segunda-feira, 12 de maio de 2008

POR AMARANTE SEM BARRAGENS: PETIÇÃO POR AMARANTE E PELO RIO TÂMEGA – ASSINA TAMBÉM

 POR AMARANTE SEM BARRAGENS

PETIÇÃO POR AMARANTE E PELO RIO TÂMEGA – ASSINA TAMBÉM



UMA PATRANHA NACIONAL CHAMADA «PNBEPH»

Com a figura do «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH)», mandado elaborar pela empresa Redes Energéticas Nacionais, SGPS, S.A., o Governo encontrou a fórmula precisa para dar cunho nacional à conhecida pretensão de submeter o rio e a bacia do Tâmega aos ditames do betão e da electricidade.

Conhecendo o meio físico do vale do Tâmega e os contextos sociais para os quais as cinco barragens são projectadas, quando confrontados com o relatório de «Avaliação Ambiental» do PNBEPH, ninguém pode deixar de constatar que estamos perante uma peça meticulosamente urdida para subverter o sentido do seu propósito originário: o documento que fundamenta a iniciativa do Governo ignora fundamentos geomorfológicos estruturais e estruturantes (condicionantes naturais), como a existência da falha sismo-tectónica percorrida pelo Tâmega, e usa recurso ao impiedoso argumento de que «não há sobreposição a áreas classificadas».

De tal modo essa avaliação é conduzida que, o relatório «Ambiental» do PNBEPH, omite a existência da cidade de Amarante situada 6 Km a jusante do escalão de Fridão (Amarante), acabando por constituir um exemplo eloquente de como é possível recorrer ao uso de técnicas de planeamento – escamoteando conhecimentos não desprezíveis, da realidade que opera – para apresentar como resultados finais os que eram tidos por definitivos antes da realização do referido «estudo».

Para Amarante e para o Tâmega, o «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH)» é uma enorme patranha nacional, patrocinada e adoptada pelo XVII Governo Constitucional, para justificar antigas apetências construtoras e hidroeléctricas sobre os rios mais favoráveis, há muitos anos conhecidas.


PETIÇÃO A EVITAR MAIORES DESMANDOS SOBRE AMARANTE

Em tempos de globalismos re-inventados no declinar do segundo milénio, qual novo internacionalismo para subordinar o início do terceiro, fica a sensação de que Amarante, tal como a conhecemos – com as particularidades do micro-cosmos em funcionamento quase perfeito de integração na paisagem – talvez possa constituir um paradigma para outras esferas, mas está em visível desconformidade com esta nova ordem de «progresso» que o Governo adoptou.

Antes que aporte o tempo do arrependimento e da avaliação dos estragos, e nos convença que Amarante não era uma exorbitância da natureza malbaratada pelo Homem, uma fortuna imerecida para os autóctones e, portanto, uma desnecessidade global, assina a petição que está online no endereço

http://www.petitiononline.com/PASB2008/petition.html.

Com recurso ao exercício de "plena cidadania", faz com que esta matéria integre proximamente a agenda política da Assembleia da República, visando evitar a construção da famigerada barragem em Fridão, e manter viva a possibilidade de Amarante se livrar da guilhotina que se erguerá sobre a cidade em ameaça permanente, até que a natureza a accione.

Este cenário brutal criado pelo XVII Governo constitucional constitui uma investida cega sobre os recursos naturais do país. O «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH)», não pode sobrepor-se às repercussões nefastas dos efeitos regionais e locais esperados – em perdas patrimoniais, degradação da qualidade ambiental, e insegurança por exposição fortuita a riscos induzidos de escala sobredimensionada – tendo por referência o vale do Tâmega e a localização sobrevivente da cidade de Amarante.

José Emanuel Queirós, in PlenaCidadania - 12 de Maio de 2008

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