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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Governo - EDP: Muita garganta



Governo - EDP
Muita garganta

As derrapagens do défice são uma brincadeira de crianças quando comparadas às catástrofes que se abatem sobre o território. É nisto que o Governo devia ter pensado antes de entregar o que resta da EDP aos senhores das Três Gargantas, uma empresa detentora da maior barragem do mundo na China. Valeu só o encaixe imediato. A conta pagaremos nós a seguir.

Quanto mais o tempo passa, mais claro fica que o território e a língua são as únicas coisas portuguesas que parecem resistir ao tempo. Da língua valerá a pena falar noutra ocasião. Quanto ao território, ele vai-se desfazendo à medida que a nossa geração o hipoteca com a mesma ganância com que absorveu a dívida e agora se queixa da conta. Obviamente esta venda levanta perguntas como: os chineses vão querer saber do Douro Património Mundial? Das espécies ameaçadas? Do equilíbrio da biodiversidade nos territórios do mastodôntico plano nacional de Barragens? Das campanhas de eficiência energética? E não ficarão zangados se forem reequacionados os contratos "SCUT" das barragens que impõem milhões por décadas e décadas em cima dos consumidores?

Vejamos a barragem das Três Gargantas na China. Obrigou à retirada de 1,3 milhões de pessoas do local onde viviam e deixou debaixo de água milhares de locais de interesse arqueológico. Os geólogos assinalam que Xangai é uma cidade na rota de uma tragédia se um dia um sismo acontecer nas Três Gargantas. Num país democrático esta obra teria sido feita? Muito dificilmente. Excepto se for um país despovoado, gerido de forma autista a partir de uma capital distante e com uma opinião pública indiferente...

Esta é uma questão central do nosso tempo: quem anda a falar de crescimento económico no Ocidente pensa imenso na energia e esquece a água. A população mundial crescerá até aos nove mil milhões de pessoas e os bebés nascerão sobretudo na Ásia e América Latina. No recente relatório das Nações Unidas sobre a água e recursos do solo, a equação é clara: até 2050 vai ser necessário aumentar a produção de alimentos em 70%. O consumo de água será brutal porque a agricultura é responsável por mais de dois terços do consumo global. Ora, embora se pense que as barragens podem dar um contributo positivo para isto, a realidade é a inversa. Como dizia ao "Público" a directora da Agência Europeia do Ambiente, Jacqueline McGlade, "vimos muitas barragens na Europa a falhar rapidamente porque se encheram com sedimentos, ou ficaram secas, ou não funcionaram como se esperava". Junte-se a isto a impactante produção agrícola de biocombustíveis nos férteis solos do Leste da Europa, as perdas arrasadoras na Amazónia ou das florestas da Ásia, a seca em África, a ameaça sobre os insectos polinizadores (abelhas, borboletas, etc...) e percebe-se como vai ser difícil alimentar tanta gente e manter a qualidade de vida que o ser humano alcançou.

Quando o Governo português escolhe quase por unanimidade a proposta chinesa está a dar um sinal também ambiental. Para as pequenas e grandes coisas. A luta para travar a barragem do Tua (e a do Sabor) é um delas e torna-se ainda mais quimérica quando o poder na EDP é agora chinês. Para os que acreditam na "arquitectura naturalista" com que Souto Moura vai 'salvar o Douro', devíamos fazer um desafio: caso a UNESCO retire o estatuto de Património Mundial ao Douro, Mexia (e Catroga) deviam demitir-se. E no Governo, os responsáveis da Economia, Ambiente e Cultura também. Aceitam o desafio ou são todos inimputáveis? E a EDP, pode ir pondo um dinheirinho de parte para pagar as indemnizações ao sector do turismo ao longo de anos?

A venda do poder de decisão na EDP a chineses, e o que se pode seguir na REN, GALP, Águas de Portugal (com potenciais angolanos, chineses ou árabes) é assustador. Os compradores chegam com dinheiro mas não trazem no currículo respeito pela democracia. Condenam-nos depois à mais vil pobreza: a de não termos sequer opinião sobre todo o lixo que nos quiserem pôr em cima. Ora, lá por não termos dinheiro, não temos que alienar o direito a viver com o mínimo de saúde e memória. A nossa terra vale zero em bolsa. Mas é tudo o que temos.


Daniel Deusdado, in Jornal de Notícias - 12 de Janeiro de 2012

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Terceiromundismo: Facebook da EDP "invadido" por utilizadores descontentes





Terceiromundismo
Facebook da EDP "invadido" por utilizadores descontentes


A EDP parece estar a braços com um novo caso "Ensitel"... Não, a empresa não tentou processar ninguém por causa de um blogue, mas eliminou um comentário no Facebook, desencadeando uma autêntica guerra de forças com os utilizadores das redes sociais.

Tudo começou quando uma utilizadora publicou no mural da empresa uma mensagem em que dizia não ter pedido um plano nacional de barragens e colocava um link para uma página sobre o tema. Passado uns minutos, a empresa comentou o post, dizendo que "de acordo com o Código de Conduta" da página, iriam apagar o comentário, convidando a utilizadora a consultar o referido código, para o qual forneciam o link. A palavra depressa se espalhou pelas redes sociais, que declararam guerra ao
mural da EDP e têm entupido o mesmo sem parar há diversas horas, como forma de protesto.

