quinta-feira, 29 de novembro de 2018

BARRAGENS - ALTO TÂMEGA: Iberdrola compensa Cabeceiras de Basto por efeitos negativos da construção das barragens







BARRAGENS - ALTO TÂMEGA
Iberdrola compensa Cabeceiras de Basto por efeitos negativos da construção das barragens

Protocolos foram assinados esta quinta-feira | Foto: Carlos Rui Abreu/JN

O Município de Cabeceiras de Basto e a Iberdrola, empresa responsável pela construção do Sistema Electroprodutor do Tâmega, que incluiu três barragens, assinaram, esta quinta-feira, dois protocolos que visam intervenções diretas no território, para minimizar os impactos negativos dessas construções.
 
Cabeceiras de Basto será atingida pela construção da Barragem de Daivões, sendo que estes dois protocolos existem no âmbito da fauna e da flora e da proteção civil. "Fazer a manutenção da floresta, plantar árvores autóctones, sobreiros, melhorar o habitat das ribeiras, uma série de atuações no terreno", explicou, ao JN, Sara Hoya, responsável do ambiente no megaprojeto das barragens. Ações que vão em breve para o terreno financiadas pela elétrica espanhola e executadas pelo município, em parceria com o Instituto de Conservação da Natureza. Um protocolo similar já foi assinado em Boticas e, em 2019, vão para o papel os acordos com Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar e Chaves.
 
Já na área da Proteção Civil, a aposta é no reforço de meios nas corporações de bombeiros da área de construção das barragens. "É uma relação boa para todas as partes porque para nós é muito bom ter corporações de bombeiros fortes na região para intervir em caso de acidente", disse José Maria Otero, responsável de projeto da Iberdrola.
 
Durante quatro anos, a empresa espanhola irá transferir para os bombeiros, via municípios, 30 mil euros/ano para cada uma das corporações de Cabeceiras de Basto, Vila Pouca de Aguiar e Ribeira de Pena, num total de 330 mil euros.
 
Para Francisco Alves, autarca cabeceirense, estas ações são benéficas para o concelho. "Fomos fustigados pelos incêndios e vamos reflorestar essas áreas com árvores autóctones. A Iberdrola está a cumprir uma obrigação e é importante minimizar os impactos negativos que uma construção deste nível acarreta. O concelho sai a ganhar em todos os aspetos", afiançou.
 
Carlos Rui Abreu, in Jornal de Notícias - 29 de Novembro de 2019

ALTO TÂMEGA - BARRAGENS: Iberdrola apoia bombeiros que intervêm nas barragens do Alto Tâmega





ALTO TÂMEGA - BARRAGENS
Iberdrola apoia bombeiros que intervêm nas barragens do Alto Tâmega

A empresa Iberdrola vai apoiar financeiramente os bombeiros de Cabeceiras de Basto, Ribeira de Pena e Vila Pouca de Aguiar, que estão na primeira linha de atuação, em caso de emergência, nas três barragens do Alto Tâmega.

Os apoios são concedidos no âmbito das medidas de compensação pela construção das barragens de Daivões, Gouvães e Alto Tâmega, no distrito de Vila Real.


José Maria Otero, da empresa espanhola, explicou que um desses protocolos se destina ao financiamento da corporação de bombeiros, ajudando na aquisição de equipamentos e também no apoio à Equipa de Intervenção Permanente (EIP) daquela corporação.        

Os outros dois protocolos neste âmbito, designadamente com Vila Pouca de Aguiar e Ribeira de Pena, serão assinados até ao final do ano.

José Maria Otero explicou que o objetivo é ajudar as autarquias a financiar as EIP ou ainda na aquisição de novos equipamentos, materiais ou formações, atribuindo cerca de 30 mil euros anuais, até ao final das obras, para cada concelho.

O outro protocolo com a Câmara de Cabeceiras de Basto engloba várias medidas de compensação nas áreas da flora e fauna requeridas pela Declaração de Impacte Ambiental do Sistema Eletroprodutor do Tâmega.

Entre essas medidas está, por exemplo, a plantação de carvalhos autóctones.

O Sistema Eletroprodutor do Tâmega é considerado um dos maiores projetos hidroelétricos realizados na Europa nos últimos 25 anos, prevê um investimento de 1.500 milhões de euros e deverá estar concluído em 2023.

Lusa, in Diário de Notícias - 29 de Novembro de 2018

terça-feira, 27 de novembro de 2018

PNBEPH - ALTO TÂMEGA: Boticas vai acolher Centro de Reprodução e Divulgação sobre o mexilhão-de-rio








PNBEPH - ALTO TÂMEGA
Boticas vai acolher Centro de Reprodução e Divulgação sobre o mexilhão-de-rio



A Câmara de Boticas e a Iberdrola, empresa responsável pelo projeto Electroprodutor do Tâmega, assinaram esta quinta-feira, dia 22 de novembro, no Boticas Parque – Natureza e Biodiversidade, um protocolo que visa a preservação e promoção da fauna e flora local.

Este protocolo, que decorre do quadro de medidas compensatórias atribuídas aos municípios pela construção das barragens, no âmbito do projeto Electroprodutor do Tâmega, tem duração de cinco anos e um investimento de 2,3 milhões de euros.

De entre as várias medidas previstas no plano destaca-se o Centro de Reprodução e Divulgação Científica e Ambiental sobre o mexilhão-de-rio (margaritífera margaritífera), instalado no Boticas Parque.

Este centro de reprodução, único na Península Ibérica, permite a preservação desta espécie ameaçada, que chegou até a ser dada como extinta em Portugal, mas que foi descoberta, em 2009, no rio Beça, fator que levou à suspensão da construção da Barragem de Padroselos (Covas do Barroso).

O plano de investimento pressupõe ainda o repovoamento dos rios Beça e Terva com trutas, nomeadamente fário, um elemento preponderante para a reprodução do mexilhão-de-rio, assim como a beneficiação do posto aquícola e do viveiro de trutas existentes no Boticas Parque, a reflorestação de uma vasta área florestal, entre outras ações de âmbito ecológico e ambiental.

O Presidente da Câmara, Fernando Queiroga, demonstrou-se satisfeito com a parceria entre as duas entidades.

“Com este investimento conseguimos dar mais um passo importante no que diz respeito à preservação, regeneração e valorização do nosso património natural. O centro de reprodução instalado no Boticas Parque é o único da Península Ibérica e isso deixa-me bastante feliz”, referiu Fernando Queiroga, que destacou ainda “que este projeto surge como mais um polo de atração para o Concelho”.

Por sua vez, Sara Hoya, responsável ambiental da Iberdrola, subnlinhou que “foi com grande gosto que a Iberdrola se associou, uma vez mais, à Câmara Municipal de Boticas na promoção da flora e fauna locais. Esta ligação entre as duas entidades, agora estreitada pela assinatura deste novo protocolo, vai com toda a certeza trazer um futuro mais verde para o concelho de Boticas, um dos que estão ligados ao Sistema Eletroprodutor do Tâmega. Este projeto, em construção até 2023, é uma grande aposta da Iberdrola na região norte”.

Para assinalar o momento, a Iberdrola levou a cabo uma iniciativa de reforço das populações de mexilhão-de-rio, no rio Beça, libertando centenas de trutas portadoras de milhares de gloquídios, indivíduos larvais microscópicos das Margaritíferas. “Este é, sem dúvida, um resultado positivo do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido no Centro de Reprodução e Divulgação Científica e Ambiental sobre o Mexilhão-de-Rio, instalado no Parque de Natureza e Biodiversidade de Boticas”, reforça a representante da Iberdrola.

in Notícias de Vila Real - 27 de Novembro de 2018

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

ALTO TÂMEGA - IBERDROLA: Boticas acolhe único centro reprodutor do mexilhão-de-rio da Península Ibérica






ALTO TÂMEGA - IBERDROLA
Boticas acolhe único centro reprodutor do mexilhão-de-rio da Península Ibérica

A Câmara de Boticas e a Iberdrola vão implementar um plano de promoção da fauna e flora, que envolve um investimento de 2,3 milhões de euros e 28 medidas, destacando-se o centro de reprodução do mexilhão-de-rio.

O presidente da Câmara de Boticas, Fernando Queiroga, afirmou hoje que o centro de reprodução do mexilhão-de-rio (margaritífera margaritífera) é o "único na Península Ibérica" e visa a preservação desta espécie que inviabilizou uma barragem.
 

Trata-se de uma espécie ameaçada que chegou a ser dada como extinta em Portugal no início do século XX, tendo sido redescoberta de uma forma fortuita em 2009, em Boticas.

O centro de reprodução deste bivalve não comestível, que se encontra protegido por uma diretiva comunitária, vai ficar instalado no Parque de Natureza e Biodiversidade de Boticas.

"Conseguiu travar uma barragem e ainda bem, porque tinha efeitos nefastos a nível ambiental na zona onde era para ser construída. Fruto desta intervenção e deste protocolo com a Iberdrola vamos fomentar, reativar e dispersar este mexilhão pelos nossos rios", salientou Fernando Queiroga.

O autarca salientou que este projeto representa "mais um polo de atração ao concelho".

O biólogo Joaquim Reis disse que o rio Beça "é um dos quatro rios em Portugal onde a espécie é considerada viável".

"É uma espécie com especial interesse e nós queremos auxiliar a sua recuperação a nível nacional e internacional", afirmou.

Em Boticas, explicou, vai ser feito um programa de reprodução em cativeiro deste bivalve que precisa de trutas para completar o seu ciclo de vida.
"Nós vamos facilitar o encontro do mexilhão com as trutas para que se possa completar o ciclo de vida", sublinhou.

O biólogo explicou que as trutas vão ser criadas no posto aquícola e na altura da reprodução do mexilhão vão ser infetadas com as suas larvas e libertadas para ajudar à dispersão natural do mexilhão nos rios Beça e Terva.

O projeto faz parte das 28 medidas previstas no protocolo fauna e flora assinado entre a Câmara de Boticas e a concessionária das barragens, a espanhola Iberdrola.

Fernando Queiroga explicou que o plano vai ser implementado ao longo de cinco anos, e representa um investimento de 2,3 milhões de euros.

Sara Hoya, da Iberdrola, referiu que este protocolo resulta das contrapartidas pela construção das barragens de Daivões, Gouvães e Alto Tâmega, no distrito de Vila Real.

As ações a implementar serão sugeridas anualmente pela câmara e financiadas pela Iberdrola e contemplam ações como a plantação de sobreiros, a revegetação de taludes ribeirinhos mediante técnicas de bioengenharia, repovoação com truta-de-rio ou a criação de charcas.

O Sistema Eletroprodutor do Tâmega é considerado um dos maiores projetos hidroelétricos realizados na Europa nos últimos 25 anos, prevê um investimento de 1.500 milhões de euros e deverá estar concluído em 2023.

Lusa, in Diário de Notícias - 23 de Novembro de 2018

É perigoso enfrentar um bode expiatório - Daniel Deusdado






É perigoso enfrentar um bode expiatório

O jornalista Fareed Zakaria dizia recentemente que a História não é um filme de Hollywood. O populismo da década de 20 e 30 desencadeou a II Guerra Mundial porque os cidadãos baixaram os braços perante causas maiores do seu tempo.

O território de Portugal é hoje uma causa maior. Ultrapassa a nossa idade, é o fio condutor da nossa história. Por essa razão bati-me - a par de muita gente de diferentes sensibilidades - contra a multiplicação das barragens no inóspito Portugal (ou seja, Trás-os-Montes). Barragens essas cujo valor estratégico, enquanto reserva de água, é pobre.

O custo-benefício daquela operação foi indiscutivelmente lesivo para o território. O vale do Sabor era um último reduto do paraíso do Douro Internacional. Hoje é um território selvaticamente humanizado. E na barragem do Tua a degradação é semelhante. Perdeu-se o comboio histórico, o carácter único do vale e ganhou-se um paredão sem sentido, amputando o rio. No rio Tâmega, a mesma coisa.          
Claro, há sempre a questão: não queremos energias renováveis? Sim. Mas a tecnologia "barragem de água" é tão agressiva para o ambiente que mais vale ampliar a capacidade de produção das que já existem do que fazer novas e matar os rios. Só que as antigas não geram novos encaixes para os governos nem negócios significativos para o sistema financeiro e construção civil.

Porque chegámos aqui? O caso da energia tem paralelo com a massiva campanha de comunicação que o poderoso lobby das celuloses pôs em prática. Depois de anos a conseguir expandir-se a alta velocidade, os últimos tempos têm sido agrestes. Algo está a correr mal. Muito mal. Não há apenas incêndios. Eles fazem vítimas - muitas. O clima mudou e o ordenamento do território passou a ser um assunto de todos.

(...)

Daniel Deusdado, in Diário de Notícias - 23 de Novembro de 2018

domingo, 18 de novembro de 2018

TÂMEGA - AMARANTE: Não à Barragem de Fridão!





TÂMEGA - AMARANTE

Não à Barragem de Fridão!



O país tem várias barragens que apresentam inúmeros problemas a nível ambiental e de agravamento da erosão costeira. 

O caso da barragem de Fridão coloca, para além destas, ainda outras questões, as quais devem merecer toda a atenção. Se o projeto for merecedor dessa atenção, acreditamos que a única resposta responsável possível é o seu abandono, nomeadamente por razões de segurança, como dá conta a Associação Cívica Pró-Tâmega.

Esta Associação denuncia que a Autoridade Nacional de Proteção Civil, através do Parecer da Comissão de Avaliação do Estudo de Impacto de Impacto Ambiental do Anteprojeto do Aproveitamento Hidroelétrico de Fridão, afirma que, «levando em conta as posições manifestadas por entidades externas e no âmbito da fase de consulta pública, visava apoiar a tomada de decisão relativamente à viabilidade ambiental do projeto. 

Apesar de ter sido identificado o perigo de rotura da barragem do Aproveitamento Hidroelétrico (AH), este é considerado um risco de probabilidade de ocorrência reduzida e, portanto, a seleção da sua colocação não parece ter considerado importante a observação desse risco, a avaliar pela não descrição do que seriam os impactes deste acidente sobre as populações localizadas na área a jusante, na cidade de Amarante, áreas atingidas pela onda de inundação por rutura da barragem. 

O futuro plano de Ordenamento da Albufeira deve mesmo interditar o aumento da construção nas áreas atingidas pela onda de inundação por rotura da barragem».
O Conselho de Ministros deliberou, entretanto, a suspensão parcial dos planos diretores municipais de Amarante, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Mondim de Basto e Ribeira de Pena, bem como o estabelecimento de medidas preventivas para o aproveitamento hidroelétrico do Fridão, no rio Tâmega.
A EDP, na secção Perguntas Frequentes do seu site, à questão “Amarante vai ficar na zona de Auto-Salvamento?” responde: «O Regulamento de Segurança de Barragens (DL n.º 344, de 15 de outubro de 2007) define zona de autossalvamento como a “zona do vale, imediatamente a jusante da barragem, na qual se considera não haver tempo suficiente para uma adequada intervenção dos serviços e agentes de proteção civil em caso de acidente e que é definida pela distância à barragem que corresponde a um tempo de chegada da onda de inundação igual a meia hora, com um mínimo de 5 km”. 

O estudo dos danos potenciais induzidos pela barragem de Fridão, localizada cerca de 8 km a montante da cidade de Amarante, permite concluir que parte ribeirinha da cidade está dentro da zona de autossalvamento, pois o tempo de chegada da onda, em caso de eventual acidente naquela barragem, é inferior a 30 minutos».
O Instituto Nacional da Água informou que «o tempo de chegada da onda de inundação, em Amarante, para o NPA 160 (Nível de Pleno Armazenamento), em situação de cheia, será de 13 minutos, atingindo um cota 100.68 metros (ponte de S. Gonçalo cota 77 e cheia de 2001 cota 71)».
A Associação Cívica Pró-Tâmega alerta que daí pode resultar, em caso de rotura da barragem, uma catástrofe que tem de ser previamente avaliada, independentemente do seu grau de probabilidade, e expressa em número de vidas em risco, já que a onda de inundação atingirá o centro histórico de Amarante em 13 minutos, passando 14 metros acima do tabuleiro da ponte de S. Gonçalo, podendo causar, por isso, um número virtualmente avassalador de vítimas que não foi avaliado, e sem que haja tempo suficiente para uma adequada intervenção dos serviços e agentes de proteção civil.
Por fim, a Autoridade Nacional de Proteção Civil considera que «à implementação do projeto acresce, sem margem para dúvidas, o risco a que está exposta a cidade de Amarante».
Por todas estas razões, não podemos permitir a construção desta barragem. Os riscos que ela comporta, ambientais e humanos, não são pormenores, são o pré-anúncio de uma possível catástrofe. 

Uma esquerda responsável não hesita, posiciona-se em defesa das populações e integra e dá força à resistência que se organiza. Porque os lucros da EDP não podem sobrepor-se às nossas vidas, barragem de Fridão não!
João Carvalho e Lisa Antunes, in Rede Anticapitalista – 18 de Novembro de 2018

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

PNBEPH - ALTO TÂMEGA: Iberdrola iniciou desvio do rio Tâmega








PNBEPH - ALTO TÂMEGA
Iberdrola iniciou desvio do rio Tâmega


A Iberdrola anunciou o inicio do desvio do rio Tâmega, para a construção da barragem do Alto Tâmega, através de um túnel que entrou em funcionamento a dia 10 de outubro de 2018.

Os trabalhos de escavação, que tiveram inicio em maio de 2017, deram origem a um túnel, com um comprimento de 250 metros e um diâmetro de 7 metros, que irá funcionar até à finalização das obras e inicio do enchimento da albufeira do Alto Tâmega, que está prevista para o 2º semestre de 2021.

“Esta é uma fase fundamental do projeto, da qual dependem os avanços do trabalho da barragem e da central hidroelétrica em toda a zona do leito do rio”, declarou a empresa, em comunicado.

No final dos trabalhos, em 2021, a barragem terá uma altura de 106,5 metros e, ao lado da mesma, haverá uma central com uma potência total de 160 MW.

O Sistema Eletroprodutor do Tâmega consiste na construção de 3 barragens (Alto Tâmega, Daivões e Gouvães) e terá com uma potência instalada de 1.158 MW e uma produção anual estimada de 1.766 GWh.

in Notícias de Vila Real - 8 de Novembro de 2018

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

PNBEPH - ALTO TÂMEGA: Leito do rio Tâmega desviado para a construção da barragem de Alto Tâmega



PNBEPH - ALTO TÂMEGA
Leito do rio Tâmega desviado para a construção da barragem de Alto Tâmega


Desvio utiliza uma galeria de 250 metros escavada na rocha e revestida a betão

Esta etapa do projeto permitirá o avanço dos trabalhos da barragem e da central no leito do rio


A Iberdrola deu início ao desvio do rio Tâmega, na localidade de Parada de Monteiros, de acordo com o previsto no programa de construção do Aproveitamento Hidroelétrico do Alto Tâmega, um dos três aproveitamentos que constituem o Sistema Eletroprodutor do Tâmega.

Esta é uma fase fundamental do projeto, da qual dependem os avanços do trabalho da barragem e da central hidroelétrica em toda a zona do leito do rio. Esta empreitada de construção da barragem de Alto Tâmega está a ser levada a cabo pelo Agrupamento Complementar de Empresas Mota-Engil/Acciona/ Edivisa - Obras do Aproveitamento Hidroeléctrico de Alto Tâmega, A.C.E.

As escavações do túnel foram iniciadas em maio de 2017. Após a sua entrada em funcionamento no dia 10 de outubro de 2018, o túnel de desvio irá manter-se operativo até à finalização dos trabalhos de construção da barragem e início do enchimento da albufeira de Alto Tâmega, previsto para o segundo semestre de 2021.

O sistema de desvio é constituído por uma barragem “ensecadeira” de montante em betão com cerca de 18 metros de altura, que conduz a água para o túnel, um túnel que tem um comprimento de 250 metros e 7 metros de diâmetro, e, finalmente, uma barragem “ensecadeira” de jusante em aterro com cerca de 7,5 metros de altura, para fechar o trecho do rio que ficará disponível para os trabalhos de execução da barragem e da central.

Toda esta operação de logística de desvio do caudal do rio envolve uma rigorosa monitorização ambiental, bem como uma aplicação cuidada de medidas de minimização, levadas a cabo por uma equipa de biólogos das empresas Biosfera e Ecovisão.

A barragem de Alto Tâmega terá uma altura de 106,5 m, uma altura semelhante à do Santuário Nacional de Cristo Rei (Mafra), com uma central a pé da barragem com uma potência total de 160 MW.

O Sistema Eletroprodutor do Tâmega, um dos mais importantes projetos hidroelétricos levados a cabo na Europa nos últimos 25 anos, contempla a construção de três barragens – Alto Tâmega, Daivões e Gouvães – e contará com uma potência instalada de 1.158 MW e com uma capacidade estimada de produção anual de 1.766 GWh.


Com um investimento de mais de 1.500 milhões de euros, a construção do Sistema Eletroprodutor do Tâmega está a dinamizar a economia na região, principalmente nos municípios mais envolvidos no projeto como Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar, Cabeceiras de Basto, Chaves, Boticas, Valpaços e Montalegre.
in A Voz de Trás-os-Montes - 7 de Novembro de 2018

PNBEPH - ALTO TÂMEGA: Construção da barragem do Alto Tâmega implica um investimento de mais de 1.500 milhões de euros








PNBEPH - ALTO TÂMEGA
Construção da barragem do Alto Tâmega implica um investimento de mais de 1.500 milhões de euros


A Iberdrola deu início ao desvio do rio Tâmega, na localidade de Parada de Monteiros, no distrito de Vila Real, com vista à construção do Aproveitamento Hidroelétrico do Alto Tâmega, um dos três aproveitamentos que constituem o Sistema Electroprodutor do Tâmega.

Segundo uma fonte daquele grupo empresarial "esta é uma fase fundamental do projeto, da qual dependem os avanços do trabalho da barragem e da central hidroelétrica em toda a zona do leito do rio".

Com um investimento de mais de 1.500 milhões de euros, a construção do Sistema Electroprodutor do Tâmega está a dinamizar a economia na região, refere a mesma fonte, principalmente nos municípios mais envolvidos no projeto como Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar, Cabeceiras de Basto, Chaves, Boticas, Valpaços e Montalegre.

A barragem de Alto Tâmega terá uma altura de 106,5 m, uma altura semelhante à do Santuário Nacional de Cristo Rei (Almada), com uma central a pé da barragem com uma potência total de 160 MW.

Glória Lopes, in Mensageiro de Bragança - 7 de Novembro de 2018 

PNBEPH - ALTO TÂMEGA: Iberdrola inicia desvio do rio Tâmega para a construção da barragem de Alto Tâmega







PNBEPH - ALTO TÂMEGA
Iberdrola inicia desvio do rio Tâmega para a construção da barragem de Alto Tâmega

O desvio utiliza uma galeria de 250 metros escavada na rocha e revestida a betão, na margem esquerda do rio Tâmega, diz a eletrica. O maior complexo de barragens do país está a cargo da Iberdrola.



A Iberdrola deu início ao desvio do rio Tâmega, na localidade de Parada de Monteiros, de acordo com o previsto no programa de construção do Aproveitamento Hidroelétrico do Alto Tâmega, um dos três aproveitamentos que constituem o Sistema Eletroprodutor do Tâmega, anuncia em comunicado a empresas espanhola.

Segundo o comunicado, “o sistema de desvio é constituído por uma barragem “ensecadeira” de montante em betão com cerca de 18 metros de altura, que conduz a água para o túnel, um túnel que tem um comprimento de 250 metros e 7 metros de diâmetro, e, finalmente, uma barragem “ensecadeira” de jusante em aterro com cerca de 7,5 metros de altura, para fechar o trecho do rio que ficará disponível para os trabalhos de execução da barragem e da central”.
 
“Esta é uma fase fundamental do projeto, da qual dependem os avanços do trabalho da barragem e da central hidroelétrica em toda a zona do leito do rio”, revela a Iberdrola.

As escavações do túnel foram iniciadas em maio de 2017.

“Após a sua entrada em funcionamento no dia 10 de outubro de 2018, o túnel de desvio irá manter-se operativo até à finalização dos trabalhos de construção da barragem e início do enchimento da albufeira de Alto Tâmega, previsto para o segundo semestre de 2021”, assegura a empresa.

Esta empreitada de construção da barragem de Alto Tâmega está a ser levada a cabo pelo Agrupamento Complementar de Empresas Mota-Engil/Acciona/ Edivisa – Obras do Aproveitamento Hidroeléctrico de Alto Tâmega, A.C.E.

“Toda esta operação de logística de desvio do caudal do rio envolve uma rigorosa monitorização ambiental, bem como uma aplicação cuidada de medidas de minimização, levadas a cabo por uma equipa de biólogos das empresas Biosfera e Ecovisão”, revela a empresa. A barragem de Alto Tâmega terá uma altura de 106,5 metros, uma altura semelhante à do Santuário Nacional de Cristo Rei (Mafra), com uma central a pé da barragem com uma potência total de 160 MW.

Recorde-se que o sistema electroprodutor do Tâmega está a ser desenvolvido pela Iberdrola e deve começar a produzir energia daqui a três anos.  O investimento previsto é de 1.200 milhões de euros, centrando-se a maior parte do investimento no período 2018-2020.  Iberdrola

O complexo do Tâmega, que se situa em Trás-os-Montes é o maior projecto hidroeléctrico construído no país nos últimos anos e o maior na Europa em 25 anos. É o maior complexo de barragens e contempla a construção de três barragens – Alto Tâmega, Daivões e Gouvães – e contará com uma potência instalada de 1.158 MW e com uma capacidade estimada de produção anual de 1.766 GWh, ou seja, cerca de 4% do consumo elétrico do país.

“Com um investimento de mais de 1.500 milhões de euros, a construção do Sistema Eletroprodutor do Tâmega está a dinamizar a economia na região, principalmente nos municípios mais envolvidos no projeto como Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar, Cabeceiras de Basto, Chaves, Boticas, Valpaços e Montalegre”, adianta  Iberdrola.

, in Jornal Económico - 7 de Novembro de 2018

terça-feira, 30 de outubro de 2018

PNBEPH - IBERDROLA: Mondim de Basto reforça oposição à passagem de linha de muito alta tensão







PNBEPH - IBERDROLA
Mondim de Basto reforça oposição à passagem de linha de muito alta tensão

O município de Mondim de Basto mostrou-se hoje desfavorável à passagem pelo concelho da linha de muito alta tensão Carrapatelo - Vila Pouca de Aguiar devido aos "impactos irreversíveis" para o território e populações.

Para o município liderado pelo socialista Humberto Cerqueira, esta linha trará "impactes significativos e irreversíveis para o território e as suas populações".

"É neste contexto que, à semelhança das tomadas de posição anteriores, a autarquia irá manifestar [em consulta pública], uma vez mais, uma posição desfavorável ao atravessamento desta linha, como forma de salvaguardar os interesses e a qualidade de vida dos seus munícipes", salientou a autarquia em comunicado.

A câmara disse que, já em 2011 e 2013, apresentou, também em consulta pública, pareceres desfavoráveis à passagem desta linha no território de Mondim de Basto.

Encontra-se em consulta pública, até ao dia 08 de novembro, o Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE) da Linha de Muito Alta Tensão Carrapatelo - Vila Pouca de Aguiar a 220/400Kv.

No concelho de Mondim de Basto, no distrito de Vila Real, esta linha atravessará a União das Freguesias de Campanhó e Paradança, e as freguesias de S. Cristóvão de Mondim de Basto, Vilar de Ferreiros e Atei.

A concretização deste projeto é da responsabilidade da Rede Elétrica Nacional (REN) e tem como objetivo transportar a energia proveniente do conjunto de centrais de Gouvães, Daivões e Alto Tâmega, inserido no Plano Nacional de Barragens e que estão a ser construídas pela espanhola Iberdrola.

De acordo com o projeto de execução, o início da construção desta obra está previsto para julho de 2019 e a entrada em serviço em junho de 2020.

A linha atravessará ainda território dos concelhos de Cabeceiras de Basto, Amarante, Marco de Canaveses, Ribeira de Pena e Cinfães.

O projeto da linha Carrapatelo -- Vila Pouca de Aguiar foi alvo de dois estudos de impacto ambiental e, na sequência das declarações de impacto ambiental (DIA), foi desenvolvido o projeto de execução do troço de linha, cumprindo as condicionantes e medidas estabelecidas e demonstradas em sede de RECAPE.

Lusa, in Diário de Notícias - 30 de Outubro de 2018

sábado, 20 de outubro de 2018

RIO TÂMEGA - BARRAGEM DE FRIDÃO: Amarante: "Caravana Pelo Tâmega 2018" manifesta-se contra Barragem de Fridão







RIO TÂMEGA - BARRAGEM DE FRIDÃO
Amarante: "Caravana Pelo Tâmega 2018" manifesta-se contra Barragem de Fridão



A "Caravana Pelo Tâmega 2018" está de volta. Este domingo, dia 21 de Outubro, Amarante recebe várias actividades que servem de protesto contra a construção da barragem de Fridão.

O propósito da organização passa por "sensibilizar a população local para o grave problema que poderá cair sobre a cidade de Amarante, a construção da barragem de Fridão".

O dia será marcado pela simulação intitulada "E se a barragem colapsar".  A organização acredita que a barragem trás mais desvantagens do que vantagens. Uma delas é o facto de a mesma vir a estar construída "sobre uma falha sísmica e próxima da cidade de Amarante" o que poderá gerar uma onda que se alastrará até ao centro de Amarante, em caso de colapso da barragem.

Recorde-se que a construção da barragem se encontra suspensa até Abril de 2019 a fim de se reavaliar a necessidade energética da obra. O projecto foi lançado por José Sócrates e Manuel Pinho, em 2007.

Durante a iniciativa vai ser projectado o documentário intitulado "One for the River - The Vjosa Story". O documentário fala do rio Vjosa, um dos últimos selvagens da Europa que "estão em risco pela construção de 33 barragens de produção de energia hidroeléctrica". Embora não diga respeito à barragem de Fridão em concreto, o objectivo é fomentar a luta, "contra barragens pela protecção dos rios livres".

in A Verdade - 20 de Outubro de 2018

PNBEPH - BARRAGEM DE FRIDÃO: A oposição à barragem para Fridão faz-se em nome da segurança de Amarante









PNBEPH - BARRAGEM DE FRIDÃO
A oposição à barragem para Fridão faz-se em nome da segurança de Amarante

Iniciativa da associação GEOTA, marcada para este sábado, quer chamar a atenção para os riscos para a segurança da cidade de Amarante e para o turismo da zona, caso o projecto da barragem de Fridão, para já suspensa, avance.






Uma barragem sobre o Tâmega colapsa e a onda de inundação aí gerada submerge, num intervalo de 13 minutos, a Igreja de São Gonçalo e o Museu Municipal Amadeo de Souza Cardoso, no coração de Amarante. Mas essa barreira, por ora, está somente no papel, mais concretamente no Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), apresentado em 2007, pelo Governo então liderado por José Sócrates. A construção da barragem do Fridão, localidade banhada pelo rio, nove quilómetros a montante de Amarante, está suspensa até Abril de 2019. Mas, a seis meses do fim dessa suspensão, a associação ambientalista GEOTA vai promover a terceira edição da Caravana pelo Tâmega, uma acção de oposição à barragem marcada para sábado, em Amarante, que vai começar precisamente com uma simulação do colapso da estrutura prevista para aquela zona.

Uma dos principais motivos para a oposição à barragem, realça a coordenadora de projectos do GEOTA, Ana Brazão, é a segurança da população amarantina. A ambientalista lembra que o paredão da barragem, com uma altura estimada em 100 metros, vai criar uma albufeira numa zona de actividade sísmica. “A Autoridade Nacional para a Protecção Civil já alertou para essa questão”, disse.

Um dos residentes na cidade de Amarante, Artur Freitas, é membro da associação cívica Pró-Tâmega, que igualmente se opõe ao aproveitamento hidroeléctrico do Fridão, cuja exploração está destinada à EDP. O cidadão argumenta que aquele núcleo urbano se encontra na zona de autossalvamento – situações em que as autoridades não têm tempo para montar um esquema de evacuação da população. “Até a EDP já reconheceu que a cidade fica na zona de auto-salvamento da barragem”, afirma ao PÚBLICO.

Artur Freitas critica ainda a postura da Câmara Municipal de Amarante neste processo, por ter mantido confidencial um protocolo com a EDP, que envolvia contrapartidas em caso de inundação. “Fizemos uma queixa à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos, e a Câmara teve de disponibilizar esse protocolo, onde se lia que não expressava uma posição clara sobre a barragem”, explica. Contactado pelo PÚBLICO, o presidente da Câmara de Amarante, José Luís Gaspar, realçou que esse protocolo foi assinado antes de assumir o cargo – foi eleito em 2013 – e disse “estar frontalmente contra” a barragem de Fridão. “Eu não sou contra as barragens, mas sou contra esta barragem. Na localização prevista, trará mais prejuízos do que benefícios a Amarante”, reitera.


Acção em tribunal para anular parecer da APA


A medida, explica ao PÚBLICO Ana Brazão, procura anular a declaração de impacte ambiental, emitida pela Agência Portuguesa do Ambiente, em 30 de Abril de 2012, a dar um parecer favorável, embora condicionado, à construção da barragem. A coordenadora de projectos do GEOTA alega que o parecer, inicialmente em vigor até 2012, tem hoje validade até 2020, após ter sido prorrogado de dois em dois anos, numa manobra, a seu ver, “contrária ao espírito da lei”.

