Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

Rio Tua - Barragem: O que é que se passa no Tua?

Rio Tua - Barragem
O que é que se passa no Tua?



Em menos de seis meses, as obras na barragem do Tua já causaram três acidentes de trabalho, um dos quais provocou a morte de três pessoas. O que é que os trabalhadores dizem sobre estes acidentes? O que pensam e o que temem? A Renascença foi à procura de respostas.

Após curvas e mais curvas, começam a aparecer placas a alertar para o perigo. Num dos avisos lê-se que há “rebentamento de explosivos” na zona. No meio das rochas e do pó estão os trabalhadores da barragem do Tua.

A maioria afasta-se quando o gravador se aproxima. Uns dizem que é por vontade própria que não prestam declarações, outros vociferam palavras de descontentamento pela presença de jornalistas dentro da obra.

De rosto empoeirado, colete reflector vestido e capacete como a lei determina, os que aceitaram conversar lamentam os acidentes ocorridos. Ainda assim, consideram que são "ossos do ofício" ou, simplesmente, "o destino".


“Nunca me aconteceu acidentes mortais como aqui. É o rio, a rocha, a montanha...”, começa por contar um dos operadores de grua da obra. Apesar das condições desfavoráveis da própria natureza do local, acaba por culpar o destino, quando relembra 26 de Janeiro, o dia em que um deslizamento de terras tirou a vida a três trabalhadores.

“Naquele dia, tiveram que morrer aqueles três”, diz o operador de grua. Um outro trabalhador, que conduz uma das máquinas das obras, também culpa o acaso: “É como diz o meu colega - estava no destino acontecer”.

Já o encarregado de frente, Silva, não fala do destino, mas da profissão em si: “Em todas as obras há perigo, mas são seguras. Fiquei um bocadinho assustado, mas é a vida de quem trabalha na construção civil.”

Medo? Só do frio, garante o encarregado de frente. “O que me assusta é o frio. É a única coisa que me assusta.” Os termómetros andam pelos três graus quando Silva fala dos seus medos.

"Dormitórios de luxo" na pequena aldeia
As obras na barragem do Tua constituem uma espécie de pequena aldeia, com contentores brancos empoleirados nos socalcos do Tua. Os trabalhadores dizem que não falta nada.

Perto da hora do almoço, no refeitório dos trabalhadores, a Renascença aproveita a “boleia” para falar do ambiente que se vive na obra. Dois trabalhadores elogiam as condições de segurança e não só. “Tenho cem por cento de condições. Se não, não estava aqui”, diz um. “Aqui tem muito bom ambiente. Há dormitórios de luxo, com ar condicionado e tudo”, refere outro, mais novo.

Questionados sobre o valor do salário, sorriem e afirmam receber acima da média. “Mais de mil euros, talvez. Depende - não é sempre igual”, diz, entre risos, um chefe de obra. “Recebo acima da média, estou satisfeito”, conta o manobrador e condutor João, que, quando questionado sobre se compensa o esforço, devolve a pergunta: “Esforço? Não é esforço nenhum”.

Já de saída da barragem, na estrada que leva até aos homens do Tua, Youssef, operador de grua, trabalha no meio de pedregulhos, com grandes máquinas e rebentamentos constantes. Rezar é o seu conforto. “Eu rezo todos os dias, para me proteger em tudo o que é mau da vida…”


Liliana Carona, in Rádio Renascença - 15 de Fevereiro de 2012

Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012

Bulgária: Barragem rebenta e onda de 2.5 metros varre aldeia







Bulgária

Barragem rebenta e onda de 2.5 metros varre aldeia



No sul da Bulgária, após vários dias de chuva intensa, uma barragem rebentou. Há já oito mortos confirmados e 10 desaparecidos.

Nikolai Nikolov, o chefe da Protecção Civil, adiantou que o colapso da Ivanovo Reservoir provocou uma enxurrada de 2.5 metros de altura que arrasou 700 casas da aldeia de Bisser, perto da fronteira com a Grécia.

Entre os quatro corpos que foram encontrados nas águas, três pertencem a homens idosos. Mas o saldo da mortalidade não se fica por aqui, nas estradas e estradas das redondezas atingidas pela enxurrada confirmam-se para já quatro mortos.

No sul da Bulgária foi decretado o estado de emergência e as autoridades gregas e turcas avisadas de que as regiões de Arda e Maritsa podem ser atingidas por cheias massivas.

A Protecção Civil emitiu já avisos de que outras as barragens de Ivaylovgrad e Studena estão no limiar da sua capacidade e podem colapsar. Os residents nessas areas estão a preparer-se para se evacuados.

in SOL - 6 de Fevereiro de 2012

Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012

Rio Tua - Carrazedo do Ansiães: Acidente na barragem do Tua causa cinco feridos




Rio Tua - Carrazeda de Ansiães

Acidente na barragem do Tua causa cinco feridos


Cinco pessoas ficaram feridas num acidente de trabalho que ocorreu, ao início da tarde desta quarta-feira, na barragem do Tua, em Carrazeda de Ansiães. A obra está parada.

Segundo o Centro de Operações de Socorro de Vila Real, um dos feridos é grave, tendo os outros trabalhadores envolvidos sofrido ferimentos ligeiros ao nível do tronco e dos braços.

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Alijó confirmou ao JN que o ferido que inspirou mais cuidados queixava-se que dores no tórax.

Mas a EDP, responsável pela obra, garante que todos os feridos são "ligeiros" e foram "transferidos do local como medida de precaução".

Em comunicado enviado à Lusa, a EDP refere a existência de "quatro feridos" que foram "de imediato assistidos pelo posto médico da obra".

Apenas dois feridos foram transportados para o Hospital de Vila Real.

A empresa explica ainda que o acidente aconteceu às 14.45 horas "na sequência de um desmonte de rocha efectuado na margem direita" e que "fragmentos de rocha atingiram quatro trabalhadores que se encontravam a montar cofragens na boca de saída do túnel de derivação provisória do rio, na margem esquerda".

Os trabalhadores feridos têm idades compreendidas entre os 25 e os 40 anos. Dois deles residem em Marco de Canaveses, um em Esposende e outro, de origem moldava, vive em Braga.

Fonte dos Bombeiros Voluntários de Alijó disse duas ambulâncias foram para o local, na "execução do desvio provisório da Estrada Nacional 212", precisou a EDP.

As obras da barragem do Tua estão a decorrer entre os concelhos de Carrazeda de Ansiães e de Alijó.

Recorde-se que
três operários das obras na barragem do Tua morreram soterrados, no passado dia 26 de Janeiro, num acidente de trabalho.



Eduardo Pinto, in Jornal de Notícias - 8 de Fevereiro de 2012

Rio Guadiana - Barragem do Alqueva: Alqueva dez anos depois do encerramento das comportas







Rio Guadiana - Barragem do Alqueva
Alqueva dez anos depois do encerramento das comportas



Passam esta quarta-feira dez anos sobre o encerramento das comportas da barragem do Alqueva, que deu origem à criação do maior lago artificial da Europa. Dez anos depois, a TSF regressou à aldeia de Alqueva e concluiu que com a subida das águas também cresceu o desânimo.

Carlos Júlio, in TSF - 8 de Fevereiro de 2012

Sábado, 4 de Fevereiro de 2012

CERCIMARANTE - Fundação EDP: Dirigente da cooperativa demarca-se dos apoios da EDP







CERCIMARANTE - Fundação EDP
Dirigente da cooperativa demarca-se dos apoios da EDP


Hernâni Carneiro, in O Jornal de Amarante, N.º 1647, Ano 32, (p. 5) - 15 de Dezembro de 2011

Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012

EDP - STANDARD & POOR’S: RATING DA EDP BAIXA PARA “BB+” COM OUTLOOK NEGATIVO

EDP - STANDARD & POOR’S
RATING DA EDP BAIXA PARA “BB+” COM OUTLOOK NEGATIVO



Foi comunicado pela EDP - Energias de Portugal, S.A. um documento com o seguinte título: EDP - Energias de Portugal, S.A. informa: Standard and Poors baixa rating da EDP para BB com outlook negativo.

