segunda-feira, 11 de novembro de 2019

IBERDROLA - BARRAGEM DE DAIVÕES: Governo admite intervir no realojamento de famílias afetadas no Alto Tâmega






IBERDROLA - BARRAGEM DE DAIVÕES

Governo admite intervir no realojamento de famílias afetadas no Alto Tâmega



O ministro do Ambiente admitiu hoje intervir no caso do realojamento das famílias de Ribeira de Pena, Vila Real, afetadas pela construção da barragem do Alto Tâmega se até ao final da próxima semana o processo não estiver fechado.

“Já tive oportunidade hoje de manhã de falar com o presidente da Câmara de Ribeira de Pena [João Noronha], que deixou claro que não faz falta nenhuma, neste momento, a intervenção do ministro, mas se no final da próxima semana [o processo] não estiver ainda fechado, no âmbito da Agência Portuguesa do Ambiente [APA], com certeza que não ponho de fora” essa possibilidade, afirmou o ministro do Ambiente e Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, no Porto.

Na semana passada, o presidente da Câmara de Ribeira de Pena, João Noronha, admitiu à Lusa ter de tomar medidas caso a Iberdrola, empresa responsável pelo projeto que integra o Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET), não resolvesse "com dignidade e atempadamente" o realojamento das pessoas do concelho afetadas pela barragem do Alto Tâmega.

Questionado à margem da sua intervenção no evento Business2sea, a decorrer na Alfândega do Porto, o ministro admitiu vir a intervir neste processo porque essa “barragem é mesmo importante para que o país se descarbonize”.

A barragem “tem de ser um projeto exemplar e um projeto que trate bem todos quantos vão ser compensados, mas objetivamente prejudicados de forma direta com a sua construção”, acrescentou.

Segundo Matos Fernandes, a construção da cascata para as barragens é fundamental para a descarbonização do país. O ministro lembrou inclusive que o primeiro-ministro anunciou essa informação “no seu discurso de posse”.

“Nós queremos fechar Sines em 2023 e uma das duas condições prévias para encerrar a central termoelétrica de Sines é a construção, no sentido da entrada em funcionamento, de produção de eletricidade da cascata do Tâmega” e, por isso, “o Governo está empenhadíssimo em que isso aconteça”, frisou.

Matos Fernandes observou, todavia, que não tem “nenhuma razão para achar que a Iberdrola não esteja a cumprir aquilo que são as suas obrigações que resultam da declaração de impacto ambiental”.

“Mas ao mesmo tempo que digo isto, digo que estes são projetos de grande dimensão e em que obviamente terá que ser pedido à própria Ibredrola, no âmbito da responsabilidade social que tem, e que terá, possa ir mais além das suas próprias obrigações”, concluiu.

Para o próximo dia 18 de novembro está agendada em Ribeira de Pena uma reunião entre o município, a Iberdrola, a APA e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN).

Parte dos habitantes de Ribeira de Pena terão de deixar a sua habitação devido à construção da barragem do Alto Tâmega.

A Iberdrola preparou naquela localidade do distrito de Vila Real contentores para servirem de habitação provisória às famílias.

Segundo dados da autarquia de Ribeira de Pena, dos 49 casos de famílias que terão de ser realojadas no concelho, seis encontram-se resolvidos, 19 estão em tribunal e 24 em negociação.

O autarca João Noronha acrescentou à Lusa que os 70 ou 80 mil euros que a maioria das pessoas estão a receber pelas suas casas não são suficientes para fazer uma nova com as mesmas condições no concelho.
Em comunicado enviado à Lusa, a Iberdrola salientou que tem procurado estabelecer sempre “um acordo amigável com os proprietários”.
“Os acordos amigáveis representam mais de 75% do total. Do restante, apenas 1,5% corresponde a casos de não aceitação da indemnização proposta e os demais estão relacionados com problemas de registo predial e de titularidade de heranças indivisas”, explicou a empresa.
MadreMedia / Lusa, in Sapo24 - 11 de Novembro de 2019

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

IBERDROLA - BARRAGEM DE DAIVÕES: Têm de sair de casa devido a construção de barragem mas só saem obrigados









IBERDROLA - BARRAGEM DE DAIVÕES

Têm de sair de casa devido a construção de barragem mas só saem obrigados

Habitantes de Ribeira de Pena deviam ter deixado as suas casas a 4 de novembro, mas prazo foi adiado para janeiro


 (Clicar sobre a imagem para ver a reportagem)
Parte dos habitantes de Ribeira de Pena afetados pela construção da barragem do Alto Tâmega continuam nas suas casas apesar do final do prazo para deixarem a habitação e garantem manter-se até serem obrigados a sair.
"Disseram-nos que tínhamos de sair até dia 4 de novembro, mas agora pelos vistos vamos poder passar na nossa casa o Natal e a passagem de ano”, adiantou à Lusa Maria da Glória Gonçalves, uma das moradoras de Ribeira de Baixo, no concelho de Ribeira de Pena, que terão de deixar a sua habitação devido à construção da barragem do Alto Tâmega.
A empresa responsável pelo projeto que integra o Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET), a Iberdrola, preparou na localidade do distrito de Vila Real contentores para servirem de habitação provisória às famílias, mas estes ainda não estão a ser utilizados.
Segundo dados da autarquia de Ribeira de Pena, dos 49 casos de famílias que terão de ser realojadas no concelho, seis encontram-se resolvidos, 19 estão em tribunal e 24 em negociação.
Para Glória Gonçalves, que vive em Ribeira de Baixo com o seu marido há 40 anos, o valor da indemnização atribuído é insuficiente para construir uma nova casa.
"Nunca emigramos e com o dinheiro que ganhamos na lavoura criamos quatro filhos e construímos esta casa, com muito sacrifício”, conta.
Sem esconder a emoção com o aproximar da data para libertar a casa, Glória Gonçalves, de 69 anos, garante que apenas sairá quando for necessário, mas que não tem alternativa no momento.
"Com o dinheiro que nos deram não podemos construir uma nova casa como esta, com quatro quartos”, refere.
A assinalar 53 anos de casada com Eurico Fernandes, Glória Gonçalves lamenta ter de abandonar a localidade onde sempre viveu, depois de ter já visto vários vizinhos deixarem a terra depois de terem assinado os acordos.
Numa das casas já desocupada ficou mesmo escrita uma frase de despedida na parede: “adeus Ribeira de Baixo, ficará sempre no meu coração”.
Não muito distante e também em Ribeira de Baixo, Ana Maria Gonçalves continua a viver na sua casa de uma vida apesar da carta recebida para deixar a sua habitação.
"Não me deram dinheiro praticamente nenhum e por isso não saio daqui, pois não pagaram o suficiente para poder fazer outra”, atirou.
Com 83 anos, e a viver com o marido há 53 anos naquela casa, confessa sentir-se “muito triste” perante a necessidade de deixar a sua localidade.
"Trabalhamos muito para a ter, compramos o terreno e fizemos a casa com seis quartos, pois tivemos seis filhos”, explica.
Com os filhos emigrados em França, Ana Maria Gonçalves recusa-se mudar para os contentores provisórios por estes não terem “dignidade para lá viver”.
Para o presidente da Câmara de Ribeira de Pena, João Noronha, a maior preocupação é com o “realojamento das pessoas que vão ficar sem a sua habitação”, acusando a Iberdrola de demora na resolução do processo.
"Todas estas casas foram feitas pelas pessoas, com as suas poupanças, quer após trabalharem em Portugal, quer emigrados. Agora vêm-se confrontados com a necessidade de sair de casa e sem alternativa”, vincou.
Segundo o autarca, nada foi feito para que as pessoas pudessem sair das suas casas e irem para outra pronta a substituir, o que levou a população a pedir ajuda ao município.
"A Iberdrola há nove ou 10 anos que sabia que a determinada altura as pessoas tinham de sair de casa e nada foi feito. A câmara vê-se obrigada a tomar isso a peito, porque as pessoas já têm alguma idade e não têm forças para começar a construir uma casa”, lembrou.
João Noronha acrescentou ainda que os 70 ou 80 mil euros que a maioria das pessoas estão a receber pelas suas casas não são suficientes para fazer uma nova com as mesmas condições no concelho.
Em comunicado enviado à Lusa, a Iberdrola salientou que tem procurado estabelecer sempre “um acordo amigável com os proprietários”.
"Os acordos amigáveis representam mais de 75% do total. Do restante, apenas 1,5% corresponde a casos de não aceitação da indemnização proposta e os demais estão relacionados com problemas de registo predial e de titularidade de heranças indivisas”, explicou.
Sobre as habitações temporárias, a empresa espanhola manifestou-se “solidária com o desconforto que esta mudança de lar possa causar” e lembrou que realizou um estudo detalhado, caso a caso, desde o segundo semestre de 2017".
"O objetivo primordial deste estudo foi dispor de todas as informações importantes para a agilização de um processo de realojamento adequado e justo para todos os casos. Uma vez compilada toda a informação, a Iberdrola está a articular, com as autoridades competentes, medidas de compensação adicionais ao processo de expropriação, que favoreçam o realojamento das famílias, com base na medida 29 do Plano de Ação Socioeconómico da Declaração de Impacte Ambiental (DIA). Entre outras ações, e para aquele número reduzido de casos nos quais essas medidas foram necessárias, a Iberdrola disponibilizou alternativas temporárias de habitação”, vincou.
in TVI24 - 7 de Novembro de 2019 

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

ALTO TÂMEGA - BARRAGENS: A permanente leveza da incredulidade







ALTO TÂMEGA - BARRAGENS

A permanente leveza da incredulidade


Se há domínio onde a estrutura governamental apresenta garantia de potencial elevado para intervenção, o território é seguramente um deles. Impressiona o número de membros do Governo que podem ter influência nas decisões, no mínimo de sete a partir de uma contagem prudente. 

Sejam o ministro e secretário de Estado do Planeamento, o secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território, a ministra da Coesão Territorial e secretário de Estado Adjunto, a secretária de Estado da Valorização do Interior ou o da Agricultura e do Desenvolvimento Rural. Mas, como quem estudou física bem sabe, a capacidade de gerar trabalho, medido pela energia cinética, está dependente de dois fatores: da massa e da velocidade do corpo em movimento. 

O caso das famílias que terão que abandonar as suas casas, deslocando-se para contentores metálicos num parque de estacionamento, devido à construção de uma das barragens do Alto Tâmega, mostra que a inércia da enorme massa governamental pode afinal limitar uma velocidade aceitável na resolução de problemas. Sem pôr em causa o interesse público da barragem, parece óbvio que o problema da demolição de um conjunto de casas e a deslocação das famílias que nelas habitam deveria ter sido tratado com um cuidado bem distinto da simples aplicação do enquadramento legislativo padrão. Caso contrário, para que precisamos então de tantos e variados governantes para o tratamento e valorização do território?
No mínimo, parece razoável que a cada uma destas humildes famílias, de um modesto meio rural, tivesse sido garantido o direito de opção entre uma nova habitação em condições equivalentes, desejavelmente superiores, ou uma indemnização financeira a acordar com a multinacional concessionária. 

E foi triste ver na televisão o presidente da Câmara a tentar uma solução tardia, através da oferta de um terreno passível de urbanizar, mas que aparentemente poderá não ser aceite.

Continuo incrédulo com a leveza de algumas decisões. Até porque é possível fazer bem melhor. 

 (Prof. catedrático, vice-reitor da UTAD) - in Jornal de Notícias - 6 de Novembro de 2019

RIO TÂMEGA - BARRAGEM DE DAIVÕES: "Adeus, Ribeira de Baixo. Ficará sempre no meu coração". Afetados pela barragem em Ribeira de Pena ficam nas suas casas até serem obrigados a sair






RIO TÂMEGA - BARRAGEM DE DAIVÕES

"Adeus, Ribeira de Baixo. Ficará sempre no meu coração". Afetados pela barragem em Ribeira de Pena ficam nas suas casas até serem obrigados a sair


Zonas que ficarão alagadas devido à barragem do Alto Tâmega, em Ribeira de Pena, 5 de novembro de 2019. Parte dos habitantes de Ribeira de Pena afetados pela construção da barragem do Alto Tâmega continuam nas suas casas apesar do final do prazo para deixarem a habitação e garantem manter-se até serem obrigados a sair.  Pedro Sarmento Costa | Agência Lusa

Parte dos habitantes de Ribeira de Pena afetados pela construção da barragem do Alto Tâmega continuam nas suas casas apesar do final do prazo para deixarem a habitação e garantem manter-se até serem obrigados a sair. 

“Disseram-nos que tínhamos de sair até dia 4 de novembro, mas agora pelos vistos vamos poder passar na nossa casa o Natal e a passagem de ano”, adiantou hoje à Lusa Maria da Glória Gonçalves, uma das moradoras de Ribeira de Baixo, no concelho de Ribeira de Pena, que terão de deixar a sua habitação devido à construção da barragem do Alto Tâmega.


A empresa responsável pelo projeto que integra o Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET), a Iberdrola, preparou na localidade do distrito de Vila Real contentores para servirem de habitação provisória às famílias, mas estes ainda não estão a ser utilizados.


Segundo dados da autarquia de Ribeira de Pena, dos 49 casos de famílias que terão de ser realojadas no concelho, seis encontram-se resolvidos, 19 estão em tribunal e 24 em negociação.

Para Glória Gonçalves, que vive em Ribeira de Baixo com o seu marido há 40 anos, o valor da indemnização atribuído é insuficiente para construir uma nova casa.

“Nunca emigramos e com o dinheiro que ganhamos na lavoura criamos quatro filhos e construímos esta casa, com muito sacrifício”, conta. 


Sem esconder a emoção com o aproximar da data para libertar a casa, Glória Gonçalves, de 69 anos, garante que apenas sairá quando for necessário, mas que não tem alternativa no momento.

“Com o dinheiro que nos deram não podemos construir uma nova casa como esta, com quatro quartos”, refere.

A assinalar 53 anos de casada com Eurico Fernandes, Glória Gonçalves lamenta ter de abandonar a localidade onde sempre viveu, depois de ter já visto vários vizinhos deixarem a terra depois de terem assinado os acordos. 

Numa das casas já desocupada ficou mesmo escrita uma frase de despedida na parede: “adeus Ribeira de Baixo, ficará sempre no meu coração”.

Não muito distante e também em Ribeira de Baixo, Ana Maria Gonçalves continua a viver na sua casa de uma vida apesar da carta recebida para deixar a sua habitação.

“Não me deram dinheiro praticamente nenhum e por isso não saio daqui, pois não pagaram o suficiente para poder fazer outra”, atirou.

Com 83 anos, e a viver com o marido há 53 anos naquela casa, confessa sentir-se “muito triste” perante a necessidade de deixar a sua localidade.

“Trabalhamos muito para a ter, compramos o terreno e fizemos a casa com seis quartos, pois tivemos seis filhos”, explica. 

Com os filhos emigrados em França, Ana Maria Gonçalves recusa-se mudar para os contentores provisórios por estes não terem “dignidade para lá viver”.

Para o presidente da Câmara de Ribeira de Pena, João Noronha, a maior preocupação é com o “realojamento das pessoas que vão ficar sem a sua habitação”, acusando a Iberdrola de demora na resolução do processo.


“Todas estas casas foram feitas pelas pessoas, com as suas poupanças, quer após trabalharem em Portugal, quer emigrados. Agora vêm-se confrontados com a necessidade de sair de casa e sem alternativa”, vincou.

Segundo o autarca, nada foi feito para que as pessoas pudessem sair das suas casas e irem para outra pronta a substituir, o que levou a população a pedir ajuda ao município.

“A Iberdrola há nove ou 10 anos que sabia que a determinada altura as pessoas tinham de sair de casa e nada foi feito. A câmara vê-se obrigada a tomar isso a peito, porque as pessoas já têm alguma idade e não têm forças para começar a construir uma casa”, lembrou.


João Noronha acrescentou ainda que os 70 ou 80 mil euros que a maioria das pessoas estão a receber pelas suas casas não são suficientes para fazer uma nova com as mesmas condições no concelho.

Em comunicado enviado à Lusa, a Iberdrola salientou que tem procurado estabelecer sempre “um acordo amigável com os proprietários”.


“Os acordos amigáveis representam mais de 75% do total. Do restante, apenas 1,5% corresponde a casos de não aceitação da indemnização proposta e os demais estão relacionados com problemas de registo predial e de titularidade de heranças indivisas”, explicou.

Sobre as habitações temporárias, a empresa espanhola manifestou-se “solidária com o desconforto que esta mudança de lar possa causar” e lembrou que realizou um estudo detalhado, caso a caso, desde o segundo semestre de 2017".

