BARRAGENS
WHY LATIN AMERICA IS STILL BUILDING DAMS
Almost 15 years ago, the top official at the U.S. government's Bureau of Reclamation, which is responsible for building massive dams throughout the American West, declared that the "era of big dams is over." Deemed unsafe, overly expensive and disastrous to the environment, hydroelectric power was dismissed throughout the developed world as a relic. Today less than 10 percent of electricity generated in the
But the moves toward hydroelectric
power have stirred up a flood of protest. In Mexico ,
there is fierce opposition to the La Parota dam, a 765-megawatt project planned
for the Papagayo River . In Guatemala , activists have worked to
halt plans for three dams slated for a nature reserve in the country's Rio
Hondo area. Similar conflicts simmer in Panama ,
Ecuador , Brazil and Paraguay ,
and in parts of Asia and Africa . Particularly
controversial are plans for a $3.2 billion, 2,750- megawatt series of dams in
pristine southern Patagonia, in Chile, which its many critics say will imperil
one of the world's most spectacular natural areas and the region's tourism
economy.
Opponents of such mega-hydropower
plants say they not only drown farmland and villages, but often, especially
along the lazy rivers of the low-lying tropics, produce energy at exorbitant
cost. The 2000 World Commission on Dams found that the construction of large
dams cost, on average, 56 percent more than originally planned. Nor are they
necessarily environmentally friendly. Big dams can destroy wildlife habitat,
and in the Ganges, in India ,
and the Nile, in Egypt ,
have trapped silt, causing extensive soil erosion and land loss downstream. Drought
is another concern. Ten years ago, the worst drought in decades dried up
reservoirs and left Chile ,
which depends on hydroelectric power for more than half its electricity, with
power outages stretching three or more hours a day.
Yet the dams keep getting built. Their
backers, in government and the private sector, argue there are few other
cost-competitive alternatives. After the expensive investment required on the
front end for construction, dams can potentially produce power at a relatively
cheaper cost over time, they say. For countries like Chile , which don't have substantial
gas reserves, big dams are also seen as a way to avoid dependence on volatile
international gas markets. "The president and all our ministers say that
to face our energy needs, and to do that sustainably, we have to use our main
richness in terms of energy resources, and that is hydroelectricity," says
Marcelo Tokman, Chile 's
Energy minister.
The governments in the developing
world have gotten help from, of all places, China , which is now home to half of
the world's 50,000 large dams, and is financing more than 80 dams in developing
countries in part to improve its access to commodities. In April 2006, for
example, Nigeria awarded China four
oil-drilling licenses in exchange for a commitment to invest $4 billion in
infrastructure.
Concern over global warming is
also aiding new construction of large dams in the south. The Clean Development
Mechanism (CDM), set up to help implement the United Nations' Kyoto Protocol,
allows governments and companies to offset their negative contributions to
climate change by financing dams because hydropower does not emit carbon
dioxide. About 25 percent of projects considered for CDM funding are dams. Yet
studies show that dams can produce significant quantities of methane, a
greenhouse gas 21 times more effective at warming the atmosphere than carbon
dioxide. In Brazil ,
where 80 percent of the grid is from hydro, many hydro plants are so
inefficient they issue as much carbon dioxide and methane, from rotting
vegetation, as a thermoelectric plant.
The defenders of Patagonia
and other pristine natural environments threatened by big dams are now urging
decision makers to reject hydroelectricity and push ahead with more
ecologically palatable alternatives like solar, geothermal and wind. But for
many Chileans—like many in the developing world—the ultimate decision on
whether to send their wild rivers to oblivion will come down to how best to
meet their hunger for energy in the years ahead.
Jimmy Langman, in Newsweek - 12 de Setembro de 2008
(TRADUÇÃO)
Há quase 15 anos, a principal autoridade do *Bureau of Reclamation* do governo dos EUA — órgão responsável pela construção de enormes barragens em todo o oeste americano — declarou que a "era das grandes barragens havia acabado". Considerada insegura, excessivamente cara e desastrosa para o meio ambiente, a energia hidroelétrica foi descartada em todo o mundo desenvolvido como uma relíquia do passado. Hoje, menos de 10% da electricidade gerada nos Estados Unidos provêm de barragens e, em todo o mundo desenvolvido, a tendência é a desativação de barragens, e não a construção de novas. O cenário é diferente no mundo em desenvolvimento, onde autoridades ainda defendem as grandes barragens como a melhor maneira de suprir as necessidades energéticas futuras e combater o aquecimento global. "Não temos o luxo de não aproveitar os recursos de geração de energia", disse a presidente chilena de centro-esquerda, Michelle Bachelet, no ano passado, em seu discurso anual ao Congresso, "especialmente em um momento de mudanças climáticas, no qual os países deveriam promover o maior uso de energia não poluente, como a hidroelectricidade".
No entanto, as iniciativas voltadas para a energia hidroelétrica provocaram uma onda de protestos. No México, há uma forte oposição à barragem de La Parota, um projeto de 765 megawatts planeado para o rio Papagayo. Na Guatemala, activistas têm trabalhado para barrar planos de construção de três hidroeléctricas previstas para uma reserva natural na região de Rio Hondo. Conflitos semelhantes ocorrem no Panamá, no Equador, no Brasil e no Paraguai, bem como em partes da Ásia e da África. Particularmente polémicos são os planos para um complexo de barragens de 2.750 megawatts, orçado em US$ 3,2 bilhões, no sul da Patagónia chilena — uma área de natureza intocada que, segundo muitos críticos, teria sua integridade e sua economia turística ameaçadas pelo projeto.
Os opositores dessas megafábricas hidroeléctricas argumentam que elas não apenas inundam terras agrícolas e povoados, mas também — frequentemente, sobretudo ao longo de rios de fluxo lento em regiões tropicais de baixa altitude — geram energia a um custo exorbitante. Um estudo da Comissão Mundial de Barragens, de 2000, constatou que a construção de grandes barragens custou, em média, 56% a mais do que o planejado inicialmente. Além disso, elas não são necessariamente benéficas ao meio ambiente. Grandes barragens podem destruir habitats de vida selvagem e, nos casos dos rios Ganges (Índia) e Nilo (Egito), retiveram sedimentos, causando intensa erosão do solo e perda de terras a jusante. A seca é outra preocupação. Há dez anos, a pior seca em décadas esvaziou reservatórios e deixou o Chile — país que depende da energia hidroeléctrica para mais da metade de seu abastecimento eléctrico — enfrentando cortes de energia que duravam três ou mais horas por dia.
Governos de países em desenvolvimento têm recebido ajuda de um lugar inesperado: a China. O país abriga atualmente metade das 50 mil grandes barragens do mundo e está financiando a construção de mais de 80 barragens em nações em desenvolvimento, em parte para ampliar seu acesso a commodities. Em abril de 2006, por exemplo, a Nigéria concedeu à China quatro licenças para perfuração de petróleo em troca do compromisso de investir US$ 4 bilhões em infraestrutura.
A preocupação com o aquecimento global também está impulsionando a construção de novas grandes barragens no sul. O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), criado para auxiliar na implementação do Protocolo de Kyoto das Nações Unidas, permite que governos e empresas compensem suas contribuições negativas para as mudanças climáticas financiando barragens, uma vez que a energia hidroeléctrica não emite dióxido de carbono. Cerca de 25% dos projetos considerados para financiamento pelo MDL são barragens. No entanto, estudos mostram que barragens podem gerar quantidades significativas de metano, um gás de efeito estufa 21 vezes mais potente no aquecimento da atmosfera do que o dióxido de carbono. No Brasil, onde 80% da matriz elétrica provém de fontes hídricas, muitas hidroeléctricas são tão ineficientes que emitem tanto dióxido de carbono e metano — provenientes da decomposição de vegetação — quanto uma fábrica termoeléctrica.
Os defensores da Patagónia e de outros ambientes naturais intocados, ameaçados por grandes barragens, estão agora instando os tomadores de decisão a rejeitar a hidroeletricidade e a investir em alternativas ecologicamente mais aceitáveis, como a energia solar, a geotérmica e a eólica. Contudo, para muitos chilenos — assim como para muitos habitantes de países em desenvolvimento —, a decisão final sobre condenar ou não seus rios selvagens ao desaparecimento dependerá da melhor forma de satisfazer a crescente demanda por energia nos próximos anos.










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