
ARH Norte - Rio Tâmega
Albufeira do Torrão em programa de requalificação
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Administração da Região Hidrográfica do Norte (ARH-N) - Junho de 2011
«Se a lei for cumprida nenhuma barragem na bacia do Tâmega será construída» MCDT



1. Porque precisamos de uma nova política energética?
Das dez barragens definidas pelo PNBEPH, sete acabaram por ser aprovadas pelo Governo (não houve candidaturas para Almourol e Pinhosão; Padroselos foi reprovada mas a potência aí prevista poderá ser redistribuída entre as outras barragens). As empresas eléctricas propuseram o dobro da potência instalada e quase o triplo dos custos originalmente estimados, mas com uma diminuição de 14% da produção nestas sete barragens. A utilização média da capacidade instalada nas novas barragens é de 8% — menos de um mês por ano — um terço de um projecto hidroeléctrico típico, insustentável se não forem subsidiadas.
As autoridades e as empresas eléctricas não forneceram qualquer justificação para as discrepâncias nos custos e potência propostos, ou para a total ausência de um estudo de alternativas. A explicação parece estar na maximização dos subsídios a obter do Estado, independentemente da produção real de electricidade.
3. O programa nacional de barragens: irrelevante para os objectivos propostos
Juntamente com as duas barragens previamente aprovadas (Baixo Sabor e Ribeiradio Ermida), a electricidade gerada por todo o plano de barragens ascende a 1,7 TWh/ano, o que corresponde a 3,2% dos 52,2 TWh do consumo da electricidade em Portugal em 2010 (DGEG 2011); perfazendo apenas 0,5% do consumo de energia primária, 0,7% da procura final, uma redução de 0,7% nas emissões de GEE e de 0,8% na importação de combustíveis fósseis (calculado a partir de EC 2010). Esta diminuta contribuição para o sistema energético é obliterada em apenas nove meses de aumento na procura da electricidade. O mesmo objectivo pode ser obtido com investimentos muito inferiores, apresentando o uso eficiente de energia o melhor custo/eficácia.
Relativamente à necessidade de bombagem, o PNBEPH declara que Portugal deve ter a capacidade de 1500 a 2000 MW de bombagem hídrica (ou uma relação 1:3,5 para a capacidade instalada em energia eólica). A meta para a energia eólica na estratégia nacional de energia ENE2020 (considerada por muitos analistas como excessivamente optimista) é de 8600 MW para 2020 (PCM 2010); assim, uma capacidade de bombagem hídrica de 2460 MW seria suficiente. Acontece que a capacidade de bombagem nas barragens existentes, em actividade ou em construção, é de 2510 MW. Como tal, não são necessárias novas barragens para bombagem (lista detalhada na tabela seguinte).
4. Custo real do programa nacional de barragens
Projectos equivalentes à produção das novas barragens, poupando 1,7 TWh/ano de electricidade, com um investimento de apenas 290 M€, criariam um valor líquido de 11 600 M€ num período de 70 anos, e reduziriam o preço da electricidade em 7% — uma relação custo/eficácia mais de dez vezes melhor que as barragens. 6 210 M€ de investimentos em eficiência energética permitirão poupar 12,6 TWh/ano (25% do consumo actual), criando um valor líquido para os investidores (famílias, empresas e instituições públicas) de 61 100 M€ num horizonte de 70 anos, ou um decréscimo na factura da electricidade em um terço. A redução de carvão e gás natural utilizado nas centrais térmicas, através da poupança de energia, baixariam as importações de combustíveis fósseis em 10% do nível actual.Contrariamente ao afirmado pela propaganda oficial, raramente as barragens criam desenvolvimento local (WCD 2000). Criam sim emprego temporário na construção civil, em menor número que outros tipos de investimento. Por exemplo, a eficiência energética e os projectos de regeneração urbana beneficiam toda a economia (famílias, Estado e instituições privadas, pequenas e grandes empresas) e geram cerca do dobro de empregos por M€ investido, quando comparado com barragens e outras grandes obras públicas.
Em Portugal, muitas das grandes barragens existentes localizam-se em zonas socialmente deprimidas; tendo muito poucas contribuído para o desenvolvimento local. Muitas das barragens no PNBEPH foram abertamente rejeitadas pelas populações: os municípios de Abrantes e Constância (prejudicados pela barragem de Almourol), Amarante (prejudicado pela barragem de Fridão) Mirandela (prejudicada pela barragem de Foz Tua), entre outros, opuseram-se abertamente aos planos do Governo. Estudos desenvolvidos acerca do vale do Tua e da linha ferroviária do Tua, condenados à destruição pela barragem de Foz Tua, mostram que o ecoturismo e turismo cultural gerariam 11 (onze) vezes mais emprego por M€ investido do que a construção da barragem (Simão e Melo 2011, IDP 2009).
7. Grandes barragens: um enorme desastre ambiental
