terça-feira, 9 de dezembro de 2008

PNBEPH - TÂMEGA: Conferência de Imprensa: «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega»

 PNBEPH - TÂMEGA

Conferência de Imprensa:  «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega» 

No dia 28 de Novembro, na cidade de Amarante, efectuou-se uma conferência de imprensa de apresentação do Manifesto do Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega. Este movimento, composto por cidadãos de Amarante, Cabeceiras, Celorico e Mondim de Basto, asseverou, pela voz de José Emanuel Queirós, as razões da contestação ao que o «Programa Nacional de Barragens (PNBEPH) » reserva para Amarante e para a Região de Basto.

Em causa está a transformação do rio Tâmega numa albufeira (com quase 150 km de extensão) desde a fronteira com Espanha até ao concelho de Amarante, para aproveitamento hídrico pelas grandes empresas de produção eléctrica. Este movimento denuncia, também, a possibilidade das cinco barragens, a construir na sub-bacia do rio Tâmega, “artificializarem” o rio,  acelerar o processo de eutrofização,  destruir o equilíbrio dos ecossistemas  e interromper a vida natural, tal como a conhecemos, em torno do rio.

Nomeadamente, na Região de Basto, a contestação do “Programa Nacional de Barragens” é reforçada com a possibilidade das famosas cascatas das “Fisgas de Ermelo”, uma das maiores cascatas naturais da Europa, e os campos agrícolas mais férteis da Região de Basto desaparecerem com a subida das águas. A qualidade de vida e de vivência nesta Região estão inequivocamente ameaçadas com este projecto, segundo o manifesto deste «Movimento» de cidadãos.

O «Movimento» reforçou que este empreendimento [construção das barragens] que suporta este programa não trará desenvolvimento para a bacia do Tâmega. «É, simplesmente, um “retrocesso” ambiental e que visa apenas a satisfazer as “apetências” das grandes multinacionais em nome de um desenvolvimento sustentável». Referindo como exemplo o “não-desenvolvimento” ligado à barragem do Torrão (Amarante) no curso do rio Tâmega. 

José Emanuel Queirós sustenta que «O “Programa”  em curso – totalmente feito em gabinete a partir de Lisboa – do ponto de vista técnico e científico é um logro (…)»  e que o «Programa Nacional de Barragens»  constitui, do ponto de vista ambiental e do desenvolvimento sustentável – por via da exploração exaustiva e massificada da água dos rios (do Tâmega, em particular) – uma verdadeira «patranha».

Este «Movimento», define-se como um «Movimento» de cidadãos sem qualquer  conotação política, de todas as idades e estratos sociais unidos na causa «Salvar o Tâmega e a vida no Olo». Causa esta, que surgiu como uma resposta ao “irresponsável” e “incompreensível” “silêncio” dos órgãos governativos do vale do Tâmega.  

Defendem que a solidariedade local e regional em torno da causa «Salvar o Tâmega e a vida no Olo» é decisiva para a defesa do rio e da vida que dele brota. 

Contra o “silêncio” institucional regional, o «Movimento»  propõe-se  a  alertar os órgãos de soberania portugueses e as populações afectadas para esta problemática. De facto, existe uma petição na Internet (http://www.petitiononline.com/PABA/petition.html), com mais de 1300 assinaturas recolhidas (até ao momento), para atingir este objectivo.

Para José Emanuel Queirós, porta-voz do movimento anti-barragem, é importante transmitir às populações da bacia do Tâmega «que nada está decidido e que o processo de construção da barragem pode ser revertido». 

No dia 3 de Dezembro uma delegação do «Movimento para a Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega» dirigiu-se a Marco de Canaveses onde entregou um exemplar do Manifesto Anti-Barragem «Salvar o Tâmega e a vida no Olo» ao presidente da República Cavaco Silva. Um acontecimento que serviu para sensibilizar o presidente para esta causa. 

Marco Gomes, in O Basto - Dezembro 2008

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