sábado, 21 de março de 2009

Alto Tâmega: Complexo hidroeléctrico vai gerar 3500 empregos

As quatro barragens devem entrar em funcionamento em 2018
Alto Tâmega: Complexo hidroeléctrico vai gerar 3500 empregos

O Complexo Hidroeléctrico do Alto Tâmega, que inclui a construção de quatro barragens, vai criar 3 500 postos de trabalho directos e cerca de dez mil indirectos. A garantia foi dada por Ignácio Gálan, o presidente do grupo espanhol Iberdrola, aquando da apresentação pública do projecto em Chaves, na última sexta-feira, 23. O empreendimento deverá estar concluído até 2018 e terá uma produção suficiente para responder ao consumo anual de, aproximadamente, um milhão de pessoas. “As novas centrais serão capazes de produzir dois mil gigawatts por hora ao ano, valor que representa três por cento do consumo eléctrico português”, frisou o empresário. Entre os anos 2012 e 2018, o grupo espanhol que ganhou o concurso para a construção do complexo prevê um investimento de cerca de 1 700 milhões de euros. Por isso, o presidente da Iberdrola classificou o projecto como um dos “mais importantes dos últimos 25 anos na Europa”. Com quatro barragens, duas centrais de bombagem e duas de turbinação pura, o Complexo Hidroeléctrico do Tâmega vai concluir o desenvolvimento da bacia do rio Douro. Gouvães, Padroselos, Alto Tâmega e Daivões vão receber as novas infra-estruturas, abrangendo assim os concelhos de Boticas, Ribeira de Pena e Vila Pouca de Aguiar. Depois de ter chegado com uma hora de atraso, o Primeiro-Ministro, José Sócrates, presidiu à cerimónia, classificando este projecto como essencial para a política energética do País. “Trata-se de um investimento estratégico para reduzir a dependência do petróleo e o endividamento externo, produzindo aqui o que estamos a importar de fora.” Sócrates referiu-se ainda ao sentimento urgente de “recuperar o tempo perdido” no que concerne ao aproveitamento do potencial hídrico nacional. “É também um investimento promovido pelo Estado, que atrai investimento estrangeiro e privado”, reforçou. Além de “atrair emprego para o interior norte”, as novas barragens vão colocar Portugal “na linha da frente das energias renováveis”, por isso é necessário apostar na combinação de energia eólica e hídrica, nas palavras de Sócrates, o “mix energético”. O Primeiro-Ministro não deixou de sublinhar a importância do empreendimento como uma “ajuda no combate à crise financeira mundial”. “É um investimento decisivo, que vai trazer mais oportunidades às pessoas e às empresas e será um contributo para a riqueza nacional.” O contrato da adjudicação ao grupo Iberdrola, vencedor do concurso lançado pelo Governo no âmbito do Plano Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), prevê a exploração do empreendimento durante um período de 65 anos.

Voz do descontentamento

Quem também esteve presente na cerimónia de apresentação do projecto foi o presidente da Associação de Municípios do Alto Tâmega e autarca flaviense, João Batista, que se revelou satisfeito por se tratar de “um grande investimento para os municípios do Alto Tâmega”. A par dos postos de trabalho que deverão ser criados, será aproveitada a riqueza da região, garantindo “a sustentabilidade dos recursos”. Contudo, uma voz discordante levanta-se na Internet. O Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega já elaborou o “manifesto anti-barragem: Salvar o Tâmega e a vida no Olo” e colocou uma petição online com a mesma designação. O documento já foi subscrito por mais de 1 600 cibernautas. Um dos pontos referidos pelo Movimento alerta para “o atentado à integridade monumental da paisagem natural das «Fisgas» de Ermelo (Mondim de Basto) e à respectiva área classificada do Parque Natural do Alvão” com a construção da barragem de Gouvães (Vila Pouca de Aguiar). Sobre esse assunto, o ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Nunes Correia, já assegurou que não será assim. “As ‘Fisgas’ de Ermelo posso dar por garantido que vão continuar. Houve um grande empenho nesse sentido e vai ser bem sucedido.” O ministro frisou que o Governo procura “conciliar sempre as necessidades das regiões e das populações com a conservação da natureza, desde que não se comece com uma posição de antagonismo, mas se procure compreender o que está em causa e com competência técnica tentar encontrar soluções que superem este dilema”.

Patrícia Posse, in Mensageiro Notícias - 30 de Janeiro de 2009

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