segunda-feira, 30 de março de 2009

PNBEPH - Barragens de Fridão: Que ferida nos vão criar?!

PNBEPH - Barragem de Fridão
Fridão! Que ferida nos vão criar?!

Depois da sessão de esclarecimento "Como podem os cidadãos participar nos Estudos de Impacte Ambiental - EIA", organizada pela Junta de Freguesia de Mondim, fiquei com a ideia que grande parte das pessoas presentes não quer a barragem.

Algumas conclusões (minhas!):

1. Depois de elaborado o EIA, o mesmo estará disponível num conjunto de entidades públicas. Em Mondim estará disponível na Câmara Municipal e Juntas de Freguesia afectadas, apenas durante um mês;

2. Opiniões colectivas sobre o EIA, têm mais força;

3. Central será reversível (segundo alguns oradores. No portal do governo não tem essa informação), o que provoca variações significativas nas quotas da albufeira. Provocando erosão e ainda pouca atractividade para criação de praias fluviais;

4. Não construção da Barragem de Fridão, não é solução, já que teremos mais quatro a montante de Mondim que provocará uma qualidade inferior na água do rio; As próprias Câmaras Municipais são sócias das sociedades;

5. Dado que grande parte dos Concelhos da bacia hidrográfica do Tâmega não têm saneamento, agravará a possibilidade de o rio de transformar numa "fossa";

6. Planos e mais planos e nenhum funciona;

7. Algum alheamento das autarquias;

8. Falta de confiança que as sugestões de minimização dos impactes negativos, sejam implementadas. De que valem os contratos, vejam o exemplo da variante do tâmega! 

Era um contrapartida pelo encerramento da linha férrea entre Amarante e o Arco de Baúlhe.

Rui Miguel Borges, in Casa do Eiró - 30 de Março de 2009

PNBEPH - Barragem de Fridão: F(e)ridão Ambiental

PNBEPH - Barragem de Fridão
F(e)ridão Ambiental

Em Basto continua-se a debater a barragem de Fridão,agora o EIA(estudo de impacte ambiental), e o ultimo debate em Mondim mostra um grande inconformismo por parte da população, que sem interesses dentro da Edp, mostram e provam a preocupação com uma boa adesão aos debates acerca do tema. 

Há interesse por parte da população que esbarra sempre na pouca vontade politica a expor o projecto e o futuro que o mesmo nos reserva. 

Poucos continuam a ser aqueles que vêem a barragem como boa, poucos mas os que realmente tem poder, concedido pelo povo, mas nenhum eleitor consentiu a construção da barragem no acto de eleição, por isso não percebo como as autarquias conseguiram dar um parecer positivo à sua construção antes de sondarem minimamente a população.

Como nos diz José António Nobre, "a teia que une e que separa os que vieram e os que não puderam ou não quiseram vir, é como esse Rio que todos juram amar e que tanto nos liga como nos serve de fronteira."

O Tâmega e a problemática da barragem de Fridão, tem agregado as nossas populações de Basto numa busca de informação acesa. É um problema sistémico, e não isolado, no qual nos devemos envolver.

Eu temo pelo ambiente, e pelo nosso microclima que nos garante distinção. E temo que a população interessada não esteja a ser vista com o respeito que tanto merecem. Temo que o futuro desta terra esteja a ficar comprometido.

Carlos Leite, in Pensar Basto - 30 de Março de 2009

domingo, 29 de março de 2009

INDONÉSIA: Ruptura de barragem faz 93 mortos


Número não pára de aumentar. Maioria das vítimas são crianças e mulheres
Ruptura de barragem faz 93 mortos

A ruptura de uma barragem nos arredores da capital da Indonésia, Jacarta, na passada sexta-feira, continua a dar que falar, uma vez que o número de mortos não pára de aumentar. 

Segundo o El País, 93 vítimas mortais estão confirmadas, mas ainda há dezenas de desaparecidos.

> VEJA O VÍDEO

As autoridades prosseguem as buscas por sobreviventes, contando com a ajuda de cães e escavadoras. No entanto, o resgate é muito lento porque a lama e os escombros dificultam o avanço das equipas.

Entre as vítimas mortais estão várias crianças e mulheres, uma vez que na altura do acidente ainda estariam a dormir nas suas casas.

> VEJA AS FOTOS

Na sexta-feira, as chuvas torrenciais fizeram ruir um dos paredões da barragem. 

Uma vaga de água libertada, na zona industrial de Tangerang, atingiu uma zona residencial densamente povoada, submergindo 500 habitações.

Redacção / CP, in IOL Portugal Diário - 29 de Março de 2009

sábado, 28 de março de 2009

Barragens em Fridão: Segurança Zero

[BARRAGENS EM FRIDÃO:] SEGURANÇA ZERO

A Conferência-debate sobre "Riscos Induzidos pela Barragem de Fridão", organizada pela Câmara Municipal de Amarante e que decorreu a 20 de Março no Salão Nobre, trouxe até nós conferencistas de relevo, ligados a diversas instituições como o LNEC, a FEUP e o INAG.

Ficou evidente que todos eles estavam de acordo, para nos "vender" a ideia de que as Barragens de Fridão e do Borralheiro, não ofereciam qualquer perigo para Amarante!!!

Pena foi que no painel de convidados reinasse o unanimismo cúmplice!

Mas apesar da relevância dos currículos individuais de cada um dos conferencistas, nada disseram que pudesse tranquilizar os amarantinos...!

Aliás, espremidas as intervenções que fizeram, podem resumir-se a uma só afirmação: Não se preocupem, porque estão em boas mãos!

Contudo, não foram capazes de assumir que garantiam a segurança absoluta das barragens!

