segunda-feira, 30 de março de 2009
PNBEPH - Barragens de Fridão: Que ferida nos vão criar?!
Fridão! Que ferida nos vão criar?!
Depois da sessão de esclarecimento "Como podem os cidadãos participar nos Estudos de Impacte Ambiental - EIA", organizada pela Junta de Freguesia de Mondim, fiquei com a ideia que grande parte das pessoas presentes não quer a barragem.
Algumas conclusões (minhas!):
1. Depois de elaborado o EIA, o mesmo estará disponível num conjunto de entidades públicas. Em Mondim estará disponível na Câmara Municipal e Juntas de Freguesia afectadas, apenas durante um mês;
2. Opiniões colectivas sobre o EIA, têm mais força;
3. Central será reversível (segundo alguns oradores. No portal do governo não tem essa informação), o que provoca variações significativas nas quotas da albufeira. Provocando erosão e ainda pouca atractividade para criação de praias fluviais;
4. Não construção da Barragem de Fridão, não é solução, já que teremos mais quatro a montante de Mondim que provocará uma qualidade inferior na água do rio; As próprias Câmaras Municipais são sócias das sociedades;
5. Dado que grande parte dos Concelhos da bacia hidrográfica do Tâmega não têm saneamento, agravará a possibilidade de o rio de transformar numa "fossa";
6. Planos e mais planos e nenhum funciona;
7. Algum alheamento das autarquias;
8. Falta de confiança que as sugestões de minimização dos impactes negativos, sejam implementadas. De que valem os contratos, vejam o exemplo da variante do tâmega!
Era um contrapartida pelo encerramento da linha férrea entre Amarante e o Arco de Baúlhe.
Rui Miguel Borges, in Casa do Eiró - 30 de Março de 2009
PNBEPH - Barragem de Fridão: F(e)ridão Ambiental
F(e)ridão Ambiental
Em Basto continua-se a debater a barragem de Fridão,agora o EIA(estudo de impacte ambiental), e o ultimo debate em Mondim mostra um grande inconformismo por parte da população, que sem interesses dentro da Edp, mostram e provam a preocupação com uma boa adesão aos debates acerca do tema.
Há interesse por parte da população que esbarra sempre na pouca vontade politica a expor o projecto e o futuro que o mesmo nos reserva.
Poucos continuam a ser aqueles que vêem a barragem como boa, poucos mas os que realmente tem poder, concedido pelo povo, mas nenhum eleitor consentiu a construção da barragem no acto de eleição, por isso não percebo como as autarquias conseguiram dar um parecer positivo à sua construção antes de sondarem minimamente a população.
Como nos diz José António Nobre, "a teia que une e que separa os que vieram e os que não puderam ou não quiseram vir, é como esse Rio que todos juram amar e que tanto nos liga como nos serve de fronteira."
O Tâmega e a problemática da barragem de Fridão, tem agregado as nossas populações de Basto numa busca de informação acesa. É um problema sistémico, e não isolado, no qual nos devemos envolver.
Eu temo pelo ambiente, e pelo nosso microclima que nos garante distinção. E temo que a população interessada não esteja a ser vista com o respeito que tanto merecem. Temo que o futuro desta terra esteja a ficar comprometido.
Carlos Leite, in Pensar Basto - 30 de Março de 2009
domingo, 29 de março de 2009
INDONÉSIA: Ruptura de barragem faz 93 mortos
Número não pára de aumentar. Maioria das vítimas são crianças e mulheres
Ruptura de barragem faz 93 mortos
A ruptura de uma barragem nos arredores da capital da Indonésia, Jacarta, na passada sexta-feira, continua a dar que falar, uma vez que o número de mortos não pára de aumentar.
Segundo o El País, 93 vítimas mortais estão confirmadas, mas ainda há dezenas de desaparecidos.
> VEJA O VÍDEO
As autoridades prosseguem as buscas por sobreviventes, contando com a ajuda de cães e escavadoras. No entanto, o resgate é muito lento porque a lama e os escombros dificultam o avanço das equipas.
Entre as vítimas mortais estão várias crianças e mulheres, uma vez que na altura do acidente ainda estariam a dormir nas suas casas.
> VEJA AS FOTOS
Na sexta-feira, as chuvas torrenciais fizeram ruir um dos paredões da barragem.
Uma vaga de água libertada, na zona industrial de Tangerang, atingiu uma zona residencial densamente povoada, submergindo 500 habitações.
Redacção / CP, in IOL Portugal Diário - 29 de Março de 2009
sábado, 28 de março de 2009
Barragens em Fridão: Segurança Zero
A Conferência-debate sobre "Riscos Induzidos pela Barragem de Fridão", organizada pela Câmara Municipal de Amarante e que decorreu a 20 de Março no Salão Nobre, trouxe até nós conferencistas de relevo, ligados a diversas instituições como o LNEC, a FEUP e o INAG.
Ficou evidente que todos eles estavam de acordo, para nos "vender" a ideia de que as Barragens de Fridão e do Borralheiro, não ofereciam qualquer perigo para Amarante!!!
Pena foi que no painel de convidados reinasse o unanimismo cúmplice!
Mas apesar da relevância dos currículos individuais de cada um dos conferencistas, nada disseram que pudesse tranquilizar os amarantinos...!
Aliás, espremidas as intervenções que fizeram, podem resumir-se a uma só afirmação: Não se preocupem, porque estão em boas mãos!
Contudo, não foram capazes de assumir que garantiam a segurança absoluta das barragens!
Até porque se a segurança absoluta pudesse ser garantida, eram perfeitamente inúteis os Regulamentos de Segurança de Barragens(RSB) que exigem a construção de Cartas de Risco, Planos de Emergência e a identificação clara de Sistemas de Aviso e Alerta e Previsão de Evacuação das Populações!
Restou claro que há sempre a possibilidade (por muito remota que nos possa parecer!) de colapso das barragens e aí será um "Deus nos acuda" ou atendendo à proximidade das barragens (uma a 3Km e outra a 6Km) um "salve-se quem puder" que de pouco serviria à população amarantina e aos forasteiros que por cá estivessem!
Hoje é universalmente aceite que a SEGURANÇA ..."pressupõe a continuidade da existência do que nos rodeia, ou da realidade tal como é considerada no presente ou é prevista no futuro, sem perturbações que provoquem prejuizos ou danos relativamente significativos, de ordem material ou imaterial, incluindo a perda de vidas."
Vista por este prisma, a situação agrava-se, pois para além do elevado número de vítimas que um colapso das barragens provocaria, perderemos de qualquer modo (a construirem-se aquelas barragens!) outros valores que são inestimáveis a nível local!
Perderíamos o "valor imaterial" que constituem as nossas mais belas paisagens; "ganharíamos" um agravamento dos valores da humidade que já de si é elevada ao longo do vale; veríamos agravado o estado de deterioração das águas e do ar; perderíamos em termos de condições climáticas para a agricultura, e para a saúde e o "totoloto" iria trazer-nos um sem número de inconvenientes que se reflectiriam profundamente no agravamento da qualidade de vida dos amarantinos!
Com a construção daquelas barragens a nossa segurança ficaria reduzida a ZERO.
Contudo, a percepção do risco por parte dos amarantinos é cada vez maior e, a sua reacção será tanto mais firme, quanto mais nos quiserem impor tal risco!
Já todos perceberam que com a construção dessas barragens, nada têm a ganhar e tudo podem perder!
É ridículo que alguns nos venham agora falar de altruismo, muito preocupados com o défice energético nacional! Até porque as Barragens de Fridão não iriam inverter o défice e até o próprio INAG previu a possibilidade de desistir das Barragens de Fridão e avançar para a opção Salamonde II, onde os impactos não seriam significativos!
Estou convencido que o bom senso irá impor-se e brevemente todos os amarantinos, sem excepção, dirão de forma muito clara que não aceitam guilhotinas suspensas sobre o futuro dos seus filhos!
Aliás a História acabará por julgar aqueles que por actos ou omissões, colaborarem no crime de condenar Amarante e o vale do Tâmega à destruição!
A nossa Democracia, não pode ignorar que os amarantinos têm de ser actores principais no processo de decisão!
Quem quererá assumir o papel de COVEIRO DA IDENTIDADE AMARANTINA?
Barragens em Fridão!? Não, muito obrigado!
António Aires, in ForçaFridão - 28 de Março de 2009
sexta-feira, 27 de março de 2009
Parte de uma barragem nos arredores da capital da Indonésia ruiu
Parte de uma barragem nos arredores da capital da Indonésia ruiu e fez cerca de 50 mortos
Indonésia: «Não há estrangeiros entre as vítimas»
O embaixador de Portugal em Jacarta disse à Lusa que não há cidadãos estrangeiros envolvidos no acidente ocorrido esta sexta-feira numa barragem nos arredores da capital da Indonésia, citando informações das autoridades sanitárias locais, escreve a Lusa.
«As autoridades sanitárias dizem-nos que há 39 mortos, 7 feridos e 18 desaparecidos e que não há estrangeiros», disse Carlos Frota, contactado telefonicamente pela Lusa em Jacarta, onde residem «algumas dezenas» de portugueses.
«O que as autoridades sanitárias garantem é que não há estrangeiros. Portanto, à pergunta sobre se há portugueses, nós respondemos, com aquilo que as autoridades fornecem, não há estrangeiros neste acidente», explicitou o embaixador.
50 mortos
Carlos Frota adiantou à Lusa que o jornal indonésio «Jakarta Post» indica já a existência de 50 mortos, o que deverá representar uma «actualização» da situação.
O diplomata disse ainda à Lusa que, de acordo com informações da imprensa indonésia, foram as chuvas torrenciais que fizeram ruir um dos paredões da barragem.
Uma vaga de água libertada pelo acidente na barragem, na zona industrial de Tangerang, atingiu uma zona residencial densamente povoada, submergindo 500 habitações cujos ocupantes estavam na sua maioria a dormir.
Equipas de salvamento foram destacadas para a zona, onde a água atinge uma altura de dois metros em certos pontos.
Redacção/PP, in IOL - Portugal Diário - 27 de Março de 2009
Indonésia - Destruição de barragem causa mortos

INDONÉSIA
Destruição de barragem causa mortos
A destruição de uma barragem nos arredores da capital da Indonésia, Jacarta, provocou esta sexta-feira pelo menos 52 mortos, informaram as autoridades admitindo que este número possa vir a subir.
A vaga de água libertada pelo colapso da barragem, localizada na zona industrial de Taerang, destruiu uma zona residencial densamente povoada, submergindo meio milhar de habitações cujos ocupantes se encontravam a dormir.
Destruição de barragem na Indonésia provoca pelo menos 50 mortos

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Destruição de barragem na Indonésia provoca pelo menos 50 mortos
O número de mortos provocados pela destruição de uma barragem nos arredores da capital da Indonésia, Jacarta, subiu para pelo menos 50, anunciaram as autoridades.
Uma vaga de água libertada pelo acidente na barragem, na zona industrial de Tangerang, embateu numa área residencial densamente povoada, submergindo 500 habitações cujos ocupantes estavam na sua maioria a dormir.
Equipas de salvamento foram destacadas para o local, onde a água atinge uma altura de dois metros em certos pontos.
As autoridades ainda não conseguiram apurar o que provocou a destruição da barragem, com dez metros de altura.
in TSF - 27 de Março de 2009
terça-feira, 24 de março de 2009
Barragem de Fridão - Estudo de Impacte Ambiental: Sessão de Esclarecimento em Mondim de Basto
Barragem de Fridão - Estudos de Impacte Ambiental (EIA)
Sessão de Esclarecimento em Mondim de Basto
Sessão de
esclarecimento
Barragem do Fridão
Estudo de Impacto Ambiental – EIA
A Junta de Freguesia de Mondim de
Basto vai promover no próximo dia 27 de Março, pelas 21h30, na Casa da Cultura
de Mondim de Basto, uma sessão de esclarecimento relativo ao Estudo de Impacte
Ambiental – EIA. O EIA tem como
objectivo a caracterização e apresentação técnica de todos os impactes
significativos do projecto, negativos ou positivos, e de todas as medidas
propostas para evitar, minimizar ou compensar os impactes negativos
identificados, para as várias alternativas em estudo e descritos considerados –
Clima, Geologia e geomorfologia, Recursos Hídricos e Qualidade do Ar, Ruído,
Diversidade Biológica, Solos, Planeamento e Gestão do Território, Património
Cultural, Paisagem e Componente Social.