“O objetivo primordial deste estudo foi dispor de todas as informações importantes para a agilização de um processo de realojamento adequado e justo para todos os casos. 


Uma vez compilada toda a informação, a Iberdrola está a articular, com as autoridades competentes, medidas de compensação adicionais ao processo de expropriação, que favoreçam o realojamento das famílias, com base na medida 29 do Plano de Ação Socioeconómico da Declaração de Impacte Ambiental (DIA). 

Entre outras ações, e para aquele número reduzido de casos nos quais essas medidas foram necessárias, a Iberdrola disponibilizou alternativas temporárias de habitação”, vincou.

Diogo Caldas (Agência Lusa) in Sapo24 - 6 de Novembro de 2019

terça-feira, 5 de novembro de 2019

IBERDROLA - BARRAGEM DE DAIVÕES: Ribeira de Pena admite tomar medidas se Iberdrola falhar em realojar população







IBERDROLA - BARRAGEM DE DAIVÕES

Ribeira de Pena admite tomar medidas se Iberdrola falhar em realojar população

Obra do Sistema Eletroprodutor do Tâmega, em Ribeira de Pena
Foto: Miguel Pereira/Global Imagens

O presidente da câmara de Ribeira de Pena, João Noronha, disse esta terça-feira que admite tomar medidas caso a Iberdrola não resolva "com dignidade e atempadamente" o realojamento das pessoas do concelho afetadas pela barragem do Alto Tâmega.

"A Iberdrola não precisa da câmara para nada e temos alguma dificuldade em controlar o que eles fazem ou deixam de fazer, mas temos ao nosso alcance, se for necessário, medidas que podem dificultar os próprios trabalhos deles", destacou à Lusa o autarca do município do distrito de Vila Real. 

Para João Noronha, todo o processo de realojamento da população afetada pela construção da barragem do Alto Tâmega deveria ser "mais claro" e refere que tem faltado "sensibilidade para com as pessoas de Ribeira de Pena". 

"A verdade é que as pessoas têm sido maltratadas, não estão a ser respeitadas nos seus direitos e o município não pode deixar passar o problema ao lado", atirou. 

Segundo dados da autarquia de Ribeira de Pena, dos 49 casos de famílias que terão de ser realojadas no concelho seis encontram-se resolvidos, 19 estão em tribunal e 24 em negociação. 

Considerando que está a haver "um empurrar do problema com a barriga", o autarca alerta que a resolução pode não ser pacífica.

"Segundo a Iberdrola, vão começar a encher a barragem de Daivões a partir de junho ou julho de 2020 e as pessoas vão ficar afogadas? Não sei como se atrevem a tirar as pessoas dali para fora e tenho dúvidas que possa acontecer", atirou.

Perante a necessidade de realojar famílias, a autarquia colocou à disposição da Iberdrola, sem custos, um terreno no "coração da vila" com capacidade para um loteamento de 24 casas.

A condição do município transmontano é que a empresa elétrica espanhola pague as infraestruturas e o diferencial que falte às famílias para a construção das casas.

O autarca socialista explicou ainda que a Iberdrola tem, na concessão que recebeu do Estado, verbas para precaver este tipo de situações.

À Lusa, a empresa espanhola explicou em comunicado que "mostrou-se sempre disponível para financiar aqueles lotes destinados às famílias afetadas".

Ainda sobre as indemnizações, o presidente da câmara João Noronha manifesta-se contra à atribuição de valores diferentes a habitantes no concelho e a emigrantes, pois recusa que haja "ribeirapenenses de primeira e de segunda".

Para dia 18 de novembro está agendada em Ribeira de Pena nova reunião entre o município, a Iberdrola, a Agência Portuguesa do Ambiente e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e o autarca espera respostas.

in Jornal de Notícias - 5 de Novembro de 2019

domingo, 3 de novembro de 2019

ENERGIA - BARRAGEM DE FRIDÃO: Lucros da EDP disparam mas Mexia lamenta ‘adversidades’












ENERGIA - BARRAGEM DE FRIDÃO
Lucros da EDP disparam mas Mexia lamenta ‘adversidades’


Elétrica foi obrigada a fazer provisão de 285 milhões relativa aos CMEC e de 87 milhões de euros para o projeto hídrico do Fridão. Estado chinês desinveste na empresa.

