sábado, 23 de maio de 2009

O Sino Toca!

O Sino Toca!

O sino da minha terra vai tocar quando, perante o Tâmega afogado, os mondinenses constatarem que os ditos “benefícios introduzidos ao nível local pela barragem de Fridão“, apresentados pelo representante da EDP no debate promovido pelos alunos da Escola Secundária de Mondim são, tão só, uma repetição gasta de uma “música de embalar“ sempre utilizada pelos interessados nas barragens, sejam elas a ser feitas no Norte ou Sul do País, ou no Terceiro Mundo.

O sino da minha terra vai tocar, a rebate, em toques de arrependido, quando se constata que os benefícios apresentados para a nossa terra são os seguintes:

- Aumento da actividade comercial e industrial;

- Aumento de emprego;

- Desenvolvimento do turismo;

- Diminuição do efeito das cheias e secas;

- Assegurar o abastecimento de água para consumo humano e rega.

Igualmente apresentados, foram os benefícios para o País com a construção da barragem, a saber:

- aumento do Investimento;

- aumento do emprego;

-aumento da quota nacional na produção de energia através de renováveis, com vista ao cumprimento de compromissos do País;

- redução de emissão de CO2, versus protocolo de Quioto.

Foi ainda dito que:

- além do escalão de Fridão, haverá outro a jusante para regularizar o rio na zona de Amarante;

- os estudos apontam para uma cota de 160 metros (apesar da cota de concurso ter sido de 165 metros);

- na proposta não se prevê bombagem no escalão principal nem no açude a jusante;

- a produção média anual da central de Fridão é 22 vezes o consumo verificado em 2007 no município de Mondim de Basto;

- que após concurso aberto pelo Estado Português, a proposta para Fridão foi ganha pela EDP;

- que a adjudicação provisória foi feita em Dezembro de 2008;

- que se está na fase do ante projecto, relativamente ao Estudo de Impacte Ambiental, e que a empresa que o está a fazer é de reconhecida competência e isenção(!);

- que um inquérito, (também efectuado por uma empresa de reconhecida competência), feito à população afectada pela futura albufeira de Fridão, traduz as seguintes preocupações das populações:

1. qualidade futura da água
2. falta de tranquilidade
3. alteração da paisagem
4. afectação de património

Em contrapartida a estas preocupações, a EDP, na pessoa do seu representante no debate, garantiu como positivo (e como argumento tranquilizador) que, em contacto com as Águas do Ave, estão já garantidas a construção de 12 ETARs e que as mesmas entrarão em funcionamento antes da Barragem estar concluída.

Além disso, informou que a EDP acompanha o estado das águas de todas as albufeiras...

Jovens da Escola e caros conterrâneos de Mondim:

Há alturas e situações na vida de cada um, e na vida colectiva da nossa comunidade, em que é preciso ouvir (sempre) e filtrar (de preferência); ouvir e questionar; ouvir e duvidar (se for caso disso).

É um direito que se nos assiste, igual ao direito de quem quer acreditar.

Para mim, o sino da minha terra já está a tocar!

Quando tocar a rebate, eu já lá não vou estar.

Alfredo Pinto Coelho (eng.º Agrícola / lic. Gestão Agrária) – 21 de Maio de 2009
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Mondim de Basto)

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