Até porque se a segurança absoluta pudesse ser garantida, eram perfeitamente inúteis os Regulamentos de Segurança de Barragens(RSB) que exigem a construção de Cartas de Risco, Planos de Emergência e a identificação clara de Sistemas de Aviso e Alerta e Previsão de Evacuação das Populações!

Restou claro que há sempre a possibilidade (por muito remota que nos possa parecer!) de colapso das barragens e aí será um "Deus nos acuda" ou atendendo à proximidade das barragens (uma a 3Km e outra a 6Km) um "salve-se quem puder" que de pouco serviria à população amarantina e aos forasteiros que por cá estivessem!

Hoje é universalmente aceite que a SEGURANÇA ..."pressupõe a continuidade da existência do que nos rodeia, ou da realidade tal como é considerada no presente ou é prevista no futuro, sem perturbações que provoquem prejuizos ou danos relativamente significativos, de ordem material ou imaterial, incluindo a perda de vidas."

Vista por este prisma, a situação agrava-se, pois para além do elevado número de vítimas que um colapso das barragens provocaria, perderemos de qualquer modo (a construirem-se aquelas barragens!) outros valores que são inestimáveis a nível local!

Perderíamos o "valor imaterial" que constituem as nossas mais belas paisagens; "ganharíamos" um agravamento dos valores da humidade que já de si é elevada ao longo do vale; veríamos agravado o estado de deterioração das águas e do ar; perderíamos em termos de condições climáticas para a agricultura, e para a saúde e o "totoloto" iria trazer-nos um sem número de inconvenientes que se reflectiriam profundamente no agravamento da qualidade de vida dos amarantinos!

Com a construção daquelas barragens a nossa segurança ficaria reduzida a ZERO.

Contudo, a percepção do risco por parte dos amarantinos é cada vez maior e, a sua reacção será tanto mais firme, quanto mais nos quiserem impor tal risco!

Já todos perceberam que com a construção dessas barragens, nada têm a ganhar e tudo podem perder!

É ridículo que alguns nos venham agora falar de altruismo, muito preocupados com o défice energético nacional! Até porque as Barragens de Fridão não iriam inverter o défice e até o próprio INAG previu a possibilidade de desistir das Barragens de Fridão e avançar para a opção Salamonde II, onde os impactos não seriam significativos!

Estou convencido que o bom senso irá impor-se e brevemente todos os amarantinos, sem excepção, dirão de forma muito clara que não aceitam guilhotinas suspensas sobre o futuro dos seus filhos!

Aliás a História acabará por julgar aqueles que por actos ou omissões, colaborarem no crime de condenar Amarante e o vale do Tâmega à destruição!

A nossa Democracia, não pode ignorar que os amarantinos têm de ser actores principais no processo de decisão!

Quem quererá assumir o papel de COVEIRO DA IDENTIDADE AMARANTINA?

Barragens em Fridão!? Não, muito obrigado!

António Aires, in ForçaFridão - 28 de Março de 2009

Ruptura em barragem mata 58 indonésios




Ruptura em barragem mata 58 indonésios



in Expresso - 28 de Março de 2009

sexta-feira, 27 de março de 2009

Parte de uma barragem nos arredores da capital da Indonésia ruiu







Parte de uma barragem nos arredores da capital da Indonésia ruiu e fez cerca de 50 mortos
Indonésia: «Não há estrangeiros entre as vítimas»




O embaixador de Portugal em Jacarta disse à Lusa que não há cidadãos estrangeiros envolvidos no acidente ocorrido esta sexta-feira numa barragem nos arredores da capital da Indonésia, citando informações das autoridades sanitárias locais, escreve a Lusa.

«As autoridades sanitárias dizem-nos que há 39 mortos, 7 feridos e 18 desaparecidos e que não há estrangeiros», disse Carlos Frota, contactado telefonicamente pela Lusa em Jacarta, onde residem «algumas dezenas» de portugueses.

«O que as autoridades sanitárias garantem é que não há estrangeiros. Portanto, à pergunta sobre se há portugueses, nós respondemos, com aquilo que as autoridades fornecem, não há estrangeiros neste acidente», explicitou o embaixador.

50 mortos
Carlos Frota adiantou à Lusa que o jornal indonésio «Jakarta Post» indica já a existência de 50 mortos, o que deverá representar uma «actualização» da situação.

O diplomata disse ainda à Lusa que, de acordo com informações da imprensa indonésia, foram as chuvas torrenciais que fizeram ruir um dos paredões da barragem.

Uma vaga de água libertada pelo acidente na barragem, na zona industrial de Tangerang, atingiu uma zona residencial densamente povoada, submergindo 500 habitações cujos ocupantes estavam na sua maioria a dormir.

Equipas de salvamento foram destacadas para a zona, onde a água atinge uma altura de dois metros em certos pontos.

Redacção/PP, in IOL - Portugal Diário - 27 de Março de 2009

Indonésia - Destruição de barragem causa mortos









INDONÉSIA
Destruição de barragem causa mortos



A destruição de uma barragem nos arredores da capital da Indonésia, Jacarta, provocou esta sexta-feira pelo menos 52 mortos, informaram as autoridades admitindo que este número possa vir a subir.

A vaga de água libertada pelo colapso da barragem, localizada na zona industrial de Taerang, destruiu uma zona residencial densamente povoada, submergindo meio milhar de habitações cujos ocupantes se encontravam a dormir.


Foram destacadas equipas de salvamento para a zona do desastre, onde a água atinge uma altura de dois metros em certos pontos. As autoridades ainda não conseguiram apurar o que provocou a destruição da barragem, com dez metros de altura.

in Correio da Manhã - 27 de Março de 2009

Destruição de barragem na Indonésia provoca pelo menos 50 mortos



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Destruição de barragem na Indonésia provoca pelo menos 50 mortos

Destruição de barragem na Indonésia provoca pelo menos 50 mortos


O número de mortos provocados pela destruição de uma barragem nos arredores da capital da Indonésia, Jacarta, subiu para pelo menos 50, anunciaram as autoridades.

