quinta-feira, 29 de novembro de 2018

BARRAGENS - ALTO TÂMEGA: Iberdrola compensa Cabeceiras de Basto por efeitos negativos da construção das barragens







BARRAGENS - ALTO TÂMEGA
Iberdrola compensa Cabeceiras de Basto por efeitos negativos da construção das barragens

Protocolos foram assinados esta quinta-feira | Foto: Carlos Rui Abreu/JN

O Município de Cabeceiras de Basto e a Iberdrola, empresa responsável pela construção do Sistema Electroprodutor do Tâmega, que incluiu três barragens, assinaram, esta quinta-feira, dois protocolos que visam intervenções diretas no território, para minimizar os impactos negativos dessas construções.
 
Cabeceiras de Basto será atingida pela construção da Barragem de Daivões, sendo que estes dois protocolos existem no âmbito da fauna e da flora e da proteção civil. "Fazer a manutenção da floresta, plantar árvores autóctones, sobreiros, melhorar o habitat das ribeiras, uma série de atuações no terreno", explicou, ao JN, Sara Hoya, responsável do ambiente no megaprojeto das barragens. Ações que vão em breve para o terreno financiadas pela elétrica espanhola e executadas pelo município, em parceria com o Instituto de Conservação da Natureza. Um protocolo similar já foi assinado em Boticas e, em 2019, vão para o papel os acordos com Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar e Chaves.
 
Já na área da Proteção Civil, a aposta é no reforço de meios nas corporações de bombeiros da área de construção das barragens. "É uma relação boa para todas as partes porque para nós é muito bom ter corporações de bombeiros fortes na região para intervir em caso de acidente", disse José Maria Otero, responsável de projeto da Iberdrola.
 
Durante quatro anos, a empresa espanhola irá transferir para os bombeiros, via municípios, 30 mil euros/ano para cada uma das corporações de Cabeceiras de Basto, Vila Pouca de Aguiar e Ribeira de Pena, num total de 330 mil euros.
 
Para Francisco Alves, autarca cabeceirense, estas ações são benéficas para o concelho. "Fomos fustigados pelos incêndios e vamos reflorestar essas áreas com árvores autóctones. A Iberdrola está a cumprir uma obrigação e é importante minimizar os impactos negativos que uma construção deste nível acarreta. O concelho sai a ganhar em todos os aspetos", afiançou.
 
Carlos Rui Abreu, in Jornal de Notícias - 29 de Novembro de 2019

ALTO TÂMEGA - BARRAGENS: Iberdrola apoia bombeiros que intervêm nas barragens do Alto Tâmega





ALTO TÂMEGA - BARRAGENS
Iberdrola apoia bombeiros que intervêm nas barragens do Alto Tâmega

A empresa Iberdrola vai apoiar financeiramente os bombeiros de Cabeceiras de Basto, Ribeira de Pena e Vila Pouca de Aguiar, que estão na primeira linha de atuação, em caso de emergência, nas três barragens do Alto Tâmega.

Os apoios são concedidos no âmbito das medidas de compensação pela construção das barragens de Daivões, Gouvães e Alto Tâmega, no distrito de Vila Real.


José Maria Otero, da empresa espanhola, explicou que um desses protocolos se destina ao financiamento da corporação de bombeiros, ajudando na aquisição de equipamentos e também no apoio à Equipa de Intervenção Permanente (EIP) daquela corporação.        

Os outros dois protocolos neste âmbito, designadamente com Vila Pouca de Aguiar e Ribeira de Pena, serão assinados até ao final do ano.

José Maria Otero explicou que o objetivo é ajudar as autarquias a financiar as EIP ou ainda na aquisição de novos equipamentos, materiais ou formações, atribuindo cerca de 30 mil euros anuais, até ao final das obras, para cada concelho.

O outro protocolo com a Câmara de Cabeceiras de Basto engloba várias medidas de compensação nas áreas da flora e fauna requeridas pela Declaração de Impacte Ambiental do Sistema Eletroprodutor do Tâmega.

Entre essas medidas está, por exemplo, a plantação de carvalhos autóctones.

O Sistema Eletroprodutor do Tâmega é considerado um dos maiores projetos hidroelétricos realizados na Europa nos últimos 25 anos, prevê um investimento de 1.500 milhões de euros e deverá estar concluído em 2023.

Lusa, in Diário de Notícias - 29 de Novembro de 2018

terça-feira, 27 de novembro de 2018

PNBEPH - ALTO TÂMEGA: Boticas vai acolher Centro de Reprodução e Divulgação sobre o mexilhão-de-rio








PNBEPH - ALTO TÂMEGA
Boticas vai acolher Centro de Reprodução e Divulgação sobre o mexilhão-de-rio



A Câmara de Boticas e a Iberdrola, empresa responsável pelo projeto Electroprodutor do Tâmega, assinaram esta quinta-feira, dia 22 de novembro, no Boticas Parque – Natureza e Biodiversidade, um protocolo que visa a preservação e promoção da fauna e flora local.

Este protocolo, que decorre do quadro de medidas compensatórias atribuídas aos municípios pela construção das barragens, no âmbito do projeto Electroprodutor do Tâmega, tem duração de cinco anos e um investimento de 2,3 milhões de euros.

De entre as várias medidas previstas no plano destaca-se o Centro de Reprodução e Divulgação Científica e Ambiental sobre o mexilhão-de-rio (margaritífera margaritífera), instalado no Boticas Parque.

