domingo, 31 de janeiro de 2010

PNBEPH - Rio Beça (Boticas): Descoberta de mexilhões põe em risco construção da barragem de Padroselos





PNBEPH - Rio Beça: Boticas
Descoberta de mexilhões põe em risco construção da barragem de Padroselos

Apesar de causar estranheza, é algo bem real. Depois da descoberta da colónia de uma espécie rara de 12 mexilhões, a construção prevista da barragem de Padroselos poderá não avançar.

A construção deste complexo hidroeléctrico integra-se no Programa Nacional de Barragens lançado pelo Governo em finais de 2007. Assim, no âmbito deste programa traçou-se a construção do complexo hídrico do Alto Tâmega, que implica a construção de quatro barragens na região: Gouvães, Padroselos, Alto Tâmega e Daivões.

A edificação das quatro barragens foi a concurso, concurso esse ganho pela empresa Iberdrola que pagou ao Estado, em Janeiro deste ano, um prémio de concessão no valor de 303 milhões de euros pela exploração das quatro barragens durante 65 anos.

Porém, a construção da barragem de Padroselo poderá não avançar, dado terem sido encontrados, aquando da realização do estudo de impacte ambiental, uma espécie rara de mexilhões não comestíveis. Denominada por mexilhão-de-rio do Norte ou Margaritifera margaritifera, esta espécie é protegida pela legislação nacional e europeia e que, em 1986, chegou a ser dada como extinta em Portugal.

Segundo os especialistas, esta espécie de mexilhão reproduz-se em águas límpidas e a partir das guelras de alguns peixes, nomeadamente, das trutas. E sendo o rio Beça um rio “truteiro” e de águas translúcidas é “natural” o aparecimento destes mexilhões.

Desta forma, os especializados referem ser impossível conciliar a ocorrência desta espécie com a construção da barragem, sendo que, para além de destruir o habitat onde vive a margaritifera, o empreendimento vai ainda afectar outras espécies essenciais para a sobrevivência do mexilhão, como as trutas.

Contudo, o Ministério do Ambiente está a procurar soluções para ultrapassar esta condicionante, a não construção da barragem, e não ter de indemnizar o Grupo Iberdrola que já pagou 76 milhões de euros pela exploração.

No entanto, deslocar a colónia dos 12 mexilhões-do-rio para outro local ou até mesmo aumentar a capacidade de armazenamento das outras barragens do Tâmega são duas hipóteses em cima da mesa. Todavia, só depois de realizados mais estudos é que será dada uma resposta final, para já a construção da barragem fica em suspenso.

De referir que, o empreendimento deveria ter um total de 1.135 mega watts de potência e uma produção eléctrica anual de 1.900 giga watts/hora, equivalente ao consumo de um milhão de pessoas.

Suraia Ferreira, in A Voz de Chaves - 08 de Janeiro de 2010

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