No entanto, há uma reflexão a impor: se na única albufeira artificial (como consequência da existência de uma barragem artificial) é evidente o estrago ambiental, num hipotético futuro, com a apregoada albufeira do Tâmega (como resultado da construção de mais cinco barragens no rio Tâmega teremos, em grosso modo, uma albufeira desde de Chaves até Amarante) teríamos uma extrapolação deste estrago ambiental. Se actualmente as águas já vêm com um considerável grau de poluição do outro lado da raia portuguesa, se a taxa de cobertura de saneamento básico é baixa e as estações de tratamento destes resíduos estão desactualizadas ou, simplesmente, paradas na região onde atravessa o rio (Amarante-Terras de Basto-Chaves) é facilmente constatável que com a estagnação do rio, devido à construção das cinco barragens, teremos o fenómeno da eutrofização estendido desde do Torrão a Chaves. Em suma, um horripilante rio de tom esverdeado a servir de matéria prima a interesses e interesseiros.
Para aqueles que consideram que o processo de construção das cinco barragens é algo inevitável(perante a lei este processo é evitável) - devido ao poder dos promotores destes projectos - lembro-os do que foi dito numa conferência em Cabeceiras de Basto dada por alguns administradores da EDP: «A EDP não se responsabiliza pela qualidade da água, embora seja sensível a este assunto, pois, o INAG e as autarquias são as instituições legalmente responsáveis por esta supervisão». Palavras, francamente esclarecedoras, que pautam o evitável atropelo ambiental que será a construção de mais barragens no rio Tâmega.
Ler ainda: «O Rio Tâmega a jusante de Amarante em Agosto de 2009», por José Emanuel Queirós.
Marco Gomes, in Remisso - 5 de Setembro de 2009














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