Este centro de reprodução, único na Península Ibérica, permite a preservação desta espécie ameaçada, que chegou até a ser dada como extinta em Portugal, mas que foi descoberta, em 2009, no rio Beça, fator que levou à suspensão da construção da Barragem de Padroselos (Covas do Barroso).

O plano de investimento pressupõe ainda o repovoamento dos rios Beça e Terva com trutas, nomeadamente fário, um elemento preponderante para a reprodução do mexilhão-de-rio, assim como a beneficiação do posto aquícola e do viveiro de trutas existentes no Boticas Parque, a reflorestação de uma vasta área florestal, entre outras ações de âmbito ecológico e ambiental.

O Presidente da Câmara, Fernando Queiroga, demonstrou-se satisfeito com a parceria entre as duas entidades.

“Com este investimento conseguimos dar mais um passo importante no que diz respeito à preservação, regeneração e valorização do nosso património natural. O centro de reprodução instalado no Boticas Parque é o único da Península Ibérica e isso deixa-me bastante feliz”, referiu Fernando Queiroga, que destacou ainda “que este projeto surge como mais um polo de atração para o Concelho”.

Por sua vez, Sara Hoya, responsável ambiental da Iberdrola, subnlinhou que “foi com grande gosto que a Iberdrola se associou, uma vez mais, à Câmara Municipal de Boticas na promoção da flora e fauna locais. Esta ligação entre as duas entidades, agora estreitada pela assinatura deste novo protocolo, vai com toda a certeza trazer um futuro mais verde para o concelho de Boticas, um dos que estão ligados ao Sistema Eletroprodutor do Tâmega. Este projeto, em construção até 2023, é uma grande aposta da Iberdrola na região norte”.

Para assinalar o momento, a Iberdrola levou a cabo uma iniciativa de reforço das populações de mexilhão-de-rio, no rio Beça, libertando centenas de trutas portadoras de milhares de gloquídios, indivíduos larvais microscópicos das Margaritíferas. “Este é, sem dúvida, um resultado positivo do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido no Centro de Reprodução e Divulgação Científica e Ambiental sobre o Mexilhão-de-Rio, instalado no Parque de Natureza e Biodiversidade de Boticas”, reforça a representante da Iberdrola.

in Notícias de Vila Real - 27 de Novembro de 2018

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

ALTO TÂMEGA - IBERDROLA: Boticas acolhe único centro reprodutor do mexilhão-de-rio da Península Ibérica





ALTO TÂMEGA - IBERDROLA
Boticas acolhe único centro reprodutor do mexilhão-de-rio da Península Ibérica

A Câmara de Boticas e a Iberdrola vão implementar um plano de promoção da fauna e flora, que envolve um investimento de 2,3 milhões de euros e 28 medidas, destacando-se o centro de reprodução do mexilhão-de-rio.

O presidente da Câmara de Boticas, Fernando Queiroga, afirmou hoje que o centro de reprodução do mexilhão-de-rio (margaritífera margaritífera) é o "único na Península Ibérica" e visa a preservação desta espécie que inviabilizou uma barragem.
  
Trata-se de uma espécie ameaçada que chegou a ser dada como extinta em Portugal no início do século XX, tendo sido redescoberta de uma forma fortuita em 2009, em Boticas.
O centro de reprodução deste bivalve não comestível, que se encontra protegido por uma diretiva comunitária, vai ficar instalado no Parque de Natureza e Biodiversidade de Boticas.

"Conseguiu travar uma barragem e ainda bem, porque tinha efeitos nefastos a nível ambiental na zona onde era para ser construída. Fruto desta intervenção e deste protocolo com a Iberdrola vamos fomentar, reativar e dispersar este mexilhão pelos nossos rios", salientou Fernando Queiroga.

O autarca salientou que este projeto representa "mais um polo de atração ao concelho".

O biólogo Joaquim Reis disse que o rio Beça "é um dos quatro rios em Portugal onde a espécie é considerada viável".

"É uma espécie com especial interesse e nós queremos auxiliar a sua recuperação a nível nacional e internacional", afirmou.

Em Boticas, explicou, vai ser feito um programa de reprodução em cativeiro deste bivalve que precisa de trutas para completar o seu ciclo de vida.
"Nós vamos facilitar o encontro do mexilhão com as trutas para que se possa completar o ciclo de vida", sublinhou.

O biólogo explicou que as trutas vão ser criadas no posto aquícola e na altura da reprodução do mexilhão vão ser infetadas com as suas larvas e libertadas para ajudar à dispersão natural do mexilhão nos rios Beça e Terva.

O projeto faz parte das 28 medidas previstas no protocolo fauna e flora assinado entre a Câmara de Boticas e a concessionária das barragens, a espanhola Iberdrola.

Fernando Queiroga explicou que o plano vai ser implementado ao longo de cinco anos, e representa um investimento de 2,3 milhões de euros.

Sara Hoya, da Iberdrola, referiu que este protocolo resulta das contrapartidas pela construção das barragens de Daivões, Gouvães e Alto Tâmega, no distrito de Vila Real.

As ações a implementar serão sugeridas anualmente pela câmara e financiadas pela Iberdrola e contemplam ações como a plantação de sobreiros, a revegetação de taludes ribeirinhos mediante técnicas de bioengenharia, repovoação com truta-de-rio ou a criação de charcas.

O Sistema Eletroprodutor do Tâmega é considerado um dos maiores projetos hidroelétricos realizados na Europa nos últimos 25 anos, prevê um investimento de 1.500 milhões de euros e deverá estar concluído em 2023.

Lusa, in Diário de Notícias - 23 de Novembro de 2018

É perigoso enfrentar um bode expiatório - Daniel Deusdado





É perigoso enfrentar um bode expiatório

O jornalista Fareed Zakaria dizia recentemente que a História não é um filme de Hollywood. O populismo da década de 20 e 30 desencadeou a II Guerra Mundial porque os cidadãos baixaram os braços perante causas maiores do seu tempo.
O território de Portugal é hoje uma causa maior. Ultrapassa a nossa idade, é o fio condutor da nossa história. Por essa razão bati-me - a par de muita gente de diferentes sensibilidades - contra a multiplicação das barragens no inóspito Portugal (ou seja, Trás-os-Montes). Barragens essas cujo valor estratégico, enquanto reserva de água, é pobre.

O custo-benefício daquela operação foi indiscutivelmente lesivo para o território. O vale do Sabor era um último reduto do paraíso do Douro Internacional. Hoje é um território selvaticamente humanizado. E na barragem do Tua a degradação é semelhante. Perdeu-se o comboio histórico, o carácter único do vale e ganhou-se um paredão sem sentido, amputando o rio. No rio Tâmega, a mesma coisa.          
 
Claro, há sempre a questão: não queremos energias renováveis? Sim. Mas a tecnologia "barragem de água" é tão agressiva para o ambiente que mais vale ampliar a capacidade de produção das que já existem do que fazer novas e matar os rios. Só que as antigas não geram novos encaixes para os governos nem negócios significativos para o sistema financeiro e construção civil.

Porque chegámos aqui? O caso da energia tem paralelo com a massiva campanha de comunicação que o poderoso lobby das celuloses pôs em prática. Depois de anos a conseguir expandir-se a alta velocidade, os últimos tempos têm sido agrestes. Algo está a correr mal. Muito mal. Não há apenas incêndios. Eles fazem vítimas - muitas. O clima mudou e o ordenamento do território passou a ser um assunto de todos.

(...)

Daniel Deusdado, in Diário de Notícias - 23 de Novembro de 2018

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

PNBEPH - ALTO TÂMEGA: Iberdrola iniciou desvio do rio Tâmega








PNBEPH - ALTO TÂMEGA
Iberdrola iniciou desvio do rio Tâmega


A Iberdrola anunciou o inicio do desvio do rio Tâmega, para a construção da barragem do Alto Tâmega, através de um túnel que entrou em funcionamento a dia 10 de outubro de 2018.

Os trabalhos de escavação, que tiveram inicio em maio de 2017, deram origem a um túnel, com um comprimento de 250 metros e um diâmetro de 7 metros, que irá funcionar até à finalização das obras e inicio do enchimento da albufeira do Alto Tâmega, que está prevista para o 2º semestre de 2021.

“Esta é uma fase fundamental do projeto, da qual dependem os avanços do trabalho da barragem e da central hidroelétrica em toda a zona do leito do rio”, declarou a empresa, em comunicado.

No final dos trabalhos, em 2021, a barragem terá uma altura de 106,5 metros e, ao lado da mesma, haverá uma central com uma potência total de 160 MW.

O Sistema Eletroprodutor do Tâmega consiste na construção de 3 barragens (Alto Tâmega, Daivões e Gouvães) e terá com uma potência instalada de 1.158 MW e uma produção anual estimada de 1.766 GWh.

in Notícias de Vila Real - 8 de Novembro de 2018

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

PNBEPH - ALTO TÂMEGA: Leito do rio Tâmega desviado para a construção da barragem de Alto Tâmega



PNBEPH - ALTO TÂMEGA
Leito do rio Tâmega desviado para a construção da barragem de Alto Tâmega


Desvio utiliza uma galeria de 250 metros escavada na rocha e revestida a betão

Esta etapa do projeto permitirá o avanço dos trabalhos da barragem e da central no leito do rio


A Iberdrola deu início ao desvio do rio Tâmega, na localidade de Parada de Monteiros, de acordo com o previsto no programa de construção do Aproveitamento Hidroelétrico do Alto Tâmega, um dos três aproveitamentos que constituem o Sistema Eletroprodutor do Tâmega.

Esta é uma fase fundamental do projeto, da qual dependem os avanços do trabalho da barragem e da central hidroelétrica em toda a zona do leito do rio. Esta empreitada de construção da barragem de Alto Tâmega está a ser levada a cabo pelo Agrupamento Complementar de Empresas Mota-Engil/Acciona/ Edivisa - Obras do Aproveitamento Hidroeléctrico de Alto Tâmega, A.C.E.

As escavações do túnel foram iniciadas em maio de 2017. Após a sua entrada em funcionamento no dia 10 de outubro de 2018, o túnel de desvio irá manter-se operativo até à finalização dos trabalhos de construção da barragem e início do enchimento da albufeira de Alto Tâmega, previsto para o segundo semestre de 2021.

O sistema de desvio é constituído por uma barragem “ensecadeira” de montante em betão com cerca de 18 metros de altura, que conduz a água para o túnel, um túnel que tem um comprimento de 250 metros e 7 metros de diâmetro, e, finalmente, uma barragem “ensecadeira” de jusante em aterro com cerca de 7,5 metros de altura, para fechar o trecho do rio que ficará disponível para os trabalhos de execução da barragem e da central.