Os objectivos que norteiam esta
iniciativa visam, acima de tudo, conhecer a importância que este documento tem como
instrumento basilar nos aspectos ambientais, quer positivos ou negativos, que
possam implicar na fauna, flora ou desenvolvimento local, aferindo os
benefícios ou malefícios que daí possam advir.
Torna-se imperioso olhar para um
documento com a importância que este virá a revelar e, sem preconceitos
prévios, saber lê-lo nas suas várias dimensões. Assim, esta sessão destina-se a
conferir objectividade na sua leitura, extraindo os elementos suficientes que o
orientem, por um lado ao seu conhecimento, por outro à tomada de opiniões
fundamentadas de todos os interessados.
Numa perspectiva mais
direccionada, aspira também a munir os interessados de variáveis e dados que
lhes permitam saber a quem recorrer em situações que sejam objecto de
reclamações, ou a quem de direito se devem dirigir em reivindicações derivadas de
factores pouco consistentes deste estudo encomendado pela EDP.
Neste sentido, o Executivo da
Junta de Freguesia de Mondim de Basto convida todos os interessados a
comparecerem no próximo dia 27 para assistirem a apresentação feita pelo
especialista em estudos ambientais Professor Rui Cortes da Universidade da
UTAD.
Junta de Freguesia de Mondim de Basto - Mondim de Basto - 27 de Março de 2009
segunda-feira, 23 de março de 2009
PNBEPH - TÂMEGA: GOVERNO DO PARTIDO SOCIALISTA PRETENDE SECAR O “ÔLO” E AFOGAR O “TÂMEGA”
GOVERNO DO PARTIDO SOCIALISTA PRETENDE SECAR O “ÔLO” E AFOGAR O “TÂMEGA”
O Governo do Partido Socialista do José Sócrates decidiu secar o rio Ôlo, através do transvase das suas águas para a barragem de Gouvães e afogar o rio Tâmega através da barragem de Fridão.Com estas medidas os socialistas vão transformar o nosso rio Tâmega num enorme lago de água podre, e fazer desaparecer do mapa as quedas de água das Fisgas de Ermelo.
Depois de nos encerrar metade das escolas, de nos proibir de adoecer durante a semana após as vinte horas e aos fins-de-semana após as dezasseis horas e de não tomar nenhuma medida a nível local para criar postos de trabalho, fixar pessoas e atenuar a desertificação, os socialistas, apoiados no silêncio cúmplice do PSD e do CDS-PP, parecem agora apostados em destruir de uma só vez dois dos nossos três principais pólos de atracção turística, comprometendo desta forma, seriamente, o desenvolvimento do concelho na área do turismo.
Esta decisão do Governo socialista é por isso muito grave, uma vez que põe em causa o futuro das novas gerações de mondinenses, e até mesmo, a médio prazo a própria autonomia administrativa do concelho de Mondim.
Para tentar contrariar esta pretensão do Governo socialista está a decorrer na Internet um abaixo-assinado, em defesa do Tâmega e do Ôlo, que caso recolha cinco mil assinaturas será obrigatório que o assunto seja discutido na Assembleia da República.
É uma das diversas formas de protesto que os mondinenses têm ao seu dispor para fazer ouvir em Lisboa a voz do seu descontentamento.
Eu assinei-a e apelo a que você faça o mesmo. Se vamos ou não com isso conseguir impedir a decisão do governo socialista, logo se verá. Mas uma coisa me parece certa: quem luta umas vezes ganha outras vezes perde. Quem não luta perde sempre. E tudo é preferível a aceitar de braços caídos, como se de uma manada de carneiros, tocadas pelo pastor, se tratasse, uma decisão que fere até à raiz a essência da nossa identidade.
Os interessados em assinar a petição devem fazê-lo em: http://www.petitiononline.com/PABA/petition.html.
A sua assinatura é importante.
