domingo, 31 de março de 2019

PNBEPH - RIO TÂMEGA: Geota dá conselhos ao ministro do Ambiente sobre como dizer “não” à barragem de Fridão, “sem custos”







PNBEPH - RIO TÂMEGA
Geota dá conselhos ao ministro do Ambiente sobre como dizer “não” à barragem de Fridão, “sem custos”


                                                                                       Praia fluvial da Ponte e caminho romano, em Mondim de Basto, vão ficar submersos se a Barragem de Fridão for construída | Carla Tomás
 
O grupo ambientalista enviou este domingo um email a João Pedro Matos Fernandes, com “argumentos para negociar com a EDP o cancelamento da barragem de Fridão, projetada para o rio Tâmega, “sem custos” para o Estado e para os contribuintes
 
Dois dias depois de o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, ter admitido publicamente que a barragem de Fridão “não é necessária” para cumprir a meta de produção de energia elétrica a partir de fontes renováveis, o Geota decidiu enviar-lhe alguns conselhos sobre os argumentos que pode utilizar nas negociações em curso com a EDP.
 
A empresa é a dona do projeto e, em 2008, adiantou ao Estado €218 milhões pela concessão de uma infraestrutura que, se for construída, vai submergir património natural e cultural e pode pôr em risco a cidade de Amarante, dando como contrapartida uma contribuição de 0,6% para a produção elétrica nacional.

O Geota tem estado na linha da frente da contestação ao empreendimento e a petição pública contra a barragem #frinão já reuniu em duas semanas mais de 3600 assinaturas pelo “não”.

O Expresso regista aqui os argumentos apresentados pelo Geota na carta enviada este domingo ao ministro, alguns dos quais já tinham sido expostos a Matos Fernandes numa reunião realizada a 20 de março.


1.“A EDP não quer construir a barragem”

“Seria inaceitável que o Estado indemnizasse a EDP por um projeto que a empresa não quer há muito”, sublinha Ana Brazão, coordenadora do projeto Rios Livres. O grupo ambientalista lembra que “a EDP já demonstrou em vários momentos não querer construir a barragem de Fridão”. Fê-lo em 2012, “quando perdeu os subsídios à garantia de potência”; em 2013, quando “pediu ao Estado para suspender a implementação que não se tinha iniciado”; e em 2016 quando manifestou o seu acordo por o Governo (a pedido do Partido Os Verdes) ter decretado a suspensão até 18 de abril de 2018. Segundo Ana Brazão, “a empresa não tem interesse na construção de Fridão e apenas tem adiado o anúncio da desistência na esperança de a iniciativa partir do Estado, permitindo-lhe exigir a devolução e indemnização".

2. Só produz 0,6% da eletricidade nacional

A barragem do Fridão “produziria menos de 0,6% da eletricidade nacional”, segundo os cálculos do Geota, baseados em dados oficiais do Estado e da EDP. Isto porque, explicam os ambientalistas, o Rio Tâmega “tem caudais reduzidos e muito irregulares” e a montante estão em construção três outras grandes barragens concessionadas à Iberdrola.

3. Não há lugar a qualquer indemnização

De acordo com um parecer jurídico que pediram ao Centro de Estudos de Direito do Ordenamento, do Urbanismo e do Ambiente (CEDOUA) da Universidade de Coimbra, “o Governo pode e deve colocar à mesa das negociações todos os incumprimentos da elétrica para com o Estado em vários contratos”. Entre estes, destacam o facto de “quase uma década depois do início das obras da barragem de Foz Tua, continuar a não existir uma alternativa à Linha do Tua, prejudicando as populações locais e pondo em causa um potencial turístico e económico inigualável". Este incumprimento de uma condicionante imposta à EDP pode, segundo o Geota, ser usado como argumento por parte do Governo.

4. Os prejuízos para o Estado

As contas que forem colocadas em cima da mesa têm de ter em conta os prejuízos somados pelo facto de a própria EDP ter querido adiar o projeto, defende o Geota, já que, sublinham, “isso obrigou ao prolongamento da suspensão dos Planos Diretores Municipais da região durante quase uma década, prejudicando gravemente o desenvolvimento da economia local e também a nacional”. Segundo Ana Brazão, “se a administração da EDP tiver respeito pelos portugueses, sobretudo aqueles que mais têm sido prejudicados pelo impasse, nas Terras de Basto, desistirá de Fridão sem exigir qualquer valor pelo cancelamento”.

5. O histórico

O facto de as barragens de Girabolhos e do Alvito terem sido canceladas sem que o Estado tivesse de devolver os valores pagos pelo direito de implementação, serve de argumento ao Geota para justificar que "é possível e desejável negociar o cancelamento sem custos".

6. Fazer Fridão sairá mais caro aos contribuintes

Por fim, Ana Brazão insiste que continua a ser mais barato o cancelamento do projeto. E justifica: “Em vez de se repercutir nos impostos, o custo será refletido na fatura da eletricidade de todos os consumidores, já que, em vez de apenas €218 milhões, estaríamos a falar desse valor acrescido do investimento de €304 milhões na obra, ao qual se somariam custos operacionais e de manutenção”. Na estimativa do Geota, a conta rondará €700 milhões.
 
Carla Tomás, in Expresso - 31 de Março de 2019

sábado, 30 de março de 2019

PNBEPH - RIO TÂMEGA: Ministro do Ambiente admite que a barragem de Fridão “não é necessária”







PNBEPH - RIO TÂMEGA
Ministro do Ambiente admite que a barragem de Fridão “não é necessária”



João Pedro Matos Fernandes assume que a polémica barragem prevista para o rio Tâmega em nada contribui para as metas de produção de energia de fontes renováveis.