Toda esta operação de logística de desvio do caudal do rio envolve uma rigorosa monitorização ambiental, bem como uma aplicação cuidada de medidas de minimização, levadas a cabo por uma equipa de biólogos das empresas Biosfera e Ecovisão.

A barragem de Alto Tâmega terá uma altura de 106,5 m, uma altura semelhante à do Santuário Nacional de Cristo Rei (Mafra), com uma central a pé da barragem com uma potência total de 160 MW.

O Sistema Eletroprodutor do Tâmega, um dos mais importantes projetos hidroelétricos levados a cabo na Europa nos últimos 25 anos, contempla a construção de três barragens – Alto Tâmega, Daivões e Gouvães – e contará com uma potência instalada de 1.158 MW e com uma capacidade estimada de produção anual de 1.766 GWh.


Com um investimento de mais de 1.500 milhões de euros, a construção do Sistema Eletroprodutor do Tâmega está a dinamizar a economia na região, principalmente nos municípios mais envolvidos no projeto como Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar, Cabeceiras de Basto, Chaves, Boticas, Valpaços e Montalegre.

in A Voz de Trás-os-Montes - 7 de Novembro de 2018

PNBEPH - ALTO TÂMEGA: Construção da barragem do Alto Tâmega implica um investimento de mais de 1.500 milhões de euros







PNBEPH - ALTO TÂMEGA
Construção da barragem do Alto Tâmega implica um investimento de mais de 1.500 milhões de euros


A Iberdrola deu início ao desvio do rio Tâmega, na localidade de Parada de Monteiros, no distrito de Vila Real, com vista à construção do Aproveitamento Hidroelétrico do Alto Tâmega, um dos três aproveitamentos que constituem o Sistema Electroprodutor do Tâmega.

Segundo uma fonte daquele grupo empresarial "esta é uma fase fundamental do projeto, da qual dependem os avanços do trabalho da barragem e da central hidroelétrica em toda a zona do leito do rio".

Com um investimento de mais de 1.500 milhões de euros, a construção do Sistema Electroprodutor do Tâmega está a dinamizar a economia na região, refere a mesma fonte, principalmente nos municípios mais envolvidos no projeto como Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar, Cabeceiras de Basto, Chaves, Boticas, Valpaços e Montalegre.

A barragem de Alto Tâmega terá uma altura de 106,5 m, uma altura semelhante à do Santuário Nacional de Cristo Rei (Almada), com uma central a pé da barragem com uma potência total de 160 MW.

Glória Lopes, in Mensageiro de Bragança - 7 de Novembro de 2018 

PNBEPH - ALTO TÂMEGA: Iberdrola inicia desvio do rio Tâmega para a construção da barragem de Alto Tâmega







PNBEPH - ALTO TÂMEGA
Iberdrola inicia desvio do rio Tâmega para a construção da barragem de Alto Tâmega

O desvio utiliza uma galeria de 250 metros escavada na rocha e revestida a betão, na margem esquerda do rio Tâmega, diz a eletrica. O maior complexo de barragens do país está a cargo da Iberdrola.



A Iberdrola deu início ao desvio do rio Tâmega, na localidade de Parada de Monteiros, de acordo com o previsto no programa de construção do Aproveitamento Hidroelétrico do Alto Tâmega, um dos três aproveitamentos que constituem o Sistema Eletroprodutor do Tâmega, anuncia em comunicado a empresas espanhola.

Segundo o comunicado, “o sistema de desvio é constituído por uma barragem “ensecadeira” de montante em betão com cerca de 18 metros de altura, que conduz a água para o túnel, um túnel que tem um comprimento de 250 metros e 7 metros de diâmetro, e, finalmente, uma barragem “ensecadeira” de jusante em aterro com cerca de 7,5 metros de altura, para fechar o trecho do rio que ficará disponível para os trabalhos de execução da barragem e da central”.
 
“Esta é uma fase fundamental do projeto, da qual dependem os avanços do trabalho da barragem e da central hidroelétrica em toda a zona do leito do rio”, revela a Iberdrola.

As escavações do túnel foram iniciadas em maio de 2017.

“Após a sua entrada em funcionamento no dia 10 de outubro de 2018, o túnel de desvio irá manter-se operativo até à finalização dos trabalhos de construção da barragem e início do enchimento da albufeira de Alto Tâmega, previsto para o segundo semestre de 2021”, assegura a empresa.

Esta empreitada de construção da barragem de Alto Tâmega está a ser levada a cabo pelo Agrupamento Complementar de Empresas Mota-Engil/Acciona/ Edivisa – Obras do Aproveitamento Hidroeléctrico de Alto Tâmega, A.C.E.

“Toda esta operação de logística de desvio do caudal do rio envolve uma rigorosa monitorização ambiental, bem como uma aplicação cuidada de medidas de minimização, levadas a cabo por uma equipa de biólogos das empresas Biosfera e Ecovisão”, revela a empresa. A barragem de Alto Tâmega terá uma altura de 106,5 metros, uma altura semelhante à do Santuário Nacional de Cristo Rei (Mafra), com uma central a pé da barragem com uma potência total de 160 MW.

