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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

MCDT:ONZE ANOS DEPOIS DO MANIFESTO «SALVAR O TÂMEGA E A VIDA NO OLO»

MCDT
ONZE ANOS DEPOIS DO MANIFESTO «SALVAR O TÂMEGA E A VIDA NO OLO»


Passam hoje (25 de Outubro) onze anos sobre a iniciativa com que na região demos sentido à defesa do Tâmega enquanto rio e bacia no seu estado natural.

Nunca dantes, no Tâmega, uma posição pública assumida por cidadãos livres tanto se fez ecoar em toda a extensão do vale, nas ruas, em debates públicos e nas instituições representativas, em oposição à barbaridade anunciada para a bacia do rio, com a demoníaca patranha do Programa Nacional de Barragens.

Acompanhámos a tramóia desde quando se fez pública em 2007, percebemos como se manipulam as técnicas de planeamento para criar a ilusão óptica da necessidade e a estridência do ruído, e ficámos mais perto de saber o que desde o início vinha a ser escondido desde a capital: cascata de erros e de ilegalidades dos decisores que, em curso transitório pelos governos, vergam à sua vontade Administração Pública. E como, por comando remoto, se obtém a obediência e a subalternidade cega de cabos-de-esquadra de plantão, enquanto as comunidades humanasas regiões e o território ficam reféns de interesses que aparentam ser de todos e são apenas de alguns predadores que sugam o país.

Na acção que demos ao Movimento Cidadania para o Desenvolvimento do Tâmega, do Baixo ao Alto, de Amarante a Chaves, ficamos com prova da ausência de liderança regional e do desconforto de frouxas representatividades concelhias numa problemática de sumo interesse para as populações presentes e futuras, que os dignitários locais não abrangeram, preferiram afrontar, nalguns casos concretos ou quiseram ficar prisioneiros de daninhas alvíssaras eléctricas e danosos chocalhos de natureza semelhante aos que animam suas romarias e tangem seus obedientes rebanhos.

As posições por nós assumidas no Movimento há mais de uma década permanecem actuais. São testemunhos dos tempos fúteis e do vampirismo corsário que presentemente assassina o Tâmega no seu leito de Vida, fertilizando a veiga em Vidago, rumorejando nos caminhos de Ribeira de Pena, elevando a monumentalidade das pontes em Basto, adoçando o altar a Senhora da Graça, dando sentido seguro à paisagem em Amarante.

As convicções públicas e publicadas do Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (MCDT) assentam no ideário de uma região para o seu povo em equilíbrio com a natureza em percurso irrecusável de desenvolvimento por um mundo melhor em cada um dos concelhos que colhem nossos endereços e oferecem o chão à nossa existência.

Cada vez mais actual, a iniciativa talhada pela consciência cidadã permanecerá em cada um como exemplo do caminho a seguir quanto ao que os cidadãos são capazes quando desapossados dos jugos que os concelhos e a região carregam sob o manto da democracia e da liberdade no Estado.

SALVAR O TÂMEGA!, continua a ser uma urgência, na integridade do território e do desenvolvimento das nossas populações, tão retardado quanto a reabertura da Linha do comboio, vencidos pela vilania  que projecta na região um cenário garimpeiro, destruindo tudo quanto de melhor a Natureza e o homem construíram, satisfazendo apetites de uma desusada rapina civilizacional.

Quando se ouviam louvores oficiais aos miríficos cenários feéricos de iates sulcando caldos químicos e tóxicos represados em Fridão, confrontamos os argumentos falaciosos dos Ministros do Ambiente Francisco Nunes Correia e Dulce Pássaro, arregimentados pelas eléctricas na sua bondade decisória de betonar o leito do rio barrando Tâmega em Fridão (Amarante), em duas grandes represas, fazendo morrer apodrecidas as águas que correm por debaixo dos arcos da vetusta ponte de Mondim de Basto, no manto artificial da albufeira 10 metros acima da plataforma da Ponte.

Nesse tempo, onde estiveram os poderes representativos dos nossos concelhos e a quem quiseram ficar associados, câmaras e assembleias municipais, reivindicando celeridade na decisão governamental da construção dos dois escalões de Fridão?

Descompromisso com o interesse público local, com os olhos postos no saco dos euros, foi o que o Tâmega mais lavou no seu leito, onde os efluentes autárquicos tamecanos registados em pactos secretos subscritos nas costas das populações também passaram sob os arcos da velha ponte de Amarante.

Quem acredita, em Portugal ou no mundo - mesmo perante a agressividade do marketing usando o compadecimento de deficientes e velhinhosvergando o aparelho da Administração com subsídioscomprando a informação em concertos ou dando música com barragens - que, vender todo este património natural e civilizacional às eléctricas chinesa e espanhola a troco da sua literal destruição, possa ser bom para alguém?

Na partilha de objectivos comuns, o «Movimento» é a própria vontade colectiva de um povo sensível aos apelos da Terra e ao valor da Água para a vida, querendo o Tâmega como sempre foi, rio no seu leito, pleno de vida.
 
O Tâmega deu-nos o propósito do encontro e espera ter-nos do seu lado, enquanto consciências e seus parceiros, aguardando continuidade na acção que o resgate da saga que lhe destrói seu úbere e nos dilacera a alma.

Para o Tâmega as esperanças só poderão renovar-se na acção consciente e inabalável dos cidadãos. É connosco que ele conta e esse é o desafio colectivo presente mais elevado para a região em que as circunstâncias da vida e os tempos de atribulação que passam nos colocaram.

Mondim de Basto, 25 de Outubro de 2019

José Emanuel Queirós - 25 de Outubro de 2019

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

PNBEPH: Debate em Arco de Baúlhe (Cabeceiras de Basto) - [Considerações sobre o evento] «Impacto das barragens no Vale do Tâmega»










PNBEPH: Debate em Arco de Baúlhe (Cabeceiras de Basto)
[Considerações sobre o evento] «Impacto das barragens no Vale do Tâmega»*

Assisti, em Arco de Baúlhe no passado dia 18 de Dezembro, ao evento «Impacto das barragens no vale do Tâmega». Foram cerca de duas horas em que os oradores tentaram esclarecer o auditório sobre as causas e consequências das barragens a construir na bacia do rio Tâmega. Muito se poderia escrever sobre o que lá se disse, contudo gostaria de partilhar apenas algumas considerações que os oradores expuseram:

José Emanuel Queirós (MCDT) salientou, como exemplo, o estado da albufeira da barragem de Torrão. Esta apresenta níveis de eutrofização preocupantes que consubstanciam uma água deplorável. Um sinal do estado ambiental que pode ser multiplicado por seis (as barragens a construir na bacia do Tâmega). Afiançou, mais uma vez, que «se a Lei for cumprida, as barragens previstas para a bacia do Tâmega não serão construídas». Uma frase forte e factual (suportadas pela legislação portuguesa e comunitária e também pelo relatório,de uma entidade independente encomendado pela União Europeia, que avaliou o plano de barragens).

O professor António Crespí (UTAD) abordou a questão dos Estudos de Impacte Ambiental não preverem como alternativa (pois a legislação obriga a apresentação de alternativas caso sejam identificados problemas) a não construção das barragens. O que implica que caso o estudo de impacte ambiental conclua que a barragem a construir será um apocalíptico empreendimento para aquela região e população, o estudo apenas poderá apresentar como alternativa o «melhor apocalipse», sem considerar que este não possa acontecer. Em tom irónico, penso eu, António Crespí rematou que era a favor de todas as barragens por um conjunto de razões: nós (habitantes do Tâmega) não respeitamos nem merecemos a riqueza e a diversidade biológica das nossas terras e que «vendemos barato» às concessionárias.

João Branco (Quercus) enfatizou as causas para que um plano de barragens tão deficiente e inconsequente continua a sua senda. Relembrou o facto do actual governo ter «encaixado» mil e trezentos milhões de euros (com este plano) no orçamento de 2008, sendo a causa principal para que o défice orçamental ficasse abaixo do patamar dos 3 por cento (imposto pela UE). Reforçou, ainda, que as alternativas às barragens passarem pela aposta na eficiência e poupança energética (é estimado que em Portugal haja 30% de energia gasta desnecessariamente). Logicamente, as empresas de produção de energia não se interessam por isso mas sim em capitalizar a sua produção, em causa está a rentabilidade.

A rematar a sessão foi lançado o repto para transportar até à justiça as razões apresentadas, como forma de impugnar o que o Programa Nacional de Barragens trará para esta região. Aqueles que as apresentaram são simples cidadãos, não podendo combater da luxuosa justiça portuguesa. A razão não vinga sozinha, e neste ponto o apoio de uma câmara (pois tem um conjunto de privilegiados meios de acesso à justiça) seria essencial. Contudo, mesmo com os argumentos apresentados por vários movimentos serem corroborados por entidades externas que avaliaram o plano e os factos falarem por si, não há (fora o partido "Os verdes") nenhum partido político ou entidade governativa que seja pública e vigorosamente contra este plano.

A sessão correu bem, embora a temperatura local não ser a desejável (alguém esqueceu-se de ligar o aquecimento). No entanto sentiu-se a falta dos representantes das entidades políticas e governativas locais. Em concreto, não se viu qualquer representante partidário ou da Junta de Freguesia de Arco de Baúlhe (onde o evento realizou-se) e muito menos da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto. Este foi um evento, realizado pela sociedade civil e com um tema importante, que não mereceu o destaque governativo e político. Se calhar o repasto e as felicitações natalícias são temas muito mais interessantes nos afazeres da política e governação.

Para finalizar, gostaria de felicitar o Vítor Pimenta pelo trabalho efectuado. Ele organizou e preparou, praticamente, todo o evento. Que correu de um forma exemplar.
Este evento foi uma prova do que a sociedade civil cabeceirense pode mexer, sem protecção ou estimulo externo. Haja iniciativa.

post scriptum: podem ouvir (quase integralmente, porque faltam os quatro minutos finais) o registo áudio da sessão neste sítio: Movimento Cidadania para o Desenvolvimento do Tâmega.

Marco Gomes, in Remisso - 24 de Dezembro de 2009
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Cabeceiras de Basto)


* Texto transcrito em amarantejornal. Ler notícia do evento em «O Basto» e aqui.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

PNBEPH - Debate «Impacto das barragens no Vale do Tâmega» - Arco de Baúlhe (Cabeceiras de Basto)










Cabeceiras de Basto: PNBEPH no Arco de Baúlhe (18 de Dezembro de 2009)
Debate «Impacto das Barragens no Vale do Tâmega» (registo áudio)
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MCDT - debate - Arco de Baúlhe (18/12/09)




Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega, Arco de Baúlhe (Cabeceiras de Basto) - 18 de Dezembro de 2009

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

PNBEPH - TERRAS DE BASTO: Impacto das barragens no Tâmega analisado em Cabeceiras






Terras de Basto - Programa Nacional de Barragens
Impacte das barragens no Tâmega analisado em Cabeceiras

in Diário do Minho, Número 28713 - Ano XC (p. 10) - 16 de Dezembro de 2009

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

PNBEPH - "Impacto das Barragens no Vale do Tâmega"











Terras de Basto - Programa Nacional de Barragens
Impacte das barragens no Tâmega analisado em Cabeceiras



"Impacto das Barragens no Vale do Tâmega"

Local: Casa do Povo de Arco de Baúlhe
Hora: 21h30

Oradores:

Prof. António Crespí (UTAD)
Coordenador da Apreciação dos Estudos de Impacte Ambiental no Tâmega

José Emanuel Queirós (Geógrafo)

Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega

João Branco (Eng. Florestal)

Associação Ambientalista "Quercus"

Moderador: Vítor Pimenta
.
Entrada Livre

domingo, 13 de dezembro de 2009

sábado, 12 de dezembro de 2009

PNBEPH - MCDT promove esclarecimento: Impacto das Barragens no Vale do Tâmega










Programa Nacional de Barragens em debate público
Impacto das Barragens no Vale do Tâmega



= Impacto das Barragens no Vale do Tâmega =

Local: Casa do Povo de Arco de Baúlhe (Cabeceiras de Basto)


