sábado, 3 de janeiro de 2009

O rio Tâmega com barragens
ÁGUAS TURVAS...

A construção de uma barragem e a criação de uma albufeira, são factores que se reflectem sempre de forma negativa, na qualidade da água de um rio! Um dos fenómenos que afecta estas águas represadas é o da Eutrofização.
Para nós, leigos no assunto, deixo no final deste texto, um documento informativo sobre este fenómeno!
Mas julgo que será suficiente dizer que tal fenómeno é o responsável pela proliferação das microalgas, de cor verde, a que já todos nos habituamos, na albufeira do Torrão!
Quem não viu já o Tâmega, ali para os lados de Gondeiro, Crueis ou Formão (Carvalhinhas), com aquele aspecto de "relvado", verdinho e uniforme, que nos dá a sensação de poder caminhar sobre a superfície da água?
Ora, imaginem agora o agravamento daquela situação, com uma Barragem em Fridão, onde o fenómeno será mais do que certo, face a estudos de carácter ambiental realizados nos anos 90.
Nesse estudo, concluíram os entendidos que, o fósforo será o nutriente da albufeira de Fridão e que a mesma, poderá atingir condições mesotrópicas, que se agravarão até à eutrofização em anos de menos caudal e em especial durante o Verão!
Para o agravamento do fenómeno, contribuirá a grande profundidade da albufeira, de onde se libertarão compostos orgânicos insuficientemente degradados pela fermentação das lamas de fundo. A consequência será a degradação da qualidade da água quanto à cor e características organolécticas.
Os efluentes domésticos das zonas urbanas a montante,levarão à concentração de microorganismos patogénicos que agravarão a situação!
Concluindo, a água da albufeira de Fridão será um líquido de aspecto desagradável, turvo, malcheiroso onde irão proliferar insectos e não recomendável para a prática de actividades de recreio, que impliquem contacto físico com a água! Ocorrerão seguramente cianobactérias com graves consequências do ponto de vista da saúde ambiental e humana! As toxinas por elas produzidas afastarão a possibilidade do consumo daquela água pelas populações e até o consumo dos peixes será um factor de elevado risco pois poderão acumular essas toxinas no seu organismo e transmiti-las aos humanos...

E LÁ SE VAI O DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO QUE TANTO PROMETEM...
Como prometido, aqui fica o documento sobre eutrofização, retirado da Net e que agradeço à autora

"Eutrofização
Eutrofização - conceitos:
> Os charcos, os lagos e as albufeiras são mais vulneráveis à poluição do que os cursos de água superficiais e oceanos. Os contaminantes sofrem uma diluição menos acentuada devido ao menor volume de água e de corrente.
> Aos lagos e albufeiras chegam escorrências de terrenos circundantes, ricas em sedimentos e nutrientes. O enriquecimento dos lagos em nutrientes denomina-se eutrofização.
> Eutrofização natural – ocorre ao longo de grandes períodos de tempo, como parte do processo de sucessão ecológica que se verifica durante a evolução dos ecossistemas.
> Eutrofização Cultural – resulta de actividades humanas (origem antrópica) e verifica-se junto a zonas urbanas ou agrícolas. Os nutrientes que atingem o lago são principalmente nitratos e fosfatos com origem na agricultura e na pecuária, na erosão do solo e nos efluentes das estações de tratamento.
> Para além dos efeitos sobre os ecossistemas, a eutrofização reduz o valor estético e recreativo dos lagos e albufeiras.

Processo de eutrofização - quando uma determinada massa de água pobre em nutrientes (oligotrófica) os adquire, há toda uma série de alterações que ocorrerão:
a) o aumento da concentração de nutrientes favorece o crescimento e a multiplicação do fitoplâncton, o que provoca o aumento da turbidez da água;
b) devido a tal, a luz solar não chega às plantas que se encontram submersas, não ocorrendo a fotossíntese;
c) o desaparecimento da vegetação aquática submersa acarreta a perda de alimento, habitats e oxigénio dissolvido;
d) embora os lagos eutróficos possuam elevada quantidade de fitoplâncton, que produz oxigénio através da fotossíntese, a sua distribuição superficial provoca nesse sector uma saturação em oxigénio, que se escapa para a atmosfera, pelo que não restabelece o oxigénio dissolvido ao nível das águas profundas;
e) o fitoplâncton tem taxas de crescimento e reprodução muito elevadas, formando «tapetes» verdes à superfície dos cursos de água, principalmente nos sectores com correntes fracas. Quando estes organismos morrem, depositam-se no fundo, formando espessos depósitos;
f) o aumento de detritos leva a um aumento de decompositores (essencialmente bactérias), cujo crescimento exponencial provoca uma diminuição do oxigénio dissolvido (consumido na respiração);
g) o esgotamento do oxigénio leva à morte por asfixia de peixes e crustáceos, mas não de bactérias, que recorrem à fermentação e respiração anaeróbia;
h) as bactérias proliferam e aproveitam o oxigénio, cada vez que este está disponível, mantendo a água com permanente carência em oxigénio;
pode ainda ocorrer oxidação da matéria orgânica e de outros compostos, contribuindo também para a diminuição do oxigénio dissolvido e agravamento da eutrofização.

Carência Bioquímica de Oxigénio (CBO): é a quantidade de oxigénio necessária aos decompositores aeróbios para decompor os materiais orgânicos presentes num certo volume de água. É um indicador da quantidade de matéria orgânica biodegradável presente na água, uma vez que, quanto maior a concentração de matéria orgânica de uma água, maior será a quantidade de oxigénio utilizada pelos decompositores.

Ana Silva Martins, in ForçaFridão - 20 de Outubro de 2008