Recorde-se que o sistema electroprodutor do Tâmega está a ser desenvolvido pela Iberdrola e deve começar a produzir energia daqui a três anos.  O investimento previsto é de 1.200 milhões de euros, centrando-se a maior parte do investimento no período 2018-2020.  Iberdrola

O complexo do Tâmega, que se situa em Trás-os-Montes é o maior projecto hidroeléctrico construído no país nos últimos anos e o maior na Europa em 25 anos. É o maior complexo de barragens e contempla a construção de três barragens – Alto Tâmega, Daivões e Gouvães – e contará com uma potência instalada de 1.158 MW e com uma capacidade estimada de produção anual de 1.766 GWh, ou seja, cerca de 4% do consumo elétrico do país.

“Com um investimento de mais de 1.500 milhões de euros, a construção do Sistema Eletroprodutor do Tâmega está a dinamizar a economia na região, principalmente nos municípios mais envolvidos no projeto como Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar, Cabeceiras de Basto, Chaves, Boticas, Valpaços e Montalegre”, adianta  Iberdrola.

, in Jornal Económico - 7 de Novembro de 2018

terça-feira, 30 de outubro de 2018

PNBEPH - IBERDROLA: Mondim de Basto reforça oposição à passagem de linha de muito alta tensão






PNBEPH - IBERDROLA
Mondim de Basto reforça oposição à passagem de linha de muito alta tensão

O município de Mondim de Basto mostrou-se hoje desfavorável à passagem pelo concelho da linha de muito alta tensão Carrapatelo - Vila Pouca de Aguiar devido aos "impactos irreversíveis" para o território e populações.

Para o município liderado pelo socialista Humberto Cerqueira, esta linha trará "impactes significativos e irreversíveis para o território e as suas populações".
"É neste contexto que, à semelhança das tomadas de posição anteriores, a autarquia irá manifestar [em consulta pública], uma vez mais, uma posição desfavorável ao atravessamento desta linha, como forma de salvaguardar os interesses e a qualidade de vida dos seus munícipes", salientou a autarquia em comunicado.

A câmara disse que, já em 2011 e 2013, apresentou, também em consulta pública, pareceres desfavoráveis à passagem desta linha no território de Mondim de Basto.
Encontra-se em consulta pública, até ao dia 08 de novembro, o Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE) da Linha de Muito Alta Tensão Carrapatelo - Vila Pouca de Aguiar a 220/400Kv.

No concelho de Mondim de Basto, no distrito de Vila Real, esta linha atravessará a União das Freguesias de Campanhó e Paradança, e as freguesias de S. Cristóvão de Mondim de Basto, Vilar de Ferreiros e Atei.

A concretização deste projeto é da responsabilidade da Rede Elétrica Nacional (REN) e tem como objetivo transportar a energia proveniente do conjunto de centrais de Gouvães, Daivões e Alto Tâmega, inserido no Plano Nacional de Barragens e que estão a ser construídas pela espanhola Iberdrola.

De acordo com o projeto de execução, o início da construção desta obra está previsto para julho de 2019 e a entrada em serviço em junho de 2020.

A linha atravessará ainda território dos concelhos de Cabeceiras de Basto, Amarante, Marco de Canaveses, Ribeira de Pena e Cinfães.

O projeto da linha Carrapatelo -- Vila Pouca de Aguiar foi alvo de dois estudos de impacto ambiental e, na sequência das declarações de impacto ambiental (DIA), foi desenvolvido o projeto de execução do troço de linha, cumprindo as condicionantes e medidas estabelecidas e demonstradas em sede de RECAPE.

Lusa, in Diário de Notícias - 30 de Outubro de 2018

sábado, 20 de outubro de 2018

RIO TÂMEGA - BARRAGEM DE FRIDÃO: Amarante: "Caravana Pelo Tâmega 2018" manifesta-se contra Barragem de Fridão







RIO TÂMEGA - BARRAGEM DE FRIDÃO
Amarante: "Caravana Pelo Tâmega 2018" manifesta-se contra Barragem de Fridão



A "Caravana Pelo Tâmega 2018" está de volta. Este domingo, dia 21 de Outubro, Amarante recebe várias actividades que servem de protesto contra a construção da barragem de Fridão.

O propósito da organização passa por "sensibilizar a população local para o grave problema que poderá cair sobre a cidade de Amarante, a construção da barragem de Fridão".

O dia será marcado pela simulação intitulada "E se a barragem colapsar".  A organização acredita que a barragem trás mais desvantagens do que vantagens. Uma delas é o facto de a mesma vir a estar construída "sobre uma falha sísmica e próxima da cidade de Amarante" o que poderá gerar uma onda que se alastrará até ao centro de Amarante, em caso de colapso da barragem.

Recorde-se que a construção da barragem se encontra suspensa até Abril de 2019 a fim de se reavaliar a necessidade energética da obra. O projecto foi lançado por José Sócrates e Manuel Pinho, em 2007.

Durante a iniciativa vai ser projectado o documentário intitulado "One for the River - The Vjosa Story". O documentário fala do rio Vjosa, um dos últimos selvagens da Europa que "estão em risco pela construção de 33 barragens de produção de energia hidroeléctrica". Embora não diga respeito à barragem de Fridão em concreto, o objectivo é fomentar a luta, "contra barragens pela protecção dos rios livres".

in A Verdade - 20 de Outubro de 2018

PNBEPH - BARRAGEM DE FRIDÃO: A oposição à barragem para Fridão faz-se em nome da segurança de Amarante









PNBEPH - BARRAGEM DE FRIDÃO
A oposição à barragem para Fridão faz-se em nome da segurança de Amarante

Iniciativa da associação GEOTA, marcada para este sábado, quer chamar a atenção para os riscos para a segurança da cidade de Amarante e para o turismo da zona, caso o projecto da barragem de Fridão, para já suspensa, avance.
















Uma barragem sobre o Tâmega colapsa e a onda de inundação aí gerada submerge, num intervalo de 13 minutos, a Igreja de São Gonçalo e o Museu Municipal Amadeo de Souza Cardoso, no coração de Amarante. Mas essa barreira, por ora, está somente no papel, mais concretamente no Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), apresentado em 2007, pelo Governo então liderado por José Sócrates. A construção da barragem do Fridão, localidade banhada pelo rio, nove quilómetros a montante de Amarante, está suspensa até Abril de 2019. Mas, a seis meses do fim dessa suspensão, a associação ambientalista GEOTA vai promover a terceira edição da Caravana pelo Tâmega, uma acção de oposição à barragem marcada para sábado, em Amarante, que vai começar precisamente com uma simulação do colapso da estrutura prevista para aquela zona.

Uma dos principais motivos para a oposição à barragem, realça a coordenadora de projectos do GEOTA, Ana Brazão, é a segurança da população amarantina. A ambientalista lembra que o paredão da barragem, com uma altura estimada em 100 metros, vai criar uma albufeira numa zona de actividade sísmica. “A Autoridade Nacional para a Protecção Civil já alertou para essa questão”, disse.
Um dos residentes na cidade de Amarante, Artur Freitas, é membro da associação cívica Pró-Tâmega, que igualmente se opõe ao aproveitamento hidroeléctrico do Fridão, cuja exploração está destinada à EDP. O cidadão argumenta que aquele núcleo urbano se encontra na zona de autossalvamento – situações em que as autoridades não têm tempo para montar um esquema de evacuação da população. “Até a EDP já reconheceu que a cidade fica na zona de auto-salvamento da barragem”, afirma ao PÚBLICO.

Artur Freitas critica ainda a postura da Câmara Municipal de Amarante neste processo, por ter mantido confidencial um protocolo com a EDP, que envolvia contrapartidas em caso de inundação. “Fizemos uma queixa à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos, e a Câmara teve de disponibilizar esse protocolo, onde se lia que não expressava uma posição clara sobre a barragem”, explica. Contactado pelo PÚBLICO, o presidente da Câmara de Amarante, José Luís Gaspar, realçou que esse protocolo foi assinado antes de assumir o cargo – foi eleito em 2013 – e disse “estar frontalmente contra” a barragem de Fridão. “Eu não sou contra as barragens, mas sou contra esta barragem. Na localização prevista, trará mais prejuízos do que benefícios a Amarante”, reitera.


Acção em tribunal para anular parecer da APA

A medida, explica ao PÚBLICO Ana Brazão, procura anular a declaração de impacte ambiental, emitida pela Agência Portuguesa do Ambiente, em 30 de Abril de 2012, a dar um parecer favorável, embora condicionado, à construção da barragem. A coordenadora de projectos do GEOTA alega que o parecer, inicialmente em vigor até 2012, tem hoje validade até 2020, após ter sido prorrogado de dois em dois anos, numa manobra, a seu ver, “contrária ao espírito da lei”.

“Um estudo tem de reflectir os cenários ambiental e socioeconómico do local onde se pretende instalar a barragem. Uma declaração de 2010 não reflecte os cenários de hoje”, sublinha. Com a acção popular, a associação ambientalista pretende “um novo estudo, uma nova consulta pública e, consequentemente, uma nova decisão, à luz do que se passa no terreno”.

Em resposta enviada ao PÚBLICO, a APA confirmou que a validade da declaração de impacte ambiental se estendia originalmente até 30 de Abril de 2012, mas foi sendo prorrogada graças a alguns mecanismos legais. A última prorrogação, baseada no Memorando de Entendimento celebrado entre o Estado, a APA e a EDP em 2016, foi de três anos e entrou em vigor em 30 de Dezembro de 2017. A entidade esclareceu ainda que a validade não pode ser prorrogada além de 30 de Dezembro de 2020, portanto a data-limite para a EDP iniciar a obra.
Na sequência do parecer favorável, em Maio de 2010, a energética anunciou que iria investir 260 milhões de euros para erguer, no Fridão, uma barragem capaz de gerar anualmente 295 gigawatts-hora, de servir cinco concelhos – Amarante, Mondim de Basto, Celorico de Basto, Cabeceiras de Basto e Ribeira de Pena – e de criar cerca de 4.000 empregos. A execução do projecto, porém, está suspensa desde 18 de Abril de 2016, quando o Ministério do Ambiente apresentou a revisão do Plano Nacional de Barragens. No documento, a tutela justificou a decisão com a necessidade de “uma avaliação mais apurada das consequências a nível energético pela sua não execução”.