Data e hora de comunicação: 01/02/2012 19:38:39.
O documento divulgado pode ser consultado na página "Informação Privilegiada e Outras Informações", em http://www.cmvm.pt.

EDP, in Comissão do Mercado de Valores Mobiliários - 1 de Fevereiro de 2012

Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

Montalegre - Rio Cávado: Miguel Torga - «Antes do período albufeirozóico, aqui era o Barroso.»

Montalegre - Rio Cávado
Miguel Torga: «Antes do período albufeirozóico, aqui era o Barroso.»


Citação de Miguel Torga na aldeia de Paradela do Rio (concelho de Montalegre), ao lado da Barragem de Paradela.

Miguel Torga (foto de Pedro Pacheco), in Diário VIII (p. 43) - 1956

Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

EDP criminosa: EDP: um estrago insustentável que tem que ser atalhado já!

EDP criminosa
EDP: um estrago insustentável que tem que ser atalhado já!


Responsabilizem o senhor Mexia, o senhor Sócrates, o senhor Zorrinho, e já agora, a senhora (sa)Cristas pelo sucedido! É assim que deve ser em democracias dignas do nome que ostentam!

Estamos fartos de insistir na bestialidade desta obra, na sua inutilidade económica (1), no peso insustentável que tem para o agravamento da dívida pública portuguesa e portanto para o aumento da probabilidade de bancarrota do país. Quando é que a corja partidária acorda?!

A opinião pública deve mobilizar-se para responsabilizar económica e criminalmente os responsáveis políticos por este desastre, e pelos desastres que se avizinham no futuro — desde logo, o da mais do que provável perda da classificação dada pela UNESCO ao magnífico vale do Douro, com particular relevo para o Alto Douro e a Região Demarcada do Vinho do Porto.

POST SCRIPTUM: a instabilidade na zona de obras da barragem (não previsto no estudo de impacto ambiental, que eu saiba) é óbvia e conhecida há muito. As cargas de dinamite e as grandes amplitudes térmicas da região concorrem para o aparecimento de fendas e quedas de rochas.

Ver vídeo demonstrativo da instabilidade do vale do Tua, nomeadamente na zona onde estão a construir a barragem (que deve ser parada, já!), realizado uma semana antes do acidente mortal.

NOTAS




  • O Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), previsto para ser executado entre 2007 e 2020, é um embuste engendrado pelo governo "socialista" de José Sócrates, com vários objectivos, falaciosos, ou movidos pela relação de dependência entre dois poderes corruptos: o político-partidário e o financeiro:

Objectivo 1: atrair financiamento comunitário para o desenvolvimento de energias limpas e consequente redução do nível de emissões de CO2 equivalente — uma aposta errada, pois não descontaram o CO2 equivalente produzido pela construção das próprias barragens e complementar sistema de geração e transporte de energia eólica, pela inflação induzida na economia pelo acréscimo dos custos de energia e consequente deterioração da balança comercial, e ainda pela eutrofização galopante das águas das albufeiras das barragens (vale a pena acompanhar os argumentos de Luís Mira Amaral sobre esta matéria, aqui, e aqui;

Objectivo 2: alimentar o Bloco Central do Betão e as rendas do monopólio energético assegurado pela EDP e dos bancos associados ao esquema;

Objectivo 3: financiar o colossal endividamento da EDP em aquisições e investimentos eólicos nos Estados Unidos da América, entretanto comprometidos pelo próprio colapso financeiro americano, como prova a decisão recente da Iberdrola de suspender a construção de novos parques eólicos nos EUA. Na realidade, não se trata de um financiamento directo, mas sim indirecto, i.e., a construção de barragens inúteis em Portugal aumenta o peso dos activos reais face aos activos fictícios (meramente financeiros e especulativos), melhorando assim a qualidade das garantias que poderão ser oferecidas em troca dos empréstimos contraídos no mercado. A entrada dos chineses na EDP prova, no entanto, que esta estratégia, além de aventureira, ilegítima (pois foi realizada nas costas dos contribuintes e consumidores portugueses), e previsivelmente perigosa (a contagem das vítimas fatais já começou!) morreu.

António Cerveira Pinto, in O António Maria - 27 de Janeiro de 2012

Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

Desenvolvimento - Barragens: Três mortos em acidente na barragem de Foz Tua




Desenvolvimento - Barragens
Três mortos em acidente na barragem de Foz Tua


Um desprendimento de rochas nas obras da barragem de Foz Tua provocou a morte de três trabalhadores, naturais de Alijó, Armamar e Cabeceiras de Basto. O acidente ocorreu cerca das 14 horas desta quinta-feira no lado de Carrazeda de Ansiães. Os corpos dos três trabalhadores já foram retirados.


Os três trabalhadores foram apanhados na sequência do desprendimento de uma rocha que embateu numa máquina giratória que se encontrava parada já que o seu operador tinha ido almoçar. A queda da pedra e da máquina provocou um deslizamento de terras e rochas que soterrou os três trabalhadores.

Os dois primeiros corpos a serem retirados estavam num patamar superior mas libertos enquanto que o terceiro trabalhador, retirado já perto do final da tarde, estava coberto pelas pedras da derrocada e obrigou à intervenção de uma retroescavadora.

As vítimas mortais tinham entre 35 e 50 anos e eram naturais de Alijó, Armamar e Cabeceiras de Basto, disse à Lusa fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro de Vila Real.

No local estiveram durante a tarde 20 bombeiros, GNR e INEM e também um helicóptero da Protecção Civil que aterrou na ponte que atravessa a zona a jusante do local do local onde está a ser construído o paredão da barragem.

Devido à permanência da aeronave nesse local, a ponte, que liga Carrazeda de Ansiães e Vila Flor, ficou interrompida.


Eduardo Pinto, in Jornal de Notícias - 26 de Janeiro de 2012

Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

Opinião: Passos só tem um caminho: tirar dinheiro à EDP





Opinião
Passos só tem um caminho: tirar dinheiro à EDP

A pátria sofre de um imenso desequilíbrio entre as empresas do sector não transaccionável e as empresas do sector transaccionável. Isto quer dizer exactamente o quê, pergunta o leitor? Confesso que também não percebia muito bem esta ladainha do economês. Mas, depois de muito estudo, percebi a coisa: isto quer dizer que a EDP & afins são beneficiadas em detrimento das empresas que produzem bens para exportar. Por exemplo, a Auto-Europa paga demasiado pela electricidade, logo, perde competitividade externa. E esta perda de competitividade não é pequena: segundo Vítor Bento, existe um desajustamento de 20% no preço dos produtos não transaccionáveis. Mas isto nem sequer é o pior. O pior é saber que este desacerto tem sido protegido pelo poder político. A EDP, como se sabe, é um dos Nenucos fofos da nossa classe política. O dr. Catroga e a dr. Cardona que o digam.

Ora, para piorar a situação, o anterior governo inundou a EDP & Cia com subsídios verdes para a produção da energia mais ineficiente e cara, a saber, a energia das ventoinhas que tomaram conta dos vales e montes. Resultado? Em 2011, numa factura média mensal de 41 euros, um consumidor doméstico pagou apenas 14 euros em energia consumida (34%) e deu mais uns trocos para os custos da rede de transporte e distribuição (22%) . Para onde foram os outros 44% da conta? Aterraram nos subsídios atribuídos à EDP & Cia. Ou seja, quase metade da conta da luz é absorvida pelos "custos de interesse económico geral" (ver a factura, sff). É por isso que Henrique Gomes, secretário de estado da energia, tem criticado - e bem - os apoios injustificados dados à EDP e demais produtores de energia eólica. Os casos mais gritantes são "os das unidades de cogeração - na sua maioria, criadas no tempo do ex-ministro Manuel Pinho - que vendem electricidade por mais de 120 euros por megawatt e depois vão comprá-la a 45 euros" (Expresso 14 de Janeiro). Como dizia João Vieira Pereira, isto não é um negócio, é uma renda. Uma renda inaceitável, até porque criou o monstro incontrolável do défice energético, que anda por aí a sorrir para a nossa carteira. Neste momento, já vai em quase 3 mil milhões.