O “sim” ou o “não” à barragem do Fridão continuam a ser adiados para meados de abril. Porém, o ministro do Ambiente assume que a polémica barragem “não é necessária” para cumprir a meta estabelecida para a produção de energia elétrica a partir de fontes renováveis.

“Podemos cumprir a meta de 80% de eletricidade de fontes renováveis sem Fridão”, afirmou João Pedro Matos Fernandes esta sexta-feira, em entrevista ao Porto Canal.

Segundo o ministro do Ambiente, o Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico, aprovado em 2007, dá ao Governo “uma grande liberdade” para tomar uma decisão até 18 de abril, data em que termina o período de suspensão da barragem do Fridão, decidido em 2015 em articulação com a própria EDP. Porém, essa “liberdade” de decisão está refém da negociação que está em curso com a empresa, tendo em conta que a EDP adiantou ao Estado português 218 milhões de euros pela concessão. Ou seja, o que está em causa é definir como vão ser repartidos os prejuízos, tendo em conta que ninguém parece estar verdadeiramente interessado em construir esta barragem.

“A contribuição desta barragem é de apenas 0,6% da produção elétrica nacional e de 0,1% da energia primária produzida”, lembra Ana Brazão, coordenadora do projeto Rios Livres do Geota. A ideia é reforçada pelo dirigente do Geota João Joanaz de Melo: “Não é evidente que a EDP mantenha interesse nesta barragem, dada a sua baixa produtividade e o facto de, devido às alterações climáticas, podermos depender cada vez menos da chuva.”

Para os ambientalistas do projeto Rios Livres do Geota, as palavras do ministro Matos Fernandes no Porto Canal “são claramente ótimas notícias, mas nada está garantido enquanto a decisão oficial não for tomada”. O grupo foi recentemente recebido pelo ministro do Ambiente, a quem explicou que “do ponto de vista energético existem mais e melhores alternativas, nomeadamente a aposta na eficiência energética ou na energia solar”. Quanto ao valor a pagar à EDP, o Geota reforça que “o Estado deve negociar com a EDP para não haver lugar a indemnização nem devolução de dinheiro, atendendo a tantas falhas contratuais da empresa para com o Estado, especialmente no caso da barragem de Foz Tua”.

O projeto de Fridão está suspenso desde 2016, na sequência do compromisso assumido pelo atual Governo com o partido Os Verdes para a reavaliação do plano de barragens e de um memorando de entendimento com a EDP. Agora, esta empresa apenas diz que “mantém total disponibilidade para, em conjunto com as diferentes entidades envolvidas no projeto, explorar as melhores soluções”, entre as quais a possibilidade de “redimensionar o projeto”.

De acordo com cálculos feitos pelo antigo Instituto da Água, em caso de uma rutura na barragem, localizada a montante de Amarante, em zona de suscetibilidade sísmica, uma onda gigante deixaria o coração desta cidade submerso.

Carla Tomásin Expresso - 30 de Março de 2019  

sexta-feira, 29 de março de 2019

TÂMEGA - BARRAGEM DE FRIDÃO: Fridão, a barragem e um território em suspenso







TÂMEGA - BARRAGEM DE FRIDÃO

Fridão, a barragem e um território em suspenso


(Clicar na imagem acima para ver o vídeo) 

A "barragem que ninguém quer" ficaria muito perto de Amarante, em Fridão, numa zona de atividade sísmica, e com risco de colapso. Planeada desde 2007 foi suspensa em 2016. Cancelar a obra significa devolver 218 milhões à EDP.

in Jornal de Notícias - 29 de Março de 2019

ENERGIA - IBERDROLA: Ignacio S. Galán reeleito presidente da Iberdrola até 2023






ENERGIA - IBERDROLA
Ignacio S. Galán reeleito presidente da Iberdrola até 2023

Os acionistas da energética votaram a favor da renovação do mandato de Ignacio S.Galán até 2023, completando mais de 20 anos no conselho de administração da Iberdrola.


 Ignacio S. Galán, líder histórico da Iberdorla desde 2006, vai continuar a comandar a estratégia do grupo a nível mundial. Os acionistas da empresa que hoje estiveram reunidos na assembleia anual não tiveram dúvidas em renovar o mandato de Galán até 2023.

A larga maioria (98,2%) das centenas de acionistas que encheram o auditório do Palácio Euskalduna de Bilbau, terra natal da Iberdrola, votaram a favoravelmente a reeleição do gestor que integrou o conselho de administração da empresa em 2001 e, com este apoio, ficará no órgão de direção da empresa mais de 20 anos. 

Este era um dos últimos pontos da agenda da assembleia-geral que aprovou ainda as contas e o plano de reforço de investimento da empresa e contou com 74% dos acionistas representados. Mas tendo em conta os fortes aplausos que Ignacio S. Galán, 68 anos, foi merecendo ao longo do seu discurso de mais de meia hora que abriu a reunião magna, não surpreendeu os presentes.

"O exercício de 2018 foi histórico para a Iberdrola. A nossa atividade no ano passado traduziu-se em vendas superiores a 35 mil milhões de euros, mais 12% do que no ano anterior", começou por referir o gestor na sua intervenção onde Portugal  também foi referido como um dos principais exemplos no campo das renováveis com o sistema eletroprodutor do Tâmega.

Este projeto, que está a ser construído no Norte de Portugal prevê um investimento de 1.500 milhões de euros para a totalidade da obra, que está 45% executada e deverá estar concluída em 2023. Até ao final de 2018 o grupo tinha investido mais de 770 milhões, mais de metade. As barragens no Tâmega vão ter uma capacidade de produção anual de 1.766 gigawatts hora (GWH), o que equivale a 6% da potência instalada no país, segundo a Iberdrola.

A Iberdrola também anunciou o reforço em 30% para 34 mil milhões de euros do plano de investimento que vai focar-se essencialmente em renováveis e redes reguladas nos vários países onde está presente, entre os quais Portugal. Deste total que vai ser investido até 2022, 47% será direcionado para a construção de redes e 39% para renováveis. Mas a divisão do ‘bolo’ por mercado não é conhecida.

