quarta-feira, 30 de março de 2011

Mercados financeiros: S&P baixa "rating" da EDP e REN (act.)







Mercados financeiros

S&P baixa "rating" da EDP e REN (act.)




Depois de esta manhã ter cortado a notação dos bancos portugueses e de ter avisado que também o poderá fazer para a República portuguesa, a Standard & Poor’s acaba de anunciar que cortou a notação de duas empresas públicas: EDP e REN.



No caso da EDP liderada por António Mexia (na foto), o “rating” baixa dois níveis, de A- para BBB, com perspectiva negativa, ou seja, com a probabilidade a pender para novas revisões em baixa da qualidade da dívida. A REN vê a sua notação baixar de A- para BBB, igualmente com perspectiva negativa. Estas mexidas surgem no rescaldo da revisão do “rating” da República, que na passada sexta-feira foi cortado pela S&P em dois níveis, de A- para BBB. A perspectiva negativa é justificada com a probabilidade de a República portuguesa sofrer novos cortes no seu "rating". Os primeiros a sofrer o impacto foram, como é hábito, os bancos, que esta manhã viram a respectiva notação cair. Após um corte de dois níveis, BES, CGD, Totta e BPI têm agora o mesmo "rating" de Portugal e o BCP está a um passo de ser classificado de "junk". A perspectiva continua negativa, pelo que a agência alerta que pode vir a efectuar cortes adicionais. No relatório que acompanha o anúncio da decisão, a S&P diz que o corte no “rating” da banca portuguesa “reflecte o impacto directo” da redução efectuada à classificação da República e não descarta um novo corte do "rating" da dívida soberana portuguesa já nesta semana. A agência considera que Portugal enfrenta "um ambiente económico, financeiro e operacional cada vez mais difícil" e que a crise política está a penalizar o "já fraco nível de confiança dos investidores". Na passada quinta-feira, um dia após o chumbo do Programa de Estabilidade e Crescimento no Parlamento e o pedido de demissão do Executivo de José Sócrates, a S&P baixou o "rating" da dívida soberana em dois níveis de A- para BBB, o nível mais baixo entre as três agência de "rating". No mesmo dia da S&P, também a Fitch baixou a classificação da dívida de Portugal em dois níveis para A-. A justificação de ambos os cortes de notação financeira foi a mesma: a crise política. "Na nossa perspectiva, a incerteza política [após a demissão de José Sócrates] poderá aumentar a desconfiança dos investidores e elevar o risco de refinanciamento de Portugal", diz a S&P. Para a Fitch, o facto de o Parlamento português ter inviabilizado as novas medidas de austeridade, levando à demissão do Governo, aumenta "significativamente as hipóteses de Portugal pedir assistência multilateral num prazo próximo". Fitch, Moodys e S&P tinham alertado recentemente que poderiam cortar o "rating" de Portugal. A Moody's não esperou pela crise política e cortou o "rating" logo após o Governo apresentar o PEC IV a 11 de Março.

Nuno Carregueiro (nc@negocios.pt), in negócios online - 28 Março 2011

1 comentário:

Anónimo disse...

Adeus Plano Nacional de Barragens. Do mal, o menos!
Muita atenção à subida das facturas de energia. Exija-se o fim imediato da taxa de radiodifusão e de outras taxas escondidas que a EDP nos envia para nossa casa todos os meses.

António Cerveira Pinto