segunda-feira, 29 de março de 2010

PNBEPH - Programa Nacional de Barragens: O EMPREGO NAS RENOVÁVEIS





PNBEPH - Programa Nacional de Barragens
O EMPREGO NAS RENOVÁVEIS


As capacidades instaladas de energia eólica (3350 MW) e de fotovoltaica (75 MW) estão a ser pagas por nós, consumidores, respectivamente a cerca de 90 e €350 euros/MWh, enquanto que o preço de mercado da rede andará pelos 30-40 euros MWh. Se o 'mix' energético já estava desequilibrado, vem agora o Governo, numa autêntica fuga para a frente, propor-se aumentar a capacidade instalada da eólica para 8500 MW e da fotovoltaica para 1500 MW!

Essa nova eólica será complementada por novas barragens de bombagem. Se para a eólica já existente, e cujo investimento é um custo afundado (sunk cost), se justificava a instalação dessas hídricas para armazenar a eólica produzida em excesso nas horas de menor consumo, a decisão de investimentos novos no binómio eólica-bombagem é um erro, pois aos custos da nova eólica haverá que somar os do investimento na bombagem, num processo em que a mesma tem desperdícios de energia da ordem dos 25%, devido às perdas de carga nos circuitos hidráulicos. Tais perdas anulam, pois, parte da electricidade produzida!

Por outro lado, os opositores da energia nuclear dizem (e bem) que essa energia só produz electricidade, não permitindo reduzir as importações de petróleo. Ora a eólica e a fotovoltaica também só produzem electricidade e, por isso, ao contrário do que agora se insinua, esta nova fuga para a frente não vai reduzir a factura petrolífera!

Verdadeiramente delirante é a previsão de 130 mil novos postos de trabalho.

As novas barragens só criam emprego na fase de construção. Em funcionamento serão telecomandadas e, segundo um administrador da EDP citado no Expresso em Maio de 2009, o número de empregos permanentes nas novas barragens será só de 85! Que se saiba, a fábrica de componentes para os geradores eólicos em Viana do Castelo criará mil empregos. Juntamos-lhe mais alguns na produção das torres noutras empresas portuguesas.

Mesmo com um multiplicador de emprego (relação empregos indirectos/empregos directos criados) generoso, não consigo ver como se chega a tais números. Por outro lado, os sobrecustos destas renováveis destroem empregos na economia devido às suas consequências na competitividade empresarial e na retracção do poder de compra das famílias.

Tudo isto vem referido em dois relatórios arrasadores sobre o balanço negativo da criação de emprego nestas renováveis em duas economias que, ao contrário de nós, até conseguiram desenvolver o cluster industrial na eólica e na fotovoltaica: a Espanha e a Alemanha.

Recomendo pois vivamente a leitura de: "Study of the Effects on Employement of Public Aid to Renewable Energy Sources" em Espanha (http://www.juande-mariana.org/pdf/090327-emplo-yement-public-aid-renewa-ble.pdf) e "Economic Impacts from the Promotion of Renewable Energies" na Alemanha (http://www.instituteforenergy-research.org/germany/Ger-many_Study_-_FINAL.pdf)

Luís Mira Amaral (competitividade2@sapo.pt) - Professor de Economia e Gestão IST, in Expresso - Economia, (p. 31) - 27 de Março de 2010

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