Após a implementação deste plano, a Iberdrola prevê aumentar a sua capacidade em 29% até 2022. E no final desse ano espera alcançar um lucro entre os 3,7 a 3,9 mil milhões de euros, um aumento de 30% face ao resultado atingido em 2018 (3 mil milhões de euros).

Além do Tâmega, a Iberdrola tem três parques eólicos em Portugal (Torres Vedras, Mortágua e Tondela e Ribeira de Pena) com uma capacidade conjunta de 220 GWh/ano.

Os acionistas do grupo espanhol aprovaram ainda o aumento de dividendos em 7,7% para 0,351 euros.

Sara Ribeiro, in Jornal de Negócios - 29 de Março de 2019

IBERDROLA - RIO TÂMEGA: Sistema eletroprodutor do Tâmega já envolve 1800 trabalhadores











IBERDROLA - RIO TÂMEGA
Sistema eletroprodutor do Tâmega já envolve 1800 trabalhadores


A obra do sistema eletroprodutor do Tâmega, a cargo da Iberdrola, envolve já cerca de 1.800 trabalhadores de forma direta, entre os quais perto 370 com origem nos municípios em volta do projeto, tendo como um dos seus lemas, “um compromisso local, uma visão global”.

Há mais de 75 empresas portuguesas, das quais 30 são locais a participar ou já participaram no projeto, diretamente contratadas pela Iberdrola, enquanto outras foram contratadas por empreiteiros, segundo revelaram esta quarta-feira os responsáveis da Iberdrola, na região do Tâmega, numa visita ao seu maior investimento em Portugal, sendo que a empresa contínua a promover a utilização de energia cem por cento verde e a contribuir para o objetivo de descarbonização da economia.

Em desenvolvimento desde 2014, o Sistema Eletroprodutor do Tâmega, que consiste em três aproveitamentos hidroelétricos (de Gouvães, de Daivões e ainda do Alto Tâmega), encontra-se muito próximo de metade da obra concluída, como foi hoje testemunhado por jornalistas, estando previsto que esse marco seja alcançado durante o mês de abril.

Para já, 45 por cento da obra, a nível global, está terminada, o que segue o programa previsto, com a central hidroelétrica de Gouvães subterrânea e a albergar quatro turbinas reversíveis com 220 megawatts cada.

Aqui, o progresso do aproveitamento é de 55 por cento, estando o início da operação comercial previsto para dezembro de 2021 e continua a ser feita a betonagem dos diversos elementos da obra, como as cavernas da central (já superou metade do volume de betão), a caverna de transformadores, o poço de cabos, as galerias de aspiração e as barras. Continua também a avançar a montagem da conduta forçada, onde já foram instaladas 5.500 toneladas de aço de um total de 11.000 toneladas.

Três câmaras espirais já chegaram
Entretanto, já chegaram à obra três das quatro câmaras espirais, que fazem parte das turbinas e espera-se receber a última no princípio de abril.

Já no Aproveitamento Hidroelétrico de Daivões, cujo início de operação também está previsto para dezembro de 2021, a barragem tem já colocado cerca de 60 por cento do volume total de betão (242.000 m3), prevendo-se que a betonagem esteja terminada no final do verão.

Quanto à bacia de dissipação, 10 por cento do betão já foi colocado e, na central hidroelétrica, a fase de betonagem encontra-se a 25 por cento, decorrendo em simultâneo com a montagem dos equipamentos, como as câmaras espirais.

Os circuitos hidráulicos estão a ser revestidos a betão armado, estando essa ação concluída a 15 por cento no rio, a jusante da barragem, estão em curso algumas intervenções, como o reperfilamento do rio e da pista de pesca, trabalhos que estarão concluídos no final do verão do próximo ano.

Rumo à energia verde
No aproveitamento hidroelétrico de Alto Tâmega, cujo início dos trabalhos teve lugar em março de 2017, está colocado em serviço, desde outubro do ano passado, o túnel de desvio do rio, com uma extensão de 250 metros.

Das estruturas definitivas do empreendimento, está concluído o túnel de acesso à central (480 metros), assim como as escavações e contenções da barragem, tomada de água e descarregadores laterais.

Já as escavações e contenções da central estão com um desenvolvimento de 86%, num volume acumulado de 55.000 m3 e o aproveitamento hidroelétrico de Alto Tâmega tem a conclusão dos trabalhos civis prevista para 2021, iniciando-se nesse ano os trabalhos de montagem das duas turbinas da central, enquanto a operação comercial está prevista para dois anos depois, isto é, em 2023.

Até 2023, terá sido concluído o investimento total previsto de 1.500 milhões de euros, dos quais mais de 50 por cento foram investidos até ao final de 2018 (770 milhões de euros).

Este projeto, com uma potência instalada de 1.158 megawatts, representará, quando construído, 6% da potência instalada em Portugal. Para além disso, evitará a importação de mais de 160.000 toneladas de petróleo por ano e a emissão de mais de 1,2 milhões de toneladas de CO2 por ano.

Iberdrola, líder global em energia
A Iberdrola é líder global em energia, a principal produtora de energia eólica e uma das maiores empresas de energia elétrica do mundo por capitalização de mercado e o grupo está presente em diversos países e fornece energia para quase 100 milhões de pessoas, principalmente, em Espanha, no Reino Unido (ScottishPower), nos Estados Unidos (AVANGRID), no Brasil (Neoenergia) e no México.

Com uma força de trabalho de 34.000 pessoas e ativos superiores a 113.00 milhões de euros, registou um volume de faturação de 35.075,9 milhões de euros e um lucro líquido de 3.014 milhões de euros em 2018.

