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domingo, 1 de maio de 2011

Mondim de Basto - Barragens: Electric feel

Mondim de Basto - Barragens
Electric feel
sentimento eléctrico da região. o rock in bee, que enchia o pavilhão dos bombeiros mondim de basto, consagrava os qing of qong, reis da edição 2011, por serviços ali prestados há anos, critério de desempate para o talento. a pompa do momento. o presidente da câmara, prestes a entregar o troféu, franze o cenho com 2 manifestantes espontâneos que se animaram com o ambiente, o eco a entoar-se com o silêncio admirado à volta. "edp, edp, edp." cinco, dez segundos. (90 por cento da assistência não entendeu nada daquilo). humberto cerqueira notou bem o atrevimento, baixou à plateia e mandou os dois manifestarem-se para a terra deles. ali não era lugar. não tinham direito. com a postura vampira da cooporação de mexia na região de basto, (sim toda ela nossa terra, mais ainda quando a posição a jusante de uns inunda a vida a montante dos outros) protestar não é direito, é dever.

Vítor Pimenta, in O Mal Maior - 1 de Maio de 2011
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Arco de Baúlhe - Cabeceiras de Basto)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Mondim de Basto - Protocolo de promessas antigas: Bater na mesma tecla

Mondim de Basto - Protocolo de promessas antigas
Bater na mesma tecla

Há quem diga que dou demasiada tinta à questão das barragens, mas nenhuma me parece em excesso quando se trata de desmascarar um processo paradigmático da má-fé e do abuso do poder do Estado e grandes empresas, sobre as pessoas comuns e as suas vidas. E neste contexto, expor também a encenação a que se prestam alguns dos representantes locais.

A Câmara de Mondim fez, há dias, pompa e circunstância da assinatura de um protocolo que garante a ligação da vila à Variante do Tâmega, e dali às auto-estradas que cruzam a região. Tudo bem, se o Estado e seus governos, na figura do EP- Estradas de Portugal, não tivessem essa obrigação de cumprir uma promessa com demasiado tempo.

Tudo bem, se a própria Barragem de Fridão estivesse desde já aprovada, o que é mentira. O Movimento Pró-Tâmega, aliás, fez entrar no Tribunal Administrativo e Fiscal de Penafiel uma Acção Popular Administrativa, contra o Estado Português e a EDP, visando a anulação da forjada Declaração de Impacte Ambiental (DIA) condicionalmente favorável do Empreendimento Hidroelétrico de Fridão. Coisa que pode abortar a intentona.

De resto, quem pôs as devidas questões a Paulo Campos foi o Presidente da Junta de Mondim. A interpelação justa de Fernando Gomes ao secretário de estado das Obras Públicas é de leitura obrigatória. Chamou-lhe um jocosamente "protocolo de promessas com 20 anos". Tendo em conta o histórico de expectativas defraudadas, não podia ter outro nome.


Vítor Pimenta, in O Mal Maior - 28 de Julho de 2010
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Arco de Baúlhe - Cabeceiras de Basto)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Tâmega - Albufeira de Fridão: O Tâmega deles

Tâmega - Albufeira de Fridão
O Tâmega deles

Pelo que se pode ler, a Ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, já legislou sobre barragens que não existem e ainda em processo de aprovação. E não é que a pretensa albufeira de Fridão terá o estatuto de "águas públicas de utilização protegida"?

Ora, neste contexto legal, e ao contrário do que os senhores da EDP vieram vender aos autarcas e fiel auditório, no imenso lago de água choca estarão interditas - e se calhar ainda bem - quaisquer actividades, desde a pesca a qualquer outra actividade lúdica e recreativa, a que se soma uma faixa terrestre de pelo menos 100 metros de largura, com usufruto interdito ou altamente condicionado.


Tal como disse Manuel João Vieira, «um misto de calhaus e lodo, com uma vedação de arame farpado toda à volta». Podem desde já cancelar a reserva do barquinho a motor.

Vítor Pimenta, in O Mal Maior - 16 de Julho de 2010
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Arco de Baúlhe - Cabeceiras de Basto)

terça-feira, 1 de junho de 2010

Barragens em "Blue Gold": Hipotecar o futuro

Barragens em "Blue Gold"
Hipotecar o Futuro


O excerto retirado do documentário de Sam Bozzo, Blue Gold: World Water Wars (2008), faz a reflexão devida sobre as consequências negativas a médio e a longo prazo, na construção de barragens. 

