segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

China tenta evitar que barragem danificada se rompa

Terremoto provoca rachaduras 'extremamente perigosas' na construção e cidade pode ser inundada

China tenta evitar que barragem danificada se rompa

Gestante de 8 meses é retirada de escombros com vida nesta quarta-feiraAP

Gestante de 8 meses é retirada de escombros com vida nesta quarta-feira

PEQUIM - A imprensa estatal chinesa afirmou nesta quarta-feira, 14, que 2 mil militares correm contra o tempo para evitar o rompimento da barragem da represa de Zipingku. Os soldados tentam consertar rachaduras "extremamente perigosas", já que as instalações e prédios próximos foram danificados e parte chegou a afundar.

Segundo o Ministério de Recursos Hídricos, o sistema de irrigação da cidade de Dujiangyan, responsável pela contenção de inundações da cidade de mais de 630 mil habitantes, pode ser prejudicado. As autoridades alertaram para os riscos da crescente pressão sobre as demais barragens locais, assim como os deslizamentos de terra nas regiões montanhosas.

O número de mortos no pior terremoto em décadas na China subiu para quase 15 mil na quarta-feira. Militares, bombeiros e civis lutam para salvar milhares de pessoas soterradas por terra e escombros. Na tarde de quarta-feira, o número de mortos era de 14.866, segundo a Xinhua, a agência de notícias oficial. O número de mortos deve subir, já que a mídia estatal informou que 25 mil pessoas estão soterradas.

As equipes de resgate retiravam os pedaços retorcidos de prédios caídos e observavam as fendas entre eles, atrás de sinais de sobreviventes do terremoto de magnitude 7,9 que destruiu casas, escolas e hospitais. O governo mandou 50 mil soldados para procurar vítimas na província de Sichuan.

Mas, entre os momentos sombrios, houve alguma alegria. Em Mianzhu, onde milhares de pessoas foram confirmadas mortas, cerca de 500 pessoas foram retiradas vivas dos escombros dos prédios. Em Hangwang, um vilarejo em Mianzhu, uma menina recebeu comida e água enquanto tentavam tirá-la dos escombros do prédio de uma escola. Uma mulher grávida de oito meses e sua mãe, presas há dois dias debaixo de um prédio em Dujiangyan, foram resgatadas pelos bombeiros e levadas a um hospital. "Estamos muito felizes. Estávamos gritando aqui há dois dias", disse Pan Jianjun, um parente. "Mas ainda há três pessoas fazendo barulho ali."

Nos arredores da cidade de Miangyang, desabrigados circulavam por um estádio lotado, segurando cartazes com os nomes de parentes, na esperança de encontrá-los. A maioria é do condado rural de Beichuan, uma das áreas mais severamente afetadas. "Eles não disseram nada sobre o que vai acontecer conosco. Este é somente um lugar temporário. Não sei se vou conseguir voltar para casa," disse Hu Luobing, da vila de Beichuan, onde, segundo ela, tudo foi destruído. Ela deixou a filha no abrigo improvisado no estádio, onde cerca de 10 mil moradores de Beichuan estão, para procurar roupas. Outros procuravam comida e abrigo da chuva.

Fotos de Beichuan, área montanhosa de difícil acesso para a equipe de resgate, mostram uma devastação quase total. Os sobreviventes ficam ao ar livre, ao lado dos mortos e cercados por prédios reduzidos a pedaços de concreto.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, que está em Sichuan fazendo apelos e visitando crianças órfãs, esteve em Beichuan no meio do dia. "A sua dor é a nossa dor", disse ele na televisão estatal. Ele estava entre uma multidão de moradores da região. Alguns deles choravam. "Salvar a vida das pessoas é a tarefa mais importante."

Só o condado de Beichuan precisa urgentemente de 50 mil barracas, 200 mil cobertores e 300 mil casacos, além de água potável e medicamentos, disse a Xinhua. O tremor de segunda-feira é o pior na China desde 1976, quando 300 mil pessoas morreram. Com o desastre, fica suspensa a propaganda patriota do governo, a três meses das Olimpíadas de Pequim.

in Estadao.com.br - 14 de Maio de 2008

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