quinta-feira, 10 de maio de 2012

Fio de Prumo: O estado da EDP







Fio de Prumo
O estado da EDP

A EDP beneficia de favores políticos sem limite por parte de políticos sem vergonha.


O poder da EDP em Portugal atingiu uma dimensão perigosa. Enquanto consumidores de electricidade, estamos hoje indefesos perante um domínio absoluto e arbitrário.

Na factura de electricidade, a par dos seus consumos, as famílias são coagidas a financiar as empresas de energias renováveis, os gastos perdulários em painéis solares ou os investimentos em antenas de energia eólica. Ao onerar as contas de energia com taxas e mais taxas, em benefício próprio ou em proveito do lóbi da energia, a EDP está a exercer um poder tributário, privilégio dos estados.

A sua fúria despesista, a expensas do povo, não pára. A nova e malfadada barragem do rio Tua irá gerar lucros milionários para a EDP porque tem uma rentabilidade garantida pelo Estado, pela via do défice tarifário que todos pagamos.

Acresce que a EDP arroga-se estar à margem da lei. Bem recentemente lançou uma campanha publicitária utilizando ilegalmente crianças, visando a venda de serviços que não têm relação directa com a sua faixa etária. O que é interdito, nos termos da lei da publicidade. A EDP emprega trabalho infantil, lesa a dignidade das crianças, mas fica impune. O que só é possível porque dispõe de uma enorme influência sobre o poder político. Eduardo Catroga, em nome do PSD, advogava a redução das rendas pagas à empresa, para logo a seguir defender, enquanto presidente da eléctrica, a manutenção do seu pagamento. A ministra Assunção Cristas e o deputado Mesquita Nunes estão ligados ao escritório de advogados que assessora a sociedade nos seus maiores processos, enquanto tutelam e fiscalizam negócios em que o estado tem favorecido descaradamente a empresa. O deputado Pedro Pinto é consultor de empresas intimamente dependentes da EDP. E muitos mais.

Há muitos políticos de duas caras. Duas caras… e muitas coroas. Por outro lado, todos quantos se opõem ao poder da eléctrica, como o ex-secretário de estado Henrique Gomes, que pretendia reduzir-lhe as rendas em 165 milhões, são convidados a "demitirem-se".

Como a EDP beneficia de favores políticos sem limite por parte de políticos sem vergonha, estamos condenados à servidão a uma organização que já não é só uma empresa eléctrica. É um estado dentro do estado.

Paulo Morais, in Correio da Manhã - 8 de Maio de 2012

1 comentário:

Anónimo disse...

Como diz o ditado cada cavadela sua minhoca.
De cada vez que se mexe no pântano que são estas ligações mais do que perigosas, logo se descobrem novas teias que nos levam à conclusão de que a EDP é efectivamente um estado dentro do Estado.
A partir daí já nada espanta.
A sobranceria desta empresa majestática ultrapassou há muito o que é razoável num Estado de direito, com a cobertura dos diferentes mandantes políticos que nos últimos anos decidem em nome desse mesmo Estado, sempre em favor da EDP contra os legítimos interesses dos consumidores.
Só uma revolta generalizada destes, que são no fundo a quase totalidade da população portuguesa, será possível vergar o poder político e pôr termo a esta situação imoral e perfeitamente absurda, em pleno Século XXI, num Estado de Direito(ou tido como tal) integrado na União Europeia.

Luís van Zeller de Macedo
Presidente da Pró-Tâmega