terça-feira, 22 de maio de 2012

Energia - Eléctrica revela hoje plano estratégico até 2016: EDP pondera adiar barragens








Energia - Eléctrica revela hoje plano estratégico até 2016

EDP pondera adiar barragens
.

As alterações introduzidas pelo Governo no mercado da energia, nomeadamente o fim da garantia de potência para as térmicas e minihídricas até 2014, bem como o fim do sistema de garantia de potência para as novas centrais hidroeléctricas, deverão levar a EDP a desistir da construção das barragens de Fridão e do Alvito. Esta decisão será comunicada pelo presidente executivo da EDP, António Mexia, aos investidores durante a divulgação do plano estratégico da companhia até 2016, que terá lugar hoje e amanhã no Porto.

As barragens de Fridão e do Alvito integram-se no Plano Nacional de Barragens lançado pelo Governo de José Sócrates, que tinha como objectivo a construção de 10 novas centrais hidroeléctricas num investimento de 1,14 mil milhões de euros. A barragem de Fridão, localizada no rio Tâmega, implicava um investimento de 260 milhões e a criação de 1000 postos de trabalho directos e 3000 indirectos.

Na barragem do Alvito, o investimento previsto era de 345 milhões de euros, com a criação de 1000 postos de trabalho.

Miguel Alexandre Ganhão, in Correio da Manhã - 22 de Maio de 2012

1 comentário:

Anónimo disse...

Esta é, ainda, apenas uma meia-boa notícia que dá conta da suposta intenção da EDP em suspender o início da construção da Barragem de Fridão. No entanto, ficam a pesar mais os argumentos e as razões de quem se opõe à perda definitiva do rio Tâmega, da qualidade da água, e dos patrimónios envolvidos, ao mesmo tempo que vem colocar em relevo o papel humilhante, tributário e servil dos autarcas na região que, a troco de algumas contrapartidas impossíveis, abdicaram de defender o interesse público dos seus concelhos e das suas populações.
A alienação do Tâmega aos exclusivos interesses hidroeléctricos e construtores, conforme ficou evidenciado em todo o processo da grande patranha nacional que dá pelo nome de Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), é uma das marcas de um tempo ainda não terminado, em que o Estado, o território, os recursos e os cidadãos constituem o "abono de família" de avultadíssimos interesses de privados que circulam entre as mais altas instâncias decisórias do país e as administrações de grandes empresas cotadas em Bolsa.
A coberto da ideia das 'energias' como indispensável recurso público, e do moderno conceito de 'renováveis', em alternativa aos combustíveis fósseis, está lançado um negócio privado que usa massivamente e esgota recursos públicos não renováveis e a segurança dos cidadãos, de todos e de todos os tempos, com as garantias do Estado apontadas à obtenção de lucros sempre crescentes, cujos encargos directos dos investimentos serão atribuídos ao consumidor comum, que os pagará como sobretaxa na factura da electricidade, enquanto os custos da exploração deficitária será suportado pelo Estado em alcavalas retiradas, mais uma vez, dos impostos pagos pelos contribuintes.

José Emanuel Queirós