Uma vaga de água libertada pelo acidente na barragem, na zona industrial de Tangerang, embateu numa área residencial densamente povoada, submergindo 500 habitações cujos ocupantes estavam na sua maioria a dormir.


Equipas de salvamento foram destacadas para o local, onde a água atinge uma altura de dois metros em certos pontos.


As autoridades ainda não conseguiram apurar o que provocou a destruição da barragem, com dez metros de altura.


in TSF - 27 de Março de 2009

terça-feira, 24 de março de 2009

Barragem de Fridão: Sessão de Esclarecimento em Mondim de Basto





Barragem de Fridão: como participar nos Estudos de Impacte Ambiental (EIA) das barragens do Tâmega
Sessão de Esclarecimento em Mondim de Basto


Junta de Freguesia de Mondim de Basto - Mondim de Basto - 27 de Março de 2009

segunda-feira, 23 de março de 2009

PNBEPH - TÂMEGA: GOVERNO DO PARTIDO SOCIALISTA PRETENDE SECAR O “ÔLO” E AFOGAR O “TÂMEGA”

PNBEPH - TÂMEGA
GOVERNO DO PARTIDO SOCIALISTA PRETENDE SECAR O “ÔLO” E AFOGAR O “TÂMEGA”

O Governo do Partido Socialista do José Sócrates decidiu secar o rio Ôlo, através do transvase das suas águas para a barragem de Gouvães e afogar o rio Tâmega através da barragem de Fridão.

Com estas medidas os socialistas vão transformar o nosso rio Tâmega num enorme lago de água podre, e fazer desaparecer do mapa as quedas de água das Fisgas de Ermelo. 

Depois de nos encerrar metade das escolas, de nos proibir de adoecer durante a semana após as vinte horas e aos fins-de-semana após as dezasseis horas e de não tomar nenhuma medida a nível local para criar postos de trabalho, fixar pessoas e atenuar a desertificação, os socialistas, apoiados no silêncio cúmplice do PSD e do CDS-PP, parecem agora apostados em destruir de uma só vez dois dos nossos três principais pólos de atracção turística, comprometendo desta forma, seriamente, o desenvolvimento do concelho na área do turismo. 

Esta decisão do Governo socialista é por isso muito grave, uma vez que põe em causa o futuro das novas gerações de mondinenses, e até mesmo, a médio prazo a própria autonomia administrativa do concelho de Mondim. 

Para tentar contrariar esta pretensão do Governo socialista está a decorrer na Internet um abaixo-assinado, em defesa do Tâmega e do Ôlo, que caso recolha cinco mil assinaturas será obrigatório que o assunto seja discutido na Assembleia da República. 

É uma das diversas formas de protesto que os mondinenses têm ao seu dispor para fazer ouvir em Lisboa a voz do seu descontentamento. 

Eu assinei-a e apelo a que você faça o mesmo. Se vamos ou não com isso conseguir impedir a decisão do governo socialista, logo se verá. Mas uma coisa me parece certa: quem luta umas vezes ganha outras vezes perde. Quem não luta perde sempre. E tudo é preferível a aceitar de braços caídos, como se de uma manada de carneiros, tocadas pelo pastor, se tratasse, uma decisão que fere até à raiz a essência da nossa identidade. 

Os interessados em assinar a petição devem fazê-lo em: http://www.petitiononline.com/PABA/petition.html.

A sua assinatura é importante.

António Martins, in o chato - 23 de Março de 2009

sábado, 21 de março de 2009

Amarante: Especialistas em engenharia não tranquilizam adversários da barragem de Fridão













Reunião ontem à noite em Amarante
Especialistas em engenharia não tranquilizam adversários da barragem de Fridão























Os quatro especialistas de engenharia civil convidados pela Câmara Municipal de Amarante para um debate, ontem à noite, sobre a segurança da barragem de Fridão, no rio Tâmega, não conseguiram tranquilizar os adversários da sua construção.

Os intervenientes asseguraram "a excelência da engenharia portuguesa" na construção de aproveitamentos hidroeléctricos, reputada em todo o mundo, mas ao mesmo tempo reconheceram "que não existe risco zero", deixando na centena e meia de assistentes a ideia de que a construção de duas barragens, a apenas três e seis quilómetros a montante da cidade, "é um facto consumado".

O debate sobre segurança das barragens reuniu dois dirigentes do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), o presidente Carlos Matias Ramos e o responsável do Departamento de Barragens de Betão, Carlos Pina, um representante do Instituto da Água (INAG), João Avilez e ainda Ferreira Lemos, director do Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).

Carlos Ramos disse à Lusa que compreende a "intranquilidade e o desconforto" da população de Amarante, mas assegura que nunca houve um acidente numa barragem em Portugal que tenha sido acompanhada pelo LNEC e que estes empreendimentos, além de cumprirem rigorosos controlos durante o projecto e a construção, são monitorizados permanentemente durante a sua fase de exploração.

"Há um sentimento [de insegurança] que eu entendo perfeitamente, mas entendo também que a nossa lógica é técnica, de quem dedicou toda uma vida a este tipo de obras e à melhoria dos procedimentos tendo em vista uma antecipação dos problemas e um melhor dimensionamento", disse Carlos Ramos à Lusa.

"O que sabemos hoje é muito mais do que sabíamos em 1954 [quando foi construída a barragem do Cabril, no rio Zêzere, a primeira construída exclusivamente pela engenharia portuguesa]", concluiu o presidente do LNEC.

O responsável do LNEC pela área de barragens, Carlos Pina, insistiu que qualquer empreendimento deste tipo terá obrigatoriamente planos de emergência internos e externos e assegurou que num hipotético acidente há tempo suficiente para executar um plano de evacuação, colocando a salvo a população da cidade.

O debate girou também em redor do tempo de evacuação da população da cidade no caso de um acidente, que os ambientalistas e adversários da barragem estimam ser de apenas meia hora, mas há também respostas que apenas vão ser obtidas na fase de execução do projecto, como a questão de saber "até onde chegará a onda", ou seja, que zonas de Amarante serão inundadas, no caso de ocorrer um colapso do paredão da barragem.

Por esclarecer ficou também a questão da sismicidade da zona, assinalada num relatório elaborado há 17 anos, mas que os técnicos procuraram minimizar, garantindo que serão feitos estudos rigorosos para o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) e que a barragem, a ser construída, será dotada de instrumentos de registo de sismicidade.

Na fase de debate, o líder do movimento local de contestação à obra acusou os técnicos de serem pessoas ligadas à engenharia das barragens, apesar da sua elevada reputação técnica, e de terem vindo ao debate com o intuito de "defender a sua dama".

Para esta ideia, que perpassou em parte da assistência, contribuiu a apresentação inicial do vice-presidente do LNEC, ao deixar a "profecia" de que nenhum argumento conseguirá travar a construção das barragens no rio Tâmega, sobretudo se atentarmos à sua valia económica.

"Nos próximos anos passaremos várias por esta cidade na visita às barragens que se vão construir no Tâmega", afirmou Carlos Pina, ao saudar a hospitalidade de Amarante.

Ferreira Lemos, da FEUP, realçou a "cultura de segurança" dos empreendimentos hidroeléctricos e, socorrendo-se de material da EDP, mostrou a antevisão das duas barragens, indicando que os planos da empresa prevêem que comece a produzir energia em 2016 e que a sua construção iniciar-se-á em 2012.

Para João Avilez, do INAG, a adjudicação à EDP é ainda provisória mas também este responsável salienta a valia económica da barragem de Fridão que contribuirá, com os outros nove empreendimentos lançados pelo Governo, para elevar a produção hidroeléctrica portuguesa para os 8.000 MW.

O estudo prévio da EDP relativamente a Fridão define a construção de uma barragem principal com quase uma centena de metros de altura e de um contra-embalse com 30 metros, este a apenas três quilómetros de Amarante, que os técnicos asseguram ser necessário para "modelar" [regularizar] o caudal do rio Tâmega na área urbana da cidade.

A Câmara de Amarante promete realizar outro debate sobre a barragem, este sobre os impactes ambientais sobre a cidade, uma área onde os ambientalistas e adversários da obra esperam ganhar algum terreno e ter argumentos mais convincentes para contrapor ao designado "lóbi dos engenheiros e do betão".

Lusa, in Público - 21 de Março de 2009

sexta-feira, 20 de março de 2009

O Estado Proxeneta [El Estado proxeneta]








O Estado proxeneta [El Estado proxeneta]

Há pouco a dizer sobre a manifestação na quarta-feira, em Murcia. Lá, todos juntos, e sem grandes questões, defendem os seus interesses, quer económicos ou políticos, que no final acabam por ser o mesmo. Com números na mão, as análises de produções, os fluxos e necessidades da bacia do Tejo, um transvase na cabeceira do nosso rio não espera, especialmente se considerarmos as condições ambientais impostas pela União Europeia; e, mais importante, se tivermos em conta que o rio Tejo é um rio que já perdeu 49% de seus recursos naturais na secção compreendida desde as nascentes até Aranjuez.

Isso não tem retorno patrimonial. O problema surge quando o Estado quer manter o status quo herdado do Franquismo, mesmo sendo um governo do PSOE ou do PP, e quando os interesses dos operadores do Tejo estão sujeitos à ordem política de manter a todo o custo um transvase que se sabe que é irracional e insustentável. Em última análise, um Estado Proxeneta que se move, não pela legalidade ou pela justiça, mas sim por roubar aos pobres para dar aos ricos, porque eles sabem que existem votações e as pessoas têm de defender o que é deles.

O transvase do Tejo é um roubo. Em Múrcia, sabem que os números que estão manejando e o barulho que está sendo montado, especialmente a partir de Talavera de la Reina, será muito difícil estabelecer um plano para a bacia hidrográfica como o avançado no Esquema Provisional de Temas Importantes, onde a nossa Cidade não existia. E este não foi por acidente ou negligência. E em Múrcia sabem - e no Ministério - se Talavera entra em jogo, acaba o transvase.

A História vai mudar, e os políticos da nossa região, os do PP e do PSOE, deveriam começar a utilizar algum neurónio. Não é possível a vergonha em contemplar como os partidos mais importantes em Castela-La Mancha se retraiam quando se trata do transvase do Tejo, cuja a eliminação deveria ser a maior aspiração de qualquer representante político da região. Assim, Castilla-La Mancha não será mais do que uma colónia mineira no Levante enquanto não se celebra o dia da região dinamitando os tubos do transvase em Bolarque e deixando o Tejo fluir rumo ao seu destino. Até então, não será mais do que uma "hidrocolónia" com alguns senhoritos levantinos que ocasionalmente cheguem para vigiar o que aqui vai acontecer.

Eu, pessoalmente, tenho vergonha de ter alguns representantes políticos, sejam do PSOE ou do PP, que não têm "tomates" ou ovários em dizer as coisas como elas são, e tanto me importa que Barreda queira levar o Tejo à "Cidade Real" e se Cospedal quer manter o circo em três pistas. Tanto me importa. O Tejo, o mais importante elemento cultural da Ibéria, não poderia ser um rio nas mãos de proxenetas. E podemos estar cientes de que a História, em maiúsculas, está prestes a mudar.