A própria empresa respondeu ao sucedido pouco depois (ainda ontem, domingo), comentando o "print screen" que denunciava a situação e que circula pelas redes, dizendo que "o post foi apagado por violar o código de conduta nalguns items, entre os quais a repetição não construtiva da mesma mensagem". "Deverá reconhecer, ao longo de todo o mural da EDP, que zelamos pela sua manutenção equilibrada e nunca de censura", garante a empresa.

Porém, o esclarecimento não parece ter chegado para muitos utilizadores, que se concentram em inundar a página de comentários negativos ao referido "código de conduta" e à empresa em si, aproveitando para falar das recentes medidas apresentadas para o Orçamento de Estado. Tanto quanto é possível ver, nenhum comentário foi, no entretanto, apagado desde o início do "ataque".

Segue link para o Código de Conduta da empresa na sua página do Facebook:
https://www.facebook.com/grupo.edp?sk=app_228506590493791+

ACTUALIZAÇÃO: A EDP, no entretanto, já
respondeu à onda de comentários no seu mural. Num post colocado poucos minutos depois das 12h00, a empresa explica que tem "seguido com atenção os posts publicados no mural" e que está empenhada em "continuar a dialogar com a comunidade, de forma a criar um ambiente construtivo onde todos podem participar". A EDP esclarece, igualmente, que "o código de conduta" da página, "a par do código de conduta do Facebook", pretende "definir os princípios para o bom funcionamento da mesma e deve ser tido em conta por todos os membros da comunidade". "Estamos abertos a receber opiniões, sugestões e críticas que queiram partilhar connosco, às quais procuramos ativamente dar seguimento e acompanhamento", garantem.

A utilizadora visada também já comentou o sucedido, dizendo que nunca pensou que o sucedido "iria ter esta repercussão". "Não me incomoda muito ter sido banida, incomoda-me sim o que a EDP anda a fazer a este país, às pessoas e à Natureza, marketizando mentiras, e sem que nada seja feito para o impedir", diz Joana Couve Vieira.

Daniela Espírito Santo, in Nós na Rede - 17 de Outubro de 2011

Facebook: A EDP não gosta de vozes contrárias

Facebook
A EDP não gosta de vozes contrárias


O “código de conduta” do page facebook da EDP estabelece normas de utilização “democráticas”. Críticas ou comentário ao status quo é que não pode ser…


A EDP: Há já bastante tempo, mais do que andarem a hipotecar a vida dos portugueses, o que me incomoda mais é andarem a destruir o património natural e construído deste país. E a EDP é a maior materialização dessas destruição. Infelizmente, casos como Vilarinho das Furnas não são histórias do passado e repetem-se até aos dias de hoje. Num momento que vemos os EUA a desmantelar centenas de barragens, porque se chegou à conclusão que os prejuízos são muito maiores do que os benefícios, e tendo como exemplo as mentiras que nos passaram de que os barragens iriam trazer desenvolvimento às regiões em causa, a revolta aumenta.

Nunca pensei que esta simples situação de facebook iria ter esta repercussão, mas fico contente que tenha acordado outros para o problema. Não me incomoda muito ter sido banida, incomoda-me sim o que a EDP anda a fazer a este país, às pessoas e à Natureza, marketizando mentiras, e sem que nada seja feito para o impedir.

ps: a reacção, por ora, da EDP no facebook. “A página da EDP no Facebook procura estabelecer um contacto mais próximo com o público, convidando a que nos sejam colocadas dúvidas, questões ou sugestões. Pretendemos potenciar a discussão construtiva e a partilha de informação”.

Joana Couve Vieira, in Aventar - 17 de Outubro de 2011

sábado, 10 de setembro de 2011

Quarto Poder: As escolhas de Passos






Quarto Poder
As escolhas de Passos

Não se diz que as PPP são uma das desgraças do país e se deixa avançar com as barragens (16 mil milhões para 3% de energia).

Passos Coelho escolheu fazer de 2012 "o ano do princípio do fim da emergência nacional". Manuel Pinho decretou o fim da crise em 2006, Teixeira dos Santos e Sócrates o princípio do fim, não deles, mas da crise, em 2009. Une-os esta vontade de fazer da macroeconomia uma espécie de Natal. É quando um homem quiser! Mas tal como o Natal está cada vez menos acessível, e isso, de facto, deve-se a todos eles, o fim das crises ou das emergências está cada vez menos previsível e não se escolhe. O futuro de Portugal depende da Grécia, da Europa, da Alemanha, dos EUA e do que por aqui é feito. E até nesta parte, o que tem sido feito não augura nada de bom.

(...)

Agora, silêncio. Nada disto tem a ver com o que Passos propunha na era Sócrates. O seu estado de graça acabou. E por culpa dele. Não se defende o corte de organismos públicos para, um ano depois, não se saber quais. Não se pugna por uma reforma da justiça para, ao fim de 3 meses de governo, haver apenas uma (ridícula) campanha contra a corrupção internacional. Não se diz que as PPP são uma das desgraças do país e se deixa avançar com as barragens (16 mil milhões para 3% de energia). Isto sim, são escolhas de Passos. Más! Mais uma razão para que o fim do pesadelo não possa ser anunciado. Fazê-lo é um engano e perigoso.

Manuela Moura Guedes, in Correio da Manhã - 9 de Setembro de 2011

PNBEPH: Novas barragens=crimes



PNBEPH
Novas barragens=crimes


O JN trazia esta semana dois artigos que se interligam profundamente. Num, o Norte como região turística preferida dos portugueses, sobretudo pela natureza e paisagem. No outro, o retrato da futura barragem do Tua. Questão: é possível destruir um rio como o Tua e manter-se a ficção de que o turismo é o maior activo do país?

As barragens foram propagandeadas por Salazar como o milagre da energia barata e são hoje responsáveis por uma parte da produção de electricidade nacional, além de terem melhorado o controlo do caudal dos rios. Foi assim por todo o Mundo. Mas já se evoluiu muito desde então e hoje percebe-se melhor que elas têm um custo implícito, porque os ecossistemas vão sendo profundamente alterados e a nossa saúde paga todos os dias a factura...

Infelizmente, para a maioria das pessoas, isto é conversa. O que importa é se a conta da luz é mais barata. Começo então por aqui: o plano de barragens posto em marcha pelo Governo Sócrates inclui uma engenharia financeira tipo "scut" cujo custo só vamos sentir daqui a uns anos de forma brutal - e aí já será tarde. Uma plataforma de organizações ambientais entregou esta semana à troika um documento que explica onde nos leva o plano da outra "troika" (Sócrates-Manuel Pinho-António Mexia). As 12 obras previstas que incluem novas barragens e reforço de outras já existentes produzem apenas o equivalente a três por cento de energia eléctrica do país, mas vão custar ao Orçamento do Estado e aos consumidores 16 mil milhões de euros... O documento avisa que a conta da electricidade vai, a prazo, incluir um agravamento de 10% para suportar mais este negócio falsamente "verde". A EDP, a Iberdrola, etc., receberão um subsídio equivalente a 30% da capacidade de produção, haja ou não água para produzir. Mesmo paradas, recebem. A troika importa-se com isto?

Os especialistas das organizações ambientais dizem, desde o princípio, que as novas barragens poderiam ser evitadas se houvesse aumento de capacidade das barragens existentes. Era mais barato e a natureza agradecia. Infelizmente a EDP apostou milhões para conseguir novas barragens, e isso incluiu antecipação de pagamentos de licenças que ajudaram o ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos a cobrir uma parte do défice de 2009, além da mais demagógica e milionária campanha publicitária da década, em que se fazia sonhar com barragens como se fossem os melhores locais do Mundo para celebrar a natureza...

Estes monstros de betão vão agora destruir dois rios da região do Douro, desnecessariamente. O Sabor, por exemplo, é uma jóia de natureza ainda selvagem. À medida que o turismo ambiental cresce globalmente, mais Portugal teria a ganhar com um Parque Natural do Douro Internacional ainda inóspito, genuíno. Já não será assim. A barragem em construção inclui uma albufeira de 40 quilómetros onde se manipula o rio de trás para a frente, com desníveis súbitos, acabando com a vida fluvial endógena e o habitat das espécies em redor.

Não menos grave é a destruição do rio Tua e da centenária linha do comboio. Uma vez mais o argumento é "progresso" - os autarcas e as populações acreditam que os trabalhadores da construção civil, que por ali vão andar por uns anos a comer e a dormir nas pensões locais, garantem a reanimação da economia... Infelizmente, não vêem o fim definitivo daquela paisagem e da mais bela história ferroviária de Portugal. Uma linha erigida a sangue, suor e lágrimas. Única. E que deveria ali ficar, mesmo que não fosse usada ou rentável, até ao dia em fosse entendida como um extraordinário monumento da engenharia humana e massivamente visitada enquanto tal.

Ao deixarmos cometer mais estes crimes, em troca de um mau negócio energético, não percebemos mesmo qual o nosso papel no Mundo. Esquecemos que a Natureza nos cobra uma factura muito pesada quando destruímos a fauna e a flora. Estamos a comprometer a qualidade da água e das colheitas de que precisamos para viver, com consequências para a nossa saúde e a das gerações vindouras. Se ainda não sabemos isto, sabemos zero. E ainda por cima vamos pagar milhões. É triste.

Daniel Deusdado, in Jornal de Notícias, N.º 99, Ano 124 (p. 20) - 8 de Setembro de 2011

sábado, 30 de julho de 2011

Programa Nacional de Barragens: Verdades sobre o barragismo que não interessam a todos

Programa Nacional de Barragens
Verdades sobre o barragismo que não interessam a todos

1 - O Plano Nacional de Barragens é a 3.ª Parceria Público Privada mais cara de todas: 7.000 milhões de euros, o equivalente a quase 10% do pacote de ajuda externa acordado por Portugal para adiar a resolução da dívida externa.

2 - Quer as albufeiras destas barragens tenham água para produzir energia eléctrica ou não, o Estado (todos nós) garante às concessionárias 30% de receitas, para além é claro do produto da facturação eléctrica aos consumidores (todos nós, mais uma vez), que já é das mais caras da Europa.

3 - O aumento do consumo de energia eléctrica entre 2009 e 2010 foi de 4,7%: o total de produção de energia eléctrica de todas as 10 barragens do Plano Nacional de Barragens (não esquecer que duas delas já foram canceladas) representa 3,2% da electricidade consumida em 2009. Trocado por miúdos, as 10 barragens juntas não produzem o suficiente para cobrir sequer o aumento do consumo de electricidade!

4 - Considerando os dados da REN, e considerando ainda as perdas nas turbinas e geradores, mais o factor de produção líquido de bombagem e respectivas perdas, o pacote de 10 barragens vai na verdade ter uma produção líquida de... ZERO energia.

5 - O reforço de potência da Barragem da Venda Nova (construída em 1951) é o suficiente para se conseguir o equivalente a 77% da energia que irão produzir 10 (DEZ!!!) novas barragens, tendo ainda um período de funcionamento 65% superior a estas e a um custo 58% inferior (em termos de unidade monetária por cada kW produzido). Portugal tem mais de 200 grandes barragens com possibilidade de reforços de potência.

Para além de todos os aspectos negativos e que os números bem elucidam... há a questão do tremendo impacto ambiental (e em quase todos os casos também cultural e social) da construção das barragens (que têm mesmo que começar a deixar de ser "vendidas" como uma energia limpa)... e perda em termos de biodiversidade é tremenda, sendo o caso mais grave de todos provavelmente o Sabor... sem dúvida um dos crimes ambientais da década em Portugal... já para não dizer do século...

Pedro Jorge Pereira (+351) 93 4476236 - 25 de Julho de 2011

segunda-feira, 11 de julho de 2011

As novas barragens são um crime!: 15 MIL MILHÕES DE EUROS para nada!






As novas barragens são um crime!
15 MIL MILHÕES DE EUROS para nada!





Exmo. Senhor Primeiro-Ministro (José Sócrates):

Vimos pedir-lhe os seguintes esclarecimentos:




  1. Em que se baseia para afirmar que as novas barragens vão poupar a importação de Petróleo, se as nossas centrais termo-eléctricas utilizam gás e carvão?

  2. Em que estudo fundamenta o cálculo de que Portugal poupará, com as novas barragens, a importação de 3,3milhões de barris de Petróleo?

  3. Como comenta o facto de as dez novas barragens terem, em conjunto, um produtibilidade média média de 1672 GWh/ano, conforme informação retirada das propostas de adjudicação constantes do site do INAG, o que representa 3,2 por cento do consumo de energia em 2010 e 72% da variação do consumo 2010/2009?
Com os melhores cumprimentos,
Ass.


NOTA: O GABINETE DO 1.º MINISTRO NÃO RESPONDEU A NENHUMA DAS PERGUNTAS

Números redondos, as novas barragens (do Mexia e Cª) vão custar aos consumidores-contribuintes quatro vezes o montante do investimento inicial (por causa dos lucros das eléctricas e juros bancários), e vão agravar os encargos mensais das famílias com electricidade em 10%, pelo menos... Para quê? Para obter um acréscimo marginal na produção energética nacional (3%). Uma bagatela, portanto, de 15 MIL MILHÕES DE EUROS, que somados aos milhares de milhões de euros que está previsto gastar com as PPP são uma canga cada vez mais insuportável e criminosa sobre o presente e o futuro do país.

Este cálculo foi realizado por gente que sabe, e se peca por alguma coisa, é por defeito. Basta ver onde estão as cotações da EDP, dos bancos portugueses e da República ao dia de hoje; imaginar o impacto duradouro da actual crise financeira; e ainda o que o petróleo a 200 dólares irá fazer daqui a dois anos à maioria dos project finance fantasistas como aqueles que a EDP, a Ibertrola (perdão, Iberdrola) e Endesa gostam de fabricar, para imaginar o destino trágico do Plano Nacional de Barragens desenhado à medida dos interesses especulativos da EDP.

De momento, a Propaganda intensiva do senhor Mexia, e da turma de jornalistas que traz no bolso, tem ofuscado o espectador distraído, os especuladores locais, os deputados e os governantes. Cá estaremos para lembrar este post quando mais esta vigarice monumental cair!

Já agora, mais uma informação importante: as albufeiras do país, graças à falta de manutenção adequada por parte dos concessionários, e à nova agricultura intensiva do olival e da vinha (duas imbecilidades como muitas outras), estão a evoluir para verdadeiros pântanos, de onde em breve não sairá, nem água para beber, nem água limpa para a agricultura, nem turismo —salvo talvez o da pesca de carpas! O aviso sobre a inutilidade turística de albufeiras eutróficas já foi dado pelo New York Times. Leram?

POST SCRIPTUM — como bem observou Marco Gomes, o "acréscimo marginal" da produção energética das novas barragens planeadas será mesmo nulo se a taxa de consumo se mantiver aos níveis actuais. Ou seja, 15 MIL MILHÕES para coisa nenhuma, salvo para salvar a pele do senhor Mexia.

António Cerveira Pinto, in O António Maria - 11 de Julho de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

EDP - Energias em Portugal: Carlos Carvalhas denuncia os métodos, o markting e os governantes ao serviço da EDP






EDP - Energias em Portugal
Carlos Carvalhas denuncia os métodos, o markting e os governantes ao serviço da EDP




Carlos Carvalhas, in TVI 24 - Julho de 2009

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

EDP promove ciclo de concertos com Orquestra do Norte: Múuuuuusica...!

Múuuuuusica...!

"EDP promove ciclo de concertos com Orquestra do Norte
Iniciativa cultural leva música clássica às regiões das novas barragens EDP"

Não falta quem nos dê música...! ...para nos embalar ..., para nos adormecer ...

Também já percebi que não falta quem ganhe uns cobres com esta iniciativa e a da Orquestra Geração!

Mas esta de dar música aos "afogados" não lembraria ao diabo!

Não sei porquê, mas lembrei-me de imediato do Titanic!


António Aires, in ForçaFridão - 25 de Outubro de 2010

quarta-feira, 21 de julho de 2010

MAOT - Barragens e albufeiras: Leis condicionadas

MAOT - Barragens e albufeiras
Leis condicionadas

Se tínhamos alguma dúvida sobre a parcialidade do Governo perante a exploração (termo mais apropriado) das águas e terras adjacentes à bacia do Tâmega, ela é clarificada com os despachos ministeriais a legislar algo que não existe. O Ministério do Ambiente legisla a proteger uma consequência (a criação de albufeiras) de algo que o Ministério irá decidir (as barragens prometidas para a Bacia do Tâmega que ainda estão em fase de projecto). Ou seja, o mesmo organismo que arbitra o processo para a exploração e construção das barragens "produz" legislação sobre algo que ainda não aprovou. Este acontecimento é uma prova cabal que o processo de construção e exploração das barragens no Tâmega está enviesado desde o início.

Não deixa de ser curioso que a EDP, após a confirmação num debate sobre as novas barragens, falta sem justificação. Era estranho que a EDP sempre pronta para espalhar a sua demagogia "verde", com a interessante expressão algo-saxónica "greenwash", falhasse um momento como esse para justificar o injustificável. Somente olhou e analisou a plateia de oradores e reparou que esses e os seus argumentos são inquestionáveis. Consequentemente, a EDP, mais concretamente o seu representante, iria passar um mau momento a tentar espalhar a sua "demagogia verde". Parece que a EDP não encontrou naquele debate (organizado pelo blog Nortadas) a mesma passadeira verde que encontrou nos diversos concelhos e executivos de Basto, nas sessões de propaganda organizadas pelas câmaras municipais (sem direito a contraditório no púlpito, somente administradores das empresas tiveram o privilégio de debater o assunto no púlpito com os seus pares).

Marco Gomes, in Remisso - 21 de Julho de 2010
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Cabeceiras de Basto)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Tâmega e a construção criminosa de 6 megabarragens: O Cavalo de Tróia das Grandes Barragens

O Tâmega e a construção criminosa de 6 megabarragens
O Cavalo de Tróia das Grandes Barragens



Não percebo — ou por outra percebo muito bem! — porque é que nenhum dos especialistas-consultores deste país desmontou, até agora, o escândalo do endividamento da EDP, de que a construção criminosa de um conjunto de barragens (noemadamente nos rios Sabor, Tua e Tâmega) é apenas a ponta de um icebergue que muito em breve poderá levar à bancarrota a principal empresa energética do país, onde o Estado (capturado pelos piratas do PS e do PSD a soldo da especulação financeira global) tem um ACÇÃO DOURADA (que raio de nome!) O outro cenário possível, igualmente ruinosos para Portugal, será a EDP sucumbir a uma OPA imbatível, como aquela que sugou da nossa economia a principal cimenteira portuguesa.

Em vez da histeria contra as agências de notação, o que o país precisa é de arranjar lugar nas prisões para lá depositar por uns anos os piratas que têm vindo a arruinar o país! Os islandeses já começaram a inevitável operação de limpeza...

António Cerveira Pinto - 10 de Maio de 2010

domingo, 11 de abril de 2010

Um título e um comentário: Procura-se para a imagem

Um título e um comentário
Procura-se para a imagem

>> Inauguração da Central Termoeléctrica de Lares (Vila Verde - Figueira da Foz) - 25.11.2009 <<

Figura - António Mexia: A ponta do icebergue das remunerações



Figura - António Mexia
Aponta do icebergue das remunerações

in Jornal de Notícias (negócios), N.º 312, Ano 122 (p. 2) - 9 de Abril de 2010

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Escândalo Nacional - 3,1 Milhões: Mexia explica prémios da EDP com objectivos superados





Escândalo Nacional - 3,1 Milhões
Mexia explica prémios da EDP com objectivos superados
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O presidente executivo da EDP, António Mexia, troca impressões com José Sócrates no lançamento do projecto InovCity

O presidente executivo da EDP socorreu-se esta terça-feira do argumento da superação de metas traçadas pelos accionistas da empresa para explicar os prémios plurianuais e remunerações de 3,1 milhões de euros que lhe foram atribuídos em 2009. À margem do lançamento de um projecto de electricidade inteligente, António Mexia sustentou que “as pessoas devem ser confrontadas quando não conseguem entregar o que é proposto”.

Em informação remetida à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a EDP indicou que António Mexia encaixou, no ano passado, 700 mil euros em salários fixos e outros 600 mil euros em remunerações variáveis, que oscilam consoante as metas alcançadas. A estes montantes acresce um prémio plurianual na ordem dos 1,8 milhões de euros, que é inscrito nas contas de 2009 e corresponde a 600 mil euros por cada um dos três anos de mandato. Ao todo, o presidente executivo da eléctrica portuguesa vai receber, este ano, 3,1 milhões de euros, assim que a assembleia-geral de accionistas da EDP, agendada para 16 de Abril, der luz verde às contas.
Confrontado com os números, António Mexia lembra que "foram fixados objectivos que toda a gente reconhece que eram ambiciosos": "A maioria das pessoas considerou que seriam difíceis de atingir e foram claramente ultrapassados. O que é que acontece? Se nós não tivéssemos atingido esses objectivos, a pergunta nem se colocaria, mas isso é que é pena".

"Eu acho que as pessoas devem ser confrontadas quando não conseguem entregar aquilo que era suposto e não quando entregam muito mais do que aquilo que é suposto com uma equipa de 12 mil pessoas. Essa é que é a questão. A questão é que a EDP, nesse período de 2006, 2007 e 2008, transformou a maior empresa portuguesa na maior multinacional portuguesa, no maior investidor português no estrangeiro com um contributo decisivo para o crescimento da economia portuguesa", contrapôs o CEO da eléctrica, que falava à margem da cerimónia de lançamento da InovCity, em Évora.