A Iberdrola lidera a transição energética para um modelo sustentável, através de investimentos em energias renováveis, redes inteligentes, armazenamento de energia em larga escala e transformação digital para oferecer os produtos e serviços mais avançados aos seus clientes.

Graças à sua aposta nas energias limpas, é uma das empresas que regista menores emissões e uma referência internacional pela sua contribuição para a luta contra as alterações climáticas e para a sustentabilidade.

Joaquim Gomes (joaquim.gomes@sol.PT), in Sol -  29 de Março de 2019

quinta-feira, 28 de março de 2019

OPINIÃO: Recortes ambientais





OPINIÃO
Recortes ambientais

Estas últimas semanas, como aliás já vem sendo habitual, as notícias sobre questões relacionadas com o ambiente proliferam nos órgãos de comunicação social locais, quase que competindo com a prim(azia) das notícias desportivas.
Não fosse alguém estar distraído com o futebol, fiz um pequeno resumo e comentário de algumas dessas notícias:

(...)

6. Barragem de Fridão
Ainda que não sendo em Guimarães, a barragem de Fridão não deixa de ser um assunto que interessa a todos os que têm preocupações ambientais, e em especial para quem luta pela sustentabilidade das linhas de água. Assim, aqui fica o desafio para se informarem sobre o tema, e caso discordem da sua construção, não deixem de fazer valer a vossa voz assinando a petição que está disponível online. Hoje é no Tua e em Amarante, amanhã pode ser no Ave e nas Taipas.


José Cunhain Reflexo Digital - 28 de Março de 2019








PNBEPH - ALTO TÂMEGA
Barragens no Tâmega já vão a meio, Iberdrola já investiu mais de 770 milhões
 
 
Este projeto, com uma potência instalada de 1.158 megawatts, representará, quando construído, 6% da potência instalada em Portugal.

“Em desenvolvimento desde 2014, o Sistema Eletroprodutor do Tâmega, encontra-se muito próximo dos 50% de obra concluída, estando previsto que esse marco seja alcançado durante o mês de abril. Para já, 45% da obra, a nível global, está terminada, o que segue o programa previsto”, informou esta quinta-feira a Iberdrola em comunicado. O projeto é composto por três centrais hidroelétricas – Gouvães, Daivões e Alto Tâmega.
 
Até 2023, terá sido concluído o investimento total previsto de 1.500 milhões de euros, dos quais mais de 50% foram investidos até ao final de 2018 (770 milhões de euros). Este projeto, com uma potência instalada de 1.158 megawatts, representará, quando construído, 6% da potência instalada em Portugal. Para além disso, evitará a importação de mais de 160.000 toneladas de petróleo por ano e a emissão de mais de 1,2 milhões de toneladas de CO2 por ano.
 
Individualizando, a central hidroelétrica de Gouvães é subterrânea e alberga quatro turbinas reversíveis com 220 megawatts cada. Aqui, o progresso do aproveitamento é de 55%, estando o início da operação comercial previsto para dezembro de 2021, garante a Iberdrola.
 
Já em Daivões, cujo início de operação também está previsto para dezembro de 2021, a barragem tem já colocado cerca de 60% do volume total de betão (242.000 m3), prevendo-se que a betonagem esteja terminada no final do verão. No rio, a jusante da barragem, estão em curso algumas intervenções, designadamente, o reperfilamento do rio e da pista de pesca, trabalhos que estarão concluídos no final do verão do próximo ano.
 
No Alto Tâmega, cujo início dos trabalhos teve lugar em março de 2017, está colocado em serviço, desde outubro do ano passado, o túnel de desvio do rio, com uma extensão de 250 metros. Das estruturas definitivas do empreendimento, está concluído o túnel de acesso à central (480 metros), assim como as escavações e contenções da barragem, tomada de água e descarregadores laterais. Já as escavações e contenções da central estão com um desenvolvimento de 86%, num volume acumulado de 55.000 m3. O aproveitamento hidroelétrico de Alto Tâmega tem a conclusão dos trabalhos civis prevista para 2021, tendo início nesse ano os trabalhos de montagem das duas turbinas da central. A operação comercial está prevista para dois anos depois: 2023.
 
Atualmente, trabalham de forma direta na obra do Sistema Eletroprodutor do Tâmega cerca de 1.800 pessoas, perto 370 com origem nos municípios em volta do projeto. Para além disso, mais de 75 empresas portuguesas e 30 empresas locais participam ou já participaram no projeto, diretamente contratadas pela Iberdrola.
 
Bárbara Silva, in Dinheiro Vivo - 28 de Março de 2019

quarta-feira, 27 de março de 2019

PNBEPH - ALTO TÂMEGA: O Sistema Eletroprodutor do Tâmega deverá estar totalmente concluído em 2023


                                              

 
 
 
 
 
 
   
PNBEPH - ALTO TÂMEGA
O Sistema Eletroprodutor do Tâmega deverá estar totalmente concluído em 2023


O Sistema Eletroprodutor do Tâmega da Iberdrola, o maior projeto daquela multinacional em Portugal, encontra-se numa fase muito adiantada, com cerca de metade dos trabalhos realizados, todos no distrito de Vila Real.

A obra, com um investimento de 1.500 milhões de euros, previstos até 2023, engloba a construção de três aproveitamentos hidroelétricos, do Alto Tâmega, Daivões e Gouvães, estando perto do 40 por cento dos trabalhos concretizados, conforme o planeado.

O Sistema Eletroprodutor do Tâmega deverá estar totalmente concluído em 2023 e integra o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroelétrico (PNBEPH), de acordo com a multinacional espanhola Iberdrola, sendo já considerado um dos maiores projetos hidroelétricos realizados na Europa, nos últimos 25 anos.

A maior parte do investimento centra-se no período 2018-2020 e o complexo contará com
uma capacidade instalada de 1.158 MW e uma produção energética anual na ordem dos 1.766 GWh, representará um aumento de mais de seis por cento da potência elétrica total instalada em Portugal.

Esta iniciativa, preservando o compromisso da empresa com a promoção das tecnologias de geração mais limpas, contempla a exploração das infraestruturas dos aproveitamentos hidroelétricos, designadamente de Gouvães (bombagem), do Alto Tâmega (turbinação) e de Daivões (turbinação), durante 70 anos.

Em volta deste projeto estão a ser desenvolvidas ações de cooperação com todos os sete municípios daquela região, Cabeceiras de Basto, Vila Pouca de Aguiar, Ribeira de Pena, Boticas, Montalegre, Chaves e Valpaços, com quem a Iberdrola tem colaborado desde o início das obras, em 2014, estando a ser já canalizados cerca de 50 milhões de euros para projetos culturais e sociais daqueles concelhos transmontanos, sendo que na fase de construção do projeto serão gerados mais de 13.500 novos empregos, mais concretamente 3.500 diretos e 10.000 indiretos.

Uma visita de imprensa da parte de jornalistas mexicanos e brasileiros, está a acompanhar, esta quarta-feira, o crescimento do projeto, que se aproxima de metade da sua conclusão.

Joaquim Gomes (joaquim.gomes@sol.pt ), in Sol - 27 de Março de 2019

terça-feira, 26 de março de 2019

PNBEPH - RIO TÂMEGA: Construir a barragem do Fridão “vai ser uma decisão danosa e potencialmente catastrófica”, salienta Ana Brazão do GEOTA






PNBEPH - RIO TÂMEGA
Construir a barragem do Fridão “vai ser uma decisão danosa e potencialmente catastrófica”, salienta Ana Brazão do GEOTA

A coordenadora do projeto ”Rios Livres”, que está atualmente a medir forças contra a EDP e o Governo para travar a construção da barragem do Fridão, sentou-se em entrevista com o JE para salientar os danos que esta infraestrutura pode provocar a nível local. Para Ana Brazão, a construção da barragem “vai ser má do ponto de vista energético para a EDP. Vai ser uma decisão danosa e potencialmente catastrófica”.



Como surgiu o projecto ”Rios Livres” e qual é o papel da GEOTA neste projecto?
Nasce como um grupo de voluntários em 2011. Foi criado por um conjunto de amigos que estava a estudar Engenheira do Ambiente, na Faculdade de Ciência e Tecnologia na Nova. Juntámo-nos e foi uma coisa orgânica que foi-se desenvolvendo ao longo dos meses e ao qual acabamos por dar o nome de Rios Livres. No fundo, nasceu com esta vontade de tentarmos salvar aquilo que era o rio Sabor, onde estava a ser construído a Barragem do Baixo Sabor na altura e estavam em vias de começar as obras em Foz Tua. Fizemos acções de guerrilha, manifestações, mas também atuamos ao nível da advocacia; fizemos imensas queixas à Comissão Europeia, tentamos reunir aquilo que eram as partes interessadas.
Ao longo dos anos foi aumentado de escala. Fomos percebendo que precisamos de cada vez mais pessoas, fomos recebidos com mais voluntários e tentamos começar a perceber quais eram as linhas de acção que tínhamos na nossa mão enquanto grupo ambientalista para tentar salvar os rios.
Hoje em dia há mais atenção para aquilo que se passa nos rios, teve muito a ver com a situação do Tejo, com a poluição, e os Passadiços do Paiva, mas na altura os rios e os seus problemas não eram muito falados.

A construção da barragem no Fridão integra no Programa Nacional de Barragens, apresentado 2007. Em que consiste o vosso medir de forças para travar a construção desta infraestrutura? 
Primeiramente, continuamos a ser claramente contra aquilo que é o Programa Nacional das Barragens.
Neste momento aquilo que era um programa, lançado em 2007, com 10 barragens planeadas, está atualmente com uma construída em Foz Tua, três em construção no Alto Tâmega, pela Iberdrola, e depois este projecto em Fridão, que é por parte da EDP, tal como em Foz Tua.
Nós acreditamos que é possível parar [a construção da barragem] e por isso é que lançamos esta campanha que é também o culminar de vários esforços que temos tido. Temos tido várias reuniões com os partidos, tivemos atividades de sensibilização junto das populações afectadas e portanto está todo um trabalho desde sensibilização à advocacia que temos tentando vir a desenvolver em prol do cancelamento destas barragens. Lançamos esta campanha numa altura em que o Ministério do Ambiente vai tomar uma decisão, no dia 18 de abril.
Sabemos que à partida, o Programa Nacional das Barragens estava mal desenhado se o único objectivo era produzir electricidade porque nunca foi analisado alternativas que tivessem menores impactos e que tivessem custos eficazes. Não diria que é um medir de forças com a EDP, é provar que até para a EDP isto será um mau negócio.

Mas, afinal, não são as barragens fontes de energia limpa que contribuem para uma sociedade mais sustentável? Não são as barragens ”amigas do ambiente”?
Há um mito de que as barragens fazem parte do grupo das energias limpas, mas é importante dizer que tanto as barragens, como todas as outras, nenhuma é energia limpa. Todas vão criar um impacto. A questão é perceber tendo em conta o local e a necessidade, qual é o impacto maior que podem ter.
Na verdade as barragens são as que têm maior potencial de criar maior impacto, porque estamos a falar de uma obra que vai alterar completamente a dinâmica da biodiversidade e as dinâmicas sociais, económicas e culturais de uma região, algo que não tem tanta tendência a acontecer com outras fontes de energia ditas limpas, como a solar ou a eólica.
Os impactos de uma barragem são irreversíveis, enquanto que com as energias eólica ou solar o impacto pode ser corrigido. Com uma barragem não, o impacto fica lá durante séculos.

