segunda-feira, 21 de maio de 2012

PNBEPH - Barragem do Tua: O Tua é nosso ou é da EDP?


 

 

 

 

PNBEPH - Barragem do Tua

O Tua é nosso ou é da EDP?

O aumento em 5% dos salários dos presidentes das empresas do PSI-20 num ano em os trabalhadores tiveram reduções de 11% arrumou por completo a ingénua esperança de que a crise podia ser uma oportunidade de mudança. Não foi, e o risco é que seja sobretudo uma oportunidade de mudar para pior nos domínios tidos por não essenciais. Eis a táctica: faz sentido andarmos a perder tempo com o bem-estar dos répteis das Berlengas quando há gente a regressar à pobreza? Não faz, certo? Errado. Mesmo os que têm fobia de répteis perceberão que a dicotomia é falsa, porque os fundos, as competências e a preocupação com os lagartos das Berlengas não poderiam ser usados para combater o desemprego. Mas à custa de centrarmos as atenções no desemprego e no SNS, nunca o Ambiente esteve tão vulnerável a interesses suspeitos. A ausência de reacção clara do governo à sugestão da UNESCO de que pare imediatamente todos os trabalhos de construção da barragem de Foz Tua não é típica da de um país pequeno com grande ânsia de mostrar bom comportamento sempre que é escrutinado do exterior. E é também grave que se recorde apenas a herança pesada do governo anterior: a omissão de dados aquando da candidatura do Alto Douro Vinhateiro a património mundial seja do governo anterior e o alto custo da energia gerada pela barragem. Não chega. O governo dispõe de uma derradeira possibilidade para eliminar a impressão de que está nas mãos da EDP, evitando a vergonha nacional que seria a inclusão do Douro Vinhateiro na lista de “património em perigo”, já para não falar nos eventuais prejuízos económicos para o comércio do vinho do Porto e o turismo. Esta ameaça da UNESCO deveria preocupar uma ministra e governo de direita e do PP, porque a preservação do Ambiente não é um exclusivo da esquerda, mas também a obrigação de qualquer partido que se reclame conservador.

Vasco Barreto (Investigador do Instituto Gulbenkian de Ciência), in i Informação - 21 de Maio de 2012

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