"Há outros bem altos"

Levando em linha de conta as remunerações fixas e variáveis, os valores atribuídos a António Mexia representam 0,19 por cento dos lucros da empresa em 2009, estimados em 1,024 mil milhões de euros, e 0,04 por cento do EBITDA - lucros calculados antes de juros, impostos, desvalorizações e amortizações -, que se cifrou em 3,363 mil milhões de euros.

Em 2009, o presidente executivo da Iberdrola, o mais significativo concorrente da EDP na Península Ibérica, foi remunerado em 5,34 milhões de euros, ou seja, 0,19 por cento dos lucros de 2,81 mil milhões de euros e 0,07 por cento do EBITDA, calculado em 6,81 mil milhões de euros. Ignacio Sánchez Galán averbou, ainda, 3,05 milhões de euros de "gratificação por objectivos estratégicos plurianuais e situações excepcionais e pontuais", segundo contas referidas pela agência Lusa. Em território português, o maior concorrente da EDP no domínio da energia, a petrolífera GALP, entregou ao seu presidente executivo, Manuel Ferreira de Oliveira, 1,337 milhões de euros de remuneração fixa e 236,84 mil euros de remuneração variável, valores que perfazem 1,573 milhões de euros - 0,74 por cento dos lucros em 2009 (213 milhões de euros) e 0,19 por cento do EBITDA (819 milhões de euros).

Mexia assinala que não aufere "nem de perto nem de longe o ordenado mais alto do PSI 20", isto sem contar com os bónus por objectivos. "Há outros bem altos", afiança o administrador, para depois explicar que tem uma intervenção "nula" em matéria de política de remunerações no seio da EDP: "Os salários foram fixados pelos accionistas num contexto de benchmarking".

Remunerações acima de um milhão de euros

Entre as entidades que formam o principal índice da bolsa portuguesa, a Portugal Telecom e o Banco Espírito Santo foram outras empresas em que os respectivos presidentes executivos receberam mais de um milhão de euros por ano. Na empresa de telecomunicações, Zeinal Bava auferiu, em 2009, 1,505 milhões de euros - 711 mil euros em remunerações fixas e 794 mil euros em remunerações variáveis, o que corresponde a 0,22 por cento dos lucros. O presidente do BES, Ricardo Salgado, recebeu 1,053 milhões de euros, ou seja, 0,20 por cento dos lucros.

No fim-de-semana, o antigo líder parlamentar do PS António José Seguro escrevia, na sua página na Internet, que os "valores remuneratórios" praticados na EDP constituíam "uma imoralidade". O dirigente socialista voltaria mais tarde à carga para notar, em declarações à Lusa, que a EDP é a entidade mais endividada do mercado de capitais do país, num total de 14,007 mil milhões de euros.

António Mexia multiplica, por sua vez, os elogios à política de remunerações praticada na eléctrica, por "desvalorizar o ordenado fixo e valorizar o atingir ou não de objectivos".

Carlos Santos Neves, in RTP - 6 de Abril de 2010

Economia e Barbárie: Presidente da EDP defende prémios atribuídos em 2009





Economia e Barbárie
Presidente da EDP defende prémios atribuídos em 2009


O presidente executivo da EDP quebrou o silêncio sobre os mais de três milhões de euros de ordenados e prémios que lhe estão atribuídos. António Mexia diz que é aos accionistas que cabe definir a remuneração dos administradores e argumenta que ultrapassou os objectivos fixados para a gestão da empresa.


OBS: Com Mexia ou sem Mexia, com indianos ou portugueses, é imperativo pôr fim a esta barbaridade com punhos de renda.

in RTP - 6 de Abril de 2010

Presunção e Economia: Mexia referiu que só recebeu os prémios porque excedeu os objectivos





Presunção e Economia
Mexia referiu que só recebe os prémios porque excedeu os objectivos


O Presidente executivo da EDP, António Mexia, já reagiu à noticia sobre os prémios anuais da comissão executiva da empresa. Mexia garantiu que só recebe os prémios porque excedeu os objectivos definidos pelos accionistas entre 2006 e 2008.


OBS: Com Mexia ou sem Mexia, com indianos ou portugueses, é imperativo pôr fim a esta barbaridade com punhos de renda.

in RTP - 6 de Abril de 2010

segunda-feira, 29 de março de 2010

PNBEPH - Programa Nacional de Barragens: O EMPREGO NAS RENOVÁVEIS





PNBEPH - Programa Nacional de Barragens
O EMPREGO NAS RENOVÁVEIS


As capacidades instaladas de energia eólica (3350 MW) e de fotovoltaica (75 MW) estão a ser pagas por nós, consumidores, respectivamente a cerca de 90 e €350 euros/MWh, enquanto que o preço de mercado da rede andará pelos 30-40 euros MWh. Se o 'mix' energético já estava desequilibrado, vem agora o Governo, numa autêntica fuga para a frente, propor-se aumentar a capacidade instalada da eólica para 8500 MW e da fotovoltaica para 1500 MW!

Essa nova eólica será complementada por novas barragens de bombagem. Se para a eólica já existente, e cujo investimento é um custo afundado (sunk cost), se justificava a instalação dessas hídricas para armazenar a eólica produzida em excesso nas horas de menor consumo, a decisão de investimentos novos no binómio eólica-bombagem é um erro, pois aos custos da nova eólica haverá que somar os do investimento na bombagem, num processo em que a mesma tem desperdícios de energia da ordem dos 25%, devido às perdas de carga nos circuitos hidráulicos. Tais perdas anulam, pois, parte da electricidade produzida!

