como contributo para ajudar à sensibilização e divulgação da problemática recaída sobre o rio, a água, a paisagem, o ambiente e as suas populações.

A letra poderá ser vista aqui: "A verdade fugiu" (letra).

Rio Tâmega - Amarante: Quadra Anti-Barragem

Rio Tâmega - Amarante

Quadra Anti-Barragem

Mestre Zé Maravilha - 26 de Novembro de 2008

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Movimento promove Conferência de Imprensa

Face à brutal acção em curso contra a bacia do rio Tâmega e as suas populações, contida no «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico», e perante a manifesta incapacidade dos órgãos do poder local (câmaras e assembleias municipais) se oporem a tal investida, o Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega tomou a iniciativa de agir publicamente contra a acção decorrente da alienação dos recursos hídricos no Tâmega às eléctricas ibéricas EDP, S.A. e IBERDROLA, S.A., visando obstar que as populações do Baixo Tâmega se vejam espoliadas de um dos bens naturais mais preciosos desta região.

Para o efeito, no próximo dia 28 de Novembro de 2008 (sexta-feira), pelas 18H00, o Movimento levará a efeito uma Conferência de Imprensa no Edifício TOP – Recta de Ramos, em Amarante (GPS 41.17.09-N – 8.05.18-W), onde fará a apresentação pública das bases programáticas à contestação do «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico» e às circunstâncias políticas que levam à sua execução na bacia do Tâmega.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Mensagem de apoio à «Causa» do Tâmega na "blogosfera"

PNBEPH - Programa Nacional de Barragens
Cidadania Responsável (Com Atraso)


Tâmega - Amarante (São Gonçalo)
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Tenho andado talvez demasiado envolvida nesta luta de professores que abracei por inteiro, porque a encontro justa e certa, contra uma Tutela que perdurará na História por certo como "A Incompetente". A minha dedicação a esta causa fez-me descurar um pouco outros assuntos igualmente importantes, de que aliás já falei neste blogue. O meu irmão fez-me o favor de me relembrar. A minha sobrinha Inês reforçou. :)
Assim, hoje é dia de deixar um apelo aos meus leitores. Leiam o Manifesto. Leiam a petição e juntem-se a nós na salvaguarda de rios que são nosso património comum.

"Em face da brutal acção política do Governo contra o Tâmega/Olo e as suas populações, contida no «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico», e da manifesta incapacidade reconhecida nos órgãos do poder local (câmaras e assembleias municipais) se oporem a tal investida, um grupo alargado de cidadãos dos concelhos de Amarante, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto e Mondim de Basto, tomaram em mãos a iniciativa de agir contra a acção vil e mercenária de alienar os caudais dos rios Tâmega e Olo às eléctricas ibéricas EDP, S.A. e IBERDROLA, S.A., visando obstar que as populações do Baixo Tâmega se vejam espoliadas de um dos bens naturais mais preciosos de nossa região.Deste modo, foi criado o «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega», o qual tem as suas bases programáticas para esta acção expostas em «Manifesto» próprio, o qual pode ser consultado em

http://cidadaniaparaodesenvolvimentonotamega.blogspot.com/,

de onde é possível aceder à «Petição Anti-Barragem – Salvar o Tâmega e a vida no Olo» colocada em

http://www.petitiononline.com/PABA/petition.html."

Eu já assinei, assina tu também.

Anabela Magalhães, in Anabela Magalhães - 23 de Novembro de 2008

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Rio Olo (rio Tâmega): A Barrela

Rio Olo (Rio Tâmega)
A Barrela

O rio Olo, um dos últimos rios impolutos de Portugal, recorta o Alvão contando pontes velhas de aldeias de pedra até se precipitar caudaloso nas Fisgas de Ermelo, Mondim de Basto, numa queda de água de beleza rara na Europa. Maravilha tal que locais levaram uma moção à assembleia municipal, propondo a candidatura da mesma a Património Natural.

No entanto, de pouco pode ter valido a aprovação por unanimidade em torno daquilo têm como valor acrescentado. No País West Coast da Europa, o interior é apenas uma enorme fronteira até Espanha como se o risco fosse dessa largura. O Plano Nacional de Barragens tem projectadas 5 barragens para o Vale do Tâmega, que farão de toda aquela bacia um açude gigante. Pior, uma delas, desviará o rio Olo para alimentar uma outra, de Gouvães, a cargo da Iberdrola. Diria a cargo, porque para lá caminha. O período de discussão pública que teria um ano, foi, em manobras por detrás da cortina,
encurtado em meses. Milagre do Simplex da conveniência em nome de favores maiores, será tudo entregue nas mãos dos concessionários já em Dezembro.

Assim que o betão começar a frenar a garganta, das Fisgas do Ermelo não se verá mais que um fio de água fragas abaixo, e do vale do Tâmega pouco restará dele escavado por um rio. Muito da nossa identidade paisagística e património colectivo completamente alagado. O que era natural dará lugar ao impacte artificial de uma albufeira de falsas promessas, à distância e a bem da alumiação do Portugal filho e no que resta em desgraça ao Portugal enteado.