De que maneira a construção desta barragem irá impactar o meio ambiente?
Os impactos? Há muitos e diferem sempre das características da região. Há barragens que tanto pelas suas características, como pelo sitio onde estão, como pela forma que vão ser operacionalizadas têm diversos tipos de impactos. De forma geral, podemos dizer que travam o transporte natural de sedimentos, as areias que são transportadas para a nossa linha de costa já não chegam ao seu destino.
Contribui para a perda da qualidade da água- o recurso mais importante a ser preservado neste século. Ao estagnarmos a água e passarmos a ter um sistema corrente, passamos de um sistema lótico para um sistema lêntico. Temos a água estagnada, temos a água que aumenta de temperatura, tem menor capacidade de absorver oxigénio e conjuntamente, com a carga orgânica que aflui a essa linha de água, a decomposição dessa matéria orgânica vai ter sempre tendência a degradar a qualidade da água.
Temos a perda de espécies migratórias que não conseguem subir ao longo do rio. O completo desaparecimento de ecossistemas, que são importantes corredores ecológicos.

E a comunidade local também será diretamente afetada?
Sim. No caso de Fridão acresce um outro impacto que existe noutras barragens, o fator de potencial/risco. Se houver um dano ou colapso numa barragem será agravado por uma das seguintes condicionantes. A primeira é uma albufeira nova que vai ser situada em cima de uma zona sísmica. O último sismo foi sentido há dois anos e ficou registado na escala de Richter em 3.7.
Estamos a falar de uma barragem que vai ficar a 6 km acima de uma cidade, cujo o centro está exactamente localizado junto às margens do rio. A zona de Amarante e o centro do Amarante ficam na zona de auto salvamento, em caso de rotura de barragem. Uma onda de cheias chega apenas em 13 minutos ao centro da cidade. Não há capacidade nesse local para os meios de protecção civil conseguir accionar os meios de normais para resgatar as pessoas.
Durante as nossas campanhas, percebemos que as populações tinham muita falta de informações. Ainda na semana passada, recebemos chamadas de pessoas que vão perder terrenos e que não sabiam. Ficaram a saber pelas noticias no telejornal. Com esta campanha queremos demonstrar que as pessoas no geral não querem isto.
Vai ser mau do ponto de vista energético para a EDP. Vai ser uma decisão danosa e potencialmente catastrófica se alguma coisa acontece de mal na barragem, e, portanto, com a campanha queremos mostrar que há uma vontade pública para que esta barragem não avance.

Acreditam que a EDP teve em consideração todos estes fatores problemáticos apresentados pelas autoridades antes de decidirem avançar com a construção? 
A EDP estudou-os, apesar de acharmos que eles não tenham estudado com a adequada profundidade para tomarem uma decisão. Justificam a decisão com base na baixa probabilidade de danos que tem e na sua capacidade tecnológica. Coisa que nós não duvidamos. A probabilidade é baixa e sabemos que a tecnologia é de ponta, sabemos que essas condições podem ser menorizadas com um bom desenho e operação da barragem. Mas a verdade é que existe uma probabilidade e pode ser menor tido em conta.
Mas aqui os danos são tão elevados que faz com que no balanço total do risco seja mais elevado do que outras barragens. Na verdade, no caso de Fridão ela está considerada como nível máximo de risco. Este alerta é um alerta que foi lançado pela autoridade da Protecção Civil. É um dado que não podíamos deixar de ter em conta.
Se o Programa Nacional das Barragens já não fazia sentido do ponto de vista energético, se nunca foram equacionadas alternativas a estes danos ecológicos e sociais de uma região, neste caso ainda temos o fator extra que é: para quê uma decisão destas que já não fazia sentido nas outras? Se ainda há este risco, não faz sentido.

Que alternativas à construção da barragem apresenta o GEOTA?
A primeira seria o cancelamento da barragem de Fridão, deixar essa zona como produto de biodiversidade.
A energia hídrica e a eólica têm uma grande capacidade de produção nacional, mas temos a solar a representar 2%. Essa é uma grande alternativa.
Mas antes de pensarmos se precisamos de nova produção ou não, é importante reforçar que 2010 foi o pico de procura máxima de electricidade em Portugal. Nos últimos anos não voltou a haver esse grau de procura. Logo aí a pergunta ”precisamos de maior produção eléctrica?’’ tem que ser feita. No nosso ponto de vista, de momento, essa não é a nossa prioridade. A nossa prioridade é baixar os nossos consumos. Temos uma intensidade energética no nosso país muito elevada, sobretudo em sectores como a industria.
Sugerimos também uma aposta na eficiência energética como prioridade à nova produção, e se é necessária nova produção, tornemos as nossas fontes mais resilientes aos fenómenos das alterações climáticas. As alternações climáticas prevêem que em países como os nosso haja cada vez menos água nos nossos rios. Será necessário estar a fazer cada vez mais barragens num país que tem mais de 7 mil no seu território?

Recentemente, o comentador Luís Marques Mendes revelou que o Governo não vai avançar com construção da barragem, mesmo tendo sido investidos 218 milhões de euros por parte da EDP. Encaram isso como uma vitória?
As declarações feitas por Luís Marques Mendes foram muito pertinentes, pois assinalam a decisão como um assunto de importância nacional, com o qual concordamos.
É de notar, contudo que, apesar de vários meios de comunicação terem dado a notícia como um desfecho, isso não é verdade.  A decisão não foi ainda tomada, nem anunciada, pelo que acreditamos que tudo está em aberto até dia 18 de abril.
A questão da devolução do montante pago pela EDP em 2008 é, na nossa opinião, uma matéria que o atual Governo deve negociar com a EDP. E que esperamos que o faça.


