quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Tâmega - Barragens: «Desencanto» de António Patrício

Tâmega - Barragens
«Desencanto» de António Patrício

>> Desencanto <<

Canto sem gosto e sem beleza
Este Tâmega ledo e pardacento
Que um homem sem esperteza
Enjaulou entre muros de cimento.

Choro este rio ao mesmo tempo
Que doido passa sobre a ponte
Em desnorte e contratempo
Nada vislumbro no horizonte

Duas pontes, duas passagens,
Outra bandas, outros lados,
Com certezas e miragens
Fantasias e outros fados.

Mais cinco jaulas em betão
Querem no teu leito erguer
Sepulturas fundas num chão
Que já começou a morrer.

Não, não matem o Tâmega
Rio de sadias paixões
Deixem-no viver liberto
Das grilhetas das prisões.


António Patrício - Abril de 2009
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Amarante)


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