PS quer saber quando vai ser reposta ponte de arame submersa no rio Tâmega
O "desaparecimento da ponte teve um impacto significativo", pois obriga a fazer "50 quilómetros por estrada", relembrou o PS. O ministério do Ambiente diz que a APA tem ajudado os afetados.
O PS questionou o Ministério do Ambiente sobre uma data para a reposição da ponte de arame entre Monteiros e Veral, submersa após enchimento da albufeira da barragem do Alto Tâmega, no distrito de Vila Real.
População e autarcas têm reclamado a reposição da ponte de arame que une as aldeias de Monteiros (Vila Pouca de Aguiar) e Veral (Boticas), que ficou submersa depois de a Iberdrola ter iniciado o enchimento da albufeira da barragem, inserida no Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET) em outubro de 2023.
Numa pergunta dirigida à ministra do Ambiente e Energia, através da Assembleia da República, e remetida esta quarta-feira à agência Lusa, o grupo parlamentar do PS questionou a ministra Maria da Graça Carvalho sobre o projeto, querendo saber se a governante “tem conhecimento de alguma objeção por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) à reposição da ponte entre Monteiros e Veral”.
Na pergunta, cujo primeiro subscritor é o deputado Pedro Vaz, coordenador dos socialistas na Comissão de Ambiente e Energia, quer-se ainda saber se se mantém a responsabilidade pela execução do projeto de reposição da ponte atribuída à empresa Iberdrola, que montante de financiamento está previsto pelo Governo para a concretização do projeto e qual a data prevista para o início dos trabalhos de construção da estrutura.
O ministério do Ambiente disse, em resposta à agência Lusa, que a “APA não só não se opõe a este projeto como, desde 2018, acompanha as queixas das câmaras de Boticas e de Vila Pouca de Aguiar e promove iniciativas de articulação entre estas e a empresa promotora do SET, com vista ao desenvolvimento e operacionalização da solução de reposição do acesso em causa, no mais curto espaço de tempo”.
Acrescentou que a APA, na qualidade de autoridade de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA), tem vindo a acompanhar a implementação do SET, assim como a verificação do cumprimento das condições impostas nas decisões e pareceres ambientais emitidos e aplicáveis.
Segundo o ministério, entre estas condições salientam-se “a reposição dos serviços afetados e o pacote de medidas compensatórias de cariz socioeconómico, nas quais se inclui o acesso indicado, inerentes ao plano de ação, em que esta infraestrutura se insere”.
Na pergunta subscrita por 11 deputados, o PS lembrou que o “desaparecimento da ponte teve um impacto significativo, porque obriga os habitantes a percorrer cerca de 50 quilómetros por estrada para fazer um trajeto que antes era feito a pé em poucos minutos”.
Segundo os socialistas, depois de várias reuniões entre a APA, câmaras municipais de Boticas e Vila Pouca de Aguiar, Iberdrola e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) sobre a reposição da ponte de arame, em novembro de 2023, os presidentes das câmaras reuniram com as populações e apresentaram o anteprojeto para a reposição da ponte, mas “o projeto não teve continuidade, tendo sido transmitido que o processo aguarda decisão da APA”.
No final de 2024, em reunião entre o então secretário de Estado do Ambiente Emídio Sousa, os autarcas de Boticas e de Vila Pouca de Aguiar, a APA e a associação “Amigos da Ponte”, foi “garantido que no início de 2025 estariam reunidos todos os pormenores para que, ao longo do ano, fosse possível iniciar a construção”, no entanto, “volvido mais de um ano ainda não teve início a construção da ponte”.
Desde o anúncio da construção da barragem do Alto Tâmega que a população luta pela ponte. À sua reivindicação juntaram-se os autarcas dos dois concelhos, tendo subscrito petições e feito manifestações.
O SET, concessionado à espanhola Iberdrola, é um complexo formado por três barragens e três centrais hidroelétricas: Alto Tâmega, Daivões e Gouvães.
Agência Lusa, in Observador - 22 de Abril de 2026









Sem comentários:
Enviar um comentário