António Martins, in o chato - 23 de Março de 2009
sábado, 21 de março de 2009
Amarante: Especialistas em engenharia não tranquilizam adversários da barragem de Fridão
Reunião ontem à noite em Amarante
Especialistas em engenharia não tranquilizam adversários da barragem de Fridão
Os quatro especialistas de engenharia civil convidados pela Câmara Municipal de Amarante para um debate, ontem à noite, sobre a segurança da barragem de Fridão, no rio Tâmega, não conseguiram tranquilizar os adversários da sua construção.O debate sobre segurança das barragens reuniu dois dirigentes do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), o presidente Carlos Matias Ramos e o responsável do Departamento de Barragens de Betão, Carlos Pina, um representante do Instituto da Água (INAG), João Avilez e ainda Ferreira Lemos, director do Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).
Carlos Ramos disse à Lusa que compreende a "intranquilidade e o desconforto" da população de Amarante, mas assegura que nunca houve um acidente numa barragem em Portugal que tenha sido acompanhada pelo LNEC e que estes empreendimentos, além de cumprirem rigorosos controlos durante o projecto e a construção, são monitorizados permanentemente durante a sua fase de exploração.
"Há um sentimento [de insegurança] que eu entendo perfeitamente, mas entendo também que a nossa lógica é técnica, de quem dedicou toda uma vida a este tipo de obras e à melhoria dos procedimentos tendo em vista uma antecipação dos problemas e um melhor dimensionamento", disse Carlos Ramos à Lusa.
"O que sabemos hoje é muito mais do que sabíamos em 1954 [quando foi construída a barragem do Cabril, no rio Zêzere, a primeira construída exclusivamente pela engenharia portuguesa]", concluiu o presidente do LNEC.
O responsável do LNEC pela área de barragens, Carlos Pina, insistiu que qualquer empreendimento deste tipo terá obrigatoriamente planos de emergência internos e externos e assegurou que num hipotético acidente há tempo suficiente para executar um plano de evacuação, colocando a salvo a população da cidade.
O debate girou também em redor do tempo de evacuação da população da cidade no caso de um acidente, que os ambientalistas e adversários da barragem estimam ser de apenas meia hora, mas há também respostas que apenas vão ser obtidas na fase de execução do projecto, como a questão de saber "até onde chegará a onda", ou seja, que zonas de Amarante serão inundadas, no caso de ocorrer um colapso do paredão da barragem.
Por esclarecer ficou também a questão da sismicidade da zona, assinalada num relatório elaborado há 17 anos, mas que os técnicos procuraram minimizar, garantindo que serão feitos estudos rigorosos para o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) e que a barragem, a ser construída, será dotada de instrumentos de registo de sismicidade.
Na fase de debate, o líder do movimento local de contestação à obra acusou os técnicos de serem pessoas ligadas à engenharia das barragens, apesar da sua elevada reputação técnica, e de terem vindo ao debate com o intuito de "defender a sua dama".
Para esta ideia, que perpassou em parte da assistência, contribuiu a apresentação inicial do vice-presidente do LNEC, ao deixar a "profecia" de que nenhum argumento conseguirá travar a construção das barragens no rio Tâmega, sobretudo se atentarmos à sua valia económica.
"Nos próximos anos passaremos várias por esta cidade na visita às barragens que se vão construir no Tâmega", afirmou Carlos Pina, ao saudar a hospitalidade de Amarante.
Ferreira Lemos, da FEUP, realçou a "cultura de segurança" dos empreendimentos hidroeléctricos e, socorrendo-se de material da EDP, mostrou a antevisão das duas barragens, indicando que os planos da empresa prevêem que comece a produzir energia em 2016 e que a sua construção iniciar-se-á em 2012.
Para João Avilez, do INAG, a adjudicação à EDP é ainda provisória mas também este responsável salienta a valia económica da barragem de Fridão que contribuirá, com os outros nove empreendimentos lançados pelo Governo, para elevar a produção hidroeléctrica portuguesa para os 8.000 MW.
O estudo prévio da EDP relativamente a Fridão define a construção de uma barragem principal com quase uma centena de metros de altura e de um contra-embalse com 30 metros, este a apenas três quilómetros de Amarante, que os técnicos asseguram ser necessário para "modelar" [regularizar] o caudal do rio Tâmega na área urbana da cidade.
A Câmara de Amarante promete realizar outro debate sobre a barragem, este sobre os impactes ambientais sobre a cidade, uma área onde os ambientalistas e adversários da obra esperam ganhar algum terreno e ter argumentos mais convincentes para contrapor ao designado "lóbi dos engenheiros e do betão".