Vítor Pimenta, in [Avenida Central] - 10 de Novembro de 2010
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Cabeceiras de Basto)

PNBEPH - Rio Olo: Fisgas de Ermelo

PNBEPH - Rio Olo
Fisgas de Ermelo

PNBEPH - Rio Olo: Fisgas de Ermelo podem perder a beleza natural

PNBEPH - Rio Olo
Fisgas de Ermelo podem perder a beleza natural

O alerta foi dado pela Lusa, a partir do testemunho científico do docente da UTAD, Rui Cortes. Especialista da área do ambiente afirmou que a «construção de quatro barragens na bacia hidrográfica do Tâmega e de mais três derivações de cursos de água vão alterar completamente a zona envolvente a este rio e até mesmo o Parque Natural do Alvão».
O rio Olo é uma dessas derivações e é ele que alimenta as Fisgas de Ermelo, consideradas como as maiores da Europa. Anualmente são visitadas por milhares de pessoas, nomeadamente por escolas, o que incute nas crianças imagens inapagáveis para toda a vida. De acordo com o depoimento daquele especialista, com a construção da Barragem de Gouvães, as Fisgas de Ermelo, situadas no Parque Natural do Alvão, sofrem significativamente na sua beleza multi-secular. Ainda não vimos a Quercus, sempre atenta a estas alterações ambientais, erguer a voz autorizada para que os responsáveis tenham em atenção estas leis naturais.Está ainda na retina dos portugueses, designadamente dos Transmontanos, a decisão política de alterar o trajecto da A24, gastando por causa disso mais sete milhões de euros. Tudo para salvaguardar uma alcateia de (sete lobos). O palco das operações é o mesmo: o Alvão. Nessa altura os ambientalistas fizeram-se ouvir e o poder político não teve pejo em poupar os lobos, prejudicando o traçado da via e lesando o orçamento geral do Estado. Houve mais respeito por esses animais selvagens do que pelas pessoas que passam fome. Esse dinheirão abrigava muita gente maronesa e saciava muito estômago vazio. Mas optou-se pela bizarra opção de privilegiar o lobo em detrimento do ser humano.Confrontamo-nos, agora, com um erro maior e mais gritante, correndo o risco de extinguir uma das maiores atracções paisagísticas do Alvão, a mesma montanha que, há meia dúzia de anos, foi palco daquela patética opção política.O JN deu guarida às preocupações ambientalistas de Rui Cortes e nessa notícia esclarece que o projecto das quatro barragens da «cascata do Tâmega»: Alto Tâmega, Daivões, Padroselos e Gouvães foi adjudicado ao grupo espanhol Iberdola. E abriu concurso público para escolher a empresa que vai efectuar o Estudo de Impacte Ambiental. Informa ainda o técnico da UTAD que a barragem de Gouvães que vai ser construída no Rio Torno, derivará da água de dois afluentes: o Olo e a Alvadia. Por esse motivo o caudal que actualmente corre nas figas de Ermelo será reduzido ao mínimo, facto que irá afectar a queda de água que poderá, até, em certas alturas, desaparecer. Ou seja: não está em causa a construção da barragem, mas sim a derivação de água do rio Olo. É por esse motivo que Rui Cortes alerta a EIA (Estudo de Impacte Ambiental).Refira-se que as Fisgas de Ermelo têm um desnível que se estende ao longo de 200 metros de extensão, separando as zonas graníticas das xistosas das terras envolventes. Esclarece ainda o técnico da UTAD que a construção das quatro barragens vai transformar o Rio Tâmega numa grande albufeira, com cerca de 150 quilómetros, desde a fronteira com a Espanha até Amarante. Numa fase posterior será acrescentada uma outra barragem chamada de «Fridão». Perto de Amarante. Mondim de Basto, Ribeira de Pena e uma dezena de aldeias vão ser afectadas com estas alterações ambientais. Os Amarantinos contestam a albufeira a situar às portas da cidade. Já as restantes quatro têm o apoio das Câmaras de Chaves, Boticas, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar.Um ilustre filho de Ermelo teve a gentileza de remeter-nos um recorte do JN, adicionando considerações que julgamos oportunas. Afirma que «as quedas de água do Rio Olo, também chamadas «Quedas do Cabril», ou «As Fisgas de Ermelo» estão sob a mira gulosa de uma empresa espanhola. E essa gula vai arruinar uma das maiores maravilhas telúricas e paisagísticas de Portugal e de toda a Europa, porque o simples facto de diminuir o caudal do rio, extingue a beleza que desde sempre aquele sumptuoso santuário geográfico propiciou a quem o visita. No inverno, em muitos anos, a água, não é muita. E, no verão, o caudal é, por via de regra, diminuto. Em vez de se criarem condições para reforçar esse caudal, enriquecendo a paisagem e promovendo o turismo regional, mata-se essa raridade, em proveito da ganância de certos decisores que só não vendem a Lua porque ainda não têm jurisdição sobre ela.Até as águias que por ali ainda cumprem o seu destino, como espécie rara que seria óbvio acautelar e propagar, correm o risco de desaparecer, irremediavelmente. Temos visto por esse país fora, postos da luz, árvores velhinhas, cumes rurais transformados em «sítios de interesse público». As cegonhas, por exemplo, têm estatuto diferenciado das águias. Porque será? Seja como for há que ter em atenção o interesse paisagístico e a preservação do meio ambiente. Não podem a ganância e a gula de certos políticos hipotecar o pouco de bom que as zonas periféricas herdaram da própria Natureza. Há que ter respeito pelas leis naturais e tratar a todos, rurais ou urbanos, pobres e ricos, empresários e obreiros com os mesmos critérios. Que as águias que sobrevoam as Fisgas de Ermelo tenham, pelo menos, os mesmos direitos dos Lobos da Samardã.