Receios chegam ao campo económico
A quinta de Fernando Fernandes, com uma superfície de 10,5 hectares, abeira-se do Tâmega na fronteira entre as freguesias de Arnóia e de Codeçoso, no concelho de Celorico de Basto. Está cerca de cinco quilómetros a montante do local de implementação da barragem. Se a obra avançar, cerca de 60% do terreno que detém ficará submerso, com a albufeira que irá surgir. O proprietário faz do turismo rural a sua principal actividade, mas tem notado uma procura crescente do enoturismo, com grupos de pessoas a afluírem à quinta praticamente todos os dias para fazerem a prova de um vinho de produção biológica. Com a barragem, avisa, a vinha ficaria afectada. Mas não só. Os efeitos também far-se-iam sentir na paisagem e no turismo de natureza, comum na zona. “Com a barragem, iria ser destruída a parte mais autóctone da quinta. Ficariam à vista os eucaliptos. Também deixaria de haver rafting, com o desaparecimento dos rápidos”, diz.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

PNBEPH - TÂMEGA: GEOTA avança com ação popular em tribunal contra a barragem de Fridão






PNBEPH - TÂMEGA
GEOTA avança com ação popular em tribunal contra a barragem de Fridão

O grupo ambientalista GEOTA vai avançar com uma ação popular em tribunal contra a construção da barragem de Fridão, no rio Tâmega, na zona de Amarante, disse hoje à Lusa um dirigente. 

Segundo João Labrincha, está a decorrer esta semana um périplo pelos diferentes concelhos que podem ser afetados pela barragem, com reuniões com a população.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

RIO TÂMEGA - MARCO DE CANAVESES: Marco de Canaveses: Há 27 anos foi notícia a implosão da ponte sobre o rio Tâmega







RIO TÂMEGA - MARCO DE CANAVESES
Marco de Canaveses: Há 27 anos foi notícia a implosão da ponte sobre o rio Tâmega


"Acaba de ser demolida a ponte de Canaveses, que ficara submersa com a construção da barragem do Tâmega I", assim começava uma notícia publicada na edição de 16 de Outubro de 1991 do Jornal A VERDADE.

O assunto foi a implosão com dinamite da antiga travessia, que aconteceu pelas 14 horas de 11 de Outubro de 1991, "tendo os rebentamentos destruído cerca de metade da ponte". Os trabalhos de demolição foram dados como concluídos no dia seguinte.

A antiga ponte "de guardas ameadas com o comprimento de 156 metros e com a largura de 6 metros de faixa de rodagem, com passeios laterais de 80 centímetros cada, com três grandes arcos em ogiva e dois circulares laterais", abriu ao trânsito em 12 de Junho de 1944, sendo o eng. Valente de Araújo o autor do projeto que teve como base a reconstituição da velha ponte romana que existiu no local.

A foto em destaque foi retirada da página do Facebook, Ponte de Canaveses.


in A Verdade - 11 de Outubro de 2018

segunda-feira, 25 de junho de 2018

ALTO TÂMEGA - BARRAGENS: Barragens: câmaras exigem reposição de ligações interconcelhias







ALTO TÂMEGA - BARRAGENS
Barragens: câmaras exigem reposição de ligações interconcelhias


Em reunião da Comissão de Acompanhamento Ambiental do Sistema Eletroprodutor do Tâmega, o presidente da Câmara Municipal, Alberto Machado deu conta de um requerimento das autarquias de Vila Pouca de Aguiar e de Boticas para o restabelecimento de acessos afetados com o Aproveitamento Hidroelétrico do Alto Tâmega.

Na qualidade de representante dos autarcas, Alberto Machado exige, junto da Comissão de Acompanhamento e da Agência Portuguesa do Ambiente, a relocalização de pontes sobre o rio Tâmega, concretamente entre Veral e Monteiros e Capeludos e Sobradelo. Para tal, é solicitado que «essas situações sejam objeto de reapreciação e possa ser assegurada a reposição dos acessos atualmente existentes» que ficarão submersos devido ao Aproveitamento Hidroelétrico do Alto Tâmega.

No documento é relembrado que «as autarquias afetadas, bem como a comunidade em geral, têm vindo a dar nota da preocupação com esta situação, junto do Governo, da APA, da CCDR-N e da Iberdrola. Essas comunicações, formais e informais, têm vindo a ser efetuadas desde o início dos estudos e trabalhos desenvolvidos». A IX reunião da Comissão de Acompanhamento Ambiental do Sistema Eletroprodutor do Tâmega realizou-se a 20 de junho em Ribeira de Pena com uma agenda que incluiu balanço de visita à frente de obra, ponto de situação referente a trabalhos já desenvolvidos e próximas intervenções, entre outros pontos.
 
in Notícias de Aguiar - 25 de Junho de 2018

sexta-feira, 27 de abril de 2018

ENERGIA - BARRAGENS: É preciso desmistificar rótulo verde atribuído à hidroeletricidade - especialistas







ENERGIA - BARRAGENS
É preciso desmistificar rótulo verde atribuído à hidroeletricidade - especialistas

Especialistas em erosão e hidrobiologia apontam danos ecológicos provocados pelas barragens que vão além da poluição, destacando a diminuição dos sedimentos acumulados na costa portuguesa e o consequente aumento da erosão nas praias, não compatíveis com uma "etiqueta verde".

"É preciso desmitificar quando nos afirmam que a hidroeletricidade é uma eletricidade verde. O impacto que as barragens têm sobre o ambiente - e não é só reterem as areias que não chegam ao mar, mas contribuírem ativamente para a libertação de metano CH4, um poderoso gás de efeito de estufa - de forma alguma é compatível com uma etiqueta verde", afirmou à Lusa o professor Bordalo e Sá, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), na Universidade do Porto.

