terça-feira, 28 de abril de 2009

Que Boas Pessoas Que Eles São

Que Boas Pessoas Que Eles São

EDP campanha

A EDP já sente que o seus prepotentes e megalómanos projectos de Barragem, que o Governo vendeu barato pela pica propagandística, não acolhem simpatia e que geram uma forte oposição de muitos cidadãos que habitam os locais visados. Sinal disto é que não esperaram muito, nem olharam a gastos, para lavar a cara e mudar a maré das coisas, mesmo sabendo que a maré da comprometida maralha que nos governa de grosso modo, lhes leva a água ao moinho desde o início.

Sob o mote "Quando projectamos uma Barragem, projectamos um futuro melhor", contratou Paulo Gonzo para compor um hit tipo genérico de novela ranhosa, estreado num concerto a 300 e tal metros de profundidade, para musicar uma imensa campanha na Televisão, jornais e na internet, louvando o respeito de sacristia que têm pela Natureza. Isto, mesmo quando se quer acrescentar, artificial e insensivelmente, milhões de metros cúbicos de água a vales e a paisagens naturais.

Aliás, para a EDP - e foi visível num dos debates a que se sujeitaram, ainda que com a condição de oradores privilegiados, sem contraditório em palanque, e com a defesa acirrada do prestável edil local - todo o superafectado Vale do Tâmega, o mesmo que faz a fronteira leste do Minho, não passa de um emaranhado de riscos curvos num mapa cartográfico. A preocupação ambiental , essa, é um mero exercício de marketing, porque a realidade mostra que não passa, nem passará, da esfera burocrática e de externalização dos problemas para institutos públicos e câmaras municipais sem capacidade, nem vontade política de os resolver - que se amanhem.

Pouco lhes interessa, na verdade, a qualidade das águas ou se o impacto ambiental das imensas albufeiras vai ou não afectar duramente milhares de anos de equilíbrio entre a presença humana e a natureza, se vai ou não aniquilar ecossistemas e terrenos de cultivo. Nem se dignam, sequer, a baixar as tarifas que cobram às populações que resolveram incomodar. Por muito que se rodeiem em palavras bonitas, e delírios de Noé, nunca conseguíram, nem vão conseguir, compensar as perdas em lado nenhum. O mapa hidroeléctrico do País é e será, na sua grande parte, uma trágica reprodução do país desertificado, descaracterizado e sem perspectivas de desenvolvimento.

Vítor Pimenta, in Avenida Central - 27 de Abril de 2009
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Cabeceiras de Basto)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Valdemar Pinheiro Coelho de Abreu - UM HOMEM LIVRE

Valdemar Pinheiro Coelho de Abreu - UM HOMEM LIVRE

Na noite de 25 para 26 de Abril, aos 70 anos, calou-se, definitivamente, a voz indomável (e indomada) do Valdemar de Abreu, um homem de causas, sempre igual a si próprio, que repudiava o seguidismo e o enfeudamento intelectual, que nunca aceitou dono ou bebeu pela concha da mão de quem quer que fosse, e cuja independência lhe granjeou não poucas vezes, o sarcasmo dos pontífices e senhores das verdades supremas, que lhe inspiravam uma soberana indiferença.
Generoso e devotado, como poucos, à terra que o viu nascer, a sua autoridade moral e exemplo, no terreno, constituíam uma mais valia no Movimento Cidadania para o Desenvolvimento do Tâmega, de que foi co-fundador, e, nessa qualidade, subscritor e apóstolo do Manifesto Antibarragem.
Com o seu desaparecimento Amarante perde um democrata, um cidadão empenhado, interventivo e livre, o que vai escasseando nestes tempos de múltiplas crises, antes do mais, de valores.

AF - 27 de Abril de 2009
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Amarante)

sábado, 25 de abril de 2009

Salvem o "Quilhão"! - (Parte 2)

“Salvem o Quilhão” (Parte 2)

Engraçado, como eu, que senti a sensação de ter sido progressista, quando escrevi o artigo intitulado “Salvem o Quilhão!”, passei, num ápice, para alguns, para o rótulo de conservador, de retrógrado, de alguém que é contra o progresso, contra o desenvolvimento...

Por ter tido a coragem de exprimir publicamente aquilo que sentia?

Por me “despedir” do meu Rio, recordando o tão importante que ele foi para mim ao longo do meu crescimento como pessoa e como cidadão?

Desse sentimento expresso, qualquer bom entendedor perceberá, que se tratou, tão só, de um preâmbulo à mensagem que pretendia transmitir.

Por me ter dado ao “trabalho” de estar atento, de ler, de estudar, de participar nos debates sobre o tema da barragem de Fridão; de ter estado em contacto com professores universitários para tentar aprender mais, para tentar perceber o que vai implicar a mudança que se perspectiva para a minha terra?Por achar que (tal como a canção):

“para melhor,... está bem, está bem!..para pior,... já basta assim!?”

Engraçado, de facto!Para mim, ser conservador é outra coisa. Para mim, ser progressista é também outra coisa. E para que conste, afirmo que das duas filosofias ou concepções, partilho ideais.

Vamos por partes:

1- Não considero que a albufeira que se vai formar pela barragem que está programada para Fridão, e que afectará Mondim, seja uma mais valia para a minha terra em nenhum dos aspectos que, implicitamente, estão em causa como sejam: a alteração da paisagem, a alteração (para pior) da qualidade da água do Tâmega e a consequente alteração (para pior) na qualidade de vida das populações. Se isto é ser conservador, então eu sou conservador.

2- Para chegar a tal conclusão (até prova em contrário…), dei-me ao “trabalho” de estudar, de visitar locais, de ouvir, de ler...

3- Em abono da verdade, cada um ouve ou lê o que quer; cada um interpreta como quer; cada um acredita no que quer. Eu acredito no que disse. E até prova em contrário, não embarco em interesses partidários (porque não sou filiado em nenhum partido), em interesses económicos ou, mais importante ainda, em aceitar as mudanças sem sentido crítico.

Porque não gosto de ser como que mais uma “ovelha” dentro do rebanho, que tudo aceita, que tudo acha como inevitável quando vem de cima.

E porque considero que, enquanto cidadão, tendo direitos e deveres, não abdico deles quando estão em causa questões tão importantes como seja, no caso em apreço, a maior alteração física (e por conseguinte ambiental) que a minha terra vai sofrer nos 48 anos da minha existência.

Não represento, além da minha pessoa, nada nem ninguém.

Sou simplesmente um mondinense, não filiado em nenhum partido político, mas que considera que em democracia não são só os partidos políticos que têm direito a ter opinião nem tão pouco os governantes, sejam eles ao nível nacional, regional ou local.

Mal está a sociedade, quando a democracia se reduz a tão pouco.

Alfredo Pinto Coelho, in O Chato – 24 de Abril de 2009
eng.º Agrícola / lic. Gestão Agrária

Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Mondim de Basto)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ruptura em barragem mata 58 indonésios

Ruptura em barragem mata 58 indonésios

in Expresso - 28 de Março de 2009

segunda-feira, 13 de abril de 2009

PNBEPH - Boticas: Grupo de cidadãos está contra a construção da Barragem de Padroselos



BOTICAS: Albufeira faz parte do Plano Nacional de Barragens
Grupo de cidadãos está contra a construção da barragem de Padroselos

Um grupo de cidadãos está a organizar-se no sentido de evitar a construção da barragem de Padroselos, em Boticas, uma das dez previstas no âmbito do plano nacional de albufeiras conjecturadas pelo Governo.

A inclusão do rio Bessa para a construção de uma das dez barragens previstas no plano nacional de albufeiras previsto pelo Governo já tem opositores. José Carlos Barros, natural do Alto Tâmega e actualmente vereador do ambiente da Câmara municipal de Vila Real de Santo António, é apenas um dos cidadãos um dos cidadãos que está contra.

De acordo com José Barros, o estudo de avaliação ambiental estratégica obrigatório por lei sobre o local é “absolutamente desastroso”. Segundo garante, no documento pode-se ler que “não foi confirmada a presença de qualquer espécie com estatuto de conservação elevado, embora seja provável a presença da enguia”. No entanto, afirma José Barros, “toda a gente sabe que há muita enguia naquele rio e truta, que nem sequer é referida no estudo”.

A criação de uma barragem em Padroselos poderá também trazer consequências ao nível do turismo rural e de natureza, que, na opinião do autarca, poderia trazer “maiores benefícios” à área envolvente ao rio Bessa, com o aproveitamento dos “recursos endógenos, como a paisagem”.
Apesar do movimento cívico que está a ser criado, José Carlos Barros tem consciência que para demover o Governo das suas intenções é necessário que mais vozes se juntem ao protesto.

A barragem de Padroselos é uma das albufeiras previstas para aumentar a produção de energia hidroeléctrica a nível nacional, para, segundo o Governo, cumprir para baixar a emissão de dióxido de carbono e, assim, cumprir o protocolo de Quioto.

Sónia Domingues, in Semanário Transmontano - 21 de Dezembro de 2007

PNBEPH - Barragem de Padroselos contestada em Boticas



PNBEPH - Avaliação Ambiental Estratégica fundada em mentiras
Construção em Padroselos contestada


Um grupo de cidadãos de Boticas está a organizar um movimento para impedir a construção da Barragem de Padroselos, prevista pelo Governo.

O executivo de José Sócrates inclui esta obra, em Vila Real, no grupo de medidas que garantirão o cumprimento do protocolo de Quioto.

José Carlos Barros, natural do concelho de Boticas e porta-voz do movimento que se opõe à barragem do Rio Bessa, garante que o estudo de avaliação ambiental estratégica se funda em mentiras, uma vez que indica que “não foi confirmada a presença de qualquer espécie com estatuto de conservação elevado, embora seja provável a presença da enguia”, quando, garante, “toda a gente sabe que há muita enguia naquele rio”. Algo que acontece também no caso da truta, que “nem sequer é referida no estudo”.

Para José Carlos Barros (que se deslocou para o Algarve, onde desempenha as funções de vereador do Ambiente na autarquia de Vila Real de Santo António), a construção desta estrutura vai impedir o crescimento do turismo na sua região natal, porque fere os “valores endógenos” da área do Rio Bessa.

LA, in Rádio Renascença - 21 de Dezembro de 2007


PNBEPH - Cidadãos de Boticas contra a construção da Barragem de Padroselos



Albufeira faz parte do plano nacional de barragens
Grupo de cidadãos está contra a construção da barragem de Padroselos

Um grupo de cidadãos está a organizar-se no sentido de evitar a construção da barragem de Padroselos, em Boticas, uma das dez previstas no âmbito do plano nacional de albufeiras conjecturadas pelo Governo.

A inclusão do rio Bessa para a construção de uma das dez barragens previstas no plano nacional de albufeiras previsto pelo Governo já tem opositores. José Carlos Barros, natural do Alto Tâmega e actualmente vereador do ambiente da Câmara municipal de Vila Real de Santo António, é apenas um dos cidadãos um dos cidadãos que está contra.

De acordo com José Barros, o estudo de avaliação ambiental estratégica obrigatório por leisobre o local é “absolutamente desastroso”. Segundo garante, no documento pode-se ler que “não foi confirmada a presença de qualquer espécie com estatuto de conservação elevado, embora seja provável a presença da enguia”. No entanto, afirma José Barros, “toda a gente sabe que há muita enguia naquele rio e truta, que nem sequer é referida no estudo”.

A criação de uma barragem em Padroselos poderá também trazer consequências ao nível do turismo rural e de natureza, que, na opinião do autarca, poderia trazer “maiores benefícios” à área envolvente ao rio Bessa, com o aproveitamento dos “recursos endógenos, como a paisagem”.
Apesar do movimento cívico que está a ser criado, José Carlos Barros tem consciência que para demover o Governo das suas intenções é necessário que mais vozes se juntem ao protesto.

A barragem de Padroselos é uma das albufeiras previstas para aumentar a produção de energia hidroeléctrica a nível nacional, para, segundo o Governo, cumprir para baixar a emissão de dióxido de carbono e, assim, cumprir o protocolo de Quioto.

Sónia Domingues, in Diário de Trás-Os-Montes - 23 de Dezembro de 2007

PNBEPH - Barragem de Padroselos (Boticas): Património a submergir pela albufeira

Barragem de Padroselos (Boticas)
Património a submergir pela albufeira


A Ponte de Padroselos liga as freguesias de Santo Aleixo de Além Tâmega (Ribeira de Pena) a Gondiães (Cabeceiras de Basto). A sua construção está relacionada com a exploração das minas de estanho, conhecidas por Minas de Padroselos, entretanto desactivadas. Com o seu encerramento, a ponte deixou de ter utilidade atingindo um avançado estado de degradação.

Apesar do seu estado de degradação actual ainda se podem ver vestígios dos barrotes que sustentavam o pavimento, muito provavelmente também de madeira.

Nos cabos e pendurais foi possível identificar sinais de corrosão.

FEUP - Núcleo de Conservação e Reabilitação de Edifícios e Património, in Pontes de Arame em Portugal

sábado, 11 de abril de 2009

Barragens afectam 80 milhões de pessoas

Barragens afectam 80 milhões de pessoas

Pelo menos 80 milhões de pessoas no planeta já tiveram de abandonar as suas casas devido à construção de barragens. E, segundo a organização International Rivers, todos os anos perto de dois milhões de pessoas são deslocadas por causa destas infra-estruturas.

Devido a esta situação, 14 de Março é já conhecido como um dia de protestos mundiais contra as barragens. Tradicionalmente, nesta data, comunidades de todo o mundo atingidas por estas infra-estruturas realizam manifestações em defesa dos rios, das águas e da vida. A história deste protesto nasceu há 12 anos, quando em 1997 se realizou o 1.º Encontro Internacional dos Povos Atingidos por Barragens, na cidade de Curitiba (Brasil).

Durante o encontro, os “atingidos por barragens” da Ásia, América, África e Europa puderam partilhar as suas experiências de lutas e conquistas, fazer denúncias e discutir as políticas energéticas e a luta contra as barragens. Daí resultou a Declaração de Curitiba, que unifica as lutas internacionais e institui 14 de Março como o Dia Internacional de Luta Contra as Barragens. Por pressão destes movimentos, ainda no ano de 1997 foi criada na Suíça a Comissão Mundial de Barragens, que conta com a participação de representantes de ONG, movimentos de atingidos, empresas construtoras de barragens, entidades de financiamento e governos.

168 barragens em Portugal

Portugal conta, de acordo com dados da Comissão Nacional Portuguesa de Grandes Barragens, com 168 barragens com mais de 15 metros de altura. No entanto, também no nosso País a construção destas infra-estruturas não tem sido sempre pacífica, suscitando ódios e paixões. Foz Côa, Sabor, Odelouca ou Alqueva são apenas alguns dos casos mais polémicos dos últimos anos.

O rol de críticas cresceu, a partir de 2007, depois da apresentação do Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), que já permitiu ao Estado encaixar mais de 623 milhões de euros com a adjudicação de oito das dez infra-estruturas previstas no documento. Com este plano, o Governo pretende aumentar o potencial hídrico aproveitado de 46 por cento para 67 por cento.

