sábado, 26 de junho de 2010

Cortina de fumo lançada sobre o Tâmega: Mexilhão de rio leva governo a chumbar barragem de Padroselos




Cortina de fumo lançada sobre o Tâmega
Mexilhão de rio leva governo a chumbar barragem de Padroselos

O Ministério do Ambiente chumbou uma das quatro barragens da Cascata do Alto Tâmega, concessionadas à Iberdrola, por causa do mexilhão de rio do Norte, uma espécie rara descoberta no rio Beça, em Boticas, disse à agência Lusa fonte oficial do Ministério.

O Ministério do Ambiente chumbou uma das quatro barragens da Cascata do Alto Tâmega, concessionadas à Iberdrola, por causa do mexilhão de rio do Norte, uma espécie rara descoberta no rio Beça, em Boticas, disse à agência Lusa fonte oficial do Ministério.

A Declaração de Impacte Ambiental (DIA) das barragens do Alto Tâmega, concessionadas à espanhola Iberdrola, foi assinada na segunda feira e, segundo a fonte, chumbou a barragem de Padroselos, que estava previsto construir no rio Beça, no concelho de Boticas.

A tutela resolveu condicionar as restantes três barragens "sem comprometer a produção hidroelétrica anual".

O Ministério do Ambiente decidiu que o condicionamento passa também pela obrigatoriedade de serem usadas as cotas mais baixas propostas no Estudo de Impacte Ambiental (EIA).

A DIA contempla também um conjunto de medidas de compensação sócio económicas e ambientais para a zona.

O mexilhão de rio do norte, Margaritifera margaritifera, é uma espécie rara protegida pela legislação nacional e europeia e que, em 1986, chegou a ser dada como extinta em Portugal.

Actualmente, esta espécie existe nos rios Rabaçal, Tuela e Mente, que atravessam a parte ocidental do Parque Natural de Montesinho (PNM), e ainda no Paiva, Neiva e Cavado. No âmbito do Estudo de EIA de Padroselos, o mexilhão de rio foi também descoberto no rio Beça.

A construção da barragem de Padroselos implicaria a eliminação desta colónia de bivalves e, por isso, o EIA propôs um "possível cenário alternativo do projecto", que passava pela exclusão desta barragem do projecto.

Muitos especialistas e ambientalistas defendem que a sobrevivência do mexilhão de rio do Norte era "praticamente impossível" de conciliar com a construção da barragem de Padroselos.

A Iberdrola já pagou ao Estado um prémio de concessão no valor de 303 milhões de euros pela exploração das barragens durante 65 anos.

O empreendimento deverá ter um total de 1.135 megawatts (MW) de potência e uma produção elétrica anual de 1.900 gigawatts/hora (GWh), equivalente ao consumo de um milhão de pessoas, e representa um investimento de 1700 milhões de euros.

Com a emissão desta DIA fica a faltar a referente à barragem de Girabolhos, no Mondego, para a conclusão do Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico.

Segundo a fonte, quando estas novas barragens estiverem concluídas, Portugal irá poupar cerca de 205,2 milhões de euros por ano com a importação de petróleo.


Lusa, in negócios online - 22 de Junho de 2010

1 comentário:

Anónimo disse...

Desenganem-se: isto é apenas uma derrota mais pequena. Esta era a decisão óbvia e esperada, para evitar um confronto directo com a Comissão Europeia e dar uma imagem de preocução ambiental.

Em termos de conservação da natureza é evidentemente uma solução menos má do que se Padroselos avançasse. Mas os impactes das barragens aprovadas continuam a ser muito significativos, e a Iberdrola continua a poder instalar uma potência superior à originalmente prevista em todo o Programa Nacional de Barragens (mais de 1100 MW). Mais lucros para as eléctricas à custa dos consumidores, que vão pagar a factura durante uns 70 anos.

A notícia do Jornal de Negócios continua a invocar o falso argumento da "poupança de importação de petróleo". Não só praticamente não se produz em Portugal electricidde a partir de petróleo, como um investimento equivalente em medidas de poupança de energia permitiria poupar cerca de dez vezes a produção do sistema agora aprovado.

João Joanaz de Melo