segunda-feira, 29 de março de 2010

Vale do Tâmega - Amarante: Manifestação para “Salvar o Tâmega” juntou centenas de manifestantes



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Vale do Tâmega - Amarante
Manifestação para “Salvar o Tâmega” juntou centenas de manifestantes

Centenas de manifestantes junto à Ponte de São Gonçalo

Em Amarante, no passado dia 13 de Março, centenas de pessoas manifestaram-se contra a construção de seis barragens [de 10 do total] previstas para a bacia do Tâmega no “Plano Nacional de Barragens” (PNBEPH). Exigiram a suspensão do “Plano Nacional de Barragens” bem como o apoio de todos para esta causa comum.

A ponte de São Gonçalo, como também a zona envolvente, esteve repleta com cartazes alusivos à “luta” em “Salvar o Tâmega”. Aquela zona de Amarante foi o palco da reivindicação de diversas pessoas que ali se juntaram para ouvirem “as suas vozes”. Durante a manhã houve diversas iniciativas desde a entrega de comunicados, panfletos, autocolantes, a venda de “t-shirts” com as frases e os símbolos da manifestação, a momentos de música e dança a condizer.

Ao meio-dia houve discursos. Intervieram Ricardo Marques da Quercus e José Emanuel Queirós do Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega. Ricardo Marques salientou as desvantagens e os “mitos” anexos ao “Plano Nacional de Barragens”. Afirmou que estas hidroeléctricas produzirão cerca de 1,6 por cento da energia do país e irão reduzir apenas 0,25% das importações de petróleo. Um impacto irrelevante também ao nível das emissões poluentes, salientou o ambientalista. Ricardo Marques afiançou que caso as barragens sejam construídas, estas não vão gerar qualquer emprego e serão responsáveis por prejuízos e uma “destruição ambiental imensa”. Reforçou a ideia a afirmar a submersão de milhares de hectares de reserva agrícola e ecológica, a diminuição da qualidade da água, a alteração a ecossistema piscícola e que os lobos deixarão de movimentar-se para sul do Tâmega.
José Emanuel Queirós afirmou que o Vale do Tâmega tem sido “desconsiderado pelo poder político nacional” e que “fizeram a venda do nosso principal recurso nas costas de toda a população. Venderam e estão a pensar retalhar o Tâmega, fragmentando em seis grandes albufeiras [Fridão terá duas barragens], fazendo que o Tâmega deixe de ser rio e a água deixe de correr livremente”. Queirós lançou um apelo a afirmar que “o país não pode estar alheio ao que se passa no Tâmega, o país tem de estar solidário com o que se passa aqui”.

No decorrer da manifestação pode-se ver a presença de diversas associações ambientalistas, movimentos cívicos e associações desportivas. A representação política sentiu-se com a presença de alguns presidentes de junta de freguesia, vários elementos do partido “os Verdes” e os deputados do Bloco de Esquerda João Semedo, José Soeiro e Rita Calvário.

A próxima manifestação está marcada para o dia 28 de Março e realizar-se-á em Mondim de Basto.


in O Basto - 20 de Março de 2010

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