domingo, 20 de dezembro de 2009

PNBEPH - Barragem de Fridão: EDP desiste de produzir energia na segunda barragem






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AMARANTE:
Consulta pública da barragem de Fridão em Janeiro e Fevereiro
A EDP desistiu de instalar um grupo reversível na barragem de Fridão – contrariando a intenção manifestada no primeiro trimestre de 2009 – e também de produzir energia no escalão de jusante, uma segunda barragem de 30 metros de altura, quatro quilómetros a jusante da principal, apurou o Repórter do Marão. Foi ainda fixada a cota máxima de armazenamento em 160, o que se traduzirá numa barragem em abóbada com a altura de 97 metros.
Numa reunião recente na Câmara Municipal de Amarante os responsáveis da EDP propuseram diversas alterações ao estudo prévio da construção da barragem de Fridão, documento que foi apresentado ao presidente da autarquia e às juntas de freguesia.
A concessionária da barragem desiste da instalação do grupo reversível no escalão principal – que proporcionaria a reutilização da água turbinada durante o dia, através da utilização de energia eólica produzida durante a noite – bem como da produção de energia no escalão de jusante, adiantou ao RM o presidente da câmara, Armindo Abreu.
Um grupo reversível, como existem vários instalados em barragens portuguesas, é aquele que funciona como turbina durante as horas em que há maior solicitação no consumo de energia e pode funcionar como bomba nos períodos de horas de vazio ou de excedentes de energia na rede.
» Produção de energia em 2016
Desconhece-se a razão desta opção por parte da EDP, mas é sabido que o arranque em bomba de grupos com elevada potência, como é o caso de Fridão, envolve dificuldades especiais de funcionamento da própria estrutura, segundo revelam vários estudos.
A empresa quer iniciar a produção de energia em Fridão até ao final de 2015 e antevendo dificuldades na aceitação do empreendimento por parte da população local e sobretudo dos ambientalistas veio já propor à Câmara Municipal de Amarante e às juntas de freguesia da área envolvida um conjunto de “Medidas de Minimização ou Compensação”.
A EDP acena, entre outras medidas, com a construção de duas novas travessias sobre o rio Tâmega, aproveitando o coroamento das barragens, situadas a quatro e a oito quilómetros da cidade. Fridão, por exemplo, ficará ligado a Codessosso e à região de Basto, através da construção de uma nova via entre a Estrada Municipal (EM) 1208 e a Estrada Nacional (EN) 210, a via antiga entre Amarante e Celorico de Basto.
O mesmo se passará entre as duas margens no local da barragem de jusante, 500 metros a montante da ponte do Borralheiro e da foz do rio Olo e que vai apenas servir para “modular” os caudais turbinados a montante. Será executada uma nova via entre a EN 312 (do lado de Fridão), e a EM 1206, na margem direita do Tâmega, em Gatão.
Além dos novos acessos, a EDP propõe-se construir uma pista de águas bravas junto à cidade, no Penedo do Açúcar, com a extensão de 350 metros e “de padrões internacionais”.
Chega a ser proposta a construção de uma bancada e zona de público, mas esta solução não agrada à autarquia por a sua localização coincidir com a área do antigo parque de campismo.
Armindo Abreu disse ao RM que as propostas da EDP terão de ser concertadas com as conclusões de um estudo que a CCDR Norte está a desenvolver para todas as zonas de albufeiras, destinado a aferir do “potencial de desenvolvimento” dessas áreas.
Saliente-se que a EDP também propõe a “estruturação de área de piscina natural para uso recreativo” no Tâmega, junto à cidade, bem como o “arranjo urbanístico e recuperação da Ilha dos Amores para sua protecção contra a erosão e utilização lúdica”.
Entretanto, a consulta pública da avaliação de impacte ambiental deverá arrancar entre o final deste ano e o início de Janeiro, sendo aguardado a qualquer instante o parecer da Comissão de Avaliação e o despacho de abertura do prazo da Agência Portuguesa do Ambiente, entidade tutelada pelo Ministério do Ambiente.
O prazo de consulta pública do EIA (Estudo de Impacte Ambiental) é de dois meses.

» Mil postos de trabalho
Se tudo correr como planeado pela EDP, o projecto das barragens será executado até ao fim de 2010, sendo apontado o mês de Julho de 2011 para a assinatura dos contratos e a adjudicação das obras.
A entrada em exploração da barragem de Fridão, segundo o calendário da eléctrica nacional, continua a ser Dezembro de 2015.
No estudo prévio agora conhecido, são elencados os impactes positivos, dos quais se destaca sobretudo a criação de emprego directo e indirecto, sendo anunciado um pico de mil postos de trabalho no ano de 2014. O emprego indirecto, segundo a EDP, é estimado em duas a três vezes aquele número.
Em termos de exploração, são apontados como positivos a reserva de água, mormente para o combate a incêndios e rega, a regularização de caudais no Tâmega e o desenvolvimento de actividades de lazer no rio.
Como impactes negativos são referidos a modificação da paisagem e os estaleiros, bem como a destruição da pista de canoagem de Fridão, de duas pontes de arame e de uma área de lazer, além de seis habitações.
A inundação das albufeiras criadas na barragem de Fridão e na barragem de jusante afectará seis hectares de área agrícola.

Jorge Sousa, in repórter do marão e marão online, N.º 1227 (Ano 25) - 12 de Dezembro de 2009

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