Por outro lado, os opositores da energia nuclear dizem (e bem) que essa energia só produz electricidade, não permitindo reduzir as importações de petróleo. Ora a eólica e a fotovoltaica também só produzem electricidade e, por isso, ao contrário do que agora se insinua, esta nova fuga para a frente não vai reduzir a factura petrolífera!

Verdadeiramente delirante é a previsão de 130 mil novos postos de trabalho.

As novas barragens só criam emprego na fase de construção. Em funcionamento serão telecomandadas e, segundo um administrador da EDP citado no Expresso em Maio de 2009, o número de empregos permanentes nas novas barragens será só de 85! Que se saiba, a fábrica de componentes para os geradores eólicos em Viana do Castelo criará mil empregos. Juntamos-lhe mais alguns na produção das torres noutras empresas portuguesas.

Mesmo com um multiplicador de emprego (relação empregos indirectos/empregos directos criados) generoso, não consigo ver como se chega a tais números. Por outro lado, os sobrecustos destas renováveis destroem empregos na economia devido às suas consequências na competitividade empresarial e na retracção do poder de compra das famílias.

Tudo isto vem referido em dois relatórios arrasadores sobre o balanço negativo da criação de emprego nestas renováveis em duas economias que, ao contrário de nós, até conseguiram desenvolver o cluster industrial na eólica e na fotovoltaica: a Espanha e a Alemanha.

Recomendo pois vivamente a leitura de: "Study of the Effects on Employement of Public Aid to Renewable Energy Sources" em Espanha (http://www.juande-mariana.org/pdf/090327-emplo-yement-public-aid-renewa-ble.pdf) e "Economic Impacts from the Promotion of Renewable Energies" na Alemanha (http://www.instituteforenergy-research.org/germany/Ger-many_Study_-_FINAL.pdf)

Luís Mira Amaral (competitividade2@sapo.pt) - Professor de Economia e Gestão IST, in Expresso - Economia, (p. 31) - 27 de Março de 2010

domingo, 28 de março de 2010

Economia Real - As eólicas e o mau tempo





Economia Real
As eólicas e o mau tempo


Noticiava o Expresso que estávamos a dar a preço zero electricidade a Espanha. A culpa seria do mau tempo e do Mercado Ibérico de Electricidade (MIBEL). A história está mal contada.

Existe uma elevada correlação entre vento (que produz electricidade eólica) e chuva (que enche as albufeiras), tal como entre secas e ausência de vento. No fundo, água e vento têm o mesmo combustível: as depressões atmosféricas... Tudo isto tem explicado o prof. Pinto de Sá do IST no seu magnífico blogue http://a-ciência-nao-e-neutra.blogspot.com.

Tivemos, numa convergência normal, muito vento e também muita chuva, a qual, enchendo as albufeiras, não permitiu que estas fossem utilizadas para armazenar a água que seria puxada para elas por bombagem alimentada por essa electricidade eólica em excesso. É essa água que é normalmente descarregada produzindo electricidade nas horas de maior consumo. A água é assim a forma de acumular habitualmente a electricidade em excesso.

Nós portugueses pagamos a electricidade eólica aos produtores, em contratos leoninos a preços entre 60 e 93Mwh, precisemos ou não dela, através dos custos gerais do sistema, suportados pelos consumidores. Como não precisámos da energia e não a conseguimos armazenar, tivemos que a passar para Espanha durante treze dias de Dezembro a preço zero durante as horas de menor consumo e a 30-40€/Mwh nas outras horas! Como o 'camarada' Zapatero professa a mesma ideologia eco-utópica, também teve o mesmo tipo de problemas e por isso não precisava muito dela. Por outro lado, a França que tem no nuclear a sua energia 'verde' também não necessitava da nossa electricidade. Assim sendo, a culpa não é do MIBEL. Se bem que ele esteja longe de ser um verdadeiro mercado, aqui até funcionou bem no jogo da oferta e procura que ditou o preço da nossa exportação!

Tudo isto resulta do excesso da eólica que já temos cá. Nos países que têm eólicas e que fazem planeamento a sério (caso da Dinamarca que só tem 20% de eólica) tal teria sido acautelado. Por cá, o resultado está à vista! Tal, além de nos levar quer a preços elevados contribuindo para o défice tarifário, que é uma bola de neve crescente, quer à instabilidade da rede que nos conduzirá a apagões, não se resolve só com o reforço das barragens existentes ou com as novas albufeiras em construção. Precisaríamos para acumular toda essa água nesses períodos críticos de albufeiras de grande dimensão, o que é inviável num país pequeno.

A propósito ainda do mau tempo, um grande especialista de ventania mediática desapareceu durante os temporais no Oeste, deixando os engenheiros da EDP a tentar explicar a falta de investimento nas redes de distribuição e a resposta muito lenta da empresa ao temporal, mas reapareceu como treinador de futebol num jogo a favor do Haiti. Realmente isto de haver redes físicas nas utilities (em vez de apenas realidade virtual) é uma grande maçada...

Luís Mira Amaral, in Expresso - 30 de Janeiro de 2010

quarta-feira, 10 de março de 2010

Pograma Nacional de Barragens - Entre novas formas de energia e a gula das multinacionais

Programa Nacional de Barragens
Entre novas formas de energia e a gula das multinacionais

Provavelmente as formas actuais de produzir electricidade serão obsoletas em 10 ou 15 anos.
Hoje é possível equipar as vivendas ou prédios de habitação para que produzam grande parte da energia que necessitam, no futuro poderão produzir para si e fornecer à rede o excedente.
Tem uma grande vantagem na redução das perdas no transporte desde as grandes centrais, usualmente distantes das maiores cidades onde se centra o consumo.