Por Barroso da Fonte, Dr. in [Notícias do Douro]

domingo, 16 de novembro de 2008

PNBEPH - Rio Olo: Ermelo [Mondim de Basto] não quer ficar sem rio

PNBEPH - Rio Olo: transvase preocupa população
Ermelo[Mondim de Basto] não quer ficar sem rio

As populações do vale do rio Olo estão preocupadas com o possível transvase parcial deste curso de água para uma pequena barragem prevista no Programa Nacional de Barragens, referente ao Aproveitamento Hidroeléctrico de Gouvães da Serra. Se isto se concretizar, as Fisgas de Ermelo podem correr o risco de ficarem secas, em alturas de pouca precipitação.

Apesar do Instituto de Conservação Natureza, ICN, ter dado já um parecer negativo sobre o projecto, será o Estudo de Impacto Ambiental, EIA, que em breve deverá ser adjudicado, a tirar as dúvidas sobre este assunto. Ainda sem certezas, os povos ribeirinhos do rio Olo começam já a fazer sentir as suas vozes de protesto contra o cenário do eventual transvase. Na última sexta-feira, uma reunião realizada na Casa do Povo de Ermelo, freguesia de Mondim de Basto, constituiu o primeiro sinal de contestação, à eventual construção e o consequente estrangulamento da parte final do rio Olo. Neste plenário que teve a participação de elementos da Junta de Freguesia, povo local e activistas contra a construção da Barragem de Fridão no rio Tâmega, foi decido elaborar uma petição de defesa para a preservação do rio Olo e contra qualquer tentativa de desvio ou transvase. Rui Cortes, professor universitário na UTAD, tem vindo a acompanhar este processo. Ao Nosso Jornal referiu que “inicialmente o Plano Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico apontava, de facto, para uma diminuição drástica de caudal da parte final do rio Olo, derivado ao seu desvio para o rio Torno”. Porém e segundo o mesmo, “tal intenção aparentemente seria alterada posteriormente” contudo, agora, “já não tem tanta certeza que assim seja”. Recentemente, ouviu dizer que o transvaze de três rios (Olo, Vidoedo e Poio) pode, novamente, ser equacionado. “Estou agora na expectativa sobre o que irá contemplar o Estudo de Impacte Ambiental que vamos conhecer brevemente”. O cenário da derivação do caudal deixou a população de Ermelo muito ansiosa. São pessoas que vivem quase exclusivamente da agricultura, da pecuária e do turismo que tem evoluído devido à beleza paisagística do rio. “Nestas terras de regadio colhe-se todo o ano, milho, batata, feijão, dependemos do rio Olo para a nossa subsistência”, refere um residente em Ermelo. A população não aceita que seja feito qualquer transvaze, uma vez que isso colocaria em causa a sobrevivência do povo, dadas as centenas de pessoas que dependem dele. “É o rio que permite a agricultura de subsistência. Sem essa água não é possível as regas e todo o vale do Olo pode “morrer”. Pode estar em perigo a actividade principal da aldeia e pode estar a cometer-se um crime ecológico sem precedentes” disse ao Nosso Jornal, Armindo Henrique, habitante e empresário do ramo hoteleiro em Ermelo. “Tenho um café restaurante e estou a acabar a hospedaria. Vou ser muito prejudicado. “Se isto for em frente será o maior atentado à natureza e às pessoas que sempre aqui viveram e aqui investiram tudo o que tinham”, acrescentou. Carlos Henrique, Tesoureiro da Junta de Freguesia e habitante de Ermelo, também está apreensivo: “Estamos muito preocupados. Os membros desta Junta já foram à Câmara Municipal de Mondim para saber o que se passa. Ao que sentimos, o próprio Município de Mondim de Basto não tem a informação necessária sobre este Programa. Vivemos no coração do Parque Natural do Alvão e junto deste organismo, também, não conseguimos nenhum esclarecimento. Da reunião com a população saiu uma petição para que sejamos informados sobre o que está previsto fazer para esta região”. António Gonçalves, pescador, conhece bem o rio Olo. Também ele está preocupado, com todo este cenário. “Tudo pode desaparecer, as Fisgas de Ermelo e as Pias podem ficar secas. O parque de merendas, a ponte romana, e todos aqueles recantos de rara beleza que caracterizam um rio selvagem, poderão também ser afectados. Esta água ainda é verdadeiramente pura. Neste rio existem lontras, trutas selvagens, enguias, escalos, bogas e barbos e toda uma fauna envolvente que vive nas margens”. Caso seja feita a derivação do caudal do rio Olo que desagua no rio Tâmega na aldeia de Chapa (Amarante) serão afectadas as aldeias de Varzigoto, Barreiro, Assoreiras, Ermelo, Fervença, Ponte de Olo, Mouquim, Tejão, e Candedo. Está a ser feita uma recolha de assinaturas para levar à Assembleia da República a questão da derivação do caudal do rio Olo. Armindo Henrique deixou no ar um aviso: “Esperamos que os nossos Governantes reflictam nas nossas reivindicações e saibam que está em causa todo um Património Natural de valor ambiental incalculável. Mas, se tal não acontecer, encetaremos todas as formas de luta. Ermelo só tem 300 residentes, mas somos mais de 3.000, espalhados por toda a Europa, a defender esta causa”. A Barragem de Gouvães ficará situada no rio Torno (troço de montante do rio Louredo), afluente da margem esquerda do rio Tâmega (bacia hidrográfica do rio Douro), a cerca de 1,8 km da localidade de Gouvães da Serra. A albufeira terá uma pequena capacidade de armazenamento face aos caudais afluentes. O aproveitamento integrará ainda um sistema de derivação para reforço dos caudais afluentes com origem nas ribeiras de Poio, Olo e Viduedo, constituído por três pequenas barragens e respectivos túneis de derivação, com um comprimento total de 15.5 Km. A contribuição destas derivações para o escoamento afluente é de cerca de 69 por cento do escoamento total. Fazendo parte deste circuito as derivações do rio Olo com cerca de 7.8 Km.

José Manuel Cardoso in [A Voz de Trás-os-Montes]

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Barragem de Gouvães - O rio Olo no Programa Nacional de Barragens

Aproveitamento Hidroeléctrico de Gouvães
O rio Olo no Programa Nacional de Barragens

Fonte: Programa Nacional de Barragens

Tem vindo a ser alvo de debate, na região de Basto e Amarante, o «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico». Muitos falam dele com alguma preocupação, e outros acreditam que a sua implementação trará benefícios para o Vale do Tâmega.

O "programa das barragens" não é um programa de desenvolvimento desta região. É, sim, e tão só, um programa hidroeléctrico. Por isso, considero que não faltam razões para as populações de Basto e Amarante estarem apreensivas.
Para situar a questão fulcral deste artigo de opinião e que tem a ver essencialmente com a prevista “destruição” das quedas de água nas Fisgas de Ermelo, com base nos documentos oficiais do «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico» em execução, de seguida transcrevo alguns excertos do referido documento que são, no mínimo, altamente preocupantes:

“A Barragem de Gouvães ficará situada no rio Torno (troço de montante do rio Louredo), afluente da margem esquerda do rio Tâmega (bacia hidrográfica do rio Douro), a cerca de 1,8 km da localidade de Gouvães da Serra. A albufeira terá uma pequena capacidade de armazenamento em face dos caudais afluentes.”

“O aproveitamento integrará ainda um sistema de derivação para reforço dos caudais afluentes com origem nas ribeiras de Poio, Olo e Viduedo, constituído por três pequenas barragens e respectivos túneis de derivação.”

“...com um comprimento total de 15.5 Km. A contribuição desta derivação para o escoamento afluente é de cerca de 69 % do escoamento total...”

“... Fazem ainda parte do circuito as derivações do rio Olo com cerca de 7.8 Km...”

Perante este quadro de referência, não restam dúvidas que o desvio de água do rio Olo faz parte integrante do projecto do aproveitamento hidroeléctrico de Gouvães.
Ora, entre o que está escrito e o “diz-que-disse”, vai a grande diferença entre o que pode ser irreversível (destruição das quedas de água) e o que eventualmente é esperado.
Tal situação, a manter-se e a ser executada, configura-se um verdadeiro atentado ao património natural que são as Fisgas de Ermelo, o “monumento” maior do Parque Natural do Alvão, referência paisagística regional e nacional e que marca o concelho de Mondim de Basto em particular.
Aliás, como é do conhecimento geral, as quedas de água das Fisgas de Ermelo são as maiores quedas de água de Portugal e das maiores da Europa. Como se, por si só, não bastasse, para que nunca nem ninguém se lembrasse de as destruir, são parte integrante do Parque Natural do Alvão, que, sendo uma zona protegida, deveria estar “incólume” destas tropelias ambientais que o Programa Nacional de Barragens comporta na bacia do Tâmega.
O desvio da água do rio Olo – projectado para perto do limite da freguesia de Lamas de Olo (Vila Real) com a freguesia de Bilhó (Mondim de Basto) – irá provocar uma fortíssima diminuição do caudal do Olo, a montante das quedas de água, tornando-se destruidor do cenário natural que todos conhecemos.
O “coração” do Parque Natural do Alvão é a bacia hidrográfica do Olo a montante, mas também a jusante das Fisgas. Ora, o que está em causa é precisamente toda a área afectada a jusante de Lamas de Olo. Isto é, toda a área do concelho de Mondim até à foz do Olo, em Amarante.Isto é gravíssimo! O que está consagrado no «Programa Nacional de Barragens» é, nem mais, “matar” as Fisgas tal como elas são (e elas valem pelo que são!); mas é, também, destruir toda uma paisagem que tem por epicentro o rio Olo, desde Ermelo à foz, em Vila Chã do Marão (Amarante). Todo um território onde existe agricultura à beira-rio, sistemas tradicionais de regadio, sistemas tradicionais de moagem, pesca, enfim, meus senhores: VIDA!... e vida quer dizer seres vivos: animais, vegetais, homem e actividades, aos quais se vai afectar as condições naturais por força da diminuição da água.
Ainda há pouco tempo, pela Portaria n.º 206/2008, de 25 de Fevereiro, foi criada uma zona de pesca reservada em toda a extensão do rio Olo. É caso para perguntar: a jusante das Fisgas, o rio vai continuar a ter as condições excepcionais para a pesca de salmonídeos?... já que a montante da represa de Lamas de Olo, com as águas paradas, essas mesmas condições deixarão de existir!
Como português, entendo o problema da factura energética que o Estado tem em mãos. Considero, no entanto, que é imprescindível verificar a relação custos/benefícios numa escala integrada de valores. É que, nem sempre os meios justificam os fins. E o que se passa, é que a implementação do «Programa Nacional de Barragens», no que concerne à nossa região, sacrifica valores de importância suprema, mutilando de forma madrasta a nossa identidade enquanto território.
Como se já não bastasse “afogar” o Tâmega em Mondim, com a albufeira da barragem de Fridão, também tudo indica que nos vão “secar” o Olo com o transvase das suas águas para a barragem de Gouvães.
É caso para dizer: Socorro! Acudam-nos!... que aqui há vida!
Eu não me conformo.
E você?

Alfredo Pinto Coelho (eng.º Agrícola / lic. Gestão Agrária) – Novembro de 2008
MOVIMENTO CIDADANIA PARA O DESENVOLVIMENTO NO TÂMEGA (Mondim de Basto )

O contrato de concessão da barragem de Fridão será assinado em Dezembro com a EDP

«O contrato da concessão da barragem de Fridão, no rio Tâmega – um empreendimento muito contestado em Amarante – a celebrar entre o Estado e a EDP vai ser assinado em Dezembro, assegurou terça-feira o presidente do Instituto da Água (INAG). Os contratos de concessão com a EDP - que ganhou o concurso para Fridão, Alvito e Foz Tua - com a Endesa - que ganhou Girabolhos - e com a Iberdrola - que ganhou Gouvães, Padroselos, Alto Tâmega e Daivões - serão assinados dentro de um mês, afirmou o presidente do INAG.

A atribuição dos contratos de concessão às três empresas será feita por decreto-lei, precisou Orlando Borges.

O responsável salientou que os concursos não tiveram “uma única contestação, o que demonstra a sua transparência e rigor”.

O Governo lançou o ano passado um programa nacional para a construção de 10 barragens, prevendo um investimento total entre os 1.000 e os 2.000 milhões de euros e um aumento da capacidade de produção hídrica do país em 1.100 megawatts (MW), de modo a ultrapassar os 7.000 MW de potência instalada até 2020.Estado encaixa mais de 600 milhões de euros O Estado vai encaixar 624 milhões de euros com a adjudicação da concessão de oito barragens do Programa Nacional de Barragens à EDP, Iberdrola e Endesa, afirmou à Lusa o presidente do Instituto da Água (INAG).

O investimento total nas oito barragens será de cerca de 3.000 milhões de euros e o aumento da produção hídrica, que estava previsto ser de 1.100 megawatts (MW) para as 10 barragens programadas, será “ultrapassado”, afirmou Orlando Borges.
O presidente do Instituto da Água confirmou que as barragens de Almourol e Pinhosão não receberam qualquer proposta no concurso lançado pelo Governo, ficando por construir.
Orlando Borges afirmou, no entanto, que dadas as “fortíssimas restrições” colocadas à construção das barragens de Almourol e Pinhosão, vê como “positiva” a sua não construção.
“Os objectivos que tínhamos com dez barragens [em termos de encaixe financeiro e de produção hídrica], vamos conseguir atingi-los com oito”, afirmou.»

terça-feira, 11 de novembro de 2008

As novas grandes barragens de que poucos falam….

«Este empreendimento [Baixo Sabor] não foi suficiente: surgiram logo depois da sua aprovação as 10 grandes barragens propostas no PNBEPH. Que também não serão suficientes, porque a estas seguem-se outras 10 a 13 a médio prazo, e que já estão inscritas no estudo inicia. É sustentável este desenvolvimento? Talvez para os empreiteiros a quem também não convém apostar na eficiência energética...



Daivões, Gouvães, Padroselos ou mesmo Alto Tâmega são nomes que pouco dizem à maior parte das pessoas as quais, excepto no último caso, terão sérias dificuldades em localizá-los. Mas são quatro grandes barragens já aprovadas no âmbito duma das bandeiras de José Sócrates, designada com o pomposo nome de Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH). Programa esse que "visa tornar Portugal menos dependente das importações de energia", do qual também fazem parte barragens mais conhecidas cuja polémica se tem prolongado, como é o caso de Fridão (Amarante) ou de Foz-Tua.