Além de contribuir para reduzir a dependência energética do País, os novos aproveitamentos hidroeléctricos deverão assegurar uma potência instalada adicional da ordem dos 2000 MW, contribuindo para atingir a meta de 60 por cento de produção de electricidade a partir de energias renováveis em 2020.

Aplaudido por uns, o PNBEPH merece o chumbo de algumas associações ambientalistas, como a Quercus, a Euronatura ou a Coagret, segundo as quais este plano não apresenta uma avaliação qualitativa ou quantitativa (económica) ou qualquer ponderação sobre potenciais alternativas energéticas para a produção da energia prevista pelas 10 barragens propostas. «O programa vem destruir os últimos rios de Portugal», denuncia Pedro Couteiro, responsável pela Coagret, associação que surgiu em Portugal em 2007, como secção autónoma de uma confederação ibérica de movimentos que defendem os rios e os afectados dos rios destruídos.

Leia amanhã no AmbienteOnline as opiniões de vários especialistas sobre a necessidade de barragens em Portugal e o seu impacto no património.

Tânia Nascimento, in AmbienteOnline - 09 de Março de 2009

PNBEPH - Barragem de Padroselos: Tábua rasa da Lei

A Barragem de Padroselos e a Lei
Tábua rasa

O Plano de Bacia Hidrográfica do Douro, aprovado pelo Decreto Regulamentar número 19/2001 [cf. Parte VI, alínea n)], considera explicitamente que os rios Covas e Beça se incluem nos «ecossistemas a preservar», onde, em conformidade, ficam proibidas todas as acções que não contribuam «para a preservação e melhoria» dos ecossistemas em causa.

Em nenhuma parte dos estudos relativos ao PNBEPH se faz referência a esta impossibilidade prática, do ponto de vista legal, de levar para diante a construção da barragem de Padroselos. Tábua rasa, portanto, à lei – na sua letra e no seu espírito – eis o que se prevê.

Uma lagoa eutrofizada – não é mais o que agora se propõe em nome de uma política energética que se enredou nas suas mais labirínticas contradições.

A concretização do PNBEPH vai ser precedida da revogação do Decreto Regulamentar número 19/2001? A importância efectiva e então reconhecida destes ecossistemas também se revogará por medida legislativa?...

José Carlos Barros, in Negrilho - 22 de Dezembro de 2007

Tremores de Terra!? Não, obrigado.

Tremores de Terra!? Não, obrigado.

Um dos aspectos que mais me preocupa quando se fala na construção da Barragem de Fridão, é a da segurança da mesma, dado que "...a região em que se inscreve o aproveitamento se situa na zona sísmica C, isto é, de risco sísmico reduzido..." (Anexo 5 do PNBEPH)
Só que nesta zona de risco sísmico reduzido(actualmente!) vai ser introduzido um factor de forte instabilidade, que é uma albufeira com cerca de 100 metros de profundidade e com capacidade para uns milhões de metros cúbicos de água. A construção e o futuro enchimento da albufeira numa área recortada por várias falhas, poderá induzir a ocorrência de sismos.
A esses sismos, chamam os entendidosSIR (Sismos Induzidos por Reservatórios), e andam associados a reservatórios com grande capacidade de armazenamento e com elevada altura, como a barragem que aqui querem construir!
Andei a tentar aprender algo sobre o assunto e permito-me aqui reproduzir um texto da universidade de Brasília, que me parece elucidativo.

Sismicidade Induzida
"Além das forças naturais, certas acções do homem podem produzir terramotos localizados como as explosões nucleares. A formação de lagos artificiais, com o propósito de gerar energia, também pode gerar tremores de terra e este fenómeno é denominado sismicidade induzida por reservatórios (SIR).
Embora seja um fenómeno raro - são milhares de reservatórios para poucos casos de SIR - ele é considerado um perigo potencial já que existem barragens espalhadas por todo o mundo. Tempos atrás, acreditava-se que os lagos artificiais só podiam gerar sismos de pequena magnitude, associados exclusivamente ao peso da água neles contidas. Constatou-se depois que não se pode descartar a hipótese de uma relação entre terramotos catastróficos e enchimento de reservatórios. Por isso, o estudo da SIR tornou-se um campo de particular importância para as pesquisas sismológicas.

Possível mecanismo para geração de sismos induzidos
A construção da barragem cria um novo lago, que irá alterar as condições estáticas das formações rochosas do ponto de vista mecânico (em virtude do próprio peso da massa de água), e do ponto de vista hidráulico (em consequência da infiltração do fluido na subsuperfície, que causa pressões internas nas camadas rochosas profundas). A combinação das duas acções pode desencadear distúrbios tectónicos e, eventualmente, gerar sismos, caso as condições locais sejam propícias.

Efeito da pressão da água nos poros da rocha
Mesmo que o peso da água, em reservatórios com mais de cem metros de profundidade, seja insuficiente para fracturar as rochas da base, a coluna de água exercerá uma pressão hidrostática, empurrando o líquido através dos poros das rochas e de fracturas pré-existentes.
Esse incremento de pressão pode levar meses ou mesmo anos, para avançar distâncias não muito longas, dependendo da permeabilidade do solo e das condições de fractura das rochas. No entanto, quando a pressão alcança zonas mais fracturadas, a água é forçada para dentro das rochas, reduzindo o esforço tectónico e facilitando o deslocamento de blocos falhados. Este processo é incrementado pela acção lubrificante da água, que reduz a fricção ao longo dos planos das fracturas e falhas. A água tem ainda o papel de agente químico: ao hidratar certas moléculas, ela enfraquece o material e favorece a formação de novas fissuras, que levam o líquido a penetrar ainda mais profundamente no interior do maciço rochoso.
A SIR é, portanto, um fenómeno dinâmico resultante da interacção complexa das novas forças induzidas pelo lago, que passam a interferir sobre o regime de forças naturais previamente existentes. Não se sabe, ao certo, se o reservatório apenas antecipa a ocorrência de terramotos que viriam a ocorrer de qualquer maneira, ou se pode também alterar a magnitude dos sismos.

Exemplos mundiais de SIR
Um dos casos mais espectaculares ocorreu na Índia, no ano de 1967, no reservatório de Koina, com 103 metros de altura, em região sismicamente estável e geologicamente muito antiga. O sismo atingiu magnitude 6.4 na escala Richter, deixou 177 mortos e 2.300 feridos, além de causar danos estruturais à barragem e outros estragos consideráveis em localidades vizinhas.
Na mesma década de 60, observou-se ainda 3 outros casos de SIR, com magnitudes acima de 6.0, em áreas de barragens com altura superior a 100 metros: Xinfengkiang, 105 m, na China; Kariba, 128 m, na Africa; e Kremasta, 147 m, na Grécia. "

Ora, as condições do local reúne características muito preocupantes: uma delas é o facto de a estrutura rochosa estar profundamente fracturada e fragmentada, com predominância de xistos fortemente laminados e fissurados, que vão permitir a infiltração das águas da albufeira, e nem as argilas associadas estão imunes à diluição, pela pressão da água!
Além daquela característica, importa referir que a albufeira será vizinha de um couto mineiro largamente explorado, e cuja extensão e dimensão das galerias subterrânes é praticamente desconhecida! Logo, uma zona onde se acrescenta mais este factor de risco, que agrava a possibilidade da ocorrência de sismos induzidos!
Todos os amarantinos sabem que ali perto estão as conhecidas Minas de Vieiros e as Minas do Fontão, estas a uma cota que me parece inferior à da superfície que a água virá a ter na projectada albufeira!
A penetração da água, devida à enorme pressão que irá exercer, poderá desestabilizar toda a região e originar sismos, cuja gravidade e consequências ninguém está em condições de prever!

E continua a bater-me nos olhos aquele pedaço de texto que em tempos li num Estudo de Impacte Ambiental encomendado pela EDP à TECNINVESTE, ENGE-RIO PORTUGAL (Vol. IV do Relatório Síntese III):
"Tendo em conta que a albufeira do Fridão será construida numa área recortada por várias falhas de desenvolvimento regional que já apresentam baixa actividade sísmica, PODERÃO EXISTIR RISCOS SIGNIFICATIVOS DE SISMOS INDUZIDOS".

Não é de meter medo?

António Aires, in ForçaFridão - 14 de Outubro de 2008

Impactos ambientais das novas barragens suscitam dúvidas

Impactos ambientais das novas barragens suscitam dúvidas


A Quercus denuncia que estas infra-estruturas vão aumentar o problema de eutrofização já patente nos rios nacionais, nomeadamente no rio Tâmega, considerando que o ganho energético não justifica os danos ecológicos inerentes.

Apesar dos impactos, é quase unânime entre os especialistas ouvidos pelo Ambiente Online que as dez novas barragens previstas no PNBEPH serão benéficas para a autonomia energética do País, contribuindo com uma potência instalada na ordem dos 2000 MW. Desta forma, ajudarão o Governo a atingir as metas ambiciosas que delineou: 70 por cento do potencial hidroeléctrico português deverá estar aproveitado, em 2020, altura em que Portugal terá uma potência instalada de 7000 MW.

As novas barragens fazem parte do contributo do mix de energias renováveis com que se pretende reduzir a enorme dependência do petróleo, lembra António Regedor, docente da Universidade Fernando Pessoa. Na opinião do ecologista, os empreendimentos deverão melhorar as condições de gestão da água, nomeadamente na gestão de caudais e no armazenamento de energia, abastecimento doméstico e outros usos. Depois de concluídos os projectos, Portugal estará mais próximo dos elevados níveis de armazenamento espanhol, acrescenta.

Por sua vez, Paula Chainho, vice-presidente da Liga para a Proteção da Natureza, questiona a forma como foi escolhida a localização dos empreendimentos. Sublinhando que a microgeração é uma solução mais eficaz do que os grandes empreendimentos, a bióloga lamenta a decisão de avançar com estas infra-estruturas e a ausência de uma verdadeira aposta na eficiência energética.

Impactos ambientais preocupantes

Os problemas associados às barragens já adjudicadas pelo Governo (oito, das dez) residem, sobretudo, no impacte ambiental desses projetos. Algumas das situações mais preocupantes estão na bacia do Douro. Segundo Paula Chainho, com os aproveitamentos hidroelétricos em funcionamento, o Douro já deixou de ser um rio para passar a ser uma sucessão de lagos. É uma ameaça à biodiversidade. Outro exemplo é o impacte da barragem do Alqueva no rio Guadiana, que transformou um ecossistema natural num grande lago. Para a especialista em recursos hídricos, o Alqueva é um modelo falhado, que implicou a destruição de um patrimônio natural.

As barragens agora previstas para os afluentes do Douro, como o rio Sabor, o Tua e o Tâmega, reforçam as críticas da bióloga. Os impactes de quinto infra-estruturas – Padroselos, Daivões, Vidago, Gouvães e Fridão – a implantar na bacia do rio Tâmega são também motivo de preocupação para Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). O especialista considera que a sua construção vai ter um grande impacte na qualidade da água do rio, que já é deficiente, assim como nos seus caudais ecológicos.

A título de exemplo, Rui Cortes lembra: No caso dos rios salmonícolas Torno e Beça [caracterizados, nomeadamente, por águas bem oxigenadas e ausência de poluição], o estudo de impacte ambiental tem de assegurar o caudal ecológico a jusante dos dois empreendimentos. Sob o ponto de vista ambiental, estas são zonas muito sensíveis. Para, além disso, as barragens podem levar à eutrofização extrema das águas, sublinha.

Barragens surgem antes de tempo

Mas estas não são as únicas críticas. O PNBEPH surgiu antes da versão provisória dos Planos de Gestão de Região Hidrográfica, que está atrasada um ano (deveria ter sido apresentada em Dezembro de 2008). Esta antecipação é criticada por Rui Cortes, uma vez que os planos deveriam, antes de mais, definir quais as zonas mais apetecíveis em termos de recursos hídricos e quais os locais onde os impactes seriam menores. Resta agora esperar que os estudos de impactes ambientais prevejam os possíveis impactes dos projetos e acautelem medidas de minimização.

Segundo algumas associações ambientalistas, como a Aldeia, a Euronatura, a Fapas ou a Quercus, a construção de barragens pode ter efeitos devastadores nas funções ecológicas dos ecossistemas aquáticos, tanto ao nível da quantidade como da qualidade da água e na biodiversidade. Apesar disso, asseveram as associações, os impactes negativos da implantação deste programa e os benefícios decorrentes da alternativa zero (não construção) não foram devidamente avaliados no âmbito do processo de avaliação de impactes do PNBEPH.

O Ambiente Online tentou obter uma reação por parte do Instituto da Água sobre se a construção de barragens é fundamental para a independência energética de Portugal ou se, pelo contrário, é uma agressão aos rios e bacias hidrográficas, mas até ao momento não foi possível obter qualquer resposta.

in, AGECO (Associação Profissional dos Geólogos Centro-Oeste) - 11 de Março de 2009

Ruptura de barragem faz 93 mortos

Número não pára de aumentar. Maioria das vítimas são crianças e mulheres
Ruptura de barragem faz 93 mortos

A ruptura de uma barragem nos arredores da capital da Indonésia, Jacarta, na passada sexta-feira, continua a dar que falar, uma vez que o número de mortos não pára de aumentar. Segundo o El País, 93 vítimas mortais estão confirmadas, mas ainda há dezenas de desaparecidos.

VEJA O VÍDEO

As autoridades prosseguem as buscas por sobreviventes, contando com a ajuda de cães e escavadoras. No entanto, o resgate é muito lento porque a lama e os escombros dificultam o avanço das equipas.

Entre as vítimas mortais estão várias crianças e mulheres, uma vez que na altura do acidente ainda estariam a dormir nas suas casas.

VEJA AS FOTOS

Na sexta-feira, as chuvas torrenciais fizeram ruir um dos paredões da barragem. Uma vaga de água libertada, na zona industrial de Tangerang, atingiu uma zona residencial densamente povoada, submergindo 500 habitações.