“Um estudo tem de reflectir os cenários ambiental e socioeconómico do local onde se pretende instalar a barragem. Uma declaração de 2010 não reflecte os cenários de hoje”, sublinha. Com a acção popular, a associação ambientalista pretende “um novo estudo, uma nova consulta pública e, consequentemente, uma nova decisão, à luz do que se passa no terreno”.

Em resposta enviada ao PÚBLICO, a APA confirmou que a validade da declaração de impacte ambiental se estendia originalmente até 30 de Abril de 2012, mas foi sendo prorrogada graças a alguns mecanismos legais. A última prorrogação, baseada no Memorando de Entendimento celebrado entre o Estado, a APA e a EDP em 2016, foi de três anos e entrou em vigor em 30 de Dezembro de 2017. A entidade esclareceu ainda que a validade não pode ser prorrogada além de 30 de Dezembro de 2020, portanto a data-limite para a EDP iniciar a obra.

Na sequência do parecer favorável, em Maio de 2010, a energética anunciou que iria investir 260 milhões de euros para erguer, no Fridão, uma barragem capaz de gerar anualmente 295 gigawatts-hora, de servir cinco concelhos – Amarante, Mondim de Basto, Celorico de Basto, Cabeceiras de Basto e Ribeira de Pena – e de criar cerca de 4.000 empregos. A execução do projecto, porém, está suspensa desde 18 de Abril de 2016, quando o Ministério do Ambiente apresentou a revisão do Plano Nacional de Barragens. No documento, a tutela justificou a decisão com a necessidade de “uma avaliação mais apurada das consequências a nível energético pela sua não execução”.

Receios chegam ao campo económico
A quinta de Fernando Fernandes, com uma superfície de 10,5 hectares, abeira-se do Tâmega na fronteira entre as freguesias de Arnóia e de Codeçoso, no concelho de Celorico de Basto. Está cerca de cinco quilómetros a montante do local de implementação da barragem. Se a obra avançar, cerca de 60% do terreno que detém ficará submerso, com a albufeira que irá surgir. O proprietário faz do turismo rural a sua principal actividade, mas tem notado uma procura crescente do enoturismo, com grupos de pessoas a afluírem à quinta praticamente todos os dias para fazerem a prova de um vinho de produção biológica. Com a barragem, avisa, a vinha ficaria afectada. Mas não só. Os efeitos também far-se-iam sentir na paisagem e no turismo de natureza, comum na zona. “Com a barragem, iria ser destruída a parte mais autóctone da quinta. Ficariam à vista os eucaliptos. Também deixaria de haver rafting, com o desaparecimento dos rápidos”, diz.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

PNBEPH - TÂMEGA: GEOTA avança com ação popular em tribunal contra a barragem de Fridão






PNBEPH - TÂMEGA
GEOTA avança com ação popular em tribunal contra a barragem de Fridão

O grupo ambientalista GEOTA vai avançar com uma ação popular em tribunal contra a construção da barragem de Fridão, no rio Tâmega, na zona de Amarante, disse hoje à Lusa um dirigente. 

Segundo João Labrincha, está a decorrer esta semana um périplo pelos diferentes concelhos que podem ser afetados pela barragem, com reuniões com a população.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

RIO TÂMEGA - MARCO DE CANAVESES: Marco de Canaveses: Há 27 anos foi notícia a implosão da ponte sobre o rio Tâmega







RIO TÂMEGA - MARCO DE CANAVESES
Marco de Canaveses: Há 27 anos foi notícia a implosão da ponte sobre o rio Tâmega


"Acaba de ser demolida a ponte de Canaveses, que ficara submersa com a construção da barragem do Tâmega I", assim começava uma notícia publicada na edição de 16 de Outubro de 1991 do Jornal A VERDADE.

O assunto foi a implosão com dinamite da antiga travessia, que aconteceu pelas 14 horas de 11 de Outubro de 1991, "tendo os rebentamentos destruído cerca de metade da ponte". Os trabalhos de demolição foram dados como concluídos no dia seguinte.

A antiga ponte "de guardas ameadas com o comprimento de 156 metros e com a largura de 6 metros de faixa de rodagem, com passeios laterais de 80 centímetros cada, com três grandes arcos em ogiva e dois circulares laterais", abriu ao trânsito em 12 de Junho de 1944, sendo o eng. Valente de Araújo o autor do projeto que teve como base a reconstituição da velha ponte romana que existiu no local.

A foto em destaque foi retirada da página do Facebook, Ponte de Canaveses.


in A Verdade - 11 de Outubro de 2018

terça-feira, 2 de outubro de 2018

RIO TÂMEGA - BARRAGENS DA IBERDROLA: Energia: Ecossistema da barragem








RIO TÂMEGA - BARRAGENS DA IBERDROLA

Energia: Ecossistema da barragem

Juan José Dapena (primeiro da esquerda), técnico da Iberdrola, refere que o Sistema Electroprodutor do Tâmega (SET) irá gerar 3500 empregos directos e que “80% do pessoal contratado será da região”. O responsável ambiental ressalva a preocupação da eléctrica com o ambiente, dando como exemplo disso a plantação de duas árvores por cada uma abatida. Ainda assim, multiplicam-se os alertas da comunidade científica a propósito dos danos provocados pelas três barragens do SET, as quais, entre outros impactos, irão alagar zonas como a da foto.

Alterações climáticas, vitória dos peixes invasores, potenciação de sismos. O maior empreendimento em construção em Portugal e uma das maiores barragens europeias dos últimos 25 anos.

Soldadores em arco submerso era especialidade rara, se sequer conhecida, no Alto Tâmega. Ao longo de cinco meses, o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), autarquias e a empresa austríaca que ganhou a empreitada da conduta metálica da barragem de Gouvães providenciam esta especialização. “Se não tivéssemos promovido o concurso viriam provavelmente de outros lados”, diz à FORBES Alberto Machado, presidente da Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega.
Este é um dos impactos dos 1,5 mil milhões de euros que a Iberdrola irá investir no Sistema Electroprodutor do Tâmega (SET). Mas não é tudo um lago de paz.
Viela, aldeia de Ribeira de Pena, tem a viabilidade em risco, lemos no Estudo de Impacto Ambiental de 2010. Em Santa Marinha, local de lançamento do empreendimento em Dezembro de 2014, ruas e terrenos agrícolas desaparecerão sob as águas, e o autarca local, Domingos Teixeira, assegura que as pessoas prefeririam as terras à indemnização. Outros efeitos: danos nas estradas e nas casas, devido aos camiões e às “explosões muito agressivas”, diz Domingos. Mas há ganhos no emprego, arrendamento e restauração, assume.
Alberto, autarca de Vila Pouca de Aguiar, assegura que a Iberdrola é muito exigente com os empreiteiros. Em torno da obra, a segurança, a cargo da Securitas, é feita por gente da terra, certificada num curso de dois meses. Cai o desemprego e os operários sem formação específica adquirirem-na.
“Há um número elevadíssimo de engenheiros e enfermeiros do Alto Tâmega contratados pela Iberdrola”, diz Alberto, que ainda assim considera pouco, razão para ser “sempre dos pontos mais debatidos na comissão de acompanhamento das barragens”, explica.

