terça-feira, 22 de setembro de 2009

[Ainda o rio Tâmega] Por vezes o caro... também sai caro, e...

Por vezes o caro... também sai caro, e...

... o que podia ser um Paraíso vira um Inferno.

Paga, Zé! Aguenta, Zé! Cala, Zé!

.................................................................................Amarante mirando-se no Tâmega infecto

Hoje empresto a voz a quem vive este pesadelo.

Para ficar a par dos pormenores desta catástrofe siga até aqui e aqui.

A que interesses se deve esta "barragem de silêncio nacional" sobre um assunto tão grave quanto este?
E que país é este que, sem punição, em pleno século XXI e em plena Europa, se dá ao desplante, à lata, à irresponsabilidade, ao crime de ter no seu território um rio Tâmega neste estado caótico, moribundo, agonizante?


E apesar das obras de alindamento do Largo de S. Gonçalo, com recurso a projecto do arquitecto Távora, galeria técnica xpto e da enormesca fatia de dinheiro do erário público enterrada naquela obra granítica, não sei como foi possível não precaver situações como a que hoje pudemos assistir e que foi apenas mais uma das muitas que ocorrem em pleno coração da cidade de Amarante.

Ao que parece, e segundo o técnico da empresa Águas do Ave que vinha "resolver" o caso, a tubagem foi mal dimensionada e, de quando em vez, a pressão exercida pelo detritos é de tal ordem que rebenta com umas tampas que por lá existem na galeria técnica criando uma cascata imunda, nojenta e pestilenta que cai cá bem de cima, em pleno muro que sustenta o Largo de S. Gonçalo...
Anabela Magalhães
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O Tâmega – que já foi rio às portas de Amarante – agoniza a reserva de água na «zona sensível» (Decreto-Lei n.º 152/97, de 19 de Junho) da albufeira do Torrão, pela carga de nutrientes que lhe é vertida no leito.Desde há muitos anos, em toda a extensão da albufeira criada pela Barragem do Torrão (Alpendorada - Marco de Canaveses), a prolífica cultura de algas azuis dá um colorido endémico muito verde, intensamente pastoso e pestilento às águas, imediatamente a jusante da cidade de Amarante. As suas margens, classificadas de «domínio público hídrico», outrora debruadas de areias douradas são agora pântanos de lodos negros, fétidos e nojentos onde se acumulam pastas verdes, sobras marginais de todo o tipo, lixos e latas, testemunhos de uma deplorável morbidez planetária que a civilização insustentável alcançou em terras amarantinas e o Estado consente.

O rio é vital para o concelho e a região, onde a cidade alivia os efluentes que poderiam afogar a obsoleta ETAR de Amarante, pronta a ser desmantelada e substituída há vários anos – concluída e inaugurada apenas há 10 (Fev.1999) com «equipamentos de última geração vindos expressamente de Inglaterra». (Ler mais aqui.)
José Emanuel Queirós

....................................................................Cascata de esgoto. Ainda bem que as fotos não têm cheiro!

Fotografias de Anabela Magalhães

Elsa Duarte, in Olhai os lírios da Campos - 21 de Setembro de 2009

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