, in O Jornal Económico -

RIO TÂMEGA - BARRAGEM DE FRIDÃO: Autarcas impacientes com indecisão sobre barragem de Fridão







RIO TÂMEGA - BARRAGEM DE FRIDÃO
Autarcas impacientes com indecisão sobre barragem de Fridão

Foto: Adelino Meireles / Global Imagen

O Ministério do Ambiente garante que ainda não decidiu e afirmou, na segunda-feira, ao JN, que vai anunciar até 18 de abril se a construção da barragem de Fridão, no rio Tâmega, vai avançar.
 
A infraestrutura está incluída no Plano Nacional de Barragens desde 2007, mas a sua implantação ficou suspensa pelo Governo em 2016. Um impasse que prejudica o desenvolvimento dos territórios de Mondim de Basto, Celorico de Basto e Amarante e que os autarcas querem ver resolvido o mais rápido possível.

Em Amarante, a oposição à construção da barragem é total. "Tudo o que de mau pode acontecer será em Amarante", disse o autarca José Luís Gaspar, preocupado com a distância de oito quilómetros a Fridão que colocam a cidade na zona de autossalvamento.
 
(...)
 
Carlos Rui Abreu, in Jornal de Notícias - 26 de Março de 2019
 

segunda-feira, 25 de março de 2019

PNBEPH - BARRAGEM DE FRIDÃO: Governo diz que ainda não há decisão sobre a barragem de Fridão







PNBEPH - BARRAGEM DE FRIDÃO
Governo diz que ainda não há decisão sobre a barragem de Fridão

O Governo diz que ainda não há decisão final sobre a construção da barragem de Fridão, relembrando que a mesma será conhecida até 18 de abril. Caso não avance, a EDP terá de ser indemnizada em mais de 200 milhões.

                                                                                               José Sena Goulão/Lusa

O Governo diz que ainda não há uma decisão final sobre a construção da barragem do Fridão."A resposta [final] será conhecida até 18 de abril", disse ao Negócios fonte oficial do ministério do Ambiente e Transição Energética.

A informação de que o ministério tutelado por Matos Fernandes não iria dar ‘luz verde’ ao projeto da EDP foi avançada no domingo à noite por Marques Mendes no seu espaço de comentário na SIC. O comentador garantiu ter conhecimento de que "a intenção do Governo é que a barragem não avance", acrescentando que tendo em conta esta decisão, agora "falta saber como indemnizar a EDP". Isto porque em 2009 a EDP investiu mais de 200 milhões de euros na concessão do complexo hidroelétrico.

Contactada pelo Negócios, fonte oficial da empresa liderada por António Mexia referiu que "a decisão de implementação cabe ao Governo e não à EDP. No entanto, a empresa mantém total disponibilidade para, em conjunto com as diferentes entidades envolvidas no projeto, explorar as melhores soluções".

A construção da barragem de Fridão está prevista há mais de uma década, no âmbito do Plano Nacional de Barragens, do qual fazer parte também as barragens que a Iberdrola está a construir no Tâmega. No entanto, a construção desta barragem da EDP tem sido alvo de contestação por parte dos ambientalistas que têm defendido que pode trazer riscos à população de Amarante, entre outras zonas.

O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, já tinha revelado em janeiro no Parlamento que a decisão iria ser tomada até 18 de abril, relembrando que a "razão principal de fazer ou não fazer a barragem de Fridão tem a ver com o compromisso de atingir determinadas metas de energia renovável até 2030". A nova legislação europeia estabelece uma meta de 32% de energia proveniente de fontes limpas a nível da União Europeia.


Sara Ribeiro, in Jornal de Negócios - 25 de Março de 2019

domingo, 24 de março de 2019

PNBEPH - BARRAGEM DE FRIDÃO: Governo vai parar o projeto

 

 
 

PNBEPH - BARRAGEM DE FRIDÃO

Barragem de Fridão. Governo vai parar o projeto

A novidade foi avançada esta noite por Marques Mendes na SIC. Agora só falta ao Governo decidir como indemnizar a EDP. Estão 218 milhões de euros em causa.
 
                                                                                        Marques Mendes diz que o défice final de 2018 será anunciado terça-feira © DR
 
"Barragem de Fridão. O Governo tem de decidir se avança ou não até fim de abril [dia 18, mais precisamente]. Ao que apurei, a vontade do Governo é não avançar. Falta saber como indemnizar a EDP [em 218 milhões de euros, o dinheiro que a empresa já gastou no projeto]."

A novidade foi avançada esta noite na SIC por Luís Marques Mendes - e sem mais detalhes. Há dias, num debate no Parlamento, o primeiro-ministro já havia garantido, em resposta a uma questão que lhe foi colocada por Heloísa Apolónia, que o Governo iria tomar uma "boa decisão". Mas sem dizer qual será.
 
A generalidade da comunidade ambientalista contesta a obra por causa dos riscos que ela envolveria, em caso de acidente, para Amarante. No caso de uma rutura grave no Fridão, a cidade arriscar-se-ia a ter o seu centro completamente inundado em dez minutos. Ou seja: não haveria meios de a Proteção Civil fazer o que quer que fosse.
 

No seu comentário político, o ex-líder do PSD - e atual conselheiro de Estado - disse que o INE irá divulgar terça-feira os números finais do défice em 2018: "Deverá ficar ou em 0,5 ou em 0,6% do PIB", disse.
 
Marques Mendes analisou ainda a questão dos passes sociais, desta vez com um olhar sobre como será a situação no Porto (na semana passada tinha falado da situação na área metropolitana de Lisboa). E concluiu: "Apesar do seu eleitoralismo, esta é uma medida justa, necessária e que vai na direção certa. Justa, porque diminui as desigualdades sociais que existem nos grandes centros urbanos; necessária, porque é um importante incentivo para reforçar o uso do transporte público; na direção certa, porque em termos ambientais é plenamente justificada. Na prática, é uma medida que merece ser apoiada."
 