Barragens respondem num minuto

Diz o povo que “em Abril, águas mil”, mas a tradição e o clima já não são o que eram e desde 1931 que não havia um Abril “extremamente seco” como este. Indica ainda o Instituto Português do Mar e da Atmosfera que em 40% das suas estações não caiu “uma gota” até dia 29, e em Faro e Évora o termómetro encostou nos 33 graus Celsius.
Entre ambientalistas e no documento orientador da política do Governo (GOP 2016-2019) salienta-se, sem surpresa, o potencial das fotovoltaicas. Nestas, as variações na produção, em função do clima, oscilam abaixo dos 5%, metade da variação do eólico. Já na hidroelectricidade pode haver variações de 350% entre ano seco e mais chuvoso, explica o presidente da associação de renováveis.
O potencial hidroeléctrico neste nosso clima mediterrânico “é muito baixo”, assegura João Joanaz de Melo, engenheiro do Ambiente, professor universitário e especialista em impactos ambientais. Contudo, tanto as eléctricas como os actuais e ex-governantes defendem que com as barragens reversíveis evita-se desperdício de energia renovável.
De forma abreviada: imagine-se um lago urbano em que a água cai da fonte para o lago, segue para um reservatório e é de novo levada à fonte por intermédio de motores. Nos sistemas de barragens reversíveis, as mesmas vagas de água vão e voltam, a céu aberto e por condutas, produzindo (e gastando) electricidade pelo meio.
Em 2016, na reavaliação do Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) – lançado em 2007 com 10 barragens –, aludia-se à necessidade de armazenar a energia que o solar, biomassa, biogás, mini-hídrica e ondas produzem em excesso. As eólicas, mais produtivas à noite, são o exemplo maior de desperdício.
Na hídrica reversível, a chave do negócio é o portentoso reservatório de água, como se de uma bateria de dimensões “bíblicas” se tratasse. Aí se armazena água, para voltar a produzir electricidade em momentos de maior procura e preço de venda mais alto. E se todo o país ligar o interruptor em simultâneo, a hídrica pode acorrer a um pico de consumo num só minuto, hiato mais baixo entre todas as formas de produção.
Uma década depois de o PNBEPH ter sido lançado, só a barragem de Foz Tua e o SET avançaram. A primeira está prestes a ser inaugurada. O segundo, constituído pelas barragens de Gouvães, Daivões e Alto Tâmega, terá uma das maiores barragens europeias dos últimos 25 anos e estará em construção até 2023.

A carteira do consumidor

Artur Trindade, secretário de Estado da Energia no Governo PSD/CDS que cortou nas “rendas” às eléctricas, por pressão da “troika”, e deu o empurrão final ao PNBEPH, defendeu publicamente que “as barragens não têm qualquer custo para o consumidor”.
À FORBES, o Ministério do Ambiente assegura haver apenas o “incentivo ao investimento” previsto na Portaria 251/2012, e que vigora por 10 anos. A Iberdrola afirma ser apenas uma questão de mercado, com luta entre os produtores para vender à rede, em Portugal ou Espanha, no âmbito do Mercado Ibérico de Electricidade (MIBEL).
A questão das “rendas” voltou à agenda com o Departamento Central de Investigação Penal e Acção Criminal (DCIAP) a confirmar, no dia 2 de Junho, que já há arguidos numa investigação a esta compensação paga pelo Estado. Entre eles estão António Mexia e João Manso Neto, presidentes da EDP e da EDP Renováveis, respectivamente e João Conceição, administrador da REN.
No outro lado da fronteira, em La Muela, nas montanhas a norte de Valência, Juan José Dapena, responsável ambiental da Iberdrola no SET, leva-nos a conhecer a central de Cortes-La Muela, complexo “quase gémeo” do projecto do Alto Tâmega, diz-nos. Destaca-se um mastodôntico “tanque” com 4,5 km de largura, que a eléctrica construiu numa zona plana, e se encontra a 500 metros acima da albufeira.
No SET, o “depósito” será uma barragem, Gouvães, no Rio Torno, a 7 km do Tâmega, onde as barragens de Alto Tâmega e Daivões, separadas por 10 km, também produzirão electricidade. “Aproveitamos as energias excedentárias [quando a produção de todas as fontes é maior que o consumo] para encher o depósito”, explica Juan.
A calma do local e a aparente limpeza da água em La Muela contrasta com a agitação do lado de cá da fronteira. As trocas de água entre o Tâmega e o “depósito” no Torno acabará com a limpidez deste, antevê Rui Cortes, professor catedrático na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e especialista em hidrologia.
Puxada pelas quatro turbinas-bomba (reversíveis, capazes de sugar a água para Gouvães e expeli-la para produzir electricidade) com 880 megawatts (MW) de potência, a água vai voltar a escorrer lá do alto em direcção ao Tâmega durante o dia, quando há mais solicitação à rede. “É o complemento energético perfeito para o rendimento das centrais nucleares”, diz-nos o responsável de La Muela.
Graças ao MIBEL, a Iberdrola pode, em teoria, lucrar por ter em Portugal um empreendimento capaz de aproveitar a energia excedentária de Espanha: se a electricidade for injectada em saldo na rede – ou até a custo zero pelas centrais nucleares, que não podem parar por razão de estabilidade funcional – a companhia poupa na aquisição para bombagem no SET; disparando o valor da electricidade em período nocturno, perde na bombagem mas ganha no preço vendido pelas centrais nucleares, como a de La Muela.
Equação que, diga-se, vale para outros produtores. Com perdas de eficiência na ordem dos 20%, a bombagem é atractiva apenas com preço de venda à rede reduzido. Dos 9121 gigawatt-hora (GWh) produzidos pelas grandes hídricas, quase um terço foi consumido pela bombagem e pelo próprio funcionamento das barragens, indica a Direção-Geral de Energia e Geologia. “Este mecanismo gasta evidentemente energia, mas fá-lo num período em que o objectivo principal é equilibrar o diagrama de cargas”, explica o Ministério do Ambiente à FORBES.
A REN, por seu lado, assume que a reversibilidade que vimos em La Muela e veremos no SET em 2023, é importante para o equilíbrio do sistema e evita desperdiçar a elevada produção eólica – e fotovoltaica. No actual estágio tecnológico, “a bombagem hidroeléctrica é a única forma de armazenamento de energia em grandes quantidades”, ressalva fonte da empresa.
Mas nestes 70 anos da concessão do SET podem ser desenvolvidas mega-baterias e o próprio parque automóvel eléctrico pode tornar-se um “armazém” para a energia nocturna, nota Joanaz de Melo, um dos mais activos agentes anti-PNBEPH e colaborador do Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA).
Esta associação ambientalista entregou uma queixa crime na Procuradoria-Geral da República relativa às decisões políticas e técnicas que rodearam o programa, processo que, de acordo com o noticiado pelo “Jornal Económico”, já está a ser investigado pelo Ministério Público.