Ao contrário da crença vulgarizada pela propaganda institucional, as grandes barragens são notórias pela destruição irreversível de ecossistemas (EEB/WWF 2009). Os principais impactes incluem: (i) a obliteração de rios e ecossistemas ripícolas raros, incluindo a extinção de peixes migratórios e outras espécies dependentes dos rios em estado natural; (ii) fragmentação de corredores ecológicos essenciais para a ligação entre ecossistemas maiores, afectando outros habitats e espécies (e.g. o lobo entre muitos outros); (iii) degradação cumulativa de habitats ripícolas resultantes de várias barragens na mesma bacia, em especial nas bacias do Tejo e Douro e na sub-bacia do Tâmega; (iv) degradação da qualidade da água, pela criação de condições propícias à eutrofização; (v) risco acrescido de erosão costeira devido à retenção de sedimentos; (vi) destruição de bons terrenos agrícolas, os quais em zonas montanhosas estão praticamente confinados aos leitos de cheia dos grandes vales; (vii) eliminação dos últimos grandes rios selvagens em Portugal, com uma paisagem ímpar.
As declarações de impacte ambiental oficiais (cf. CPPE/Ecossistema 2003 sobre a barragem do Baixo Sabor, EDP/Profico Ambiente 2008 sobre a barragem de Foz Tua) e estudos independentes mandados executar pela UE (Arcadis/Atecma 2009) identificam claramente a gravidade daqueles impactes ambientais, que infringem a legislação Europeia, incluindo a Directiva Habitats e a Directiva Quadro da Água. A principal razão para a Comissão Europeia não agir contra o Estado Português no dossier PNBEPH parece ser a relutância em enfrentar no Tribunal de Justiça da UE o delicado tema “interesse público nacional” — neste caso evidentemente não demonstrado mas assiduamente utilizado pelo Governo Português na tentativa de contornar as disposições das directivas europeias.
Referências bibliográficas
Arcadis/Atecma (2009). Technical assessment of the Portuguese National Programme for Dams with High Hydropower Potential (PNBEPH). Contract No 07.0307/2008/ENV.A2/FRA/0020 – Lot 2. Project – 11/004766 07/07/2009. European Commission/DG Environment
BCSD Portugal (2005). Manual de boas práticas de eficiência energética. Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável/ Universidade de Coimbra.
CENSE (2010). Portugal em Conferência para uma Economia Energeticamente Eficiente (PCEEE), Lisboa, 22 Junho 2010. http://events.fct.unl.pt/pceee2010/
CPPE/Ecossistema (2003). Avaliação Comparada dos Aproveitamentos do Baixo Sabor e do Alto Côa.
DGEG (2011). “Consumo de electricidade em Portugal no ano 2010”. www.dgge.pt
DGTF (2010). Parcerias Público-Privadas: relatório 2010. Direcção-Geral do Tesouro e Finanças.
EC (2010). EU Energy and Transport in Figures — statistical pocketbook 2010. European Commission. ISBN 978-92-79-13815-7, ISSN 1725-1095
EDP/Profico Ambiente (2008). Estudo de impacte ambiental do aproveitamento hidroeléctrico de Foz Tua.
EDP (2011). Centros produtores. http://www.a-nossa-energia.edp.pt/centros_produtores
EEB/WWF (2009). What future for EU’s water? First assessment of the draft River Basin Management Plans under the EU Water Framework Directive. European Environmental Bureau/ World Wide Fund for Nature / Fundacion Biodiversidad.
IDP (2009). Tua Vale, Uma Alavanca de Desenvolvimento Sustentado nas Terras Quentes. Instituto da Democracia Portuguesa. http://www.democraciaportuguesa.org/
INAG (2011). Plano Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico: os aproveitamentos. http://pnbeph.inag.pt/np4/p/projectos
INAG/DGEG/REN (2007). Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH). Instituto da Água, Direcção Geral de Energia e Geologia, Redes Energéticas Nacionais.
PCM (2008). Resolução do Conselho de Ministros nº 80/2008. Diário da República, 1ª série — Nº 97 — 20 de Maio de 2008. Portugal. Aprova o Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética 2008-2015 (PNAEE).
PCM (2010). Resolução do Conselho de Ministros nº 29/2010. Diário da República, 1ª série — Nº 73 — 15 de Abril de 2010. Aprova a Estratégia Nacional para a Energia 2020 (ENE2020).
SEEI (2010). Portaria nº 765/2010. Diário da República, 1.ª série — N.º 162 — 20 de Agosto de 2010. Aprova o mecanismo de remuneração da garantia de potência disponibilizada pelos centros electro-produtores.
Simão J.V. and Melo J.J. (2011). Impact of nature and cultural tourism in the Tua Valley. Proceedings of IAIA 2011. IAIA, Puebla, Mexico, 28 May-3 June 2011.
WCD (2000). Dams and Development: a new framework for decision-making.The report of the World Commission on Dams. Earthscan. ISBN 1 85383 798 9.
Contacto: João Joanaz de Melo, presidente do GEOTA
Travessa do Moinho de Vento
nº 17, CV Dta. 1200-727 Lisboa
Tel Fax 21 395 61 20
e-mail geota.sec@netcabo.pt
homepage http://www.geota.pt/
GEOTA, FAPAS, LPN, Quercus, CEAI, Aldeia, COAGRET, Flamingo, SPEA, MCLT – Setembro 2011

Na natureza não é por acaso que as coisas acontecem.
Estado pagará dezasseis mil milhões de euros à EDP e à Iberdrola, as concessionárias das futuras barragens, durante os próximos 70 anos, num custo que se irá refletir em mais 10% de aumento na fatura de cada consumidor.Ora, a loucura não fica por aqui, as barragens que estão a ser construídas constituem um crime ambiental e cultural, com a perda de habitats, espécies endógenas e paisagens com potencial turístico singular. A própria UNESCO alertou para a “degradação da zona classificada como Património da Humanidade”, dando a “entender que poderá ser retirada se insistirem na obra”.
No retrato, nem a Câmaras Municipais (com exceção da mirandelense) saem impolutas, pois a troco de 1,5% das receitas das barragens, calam-se perante o desastre a acontecer nos próprios concelhos. Uma vergonha.
Geopalavras, in Geopalavras - 23 de Outubro de 2011

Empresas vão receber 16 mil milhões do Estado durante os próximos 70 anos, denunciam ecologistas e associações durienses.
Dezasseis mil milhões de euros é quanto o Estado vai pagar à EDP e à Iberdrola, as concessionárias das futuras barragens na bacia do Douro, durante os próximos 70 anos. Um “desastre económico, social e ambiental”, que é como define uma dezena de grupos ecologistas e locais.
Foi para impedir um "desastre económico, social e ambiental" que um conjunto de grupos ecologistas nacionais e de associações durienses se juntaram na elaboração de um documento que pretende explicar porque é que o Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) deveria ser "imediatamente suspenso e revogado”. A instância de apelo é a famosa troika.
As concessionárias das futuras barragens vão produzir “metade da energia prevista” no plano, com o dobro do investimento pedido, mediante o pagamento anual de um subsídio do Estado de 49 milhões de euros. A isso somam-se 20 mil euros por megawatt produzido, assegurado pela lei da “Garantia de Potência”, que o ex-ministro Mira Amaral apelidou de “escandalosa” e recomendou “acabar, sob pena de ficar inviabilizada qualquer recuperação económica do país”.
Além do que sairá do Orçamento do Estado, as famílias também contribuirão para as barragens, pagando “mais 10% de electricidade para subsidiar as construções. Uma fraude sobre o Estado e sobre os cidadãos portugueses”, resume João Joanaz de Melo, presidente do GEOTA, um dos signatários da missiva à troika.
“Positivo é o facto de ainda ninguém ter desmentido a nossa exposição, a troika já ter começado a questionar o Governo sobre as barragens e os actuais ministérios da Economia e o do Ambiente responderem que estão preocupados com este assunto e que o estão a estudar”, revelou a mesma fonte, apontando que “é preciso que a opinião pública reaja e faça parar as barragens, como aconteceu com Foz Coa”.
São as seguintes as contas do grupo que contesta o negócio: durante as concessões das barragens, um total de 16 mil milhões de euros serão pagos às empresas de electricidade, que produzirão apenas 0,5% da energia consumida em Portugal, representam só 2% do potencial de energia que poderia ser obtida através de um programa de eficiência energética e respondem por 3% do aumento das necessidades energéticas do país.
“Se fossem feitos investimentos para obter uma eficiência energética equivalente ao que as novas barragens vão produzir, as contas de electricidade baixariam 10%.
Mas, se fossem feitos investimentos com vista a obter o potencial máximo de eficiência energética, as contas dos consumidores baixariam 30%”, explica o estudo enviado à troika. Os investimentos em causa, na versão mais intensiva e dispendiosa, rondariam os 410 milhões de euros e teriam retorno em menos de três anos.
Além dos efeitos económicos, as barragens têm demonstrados prejuízos para o património natural e cultural e para a economia da região. “Ao contrário do que diz a propaganda oficial, as barragens geralmente não geram desenvolvimento local. Criam empregos na construção, mas muito menos do que noutros tipo de investimento, e apenas temporariamente. Por exemplo, projectos de eficiência energética ou de renovação urbana beneficiam toda a economia (famílias, Estado e instituições privadas, pequenas e grandes empresas) e geram cerca do dobro de empregos por milhão de euros investidos, em comparação com barragens ou outras grandes obras públicas”, argumentam.
A quem é que aproveita o crime?”, questiona Joanaz de Melo. “Estas decisões não foram tomadas no interesse público, mas é do interesse público parar o programa nacional de barragens. Temos de parar este desastre”, concluiu.
Erika Nunes, in Jornal de Notícias, N.º 138, Ano 124 (pp. 48 e 49) - 17 de Outubro de 2011



A EDP parece estar a braços com um novo caso "Ensitel"... Não, a empresa não tentou processar ninguém por causa de um blogue, mas eliminou um comentário no Facebook, desencadeando uma autêntica guerra de forças com os utilizadores das redes sociais.

O "post" de Joana Couve Vieira e a resposta da EDP antes do comentário ser retirado da página da EDP no Facebook
Censura da empresa de eletricidade ao post no Facebook de um cliente contestatário do Plano Nacional de Barragens gera onda de comentários nas redes sociais e blogosesfera.
A blogosfera e as redes sociais acordaram hoje com uma polémica que envolve a página da EDP no Facebook.
Tudo começou quando Joana Couve Vieira colocou a frase "Eu não pedi um Plano Nacional de Barragens!" na página da EDP naquela rede social. Uma declaração que desencadeou a pronta reação da empresa energética (21 minutos depois), informando que "de acordo com o Código de Conduta da nossa página (...) somos obrigados a eliminar o seu post".
Em poucas horas, a atitude da EDP, que foi interpretada como censura, passou a dominar os comentários nas redes sociais e em alguns blogues.
EDP responde com Código de Conduta
Contactada pelo Expresso, a EDP remeteu a sua posição para uma posição oficial que, entretanto, foi colocada na página da empresa no Facebook. A nota da EDP não vai muito mais além do que "lamentar o ocorrido" e "apelar à compreensão de todos para o cumprimento dos princípios de utilização presentes do nosso Código de Conduta".
Mas também corre na blogosfera uma outra versão dos acontecimentos, segundo a qual o que terá provocado a reação da EDP terá sido um primeiro comentário de Joana Couve Vieira, segundo o qual esta terá chamado "ladrões" à empresa energética.
João Ramos (www.expresso.pt), in Expresso - 17 de Outubro de 2011

Grupo de activistas e cidadãos apelou à 'troika' para que seja impedido o desastre económico, social e ambiental na bacia do rio Douro
Quase três vezes o défice de Portugal é quanto o Estado vai pagar à EDP e à Iberdrola, as concessionárias das futuras barragens na bacia do Douro, durante os próximos 70 anos. Um “desastre económico, social e ambiental”, que é como define uma dezena de grupos ecologistas e locais que enviaram à ‘troika’ um estudo que demonstra por que é que o “Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) deveria ser imediatamente suspenso e revogado”.
Presidente da EDP ganha mais que os presidentes da Microsoft e da Apple.

O Rio Tâmega em Tujidos - 7 de Outubro de 2011
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães
É uma cruzada também minha, a defesa deste rio a saque dos vampiros que o esventram.
O meu Tâmega apresenta-se, de novo, com uma criação espampanante e descontrolada de cianobactérias.
Obrigada, EDP!
Anabela Magalhães, in Anabela Magalhães - 7 de Outubro de 2011

O presidente da Junta de Freguesia de Mondim de Basto apela para que se trave a construção da barragem para evitar mais poluição.

Entrevista [TSF] a Pedro Arrojo, professor e presidente da Fundação Nova Cultura da Água.