Miguel Ángel Sánchez (El Estado proxeneta), in La Tribuna de Talavera - 20 de Março de 2009

domingo, 15 de março de 2009

Novas barragens ameaçam sobrevivência da lampreia





Novas barragens ameaçam sobrevivência da lampreia

A crescente popularidade das lampreias à mesa dos portugueses explica, em parte, a diminuição das populações existentes nos rios. É por isso que no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal a lampreia continua a ser classificada como "vulnerável". Ainda que na última década a situação tenha estabilizado, nos anos 80 e 90 a espécie sofreu perdas que enfraqueceram muito a sua presença em águas portuguesas, devido sobretudo à pesca furtiva. Agora pode vir aí mais um "atentado" à lampreia: a construção de novas barragens.

O biólogo marinho Pedro Raposo de Almeida explica que "a construção de grandes barragens vai prejudicar as populações de lampreias". Aliás, a criação de reservatórios artificiais de água é um dos motivos que fazem com que este peixe seja uma espécie ameaçada, uma vez que contribuem para "a destruição do habitat", explica o especialista.

Por outro lado, o biólogo aponta "a pesca furtiva" e "o facto de não haver um plano nacional de conservação", como grandes obstáculos à saída da lampreia da zona de risco.

Pedro Raposo adverte que há recomendações feitas por especialistas ao Governo, que são ignoradas. E dá um exemplo: "Há mais de dez anos que a minha equipa defende uma passagem para peixes no açude do rio Mondego, que ainda por cima é da responsabilidade do Ministério do Ambiente, mas o pedido está na gaveta. Ia ser importante porque permitiria aumentar o habitat da espécie."

As alterações climáticas completam o rol de "atentados" à espécie e há períodos que têm sido devastadores. No ano passado, Pedro Raposo foi com a sua equipa de biólogos da Universidade de Évora tentar recolher uma amostra de um destes animais no rio Guadiana, mas não conseguiu. É a prova de que o peixe estava a escassear num local onde já foi abundante.

E, se por um lado, Portugal continua a figurar na lista de países onde a espécie é ameaçada, por outro, é também uma referência internacional no estudo da lampreia.

Como explica Pedro Raposo, há vários biólogos europeus que "pedem conselhos à minha equipa e aplicam-nos" nos seus estudo sobre esta espécie. No entanto, confessa num tom desiludido, "em Portugal os conselhos muitas vezes não são tidos em conta."

Porém, tal não impede o biólogo de ter várias publicações na área e de ter feito novas descobertas sobre a espécie, como o facto das lampreias "serem más nadadoras."

Raposo não desiste de lutar pela conservação deste peixe, mas garante que a extinção não está em causa devido "à capacidade que a lampreia tem para se adaptar a adversidades". Neste aspecto, o biólogo lembra que esta é uma espécie animal que já existe há 300 milhões de anos e que resistiu a inúmeras catástrofes naturais.

Enquanto em Portugal estão ameaçadas, nos Estados Unidos as lampreias são quase uma praga. O peixe foi acidentalmente introduzido em águas norte-americanas por acção do homem e acabou por se reproduzir em grandes quantidades. Tal fez com que as autoridades dos EUA e do Canadá já tenham investido milhões de dólares a tentarem controlar as lampreias. Uma ironia da Natureza.

Rui Pedro Antunes, in Diário de Notícias - 15 de Março de 2009

quinta-feira, 12 de março de 2009

International Day of Action Against Dams and for Rivers, Water and Life








International Day of Action Against Dams and for Rivers, Water and Life




Pelos vistos só há vantagens!: Câmara de Cabeceiras debate “Barragem de Fridão” do ponto de vista da EDP e (já agora) do Governo




Pelos vistos só há vantagens!

Câmara de Cabeceiras debate “Barragem de Fridão” do ponto de vista da EDP e (já agora) do Governo

Administrador António Pacheco Castro que é parte interessada no processo foi o único convidado

A Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto promoveu no passado dia 13 de Fevereiro uma Conferência subordinada ao tema “A Barragem de Fridão e o Desenvolvimento das Terras de Basto. Como único orador foi convidado o Administrador da EDP António Pacheco Castro, empresa que vai construir a Barragem e que pelo facto é parte interessada (e de que maneira) no processo. 

Supostamente e segundo se pode ler no site da autarquia na Internet, o objectivo deste debate, assim como outros que a Câmara promove é formar, informar e sensibilizar a população para este e para outros temas. Pelo menos neste debate e ao que pudemos apurar, o contraditório não existiu, até porque só havia um orador a defender a construção da Barragem. Ainda por cima um administrador que com toda a certeza aufere um vencimento mensal com vários dígitos e que não perdeu esta oportunidade, dada pela autarquia cabeceirense para dizer maravilhas do projecto e descansar os mais preocupados com a eminência de eventuais impactos negativos que o empreendimento possa vir a originar no Rio Tâmega, desde Amarante até Cavez.

A Câmara reconhece no seu site que a Barragem de Daivões atingirá território da freguesia de Cavez. No mesmo site da Câmara pode ler-se “que o empreendimento a levar a cabo pela EDP Produção até 2016 terá uma potência nominal na rede de 250 megawatts e produzirá energia superior às necessidades da população dos concelhos de Amarante, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto e Ribeira de Pena. 

De referir ainda que a albufeira da Barragem de Padroselos, no Rio Beça, irá atingir território da freguesia de Gondiães, enquanto que a Albufeira de Daivões, no Rio Tâmega, atingirá territórios das freguesias de Cavez e de Vilar de Cunhas.”

Quatro Barragens no Tâmega para produzir (apenas) 3% do consumo eléctrico nacional. Este projecto faz parte do Complexo Hidroeléctrico do Alto Tâmega, onde se prevê a construção de quatro novas barragens: Gouvães no Rio Louredo, Padroselos no Rio Beça, Alto Tâmega e Daivões no Rio Tâmega, a executar entre 2012 e 2018. 

Calcula-se que as quatro barragens venham a produzir cerca de 2000 gigawatts hora ao ano, o que representa cerca de três por cento do consumo eléctrico nacional, pode ler-se no mesmo site.

in O Basto,

quarta-feira, 11 de março de 2009

Impactos ambientais das novas barragens suscitam dúvidas

Impactos ambientais das novas barragens suscitam dúvidas

A Quercus denuncia que estas infra-estruturas vão aumentar o problema de eutrofização já patente nos rios nacionais, nomeadamente no rio Tâmega, considerando que o ganho energético não justifica os danos ecológicos inerentes.



Apesar dos impactos, é quase unânime entre os especialistas ouvidos pelo Ambiente Online que as dez novas barragens previstas no PNBEPH serão benéficas para a autonomia energética do País, contribuindo com uma potência instalada na ordem dos 2000 MW. Desta forma, ajudarão o Governo a atingir as metas ambiciosas que delineou: 70 por cento do potencial hidroeléctrico português deverá estar aproveitado, em 2020, altura em que Portugal terá uma potência instalada de 7000 MW.

As novas barragens fazem parte do contributo do mix de energias renováveis com que se pretende reduzir a enorme dependência do petróleo, lembra António Regedor, docente da Universidade Fernando Pessoa. Na opinião do ecologista, os empreendimentos deverão melhorar as condições de gestão da água, nomeadamente na gestão de caudais e no armazenamento de energia, abastecimento doméstico e outros usos. Depois de concluídos os projectos, Portugal estará mais próximo dos elevados níveis de armazenamento espanhol, acrescenta.

Por sua vez, Paula Chainho, vice-presidente da Liga para a Proteção da Natureza, questiona a forma como foi escolhida a localização dos empreendimentos. Sublinhando que a microgeração é uma solução mais eficaz do que os grandes empreendimentos, a bióloga lamenta a decisão de avançar com estas infra-estruturas e a ausência de uma verdadeira aposta na eficiência energética.

Impactos ambientais preocupantes
Os problemas associados às barragens já adjudicadas pelo Governo (oito, das dez) residem, sobretudo, no impacte ambiental desses projetos. Algumas das situações mais preocupantes estão na bacia do Douro. Segundo Paula Chainho, com os aproveitamentos hidroelétricos em funcionamento, o Douro já deixou de ser um rio para passar a ser uma sucessão de lagos. É uma ameaça à biodiversidade. Outro exemplo é o impacte da barragem do Alqueva no rio Guadiana, que transformou um ecossistema natural num grande lago. Para a especialista em recursos hídricos, o Alqueva é um modelo falhado, que implicou a destruição de um patrimônio natural.

As barragens agora previstas para os afluentes do Douro, como o rio Sabor, o Tua e o Tâmega, reforçam as críticas da bióloga. Os impactes de quinto infra-estruturas – Padroselos, Daivões, Vidago, Gouvães e Fridão – a implantar na bacia do rio Tâmega são também motivo de preocupação para Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). O especialista considera que a sua construção vai ter um grande impacte na qualidade da água do rio, que já é deficiente, assim como nos seus caudais ecológicos.

A título de exemplo, Rui Cortes lembra: No caso dos rios salmonícolas Torno e Beça [caracterizados, nomeadamente, por águas bem oxigenadas e ausência de poluição], o estudo de impacte ambiental tem de assegurar o caudal ecológico a jusante dos dois empreendimentos. Sob o ponto de vista ambiental, estas são zonas muito sensíveis. Para, além disso, as barragens podem levar à eutrofização extrema das águas, sublinha.

Barragens surgem antes de tempo
Mas estas não são as únicas críticas. O PNBEPH surgiu antes da versão provisória dos Planos de Gestão de Região Hidrográfica, que está atrasada um ano (deveria ter sido apresentada em Dezembro de 2008). Esta antecipação é criticada por Rui Cortes, uma vez que os planos deveriam, antes de mais, definir quais as zonas mais apetecíveis em termos de recursos hídricos e quais os locais onde os impactes seriam menores. Resta agora esperar que os estudos de impactes ambientais prevejam os possíveis impactes dos projetos e acautelem medidas de minimização.

Segundo algumas associações ambientalistas, como a Aldeia, a Euronatura, a Fapas ou a Quercus, a construção de barragens pode ter efeitos devastadores nas funções ecológicas dos ecossistemas aquáticos, tanto ao nível da quantidade como da qualidade da água e na biodiversidade. Apesar disso, asseveram as associações, os impactes negativos da implantação deste programa e os benefícios decorrentes da alternativa zero (não construção) não foram devidamente avaliados no âmbito do processo de avaliação de impactes do PNBEPH.

O Ambiente Online tentou obter uma reação por parte do Instituto da Água sobre se a construção de barragens é fundamental para a independência energética de Portugal ou se, pelo contrário, é uma agressão aos rios e bacias hidrográficas, mas até ao momento não foi possível obter qualquer resposta.

Presidente da Câmara de Montalegre denuncia: Montalegre "Serviço da EDP é uma desgraça"

Presidente da Câmara de Montalegre denuncia
"Serviço da EDP é uma desgraça"

O Presidente da Câmara de Montalegre volta à carga com duras críticas ao serviço prestado pela EDP no concelho o qual o classifica como «desgraça». 