Hora: 21h30
18 de Dezembro de 2009 (sexta-feira)


Oradores convidados:
Prof. António Crespí (UTAD)
Coordenador da Apreciação dos Estudos de Impacte Ambiental no Tâmega


José Emanuel Queirós (Geógrafo)
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega


João Branco (Eng. Florestal)
Associação Ambientalista "Quercus"


Moderação: Vítor Pimenta


Entrada Livre

Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega - 12 de Dezembro de 2009

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Junta de Ermelo (Mondim de Basto) e Movimento promoveram sessão de esclarecimento: ATROCIDADES DO «PROGRAMA NACIONAL DE BARRAGENS» PARA O ALVÃO

Junta de Ermelo (Mondim de Basto) e Movimento promoveram sessão de esclarecimento
ATROCIDADES DO «PROGRAMA NACIONAL DE BARRAGENS» PARA O ALVÃO 


A convite da Junta de Freguesia de Ermelo (Mondim de Basto), no passado dia 8 de Novembro de 2008 (sábado) o Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega levou a efeito na Casa do Povo daquela freguesia mondinense uma sessão de esclarecimento sobre as medidas contidas no Programa Nacional de Barragens, que se repercutirão directamente na vida e nas actividades daquelas populações da serra do Alvão. 

Apesar do tempo frio e chuvoso que se fazia sentir na encosta poente da serra, a sessão esteve muito participada, registando grande afluência de residentes, e de outros deslocados de Mondim e de Amarante, interessados no esclarecimento desta problemática.

Com início pelas 21h00, durante cerca de duas horas e meia a população de Ermelo participou na apresentação e contribuiu para o debate por fim estabelecido em volta das medidas aprovadas no âmbito do «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico» (PNBEPH), nomeadamente as respeitantes ao projectado transvase das águas do rio Olo para alimentar os caudais na albufeira de Gouvães (Gouvães da Serra - Vila Pouca de Aguiar).

Um ano após o “debate público” ocorrido sobre essa famigerada falácia nacional inventada nas eléctricas, apadrinhada pelo Instituto da Água, I.P. (INAG)/Autoridade Nacional da Água, e avalizada pelo Ministro do Ambiente e pelo Governo, entre a informação prestada a partir dos documentos oficiais e as preocupações manifestadas pelos presentes no decurso da sessão, ficou muito claro que a população de Ermelo, até então, nunca havia recebido informação do que o «Programa Nacional de Barragens» para ela reserva. 


Aliás, o referido «Programa» não só não considera a existência da cidade de Amarante, por relação com o escalão hidroeléctrico de Fridão (Amarante), como omite a existência das comunidades serranas do Alvão, as que mais directamente serão afectadas com o projectado transvase do rio Olo, e pelo que receberão no seu modesto quadro de vida rural em privações de recursos imprescindíveis à vida e em desregulação das suas actividades agro-pastoris.

De acordo com o testemunho da Presidente da Junta de Freguesia (D. Maria da Glória Leite Nunes), até àquela data, apesar das diligências encetadas junto de várias entidades, as respostas obtidas foram sempre evasivas e semelhantes: "nenhuma entidades sabia de nada" (sic), conforme teve oportunidade de participar no decurso da sessão.

Aquilo que para todos nós – residentes no Tâmega, e conscientes dos efeitos esperados desse atentatório e ofensivo «Programa Nacional de Barragens» – é absurdo, destrocam os patrões das eléctricas (EDP, S.A. e IBERDROLA, S.A.) em discursos de milhões. Sem respeito pela vida de quantos na bacia do Tâmega já começaram a sentir dos efeitos do seu poder sedente e cego, e da farsante actuação, ordeira e submissa, do ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território, e do Desenvolvimento Regional (Francisco Nunes Correia) e do seu inútil Instituto da Água, I.P./Autoridade Nacional da Água, rendidos à adjudicação bilionária do licenciamento, indiscriminado e mercenário, à captação e transvase das águas do Tâmega e do Olo.


José Emanuel Queirós, in PlenaCidadania - 11 de Novembro de 2008
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Amarante)