Ao contrário do que a EDP e o Governo vão dizendo, estas são maus mecanismos de gestão dos recursos hídricos pelos enormes desequilíbrios que geram no ambiente, tendendo paradoxalmente a contribuir para a desertificação. 

Mais, os sedimentos que deviam ser levados pelos rios até ao mar, acumulam-se nas sucessivas albufeiras e estão também na origem do processo de erosão da costa, cujas medidas de minimização são suportadas na íntegra pelos contribuintes.

Mas isso não interessa que se saiba. 


Para fazer valer uma forma ineficiente e arcaica de produzir energia, mas que gera activos à empresa e liquidez imediata ao Orçamento de Estado, nada como mascarar os prejuízos, lançando charme pela Região. 

É o que a Fundação da eléctrica fez recentemente, ao patrocinar projectos de "valor e transformação social e ambiental" em Mondim de Basto, com a conivência da Câmara Municipal e do Governador Civil de Vila Real. 

Fica a empresa bem na fotografia, aliando uma dissimulada consciência verde à responsabilidade social. 

Mas também pode o executivo de Mondim ficar com a certeza de que o capital político arrecadado em alinhar na propaganda, é uma miséria face ao valor que teimam em hipotecar.

Vítor Pimenta, in O Mal Maior - 1 de Junho de 2010
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Arco de Baúlhe - Cabeceiras de Basto)

domingo, 2 de maio de 2010

Barragem de Fridão: A Passarada

Barragem de Fridão
A Passarada

A ministra do Ambiente já deu luz verde à construção da Barragem de Fridão. 

Não tarda, e os autarcas poderão usufruir também de um laguinho de água choca (com geisers e com tudo), para levar o povo de merenda e padre borgas. 

Parabéns.
.
Vítor Pimenta, in O Mal Maior - 2 de Maio de 2010
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Arco de Baúlhe - Cabeceiras de Basto)

quarta-feira, 24 de março de 2010

PNBEPH - Rio Tâmega: Para lá e cá do Marão, sabem os que por ali estão

PNBEPH - Rio Tâmega
Para lá e cá do Marão, sabem os que por ali estão.



Fomentar o crescimento de uma região à custa do sacrifício das gentes de outra, só tem um nome: colonialismo. E é de colonialismo do Interior português que fala, quando eminentes administradores, como o Pina Moura, vem pelo próprio pé, abanar com falsas promessas do "bom" a uma região deprimida, a troco da sua riqueza.

Mas eis que ex-ministro da economia, prontamente colocado ao serviço da Iberdrola, engoliu em seco, num debate em Vila Real, perante um parecer técnico, elaborado por 15 investigadores da UTAD, que arrasa por completo o Estudo de Impacte Ambiental. Pelas palavras, pelos actos e, sobretudo, pelas omissões. O megaprojecto não é sustentável do ponto de vista ambiental, ignora quaisquer impactos económicos negativos sobretudo quando retira hectares de cultivo a populações inteiras que tão pouco poderão fazer uso dos recursos hídricos.

Mas para Pina Moura, pleno bondade, está fora de questão refazer o EIA. E dali, quanto muito, terá levado umas notas para reflexão em casa, uma vez descartada (na sua cabeça) a suspensão da empreitada.

Ora essa, e logo depois de Sócrates gastar albufeiras de saliva na coisa, com a historinha do potencial hídrico subaproveitado. É bem visto que este keinesianismo de clientela, tem apenas o propósito maior de fazer render o peixe às construtoras e cimenteiras, tão sedentas de lucro, à custa da cartelização do mercado da energia. Para estes o lucro, para o estado os encargos com as compensações. A factura, está visto, há-de ser paga pelo consumidor de electricidade e pelo contribuinte. Ambos a mesma pessoa.

(na imagem, retirada daqui, a paisagem lunar que fundeia a esvaziada barragem da Caniçada, no Gerês)


Vítor Pimenta, in O Mal Maior - 24 de Março de 2010
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Arco de Baúlhe - Cabeceiras de Basto)

domingo, 14 de março de 2010

13 de Março: Dia T

13 de Março
Dia T

Ontem, penduramos as razões e os lamentos na velha ponte de Amarante. e o rio Tâmega juntou-se enrolando as águas nos pilares em síncrono com os canoistas . Eles, que como nós, também o preferem assim, livre e temperamental. Agradeceu-nos as palavras, silencioso, e apenas se fez ouvir em protesto mais abaixo, quando se precipitou na largura do Torrão que não é ele.

Éramos 300 a fazer voz no mesmo timbre que se ouviu mais tarde, nessa noite, na apresentação do livro de Luís Jales de Oliveira. A sessão teve a tonalidade mista de homenagem e vigília. Houve alturas que soou a um requiem revoltado com esta ligeireza de afundar memórias e afectos entre os homens e a natureza, a troco de um progresso anacrónico. 


Os mondinenses e outros que se lhes ajuntaram, alguns homens do poder, sentiram-se de alguma forma.

Vítor Pimenta, in O Mal Maior - 14 de Março de 2010
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Arco de Baúlhe - Cabeceiras de Basto)

quarta-feira, 3 de março de 2010

PNBEPH - Terras de Basto: À atenção de arcoenses, vilanunenses, pedracences e demais 'enses'

PNBEPH - Terras de Basto
À atenção de arcoenses, vilanunenses, pedracenses e demais 'enses'



O texto de Alfredo Pinto Coelho, atesta um receio mondinense legítimo, que de resto foi um dos argumentos mais sólidos da Junta de Freguesia de Mondim na sua posição contra a Barragem do Fridão: os postes de muito alta-tensão que a EDP (ou a REN?) quer instalar.
Desconheço o percurso da coisa, de onde vem e para onde vai. Mas a acontecer, há sempre duas soluções alternativas: enterrar os cabos ou então dar-lhes a volta pela outra margem. Não sei se me faço entender.


Vítor Pimenta, in O Mal Maior - 2 de Março de 2010
Movimento Cidadania para o Deenvolvimento no Tâmega (Arco de Baúlhe - Cabeceiras de Basto)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

PNBEPH - Alto e Baixo Tâmega: Torrentes de Mudança

PNBEPH - Alto e Baixo Tâmega
Torrentes de Mudança

A Assembleia de Freguesia Arco de Baúlhe já não é o único órgão autárquico com posição tomada contra a construção de Barragens no Rio Tâmega. 

Na freguesia de Mondim de Basto, que conta com um dos mais dinâmicos presidentes de Junta da região, que aliás promoveu várias sessões sobre o tema, o executivo afirmou-se "incondicionalmente contra a Barragem de Fridão".

De lembrar que no início de Fevereiro deste ano, ainda que com algum cinismo, o executivo camarário de Amarante também votou uma moção contra a Barragem de Fridão.

Já mais a montante: Anelhe, Arcossó, Vilarinho das Paranheiras e Vilela do Tâmega tomaram uma posição conjunta "contra o aproveitamento hidroeléctrico do Alto Tâmega".


Bem hajam.

Vítor Pimenta, in O Mal Maior - 24 de Fevereiro de 2010

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

PNBEPH - Barragem de Fridão (Amarante): 3 em 1

PNBEPH - Barragem de Fridão (Amarante)
3 em 1

«“É pois intenção dos municípios, não se opondo cabalmente à construção do empreendimento hidroelétrico, assegurar que um bem nacional não se faça à custa do sacrifício das populações do interior”, sublinharam os presidentes.
Além da compensação financeira, que poderá chegar aos 2,5 milhões de euros anuais, os municípios exigem também a construção do troço da variante do Tâmega de Celorico até Arco de Baúlhe, contratualizada desde 1983, e a ligação desta via à vila de Mondim de Basto, cujo projeto se encontra em fase final de execução.» [Tâmega Online]

É tão inédita como irónica, quanto louvável, esta convergência de 3 autarcas da Região de Basto a uma só voz. Nada como uma barragem e dificuldades de tesouraria para lembrar uma responsabilidade e obrigação política de que se tinham arredado há anos.

Vítor Pimenta, in O Mal Maior - 18 de Fevereiro de 2010

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

PNBEPH - Rio Tâmega - Das Contrapartidas

PNBEPH - Rio Tâmega
Das Contrapartidas


O novo presidente de Câmara de Mondim de Basto acredita no potencial turístico de uma albufeira a rodear-lhe a urbe, além de que espera contrapartidas.

A Junta de Freguesia de Mondim, tão conformada quanto realista, discutiu o assunto no passado sábado. Não atendi ao evento mas abaixo estão duas boas contrapartidas que, com ou sem barragem, deviam mover os edis da região.

Se tivermos de gramar com o empreendimento, então, não há desculpas do dinheiro que não havia antes. Este já foi adiantado pela eléctrica e é aqui que, naturalmente, devia ser investido.
  1. Reabilitação da Linha do Tâmega: ~56 milhões €
  2. Via do Tâmega + Ponte (Mondim - Celorico - A. Baúlhe): ~80 milhões €
TOTAL: 136 milhões €

[Valor pago ao Estado pela EDP pela concessão do Fridão: 200 milhões €]

Vítor Pimenta, in MalMaior - 8 de Fevereiro de 2010

domingo, 27 de dezembro de 2009

PNBEPH - Custos da interioridade e subserviência: Barragens e Desenvolvimento

PNBEPH - Custos da interioridade e subserviência
Barragens e Desenvolvimento

O sempre oportuno e plural Ecos de Basto, fez capa na sua edição de Natal (ainda indisponível online) com a entrevista a um responsável da EDP para quem "a Barragem do Fridão é uma oportunidade de desenvolvimento"(cito de memória).

Sim, talvez como tem sido a oportunidade de desenvolvimento para muitos concelhos com barragens, como se pode verificar, quando se junta o mapa das hídricas a norte e do índice de desenvolvimento humano de portugal em 2004.

Uma das conclusões é que os concelhos com mais barragens, têm na generalidade piores índices de desenvolvimento humano. Era desejo de levar com a uva passa, que um jornal como este deixasse de servir de conduta ao que é uma das maiores mentiras pregadas aos cabeceirenses no último ano.


Vítor Pimenta, in O Mal Maior - 27 de Dezembro de 2009

terça-feira, 10 de novembro de 2009

PNBEPH - TÂMEGA: Programa Nacional de Barragens - No meio de tanta água, a verdade é como o azeite

PNBEPH - TÂMEGA
No meio de tanta água, a verdade é como o azeite


Não há volta a dar. Agora não são os movimentos de insurgentes que o dizem. A União Europeia confirma a péssima decisão do governo e a ignorante complacência dos fiéis autarcas.

Cada vez mais me convenço que o voto de protesto apresentado em Dezembro último na assembleia de freguesia de Arco de Baúlhe, contra os azeites de alguma gente, foi muito bem aprovado.

À atenção dos novos e dos velhos protagonistas da política da Região de Basto.


Vítor Pimenta, in O Mal Maior - 10 de Novembro de 2009

domingo, 9 de agosto de 2009

Cumplicidade Insustentável

Cumplicidade Insustentável

barragem

© VRfoto

Palmira F. Silva, há uns dias atrás no jugular, apontou o esforço do actual Governo na mudança do paradigma energético para um menos dependente dos combustíveis fósseis. Tudo bem com isso tudo. Mas Joanaz de Melo, professor de Engenharia do Ambiente na Universidade Nova de Lisboa, membro do GEOTA - e a quem Palmira torce o nariz - alerta para o paradoxo dos custos ambientais e energéticos das 10 novas barragens ou da terceira travessia do Tejo que, endividando o País, não fazem o que o investimento na eficiência energética faria na factura e até no «controlo dos períodos de pico e ao equilíbrio do sistema com a produção eólica e térmica». A verdade é que mesmo sendo mais fácil recorrer a barragens para emendar este último problema, é muito estranho que não utilizem a actual capacidade hídrica para fazê-lo.

Concordo com Palmira quando diz que o avanço tecnológico e a pesquisa cientifica exigirão muito maior quantidade de energia do que a que temos hoje disponível. Agora, num Portugal que necessita urgentemente de desenvolver o Interior com os únicos instrumentos e riquezas que estas gentes possuem, o sacrifício insensível de vales aráveis e do seu valor ecológico, é de uma demonstrada incongruência.

Por outro lado, a forma com que este Governo dotou as grandes corporações do sector energético (EDP e Iberdrola) do poder apropriação de património colectivo, enquanto propagandeiam falsas virtudes e vendem ilusões de emprego e desenvolvimento a populações desesperadas, é imoral e escandaloso. António Mexia, Coelho e Pina Moura agem actualmente como autênticos donos e senhores deste país. No caso do presidente da EDP a prepotência e a falta de decoro roçam o sadismo.

Se o debate das questões de sociedade e do papel do Estado na economia, a par das quezílias de comadre com a blogosfera de Direita, fazem passatempo e as ganas aos futuros deputados do PS que se entretêm a escrever no jugular e no SIMplex, chama-se-lhes daqui a atenção de que absterem-se de questionar o delírio do Plano Nacional de Barragens, que no Tâmega «viola lei-quadro da Água»(Rui Cortes, UTAD), é compactuar com um dos maiores crimes de lesa-pátria a ser cometido nos próximos anos em Portugal.

Vítor Pimenta, in O Mal Maior - 9 de Agosto de 2009

domingo, 14 de junho de 2009

Quercus contra o Programa Nacional de Barragens e a campanha publicitária da EDP

Aplauso
«A Quercus manifestou-se ontem contra o Plano Nacional de Barragens e a campanha publicitária da EDP.
O protesto pacífico levou os ambientalistas a fechar o paredão da barragem de Belver, em Mação.
"Pretende-se chamar a atenção para os enormes impactes ambientais negativos que decorrerão do avanço do Programa Nacional de Barragens, aprovado pelo Governo", explicou a Quercus em comunicado.
A organização assegura que o mesmo "colocará em perigo diversos valores naturais".» [Correio da Manhã]
Vítor Pimenta, in O Mal Maior - 14 de Junho de 2009

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Barragens e Desenvolvimento

Barragens e Desenvolvimento

Barragens e Desenvolvimento :D
© INAG

A construção de Barragens vem sempre anexada da promessa de mais emprego e desenvolvimento. E analisando o mapa das grandes hidroeléctricas no Norte de Portugal, a (in)congruência não podia ser mais descarada...


Vítor Pimenta, in Avenida Central - 15 de Fevereiro de 2009
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Cabeceiras de Basto)

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Fisgas de Ermelo a salvo da predação hidroeléctrica

Salva

fisgas do ermelo
© Miguel Leite Pereira
«O ministro do Ambiente, Nunes Correia, garantiu ontem, em Vila Real, que a cascata das Fisgas de Ermelo não vai ser afectada com a construção das barragens do Alto Tâmega.» [Diário de Notícias]

A oferta do ministro, em salvar a maior queda de água do País, não amortiza a impressão abominável do Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico no Vale do Tâmega - rio, que na prática, vai deixar de o ser. E com a discussão pública do impacto ambiental agendada para breve, nunca é tarde, nem demasiado, insistir na subscrição da petição on-line contra as barragens, do qual sou um dos signatários.

Vítor Pimenta, in Avenida Central - 1 de Fevereiro de 2009

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Rio Olo (rio Tâmega): A Barrela

Rio Olo (Rio Tâmega)
A Barrela

O rio Olo, um dos últimos rios impolutos de Portugal, recorta o Alvão contando pontes velhas de aldeias de pedra até se precipitar caudaloso nas Fisgas de Ermelo, Mondim de Basto, numa queda de água de beleza rara na Europa. Maravilha tal que locais levaram uma moção à assembleia municipal, propondo a candidatura da mesma a Património Natural.

No entanto, de pouco pode ter valido a aprovação por unanimidade em torno daquilo têm como valor acrescentado. No País West Coast da Europa, o interior é apenas uma enorme fronteira até Espanha como se o risco fosse dessa largura. 


O Plano Nacional de Barragens tem projectadas 5 barragens para o Vale do Tâmega, que farão de toda aquela bacia um açude gigante. Pior, uma delas, desviará o rio Olo para alimentar uma outra, de Gouvães, a cargo da Iberdrola. Diria a cargo, porque para lá caminha. 

O período de discussão pública que teria um ano, foi, em manobras por detrás da cortina, encurtado em meses. Milagre do Simplex da conveniência em nome de favores maiores, será tudo entregue nas mãos dos concessionários já em Dezembro.

Assim que o betão começar a frenar a garganta, das Fisgas do Ermelo não se verá mais que um fio de água fragas abaixo, e do vale do Tâmega pouco restará dele escavado por um rio. Muito da nossa identidade paisagística e património colectivo completamente alagado. O que era natural dará lugar ao impacte artificial de uma albufeira de falsas promessas, à distância e a bem da alumiação do Portugal filho e no que resta em desgraça ao Portugal enteado.

Vítor Pimenta, in Avenida Central - 10 de Novembro de 2010
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Cabeceiras de Basto)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

PBNEPH - Rio Tâmega: O Mau Castor (ou o lobby das águas paradas)

PNBEPH - Rio Tâmega
O Mau Castor (ou o lobby das águas paradas)

Sempre tive uma renitência grande face a construção de barragens e represas, no exagero das mesmas, de paredões de betão erguidos ao alto e a inundar em albufeiras grandes pedaços de terra. Mas em Cabeceiras de Basto, como na restante região de Basto e Alto Tâmega, a anunciada alteração da face da sua paisagem, parece ter passado ao lado. Isto quando este lobby do Mau Castor, sob o encobrimento distorcido da nobre causa das energias renováveis, vai modificar profundamente os costumes e apagar da memória, irreversivelmente, muita da sua identidade histórica, cultural, humana e paisagística.

O investimento no estupro, é já por si um enormidade - para lá de 700 milhões de euros - porque é em betão, sem contar, claro, os habituais juros da demora, derrapagens e custos da subavaliação. Sobretudo quando o mesmo valor num programa nacional de eficiência energética traria melhores resultados económicos, cívicos e de educação ambiental, sem a desfiguração absurda e inconsequente do país.


Mas assim de resumido: 4 Barragens vão prender o rio Tâmega em enormes albufeiras: Daivões, Gouvães, Padroselos e Alto Tâmega (Vidago). Uma delas criará um enorme lago em redor de Ribeira de Pena (lá se vai a ponte de arame e umas aldeias em redor) e outra, a de Padroselos, irá inundar grande parte do trajecto do rio Beça, um dos últimos rios selvagens e sem poluição da Europa, que faz a fronteira norte de Gondiães em Cabeceiras, com Boticas. Para não falar da barragem do Fridão (entre Fidrão e Codeçoso) a montante de Amarante, com um paredão de 110 metros que vai levar a cota de enchimento até à histórica ponte de Cavez.


Desta escadaria de colunas de água aliás, que além inquietar as populações a jusante, teme-se que roce os tabuleiros das pontes da Barca entre Arco de Baúlhe e Atei de Basto, como a ponte em Mondim (na imagem acima). Isto sem falar na possibilidade da Barragem de Daivões ter localização mais abaixo e destruir a Pista de Pesca de Cavez. Uma coisa é certa: os salmonídeos, trutas e bogas, vão dar lugar a lúcios e carpas; no ar ainda mais humedecido da Região de Basto, espera-se o fedor das águas paradas, escuras, ácidas, profundas e perigosas, e os caiques nos rápidos dos afluentes vão dar lugar a iates para o pior do novo-riquismo.

No mar de água doce, nem sei que sabor terão as castas de vinho verde da Sub-Região demarcada, encostada ao longo do Tâmega. E as consequências de um semelhante erro compulsivo, terão também repercussões no Tua, onde a inundação daquele vale vai enterrar (passo a contradição) de vez a questão da linha ferroviária, juntamente com a riqueza única da sua fauna e flora.

Posto isto: não há exigência de fontes energias renováveis, nem de crescimento, que justifiquem a destruição de ecossitemas e paisagens culturais com esta violência e leviandade, sobretudo quando o resultado é alagar um país e sua identidade. Na verdade, estas soluções são, no efeito imediatista, erradas e ironicamente insustentáveis.

O “Plano Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico” (PNBEPH) é assim, um dos maiores atentados ao património de todos na loucura de obras públicas do Governo e tristemente sem alvo da consulta da opinião das pessoas. Os impactos ambientais serão abafados na ilusão dos barquinhos de recreio. Enfim, no entusiasmo das cimenteiras, não admirarão os prováveis candidatos à empreitada e os vencedores. Lá está: há que alimentar os fornos da co-incineração e justificar a nomeação de ex-ministros para gestores executivos de empresas de fundação amarantina, oportunistas como a Somague e ali, tão à mão, nesta bacia hidrográfica...



A ler também: Barragem de Fridão: Consequências Previsíveis sobre o Rio Tâmega e Amarante.

Vítor Pimenta, in Mal Maior - 07 de Abril de 2008
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Cabeceiras de Basto)