Pôr cobro a este negócio da China já era uma prioridade antes do caso Catroga/Catrona . Agora, Passos tem mesmo de pôr cobro a este negócio da China, não só para acabar com mais uma farsa de Sócrates, mas também para atenuar os efeitos da dupla Catroga/Catrona. A EDP e satélites têm de perder dinheiro. A vidinha tem de doer a todos.

Henrique Raposo (www.expresso.pt), in Expresso - 24 de Janeiro de 2012

Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

Governo - EDP: Muita garganta



Governo - EDP
Muita garganta

As derrapagens do défice são uma brincadeira de crianças quando comparadas às catástrofes que se abatem sobre o território. É nisto que o Governo devia ter pensado antes de entregar o que resta da EDP aos senhores das Três Gargantas, uma empresa detentora da maior barragem do mundo na China. Valeu só o encaixe imediato. A conta pagaremos nós a seguir.

Quanto mais o tempo passa, mais claro fica que o território e a língua são as únicas coisas portuguesas que parecem resistir ao tempo. Da língua valerá a pena falar noutra ocasião. Quanto ao território, ele vai-se desfazendo à medida que a nossa geração o hipoteca com a mesma ganância com que absorveu a dívida e agora se queixa da conta. Obviamente esta venda levanta perguntas como: os chineses vão querer saber do Douro Património Mundial? Das espécies ameaçadas? Do equilíbrio da biodiversidade nos territórios do mastodôntico plano nacional de Barragens? Das campanhas de eficiência energética? E não ficarão zangados se forem reequacionados os contratos "SCUT" das barragens que impõem milhões por décadas e décadas em cima dos consumidores?

Vejamos a barragem das Três Gargantas na China. Obrigou à retirada de 1,3 milhões de pessoas do local onde viviam e deixou debaixo de água milhares de locais de interesse arqueológico. Os geólogos assinalam que Xangai é uma cidade na rota de uma tragédia se um dia um sismo acontecer nas Três Gargantas. Num país democrático esta obra teria sido feita? Muito dificilmente. Excepto se for um país despovoado, gerido de forma autista a partir de uma capital distante e com uma opinião pública indiferente...

Esta é uma questão central do nosso tempo: quem anda a falar de crescimento económico no Ocidente pensa imenso na energia e esquece a água. A população mundial crescerá até aos nove mil milhões de pessoas e os bebés nascerão sobretudo na Ásia e América Latina. No recente relatório das Nações Unidas sobre a água e recursos do solo, a equação é clara: até 2050 vai ser necessário aumentar a produção de alimentos em 70%. O consumo de água será brutal porque a agricultura é responsável por mais de dois terços do consumo global. Ora, embora se pense que as barragens podem dar um contributo positivo para isto, a realidade é a inversa. Como dizia ao "Público" a directora da Agência Europeia do Ambiente, Jacqueline McGlade, "vimos muitas barragens na Europa a falhar rapidamente porque se encheram com sedimentos, ou ficaram secas, ou não funcionaram como se esperava". Junte-se a isto a impactante produção agrícola de biocombustíveis nos férteis solos do Leste da Europa, as perdas arrasadoras na Amazónia ou das florestas da Ásia, a seca em África, a ameaça sobre os insectos polinizadores (abelhas, borboletas, etc...) e percebe-se como vai ser difícil alimentar tanta gente e manter a qualidade de vida que o ser humano alcançou.

Quando o Governo português escolhe quase por unanimidade a proposta chinesa está a dar um sinal também ambiental. Para as pequenas e grandes coisas. A luta para travar a barragem do Tua (e a do Sabor) é um delas e torna-se ainda mais quimérica quando o poder na EDP é agora chinês. Para os que acreditam na "arquitectura naturalista" com que Souto Moura vai 'salvar o Douro', devíamos fazer um desafio: caso a UNESCO retire o estatuto de Património Mundial ao Douro, Mexia (e Catroga) deviam demitir-se. E no Governo, os responsáveis da Economia, Ambiente e Cultura também. Aceitam o desafio ou são todos inimputáveis? E a EDP, pode ir pondo um dinheirinho de parte para pagar as indemnizações ao sector do turismo ao longo de anos?

A venda do poder de decisão na EDP a chineses, e o que se pode seguir na REN, GALP, Águas de Portugal (com potenciais angolanos, chineses ou árabes) é assustador. Os compradores chegam com dinheiro mas não trazem no currículo respeito pela democracia. Condenam-nos depois à mais vil pobreza: a de não termos sequer opinião sobre todo o lixo que nos quiserem pôr em cima. Ora, lá por não termos dinheiro, não temos que alienar o direito a viver com o mínimo de saúde e memória. A nossa terra vale zero em bolsa. Mas é tudo o que temos.


Daniel Deusdado, in Jornal de Notícias - 12 de Janeiro de 2012

Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012

EDP - Cadeiras de Ouro: Eduardo Catroga será o novo "chairman" da EDP






EDP - Cadeiras de Ouro
Eduardo Catroga será o novo "chairman" da EDP



Eduardo Catroga vai presidir a partir de Fevereiro ao Conselho Geral e de Supervisão da EDP. A nomeação contou com o apoio de todos os accionistas privados da eléctrica, incluindo a China Three Gorges, de acordo com o Diário Económico.

Catroga vai, assim, ser responsável pelo órgão que define a estratégia da EDP e onde estão representados os accionistas com participações superiores a 2%. A Parpública – que detém 3,7% do capital da EDP – absteve-se.

Ao antigo ministro das Finanças juntam-se Braga de Macedo e Ilídio Pinho, adianta o jornal Diário Económico nesta quinta-feira de manhã.

O cargo de presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP era até agora ocupado por António de Almeida, que já tinha comunicado ao Governo e aos accionistas privados que não pretendia continuar no cargo.

Já António Mexia, presidente executivo da eléctrica, mantém-se nessas funções, contando com o apoio dos chineses da Three Gorges.

A assembleia-geral extraordinária na qual decorrerá a recondução de Mexia está prevista para as primeiras semanas de Fevereiro.


in Público - 05 de Janeiro de 2012

Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012

Douro - Plano de Gestão: Regadios espanhóis vão retirar 14% do caudal a barragens portuguesas





Douro - Plano de Gestão
Regadios espanhóis vão retirar 14% do caudal a barragens portuguesas


O troço português do Douro vai perder 14% do caudal, com reflexos negativos na produção hidroelétrica, caso se confirme a expansão dos regadios espanhóis, estima a proposta do Plano de Gestão da Bacia Hidrográfica daquele rio.

O documento, elaborado pela Administração da Região Hidrográfica do Norte, está em debate público até 03 de abril, tal como as propostas similares para as bacias do Ave/Leça/Cávado e Minho/Lima.

O relatório técnico da proposta assinala que a exploração do potencial hidroelétrico do Douro é uma "oportunidade" ainda a explorar, mas contrapõe com a "ameaça" traduzida na retenção de 14% do caudal que habitualmente flui de Espanha, consequência direta expansão dos regadios espanhóis esperada para o período entre 2015 e 2027.

Com uma extensão total de 927 quilómetros (208 em território português), o Douro é o terceiro maior rio da Península Ibérica. A bacia que lhe dá o nome abrange 98.000 quilómetros quadrados (19.000 em Portugal), integrando nove sub-bacias, com 361 rios, 17 albufeiras, três massas de água de transição e duas massas de água costeiras.

Trata-se de uma bacia "condicionada por diversas atividades e fatores críticos que, em determinadas circunstâncias, podem desencadear acidentes com repercussões graves para o meio hídrico", afirma o relatório, que alude à existência de dez unidades de armazenamento de substâncias perigosas.

Outro risco, este a corrigir até 2013, relaciona-se com a falta de planos de emergência internos homologados em 11 dos 30 aproveitamentos hidroelétricos mais problemáticos (classe I, segundo os critérios do Regulamento de Segurança de Barragens).

Apesar de o cenário ter uma probabilidade de ocorrência "muito baixa", uma rotura em qualquer das barragens teria efeitos "muito significativos em termos de perdas humanas e materiais", adverte o documento preparado pela Administração da Região Hidrográfica do Norte.

Numa referência à poluição nos aquíferos da bacia, a Administração da Região Hidrográfica responsabiliza sobretudo os esgotos domésticos.

Em termos de CBO5 (quantidade de matéria biodegradável presente num período de cinco dias), a rejeição de águas residuais urbanas contribui com cerca de 74% da carga poluente total.

Medindo outro parâmetro - a carência bioquímica de oxigénio (CQO) -, os esgotos urbanos já passam a representar 97% da carga poluente total.

A sub-bacia com maiores cargas, para todos os poluentes analisados, é a do Douro, pela sua dimensão e número de população, seguida da do Tâmega e da do Côa.

Ao nível do abastecimento de água a partir de captações na bacia duriense, a proposta de plano assinala problemas com o armazenamento em localidades do Nordeste, incluindo Bragança.

O "stress hídrico" da massa de água da albufeira do Azibo é responsável pelo problema de Bragança e "constitui também ameaça que esteja a ser encarada a hipótese de aumentar a extração de água nessa albufeira", afirma o documento.

Destak/Lusa, in Destak - 27 de Dezembro de 2011

Tâmega - Programa Nacional de Barragens: Autarcas aguardam aprovação do Plano de Acção para compensar prejuízos da “cascata” do Alto Tâmega






Tâmega - Programa Nacional de Barragens
Autarcas aguardam aprovação do Plano de Acção para compensar prejuízos da “cascata” do Alto Tâmega


Resultado das compensações e contrapartidas pela construção das barragens do Alto Tâmega, Daivões e Gouvães, a região do Alto Tâmega poderá beneficiar de um forte investimento em obras, com a Iberdrola a financiar mais de 100 intervenções, num total de cerca de 47 milhões de euros. Os autarcas já apresentaram uma extensa lista de reivindicações à empresa hidroeléctrica, encontrando-se já em fase final de negociações, e esperam resposta positiva até Março. Com mais área inundável, Vila Pouca de Aguiar e Ribeira de Pena serão os concelhos mais beneficiados.


Unidos na Associação de Municípios do Alto Tâmega (AMAT), os autarcas da região apresentaram recentemente um Plano de Acção para Compensação Socioeconómica e Cultural à Iberdrola, através da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR Norte), de modo a compensar os impactos negativos da construção das barragens do Alto Tâmega, Daivões e Gouvães no rio Tâmega.


Os beneficiários das contrapartidas financeiras locais – 50% do montante total distribuído em proporção da área inundável – serão os quatro concelhos directamente afectados pelo complexo hidroeléctrico lançado em 2007 no Programa Nacional de Barragens: Vila Pouca de Aguiar, Ribeira de Pena, Boticas e Chaves. Já Valpaços e Montalegre, que não terão área inundável, serão abrangidos pelas compensações regionais (restantes 50%). No total, a empresa espanhola adjudicada para a concessão da “cascata” do Alto Tâmega irá desembolsar cerca de 47 milhões de euros em obras para a região, que irão sustentar investimentos na ordem de 160 milhões de euros.

Enquanto presidente da AMAT, o autarca de Ribeira de Pena, Agostinho Pinto, aguarda uma contraproposta da Iberdrola ao Plano de Acção elaborado pelos municípios do Alto Tâmega, com a colaboração da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). “Fez-se um trabalho exaustivo, elaborámos um plano, baseado na Declaração de Impacte Ambiental, que consideramos justo e agora tudo depende da aceitação da Iberdrola”, avançou Agostinho Pinto, que acredita que o consenso com a empresa será obtido até Março. Caso o acordo seja selado, o Plano de Acção começará imediatamente a ser executado com a criação de uma Agência de Desenvolvimento Regional.


Plano de compensações surge após mais de um ano de difíceis negociações

Após mais de um ano de difíceis negociações e divergências entre municípios e empresa, o presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar, Domingos Dias, que lidera o concelho que será mais afectado pelas barragens, afirmou ao jornal “A Voz de Trás-os-Montes” que “a Iberdrola concorda” com o Plano de Acção e que este “tem todas as condições para ser aprovado pelo Governo”. Antes disso, o Estado terá de acordar com as empresas hidroeléctricas a revisão do sistema de tarifário eléctrico e do mecanismo de “garantia de potência”, que até à data destinava avultadas ajudas públicas às empresas para assegurar um determinado volume de electricidade. Esta revisão de tarifas foi imposta pela Troika e o Governo espera ver o processo concluído no início do próximo ano.


De resto, os municípios afectados pela construção das três barragens do Alto Tâmega também exigem compensações de 2,5% sobre o total de energia produzida, uma “renda” idêntica à paga pelos parques eólicos, mas não existe para já legislação nesse sentido para os empreendimentos hidroeléctricos, apesar de ter sido solicitada ao Governo pelos autarcas do Alto Tâmega. Mesmo assim, fruto das negociações da Associação Nacional de Municípios Portugueses com o Governo, as “rendas” das áreas inundáveis deverão aumentar devido a um novo acordo que deverá ser alcançado em Janeiro.

Além disso, a derrama (sobrecarga fiscal sobre o lucro) deverá passar a ser paga nos concelhos onde a energia é produzida. Por último, a empresa de geração e distribuição de energia eléctrica terá ainda de assumir as reposições, ou seja, repor todas as estradas e habitações destruídas com as obras, bem como pagar as devidas indemnizações à população afectada. Para os autarcas do Alto Tâmega, as reivindicações de contrapartidas financeiras são legítimas, tendo em conta que a Iberdrola pagou ao Estado um prémio de concessão cerca de 320 milhões de euros pela exploração das barragens durante 65 anos.


BOTICAS: Município reivindica investimento de 8 milhões de euros em obras

No site da autarquia, o executivo de Boticas avançou que “aguarda ver o Plano de Acção para Compensação Socioeconómica e Cultural aprovado, com vista à promoção da coesão social e de justos equilíbrios no desenvolvimento da região”. Nesse plano, o concelho botiquense reivindica uma compensação de cerca de 4 milhões de euros, sendo os projectos considerados pela autarquia o reforço dos meios de socorro e protecção civil dos Bombeiros Voluntários de Boticas; Centro de Artes Nadir Afonso e respectivo parque de estacionamento; Rede de unidades museológicas – Complexo Mineiro Antigo do Vale Superior do Rio Terva e Ecomuseu do Barroso; Parque Boticas – Natureza e Biodiversidade; Regeneração Urbana da Estância Termal de Carvalhelhos; Reabilitação dos aglomerados da zona afectada; Protocolo Fundação Nadir Afonso; Residência assistida e Requalificação da Santa Casa da Misericórdia de Boticas.

Já no que respeita às comparticipações, os projectos integrados são a Beneficiação/ Rectificação da ex-EN103 entre a EN312 (Boticas-Sapiãos) e o Limite do Concelho; as parcerias para a Regeneração Urbana – “Boticas Viva – Regeneração do Núcleo Antigo”; a Beneficiação de Edifícios Municipais; a Beneficiação da Rede Viária Municipal, Fase II e III e, por último, a Unidade de Cuidados Continuados. Ao nível destes projectos a Iberdrola terá de disponibilizar um montante adicional de cerca de 4 milhões de euros ao concelho de Boticas. À excepção das acções da inteira responsabilidade da Iberdrola, a maioria dos investimentos são alvo de financiamento pelo QREN.


CHAVES: Investimento de cerca de 3,5 milhões de euros para aplicar na zona de Vidago

No concelho de Chaves, o montante reivindicado à Iberdrola ronda os 3,5 milhões de euros, que vão permitir sustentar obras co-financiadas por fundos comunitários no valor de 15 milhões de euros. Este montante será quase totalmente aplicado na zona mais afectada pela “cascata” do Alto Tâmega: Vidago. No concelho flaviense, o menos afectado dos quatro, serão inundados cerca de 45 hectares, ou seja, 5% da área total inundável, que afectará sobretudo a freguesia de Arcossó e em pequena escala Anelhe e Vilarinho das Paranheiras.

O principal investimento das compensações da Iberdrola será, por isso, feito na zona de Vidago e freguesias afectadas, garantiu o presidente da Câmara de Chaves, João Batista. Caso o Plano seja aprovado, Arcossó será contemplada com a ligação rodoviária ao limite do concelho de Vila Pouca de Aguiar, regadios e outras acções de apoio às populações desalojadas, no sentido de criar condições para o desenvolvimento de actividades. Em Vidago, a Iberdrola irá comparticipar com cerca de 2 milhões de euros a intervenção no Balneário e no espaço envolvente da Aquanatture, um projecto num total de 7 milhões de euros. A restante verba irá financiar a ligação da sede de concelho de Boticas à A24, já que abrange freguesias flavienses, e outras pequenas intervenções nas localidades. Sobrará ainda uma parte para o Museu das Termas Romanas e a Fundação Nadir Afonso, na cidade de Chaves.
“Esse montante vai potenciar inúmeras obras”, funcionando como um “alívio para as finanças municipais”, considerou João Batista, acrescentando que, mesmo sem a Iberdrola, a autarquia irá avançar com as obras a expensas próprias, já que estão praticamente todas aprovadas. Para o autarca, este plano “prova a capacidade de governanção comum no Alto Tâmega”, uma vez que “não trazendo as barragens benefícios directos para as nossas populações, mas para o país, entendemos que o Governo e o país devem ser solidários connosco”.


MONTALEGRE: “As barragens vão penalizar muito a nossa região e juntamo-nos para arranjar uma solução equilibrada”

No concelho de Montalegre, que não terá área inundada pela “cascata” do Alto Tâmega, a verba que advirá das compensações regionais da Iberdrola serão aplicadas em algumas obras em curso, como o Centro Escolar de Montalegre, a beneficiação do Castelo de Montalegre, a construção da Unidade de Cuidados Continuados e a beneficiação do pólo museológico das Minas da Boralha, uma obra no total de 1 milhão e 750 mil euros com financiamento do PROVER, que já está em curso.

Beneficiadas serão também a rede viária interna e a nova estrada de ligação a Chaves e à A24, que já foi lançada a concurso e, no entender do presidente da Câmara de Montalegre, é a intervenção “mais importante para a actividade económica do concelho”. Afirmando que a comparticipação da Iberdrola vai permitir um “sério investimento” na região “a custo zero” para as câmaras, Fernando Rodrigues espera que o acordo com a Iberdrola seja rapidamente assumido “para que a região possa desenvolver actividade económica e criação de emprego para qualificar o território”.

De resto, o autarca concluiu que “na AMAT, funcionamos com um espírito de coesão que não existe em lado nenhum. […] As barragens vão penalizar muito a nossa região e juntamo-nos para arranjar uma solução equilibrada”, após “muito trabalho conjunto” e graças à capacidade financeira da EHATB – Empreendimentos Hidroeléctricos do Alto Tâmega e Barroso.


RIBEIRA DE PENA: Compensações e contrapartidas da Iberdrola “vão pôr as economias dos concelhos a funcionar”

Sendo o segundo concelho do Alto Tâmega que terá mais área inundada (mais de 30%), a seguir a Vila Pouca de Aguiar, o presidente da Câmara de Ribeira de Pena, Agostinho Pinto, acredita que, apesar dos “contra e impactos ambientais”, as compensações e contrapartidas da Iberdrola “vão pôr as economias dos concelhos a funcionar”. Na lista de reivindicações de Ribeira de Pena, estão projectos de infra-estruturas candidatos ao QREN, instalações de saneamento básico, novas acessibilidades, reabilitação urbana e realojamentos. “Apostamos nas candidaturas ao QREN para promover o dinamismo económico e a criação de emprego no concelho, sendo que o Governo compromete-se a apoiá-las e a Iberdrola a financiar a parte nacional”, explicou.

“A Declaração de Impacte Ambiental previa essa compensação. Não pedimos nada a que não temos direito”, argumentou Agostinho Pinto, que acredita que o acordo com a Iberdrola será obtido até Março do próximo ano. O Estudo de Impacte Ambiental atira para mais de 70 as habitações em área inundável no concelho ribeirapenense, sendo que grande parte das casas e terrenos agrícolas da aldeia de Viela (entre 13 e 15 habitações) poderá ficar totalmente submersa pela barragem de Daivões. Em Santo Aleixo, Manscos, Friúme, Ribeira de Baixo ou Balteiro, casas e terrenos agrícolas também vão ficar submersos, além de redes viárias e património. “Este acordo minimiza os impactos negativos. É de máxima justiça”, concluiu o autarca.


VALPAÇOS: Afectado por linhas de muito alta tensão, concelho reivindica compensação de cerca de 5 milhões de euros

Apesar de não sofrer impactos negativos directos decorrentes da construção das barragens, o concelho de Valpaços irá ser atravessado por linhas de muito alta tensão. Junto a Friões, está actualmente em fase de conclusão uma subestação que ocupa 14 hectares de terreno para recolha de energia eléctrica nas barragens do Douro e Alto Tâmega “com um impacto muito significativo em termos ambientais”, explicou o presidente da Câmara de Valpaços, Francisco Tavares.

Por isso, o autarca fica satisfeito com a inclusão do município valpacense no plano de compensações, onde inscreveu “projectos enraizados de interesse para o concelho”, como vias de comunicação, arranjos urbanísticos na parte antiga da cidade e melhoramentos de equipamentos públicos, sendo que a aprovação de alguns novos projectos dependerá da “luz verde” da Iberdrola. No Plano de Acção, o concelho valpacense reivindica um total de cerca de 5 milhões de euros em compensações.


VILA POUCA DE AGUIAR: Com mais área inundada, concelho será o mais compensado pela Iberdrola

Abrangido pela barragem de Gouvães, o concelho de Vila Pouca de Aguiar será o mais prejudicado pela construção do empreendimento hidroeléctrico do Alto Tâmega, prevendo-se mesmo a inundação completa dos terrenos agrícolas de várias localidades no Alvão e ainda perda de património arqueológico de valor no concelho. Será também, por isso, o mais compensado pela Iberdrola, sendo que, segundo o jornal “A Voz de Trás-os-Montes”, a lista de reivindicações aguiarense colocada no Plano de Acção abrange a construção do Lar de Idosos, subsídios para transporte escolar, construção de centros de desenvolvimento turístico, nomeadamente campos de iniciação ao golfe e parques de campismo, bem como a conclusão da rede de saneamento do concelho. Contactado pela Voz de Chaves, o município de Vila Pouca de Aguiar considerou prematuro avançar mais detalhes do Plano de Acção antes da sua aprovação.

Sandra Pereira, in @tual - 30 de Dezembro de 2011

Domingo, 1 de Janeiro de 2012

Biosfera 331 - Verdades Escondidas sobre as Barragens

Biosfera 331
Verdades Escondidas sobre as Barragens



Porque as barragens e os parques eólicos vão levar Portugal a ter a electricidade mais cara do mundo em poucos anos?
Uma plataforma de ONGA fez as contas e o Plano Nacional de Barragens vai custar ao Estado 16 mil milhões de euros, entre juros bancários, subsídios e pagamento de obras.
Também são números, os de um crescimento insustentável, que justificam a destruição do rio Sabor, da Linha do Tua e de todo o vale do Tâmega.


in Youtube - 2011

Bacia do Douro - Rio Tâmega: Plano de Gestão das Regiões Hidrográficas em consulta pública







Bacia do Douro - Rio Tâmega
Plano de Gestão das Regiões Hidrográficas em consulta pública

A proposta de Plano de Gestão das Regiões Hidrográficas do Norte (PGRH-Norte), que integra o Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Minho e Lima, o Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Cávado, Ave e Leça e o Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Douro, está em discussão pública desde o dia 3 de Outubro de 2011 até ao dia 3 de Abril de 2012.

Todos os interessados em participar podem consultar, em formato digital, os documentos relativos à versão provisória do plano em: Administração da Região Hidrográfica do Norte, I.P. e, em formato papel na sede da ARH do Norte, I.P., bem como nos gabinetes de Viana do Castelo e Mirandela, durante o horário de expediente.

Para participar basta preencher o formulário on-line, aceder ao geoportal de participação pública e georeferenciar o seu contributo, ou enviar para partipub@arhnorte.pt a sua opinião.

Este instrumento de planeamento em termos de águas superficiais - rios, lagos, estuários e águas costeiras – assim como de águas subterrâneas, tem como objectivo a protecção e valorização ambiental, social e económica dos recursos hídricos nas três regiões hidrográficas sob jurisdição da ARH do Norte, I.P. identifica prioridades, objectivos e acções para os recursos hídricos atingirem o bom estado entre 2015 e 2027.

Pretende-se que o PGRH-Norte constitua um verdadeiro “pacto regional pela água”, consensual e mobilizador, permitindo recuperar a qualidade dos recursos hídricos da região Norte e transformar a água num motor do desenvolvimento regional. Ao longo dos próximos meses, deverá promover-se um intenso debate e envolvimento da comunidade na discussão dos objectivos traçados na proposta de Plano, o qual deverá, na sua versão final, incorporar os resultados desse processo de discussão pública.

in Administração da Região Hidrográfica do Norte (APRH Norte) - 2011

Aviso- A Loja do Chinês: EDP - ELETLECIDADE DE POLTUGAL

Aviso - A Loja do Chinês
EDP - ELETLECIDADE DE POLTUGAL

A paltil de Janeilo pala sua maiol comodidade pague as fatulas da EDP num dos muitos milhales de postos de coblança existentes no Pais... A LOJA DO CHINÊS MAIS PLÓXIMA !!!!

Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011

EDP - Privatização: Conheça a empresa chinesa que passa a gerir os rios e a água em Portugal

EDP - Privatização

Conheça a empresa chinesa que passa a gerir os rios e a água em Portugal






O Estado Português vendeu a participação accionista que detinha na EDP.
Não importará conhecer o passado do patrão chinês da eléctrica EDP a quem o Governo vendeu a empresa e que passa a ficar detentor da gestão dos nossos ex-rios e da ex-nossa água?

in Youtube - 2011

Energia - Os novos donos dos rios portugueses: Chineses vencem corrida à privatização da EDP





Energia - Os novos donos dos rios portugueses
Chineses vencem corrida à privatização da EDP


Serão os chineses da Three Gorges, candidatos à privatização da EDP, a comprar os 21,35% da energética do Estado. A Parpública e os chineses assinaram a minuta do contrato depois de terminado o Conselho de Ministros.


A Three Gorges ganhou a corrida aos 21,35% na EDP que o Estado português estava a vender. O grupo chinês venceu os alemães da E.ON, apontada até agora como favorita face ao apoio político concedido pela chanceler alemã Ângela Merkel à sua candidatura, e as duas empresas brasileiras, Eletrobras e Cemig. O Estado anunciou hoje essa mesma decisão, tomada no Conselho de Ministros desta tarde.

Os chineses apresentaram a melhor das quatro ofertas, de 3,45 euros por cada ação, num total de 2,7 mil milhões de euros. A proposta da Three Gorges inclui ainda um suporte financeiro à EDP de quatro mil milhões de euros, um plano industrial de dois mil milhões de euros e a promessa de apoio à economia nacional, com destaque para a construção de uma fábrica de turbinas eólicas em Portugal, vocacionada para o mercado europeu.

Sem estes 21,35%, o Estado mantém 4% que deverá vender em 2012, deixando a EDP em mãos totalmente privadas. Um dos assuntos em discussão com a Parpública são as garantias bancárias necessárias à concretização da operação.

As propostas de todas as empresas concorrentes foram muito além do preço oferecido ao Estado.
A bolsa de Lisboa suspendeu a transação de ações da EDP e da EDP Renováveis às 15h09.

in RTP - 22 de Dezembro de 2011

Parpública - Informação CMVM: Comunicado pela venda da EDP aos chineses

Parpública - Informação CMVM
Comunicado pela venda da EDP aos chineses

Foi comunicado pela Parpública - Participações Públicas (SGPS), SA um documento com o seguinte título:

Parpública, Participações Públicas, SGPS, SA informa sobre resultado da 8.ª fase de reprivatização do capital social da EDP, Energias de Portugal, SA.

Data e hora de comunicação: 22/12/2011 16:07:02.

O documento divulgado pode ser consultado na página "Informação Privilegiada e Outras Informações", em http://www.cmvm.pt.

Ver documento - 22 de Dezembro de 2011

Rio Douro (Portugal) - Barragens: EDP pinta de amarelo barragem de Bemposta, em Mogadouro






Rio Douro (Portugal) - Barragens
EDP pinta de amarelo barragem de Bemposta, em Mogadouro



A barragem de Bemposta, em Mogadouro, está a ser pintada de amarelo-choque. A população não gostou da ideia por considerar que a cor escolhida causa um grande impacto visual na paisagem protegida do Parque do Douro Internacional. A EDP diz que a intervenção, a cargo do artista plástico Pedro Cabrita Reis, se integra num roteiro de Arte Pública a realizar em várias barragens.

in SIC Notícias - 21 de Dezembro de 2011

Terça-feira, 20 de Dezembro de 2011

EDP - Privatização: China apela à imparcialidade do governo português






EDP - Privatização
China apela à imparcialidade do governo português


A China exortou esta sexta-feira o governo português a avaliar com “imparcialidade” e “independência” as propostas à privatização da EDP, uma das quais apresentada pela empresa chinesa Three Gorges Corporation (CTG).


“O Governo chinês espera que na avaliação das propostas as autoridades portuguesas adiram aos princípios da economia de mercado” e “assegurem que o resultado desta transacção comercial não seja influenciada por factores externos”, disse o porta-voz do ministério chinês do Comércio, Shen Danyang.

Instado a comentar o alegado envolvimento do “governo de um certo país” no processo de privatização da EDP, Shen Danyang afirmou que o executivo chinês “encoraja” as suas empresas a internacionalizarem-se e apoia a candidatura da CTG à privatização da EDP, que qualifica como “uma actividade comercial”. O porta-voz não identificou o referido país.

A empresa alemã E-On e as brasileiras Eletrobraz e CEMIG também são candidatas à compra da participação de 21,35 do capital da EDP na posse do Estado português.

Além de “fortalecer a presença global” da CTG e “apoiar o desenvolvimento social e económico” de Portugal, a entrada daquela empresa chinesa na EDP “servirá também como um alicerce decisivo para a construção de uma relação económica mutuamente vantajosa entre a China e Portugal”, realçou o porta-voz do ministério chinês do Comércio.

Existem “factores externos”?

“O governo chinês espera que a selecção da proposta vencedora seja baseada nos princípios da abertura, justiça, imparcialidade, transparência e independência de modo a assegurar que o resultado desta transacção comercial não seja influenciado por factores externos”, acrescentou.

