terça-feira, 23 de março de 2010

Vila Real - Rio Tâmega: Debate sobre a construção das barragens do Alto Tâmega




Vila Real - Rio Tâmega
Debate sobre a construção das barragens do Alto Tâmega

Autarcas, ambientalistas e representantes de movimentos cívicos defenderam a substituição do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) das Barragens do Alto Tâmega, em consulta pública até 14 de Abril, por outro mais «sério e credível».

A obra do Alto Tâmega, adjudicada à espanhola Iberdrola, visa a construção de quatro barragens: as de Alto Tâmega (Vidago), Daivões - ambas no rio Tâmega - Gouvães e Padroselos (afluentes).

No âmbito do EIA, em consulta pública até 14 de Abril, a Agência Portuguesa do Ambiente promoveu uma reunião que contou com a presença de responsáveis da Iberdrola, de representantes da empresa responsável pelo estudo, a Procesl, e ainda de autarcas, movimentos cívicos, ambientalistas, universitários e agricultores.

Domingos Dias, presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar, o concelho mais afectado pela construção das barragens, defendeu que o EIA deve ser substituído, uma vez que «este EIA é demasiado pobre para poder levar a que empreendimentos com tão grandes impactos no Alto Tâmega sejam executados».

Como impacto mais significativo, Domingos Dias realçou a deterioração da qualidade da água, sendo que o estudo não refere se esta vai ficar inutilizada para consumo humano, animal ou para regadio.

O autarca apontou ainda falhas sobre as consequências que as albufeiras poderão ter nos ventos, afectando os parques eólicos da Empreendimentos Hidroeléctricos do Alto Tâmega e Barroso, principal fonte de rendimento da empresa que junta os seis municípios deste território.

Perante as críticas, Paulo Ferreira, representante da Procesl, reconheceu que o estudo tem lacunas, mas frisou que muitas das questões ambientais apontadas serão desenvolvidas na fase do Relatório de Conformidade Ambiental.

Pina Moura, presidente da Iberdrola Portugal, afirmou que a retirada do EIA está «fora de questão», explicou que a reunião serviu para ouvir as «reacções, tomar nota e refletir» e defendeu o projecto, que considerou ser «bom» para as populações daquela que é uma das regiões mais deprimidas do país.


in Indústria e Ambiente - 23 de Março de 2010

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