Os lucros da EDP dispararam 55% para os 460 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano. A empresa liderada por António Mexia explicou que este aumento se deveu à «forte contribuição da produção eólica e solar», mas aproveitou para chamar a atenção para o facto de continuar a ser penalizada por eventos extraordinários em Portugal, nomeadamente a provisão de 285 milhões de euros relativa aos custos de manutenção do equilíbrio contratual (CMEC) e a provisão de 87 milhões de euros para o projeto hídrico de Fridão.

Desta forma, as operações convencionais em Portugal (distribuição de eletricidade, produção hídrica e térmica e comercialização de energia) registaram um prejuízo líquido de 33 milhões de euros nos primeiros nove meses (face ao prejuízo de 25 milhões de euros no período homólogo de 2018), «penalizadas pela manutenção de um contexto regulatório e fiscal adverso».

A penalizar o indicador esteve também «o volume de produção de energia hídrica anormalmente reduzido» em 2019. A EDP disse ainda que, excluindo efeitos não recorrentes, o resultado líquido subiu 7% em termos homólogos, para os 585 milhões de euros, uma vez que «a estratégia de asset rotation e o crescimento nas redes no Brasil mais do que mitigaram a fraca hidraulicidade e o aumento dos custos financeiros» nestes primeiros nove meses.

Entre os eventos não recorrentes que pesaram nos resultados está a contribuição extraordinária sobre o setor energético – um braço-de-ferro com o Estado que levou a EDP a avançar com processos judiciais, alegando que a taxa, quando foi criada, em 2013, tinha um caráter temporário, mas acabou por persistir no tempo –, ­ assim como a provisão relativa a Fridão.

Recorde-se que a EDP desistiu de construir a barragem de Fridão, mas exigiu receber 218 milhões de euros, um valor que foi pago em janeiro de 2009 pela empresa ao Estado como contrapartida financeira pela exploração da barragem por 75 anos. Face a esta desistência, a elétrica considerou que esse montante tem de lhe ser restituído – um argumento que não convence o Governo.

A somar a isto há que contar com a provisão relativa aos aspetos inovatórios dos CMEC, bem como a diferença entre o ajustamento final dos CMEC reconhecido em dezembro de 2017 e o aprovado pelo Governo em maio de 2018.

Esta situação levou a elétrica portuguesa a admitir, no ano passado, que iria contestar nos tribunais internacionais o pagamento de 285 milhões de euros por alegada sobrecompensação no cálculo da disponibilidade das centrais que operavam em regime CMEC.

Esta decisão surgiu depois de o Governo ter validado a proposta da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) sobre o valor a pagar à EDP pelos CMEC até 2027: 154,1 milhões de euros, menos 102 milhões de euros que o valor reclamado por EDP e REN (256,5 milhões de euros). A este valor soma-se ainda uma parcela fixa total de 675 milhões de euros.

Entre janeiro e setembro, o EBITDA (resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) da elétrica totalizou 2661 milhões de euros, o equivalente a uma subida homóloga de 10%, beneficiando «do forte crescimento no segmento das energias renováveis».

No final do terceiro trimestre, a dívida líquida da EDP situava-se nos 13,8 mil milhões de euros, traduzindo um acréscimo de 2% em relação ao valor registado em dezembro de 2018 e uma redução de 5% face ao mesmo trimestre de 2018.

O certo é que a empresa liderada por António Mexia continua ainda a braços com a coima de 48 milhões de euros aplicada pela Autoridade da Concorrência (AdC) ao acusar a EDP de posição dominante entre 2009 e 2013, o que terá custado aos contribuintes 140 milhões de euros.

A empresa recorreu, garantindo que as imputações da AdC «carecem de sustentação factual, jurídica e económica, a que acresce a circunstância de, ao longo do processo em causa, a AdC ter largamente ancorado as suas conclusões de forma superficial em elementos que as contradizem ou que não as permitem sustentar».

A empresa foi mais longe ao afirmar que «o próprio auditor contratado pelo Estado confirma que a EDP Produção atuou de acordo com o quadro jurídico em vigor e os incentivos que deste resultam» e, face a esse cenário, a «EDP e a EDP Produção reafirmam que cumpriram sempre o enquadramento legal e contratual existente e as regras de concorrência».

Chineses desinvestem

Cerca de cinco meses depois de ser conhecido o desfecho da oferta pública de aquisição (OPA) por parte da China Three Gorges foi revelado o desinvestimento do Estado chinês na EDP. A CNIC Co. passou a deter 1,8898% do capital social e direitos de voto da EDP, ou seja, baixou do patamar mínimo de 2% das participações qualificadas.

Segundo a EDP, a CNIC vendeu um total de 4,761 milhões de ações da empresa liderada por António Mexia, passando a deter atualmente 69,100 milhões de ações.

Lucro da EDPR triplica

Também a empresa liderada por Manso Neto apresentou resultados e fechou os primeiros nove meses do ano com um resultado líquido de 342 milhões de euros, mais 197% do que os 115 milhões registados em igual período do ano passado.

A contribuir para este desempenho estiveram as receitas, que cresceram 10% para 1,36 mil milhões, com a empresa a dizer que esta melhoria está relacionada com vários fatores: «Maior capacidade; maior preço médio de venda; impacto cambial; maior recurso eólico; e o termo esperado dos PTC de dez anos de certas estruturas de tax equity».

Também a puxar por estes resultados esteve a venda de ativos, permitindo um encaixe de 226 milhões de euros para as contas da EDP Renováveis, cuja dívida caiu 0,1% para 3,06 mil milhões de euros.

Sónia Peres Pinto, in Sol - 3 de Novembro de 2019

sábado, 2 de novembro de 2019

RIO TÂMEGA - RIBEIRA DE PENA: Barragem de Daivões deixa meia centena de famílias em contentores





RIO TÂMEGA - RIBEIRA DE PENA

Barragem de Daivões deixa meia centena de famílias em contentores


(Clicar sobre a imagem para ver a reportagem)

Quarenta e nove famílias de Ribeira de Pena vão ser obrigadas a sair de casa devido à construção da barragem de Daivões e vão ser deslocadas provisoriamente para contentores. 

Segundo a autarquia, há apenas seis casos resolvidos com a Iberdrola, outros 19 chegaram a tribunal e outros 24 estão ainda numa situação de impasse. 

Os moradores queixam-se que o valor das indemnizações é insuficiente para construir novas habitações. 

A elétrica alega que está a agir dentro da legalidade.

in RTP Notícias - 2 de Novembro de 2019

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

ENERGIA - BARRAGEM DE FRIDÃO: Lucros da EDP sobem 55% para 460 milhões no terceiro trimestre









ENERGIA - BARRAGEM DE FRIDÃO

Lucros da EDP sobem 55% para 460 milhões no terceiro trimestre

O ministro do Ambiente, Matos Fernandes, e o presidente da EDP, António Mexia LUSA/MIGUEL A. LOPES

Empresa diz que ganhos foram afectados por vários dossiers em que tem diferendos com o Governo, como a barragem de Fridão e os cortes aos pagamentos relacionados com os contratos CMEC.

A EDP registou lucros de 460 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2019, o que traduz um aumento de 55% face ao resultado líquido obtido no mesmo período de 2018, divulgou hoje a empresa presidida por António Mexia.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de valores Mobiliários (CMVM), a EDP assinala que excluindo efeitos não recorrentes, o resultado líquido subiu 7% em termos homólogos, para os 585 milhões de euros, uma vez que “a estratégia de asset rotation [rotação de activos] e o crescimento nas redes no Brasil mais do que mitigaram a fraca hidraulicidade e o aumento dos custos financeiros” nestes primeiros nove meses de 2019.

Entre os eventos não recorrentes que pesaram nos resultados estão a contribuição extraordinária sobre o sector energético (-65 milhões de euros), a provisão relativa a Fridão (-59 milhões de euros), a contribuição extraordinária sobre o sector energético (-66 milhões de euros), e a provisão “relativa os aspectos inovatórios dos [contratos] CMEC”. 

Inclui-se ainda a diferença entre o ajustamento final dos CMEC (custos para a manutenção do equilíbrio contratual) reconhecido em Dezembro de 2017 e o aprovado pelo Governo em Maio de 2018.

Lusa, in Público - 30 de Outubro de 2019