Redacção / CP, in IOL Portugal Diário - 29 de Março de 2009

Rompimento de barragem

Rompimento de barragem

A construção de uma barragem num rio envolve sempre o risco de colapso, mesmo que a mesma tenha sido construída com o melhor conhecimento técnico. Este risco pode ser minimizado quando existe um programa preventivo de segurança de barragem, mas nunca eliminado. A chance de rompimento é pequena, da ordem 1 para 1 milhão para bons projetos (um pouco inferior ao risco de queda de um avião), mas não é nulo. Este risco aumenta quando procedimentos preventivos não são rotineiros e varia com o tipo de barragem, altura, características do vertedor, entre outros.
Três processos são fundamentais na análise do rompimento de uma barragem: (a) formação da brecha (no tempo) e o hidrograma correspondente para jusante; (b) propagação do escoamento pelo vale de inundação e estimativa dos impactos; e (c) a onda negativa para montante e seu efeito (geralmente pequeno).
Sobre os impactos a jusante no vale de inundação deve-se estimar a velocidade e o nível do escoamento, a ação sobre a população e infra-estrutura e desenvolver um plano de zoneamento preventivo e um sistema de alerta para sua eventual ocorrência. O dimensionamento dos dispositivos de segurança como o vertedor deve considerar a análise de risco do rompimento e os padrões de dimensionamento devem ser rigorosos quando envolvem riscos a vidas humanas.
As principais causas de rompimentos de barragens baseados em estatísticas mundiais são: 34% devido a falta de capacidade dos vertedores; 30% devido a problemas de fundação e 28% devido a percolação do maciço. Foram estimados que 60% das quase 12 mil mortes que ocorreram em grandes eventos a nível mundial são resultados de apenas três eventos em países diferentes: Itália, Estados Unidos e Índia.
Geralmente estes elementos são regulados por legislação e normas específicas. Nos Estados Unidos na década de 70 ocorreram vários eventos de rompimento como Tenton Dam em Idaho, o que motivou a regulação sobre o assunto. Atualmente todos os Estados americanos possuem regulação sobre o assunto. Na França isto também ocorreu depois de um grande evento da década de 60 e na Argentina, depois da privatização dos anos 90.
Infelizmente não existe no Brasil nenhuma regulação ou prevenção sobre o assunto. Muitas vezes este assunto é confundido com a segurança de barragem. O tema de segurança procura evitar o rompimento e a análise do rompimento procura mitigar os efeitos da efetiva ocorrência do colapso, planejando o operador para sua mitigação. Estima-se que um programa preventivo pode-se evitar pelo menos 30% das mortes.
Apesar do baixo risco de rompimento de uma barragem, a grande quantidade das mesmas mostra que a sua ocorrência não é trivial. Vários rompimentos ocorreram ao longo do tempo no Brasil. Um dos principais casos ocorreu no rio Pardo, São Paulo em 20/01/1977, quando a barragem da Usina Armando Salles de Oliveira rompeu, produzindo uma onda de cheia que rompeu a barragem de Euclides da Cunha. No último ano, com base no noticiário identificamos pelo menos seis rompimentos de barragem de pequeno porte.(4 em 2008). Estes dados podem estar incompletos, pois foram obtidos de uma rápida pesquisa na Internet. Estes eventos ocorreram em açudes e PCHs em pequenas bacias, onde existem dados precários e projeto de qualidade duvidosa.
O potencial impacto deveria fazer parte do termo de referência de um EIA Estudos de Impactos Ambientais, mas por falta de desconhecimento as entidades ambientais não exigem este estudo, apesar do risco e das implicações que envolvem.
Imagine-se como um operador de uma barragem que fica sabendo da meteotorologia que pode estar chegando o hidrograma de projeto ou superior. Você saberia quem evacuar? Quais os danos que seriam produzidos para prevenir, para bloquear estradas, retirar pessoas, etc, ou seja atitudes de um país civilizado. Será que estamos esperando um desastre de grandes proporções para termos uma regulação sobre o assunto? Já fazem pelo menos 15 que venho tentanto alertar para o assunto em palestras e cursos. Esta é mais uma tentativa.

Carlos E. M. Tucci, in Blog do Tucci - 2 de Agosto de 2008

Breves e soltas reflexões ao plano de barragens

Breves e soltas reflexões ao plano de barragens

Na semana passada, com a habitual pompa e circunstância, o primeiro-ministro José Sócrates anunciou a construção de 10 barragens para os próximos anos. Projectos sempre, como habitualmente, travestidos de ambiente, de energias renováveis, de progresso...

Daquilo que foi apresentado, uma síntese das questões que considero mais relevantes:

a) o Governo, cada vez mais, assume-se como o dono do país: simplesmente anuncia projectos como factos consumados que acabam por ser apenas do conhecimento do próprio Governo e... obviamente dos empresários, sempre lestos em elogios.

b) o ministro do Ambiente, Nunes Correia, confirma que está no Governo apenas com o simples e singelo objectivo de ser manter ministro. Nunca antes o ouvira contestar, torcer o nariz, franzir o sobrolho sobre algo que venha da cabeça de Sócrates. É o «Fernando Real» de José Sócrates (para quem não se recorda, Fernando Real foi ministro do Ambiente no segundo governo cavaquista, no início dos anos 90, e ficou conhecido por Fernando Irreal...). Mas já não se admite que tenha a desfaçatez de anunciar uma consulta pública garantindo que não vai mudar absolutamente nada da decisão governamental. Isto não é autismo; é patetice, é falta de cultura democrática. É, em suma, gozarem connosco.

c) este anúncio de 10 barragens para produção hidroeléctrica acaba por surgir poucas semanas depois da aprovação da barragem do Baixo Sabor, cuja construção parecia ser assumida pelo Governo como a única e derradeira forma de combate às alterações climáticas (estou a caricaturar, obviamente). A questão que se deveria colocar era: será necessário sacrificar um vale como o do Baixo Sabor se se vão construir 10 barragens?

d) Estas barragens em quase nada vão contribuir para tornar mais verde o consumo energético do país e a dependência externa de energia. Por um lado, porque a dependência energética do exterior se deve sobretudo ao sector dos transportes (recordem-se que a energia eléctrica apenas assume 20% dos consumos totais). Por outro, não está previsto qualquer encerramento de uma central convencional que use combustíveis fosséis. Aliás, quanto maior for a capacidade de produção de electricidade, menor será o esforço para que haja eficiência energética.

e) Como já em situações anteriores tinha referido, a construção de barragens é uma «imposição» do fortíssimo lobby das eólicas. Não sou contra as eólicas (pelo contrário), mas julgo que se está a cair no absurdo. O país não se pode transformar alegremente num rectângulo de ventoinhas. As eólicas são um negócio da China (as empresas têm preços mais elevados e asseguram sempre a venda de electricidade) e necessitam de barragens para manterem o ritmo de crescimento (por razões técnicas, a potência instalada num país não deve ultrapassar os 15%, salvo erro, em eólicas) para que estas sirvam de «armazenamento energético (em regime de complementaridade, ou seja, a electricidade das eólicas destinar-se-á sobretudo para bombagem de água que permita potenciar as descargas das hidroeléctricas). Ora, quer as eólicas quer as barragens têm impactes importantes. No caso das eólicas sobretudo paisagístico, no caso das barragens são múltiplas (erosão costeira, submersão de áreas sensíveis e até aquecimento global, por via do metano que acabarão por produzir...). Por isso, na minha opinião dever-se-ia fazer um plano integrado de energia, que contemplasse os impactes económicos e ambientais de todos os projectos (eólicos, hidroeléctricos, de centrais térmicas, etc.).

f) Mais importante ainda: actualmente, Portugal tem potência instalada em excesso, pelo que com mais eólicas, com mais barragens e sem encerrar qualquer central térmica (ao invés, prevêem-se mais), a electricidade produzida pelos novos projectos servirão sobretudo para exportação. Não seria mal, não fosse o caso de que as empresas espanholas estão a lançar-se em força em território nacional, vendo como o Governo português dá tantas facilidades em projectos que, em Espanha, não são assim tão fáceis.

Pedro Almeida Vieira, in Estrago da Nação - 10 de Setembro de 2007

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Barragens que criam emprego...

Barragens que criam emprego

Novas barragens criam sete mil novos empregos e envolvem dois mil milhões de investimento” - Luísa Pinto, Lurdes Ferreira, in Público - 25.03.2008

Ao contrário do que a notícia pretende sugerir, as barragens não criam empregos. As pessoas que lá trabalham é que criam barragens. As barragens represam água. A eliminação de desequilíbrios estruturais na economia é que pode gerar empregos.