"A energia hídrica é uma energia vermelha, porque traz problemas ambientais, não deixa passar as areias. O rio Douro, por exemplo, sem barragens depositava quase dois milhões de metros cúbicos de areia na foz, era o rio que maior alimentação dava à costa. Com barragens o rio deposita apenas 200 mil metros cúbicos, uma redução de cerca de 80%", destacou o especialista.
  "Nos Estados Unidos da América e na Suécia chegou-se à conclusão que remover uma barragem era mais barato do que tentar recuperar o ambiente a jusante. Partindo do princípio de que em Portugal ainda estamos muito longe desta situação, é preciso tomar medidas sérias", referiu.

Contactado pela agência Lusa sobre a solução de remover barragens do plano hídrico, de forma a aumentar o caudal sólido e resolver o problema da falta de sedimentos na costa portuguesa num horizonte temporal mais alargado, o Ministério do Ambiente afirmou que "a avaliação se encontra a ser apurada".

Na resposta enviada à Lusa o Ministério do Ambiente confirma que a construção da Barragem de Fridão, no quadro do Plano de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico, prevista para o rio Tâmega, afluente da margem direita do rio Douro, "está pendente".

Em relação ao grupo de trabalho que iniciou o estudo do plano hídrico nacional em 2016 e entregou em março de 2017 um relatório preliminar com a identificação do ponto de situação, a tutela confirma a demolição total da Barragem da Sardinha e da Barragem do Peneireiro (ou dos Patos).

Segundo a mesma resposta, os trabalhos de demolição da Barragem da Misericórdia, em Beja, foram iniciados, mas a suspensão da demolição só deverá acontecer depois da aprovação do projeto candidatado ao Programa de Desenvolvimento Rural 2020.

O projeto de demolição da Barragem da Herdade da Cigana, também em Beja, ainda aguarda autorização.

Bordalo e Sá diz que é preciso "coragem política" para agir ao nível do plano hídrico.

"Os sucessivos governos têm encomendado vários estudos à comunidade científica, os diagnósticos estão feitos, as propostas de ação estão dadas, agora as pressões para a tomada de decisão política correta acabam por ser muito grandes", declarou.

Lusa, in Diário de Notícias - 27 de Abril de 2018

quinta-feira, 1 de março de 2018

PNBEPH - ALTO TÂMEGA: Boticas acolhe Centro de Reprodução e divulgação Científica e Ambiental sobre o Mexilhão do Rio








PNBEPH - ALTO TÂMEGA
Boticas acolhe Centro de Reprodução e divulgação Científica e Ambiental sobre o Mexilhão do Rio



O Parque de Natureza e Biodiversidade de Boticas (BNB) vai acolher um Centro de Reprodução e Divulgação Científica e Ambiental sobre o Mexilhão do Rio (margaritífera margaritífera), uma espécie ameaçada e que chegou a ser dada como extinta em Portugal no início do século XX, tendo sido redescoberta de uma forma fortuita em 2009 no rio Beça e cuja existência chegou mesmo a inviabilizar a construção da Barragem de Padroselos (que iria localizar-se junto a Covas do Barroso), incluída no Plano Nacional de Barragens para a bacia do Tâmega.

Estes bivalves são extremamente intolerantes a qualquer tipo de poluição, tendo também reduzida tolerância à salinidade, pelo que só existem em águas doces (rios e lagos) com água considerada de qualidade. Em condições óptimas, atingem populações elevadas e são também eles próprios determinantes para a qualidade da água, devido ao volume que filtram. Atingem a sua maturidade sexual entre os 7 e os 20 anos e dependem em exclusivo da fauna piscícola, nomeadamente da família salmonidae (como a truta fário) para a sua reprodução. As larvas deste mexilhão são parasitas das trutas, fixando-se às suas guelras e aí sofrendo várias metamorfoses, até que se soltam do peixe, ficando a sua sobrevivência dependente do local onde caem. A vida parasitária constitui, assim, uma fase do desenvolvimento larvar e simultaneamente da disseminação da espécie, muito ligada às deslocações do hospedeiro.

margaritífera margaritífera é uma espécie de bivalve não comestível, mas que se encontra protegida por uma directiva comunitária. A sua sobrevivência depende não apenas da qualidade das águas mas também da existência de hospedeiros, como a Truta Fario, no seu habitat.

Alguns exemplares encontrados na natureza estão já a ser encaminhados para o Parque de Natureza e Biodiversidade de Boticas, sendo inicialmente colocados em quarentena nos aquários do posto piscícola do Parque e posteriormente transferidos para os tanques da estação de truticultura, onde têm os hospedeiros naturais para a sua reprodução. Posteriormente, quer pela reintrodução da própria espécie nos rios, quer pelo repovoamento dos mesmos com trutas fário, a margaritífera margaritífera será progressivamente devolvida ao seu habitat natural, tendo o Parque de Natureza e Biodiversidade de Boticas um papel de extrema relevância na recuperação desta espécie.

A criação deste Centro de Reprodução e Divulgação Científica e Ambiental sobre o Mexilhão do Rio (margaritífera margaritífera) conta com a parceria da Iberdrola, empresa responsável pela construção das barragens da cascata do Tâmega, que, ao abrigo do pacote de contrapartidas atribuídas aos municípios pela construção dessas barragens, apoiará financeiramente este centro de divulgação e investigação, permitindo o necessário investimentos tanto em meios físicos como em recursos humanos qualificados.

in Notícias de Vila Real - 1 de Março de 2018