quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Barragem de Fridão (Amarante) - Terminou consulta ao Estudo de Impacte Ambiental (EIA): Dúvidas enchem futura barragem



Barragem de Fridão - Terminou consulta ao Estudo de Impacte Ambiental (EIA)
Amarante: Dúvidas enchem futura barragem


A EDP diz que a barragem de Fridão, em Amarante, vai permitir poupar 15 milhões de euros em matéria de energia. Um professor da Universidade do Porto afirma que a qualidade da água até vai melhorar. Mas a futura construção continua longe de ser consensual.

Terminou ontem o período de consulta pública do estudo de impacto ambiental do projecto. "Tudo que se faz tem impactes", sentenciou Fátima Teixeira, geógrafa da empresa que elaborou o documento, no último debate levado a cabo no âmbito da consulta pública. A técnica estimou que a barragem terá um impacto de 70% num raio de 10 quilómetros.

"São impactos que se conseguem minimizar para níveis aceitáveis", salvaguardou Fátima Teixeira. A especialista apontou três áreas mais sensíveis à construção da barragem: a da albufeira secundária que engloba as freguesias de Fridão e Chapa; a zona agrícola dos rios afluentes do Tâmega, Cabril e Veado; e uma zona, também a jusante da barragem, "mais sensível de ponto vista biológico, onde há espécies de flora com interesse ecológico e estruturas para desportos em águas bravas".

Conforme noticiou já o JN, o estudo de impacto ambiental explica que a barragem de Fridão, entre outras consequências, vai inundar 817 hectares de terreno em cinco concelhos, cobrindo 108 casas e anexos, as instalações de duas empresas, nove praias fluviais e o parque de campismo de Mondim de Basto.

A elevada percentagem de impacto ambiental do projecto dominou o debate que se realizou, na passada sexta-feira, em Amarante. De tal forma que o próprio presidente da Câmara Municipal, Armindo Abreu, confessou estar preocupado.

Nesse contexto, o autarca perguntou a Nuno Formigo, da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, se os impactos da concretização da obra na qualidade da água serão da mesma dimensão. "Entendo que com a barragem, a qualidade da água será melhor", observou, contudo, o docente universitário.

António Castro, da EDP Produção, justificou a barragem com uma poupança energética de 15 milhões de euros.

Preocupação com mosquitos

Mas quem estava na plateia não estava muito interessado em ouvir falar da economia. A discussão abordou, então, a possibilidade de aumentar a presença de mosquitos, por causa das águas paradas entre as duas barragens (o projecto contempla uma estrutura principal e uma secundária, que servirá, precisamente, para regular o fluxo da água) e onde desaguará a poluída Ribeira de Santa Natália. O docente da Faculdade de Ciências Nuno Formigo voltou a tranquilizar a plateia, afastando essa possibilidade.

António Orlando, in Jornal de Notícias, N.º 260, ANO 122 (p. 18) - 16 de Fevereiro de 2010

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