João Miranda, in Blasfémias - 25 de Março de 2008

domingo, 5 de abril de 2009

GOVERNO DO PARTIDO SOCIALISTA PRETENDE SECAR O “ÔLO” E AFOGAR O “TÂMEGA”

GOVERNO DO PARTIDO SOCIALISTA PRETENDE SECAR O “ÔLO” E AFOGAR O “TÂMEGA”

O Governo do Partido Socialista do José Sócrates decidiu secar o rio Ôlo, através do transvase das suas águas para a barragem de Gouvães e afogar o rio Tâmega através da barragem de Fridão. Com estas medidas os socialistas vão transformar o nosso rio Tâmega num enorme lago de água podre, e fazer desaparecer do mapa as quedas de água das Fisgas de Ermelo. Depois de nos encerrar metade das escolas, de nos proibir de adoecer durante a semana após as vinte horas e aos fins-de-semana após as dezasseis horas e de não tomar nenhuma medida a nível local para criar postos de trabalho, fixar pessoas e atenuar a desertificação, os socialistas, apoiados no silêncio cúmplice do PSD e do CDS-PP, parecem agora apostados em destruir de uma só vez dois dos nossos três principais pólos de atracção turística, comprometendo desta forma, seriamente, o desenvolvimento do concelho na área do turismo. Esta decisão do Governo socialista é por isso muito grave, uma vez que põe em causa o futuro das novas gerações de mondinenses, e até mesmo, a médio prazo a própria autonomia administrativa do concelho de Mondim. Para tentar contrariar esta pretensão do Governo socialista está a decorrer na Internet um abaixo-assinado, em defesa do Tâmega e do Ôlo, que caso recolha cinco mil assinaturas será obrigatório que o assunto seja discutido na Assembleia da República. É uma das diversas formas de protesto que os mondinenses têm ao seu dispor para fazer ouvir em Lisboa a voz do seu descontentamento. Eu assinei-a e apelo a que você faça o mesmo. Se vamos ou não com isso conseguir impedir a decisão do governo socialista, logo se verá. Mas uma coisa me parece certa: quem luta umas vezes ganha outras vezes perde. Quem não luta perde sempre. E tudo é preferível a aceitar de braços caídos, como se de uma manada de carneiros, tocadas pelo pastor, se tratasse, uma decisão que fere até à raiz a essência da nossa identidade. Os interessados em assinar a petição devem fazê-lo em: http://www.petitiononline.com/PABA/petition.html.
A sua assinatura é importante.

António Martins, in o chato - 23 de Março de 2009

sexta-feira, 3 de abril de 2009

BARRAGENS NO TÂMEGA - COM ESCLARECIMENTO E PREOCUPAÇÃO

BARRAGENS NO TÂMEGA:

COM ESCLARECIMENTO E PREOCUPAÇÃO

Tendo por cenário a desditosa construção em betão de uma central hidroeléctrica a implantar em pleno leito fluvial Tâmega, interceptando e retendo as águas do rio entre as freguesias de Fridão (Amarante) e Codessoso (Celorico de Basto), na última sexta-feira de Março (27) de 2009, a Junta de Freguesia de Mondim de Basto promoveu a realização de uma sessão de esclarecimento na Casa da Cultura do concelho sobre o processo de participação dos cidadãos em Estudos de Impacte Ambiental (EIA). Com esta acção em divulgação pública estava criada nova oportunidade para efectuar mais uma deslocação à vila de Mondim de Basto a pretexto do assunto em apreço.

DEBATES NO E PELO TÂMEGA COM ANO E MEIO DE ATRASO

Por motivos próximos, no decurso do mês de Fevereiro, tomara a iniciativa de estar presente na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (03/02) na apresentação da IBERDROLA, S.A. às academias portuenses do projecto de construção de 4 barragens, perfeito esbulho ambiental recém-concessionado pela Autoridade Nacional da Água/Ministério do Ambiente, designado pela eléctrica espanhola de «Complexo Hidroeléctrico do Alto Tâmega».Em síntese, e pelo que mais me suscitou interesse no registo da sessão, anotei o pouco à-vontade do Presidente do Conselho de Administração da Iberdrola-Portugal, Joaquim Pina Moura (ex-Ministro das Finanças e da Economia) para falar em energias e do projecto em evidência. “Quem percebe disto é o meu colega Baldomero Navalon”, referiu por duas vezes durante a intervenção. Enquanto pela parte do Director de Negócio Hídrico da Iberdrola Generación, Baldomero Navalon, foi transmitido ao auditório que “a empresa decidiu não efectuar o transvase do rio Olo – embora concessionado no projecto – porque seria um grave crime ambiental”.
Quando coloquei a questão da observância pela empresa dos resultados do Estudo de Impacte Ambiental (EIA), a resposta não se fez rogada: “Já sabemos que um projecto destes terá sempre impactes, mas depois novos equilíbrios se estabelecem naturalmente”. Com a experiência centenária da empresa na construção e exploração de grandes barragens, o administrador de negócio da IBERDROLA mostrou saber do que fala e, melhor do que ninguém, permitiu-me inferir que os EIA são uma mera formalidade legal a cumprir para mitigar alguns estragos e legitimar a construção de grandes obras com fortes impactos locais e regionais.Dez dias depois, em Cabeceiras de Basto (13/02), tomei parte no debate organizado pela Câmara Municipal. Anunciada a 25.ª conferência do Ciclo "Políticas de Futuro" sob o título «A Barragem de Fridão e o Desenvolvimento de Terras de Basto», contando com a prestação de destacados administradores da empresa EDP, S.A., tinha em vista tomar contacto com os argumentos que a autarquia cabeceirense pudesse aduzir sobre a matéria. Em primeiro lugar, dado que a sessão ocorreria após remessa de informação aos Municípios afectados pelo escalão de Fridão da tese e acções do «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega», prestadas com o envio do Manifesto Anti-barragem «Salvar o Tâmega e a Vida no Olo»; como também visava tomar conhecimento dos argumentos que a EDP-Produção pudesse trazer a debate público.
A realização do evento de Cabeceiras de Basto proporcionou uma amostragem para a Câmara Municipal perceber o sentimento da população sobre uma matéria de escassa referenciação e divulgação. Com a sala do auditório municipal repleta, os dignitários autárquicos não conseguiram evitar, todavia, algumas falhas de representação pública. Nomeadamente na omissão quanto ao posicionamento do Município (Câmara e Assembleia Municipal) sobre a matéria, na aspereza colocada em alguma comunicação, na truculência de linguagem vertida nos despropositados comentários finais, e na incomodidade evidenciada quanto à deliberação da Assembleia de Freguesia do Arco de Baúlhe, de Dezembro de 2008.
O administrador da EDP-Produção, António Pacheco Casto (Dr.), por seu turno, trouxe a informação de que no passado “a barragem já esteve para ser construída” no escalão de Fridão, que “aqui aponta para 102 metros de altura”. Mas a novidade foi a da “construção de uma segunda central no rio Tâmega a 500 metros da foz com o rio Olo” para montante, com o propósito de “regularizar os caudais para não causar dano à cidade de Amarante”.
No decurso da sessão destaquei a tendência parcelar do evento, por relação à amplitude das problemáticas regionais em questão, e apresentei sumariamente as razões de oposição à artificialização, contra-natura, do «sistema Tâmega», concluindo com o enunciado de que 'num Estado de Direito europeu devemos pugnar pelo cumprimento da lei do Estado e da Comunidade, e na sua observância a bacia do Tâmega será livre do aviltamento programado com a construção de mais cinco (5!) novas barragens'. Irrefutável o silogismo, como as premissas que a ele conduziram.
A convite da COAGRET-Portugal, no dia seguinte (14/02) participei em Mirandela, cidade à beira-Tua, no seminário técnico-jurídico «A falta de regulação jurídica do bem público face a interesses privados: o caso dos novos projectos hidroeléctricos em Portugal». Aí procurei sensibilizar os presentes para a dimensão nacional patranha residente nessa estirpe de pseudo planeamento com que o falacioso Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) foi técnico-politicamente arquitectado e colocado em execução. Afinal, essa peça sem valor jurídico, que afronta a Lei e avilta os desígnios do Ambiente e da Água enquanto recurso natural, não passa da reedição do programa hidroeléctrico concebido nos anos de chumbo do Estado Novo, durante a década de 1950.

