quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Armando José Pereira Oliveira - Mondinense dos sete costados

Armando José Pereira Oliveira - Mondinense dos sete costados

A tristeza que eu sinto quando sei que morreu um amigo mistura-se rapidamente com a saudade e habitualmente não resisto a relembrar os momentos em que as nossas vidas se cruzaram. Assim está a acontecer com o «Armando de Fafe» que hoje, há bem pouco, acabou de nos deixar.
Bom homem, de feitio reservado, era um grande amigo do Tâmega.
Pescador exímio, ex-atleta do mondinense, um bom conhecedor do concelho, conheci-o já lá vão quase 3 dezenas de anos.
Com ele, sendo eu adolescente, lembro-me bem de treinar futebol no Mondinense. Chegado de Fafe, o Armando, veio jogar para o clube da sede da nossa terra.
Afável e atencioso, na altura craque da bola, connosco dava uns “toques” para alegrar a rapaziada.
Quando foi Presidente do Clube de Caça e Pesca de Mondim conversámos muito e trabalhámos em alguns projectos comuns. Foi ele e sua direcção, que desbloqueou uma questão pertinente aquando da formação da zona de caça municipal.
A pedido dele colaborei, tecnicamente, elaborando o projecto para a criação da concessão de pesca desportiva no troço do Tâmega, que vai da Ponte à foz do Cabril.
A existência da pista de pesca de Mondim a ele muito se deve.
Com o Armando reforcei a convicção do interesse que tem a pesca desportiva como valência importante no desenvolvimento do turismo de um concelho como Mondim.
Grande apaixonado pelo rio Tâmega, logo que se conhece o Programa Nacional de Barragens, o Armando, desde a primeira hora, atento e preocupado com a previsível destruição do nosso Rio procurou incansavelmente informar-se para, como cidadão, tomar uma posição pública.
Foi ele quem em primeira-mão me disse que o nosso rio Olo também fazia parte do famigerado Programa.
Inúmeras vezes me contactou procurando recolher novas informações, trazendo sempre novos elementos e ideias para se preparar uma contestação.
Membro fundador do Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega, foi subscritor inicial do Manifesto anti-barragem e subscritor da petição online “Salvar o Tâmega e a vida no Olo”.
O Armando não mais sossegou: dia após dia, procurava obter mais informação para que o grupo de contestação à barragem estivesse bem informado e desse modo pudesse preparar o combate que até hoje estamos a travar.
Foi ele, o primeiro de nós a ir ao Torrão [Marco de Canavezes] verificar in loco o desastre ambiental que a barragem provocou. Foi ele, que nessa visita falou com pessoas que habitam nas margens da albufeira e nos relatou o que ouviu: “se soubéssemos o que hoje sabemos, nunca tínhamos acreditado que isto iria melhorar a nossa vida e trazer turistas...” , “não deixem que na vossa terra vos façam o mesmo...
Nesta luta, difícil mas que ainda não terminou, o Armando esteve em todas: debates, manifesto, recolha de assinaturas, petição, reuniões em Mondim, Amarante e Ermelo.
Por tudo isto Armando - o que fizeste está feito e ninguém to tirará: atleta do Mondinense, Presidente do Clube de Caça e Pesca, criação da pista de pesca de Mondim, defensor activo do Tâmega e do Olo, treinador das camadas jovens do Mondinense entre outros que não saberei, «Armando de Fafe» (de alcunha), foi um Mondinense dos sete costados.
Bem-haja por teres escolhido Mondim como a tua terra.

Alfredo Pinto Coelho - 16 de Setembro de 2009
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Mondim de Basto)

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