Lusa, in Público - 21 de Março de 2009
sexta-feira, 20 de março de 2009
O Estado Proxeneta [El Estado proxeneta]
O Estado proxeneta [El Estado proxeneta]
Há pouco a dizer sobre a manifestação na quarta-feira, em Murcia. Lá, todos juntos, e sem grandes questões, defendem os seus interesses, quer económicos ou políticos, que no final acabam por ser o mesmo. Com números na mão, as análises de produções, os fluxos e necessidades da bacia do Tejo, um transvase na cabeceira do nosso rio não espera, especialmente se considerarmos as condições ambientais impostas pela União Europeia; e, mais importante, se tivermos em conta que o rio Tejo é um rio que já perdeu 49% de seus recursos naturais na secção compreendida desde as nascentes até Aranjuez.Isso não tem retorno patrimonial. O problema surge quando o Estado quer manter o status quo herdado do Franquismo, mesmo sendo um governo do PSOE ou do PP, e quando os interesses dos operadores do Tejo estão sujeitos à ordem política de manter a todo o custo um transvase que se sabe que é irracional e insustentável. Em última análise, um Estado Proxeneta que se move, não pela legalidade ou pela justiça, mas sim por roubar aos pobres para dar aos ricos, porque eles sabem que existem votações e as pessoas têm de defender o que é deles.
O transvase do Tejo é um roubo. Em Múrcia, sabem que os números que estão manejando e o barulho que está sendo montado, especialmente a partir de Talavera de la Reina, será muito difícil estabelecer um plano para a bacia hidrográfica como o avançado no Esquema Provisional de Temas Importantes, onde a nossa Cidade não existia. E este não foi por acidente ou negligência. E em Múrcia sabem - e no Ministério - se Talavera entra em jogo, acaba o transvase.
A História vai mudar, e os políticos da nossa região, os do PP e do PSOE, deveriam começar a utilizar algum neurónio. Não é possível a vergonha em contemplar como os partidos mais importantes em Castela-La Mancha se retraiam quando se trata do transvase do Tejo, cuja a eliminação deveria ser a maior aspiração de qualquer representante político da região. Assim, Castilla-La Mancha não será mais do que uma colónia mineira no Levante enquanto não se celebra o dia da região dinamitando os tubos do transvase em Bolarque e deixando o Tejo fluir rumo ao seu destino. Até então, não será mais do que uma "hidrocolónia" com alguns senhoritos levantinos que ocasionalmente cheguem para vigiar o que aqui vai acontecer.
Eu, pessoalmente, tenho vergonha de ter alguns representantes políticos, sejam do PSOE ou do PP, que não têm "tomates" ou ovários em dizer as coisas como elas são, e tanto me importa que Barreda queira levar o Tejo à "Cidade Real" e se Cospedal quer manter o circo em três pistas. Tanto me importa. O Tejo, o mais importante elemento cultural da Ibéria, não poderia ser um rio nas mãos de proxenetas. E podemos estar cientes de que a História, em maiúsculas, está prestes a mudar.
Miguel Ángel Sánchez (El Estado proxeneta), in La Tribuna de Talavera - 20 de Março de 2009
domingo, 15 de março de 2009
Novas barragens ameaçam sobrevivência da lampreia
Novas barragens ameaçam sobrevivência da lampreia
A crescente popularidade das lampreias à mesa dos portugueses explica, em parte, a diminuição das populações existentes nos rios. É por isso que no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal a lampreia continua a ser classificada como "vulnerável". Ainda que na última década a situação tenha estabilizado, nos anos 80 e 90 a espécie sofreu perdas que enfraqueceram muito a sua presença em águas portuguesas, devido sobretudo à pesca furtiva. Agora pode vir aí mais um "atentado" à lampreia: a construção de novas barragens.
O biólogo marinho Pedro Raposo de Almeida explica que "a construção de grandes barragens vai prejudicar as populações de lampreias". Aliás, a criação de reservatórios artificiais de água é um dos motivos que fazem com que este peixe seja uma espécie ameaçada, uma vez que contribuem para "a destruição do habitat", explica o especialista.
Por outro lado, o biólogo aponta "a pesca furtiva" e "o facto de não haver um plano nacional de conservação", como grandes obstáculos à saída da lampreia da zona de risco.
Pedro Raposo adverte que há recomendações feitas por especialistas ao Governo, que são ignoradas. E dá um exemplo: "Há mais de dez anos que a minha equipa defende uma passagem para peixes no açude do rio Mondego, que ainda por cima é da responsabilidade do Ministério do Ambiente, mas o pedido está na gaveta. Ia ser importante porque permitiria aumentar o habitat da espécie."
As alterações climáticas completam o rol de "atentados" à espécie e há períodos que têm sido devastadores. No ano passado, Pedro Raposo foi com a sua equipa de biólogos da Universidade de Évora tentar recolher uma amostra de um destes animais no rio Guadiana, mas não conseguiu. É a prova de que o peixe estava a escassear num local onde já foi abundante.
E, se por um lado, Portugal continua a figurar na lista de países onde a espécie é ameaçada, por outro, é também uma referência internacional no estudo da lampreia.
Como explica Pedro Raposo, há vários biólogos europeus que "pedem conselhos à minha equipa e aplicam-nos" nos seus estudo sobre esta espécie. No entanto, confessa num tom desiludido, "em Portugal os conselhos muitas vezes não são tidos em conta."
Porém, tal não impede o biólogo de ter várias publicações na área e de ter feito novas descobertas sobre a espécie, como o facto das lampreias "serem más nadadoras."
Raposo não desiste de lutar pela conservação deste peixe, mas garante que a extinção não está em causa devido "à capacidade que a lampreia tem para se adaptar a adversidades". Neste aspecto, o biólogo lembra que esta é uma espécie animal que já existe há 300 milhões de anos e que resistiu a inúmeras catástrofes naturais.
Enquanto em Portugal estão ameaçadas, nos Estados Unidos as lampreias são quase uma praga. O peixe foi acidentalmente introduzido em águas norte-americanas por acção do homem e acabou por se reproduzir em grandes quantidades. Tal fez com que as autoridades dos EUA e do Canadá já tenham investido milhões de dólares a tentarem controlar as lampreias. Uma ironia da Natureza.
Rui Pedro Antunes, in Diário de Notícias - 15 de Março de 2009
PNBEPH - AMBIENTE: Novas barragens ameaçam sobrevivência da lampreia
PNBEPH - AMBIENTE
Novas barragens ameaçam sobrevivência da lampreia
A crescente popularidade das lampreias à mesa dos portugueses explica, em parte, a diminuição das populações existentes nos rios. É por isso que no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal a lampreia continua a ser classificada como "vulnerável". Ainda que na última década a situação tenha estabilizado, nos anos 80 e 90 a espécie sofreu perdas que enfraqueceram muito a sua presença em águas portuguesas, devido sobretudo à pesca furtiva. Agora pode vir aí mais um "atentado" à lampreia: a construção de novas barragens.
O biólogo marinho Pedro Raposo de Almeida explica que "a construção de grandes barragens vai prejudicar as populações de lampreias". Aliás, a criação de reservatórios artificiais de água é um dos motivos que fazem com que este peixe seja uma espécie ameaçada, uma vez que contribuem para "a destruição do habitat", explica o especialista.
Por outro lado, o biólogo aponta "a pesca furtiva" e "o facto de não haver um plano nacional de conservação", como grandes obstáculos à saída da lampreia da zona de risco.
Pedro Raposo adverte que há recomendações feitas por especialistas ao Governo, que são ignoradas. E dá um exemplo: "Há mais de dez anos que a minha equipa defende uma passagem para peixes no açude do rio Mondego, que ainda por cima é da responsabilidade do Ministério do Ambiente, mas o pedido está na gaveta. Ia ser importante porque permitiria aumentar o habitat da espécie."
As alterações climáticas completam o rol de "atentados" à espécie e há períodos que têm sido devastadores. No ano passado, Pedro Raposo foi com a sua equipa de biólogos da Universidade de Évora tentar recolher uma amostra de um destes animais no rio Guadiana, mas não conseguiu. É a prova de que o peixe estava a escassear num local onde já foi abundante.
E, se por um lado, Portugal continua a figurar na lista de países onde a espécie é ameaçada, por outro, é também uma referência internacional no estudo da lampreia.
Como explica Pedro Raposo, há vários biólogos europeus que "pedem conselhos à minha equipa e aplicam-nos" nos seus estudo sobre esta espécie. No entanto, confessa num tom desiludido, "em Portugal os conselhos muitas vezes não são tidos em conta."
Porém, tal não impede o biólogo de ter várias publicações na área e de ter feito novas descobertas sobre a espécie, como o facto das lampreias "serem más nadadoras."
Raposo não desiste de lutar pela conservação deste peixe, mas garante que a extinção não está em causa devido "à capacidade que a lampreia tem para se adaptar a adversidades". Neste aspecto, o biólogo lembra que esta é uma espécie animal que já existe há 300 milhões de anos e que resistiu a inúmeras catástrofes naturais.
Enquanto em Portugal estão ameaçadas, nos Estados Unidos as lampreias são quase uma praga. O peixe foi acidentalmente introduzido em águas norte-americanas por acção do homem e acabou por se reproduzir em grandes quantidades. Tal fez com que as autoridades dos EUA e do Canadá já tenham investido milhões de dólares a tentarem controlar as lampreias. Uma ironia da Natureza.|
Redacção DN (Rui Pedro Antunes), in Diário de Notícias - 15 de Março de 2009
quinta-feira, 12 de março de 2009
Pelos vistos só há vantagens!: Câmara de Cabeceiras debate “Barragem de Fridão” do ponto de vista da EDP e (já agora) do Governo

Pelos vistos só há vantagens!
Câmara de Cabeceiras debate “Barragem de Fridão” do ponto de vista da EDP e (já agora) do Governo
Administrador António Pacheco Castro que é parte interessada no processo foi o único convidado
A Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto promoveu no passado dia 13 de Fevereiro uma Conferência subordinada ao tema “A Barragem de Fridão e o Desenvolvimento das Terras de Basto. Como único orador foi convidado o Administrador da EDP António Pacheco Castro, empresa que vai construir a Barragem e que pelo facto é parte interessada (e de que maneira) no processo.
Supostamente e segundo se pode ler no site da autarquia na Internet, o objectivo deste debate, assim como outros que a Câmara promove é formar, informar e sensibilizar a população para este e para outros temas. Pelo menos neste debate e ao que pudemos apurar, o contraditório não existiu, até porque só havia um orador a defender a construção da Barragem. Ainda por cima um administrador que com toda a certeza aufere um vencimento mensal com vários dígitos e que não perdeu esta oportunidade, dada pela autarquia cabeceirense para dizer maravilhas do projecto e descansar os mais preocupados com a eminência de eventuais impactos negativos que o empreendimento possa vir a originar no Rio Tâmega, desde Amarante até Cavez.
A Câmara reconhece no seu site que a Barragem de Daivões atingirá território da freguesia de Cavez. No mesmo site da Câmara pode ler-se “que o empreendimento a levar a cabo pela EDP Produção até 2016 terá uma potência nominal na rede de 250 megawatts e produzirá energia superior às necessidades da população dos concelhos de Amarante, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto e Ribeira de Pena.
De referir ainda que a albufeira da Barragem de Padroselos, no Rio Beça, irá atingir território da freguesia de Gondiães, enquanto que a Albufeira de Daivões, no Rio Tâmega, atingirá territórios das freguesias de Cavez e de Vilar de Cunhas.”
Quatro Barragens no Tâmega para produzir (apenas) 3% do consumo eléctrico nacional. Este projecto faz parte do Complexo Hidroeléctrico do Alto Tâmega, onde se prevê a construção de quatro novas barragens: Gouvães no Rio Louredo, Padroselos no Rio Beça, Alto Tâmega e Daivões no Rio Tâmega, a executar entre 2012 e 2018.
Calcula-se que as quatro barragens venham a produzir cerca de 2000 gigawatts hora ao ano, o que representa cerca de três por cento do consumo eléctrico nacional, pode ler-se no mesmo site.
in O Basto,
quarta-feira, 11 de março de 2009
Impactos ambientais das novas barragens suscitam dúvidas
A Quercus denuncia que estas infra-estruturas vão aumentar o problema de eutrofização já patente nos rios nacionais, nomeadamente no rio Tâmega, considerando que o ganho energético não justifica os danos ecológicos inerentes.

