EVITANDO SUBMERGIR EM TROMBA-DE-ÁGUA CHURRA
Acompanho o processo gestionário-burocrático da política autárquica de Amarante com uma atenção muito particular há cerca de 25 anos, e conheço bem o turbilhão de malvadez que tem alimentado generais, cabos-de-esquadra, hordas, milícias e paisanos. A conjuntura não poderia deixar de se afirmar atribulada e tensa, e no quotidiano Amarante não consegue evitar sintomas inequívocos de morbidez e declínio em que radica o estado de situação – de atraso estrutural, desemprego e pobreza – reconhecido na região Tâmega (NUT III).
Em aproximação às preocupações manifestadas pelos cidadãos e por movimentos cívicos, o presidente da Câmara Municipal de Amarante levou a efeito no passado mês de Março (20) de 2009 uma conferência/debate anunciada com o tema “Riscos induzidos pela Barragem de Fridão”. Pela área técnica específica de recrutamento do painel de convidados para a conferência, era perceptível que a sessão não poderia atingir o propósito do título com que havia sido designada. Entrando a jogo com jokers de outro baralho, tornava-se claro que a matéria em debate, pelo lado dos palestrantes e do presidente da Câmara, não poderia versar os ‘riscos induzidos pela Barragem de Fridão’. Estariam cumpridos, no entanto, os propósitos desta iniciativa autárquica configurada na esteira de combate aos fundamentos dos que manifestam genuína preocupação pelo presente e futuro de Amarante e do Tâmega – flúvio e região.Reconhecendo a trama com que se tem escrito nos órgãos do Município de Amarante a história do dossier «Barragem de Fridão/cascata do Tâmega» e a teia em que os amarantinos andam enredados, de minha iniciativa recuso-me a participar no logro, e não subo ao tabuleiro da farsa senão por dever público. Não obstante, e independentemente da forma civilizada que por cada um possa ser adoptada para fazer valer a defesa das condições pré-existentes à fixação do povoamento, só tenho a felicitar quem naquela sexta-feira de Março (20), no Salão Nobre dos Paços do Concelho, tentou esconjurar o propósito diabólico da construção das barragens no Tâmega. E enquanto um amigo designou o evento de «a canção do bandido», um outro, compreendendo a minha ausência à sessão me referiu que «se tivesse ido, teria vindo de lá doente».
Em consciência, não me proponho livremente ir a castigo que creio não merecer ou sujeitar-me participar em acções que nos seus propósitos não passam de meras tentativas matreiras de nos fazer submergir numa tromba-de-água churra.

DAR EXPRESSÃO À NECESSIDADE DE ESCLARECIMENTO
Depois tomar parte nas primeiras quatro acções públicas de informação realizadas em Mondim de Basto (três na vila e uma na Casa do Povo de Ermelo) a propósito dos efeitos previsíveis que resultarão da aberrante construção de duas grandes centrais hidroeléctricas no escalão de Fridão, menos de um ano volvido, encontrei a população mondinense muito melhor esclarecida e mais consciente das consequências nefastas que arrastará para a região a patranha contida nesse falacioso Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH).Os primeiros sintomas de receio e dúvida auscultados na população local, inferidos do suposto erro pela recusa de grandes obras de construção civil na região e das expectativas iniciais geradas pelas alterações massivas a introduzir na paisagem do vale, e os enunciados radicados no paradigma economicista-tecnológico de meados do século passado, decalcados do vetusto argumentário adoptado nas eléctricas e encadeado no discurso oficial profusamente reproduzidos na imprensa, não marcaram presença nesta última palestra nem no debate que se lhe seguiu.
Contrariamente ao que havia encontrado com a primeira sessão pública promovida em Mondim de Basto a 30 de Maio de 2008, esse tipo de argumentos que começaram por se apresentar facilmente entendíveis e comummente aceites, entretanto, estão esvaziados de senso e oportunidade, de sentido e consistência lógica na sua aparente sustentabilidade, quando equacionadas as perdas inquantificáveis e irreversíveis que as cinco barragens no Tâmega imporão.Entre os presentes atentos à exposição efectuada pelo Professor Doutor Rui Cortes e às intervenções que se lhe seguiram, ficou patente uma seriíssima preocupação generalizada manifesta na recusa à perda do rio, à degradação da qualidade das águas, ao afogamento da paisagem do vale, à implosão dos ecossistemas ribeirinhos, à desregulação hidrodinâmica dos cursos na bacia do Tâmega. Consequências inevitáveis confirmadas pelo catedrático da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), repercutíveis em toda a extensão da bacia hidrográfica afectada, resultantes da edificação da designada «Barragem de Fridão» e das quatro restantes a montante.
Em Mondim de Basto nem mesmo parece haver mais contexto para vingar o sedutor paliativo das ‘contrapartidas’, com que no passado se esbateram resistências incautas e se adormeceram populações e seus representantes. Na contratualização mercenária, multimilionária, com as eléctricas EDP, S.A. e IBERDROLA, S.A. – com que o ocupado Ministério do Ambiente e a sua inútil “Autoridade Nacional da Água” concessionaram os rios e a água e aviltaram os valores-causa da sua existência, a Lei do Estado e da Comunidade – não há lugar a quaisquer benefícios patrimoniais para as autarquias e respectivas populações.Um ano e meio após despoletado este miserável processo, técnica e politicamente astucioso e vil, a evidenciar os métodos-proxeneta de que o Estado é capaz, para que o XVII Governo Constitucional arrastou o Tâmega – também o Tua e o Sabor! – convocando por simpatia as respectivas populações, está em curso na região o debate público nascido na população da necessidade de esclarecimento, iniciado em 1994/1995 e para o qual renovei o apelo em Outubro (31) de 2007.

José Emanuel Queirós, in PlenaCidadania - 02 de Abril de 2009

Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Amarante)

Ler ainda em PlenaCidadania:
«E AGORA, AMARANTE?... – Três barragens para o Tâmega: Fridão, Daivões e Vidago»
««PROGRAMA NACIONAL DE BARRAGENS» – CONTRIBUTO PARA UM DEBATE PÚBLICO NA BACIA DO RIO TÂMEGA»
«AM DE AMARANTE SEM MEIOS PARA AVALIAR BARRAGEM DE FRIDÃO»
«BARRAGEM DE FRIDÃO/«CASCATA DO TÂMEGA»: A CRUELDADE E A INCOMPETÊNCIA DO «SOCIALISMO» NO GOVERNO E EM AMARANTE»
«AMARANTE E O VALE DO TÂMEGA NA PENEIRA DOS ELEITOS LOCAIS»
«PETIÇÃO POR AMARANTE E PELO RIO TÂMEGA – ASSINA TAMBÉM»
«BARRAGEM DE FRIDÃO – CONSEQUÊNCIAS PREVISÍVEIS NO TÂMEGA»
«AINDA A BARRAGEM DE FRIDÃO – ÚLTIMO RECURSO POR AMARANTE»
«BARRAGEM DE FRIDÃO – EMERGE O DEBATE EM MONDIM DE BASTO»
«NÃO À BARRAGEM DE FRIDÃO! – DEBATE EM AMARANTE (27.09.08)»
«SALVAR O TÂMEGA E A VIDA NO OLO – MANIFESTO ANTI-BARRAGEM»
«PORTUGAL REGRESSA À POLÍTICA DAS BARRAGENS 50 ANOS DEPOIS»

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Barragens em Fridão: Segurança Zero

[BARRAGENS EM FRIDÃO:] SEGURANÇA ZERO

A Conferência-debate sobre "Riscos Induzidos pela Barragem de Fridão", organizada pela Câmara Municipal de Amarante e que decorreu a 20 de Março no Salão Nobre, trouxe até nós conferencistas de relevo, ligados a diversas instituições como o LNEC, a FEUP e o INAG.
Ficou evidente que todos eles estavam de acordo, para nos "vender" a ideia de que as Barragens de Fridão e do Borralheiro, não ofereciam qualquer perigo para Amarante!!!
Pena foi que no painel de convidados reinasse o unanimismo cúmplice!
Mas apesar da relevância dos currículos individuais de cada um dos conferencistas, nada disseram que pudesse tranquilizar os amarantinos...!

Aliás, espremidas as intervenções que fizeram, podem resumir-se a uma só afirmação: Não se preocupem, porque estão em boas mãos!

Contudo, não foram capazes de assumir que garantiam a segurança absoluta das barragens!

Até porque se a segurança absoluta pudesse ser garantida, eram perfeitamente inúteis os Regulamentos de Segurança de Barragens(RSB) que exigem a construção de Cartas de Risco, Planos de Emergência e a identificação clara de Sistemas de Aviso e Alerta e Previsão de Evacuação das Populações!

Restou claro que há sempre a possibilidade (por muito remota que nos possa parecer!) de colapso das barragens e aí será um "Deus nos acuda" ou atendendo à proximidade das barragens (uma a 3Km e outra a 6Km) um "salve-se quem puder" que de pouco serviria à população amarantina e aos forasteiros que por cá estivessem!

Hoje é universalmente aceite que a SEGURANÇA ..."pressupõe a continuidade da existência do que nos rodeia, ou da realidade tal como é considerada no presente ou é prevista no futuro, sem perturbações que provoquem prejuizos ou danos relativamente significativos, de ordem material ou imaterial, incluindo a perda de vidas."

Vista por este prisma, a situação agrava-se, pois para além do elevado número de vítimas que um colapso das barragens provocaria, perderemos de qualquer modo (a construirem-se aquelas barragens!) outros valores que são inestimáveis a nível local!
Perderíamos o "valor imaterial" que constituem as nossas mais belas paisagens; "ganharíamos" um agravamento dos valores da humidade que já de si é elevada ao longo do vale; veríamos agravado o estado de deterioração das águas e do ar; perderíamos em termos de condições climáticas para a agricultura, e para a saúde e o "totoloto" iria trazer-nos um sem número de inconvenientes que se reflectiriam profundamente no agravamento da qualidade de vida dos amarantinos!

Com a construção daquelas barragens a nossa segurança ficaria reduzida a ZERO.

Contudo, a percepção do risco por parte dos amarantinos é cada vez maior e, a sua reacção será tanto mais firme, quanto mais nos quiserem impor tal risco!

Já todos perceberam que com a construção dessas barragens, nada têm a ganhar e tudo podem perder!

É ridículo que alguns nos venham agora falar de altruismo, muito preocupados com o défice energético nacional! Até porque as Barragens de Fridão não iriam inverter o défice e até o próprio INAG previu a possibilidade de desistir das Barragens de Fridão e avançar para a opção Salamonde II, onde os impactos não seriam significativos!

Estou convencido que o bom senso irá impor-se e brevemente todos os amarantinos, sem excepção, dirão de forma muito clara que não aceitam guilhotinas suspensas sobre o futuro dos seus filhos!

Aliás a História acabará por julgar aqueles que por actos ou omissões, colaborarem no crime de condenar Amarante e o vale do Tâmega à destruição!

A nossa Democracia, não pode ignorar que os amarantinos têm de ser actores principais no processo de decisão!

Quem quererá assumir o papel de COVEIRO DA IDENTIDADE AMARANTINA?

Barragens em Fridão!? Não, muito obrigado!

António Aires, in ForçaFridão - 28 de Março de 2009

[Barragens em] Fridão! Que ferida nos vão criar?!

Barragem de Fridão: opiniões sobre a problemática na blogosfera (III)

Fridão! Que ferida nos vão criar?!


Depois da sessão de esclarecimento "Como podem os cidadãos participar nos Estudos de Impacte Ambiental - EIA", organizada pela Junta de Freguesia de Mondim, fiquei com a ideia que grande parte das pessoas presentes não quer a barragem.

Algumas conclusões (minhas!):

1. Depois de elaborado o EIA, o mesmo estará disponível num conjunto de entidades públicas. Em Mondim estará disponível na Câmara Municipal e Juntas de Freguesia afectadas, apenas durante um mês;
2. Opiniões colectivas sobre o EIA, têm mais força;
3. Central será reversível (segundo alguns oradores. No portal do governo não tem essa informação), o que provoca variações significativas nas quotas da albufeira. Provocando erosão e ainda pouca atractividade para criação de praias fluviais;
4. Não construção da Barragem de Fridão, não é solução, já que teremos mais quatro a montante de Mondim que provocará uma qualidade inferior na água do rio; As próprias Câmaras Municipais são sócias das sociedades;
5. Dado que grande parte dos Concelhos da bacia hidrográfica do Tâmega não têm saneamento, agravará a possibilidade de o rio de transformar numa "fossa";
6. Planos e mais planos e nenhum funciona;
7. Algum alheamento das autarquias;
8. Falta de confiança que as sugestões de minimização dos impactes negativos, sejam implementadas. De que valem os contratos, vejam o exemplo da variante do tâmega! Era um contrapartida pelo encerramento da linha férrea entre Amarante e o Arco de Baúlhe.

Rui Miguel Borges, in Casa do Eiró - 30 de Março de 2009

Barragem de Fridão: F(e)ridão Ambiental

Barragem de Fridão: opiniões sobre a problemática na blogosfera (II)

F(e)ridão Ambiental

Em Basto continua-se a debater a barragem de Fridão,agora o EIA(estudo de impacte ambiental), e o ultimo debate em Mondim mostra um grande inconformismo por parte da população, que sem interesses dentro da Edp, mostram e provam a preocupaçao com uma boa adesão aos debates acerca do tema. Há interesse por parte da população que esbarra sempre na pouca vontade politica a expor o projecto e o futuro que o mesmo nos reserva. Poucos continuam a ser aqueles que vêem a barragem como boa, poucos mas os que realmente tem poder, concedido pelo povo, mas nenhum eleitor consentiu a construção da barragem no acto de eleição, por isso não percebo como as autarquias conseguiram dar um parecer positivo á sua construção antes de sondarem minimamente a população.
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Como nos diz José António Nobre, "a teia que une e que separa os que vieram e os que não puderam ou não quiseram vir, é como esse Rio que todos juram amar e que tanto nos liga como nos serve de fronteira."
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O Tâmega e a problemática da barragem de Fridão, tem agregado as nossas populações de Basto numa busca de informação acesa. É um problema sistémico, e não isolado, no qual nos devemos envolver.
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Eu temo pelo ambiente, e pelo nosso microclima que nos garante distinção. E temo que a população interessada não esteja a ser vista com o respeito que tanto merecem. Temo que o futuro desta terra esteja a ficar comprometido.

Carlos Leite, in Pensar Basto - 30 de Março de 2009