Estão a ser apresentados novos equipamentos que podem revolucionar o mercado energético como o conhecemos: http://jn.sapo.pt/Domingo/Interior.aspx?content_id=1512900

Se o plano das barragens for em frente, seremos recordados daqui a 20 anos como os que destruíram todos os rios que tínhamos para satisfazer a gula do desperdício de energia e das grandes multinacionais.

José Pinto - 7 de Março de 2010

terça-feira, 9 de março de 2010

Gestão dos recursos hídricos: Caudais ecológicos nas barragens? Quando?











Gestão dos recursos hídricos
Caudais ecológico nas barragens? Quando?

Portugal é um país possuidor de uma enorme riqueza fluvial que é bem conhecida dos pescadores de trutas. O número de rios, a pureza das suas águas e a enorme quantidade e qualidade de fauna e flora que habitam neste habitat são um legado que interessa preservar para as gerações futuras. Dentro deste património, encontram-se as trutas. Após milhares de anos de evolução, estes peixes demonstraram uma impressionante capacidade de adaptação às especificidades de cada um dos nossos rios da região Norte e Centro do país. A testemunhar isso, temos a grande diversidade genética das trutas nacionais, com cada rio a apresentar variedades diferentes da truta fario (salmo trutta fario).

Apesar do valor deste legado, a actual política de gestão dos recursos hídricos nada tem de preocupação ambiental. De facto, e mais uma vez, só os valores económicos prevalecem. Num país já minado por barragens que pouca electricidade produzem, surge agora uma nova vaga massiva deste tipo de investimentos que pretende tapar o sol com a peneira (reduzir o déficit energético). Os mega projectos do Tâmega e do Tua já estão no terreno e outros já estão a ser idealizados pelos grandes “think tanks” deste pobre país. Sabemos muito bem quem são os legisladores, bem como quem são os responsáveis pelas empresas que irão explorar estes novos monumentos ao despesismo, à água inquinada e à electricidade cara para o consumidor.

Até aqui tudo bem! Quem vota com os pés, só merece pontapés! O grande problema é que as pobres trutas não votaram! Sem força política perante tal oposição, as trutas e outros peixes começam a desaparecer nos troços a jusante dos muros das barragens e em extensões de vários quilómetros. Nalguns troços de forma permanente. Se a construção, que implica o desvio do caudal e o despejar de detritos para o rio, não mata as trutas, então há sempre oportunidade de as matar de forma mais lenta. E é isso que tem vindo a ser feito!

O problema é claro! A maioria das barragens não respeita a obrigação de manter caudais mínimos razoáveis (chamados ecológicos) durante todo o ano, nos troços imediatamente a jusante do muro. Se no Inverno e Primavera, devido às fortes chuvas, este aspecto pode passar despercebido e trazer pouco efeitos negativos para a fauna piscícola, já no Verão e Outono a situação muda de figura. Durante estas estações, a não manutenção de caudais mínimos significa leitos sem água e baixos níveis de oxigenação nas poucas poças de água existentes. As trutas, devido às suas elevadas exigências ao nível de oxigénio e temperatura (águas frias), são as primeiras a desaparecer. Por todo o lado, o panorama é devastador (Lindoso, Salamonde, Caniçada, Sabugal etc.). No caso do Lindoso, da Caniçada e de Salamonde assistimos a vários quilómetros de rio lunar, enquanto as águas turbinadas seguem por tubos ao longo da margem (ver imagens). No caso do Sabugal e outras barragens mais modernas, é o simples desrespeito pela qualidade da água e da fauna a jusante da barragem durante os meses mais críticos, tal como se pode comprovar nas chamadas de atenção de alguns vereadores da Câmara do Sabugal para este tipo de situações em reuniões registadas em acta. Perante estes factos, contra argumentam os infractores e responsáveis que a lei não é explicita ou não tem efeitos retroactivos. Tudo serve! Leitos secos, água inquinada em pequenas poças e peixes mortos não me deixam mentir. Será que isto não basta para o comum dos mortais? Não há crime ambiental? Aonde está a fiscalização? Quando é que a EDP se responsabiliza por este estado de coisas? Porque é que temos que ser sempre nós a pagar duas vezes, como contribuintes e como consumidores?

Está na altura de dizer basta!

Chega de instituições públicas ou privadas sem ética ambiental que tentam passar impunes como pseudo protectores do ambiente para a opinião pública. Para quem são as grandes campanhas nos media? Quem está no terreno é que vê a realidade! Assumam-se, porque se eu for apanhado de forma clara a pescar a menos de 250 metros do muro de uma barragem, para montante ou para jusante, também tenho que me assumir como infractor e pagar a multa!

Perdoem-me este desabafo, mas custa-me mais uma vez ver uma meia dúzia destruir o bem-estar e a felicidade de muitos. O que se está a destruir, não mais poderá ser recuperado. Com muitas mais barragens a caminho, este problema vai-se tornar crítico. São variedades únicas de trutas que desaparecem! São kilómetros de rio que se tornam pantânos para criar mosquitos! Só peço uma coisa! Igualdade na justiça para todos! Aplicação da lei à letra e fiscalização, fiscalização e fiscalização sobre as barragens.

Será que é pedir muito? Se calhar é!

in Trutas.pt - 4 de Fevereiro de 2010