Vieram para ficar

Francisco Nunes Correia, ministro do Ambiente de José Sócrates, assume que “é inquestionável” que qualquer barragem interfere nos rios. “Nada foi feito levianamente, sem preocupações ambientais”, defende um dos “pais” do PNBEPH. Nem todos os danos são inaceitáveis, desde que garantidas as condições essenciais e contrapartidas, diz.
As hidroeléctricas têm “carácter prioritário” nesta altura de maturidade tecnológica, sobretudo num país com 54% da sua capacidade hídrica ainda por explorar, diz o Ministério do Ambiente. Reforçar a capacidade hídrica num momento em que já há potencial de produção acima do consumo (muitas das fontes estão em stand-by para acorrer a períodos de maior procura) “é como ter quatro pneus sobressalentes no carro”, diz Joanaz.
Em 2016, o tempo de apagão na rede foi de 34 segundos, menos de metade do ocorrido em 2010, o ano recorde de consumo de electricidade em Portugal. Desperdiçar menos, via eficiência energética, e não gastar mais, recomenda o professor, advogando que estes investimentos em barragens resultarão inevitavelmente em prejuízos.
Juan assegura que o risco do investimento recai sobre os accionistas da Iberdrola. Além dos lucros que espera obter da operação, a Iberdrola “fica mais conhecida e declara que está em Portugal para mais 70 anos”, diz o engenheiro da eléctrica quando perguntamos qual o racional de vir “empatar” 1,5 mil milhões de euros em Portugal.
Para este período da concessão – que poderá ser prorrogado –, há riscos identificados em estudos (e que valem para a generalidade das barragens reversíveis). Um deles, da Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos, indica que a viabilidade dependerá “muito da evolução do custo da energia, do crescimento dos consumos e, sobretudo, da evolução do diferencial entre as tarifas das horas de vazio e das horas cheias”.
Acresce o papel da indústria, que pode desviar produção para o período diurno se não lhe agradar a revisão que o actual Governo está a fazer ao “serviço de interruptibilidade” – os consumidores pagarão este ano 112 milhões de euros a cerca de 50 empresas para que estas parem a produção se o sistema eléctrico nacional estiver sobrecarregado.
A “Directiva de Energias Renováveis”, de 2009, assume que para atingirem critérios de renováveis, os países podem trocar electricidade entre si, o que pode abrir novos mercados a Portugal, tal como o fim do nuclear. Variável essencial, o consumo só no ano passado igualou valores de 2011, ainda a 5,6% do máximo histórico registado em 2010.
Irá crescer para o dobro em 2050 –dentro de 33 anos, menos de metade do período de concessão do SET –, como se previa em 2012?

Gestão política

Em 2015, a negociação do Partido Socialista com os partidos mais à esquerda (a designada “geringonça”) motivou a reavaliação do programa de barragens. Manuela Cunha, dirigente do PEV, admite à FORBES que “o Governo não conseguiu ou não quis parar [o SET] por considerar que já havia obras no terreno e não era possível chegar a acordo sem indemnizar”.
Em 2008, tinham sido pagos 623 milhões de euros pelas eléctricas. Uma década depois do tiro de partida dado por José Sócrates, cinco barragens ficaram sem candidato a exploração (uma delas, Almourol, previa submergir parte de Constância), duas, Girabolhos (Endesa) e Alvito (EDP), foram canceladas na reavaliação feita pelo Executivo de António Costa, e outra, Fridão (EDP) está em suspenso até 2019.
Um alívio momentâneo para a população de Amarante, contestatária da redução do caudal do Tâmega e preocupada com a submersão do centro histórico em caso de uma ruptura da barragem como a verificada em Minas Gerais há ano e meio. “Dá-nos mais tempo”, diz Manuela, antecipando novas batalhas.

A central hidroeléctrica de Cortes-La Muela, gerida pela Iberdrola, servirá como referência para o SET, que arrancou em 2014 e deverá terminar em 2023. O projecto em território nacional vai envolver um investimento de 1,5 mil milhões de euros por parte da empresa espanhola e será composto pelos aproveitamentos de Gouvães, Alto Tâmega e Daivões.
À imagem da central de Cortes-La Muela, também o SET irá recorrer a um sistema de bombagem, que permitirá enviar água que já passou pelas turbinas da barragem até um ponto mais alto – para que a mesma água volte a criar energia -, permitindo assim aproveitar a energia não usada, por exemplo, por centrais eólicas.

Impacto ambiental

Juan José Dapena (na foto ao lado), responsável da Iberdrola, explica à FORBES que há seis anos que estão a ser feitos controlos de água do Tâmega e já se sentem alterações produzidas pelas Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR). Desde há um ano faz-se monitorização em mais de 100 poços, diz.
O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) será respeitado, o caudal ecológico também, a pista de pesca de Cabeceiras de Basto será mantida e por cada árvore abatida serão plantadas duas, assegura. Só que também o EIA é alvo de críticas. Manuela Cunha, do Partido Ecologista “Os Verdes”, refere que a avaliação excluiu, entre outros, os corredores de alta tensão para transporte da electricidade até à rede. Rui Cortes, professor catedrático, apela a um esforço de controlo de fontes de contaminação na albufeira e uma coordenação entre autoridades.
A biodiversidade também sofrerá, com perda de flora e vitória das espécies invasoras, como já acontece no Douro e em Castelo do Bode, onde o peixe gato está a subjugar os autóctones. Com a água presa na barragem e a reversibilidade que colocará a água num vaivém, espera-se formação de marés, degradação da água, surgimento de algas com potencial de irritação cutânea e materiais em suspensão, situação propensa à formação de metano e pouco dada ao turismo, ironiza o professor catedrático.
Para compensar impactos, a Iberdrola empregará 50 milhões de euros em beneficiação de museus, parques naturais, um cemitério, relocalização de uma capela e remodelação do estádio do Desportivo de Chaves.

Permanecem razões para preocupação elevada no Tâmega, que já vem poluído de Espanha e é sobrecarregado a jusante de Chaves por agricultura, indústrias e matadouros. “Não há necessidade de espatifar mais um rio para produzir energia que não gastamos”, considera Joanaz de Melo. O engenheiro Ambiental e professor da Universidade Nova apela a que se olhe a degradação a que chegou a água a jusante, na barragem do Torrão.

, in Forbes - 2 de Outubro de 2018