O desalento do autarca é tal que afirma: «A EDP vive à custa dos municípios pobres como o de Montalegre.
Aqui, nas cinco barragens do concelho, pode produzir cerca de 100 milhões de euros de energia por ano, mas a justa participação do município na riqueza produzida, como elementar princípio de solidariedade, mas de justiça, resume-se a uns miseráveis 65 mil euros por ano, com culpas para o governo que não faz justiça, e permite assim aquilo que se pode classificar de enriquecimento ilícito por parte da EDP».

A paciência de Fernando Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Montalegre, para com a EDP está esgotada. O fraco serviço prestado no concelho de Montalegre tem provocado as maiores dores de cabeça quer a particulares quer a instituições públicas, onde os cortes de luz têm sido frequentes. 

O edil lembra que «há muito que a Câmara vem solicitando intervenções à EDP para melhorar o serviço de fornecimento de energia no concelho. Apesar de há anos ter havido uma fase de muitas intervenções, o certo é que continuamos a ser mal servidos, muito mal servidos! O serviço da EDP é mesmo classificado pelos barrosões como uma desgraça!».

FEIRA DO FUMEIRO PREJUDICADA
Os exemplos são mais que muitos. Fernando Rodrigues refere: «No domingo da Feira do Fumeiro, com milhares de pessoas dentro do pavilhão multiusos e o comércio da vila cheio de gente, ficamos sem luz durante mais de duas horas. Nessa ocasião, apesar dos graves prejuízos causados ao negócio da feira, pois o certame praticamente acabou porque a falha de luz mandou toda a gente embora, mesmo assim a minha consciência não permitiu fazer críticas à EDP porque foi violento o temporal desses dias, e muitas as avarias, e não havia meios técnicos nem humanos para acudir a tudo ao mesmo tempo. Mas a EDP não respondeu nessa altura, e responde tarde e mal noutras, quando responde».

AVARIAS FREQUENTES
Sem se deter, o presidente da Câmara Municipal de Montalegre declara: «continuam avarias por reparar, postes por levantar e linhas por arranjar. E as avarias sucedem-se. Ainda na última 4.ª feira uma zona do concelho esteve sem luz durante quatro horas! Mas anteriormente houve aldeias sem energia quatro dias. Quatro dias! Na sede do concelho, que se diz estar mais bem servida, a Câmara já teve dias em que registou doze cortes de energia. E isso acontece muitas vezes. Basta um sinal de trovoada ou mau tempo lá longe e já no concelho acontecem avarias. E há zonas do concelho que quando tem uma avaria na linha, passam vários dias à candeia, com todos os prejuízos que isso acarreta».

«BASTA!»
Inconformado, Fernando Rodrigues diz que chegou o momento de dizer «basta!», até porque, sublinha, «uma região que tem 65km2 dos melhores vales agrícolas inundados pelas barragens da EDP que produzem tanta energia eléctrica para o país, é tratada desta maneira! A EDP vive à custa dos municípios pobres como o de Montalegre. Aqui, nas cinco barragens do concelho pode produzir cerca de 100 milhões de euros de energia por ano, mas a justa participação do município na riqueza produzida, como elementar princípio de solidariedade, mas de justiça, resume-se a uns miseráveis 65 mil euros por ano, com culpas para o governo que não faz justiça, e permite assim aquilo que se pode classificar de enriquecimento ilícito por parte da EDP»

Sempre no mesmo tom crítico, o edil garante: «nos serviços directos à autarquia quando, por exemplo, queremos fazer uma extensão de iluminação pública, a desgraça continua. A Câmara tem de pagar o serviço à cabeça, para aparecer feito seis, oito meses e até um ano depois. Que lei é esta? Quem permite à EDP fazer isto? Mas o mais grave é que às vezes a Câmara paga e o serviço não é feito, como já aconteceu com a Câmara de Montalegre. E outras vezes vamos ver e o poste ou o candeeiro está no sítio errado».

«NÃO PODE TRATAR MAL OS MAIS FRACOS!»
A revolta do autarca, face ao serviço prestado pela EDP no concelho de Montalegre, é justificada, para além do que já foi mencionado, por variados factos: «falta de alternativas de abastecimento, equipamentos gastos e ultrapassado, rede velha, com fios que batem uns nos outros com o vento e provocam avarias, candeeiros obsoletos, sem luz, virados ao contrário, postes a estorvar, avarias, avarias, avarias! É o que a EDP, obrigada a um serviço público, nos dá como único fornecedor deste produto... A EDP é uma grande empresa nacional, merece o orgulho dos portugueses, mas não nos pode tratar mal como trata. Não pode tratar mal os mais fracos!».

LUCROS COLOSSAIS
Refira-se que o lucro da EDP - Energias de Portugal, aumentou 20,3% para 1092 milhões de euros, em 2008, o maior resultado líquido alguma vez atingido por uma empresa cotada em Bolsa. 

Perante os resultados, António Mexia, presidente-executivo da energética, disse que irá propor um divindendo de 14 cêntimos por acção, acima dos 12,2 cêntimos relativos a 2007. 

A contribuir para aqueles lucros de 2008 estiveram os ganhos financeiros, no total de 481,7 milhões de euros, mais 83,5% do que em 2007. 

Desse ganho, a maior fatia (405 milhões de euros) resultou da diluição da participação da EDP na EDP Renováveis, no seguimento do IPO, a que acrescem ganhos nas vendas de participações na Turbogás, Portugen, REN e Edinfor. Sem os efeitos extraordinários, o lucro ajustado subiu 7% para 925 milhões de euros, o mais elevado de sempre na empresa. 

As vendas de electricidade subiram 25%. Já a dívida, aumentou 18,8% para 13,9 mil milhões de euros, reflexo, nomeadamente, do aumento de desvios e défices tarifários.

in Alto-Tâmega Tv - 11 de Março de 2009

PNBEPH - Rio Tâmega: Património a desaparecer - Ponte de Arame em Ribeira de Pena

PNBEPH - Rio Tâmega: Património a desaparecer
PONTE DE ARAME [RIBEIRA DE PENA]



Esta ponte pedonal, sobre o Rio Tâmega, liga as freguesias de
St.º Aleixo de Além Tâmega
e
Salvador em Ribeira de Pena

Vista do meio da ponte

Andar nesta ponte dá uma grande sensação de vertigem,
bem compensada pela beleza da paisagem que dela se desfruta.

Marie Paulino, in MINHAS IMAGENS - 11 de Março de 2009

terça-feira, 10 de março de 2009

PNBEPH - Impactes ambientais das novas barragens suscitam dúvidas










Programa Nacional de Barragens
Impactes ambientais das novas barragens suscitam dúvidas



O Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), apresentado pelo Governo em Outubro de 2007, veio relançar a polémica em torno da construção de barragens. 

A Quercus denuncia que estas infra-estruturas vão aumentar o problema de eutrofização já patente nos rios nacionais, nomeadamente no rio Tâmega, considerando que o ganho energético «não justifica os danos ecológicos inerentes».

Apesar dos impactes, é quase unânime entre os especialistas ouvidos pelo AmbienteOnline que as dez novas barragens previstas no PNBEPH serão benéficas para a autonomia energética do País, contribuindo com uma potência instalada na ordem dos 2000 MW. 

Desta forma, ajudarão o Governo a atingir as metas ambiciosas que delineou: 70 por cento do potencial hidroeléctrico português deverá estar aproveitado, em 2020, altura em que Portugal terá uma potência instalada de 7000 MW.

As novas barragens fazem «parte do contributo do mix de energias renováveis com que se pretende reduzir a enorme dependência do petróleo», lembra António Regedor, docente da Universidade Fernando Pessoa. 

Na opinião do ecologista, os empreendimentos deverão «melhorar as condições de gestão da água, nomeadamente na gestão de caudais e no armazenamento de energia, abastecimento doméstico e outros usos». 

Depois de concluídos os projectos, «Portugal estará mais próximo dos elevados níveis de armazenamento espanhol», acrescenta.

Por sua vez, Paula Chainho, vice-presidente da Liga para a Protecção da Natureza, questiona a forma como foi escolhida a localização dos empreendimentos. Sublinhando que a microgeração «é uma solução mais eficaz do que os grandes empreendimentos», a bióloga lamenta a decisão de avançar com estas infra-estruturas e a ausência de «uma verdadeira aposta na eficiência energética».

Impactes ambientais preocupantes
Os problemas associados às barragens já adjudicadas pelo Governo (oito, das dez) residem, sobretudo, no impacte ambiental desses projectos. Algumas das situações mais preocupantes estão na bacia do Douro. 

Segundo Paula Chainho, com os aproveitamentos hidroeléctricos em funcionamento, o Douro «já deixou de ser um rio para passar a ser uma sucessão de lagos. É uma ameaça à biodiversidade». Outro exemplo é o impacte da barragem do Alqueva no rio Guadiana, que «transformou um ecossistema natural num grande lago». Para a especialista em recursos hídricos, «o Alqueva é um modelo falhado, que implicou a destruição de um património natural».

As barragens agora previstas para os afluentes do Douro, como o rio Sabor, o Tua e o Tâmega, reforçam as críticas da bióloga. 

Os impactes de quinto infra-estruturas – Padroselos, Daivões, Vidago, Gouvães e Fridão – a implantar na bacia do rio Tâmega são também motivo de preocupação para Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). O especialista considera que a sua construção «vai ter um grande impacte na qualidade da água do rio, que já é deficiente, assim como nos seus caudais ecológicos».

A título de exemplo, Rui Cortes lembra: «No caso dos rios salmonícolas Torno e Beça [caracterizados, nomeadamente, por águas bem oxigenadas e ausência de poluição], o estudo de impacte ambiental tem de assegurar o caudal ecológico a jusante dos dois empreendimentos. Sob o ponto de vista ambiental, estas são zonas muito sensíveis». Para além disso, as barragens «podem levar à eutrofização extrema das águas», sublinha.

Barragens surgem antes de tempo
Mas estas não são as únicas críticas. O PNBEPH surgiu antes da versão provisória dos Planos de Gestão de Região Hidrográfica, que está atrasada um ano (deveria ter sido apresentada em Dezembro de 2008). Esta antecipação é criticada por Rui Cortes, uma vez que «os planos deveriam, antes de mais, definir quais as zonas mais apetecíveis em termos de recursos hídricos e quais os locais onde os impactes seriam menores». Resta agora esperar que os estudos de impactes ambientais prevejam os possíveis impactes dos projectos e acautelem medidas de minimização.

Segundo algumas associações ambientalistas, como a Aldeia, a Euronatura, a Fapas ou a Quercus, a construção de barragens «pode ter efeitos devastadores nas funções ecológicas dos ecossistemas aquáticos, tanto ao nível da quantidade como da qualidade da água e na biodiversidade». Apesar disso, asseveram as associações, os impactes negativos da implantação deste programa e os benefícios decorrentes da alternativa zero (não construção) «não foram devidamente avaliados no âmbito do processo de avaliação de impactes do PNBEPH». 

O AmbienteOnline tentou obter uma reacção por parte do Instituto da Água sobre se a construção de barragens é fundamental para a independência energética de Portugal ou se, pelo contrário, é uma agressão aos rios e bacias hidrográficas, mas até ao momento não foi possível obter qualquer resposta.


in AmbienteOnline - 10 de Março de 2009