Com base neste argumento, criticou o seu próprio partido por este ter colocado várias reservas à medida: "[O PSD] Não foi feliz na apreciação desta medida. Pareceu ficar incomodado". E com isso "falhou na política, perdendo ainda mais eleitorado urbano". Assim, o que o PSD deveria ter dito era que "apesar de ser eleitoralista, é uma medida justa"; "se formos Governo não a iremos reverter" e "o que faremos, sim, quando chegarmos ao Governo, é compensar o interior pela discriminação negativa de que foi alvo agora".

João Pedro Henriques, in Diário de Notícias - 24 de Março de 2019

PNBEPH - BARRAGEM DE FRIDÃO: Governo trava barragem de Fridão. EDP vai ter de ser indemnizada







PNBEPH - BARRAGEM DE FRIDÃO
Governo trava barragem de Fridão. EDP vai ter de ser indemnizada


Governo tinha de decidir até 18 de abril sobre eventual construção da barragem de Fridão no rio Tâmega. A resposta será negativa, diz Marques Mendes. A EDP pode vir a receber 200 milhões de euros.

A barragem de Fridão, a construir em Amarante, não vai avançar, revelou Marques Mendes no seu comentário semanal da Sic Notícias. A decisão deverá ser tomada até 18 de abril. Esta decisão vai implicar, no entanto, uma indemnização à EDP.
 
“O Governo tem de decidir até 18 de abril” se avança ou não com a barragem de Fridão. “Apurei que a intenção do Governo é que ela não avance“, disse Marques Mendes. “Um boa notícia para os ambientalistas e para as populações locais. Resta saber como a EDP será indemnizada”, acrescentou.

De acordo com o ministro do Ambiente, esta indemnização pode ser superior a 200 milhões de euros. Em janeiro, no Parlamento, quando questionado pelos deputados, Matos Fernandes, citado pela Lusa, explicou que “a razão principal de fazer ou não fazer a barragem de Fridão tem a ver com o compromisso de atingir determinadas metas de energia renovável até 2030”. Na mesma audição adiantou que, se a decisão for negativa, está em causa um pagamento à EDP, empresa à qual o complexo hidroelétrico foi concessionado, superior a 200 milhões de euros, disse o responsável. Esse valor corresponde ao montante que a EDP já investiu no projeto, confirmou o ECO junto de fonte oficial da elétrica.

A construção da barragem do Fridão no rio Tâmega, juntou à zona de Amarante, está prevista há mais de uma década, no âmbito do Plano Nacional de Barragens, mas a EDP, empresa à qual o complexo hidroelétrico foi concessionado, e o Governo têm adiado a sua concretização. Em abril de 2016, o Governo anunciou que decidiu suspender por três anos a barragem do Fridão. A albufeira da barragem de Fridão afetaria os concelhos de Amarante, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Mondim de Basto e uma pequena parcela do território de Ribeira de Pena.

Mónica Silvares, in Eco News - 24 de Março de 2019

PNBEPH - BARRAGEM DE FRIDÃO: MARQUES MENDES DIZ QUE GOVERNO NÃO DEVE AVANÇAR COM BARRAGEM DE FRIDÃO

 



PNBEPH - BARRAGEM DE FRIDÃO

MARQUES MENDES DIZ QUE GOVERNO NÃO DEVE AVANÇAR COM BARRAGEM DE FRIDÃO

Segundo o comentador da SIC, falta saber como indemnizar a EDP.


O Governo português já tomou a decisão sobre a construção da barragem de Fridão e a decisão, segundo Marques Mendes, passa por não avançar com o projeto 

"O Governo tem de decidir se avança ou não [com a barragem de Fridão] até fim de abril. Ao que apurei, a vontade do Governo é não avançar", disse o comentador no espaço que tem no Jornal da Noite de domingo da SIC, acrescentando que "falta saber como indemnizar a EDP".

O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, tinha revelado em janeiro no Parlamento que a decisão iria ser tomada até 18 de abril e a " razão principal de fazer ou não fazer a barragem de Fridão tem a ver com o compromisso de atingir determinadas metas de energia renovável até 2030".
 
A construção da barragem de Fridão está prevista há mais de uma década, no âmbito do Plano Nacional de Barragens, mas a EDP, empresa à qual o complexo hidroelétrico foi concessionado, e o Governo têm adiado a sua concretização. Em abril de 2016, o Governo anunciou que decidiu suspender por três anos a barragem de Fridão.
 
Citado pela Lusa, o ministro acrescentou no Parlamento que a decisão de não avançar com a barragem implicaria o pagamento "superior a dois milhões de euros" à EDP, que tinha a concessão deste complexo hidroelétrico.
 
Uma notícia mais recente (16 de março) do Público fala em valores bem diferentes e superiores. Também citando o ministro, o jornal refere que não avançar com a barragem do Fridão significa ter de devolver à EDP os 218 milhões de euros pagos, em 2009, ao Governo de José Sócrates, como contrapartida financeira pela exploração.
 
Citada pelo Público, fonte oficial da empresa afirmou que "a decisão de implementação cabe ao Governo e não à EDP", que está disponível "para, em conjunto com as diferentes entidades envolvidas no projeto, explorar as melhores soluções".
 
Em entrevista ao Negócios, em janeiro deste ano, Matos Fernandes disse que não tinha preconceitos com barragens. "Sabemos é que as barragens provocam impactes ambientais com uma dimensão superior a qualquer um destes projetos que estamos a fazer (de redução de emissões de CO2) e, por isso, têm de ser avaliadas com muito cuidado", disse Matos Fernandes ao Negócios.
 
A albufeira da barragem de Fridão afetaria os concelhos de Amarante, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Mondim de Basto e uma pequena parcela do território de Ribeira de Pena.

in Jornal de Negócios, 24 de Março de 2019