terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Opinião: Passos só tem um caminho: tirar dinheiro à EDP





Opinião
Passos só tem um caminho: tirar dinheiro à EDP

A pátria sofre de um imenso desequilíbrio entre as empresas do sector não transaccionável e as empresas do sector transaccionável. Isto quer dizer exactamente o quê, pergunta o leitor? Confesso que também não percebia muito bem esta ladainha do economês. Mas, depois de muito estudo, percebi a coisa: isto quer dizer que a EDP & afins são beneficiadas em detrimento das empresas que produzem bens para exportar. Por exemplo, a Auto-Europa paga demasiado pela electricidade, logo, perde competitividade externa. E esta perda de competitividade não é pequena: segundo Vítor Bento, existe um desajustamento de 20% no preço dos produtos não transaccionáveis. Mas isto nem sequer é o pior. O pior é saber que este desacerto tem sido protegido pelo poder político. A EDP, como se sabe, é um dos Nenucos fofos da nossa classe política. O dr. Catroga e a dr. Cardona que o digam.

Ora, para piorar a situação, o anterior governo inundou a EDP & Cia com subsídios verdes para a produção da energia mais ineficiente e cara, a saber, a energia das ventoinhas que tomaram conta dos vales e montes. Resultado? Em 2011, numa factura média mensal de 41 euros, um consumidor doméstico pagou apenas 14 euros em energia consumida (34%) e deu mais uns trocos para os custos da rede de transporte e distribuição (22%) . Para onde foram os outros 44% da conta? Aterraram nos subsídios atribuídos à EDP & Cia. Ou seja, quase metade da conta da luz é absorvida pelos "custos de interesse económico geral" (ver a factura, sff). É por isso que Henrique Gomes, secretário de estado da energia, tem criticado - e bem - os apoios injustificados dados à EDP e demais produtores de energia eólica. Os casos mais gritantes são "os das unidades de cogeração - na sua maioria, criadas no tempo do ex-ministro Manuel Pinho - que vendem electricidade por mais de 120 euros por megawatt e depois vão comprá-la a 45 euros" (Expresso 14 de Janeiro). Como dizia João Vieira Pereira, isto não é um negócio, é uma renda. Uma renda inaceitável, até porque criou o monstro incontrolável do défice energético, que anda por aí a sorrir para a nossa carteira. Neste momento, já vai em quase 3 mil milhões.

Pôr cobro a este negócio da China já era uma prioridade antes do caso Catroga/Catrona . Agora, Passos tem mesmo de pôr cobro a este negócio da China, não só para acabar com mais uma farsa de Sócrates, mas também para atenuar os efeitos da dupla Catroga/Catrona. A EDP e satélites têm de perder dinheiro. A vidinha tem de doer a todos.

Henrique Raposo (www.expresso.pt), in Expresso - 24 de Janeiro de 2012

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