Só que neste caso as coisas estão a avançar a passos largos, mas procurando não despertar demasiadas atenções. Aquele conjunto de quatro barragens, designado por CASCATA DO TÂMEGA, foi recentemente concessionado à gigantesca IBERDROLA (de cuja direcção faz parte o ex-ministro Pina Moura, que definiu como governante as linhas mestras do programa energético do qual como empresário tirará o máximo partido...). Os estudos de impacte ambiental irão já arrancar dentro de poucos dias. Ora bem, este conjunto de barragens, mais Fridão, irá mudar completamente o Tâmega e os afluentes mais importantes. E todas as povoações ribeirinhas. O Tâmega desaparecerá como nós o conhecemos, dado que desde a fronteira até Amarante será quase uma longa albufeira com cerca de 150 km de comprimento. Vamos a números para termos a noção da realidade:

Os aproveitamentos de Gouvães e Padroselos localizam-se em dois dos afluentes mais interessantes em termos ambientais. No primeiro caso, a barragem terá 36 m de altura e 173 m de comprimento localizando-se no Rio Torno. Mas desviará ainda a água dos rios Viduedo, Alvadia e Olo. As célebres cascatas das Fisgas de Ermelo poderão desaparecer e o próprio Parque Natural do Alvão será profundamente afectado. No segundo, a barragem terá uma dimensão quase três vezes superior e será instalada no Rio Beça, o qual a par do Olo é um dos rios menos poluídos no Norte e o mais procurado para a pesca desportiva. Todavia, no caso do Rio Tâmega, não é propriamente a grande dimensão das barragens do Alto Tâmega e Padroselos que representa o factor crucial (terão alturas que se aproximarão dos 100 m e comprimentos no coroamento de cerca de 300 m): é a enorme área a ser abrangida pelas duas albufeiras, cujo comprimento de cada uma se aproxima dos 40 km e que, consequentemente, irão submergir valores naturais e patrimoniais de grande significado, além de várias aldeias. Valores estes que serão destruídos de modo irreversível.

Para quê? Repare-se que no caso do contestado Baixo Sabor, a produção energética corresponde apenas aos aumentos de consumo em ano e meio... Portanto, um aproveitamento que irá destruir um rio com valores inestimáveis e que foi apresentado como algo de absolutamente imprescindível produz energia para os acréscimos observados... em pouco mais de um ano. Mas este empreendimento não foi suficiente: surgiram logo depois da sua aprovação as 10 grandes barragens propostas no PNBEPH. Que também não serão suficientes, porque a estas seguem-se outras 10 a 13 a médio prazo, e que já estão inscritas no estudo inicia. É sustentável este desenvolvimento? Talvez para os empreiteiros a quem também não convém apostar na eficiência energética. Mas o agitar da bandeira das energias renováveis numa altura em que os altos preços do petróleo que tanto incomodam o cidadão comum vem no melhor momento. E o Governo sabe que esta é a altura melhor para vender o produto. Os grandes tubarões ibéricos que se movem nestas águas turvas agradecem...»

* Rui Cortes, professor na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)

07-10-2008 in [Ecoblogue]

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Douro e desenvolvimento sustentável






Douro e desenvolvimento sustentável

A construção de novas barragens no Sabor, no Tua e no Tâmega condena a bacia do Douro ao assassinato ecológico, o Partido Socialista sabe disso, os autarcas do PS também sabem, mas todos se conformam com a concessão do negócio da electricidade e da água a troco da destruição de recursos naturais preciosos.




Na medicina chama-se placebo a um medicamento que não tem nenhuma capacidade curativa, mas que também não faz mal a ninguém. É a classe dos medicamentos que serve para tranquilizar as consciências mas não tem verdadeiramente nenhum efeito real. Na política, depois dos vetos presidenciais que demonstraram o cariz mais conservador e autoritário do presidente, Cavaco Silva volta a refugiar-se em declarações que são verdadeiros placebos políticos. Agradam a toda a gente, porque consensuais e não têm nenhum efeito porque o Governo não espera retirar daí nenhuma consequência. Foi o caso das declarações do presidente durante a visita ao Douro Internacional e do apelo que proferiu em relação à defesa da sustentabilidade ambiental da bacia do Douro e à necessidade de conjugar desenvolvimento com qualidade dos recursos.

Nunes Correia, o ministro do ambiente ouviu, provavelmente terá dito que sim, "tem o Sr. Presidente muita razão, mas o Sabor, o Tua e o Tâmega estão condenados ao assassinato ecológico por imperativos do negócio da electricidade, da privatização das albufeiras e do comércio da água. Isso, Sr. Presidente é que são os negócios do progresso." Portugal é o país europeu que mais energia desperdiça, mas «saiba o Sr. Presidente que diminuir os gastos não beneficia os negócios das empresas, portanto a nossa prioridade é aumentar a produção, na expectativa de que Portugal venha a fazer negócio com a energia obtida a partir de recursos naturais únicos: dinâmica das bacias hidrográficas, sol, vento e mar. Ainda havemos de vender muita electricidade, assim que o mercado europeu de energia esteja preparado para a comprar. Não temos petróleo, mas temos rios, se eles morrerem tanto pior, vão-se os dedos e fiquem os anéis. Mas tem V.ª Ex.ª muita razão, esta região era muito linda!»

A bacia hidrográfica do Douro já conta neste momento com 40 embalses no Estado Espanhol, só Aldeia d'Ávila tem em armazenamento o dobro do volume da água que está retida nas 13 barragens nacionais. Os rios internacionais são objecto da Convenção de Albufeira entre Portugal e Espanha, que determina o volume dos caudais e a defesa da qualidade da água. No entanto, os parâmetros de cumprimento da convenção em matéria de caudais e qualidade da água permanecem no segredo dos deuses.

Aos embalses em território espanhol somam-se as já existentes barragens no território português. Agravar ainda mais este processo de retenção do caudal dos rios tem consequências da maior gravidade para a eutrofização da água bem como para a redução dos caudais e consequentemente a concentração de poluentes. Além disso as albufeiras representam uma perda irreversível de diversidade ecológica, a destruição das paisagens e arrastam a alteração das condições de clima numa região onde uma das actividades económicas mais importantes - a produção vinícola - depende das condições de microclima único no país.

É um risco demasiado elevado. A construção de novas barragens no Sabor, no Tua e no Tâmega condena a bacia do Douro ao assassinato ecológico, o Partido Socialista sabe disso, os autarcas do PS também sabem, mas todos se conformam com a concessão do negócio da electricidade e da água a troco da destruição de recursos naturais preciosos. Todos eles estão dispostos a ficar sem dedos, desde que haja anéis para distribuir pelos promotores privados, só se esquecem de que a prazo nem dedos nem anéis.

Alda Macedo, in Ecoblogue - 23 de Setembro de 2008

domingo, 9 de novembro de 2008

PNBEPH - Rio Olo: Barragem de Gouvães é "incompatível" com Parque Natural do Alvão






PNBEPH - Rio Olo: Maior queda de água de Portugal em perigo
Futura barragem de Gouvães "é incompatível" com Parque Natural do Alvão



O desvio do rio Olo para alimentar a barragem de Gouvães é “incompatível” com a existência do Parque Natural do Alvão, no concelho de Mondim de Basto e Vila Real. Na opinião de Rui Cortes, professor catedrático, o rio é a “coluna vertebral” do Parque. O Alvão tem as maiores quedas de água de Portugal, as Fisgas do Ermelo, que são o ex-líbris da paisagem e correm o risco de perderem grande parte do caudal se o projecto for para a frente.

As quatro barragens da "cascata do Tâmega" - Alto Tâmega, Daivões, Padroselos e Gouvães - foram adjudicadas ao grupo espanhol Iberdrola, que abriu concurso público para escolher a empresa que vai efectuar o Estudo de Impacte Ambiental (EIA).

No caso de Gouvães, os rios Torno e Olo vão servir para alimentar a barragem que se estimou vir a dar 153 giga watts de energia por ano. Mas se o Olo for desviado para este fim, o percurso natural do rio vai ficar comprometido.

“O rio Olo é a própria coluna vertebral do Parque Natural do Alvão que se desenvolveu aproveitando a bacia do rio”, explicou ao PÚBLICO Rui Cortes, professor da Universidade do Minho e Trás dos Montes.

As Fisgas de Ermelo estão no concelho de Mondim de Basto e possuem um desnível que se estende ao longo de 200 metros de extensão, separando zonas graníticas de xistosas situadas nas terras envolventes. Estas quedas de água são das maiores da Europa, e são visitadas por milhares de pessoas anualmente.

Para o professor, o EIA é uma das últimas esperanças para travar o projecto. “Estes estudos devem ser minuciosos e mitigar os efeitos perniciosos das barragens”, alega Cortes. O catedrático propõe que a barragem passe só a ser alimentada pelo outro curso de água. "A barragem não está em causa se não for concretizada esta derivação a partir do Olo", sublinhou à Lusa.

Destruição do Património

O projecto faz parte do Plano Nacional de Barragens anunciado pelo Governo de José Sócrates. As alterações na bacia hidrográfica do Tâmega não acabam aqui, quer-se construir a barragem de Fridão, que fica próxima de Amarante.

As barragens vão “tornar o Tâmega praticamente numa sucessão de albufeiras”, denuncia Rui Cortes. Para além de uma alteração na paisagem que, partes de algumas aldeias vão ficar submersas, o professor teme que as barragens aumentem a poluição de um rio já com problemas a este nível.

“O rio Tâmega já é fortemente poluído por causa da indústria que existe em Espanha e Portugal. É de tal maneira problemático que a barragem do Torrão já apresenta cianobactérias [microrganismos patogénicos]”, explica o professor. Adiantando que já se sabe que as barragens têm tendência de aumentar a poluição dos rios por armazenar a água.

Para Rui Cortes a política vigente do aumento do número de barragens é contraproducente. “Estamos a assentar num esquema de desenvolvimento de há 40 ou 50 anos. Construímos grandes barragens, mas estamos a ficar mais dependentes [energeticamente] do exterior”, acusa o especialista, que está envolvido na Directiva Quadro de Água.

“Em Portugal o aumento do gasto de energia é superior em termos relativos ao aumento do PIB”, diz o professor, que defende que se deveria apostar na eficiência energética.
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Nicolau Ferreira, in Público - 10 de Setembro de 2008

PNBEPH - Barragem de Gouvães: Barragens do Alto Tâmega vão afectar Fisgas de Ermelo







As maiores quedas de água portuguesas podem estar em risco
Barragens do Alto Tâmega vão afectar Fisgas de Ermelo

As fisgas de Ermelo, localizadas no Parque Natural do Alvão (PNA), poderão «ser seriamente» afectadas com a construção de quatro barragens na bacia hidrográfica do Tâmega, alertou um especialista.
Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e especialista da área do ambiente, garantiu que a construção de quatro barragens na bacia hidrográfica do Tâmega e de três derivações de cursos de água vão «alterar completamente» a zona envolvente a este rio e até mesmo o PNA.
Uma dessas derivações, refere, é precisamente o rio Olo, que alimenta as Fisgas de Ermelo, aquelas que são consideradas como as maiores quedas de água de Portugal e uma das maiores da Europa, anualmente visitadas por milhares de pessoas.
O projecto das quatro barragens da «cascata do Tâmega» – Alto Tâmega, Daivões, Padroselos e Gouvães – foi adjudicado ao grupo espanhol Iberdrola, que abriu concurso público para escolher a empresa que vai efectuar o Estudo de Impacte Ambiental (EIA). Estes empreendimentos fazem parte do Plano Nacional de Barragens anunciado pelo Governo de José Sócrates.
Segundo explicou o especialista, a barragem de Gouvães, a construir no rio Torno, vai derivar água de dois afluentes, o Olo – na zona a montante das Fisgas – e Alvadia.
«Ou seja, o caudal que actualmente alimenta as fisgas será reduzido ao mínimo, afectando seriamente esta queda de água, que desaparecerá nos moldes em que a conhecemos actualmente, e o próprio PNA», sublinhou.

Barragem não está em causa, o seu impacto sim
Além da derivação do Olo, um canal com 7,8 quilómetros, a albufeira de Gouvães será ainda alimentada pela derivação de mais dois rios, o Alvadia (canal de 4,4 quilómetros) e o Viduedo (3 quilómetros).
Com estas afluências à albufeira de Gouvães, a energia produzida naquela barragem em ano médio é estimada em 153 gigawatts-hora (GWh) por ano.
Rui Cortes diz que não está a por em causa a construção da barragem, mas sim a derivação de água do Olo. Por isso mesmo, o especialista espera que esta situação seja resolvida em sede do EIA, o qual, na sua opinião, «serve precisamente para evitar situações mais perniciosas e arranjar alternativas».
O Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), responsável pelo PNA, referiu que se vai pronunciar sobre o assunto em sede do EIA.

Rio Tâmega «vai ser completamente modificado»
A tudo isto vai ser acrescentada, mais tarde, a construção de uma outra barragem – a de Fridão – próxima de Amarante. «O rio Tâmega, tal como o conhecemos, vai ser completamente modificado», frisou.
Para além dos factores ambientais, Rui Cortes salientou ainda que a construção destas barragens vai afectar «parte das vilas de Mondim de Basto e Ribeira de Pena e mais de 10 aldeias ribeirinhas» deste território. Ao contrário da barragem do Fridão, que está a ser contestada pela população de Amarante, as restantes quatro foram apoiadas pelos autarcas do Alto Tâmega (Chaves, Boticas, Vila Pouca de Aguiar, Valpaços, Ribeira de Pena e Montalegre), que, inclusive, conjuntamente com a EDP, concorreram à construção das mesmas.

in Iol Diário - 10 de Setembro de 2008

segunda-feira, 3 de novembro de 2008






Devido à elevada poluição do rio Tâmega. Em causa está a barragem de Fridão

Amarante em risco de desastre ambiental

A cidade de Amarante corre o risco de sofrer um desastre ambiental devido à elevada poluição do rio Tâmega, se a barragem de Fridão for transformada em aproveitamento reversível, ficando emparedada entre dois açudes e duas barragens, alertou esta segunda-feira um especialista ambiental, noticia a Lusa.

A afirmação foi feita num debate, em Amarante, por Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Segundo o técnico, que tem colaborado em estudos ambientais de diversas barragens - nomeadamente Alqueva, Sabor e Foz Tua - o Tâmega é porventura o curso de água, dos rios internacionais, que apresenta maior grau de poluição, devido à eutrofização (formação de algas tóxicas).

Rui Cortes sustenta ainda que se for construído um contra-embalse/açude a jusante da barragem, para permitir a recolocação da água na albufeira principal durante a noite aproveitando a energia das eólicas - a qualidade da água colocada no curso de água (caudal ecológico) será de pior qualidade.


Quanto mais fundo, mais poluição

Outro problema crucial a debater no âmbito do estudo de impacte ambiental (EIA), a cargo do consórcio que ganhar o concurso, será a profundidade a que a água será turbinada. «Quanto mais fundo for turbinada mais poluição terá o caudal libertado. Será necessário diminuir as fontes de poluição, a montante, se não vamos ter em Amarante um desastre ambiental», avisou o professor da UTAD.

Participaram também no debate Hélder Leite, que chamou a atenção para os problemas da construção de uma linha de alta tensão de 400 KVA com 22 quilómetros de extensão, e Berta Estevinha, que considerou preocupante o aumento da eutrofização das águas do rio, devido à poluição.

A eutrofização é um problema que afecta o rio Tâmega há quase uma década, sobretudo na albufeira formada pela actual barragem do Torrão, localizada na foz do rio.


Sismos induzidos

Durante o debate, o deputado municipal por Amarante, Emanuel Queirós, alertou para o perigo dos sismos induzidos, um problema que, afirmou, «está completamente desvalorizado e foi até descurado» na análise dos dez empreendimentos considerados prioritários. Dos dez aproveitamentos seleccionados pelo Governo, a barragem de Fridão é a segunda infraestrutura em potencial hidroeléctrico, logo a seguir a Foz Tua, já adjudicada à EDP.

O Ministério do Ambiente anunciou que o concurso para a concessão da barragem de Fridão será lançado a 30 de Abril.

CLC, in Portugal Diário - 21 de Abril de 2008