quarta-feira, 23 de maio de 2012

EDP pode desistir das barragens de Fridão e Alvito






EDP pode desistir das barragens de Fridão e Alvito


A construção das barragens de Fridão e do Alvito poderá não avançar. Ambas fazem parte do plano nacional de barragens, que foi lançado pelo governo de José Sócrates, e que o atual executivo mantém a intenção de construir.

A notícia é avançada pelo Correio da Manhã, que refere que a desistência das barragens de Fridão e do Alvito está relacionada com as alterações introduzidas pelo governo no mercado da energia, nomeadamente o fim da garantia de potência para as centrais térmicas, para as mini-hídricas, e para as novas centrais hidroelétricas.

Mário Rui Cardoso, in RTP Notícias - 22 de Maio de 2012

1 comentário:

Anónimo disse...

Esta é, ainda, apenas uma meia-boa notícia que dá conta da suposta intenção da EDP em suspender o início da construção da Barragem de Fridão. No entanto, ficam a pesar mais os argumentos e as razões de quem se opõe à perda definitiva do rio Tâmega, da qualidade da água, e dos patrimónios envolvidos, ao mesmo tempo que vem colocar em relevo o papel humilhante, tributário e servil dos autarcas na região que, a troco de algumas contrapartidas impossíveis, abdicaram de defender o interesse público dos seus concelhos e das suas populações.
A alienação do Tâmega aos exclusivos interesses hidroeléctricos e construtores, conforme ficou evidenciado em todo o processo da grande patranha nacional que dá pelo nome de Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), é uma das marcas de um tempo ainda não terminado, em que o Estado, o território, os recursos e os cidadãos constituem o "abono de família" de avultadíssimos interesses de privados que circulam entre as mais altas instâncias decisórias do país e as administrações de grandes empresas cotadas em Bolsa.
A coberto da ideia das 'energias' como indispensável recurso público, e do moderno conceito de 'renováveis', em alternativa aos combustíveis fósseis, está lançado um negócio privado que usa massivamente e esgota recursos públicos não renováveis e a segurança dos cidadãos, de todos e de todos os tempos, com as garantias do Estado apontadas à obtenção de lucros sempre crescentes, cujos encargos directos dos investimentos serão atribuídos ao consumidor comum, que os pagará como sobretaxa na factura da electricidade, enquanto os custos da exploração deficitária será suportado pelo Estado em alcavalas retiradas, mais uma vez, dos impostos pagos pelos contribuintes.

José Emanuel Queirós