quinta-feira, 30 de julho de 2009

PNBEPH - Apresentado o “mais importante projecto hídrico da Europa”

Sociedade: ALTO TÂMEGA
Apresentado o "mais importante projecto hídrico da Europa"
A Iberdrola confirmou, em Chaves, na passada sexta-feira, a adjudicação do complexo hidroeléctrico do Alto Tâmega, na presença do primeiro-ministro, José Sócrates.

A construção de quatro barragens no Alto Tâmega vai implicar um investimento de 1.700 milhões de euros por parte da Iberdrola entre 2012 e 2018 e criar 13.500 empregos directos e indirectos.

As projecções foram feitas pelo Presidente da Iberdrola, Ignácio Galán, numa cerimónia que contou com a presença do primeiro-ministro português, do ministro do Ambiente, Nunes Correia, do presidente da Iberdrola Portugal, Joaquim Pina Moura, entre vários autarcas locais, como João Batista.

Pina Moura abriu a sessão pública, seguindo-se a intervenção do autarca flaviense, João Batista, na qualidade de presidente da AMAT, Associação de Municípios do Alto Tâmega. João Batista além de referir as vantagens que o investimento trará para a região, sobretudo na criação de postos de trabalho e pelo “aproveitamento desta riqueza” da região, sublinhou o considerável número de vezes que, no último ano, José Sócrates esteve na cidade, sendo um “bom sinal do trabalho que cá se tem realizado”.

A construção do Complexo Hidroeléctrico do Alto Tâmega vai implicar um investimento total de 1.700 milhões de euros e terá um impacto económico de 5.000 milhões de euros, afirmou o presidente da Iberdrola. Ignácio Galan considerou o projecto como o “mais importante projecto hídrico da Europa nos últimos 25 anos”.

O responsável sublinhou no seu discurso as mais valias do projecto para o país e para a região: “Vai criar emprego e riqueza no Norte de Portugal, pois a política da Iberdrola é contratar como fornecedores as empresas do país onde tem os investimentos.

Vai aumentar a potência hidroeléctrica de Portugal em 25 por cento, pois serão capazes de produzir quase dois mil gigawatts por hora, o que representa 3% do consumo eléctrico português, ao mesmo tempo que vão evitar a emissão anual de 1,2 milhões de toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera”.

“Estamos recuperar o tempo perdido”
Na sessão pública, José Sócrates afirmou que o país tem potencialidades a nível da energia que estão subaproveitadas e que “já se devia ter feito o que agora se vai fazer”, mas “estamos a recuperar o tempo perdido”.

O primeiro-ministro português sublinhou o projecto de vital importância: “este projecto é essencial para a nossa política energética e para diminuirmos a nossa dependência do petróleo. É um projecto que contribui para reduzir a despesa externa, pois trata-se de produzir aqui o que estamos a importar de fora”.

Com um discurso optimista, “pois o pessimismo não cria emprego”, José Sócrates sublinhou que “Este investimento realiza-se no momento em que o nosso país mais precisa, talvez mais do que nunca, de investimento e é por isso que aqui venho, para dizer ao país que queremos mais investimento promovido pelo Estado.

Este é o momento para o Estado agir, o que exige que faça mais investimento para garantir emprego e dar oportunidades às empresas. Por isso, este investimento é tão importante: responde à necessidade imediata para fazer face à grave crise económica internacional”.

O discurso do primeiro-ministro focou a crise actual, a qual considera “completamente nova e não tem precedente histórico recente”. Neste seguimento, José Sócrates sublinhou que este é o momento certo para “liderar e indicar o caminho”, afirmando que a estratégia do Governo para combater a crise passa por três pontos: estabilizar o sistema financeiro, ajudar as empresas no acesso ao crédito e promover o investimento público.

A construção das quatro barragens na região do Alto Tâmega faz parte do Plano Nacional de Barragens lançado pelo Governo em final de 2007, razão pela qual o primeiro-ministro afirmou que se trata de um investimento privado “promovido pelo Estado”.

Previsto funcionamento para 2018
A construção das barragens de Gouvães, Padroselos, Alto Tâmega e Daivões, todas na bacia do rio Tâmega, e nas áreas de abrangência dos concelhos de Vila Pouca de Aguiar, Boticas e Ribeira de Pena, deverá começar em 2012, estando prevista a sua entrada em funcionamento em 2018.

O projecto, atribuído ao Grupo Iberdrola por concurso público, consiste na construção de quatro barragens – com duas centrais de bombagem e duas de turbinação pura – num total de 1.135 megawatts (MW) de potência e uma produção eléctrica anual de 1.900 gigawatts/hora (GWh), equivalente ao consumo de um milhão de pessoas.

A Iberdrola pagou ao Estado, no dia 5 de Janeiro deste ano, um prémio de concessão no valor de 303 milhões de euros pela exploração das barragens durante 65 anos, um projecto que irá representar um investimento de 1.700 milhões de euros e criará 3.500 postos de trabalho directos.

As vozes contra
Apesar dos responsáveis políticos evidenciarem, apenas, as mais valias do Complexo Hidroeléctrico do Alto Tâmega, algumas vozes já se manifestaram contra o mesmo. O Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega já elaborou e apresentou um manifesto anti-barragens, da mesma forma que já inseriu na internet uma petição com o mesmo objectivo.

As razões apontadas pelo Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega são várias, nas quais se destaca aquela que refere “que a construção da Barragem de Gouvães (…) irá arrasar irreversivelmente as majestosas e únicas Fisgas de Ermelo”, em Mondim de Basto. Nunes Correia, ministro do ambiente, negou, entretanto, as previsões e disse que “as Fisgas de Ermelo vão continuar”.

No manifesto apresentado pelo Movimento são referidas várias razões para a sua contestação ao projecto, incluindo o facto de “o leito do rio Tâmega e toda a rede hidrográfica é «reserva ecológica nacional” e a classificação pelo Plano de Bacia Hidrográfica do Douro, que classifica a sub-Bacia do Tâmega em “ecossistema a preservar” e “as cabeceiras do rio Olo, até à proximidade de Ermelo (Mondim de Basto) é “área classificada” do Parque Natural do Alvão, onde são proibidos os “actos ou actividades” de “captação ou desvio de águas”.
O manifesto pode ser lido na íntegra em cidadaniaparaodesenvolvimentonotamega.blogspot.com.

Cátia Mata, in A Voz de Chaves - 30 de Janeiro de 2009

Sem comentários: