segunda-feira, 8 de junho de 2009

Presidente da Câmara de Montalegre denuncia: Montalegre "Serviço da EDP é uma desgraça"

Presidente da Câmara de Montalegre denuncia
"Serviço da EDP é uma desgraça"


O Presidente da Câmara de Montalegre volta à carga com duras críticas ao serviço prestado pela EDP no concelho o qual o classifica como «desgraça». O desalento do autarca é tal que afirma: «A EDP vive à custa dos municípios pobres como o de Montalegre. Aqui, nas cinco barragens do concelho, pode produzir cerca de 100 milhões de euros de energia por ano, mas a justa participação do município na riqueza produzida, como elementar princípio de solidariedade, mas de justiça, resume-se a uns miseráveis 65 mil euros por ano, com culpas para o governo que não faz justiça, e permite assim aquilo que se pode classificar de enriquecimento ilícito por parte da EDP».
A paciência de Fernando Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Montalegre, para com a EDP está esgotada. O fraco serviço prestado no concelho de Montalegre tem provocado as maiores dores de cabeça quer a particulares quer a instituições públicas, onde os cortes de luz têm sido frequentes. O edil lembra que «há muito que a Câmara vem solicitando intervenções à EDP para melhorar o serviço de fornecimento de energia no concelho. Apesar de há anos ter havido uma fase de muitas intervenções, o certo é que continuamos a ser mal servidos, muito mal servidos! O serviço da EDP é mesmo classificado pelos barrosões como uma desgraça!».

FEIRA DO FUMEIRO PREJUDICADA

Os exemplos são mais que muitos. Fernando Rodrigues refere: «No domingo da Feira do Fumeiro, com milhares de pessoas dentro do pavilhão multiusos e o comércio da vila cheio de gente, ficamos sem luz durante mais de duas horas. Nessa ocasião, apesar dos graves prejuízos causados ao negócio da feira, pois o certame praticamente acabou porque a falha de luz mandou toda a gente embora, mesmo assim a minha consciência não permitiu fazer críticas à EDP porque foi violento o temporal desses dias, e muitas as avarias, e não havia meios técnicos nem humanos para acudir a tudo ao mesmo tempo. Mas a EDP não respondeu nessa altura, e responde tarde e mal noutras, quando responde».

AVARIAS FREQUENTES

Sem se deter, o presidente da Câmara Municipal de Montalegre declara: «continuam avarias por reparar, postes por levantar e linhas por arranjar. E as avarias sucedem-se. Ainda na última 4.ª feira uma zona do concelho esteve sem luz durante quatro horas! Mas anteriormente houve aldeias sem energia quatro dias. Quatro dias! Na sede do concelho, que se diz estar mais bem servida, a Câmara já teve dias em que registou doze cortes de energia. E isso acontece muitas vezes. Basta um sinal de trovoada ou mau tempo lá longe e já no concelho acontecem avarias. E há zonas do concelho que quando tem uma avaria na linha, passam vários dias à candeia, com todos os prejuízos que isso acarreta».

«BASTA!»

Inconformado, Fernando Rodrigues diz que chegou o momento de dizer «basta!», até porque, sublinha, «uma região que tem 65km2 dos melhores vales agrícolas inundados pelas barragens da EDP que produzem tanta energia eléctrica para o país, é tratada desta maneira! A EDP vive à custa dos municípios pobres como o de Montalegre. Aqui, nas cinco barragens do concelho pode produzir cerca de 100 milhões de euros de energia por ano, mas a justa participação do município na riqueza produzida, como elementar princípio de solidariedade, mas de justiça, resume-se a uns miseráveis 65 mil euros por ano, com culpas para o governo que não faz justiça, e permite assim aquilo que se pode classificar de enriquecimento ilícito por parte da EDP». Sempre no mesmo tom crítico, o edil garante: «nos serviços directos à autarquia quando, por exemplo, queremos fazer uma extensão de iluminação pública, a desgraça continua. A Câmara tem de pagar o serviço à cabeça, para aparecer feito seis, oito meses e até um ano depois. Que lei é esta? Quem permite à EDP fazer isto? Mas o mais grave é que às vezes a Câmara paga e o serviço não é feito, como já aconteceu com a Câmara de Montalegre. E outras vezes vamos ver e o poste ou o candeeiro está no sítio errado».

«NÃO PODE TRATAR MAL OS MAIS FRACOS!»

A revolta do autarca, face ao serviço prestado pela EDP no concelho de Montalegre, é justificada, para além do que já foi mencionado, por variados factos: «falta de alternativas de abastecimento, equipamentos gastos e ultrapassado, rede velha, com fios que batem uns nos outros com o vento e provocam avarias, candeeiros obsoletos, sem luz, virados ao contrário, postes a estorvar, avarias, avarias, avarias! É o que a EDP, obrigada a um serviço público, nos dá como único fornecedor deste produto... A EDP é uma grande empresa nacional, merece o orgulho dos portugueses, mas não nos pode tratar mal como trata. Não pode tratar mal os mais fracos!».

LUCROS COLOSSAIS

Refira-se que o lucro da EDP - Energias de Portugal, aumentou 20,3% para 1092 milhões de euros, em 2008, o maior resultado líquido alguma vez atingido por uma empresa cotada em Bolsa. Perante os resultados, António Mexia, presidente-executivo da energética, disse que irá propor um divindendo de 14 cêntimos por acção, acima dos 12,2 cêntimos relativos a 2007. A contribuir para aqueles lucros de 2008 estiveram os ganhos financeiros, no total de 481,7 milhões de euros, mais 83,5% do que em 2007. Desse ganho, a maior fatia (405 milhões de euros) resultou da diluição da participação da EDP na EDP Renováveis, no seguimento do IPO, a que acrescem ganhos nas vendas de participações na Turbogás, Portugen, REN e Edinfor. Sem os efeitos extraordinários, o lucro ajustado subiu 7% para 925 milhões de euros, o mais elevado de sempre na empresa. As vendas de electricidade subiram 25%. Já a dívida, aumentou 18,8% para 13,9 mil milhões de euros, reflexo, nomeadamente, do aumento de desvios e défices tarifários.

in Alto-Tâmega Tv - 11 de Março de 2009

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