O prazo para a entrega das propostas para a compra das acções do Estado português na EDP terminou há cerca de uma semana e o resultado deverá ser anunciado no próximo dia 22.

Pelo que foi divulgado na imprensa de Lisboa, a empresa estatal chinesa CTG foi a que ofereceu o preço mais alto.

“Estou muito confiante. Penso que oferecemos o melhor preço, temos um plano industrial muito bom e também um programa de refinanciamento para o futuro desenvolvimento da EDP”, afirmou o presidente da CTG, Cao Guangjing.

Fundada em 1993, para construir e gerir o maior complexo hidro-eléctrico do mundo, a barragem das Três Gargantas, no rio Yangtze, a CTG é considerada uma das mais importantes empresas da China na área das energias renováveis e está envolvida em projectos hidro-eléctricos em 26 países.

in Hoje Macau - 20 de Dezembro de 2011

Sábado, 17 de Dezembro de 2011

Rios e Barragens: Será que as centrais hidroeléctricas produzem energias limpas?

Rios e Barragens
Será que as centrais hidroeléctricas produzem energias limpas?




Centro para la Sostentabilidad Ambiental e Amo Amazonía - 2011

Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Testemunho de ignorância de um Pritzker comprometido com a EDP - Souto Moura: «Faz-me impressão a água ir para o mar quando faz falta»







Testemunho de ignorância de um Pritzker comprometido com a EDP
Souto Moura: «Faz-me impressão a água ir para o mar quando faz falta»

O arquitecto Souto Moura, que está a fazer um ajuste no projecto da EDP, na barragem de Foz Tua, confessa que lhe faz uma certa impressão que a agua vá para o mar quando faz tanta falta.
Souto Moura, o arquitecto que está a ajudar a EDP, a não ferir a paisagem do Douro Vinhateiro-Património Mundial não assume uma posição «contra ou a favor» da Barragem de Foz Tua, mas confessa que lhe faz uma certa impressão que a agua vá para o mar quando faz tanta falta e sabendo-se também que Portugal tem um deficit de energia.

Souto Moura está a projectar o edifício da central eléctrica da barragem que está integrada no Douro Vinhateito.

A EDP já fez saber que desde o início tem tido a preocupação de não pôr em causa a classificação da UNESCO e este ajuste ao projecto faz parte dessa preocupação.

O arquitecto escolhido pela empresa revela que daqui a um mês vai apresentar o projecto que ainda está em esboço.

in TSF (http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=2187620)- 15 de Dezembro de 2011

Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011

Universidade de Salford: «Mondego» (documentário de Daniel Pinheiro)

Universidade de Salford
«Mondego» (documentário de Daniel Pinheiro)


Um filme-documentário de Daniel Pinheiro.
Projecto final de mestrado em Wildlife Documentary Production da Universidade de Salford, Reino Unido.
Documentário classificado com uma distinção. Filmado em Portugal durante Maio/Junho de 2011. Uma viagem pelo rio Mondego e a sua vida selvagem, das montanhas até ao oceano Atlântico.

Sinopse
Um rio aclamado por poetas e compositores, intimamente ligado à história de Portugal. Enquanto as suas águas se fundem com o mar, uma pequena fonte, escondida no alto da Serra da Estrela, continua a assegurar que o Mondego dá vida à sua grande variedade de habitats e de vida selvagem.

Daniel Pinheiro (danielpinheiro.wildlifefilms@gmail.com) - Novembro de 2011

Barragens e Cultura:Secretário de Estado da Cultura garante que há formas de evitar que a Região do Douro deixe de ser Património da Humanidade





Barragens e Cultura
Secretário de Estado da Cultura garante que há formas de evitar que a Região do Douro deixe de ser Património da Humanidade





O secretário de Estado da Cultura diz que é preciso repensar o projecto da construção da barragem do Tua, garantindo que há várias formas para evitar que a Região do Douro perca o estatuto de Património da UNESCO. Em entrevista à SIC, Francisco José Viegas explicou as causas do problema, lamentando que a cultura não tenha sido ouvida neste processo."Estamos a negociar e a estudar com a EDP para ver se há possibilidade de encontrar soluções" disse o secretário de Estado da Cultura.

A recomendação surgiu depois de uma visita a Portugal da ICOMOS, um grupo técnico da UNESCO, para avaliar os referidos impactos, na sequência de uma queixa apresentada pelo Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV).

Num relatório concluído no final de Junho e remetido ao governo português em agosto, citado hoje pelo jornal Público, a ICOMOS aponta os impactos negativos e graves da construção do empreendimento e sublinha que o Estado português não adoptou todos os procedimentos a que está obrigado perante a UNESCO no processo de análise e aprovação do projecto da barragem.

"O que diz o relatório é verdade. Poderá ter um impacto irreversível", disse o secretário de Estado da Cultura, adiantando que "já estão a ser estudadas várias formas de minimizar" o impacto, entre outras, um projecto pedido ao arquitecto Eduardo Souto de Moura para melhor integrar o projecto na paisagem.

Admitiu ainda que, no relatório, a UNESCO pede realmente a suspensão temporária do projecto.

"Se a cultura tivesse sido ouvida neste processo muitos problemas se poderiam ter evitado. Eu já disse isto no Parlamento. O Governo anterior ignorou os relatórios da Delegação Regional de Cultural do Norte sobre esta matéria e os alertas não foram tidos em conta", afirmou o responsável.

Francisco José Viegas lamentou ainda que não tenha existido uma entidade "para gerir de uma forma responsável todas as áreas" relacionadas com o património mundial, já que, no caso do Douro Vinhateiro, o processo envolve o Ministério do Ambiente e a Secretaria de Estado da Cultura, que, defendeu, "devem fazer uma concentração de esforços".

in SIC Notícias - 7 de Dezembro de 2011

Barragem de Foz-Tua: ESTRAGAR O POUCO QUE RESTA









Barragem de Foz-Tua
ESTRAGAR O POUCO QUE RESTA



Eu sou o último dos ecologistas, "verdes", ou coisa semelhante. Sempre tive uma grande desconfiança com as posições ecologistas e um enorme cepticismo quanto ao pano de fundo dos seus argumentos. Não fui muito sensível às "gravuras que não sabiam nadar". Sou céptico quanto aos movimentos, discursos e demagogias sobre o "aquecimento global", transformados numa vaga ideologia anti capitalista e anti-industrial, que ignora que o nosso modelo de desenvolvimento, predador que seja, e é, garante apesar de tudo um mínimo de qualidade de vida para biliões de pessoas que nunca conseguiriam aceder a esse limiar sem estragar parte da natureza quase sempre sem conta, peso, nem medida. Desconfio da retórica catastrofista com o "aquecimento global" e estou muito do lado de Bjorn Lomborg nos seus argumentos contra a demagogia ambientalista que se tornou um discurso politicamente correcto nos últimos anos, nos países simultaneamente mais ricos e nos únicos que podem controlar alguma coisa a predação da natureza, exactamente porque são ricos e podem pagar esse luxo que China, Índia e Brasil não podem.

Dito isto, que me coloca na lista negra dos ambientalistas - já no Parlamento Europeu, eu e Vasco Graça Moura estávamos na lista dos menos "verdes" dos deputados -, vou terçar as frágeis armas da opinião pela causa do vale do Tua e, por extensão, do Alto Douro vinhateiro e do que não é vinhateiro, mas simplesmente belo como pouca coisa portuguesa que reste. E isto significa que entendo que é um verdadeiro crime e uma asneira, infelizmente com uma sólida tradição de outras asneiras por trás, construir a barragem prevista para o Tua.

O que temos no vale do Tua, o rio, o vale, a linha ferroviária, o equilíbrio da terra, da água, das escarpas, da vegetação, do vento, da solidão agreste, é hoje único em Portugal. Ou seja, não há mais. Acaba-se com o vale do Tua e com excepção de alguns trechos fluviais, muito mais pequenos e sem a dimensão agreste do Tua, já não existe nada de semelhante em lado nenhum. Estamos diligentemente a acabar com outro destes vales, o do Sabor, pelo que sobra apenas o Tua.

Eu tive ainda o privilégio de andar na Linha do Tua (como na do Corgo, igualmente encerrada) e era uma viagem inesquecível, que certamente será um must em qualquer turismo de amadores de comboios, popular em países como o Reino Unido e nos EUA. A "composição" era uma mescla de velho material ferroviário reciclado, que incluía máquinas espanholas e jugoslavas e carruagens italianas dos anos 30. A linha não era então turística, nem nada que se pareça, mas uma linha ferroviária normal, servindo o tráfego normal, as pessoas da terra e das aldeias que tinham no comboio o único meio de transporte que existia. Era um mundo do passado, percebia-se por tudo, pela lentidão, pelo trajecto, pelo mundo que estava a acabar por detrás de estações com nomes bárbaros e som germânico, ou de santos cristãos.

Mas o vale do Tua era o vale do Tua, um sítio belíssimo, onde o calor a pique do Verão, ou o despertar da Primavera ou as primeiras chuvas de Outono faziam a terra cheirar a terra, a urze, aos mil e um cheiros mediterrânicos que hoje só conhecemos dos livros, quando lemos os clássicos. Num sítio muito diferente e distante, conheci os mesmos cheiros e o silêncio quente perturbado apenas pelos besouros e por um vento suave e denso. Na Turquia, ao lado de velhas ruínas por escavar, algures no interior da Anatólia, já bem dentro da Jónia antiga. É o mesmo país, a mesma terra, a mesma história, a mesma pátria antiga que nos fez. Estivessem vivos homens como Orlando Ribeiro, e eles dir-nos-iam os elos que estamos a quebrar, não com o passado, mas com o presente e connosco próprios.

Portugal é um país que tem destruído intensamente a sua paisagem natural nos últimos anos, tem uma grande densidade de barragens a norte e cada barragem é um vale de um rio que desaparece. As cumeadas dos montes já estão cheias de eólicas, e quase que não é possível em lado nenhum olhar à volta de um ponto alto, mesmo nos parques naturais, sem ver artefactos colocados bem diante dos nossos olhos nos últimos 20 anos. Já não sabemos, por exemplo, o que é uma noite escura, e por isso o espanto homérico com o céu e as estrelas é uma experiência que já "não nos assiste", para assentar os pés na terra em que verdadeiramente vivemos, a das trivialidades boçais.

Eu sei que uma parte desta destruição era inevitável e faz parte de um difícil trade-off entre a economia, fonte de riqueza, os recursos a explorar, e o ambiente, mas, como estamos a chegar aos limites de tudo - últimos vales, últimos montes, ultimas paisagens -, esse trade-off esgotou-se nas suas virtualidades, e é hoje uma desvantagem cujos custos se pagarão num futuro próximo. As crianças que hoje nascem vão viver num mundo dominado pela poluição luminosa, de caos urbanístico, construções clandestinas mal-amanhadas e sem paisagem natural. Nunca vão ver a Via Láctea a não ser em fotografias, não sabem o que é um vale selvagem de um rio a não ser nos filmes americanos, nunca cheirarão a urze, nem saberão o que é uma giesta, não terão o vento na cara no cimo duma montanha, sem este trazer a marca conspurcada do mundo de lixo que começa logo uns metros mais abaixo, nunca verão um carvalho, nunca comerão uma truta sem ser de viveiro, não saberão o que é o silêncio "habitado" que muda o coração dos homens que o sabem ouvir.

E, por isso, a sua relação com o mundo é, à partida, muito mais pobre e nunca compreenderão milhares de páginas da literatura da sua língua, nem Camilo, nem Eça, nem Aquilino, nem os poetas que falam de coisas que para eles são tão longínquas como ervas, arbustos, flores e frutos, que não estejam no hipermercado dos subúrbios. Estão a perder a língua, destruída alegremente entre os SMS e o Acordo Ortográfico, e a aumentar a geral dificuldade de leitura e compreensão de qualquer texto que tenha palavras que não constem do vocabulário gutural dominante.

A EDP, que nos saúda com uma nova imagem (quantos milhões gastos e para quê?) e com um slogan Viva a nossa energia!, será vendida em nome do fim do Estado na economia, a uma qualquer empresa estatal brasileira ou chinesa, que certamente se está nas tintas para o que resta de paisagem natural em Portugal. Quase que posso jurar que, nas conversas de gabinete que ninguém escrutina, e que acompanham a privatização, a nossa "flexibilidade" (uma palavra dos tempos de hoje) para acomodar o pacote de barragens está a ser valorizada para subir o preço da empresa. Entre elas está o vale do Tua.

Por isso, combater a barragem que destruirá o vale do Tua transformou-se numa luta de último recurso, uma última oportunidade para termos outra paisagem que não seja eucaliptal, albufeiras artificiais, praias sobrelotadas, montanhas esventradas por pedreiras, na maioria dos casos ilegais, mas a trabalhar diante dos olhos de todos há décadas, num Portugal já demasiado estragado.

Estamos pois numa última fronteira, se é que não a ultrapassámos já.

(Versão do Público de 10 de Dezembro de 2011.)

José Pacheco Pereira, in Público e Abrupto - 11 de Dezembro de 2011



Sábado, 10 de Dezembro de 2011

Assembleia da República - Barragem de Foz-Tua: "A única acção responsável é parar a barragem já!" (Catarina Martins - BE)

Assembleia da República - Barragem de Foz-Tua
"A única acção responsável é parar a barragem já!" (Catarina Martins - BE)




No debate de actualidade ocorrido na Reunião Plenária da Assembleia da República (9/12/2011) sobre a ameaça à classificação do alto Douro Vinhateiro como Património da Humanidade em consequência da construção da Barragem de Foz-Tua, a deputada do Bloco de Esquerda Catarina Martins interveio exigindo que não se permita avançar com obra pelo "grande negócio para EDP".


Catarina Martins (Bloco de Esquerda - BE), in Assembleia da República - 9 de Dezembro de 2011

Douro/Património - deputados do PSD e PS por Bragança: Governo tem de compatibilizar barragem e classificação





Douro/Património - deputados PSD e PS por Bragança
Governo tem de compatibilizar barragem e classificação


Deputados eleitos por Bragança do PS e do PSD manifestaram hoje a sua oposição à possibilidade de parar a barragem de Foz Tua, defendendo que "o Governo tem de compatibilizar" a obra com o Douro Vinhateiro.

O deputado do PSD Adão Silva considerou, em declarações à Lusa "inaceitável que possa repetir-se o "dejá vu" do Côa", numa referência à solução defendida pelos opositores da barragem.

"É inaceitável a Unesco retirar a classificação ao Douro Vinhateiro Património da Humanidade, mas também é inaceitável que se pare a barragem", defendeu.

Agência Lusa, in Sapo Notícias - 9 de Dezembro de 2011

Barragem Tua: Disputa entre municípios atrasa agência de desenvolvimento






Barragem Tua
Disputa entre municípios atrasa agência de desenvolvimento

A disputa entre municípios e o ICNB pelo fundo financeiro oferecido pela EDP está a repetir-se na barragem de Foz Tua e a atrasar o início de funções da agência de desenvolvimento regional, de acordo com fonte da elétrica nacional.

O mesmo impasse já tinha ocorrido com a barragem do Sabor e o ministério do Ambiente acabou por recuar na decisão de entregar a gestão do fundo ao Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade e entregar aos municípios a decisão sobre onde aplicar as verbas em parceria com aquele organismo.

As duas barragens, em construção no Nordeste Transmontano, são as primeiras a contemplarem como medida de compensação um fundo financeiro correspondente a três por cento da faturação líquida anual da produção de energia.

Diário Digital/Lusa, in Diário Digital - 8 de Dezembro de 2011