terça-feira, 23 de março de 2010

Rio Tâmega: Não, poeta! O teu lugar é aqui na rua!

RIO TÂMEGA
Não, poeta! O teu lugar é aqui na rua!

O Tâmega foi musa inspiradora de muitos poetas.
Sereno e transparente no Verão,
irado e sombrio d'Inverno,
nunca passou indiferente aos que o olhavam e
sentiam …!

Alguém cantará o betão das barragens?
Ou o “bucolismo” das albufeiras?


“Sem esta terra funda e fundo rio,
Que ergue as asas e sobe, em claro voo,
Sem estes ermos montes e arvoredos,
Eu não era o que sou.”
(…)


“Cantai-me as vossas cantigas
Junto ao rio a murmurar.
Mas, cuidado raparigas
Deixai-o também cantar”

Teixeira de Pascoaes



Ó Tâmega meu irmão, rio de agruras
Estrada a serpear entre salgueiros
(…)

Nunes Ferreira


Se o Tejo é o maior;
E o Douro o mais profundo
O Tâmega, sem favor
É o mais belo do mundo.

Mestre Zé Maravilha



És tu, rio verde
E doce e amigo
Que banhas as margens
Do meu sonho antigo

És tu que me dás

A fonte cantante
Dos versos que dou

António Brochado Rodrigues



Rio
No silêncio de pedra corre o vale
E só lhe quebra ao fundo a solidão
A voz de água do rio, levando os seixos
Como quem leva sonhos pela mão.

Ilídio Sardoeira




"… Agora vai o viajante entrando e Amarante, cidade que parece italiana ou espanhola, a ponte e as casas que na margem esquerda do Tâmega se debruçam…”

José Saramago



Primeiro era o Rio que descia do nordeste serpenteando por ermos e vales desde as montanhas da Galícia, esculpindo enseadas e canelhos nas suas Ìnsuas, autênticos paraísos escondidos em frondosos e verdejantes arvoredos”

Costa Neves



“Lanço meus olhos ao rio
Que vai correndo a cantar…”

Fernando Marques de Queirós




“… pelas fontes submersas, ignoradas,
Por estas águas queixosas, ressentidas, do Tâmega,
Viajeiras da Galiza e da neblina…”

Manuel Amaral




“… Neles deslizam furtivas carícias do Tâmega sobre seu leito…”
António Roberval Miketen



(…)
Ó rio Tâmega,
Deste amieiro enobrecido
Faremos barcas de amor
Para navegar nas tuas águas.
Xosé Lois Garcia



Canta, poeta! É chegada a tua hora!
Abandona a tua torre dourada,
Anda sentir o povo que chora.

Não faças mais versos à lua…

Não, poeta! O teu lugar é aqui na rua!

José Pinheiro Fonseca

Na rua e na luta!
Não à Barragem de Fridão.


António Aires, in Força Fridão - 21 de Março de 2010

Sem comentários: