segunda-feira, 31 de agosto de 2026

TÂMEGA - BARRAGENS: Falta de plano da albufeira trava projetos turísticos em Ribeira de Pena


TÂMEGA - BARRAGENS

Falta de plano da albufeira trava projetos turísticos em Ribeira de Pena

Plano de ordenamento para a albufeira de Daivões entrou em exploração comercial no verão de 2022. Mas autarca afirma que "processo não está concluído". E receia "que nem esteja iniciado".


O presidente da Câmara de Ribeira de Pena criticou esta segunda-feira a demora na conclusão do plano especial da albufeira de Daivões, que estava prevista para abril, porque está a travar a concretização de investimentos turísticos naquele espaço.

“Sei que o processo não está concluído e receio bem que nem esteja iniciado”, afirmou hoje à agência Lusa João Noronha, que adiantou ter conversado com entidades envolvidas no processo “que desconhecem o desenvolvimento do mesmo”.

Em Ribeira de Pena, distrito de Vila Real, o plano de ordenamento para a albufeira de Daivões é reclamado pelo menos desde que a barragem entrou em exploração comercial no verão de 2022.

A 4 de abril de 2025, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Iberdrola assinaram um protocolo com vista ao financiamento do plano especial das albufeiras do Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET), que inclui as barragens de Daivões, Gouvães e Alto Tâmega, através do qual a empresa se comprometeu a avançar com um financiamento até 500 mil euros.

Na altura, o presidente da APA, José Pimenta Machado antecipou que o plano deveria estar concluído no prazo de um ano e explicou que este deveria conseguir um equilíbrio entre o desenvolvimento económico e as preocupações ambientais.

A Lusa tentou obter uma reação da APA, que não respondeu até ao momento.

“Criámos grandes expectativas para a utilização deste espelho de água, que não tenho dúvidas que veio embelezar o nosso território, as pessoas que chegam aqui gostam do que veem, mas não estamos a conseguir oferecer-lhes condições para que eles possam desfrutar do mesmo”, referiu o autarca.

João Noronha salientou que há investidores que querem avançar com projetos turísticos, os quais se encontram num impasse enquanto não estiver em vigor o plano das albufeiras que definirá as regras a cumprir e os moldes em que os investimentos podem ser concretizados.

Havia, acrescentou, a expectativa de que este estivesse concluído em abril para que, a partir daí “a câmara pudesse fazer licenciamentos” nas diferentes áreas, desde turísticas até à construção ou reconstrução de casas.

“Falta essa cereja em cima do bolo, que tarda em aparecer”, referiu, acrescentando que, neste caso, devido ao compromisso da Iberdrola, não será a falta de financiamento que está a emperrar o processo.

João Noronha disse que são precisas respostas, que todo este impasse está a causar “prejuízos enormes” e é um “entrave” ao desenvolvimento deste concelho que já é muito procurado pelo turismo de natureza, que viu crescer vários alojamentos locais, mas onde falta atrações para manter os visitante mais tempo no território.

A câmara quer, por isso, construir um cais fluvial na albufeira, para que seja possível um maior usufruto do espelho de água.

Em Ribeira de Pena, 49 famílias perderam as suas casas para a barragem, bem como terrenos agrícolas, num processo que foi longo, polémico e doloroso para os afetados, residentes permanentes e emigrantes, e João Noronha lembrou que o concelho contribui para a riqueza do país, com a produção de energia elétrica.

“O que é que fica para nós? Não fica nada e isso não é justo. Há aqui uma falta de moralidade e de compreensão para os que, de alguma forma, estamos a criar riqueza”, realçou.

A este propósito falou ainda sobre o pagamento do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) pelas barragens.

“O IMI desta barragem dava um orçamento extraordinário à Câmara Municipal. Nós não sabemos quando é que vamos receber o IMI, discutem-se as avaliações das finanças, mas as avaliações depois não são aceites pelas empresas”, referiu, adiantando que a informação sobre este assunto “é zero”.

Sobre o plano, disse ter reunido com o secretário de Estado da Energia, que “tomou boa nota das preocupações”.

“Pareceu-me que ele iria encetar diligências no sentido de saber o ponto de situação e contribuir de alguma forma para a solução. Ficou-me essa esperança”, referiu.

Agência Lusa, in Observador - 31 de Agosto de 2026

sexta-feira, 10 de julho de 2026

ALTO TAMEGA - BARRAGENS: Governo garante procura de solução para a ponte de arame entre Monteiros e Veral



ALTO TAMEGA - BARRAGENS

Governo garante procura de solução para a ponte de arame entre Monteiros e Veral


José Manuel Esteves, Secretário de Estado do Ambiente, garantiu que o Governo continua a procurar uma solução para a ponte de arame que ligava as aldeias de Monteiros, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, e Veral, no concelho de Boticas, e que ficou submersa na construção da Barragem do Alto Tâmega, em outubro de 2023.

No decorrer da Feira do Granito e das Atividades, em Vila Pouca de Aguiar, José Manuel Esteves, Secretário de Estado do Ambiente, foi abordado sobre o tema da ponte de arame que ficou submersa após o enchimento da albufeira da barragem do Alto Tâmega, integrada no Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET), cujo empreendimento foi levado a cabo pela empresa espanhola Iberdrola.

“A ponte de arame é algo extremamente interessante que nós falamos e estamos fortemente empenhados com as duas câmaras municipais a encontrar uma solução para elas”, avançou José Manuel Esteves.

Até ao momento, referiu o Secretário de Estado do Ambiente, estão a aguardar que os informem de mais detalhes do projeto e “atualizar também os valores, porque as coisas mudaram”. Reforçou ainda ao dizer que estão “muito interessados em ajudar, em contribuir e ser parte da solução com as câmaras e com as entidades no terreno, que estavam responsáveis pela sua execução”.

Segundo este elemento do Governo, também a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) está “muito envolvida” porque “temos lá um recurso natural que se chama água e ele próprio está a induzir o crescimento, mas queremos que esse sítio, com esse elemento de ligação, seja ele também catalisador”. José Manuel Esteves acredita que a ponte tem potencial para “valorizar os dois territórios e, ao mesmo tempo, seja ela um ponto de chamariz para lá”.

O Secretário de Estado do Ambiente afirmou ainda que “queremos aquilo que estava previsto, e o que está previsto é que se encontre uma solução para unir os dois passos e que ela seja indutora de desenvolvimento no território”, salientando que não é “só uma questão de unir, é que a ponte seja mais do que isso, algo de inovador para aquele território, que chame pessoas, algo que faça pelo turismo na área”.

Quanto a medidas concretas, José Manuel Esteves indicou que “em breve nós vamos ter condições para vir falar disso ao terreno e explicar às pessoas o que é que queremos e de que maneira o vamos fazer”.

Sobre o tema, a Presidente da Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar, Ana Rita Dias, acredita que a ligação entre as duas aldeias “irá trazer valor turístico para a região”. Segundo a autarca, a ligação pedonal tem um financiamento global superior a 4,2 milhões de euros, suportados pela Iberdrola, pelo Fundo Ambiental e pelos Municípios de Vila Pouca de Aguiar e Boticas.

Já Guilherme Pires, Presidente da Câmara Municipal de Boticas, afirma, numa nota publicada, que “continua empenhado em resolver o problema” e acredita que “esta obra irá trazer valor turístico para a região e que será motivo de atração na aldeia”.

O Sistema Electroprodutor do Tâmega é um complexo que inclui três barragens e três centrais hidroelétricas, a de Daivões e Alto Tâmega, no rio Tâmega, e de Gouvães, no rio Torno.

Ângela Vermelho, in Notícias de Aguiar - 10 de Julho de 2026

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Ríos liberados: ¿por qué hay países que han decidido desmantelar cientos de represas?


Ríos liberados: ¿por qué hay países que han decidido desmantelar cientos de represas?


La presa Iron Gate fue una de las cuatro represas hidroeléctricas desmanteladas en el río Klamath, California, con el objetivo de restaurar la pesca del salmón y apoyar a las tribus locales.
Brian van der Brug/Los Angeles Times vía Getty Images


Nota del editor: Llamado a la Tierra es una serie editorial de CNN comprometida con reportar los desafíos ambientales que enfrenta nuestro planeta, además de mostrar las soluciones a esos retos. La Iniciativa Perpetual Planet, de Rolex, se ha asociado con CNN para crear conciencia y educación sobre los asuntos de sostenibilidad claves y para inspirar acciones positivas.


CNN — El río llegó casi de inmediato.

Cuando se derribaron las presas del río Hiitolanjoki en Finlandia, el paisaje empezó a cambiar: el agua se aceleró y se enfrió, y empezó a parecer menos un embalse y más un río de nuevo. Y entonces llegaron los peces.

Por primera vez en más de un siglo, los salmones remontaron el río, pasando por donde antes se alzaban tres represas hidroeléctricas y recuperando un tramo de agua que había estado aislado durante más de un siglo.
Transformaciones similares se están produciendo en toda Europa, donde los países están desmantelando presas y diques obsoletos, barreras que en su día impulsaron molinos y fábricas, pero que ahora a menudo resultan poco útiles.

“Una vez que se elimina una barrera, el río toma el control”, declaró a CNN Angela Ortigara, asesora principal y estratega de agua dulce de WWF Países Bajos. “Es una acción que tiene un efecto inmediato y un beneficio a largo plazo”.

Según el último informe anual de Dam Removal Europe, una coalición de seis organizaciones que trabajan para restaurar la conectividad de los ríos, en 2025 se eliminaron 603 barreras en 21 países, una cifra récord que supera el número jamás registrado.

Los rápidos de Kangaskoski en el río Hiitolanjoki de Finlandia tras el desmantelamiento de la presa de una central hidroeléctrica.
Esa Hiltula/Getty Images

Estas medidas contribuyeron a reconectar más de 3.740 kilómetros de ríos en todo el continente y están vinculadas al objetivo de la UE de restaurar 25.000 kilómetros de ríos de caudal libre para 2030.

Según el informe, publicado la semana pasada, el número de barreras eliminadas superó en un 11 % el récord anterior establecido en 2024.

Las remociones en 2025 también fueron seis veces superiores a las del primer recuento realizado en 2020.

Las cifras indican que cada vez se están restaurando más ríos, pero también reflejan una reevaluación más amplia del funcionamiento de los ríos en una era de fenómenos climáticos extremos. Lo que antes se consideraba un progreso, ahora se percibe cada vez más como un riesgo ambiental creciente.

La presa hidroeléctrica de Kangaskoski, ubicada en el río Hiitolanjoki, en el sureste de Finlandia, fue desmantelada como parte de un proyecto para restaurar la conectividad total del río. 
El río Hiitolanjoki tiene una gran importancia ecológica, ya que alberga la última población de salmón de agua dulce que se reproduce de forma natural en Finlandia.
Mikko Nikkinen/Storymakers


Ríos fragmentados

Según el proyecto de investigación Gestión Adaptativa de Barreras en Ríos Europeos (AMBER), una de las evaluaciones más exhaustivas de la conectividad fluvial jamás realizadas en el continente, se estima que 1,2 millones de barreras —entre ellas presas, azudes, alcantarillas y compuertas— fragmentan los ríos europeos. Muchas de estas estructuras se construyeron hace décadas para la generación de energía hidroeléctrica, la navegación o la agricultura, pero miles de ellas ya están obsoletas.
Científicos y grupos ecologistas afirman que las consecuencias pueden ser de gran alcance.

“Cuando se construye una presa en un río, su cauce —antes protegido por la vegetación ribereña— se transforma en un estanque o embalse de agua estancada expuesto al sol. Esto aumenta significativamente la temperatura del agua”, explicó Pao Fernández-Garrido, gestor sénior de subvenciones del Programa Europeo de Ríos Abiertos, una iniciativa de financiación a nivel europeo que apoya la eliminación de pequeñas presas y barreras fluviales para restaurar los ecosistemas fluviales naturales.

Grandes volúmenes de agua en los embalses también pueden perderse por evaporación. La materia orgánica atrapada en los embalses se acumula y se descompone con el tiempo, liberando metano, un potente gas de efecto invernadero que contribuye significativamente al calentamiento global, explicó Fernández-Garrido a CNN.

La presa de Vezins, en Normandía, Francia, tenía 36 metros de altura y 278 metros de ancho antes de ser retirada en 2020 para restaurar el ecosistema del río Sélune.

La remoción de la presa de Vezins, en Francia, es considerada el mayor esfuerzo de eliminación de presas de Europa.

Según la Agencia Europea de Medio Ambiente, los ecosistemas fragmentados tienen mucha menos capacidad para hacer frente a las crecientes inundaciones, sequías y fenómenos climáticos extremos. En la última década, nueve de cada diez desastres naturales en el continente estuvieron relacionados con el agua.

“Hemos perdido alrededor del 80 % de nuestros humedales en el último milenio debido al drenaje, la impermeabilización y la degradación”, declaró la agencia a CNN. “Los humedales ayudan a reducir estos riesgos al actuar como esponjas naturales, absorbiendo agua durante las inundaciones y liberándola lentamente durante las sequías”.

La organización Dam Removal Europe afirmó que la fragmentación de los ríos es un factor importante en la disminución de la biodiversidad de agua dulce en Europa, citando una evaluación reciente de la Comisión Europea que concluyó que más del 42 % de las especies de peces de agua dulce del continente están amenazadas, mientras que casi dos tercios se consideran en riesgo de estar amenazadas o ya están cerca de estarlo.

Especies como el salmón del Atlántico y la anguila europea, junto con algunas poblaciones de trucha, pueden verse bloqueadas o retrasadas en su llegada a los hábitats río arriba necesarios para la reproducción, lo que contribuye a la disminución de las poblaciones o, en algunos casos, a la extinción local.

Incluso allí donde se instalan pasos para peces, su eficacia varía y, a menudo, no logran dar cabida a las especies que nadan con menos fuerza, dejando tramos importantes de los ecosistemas fluviales parcialmente desconectados.

El impacto va más allá de los peces. La conectividad de los ríos sustenta ecosistemas acuáticos completos, desde insectos hasta aves y mamíferos. Cuando se interrumpe el flujo de sedimentos, los lechos de los ríos pueden simplificarse y volverse menos aptos para el desove, mientras que las alteraciones en la temperatura y el caudal reducen la diversidad de hábitats.

Con el desmantelamiento de la presa hidroeléctrica de Kurunkoski, se ha eliminado la última barrera migratoria en el río Torsanjoki de Finlandia, 
lo que permite el movimiento sin obstáculos de peces y vida silvestre a lo largo de este afluente del Hiitolanjoki.
Mikko Nikkinen/WWF

También existe una creciente preocupación por la envejecida infraestructura hídrica de Europa. Muchas barreras obsoletas no reciben el mantenimiento adecuado y pueden convertirse en riesgos para la seguridad a medida que se deterioran, especialmente durante fenómenos meteorológicos extremos.

“La construcción de barreras fluviales conlleva una larga lista de problemas de seguridad y medioambientales”, afirmó Fernández-Garrido. “Siempre es más seguro y rentable trabajar con la naturaleza que en su contra”.

El creciente impulso a favor de la restauración de los ríos se ve ahora reforzado también por la política de restauración de la naturaleza de la UE.

Sin embargo, esta política también ha recibido críticas de algunos grupos agrícolas y responsables políticos preocupados por los posibles impactos en el uso de la tierra y los medios de subsistencia rurales.

El Reglamento de la UE sobre la restauración de la naturaleza, que entró en vigor en 2024, establece objetivos vinculantes para restaurar al menos el 20 % de las zonas terrestres y marinas de la UE para 2030, incluyendo la restauración de al menos 25.000 km de ríos para que recuperen su caudal natural. Su objetivo es restaurar prácticamente todos los ecosistemas que lo necesiten para 2050. Esta legislación supone la primera vez que la conectividad fluvial y la eliminación de barreras se incorporan al derecho de la UE.

“Esta normativa tiene el potencial de cambiar las reglas del juego. No se trata solo de proteger lo que queda, sino de recuperar la naturaleza, de recuperar nuestros ríos”, declaró la Agencia Europea de Medio Ambiente.


Ríos restaurados

Sin embargo, retirar una presa rara vez es tan sencillo como derribar el hormigón.

Los proyectos pueden requerir años de evaluaciones ambientales, estudios de ingeniería y negociaciones con los propietarios de las represas y las autoridades locales. Tras la demolición, es necesario gestionar cuidadosamente los sedimentos, estabilizar las riberas y monitorear los ecosistemas.

Pero una vez eliminadas las barreras, la transformación puede producirse con una rapidez asombrosa.


En Finlandia, la eliminación de las tres represas hidroeléctricas a lo largo del río Hiitolanjoki entre 2021 y 2023 reabrió las rutas migratorias del salmón de agua dulce, una especie en peligro crítico de extinción, restableciendo el acceso a las zonas de desove que habían estado bloqueadas desde principios del siglo XX. El salmón regresó a algunas partes del río durante la primera temporada de migración.

La restauración de Holstenkoski, en Finlandia, incluyó el dragado aguas arriba de la antigua presa, la estabilización de las riberas con piedras, 
la recreación de rápidos naturales y la plantación de casi 1.000 árboles para mejorar el flujo del agua y favorecer la recuperación ecológica.

La eliminación de la presa y la rápida restauración de Holstenkoski en Finlandia en 2024 tenían como objetivo abrir rutas de 
migración de peces de hasta 43 kilómetros, mejorando así el estado ecológico del río Aneriojoki.

Más al este, la atención se centra ahora en la presa hidroeléctrica de Palokki, en la cuenca del río Vuoksi de Finlandia, donde se están elaborando planes para restablecer la conectividad en otra cuenca hidrográfica muy fragmentada.

“Cuando este proyecto se ponga en marcha, será el mayor proyecto del Programa de Ríos Abiertos que jamás haya recibido apoyo”, declaró Fernández-Garrido. “La eliminación de esta represa permitirá el acceso a 1.523 kilómetros de río”.

En otros lugares de Europa se están acelerando esfuerzos de restauración similares.

En Francia, la eliminación de las presas de Vezins en 2020 y de La Roche-Qui-Boit en 2022, situadas en el río Sélune y que habían estado en funcionamiento desde las décadas de 1920 y 1930, permitió recuperar casi 90 kilómetros de río de caudal libre, en uno de los mayores proyectos de eliminación de presas jamás emprendidos en Europa.

En el Distrito de los Lagos de Inglaterra, el desmantelamiento de la presa de Bowston en 2022, en el río Kent, ha contribuido a restaurar un caudal más natural, mejorando las condiciones para los peces migratorios y los ecosistemas circundantes.

En Bélgica, la eliminación de alcantarillas en el bosque de Anlier está reconectando afluentes más pequeños que desempeñan un papel importante en la biodiversidad local.

España, Dinamarca, Suecia, Alemania y Estonia han emprendido proyectos de eliminación de barreras en los últimos años, aunque la magnitud de estos esfuerzos varía considerablemente entre países.

En 2025, Suecia eliminó la mayor cantidad de barreras, 173, seguida de Finlandia, con 143, y España, con 109.

Ortigara señaló que países del sur y sureste de Europa, como Eslovaquia, Croacia, Bosnia y Herzegovina, Grecia e incluso la Ucrania devastada por la guerra, también han llevado a cabo la eliminación de barreras en los últimos años.

En Estados Unidos, la eliminación de grandes presas ha demostrado la rapidez con la que los ríos pueden recuperarse una vez que se retiran las barreras.

En el río Klamath de California, el mayor proyecto de demolición de presas en la historia de Estados Unidos se completó en 2024, lo que permitió la reapertura de cientos de kilómetros de hábitat para peces migratorios. En el río Elwha de Washington, la demolición de presas anteriores restauró el flujo de sedimentos y propició el regreso de peces y vegetación tras más de un siglo de alteración. En Europa, muchas demoliciones aún involucran estructuras mucho más pequeñas —presas bajas, alcantarillas y barreras hidroeléctricas antiguas—, pero los expertos afirman que su impacto acumulativo está aumentando.

“Tenemos más de un millón de barreras en Europa”, dijo Ortigara. “Eliminar unos cientos cada año es un comienzo, pero no es suficiente”.

Según los expertos, el éxito dependerá de la restauración de tramos fluviales y cuencas hidrográficas enteras, la colaboración estrecha con las comunidades locales y la garantía de que, una vez restablecida la conectividad, esta se mantenga a lo largo del tiempo. “El verdadero reto ahora reside en la implementación: llevarla a cabo a gran escala y de forma estratégica”, declaró la Agencia Europea de Medio Ambiente.

“Cuando un río está vivo, tiene un sonido”, dijo Ortigara. “Se oye cómo gotea por las rocas. Se ve vegetación a su alrededor. Es un flujo de vida”.

En toda Europa, ese sonido está empezando a regresar.

 , in CNN Español - 27 de Maio de 2026

quinta-feira, 23 de abril de 2026

ALTO TAMEGA - BARRAGENS: PS PRESSIONA O GOVERNO SOBRE REPOSIÇÃO DE PONTE SUBMERSA NO ALTO TÂMEGA

 

ALTO TAMEGA - BARRAGENS

PS PRESSIONA O GOVERNO SOBRE REPOSIÇÃO DE PONTE SUBMERSA NO ALTO TÂMEGA


O Partido Socialista (PS) questionou o Ministério do Ambiente e Energia sobre a ausência de uma data concreta para a reposição da ponte de arame que ligava as aldeias de Monteiros e Veral, submersa desde o enchimento da albufeira da barragem do Alto Tâmega, em outubro de 2023.

A infraestrutura, que assegurava a ligação pedonal entre Monteiros, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, e Veral, em Boticas, desapareceu com o avanço das águas da barragem, integrada no Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET), concessionado à Iberdrola.
Numa pergunta enviada à Assembleia da República, os deputados socialistas, liderados por Pedro Vaz, interrogam a ministra Maria da Graça Carvalho sobre eventuais entraves ao projeto. Em concreto, querem saber se existe alguma objeção por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), se a responsabilidade pela obra continua atribuída à Iberdrola, qual o financiamento previsto e quando arrancará a construção.

APA afasta objeções e aponta para solução em articulação

O Ministério do Ambiente garante que a APA “não só não se opõe ao projeto” como acompanha o processo desde 2018, promovendo a articulação entre as autarquias e a empresa concessionária para viabilizar a reposição do acesso “no mais curto espaço de tempo”.
A tutela sublinha ainda que, enquanto autoridade de Avaliação de Impacte Ambiental, a APA tem monitorizado o cumprimento das condições impostas ao SET, incluindo a reposição de serviços afetados e a implementação de medidas compensatórias de natureza socioeconómica, entre as quais se inclui a reconstrução da ponte.

População continua sem alternativa próxima

O desaparecimento da travessia teve impacto direto no quotidiano das populações locais. Segundo o PS, os habitantes são agora obrigados a percorrer cerca de 50 quilómetros por estrada para um trajeto que anteriormente era feito a pé em poucos minutos.
Apesar de reuniões realizadas entre a APA, os municípios de Boticas e Vila Pouca de Aguiar, a Iberdrola e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, e da apresentação de um anteprojeto em novembro de 2023, o processo permanece parado.
No final de 2024, o então secretário de Estado do Ambiente, Emídio Sousa, terá garantido que as condições estariam reunidas no início de 2025 para o arranque da obra ainda durante o ano. No entanto, mais de um ano depois, os trabalhos continuam por iniciar.

Uma reivindicação antiga

A reposição da ponte tem sido uma reivindicação persistente das populações desde o anúncio da construção da barragem do Alto Tâmega. A causa tem mobilizado autarcas, associações locais e cidadãos, com petições e manifestações públicas a exigir uma solução.
O Sistema Eletroprodutor do Tâmega, um dos maiores projetos hidroelétricos da Península Ibérica, integra três barragens, Alto Tâmega, Daivões e Gouvães e respetivas centrais, sendo apontado como estruturante para a produção de energia renovável, mas também marcado por impactos locais que continuam por resolver.


A Redação com Lusa, in Canal N - 23 de Abril de 2026


quarta-feira, 22 de abril de 2026

ALTO TÂMEGA - BARRAGENS: PS quer saber quando vai ser reposta ponte de arame submersa no rio Tâmega


 

ALTO TÂMEGA - BARRAGENS

PS quer saber quando vai ser reposta ponte de arame submersa no rio Tâmega


O "desaparecimento da ponte teve um impacto significativo", pois obriga a fazer "50 quilómetros por estrada", relembrou o PS. O ministério do Ambiente diz que a APA tem ajudado os afetados.

O PS questionou o Ministério do Ambiente sobre uma data para a reposição da ponte de arame entre Monteiros e Veral, submersa após enchimento da albufeira da barragem do Alto Tâmega, no distrito de Vila Real.

População e autarcas têm reclamado a reposição da ponte de arame que une as aldeias de Monteiros (Vila Pouca de Aguiar) e Veral (Boticas), que ficou submersa depois de a Iberdrola ter iniciado o enchimento da albufeira da barragem, inserida no Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET) em outubro de 2023.

Numa pergunta dirigida à ministra do Ambiente e Energia, através da Assembleia da República, e remetida esta quarta-feira à agência Lusa, o grupo parlamentar do PS questionou a ministra Maria da Graça Carvalho sobre o projeto, querendo saber se a governante “tem conhecimento de alguma objeção por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) à reposição da ponte entre Monteiros e Veral”.

Na pergunta, cujo primeiro subscritor é o deputado Pedro Vaz, coordenador dos socialistas na Comissão de Ambiente e Energia, quer-se ainda saber se se mantém a responsabilidade pela execução do projeto de reposição da ponte atribuída à empresa Iberdrola, que montante de financiamento está previsto pelo Governo para a concretização do projeto e qual a data prevista para o início dos trabalhos de construção da estrutura.

O ministério do Ambiente disse, em resposta à agência Lusa, que a “APA não só não se opõe a este projeto como, desde 2018, acompanha as queixas das câmaras de Boticas e de Vila Pouca de Aguiar e promove iniciativas de articulação entre estas e a empresa promotora do SET, com vista ao desenvolvimento e operacionalização da solução de reposição do acesso em causa, no mais curto espaço de tempo”.

Acrescentou que a APA, na qualidade de autoridade de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA), tem vindo a acompanhar a implementação do SET, assim como a verificação do cumprimento das condições impostas nas decisões e pareceres ambientais emitidos e aplicáveis.

Segundo o ministério, entre estas condições salientam-se “a reposição dos serviços afetados e o pacote de medidas compensatórias de cariz socioeconómico, nas quais se inclui o acesso indicado, inerentes ao plano de ação, em que esta infraestrutura se insere”.

Na pergunta subscrita por 11 deputados, o PS lembrou que o “desaparecimento da ponte teve um impacto significativo, porque obriga os habitantes a percorrer cerca de 50 quilómetros por estrada para fazer um trajeto que antes era feito a pé em poucos minutos”.

Segundo os socialistas, depois de várias reuniões entre a APA, câmaras municipais de Boticas e Vila Pouca de Aguiar, Iberdrola e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) sobre a reposição da ponte de arame, em novembro de 2023, os presidentes das câmaras reuniram com as populações e apresentaram o anteprojeto para a reposição da ponte, mas “o projeto não teve continuidade, tendo sido transmitido que o processo aguarda decisão da APA”.

No final de 2024, em reunião entre o então secretário de Estado do Ambiente Emídio Sousa, os autarcas de Boticas e de Vila Pouca de Aguiar, a APA e a associação “Amigos da Ponte”, foi “garantido que no início de 2025 estariam reunidos todos os pormenores para que, ao longo do ano, fosse possível iniciar a construção”, no entanto, “volvido mais de um ano ainda não teve início a construção da ponte”.

Desde o anúncio da construção da barragem do Alto Tâmega que a população luta pela ponte. À sua reivindicação juntaram-se os autarcas dos dois concelhos, tendo subscrito petições e feito manifestações.

O SET, concessionado à espanhola Iberdrola, é um complexo formado por três barragens e três centrais hidroelétricas: Alto Tâmega, Daivões e Gouvães.


Agência Lusa, in Observador - 22 de Abril de 2026