sábado, 25 de abril de 2009

Salvem o "Quilhão"! - (Parte 2)

“Salvem o Quilhão” (Parte 2)

Engraçado, como eu, que senti a sensação de ter sido progressista, quando escrevi o artigo intitulado “Salvem o Quilhão!”, passei, num ápice, para alguns, para o rótulo de conservador, de retrógrado, de alguém que é contra o progresso, contra o desenvolvimento...

Por ter tido a coragem de exprimir publicamente aquilo que sentia?

Por me “despedir” do meu Rio, recordando o tão importante que ele foi para mim ao longo do meu crescimento como pessoa e como cidadão?

Desse sentimento expresso, qualquer bom entendedor perceberá, que se tratou, tão só, de um preâmbulo à mensagem que pretendia transmitir.

Por me ter dado ao “trabalho” de estar atento, de ler, de estudar, de participar nos debates sobre o tema da barragem de Fridão; de ter estado em contacto com professores universitários para tentar aprender mais, para tentar perceber o que vai implicar a mudança que se perspectiva para a minha terra?Por achar que (tal como a canção):

“para melhor,... está bem, está bem!..para pior,... já basta assim!?”

Engraçado, de facto!Para mim, ser conservador é outra coisa. Para mim, ser progressista é também outra coisa. E para que conste, afirmo que das duas filosofias ou concepções, partilho ideais.

Vamos por partes:

1- Não considero que a albufeira que se vai formar pela barragem que está programada para Fridão, e que afectará Mondim, seja uma mais valia para a minha terra em nenhum dos aspectos que, implicitamente, estão em causa como sejam: a alteração da paisagem, a alteração (para pior) da qualidade da água do Tâmega e a consequente alteração (para pior) na qualidade de vida das populações. Se isto é ser conservador, então eu sou conservador.

2- Para chegar a tal conclusão (até prova em contrário…), dei-me ao “trabalho” de estudar, de visitar locais, de ouvir, de ler...

3- Em abono da verdade, cada um ouve ou lê o que quer; cada um interpreta como quer; cada um acredita no que quer. Eu acredito no que disse. E até prova em contrário, não embarco em interesses partidários (porque não sou filiado em nenhum partido), em interesses económicos ou, mais importante ainda, em aceitar as mudanças sem sentido crítico.

Porque não gosto de ser como que mais uma “ovelha” dentro do rebanho, que tudo aceita, que tudo acha como inevitável quando vem de cima.

E porque considero que, enquanto cidadão, tendo direitos e deveres, não abdico deles quando estão em causa questões tão importantes como seja, no caso em apreço, a maior alteração física (e por conseguinte ambiental) que a minha terra vai sofrer nos 48 anos da minha existência.

Não represento, além da minha pessoa, nada nem ninguém.

Sou simplesmente um mondinense, não filiado em nenhum partido político, mas que considera que em democracia não são só os partidos políticos que têm direito a ter opinião nem tão pouco os governantes, sejam eles ao nível nacional, regional ou local.

Mal está a sociedade, quando a democracia se reduz a tão pouco.

Alfredo Pinto Coelho, in O Chato – 24 de Abril de 2009
eng.º Agrícola / lic. Gestão Agrária

Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Mondim de Basto)

Sem comentários: