quarta-feira, 30 de abril de 2008

PNBEPH - BARRAGEM DE FRIDÃO: Bloco propõe ao Governo suspensão das barragens do Foz Tua, Fridão e Baixo Sabor






PNBEPH - BARRAGEM DE FRIDÃO
Bloco propõe ao Governo suspensão das barragens do Foz Tua, Fridão e Baixo Sabor

O Bloco de Esquerda (BE) propôs hoje a suspensão das barragens de Foz Tua, Fridão e Baixo Sabor, do Plano Nacional de Barragens, e dos concursos de concessão até se concluírem estudos de impacte ambiental. Propôs ainda o estudo da possibilidade de substituir a barragem de Almourol por mini-hídricas ou que a sua albufeira não ultrapasse a cota 19. Ver aqui a proposta.

Numa proposta de resolução entregue hoje (29) na Assembleia da República, os bloquistas propõem que o executivo de José Sócrates “recue na decisão de construção das barragens de Foz Tua, Fridão e Baixo Sabor”.

Por outro lado, a bancada do BE quer que o Governo “suspenda todos concursos de concessão das barragens” previstas no Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) “até estarem concluídos os processos de avaliação de impacte ambiental”.

O BE considera, no texto da resolução, “elemento decisivo para a tomada de decisão sobre a construção ou não de cada uma das barragens” a conclusão dos processos de avaliação do impacte ambiental de cada barragem.

Preocupações ambientais explicam a sugestão para que seja estudada a possibilidade de substituir por mini-hídricas a barragem de Almourol, aproveitando-se para fazer a beneficiação do parque de campismo de Constância.

Os bloquistas recomendam ainda ao Governo que “não permita que a albufeira da barragem de Almourol, caso avance, tenha um nível de pleno armazenamento superior à cota 19” e que seja elaborado “um plano de recuperação da qualidade da água do rio Tâmega”, impedindo-se que a albufeira da Barragem do Torrão “ultrapasse a cota 62”.

O Governo aprovou no início de Dezembro de 2007 o Programa Nacional de Barragens, tendo aprovado a construção de 10 novas barragens: Foz Tua, no rio Tua, Pinhosão, no rio Vouga, Padroselos, Vidago, Daivões, Fridão e Gouvães, no rio Tâmega, Girabolhos, no Mondego, Alvito, no rio Ocreza, e Almourol, no rio Tejo.

O plano nacional de barragens vai implicar, segundo o executivo, um investimento total entre 1.000 e 2.000 milhões de euros e aumentar a capacidade hídrica instalada no país em mais 1.100 megawatts (MW).

in Ecoblogue, 30 de Abril de 2008

terça-feira, 22 de abril de 2008

TÂMEGA: BARRAGENS PODEM AUMENTAR POLUIÇÃO

TÂMEGA: BARRAGENS PODEM AUMENTAR POLUIÇÃO

As quatro barragens previstas para o rio Tâmega podem provocar um desastre ambiental devido à poluição do rio, alertou à RR Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. 

Para o especialista, o caso mais grave é o da barragem de Fridão que pode agravar o ambiente na cidade de Amarante. 

O Tâmega é dos cursos de águas internacionais que apresenta um maior grau de poluição em Portugal.

in Tribuna Médica Press - 22 de Abril de 2008

segunda-feira, 21 de abril de 2008

PNBEPH - Rio Tâmega: Amarante - Barragem de Fridão pode provocar desastre ambiental na cidade







PNBEPH - Rio Tâmega
Amarante: Barragem de Fridão pode provocar desastre ambiental na cidade

A cidade de Amarante corre o risco de sofrer um desastre ambiental devido à elevada poluição do rio Tâmega, se a barragem de Fridão for transformada em aproveitamento reversível, ficando emparedada entre dois açudes e duas barragens, alertou hoje um especialista ambiental. A afirmação foi feita num debate, em Amarante, por Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e especialista em estudos de impacte ambiental.

Segundo o técnico, que tem colaborado em estudos ambientais de diversas barragens - nomeadamente Alqueva, Sabor e Foz Tua - o Tâmega é o curso de água, dos rios internacionais, que apresenta maior grau de poluição, devido à eutrofização (formação de algas tóxicas).

Rui Cortes sustenta, ainda, que se for construído um contra-embalse/açude a jusante da barragem, para permitir a recolocação da água na albufeira principal durante a noite, aproveitando a energia das eólicas, a qualidade da água colocada no curso de água (caudal ecológico) será de pior qualidade.

Outro problema crucial a debater no âmbito do estudo de impacte ambiental (EIA), a cargo do consórcio que ganhar o concurso, será a profundidade a que a água será turbinada.

"Quanto mais fundo for turbinada mais poluição terá o caudal libertado. Será necessário diminuir as fontes de poluição, a montante, se não vamos ter em Amarante um desastre ambiental", avisou o professor da UTAD.

Linha de alta tensão traz mais problemas

Participaram também no debate Hélder Leite, que chamou a atenção para os problemas da construção de uma linha de alta tensão de 400 KVA com 22 quilómetros de extensão, e Berta Estevinha, que considerou preocupante o aumento da eutrofização das águas do rio, devido à poluição.

A eutrofização é um problema que afecta o rio Tâmega há quase uma década, sobretudo na albufeira formada pela actual barragem do Torrão, localizada na foz do rio.

Durante o debate, o deputado municipal por Amarante, Emanuel Queirós, alertou para o perigo dos sismos induzidos, um problema que, afirmou, "está completamente desvalorizado e foi até descurado" na análise dos dez empreendimentos considerados prioritários.

Dos dez aproveitamentos seleccionados pelo Governo, a barragem de Fridão é a segunda infraestrutura em potencial hidroeléctrico, logo a seguir a Foz Tua, já adjudicada à EDP.

O Ministério do Ambiente anunciou que o concurso para a concessão da barragem de Fridão será lançado a 30 de Abril.

Lusa, 21 de Abril de 2008






Devido à elevada poluição do rio Tâmega. Em causa está a barragem de Fridão

Amarante em risco de desastre ambiental

A cidade de Amarante corre o risco de sofrer um desastre ambiental devido à elevada poluição do rio Tâmega, se a barragem de Fridão for transformada em aproveitamento reversível, ficando emparedada entre dois açudes e duas barragens, alertou esta segunda-feira um especialista ambiental, noticia a Lusa.

A afirmação foi feita num debate, em Amarante, por Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Segundo o técnico, que tem colaborado em estudos ambientais de diversas barragens - nomeadamente Alqueva, Sabor e Foz Tua - o Tâmega é porventura o curso de água, dos rios internacionais, que apresenta maior grau de poluição, devido à eutrofização (formação de algas tóxicas).

Rui Cortes sustenta ainda que se for construído um contra-embalse/açude a jusante da barragem, para permitir a recolocação da água na albufeira principal durante a noite aproveitando a energia das eólicas - a qualidade da água colocada no curso de água (caudal ecológico) será de pior qualidade.

Quanto mais fundo, mais poluição
Outro problema crucial a debater no âmbito do estudo de impacte ambiental (EIA), a cargo do consórcio que ganhar o concurso, será a profundidade a que a água será turbinada. «Quanto mais fundo for turbinada mais poluição terá o caudal libertado. Será necessário diminuir as fontes de poluição, a montante, se não vamos ter em Amarante um desastre ambiental», avisou o professor da UTAD.

Participaram também no debate Hélder Leite, que chamou a atenção para os problemas da construção de uma linha de alta tensão de 400 KVA com 22 quilómetros de extensão, e Berta Estevinha, que considerou preocupante o aumento da eutrofização das águas do rio, devido à poluição.
A eutrofização é um problema que afecta o rio Tâmega há quase uma década, sobretudo na albufeira formada pela actual barragem do Torrão, localizada na foz do rio.

Sismos induzidos
Durante o debate, o deputado municipal por Amarante, Emanuel Queirós, alertou para o perigo dos sismos induzidos, um problema que, afirmou, «está completamente desvalorizado e foi até descurado» na análise dos dez empreendimentos considerados prioritários. 

Dos dez aproveitamentos seleccionados pelo Governo, a barragem de Fridão é a segunda infraestrutura em potencial hidroeléctrico, logo a seguir a Foz Tua, já adjudicada à EDP.

O Ministério do Ambiente anunciou que o concurso para a concessão da barragem de Fridão será lançado a 30 de Abril.

CLC, in Portugal Diário - 21 de Abril de 2008

TÂMEGA - BARRAGEM DE FRIDÃO: Amarante em risco de desastre ambiental

CNN Portugal

TÂMEGA - BARRAGEM DE FRIDÃO

Amarante em risco de desastre ambiental


Devido à elevada poluição do rio Tâmega. Em causa está a barragem de Fridão

A cidade de Amarante corre o risco de sofrer um desastre ambiental devido à elevada poluição do rio Tâmega, se a barragem de Fridão for transformada em aproveitamento reversível, ficando emparedada entre dois açudes e duas barragens, alertou esta segunda-feira um especialista ambiental, noticia a Lusa.

A afirmação foi feita num debate, em Amarante, por Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Segundo o técnico, que tem colaborado em estudos ambientais de diversas barragens - nomeadamente Alqueva, Sabor e Foz Tua - o Tâmega é porventura o curso de água, dos rios internacionais, que apresenta maior grau de poluição, devido à eutrofização (formação de algas tóxicas).

Rui Cortes sustenta ainda que se for construído um contra-embalse/açude a jusante da barragem, para permitir a recolocação da água na albufeira principal durante a noite aproveitando a energia das eólicas - a qualidade da água colocada no curso de água (caudal ecológico) será de pior qualidade.

Quanto mais fundo, mais poluição

Outro problema crucial a debater no âmbito do estudo de impacte ambiental (EIA), a cargo do consórcio que ganhar o concurso, será a profundidade a que a água será turbinada. «Quanto mais fundo for turbinada mais poluição terá o caudal libertado. Será necessário diminuir as fontes de poluição, a montante, se não vamos ter em Amarante um desastre ambiental», avisou o professor da UTAD.

Participaram também no debate Hélder Leite, que chamou a atenção para os problemas da construção de uma linha de alta tensão de 400 KVA com 22 quilómetros de extensão, e Berta Estevinha, que considerou preocupante o aumento da eutrofização das águas do rio, devido à poluição.

A eutrofização é um problema que afecta o rio Tâmega há quase uma década, sobretudo na albufeira formada pela actual barragem do Torrão, localizada na foz do rio.

Sismos induzidos

Durante o debate, o deputado municipal por Amarante, Emanuel Queirós, alertou para o perigo dos sismos induzidos, um problema que, afirmou, «está completamente desvalorizado e foi até descurado» na análise dos dez empreendimentos considerados prioritários. Dos dez aproveitamentos seleccionados pelo Governo, a barragem de Fridão é a segunda infraestrutura em potencial hidroeléctrico, logo a seguir a Foz Tua, já adjudicada à EDP.

O Ministério do Ambiente anunciou que o concurso para a concessão da barragem de Fridão será lançado a 30 de Abril.


CLC, in CNN Portugal - 21 de Abril de 2008

PNBEPH - Rio Tâmega: Amarante: Barragem de Fridão pode provocar desastre ambiental na cidade









PNBEPH - Rio Tâmega
Amarante: Barragem de Fridão pode provocar desastre ambiental na cidade

O Tâmega é o curso de água, dos rios internacionais, que apresenta maior grau de poluição, devido à eutrofização NELSON GARRIDO (ARQUIVO)

A cidade de Amarante corre o risco de sofrer um desastre ambiental devido à elevada poluição do rio Tâmega, se a barragem de Fridão for transformada em aproveitamento reversível, ficando emparedada entre dois açudes e duas barragens, alertou hoje um especialista ambiental. A afirmação foi feita num debate, em Amarante, por Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e especialista em estudos de impacte ambiental.

Segundo o técnico, que tem colaborado em estudos ambientais de diversas barragens - nomeadamente Alqueva, Sabor e Foz Tua - o Tâmega é o curso de água, dos rios internacionais, que apresenta maior grau de poluição, devido à eutrofização (formação de algas tóxicas).

Rui Cortes sustenta, ainda, que se for construído um contra-embalse/açude a jusante da barragem, para permitir a recolocação da água na albufeira principal durante a noite, aproveitando a energia das eólicas, a qualidade da água colocada no curso de água (caudal ecológico) será de pior qualidade.

Outro problema crucial a debater no âmbito do estudo de impacte ambiental (EIA), a cargo do consórcio que ganhar o concurso, será a profundidade a que a água será turbinada.
 
"Quanto mais fundo for turbinada mais poluição terá o caudal libertado. Será necessário diminuir as fontes de poluição, a montante, se não vamos ter em Amarante um desastre ambiental", avisou o professor da UTAD.



Linha de alta tensão traz mais problemas


Participaram também no debate Hélder Leite, que chamou a atenção para os problemas da construção de uma linha de alta tensão de 400 KVA com 22 quilómetros de extensão, e Berta Estevinha, que considerou preocupante o aumento da eutrofização das águas do rio, devido à poluição.

A eutrofização é um problema que afecta o rio Tâmega há quase uma década, sobretudo na albufeira formada pela actual barragem do Torrão, localizada na foz do rio.

Durante o debate, o deputado municipal por Amarante, Emanuel Queirós, alertou para o perigo dos sismos induzidos, um problema que, afirmou, "está completamente desvalorizado e foi até descurado" na análise dos dez empreendimentos considerados prioritários.

Dos dez aproveitamentos seleccionados pelo Governo, a barragem de Fridão é a segunda infraestrutura em potencial hidroeléctrico, logo a seguir a Foz Tua, já adjudicada à EDP.

O Ministério do Ambiente anunciou que o concurso para a concessão da barragem de Fridão será lançado a 30 de Abril.


Lusa, in Público - 21 de Abril de 2008

segunda-feira, 7 de abril de 2008

PBNEPH - Rio Tâmega: O Mau Castor (ou o lobby das águas paradas)

PNBEPH - Rio Tâmega
O Mau Castor (ou o lobby das águas paradas)

Sempre tive uma renitência grande face a construção de barragens e represas, no exagero das mesmas, de paredões de betão erguidos ao alto e a inundar em albufeiras grandes pedaços de terra. Mas em Cabeceiras de Basto, como na restante região de Basto e Alto Tâmega, a anunciada alteração da face da sua paisagem, parece ter passado ao lado. Isto quando este lobby do Mau Castor, sob o encobrimento distorcido da nobre causa das energias renováveis, vai modificar profundamente os costumes e apagar da memória, irreversivelmente, muita da sua identidade histórica, cultural, humana e paisagística.

O investimento no estupro, é já por si um enormidade - para lá de 700 milhões de euros - porque é em betão, sem contar, claro, os habituais juros da demora, derrapagens e custos da subavaliação. Sobretudo quando o mesmo valor num programa nacional de eficiência energética traria melhores resultados económicos, cívicos e de educação ambiental, sem a desfiguração absurda e inconsequente do país.


Mas assim de resumido: 4 Barragens vão prender o rio Tâmega em enormes albufeiras: Daivões, Gouvães, Padroselos e Alto Tâmega (Vidago). Uma delas criará um enorme lago em redor de Ribeira de Pena (lá se vai a ponte de arame e umas aldeias em redor) e outra, a de Padroselos, irá inundar grande parte do trajecto do rio Beça, um dos últimos rios selvagens e sem poluição da Europa, que faz a fronteira norte de Gondiães em Cabeceiras, com Boticas. Para não falar da barragem do Fridão (entre Fidrão e Codeçoso) a montante de Amarante, com um paredão de 110 metros que vai levar a cota de enchimento até à histórica ponte de Cavez.


Desta escadaria de colunas de água aliás, que além inquietar as populações a jusante, teme-se que roce os tabuleiros das pontes da Barca entre Arco de Baúlhe e Atei de Basto, como a ponte em Mondim (na imagem acima). Isto sem falar na possibilidade da Barragem de Daivões ter localização mais abaixo e destruir a Pista de Pesca de Cavez. Uma coisa é certa: os salmonídeos, trutas e bogas, vão dar lugar a lúcios e carpas; no ar ainda mais humedecido da Região de Basto, espera-se o fedor das águas paradas, escuras, ácidas, profundas e perigosas, e os caiques nos rápidos dos afluentes vão dar lugar a iates para o pior do novo-riquismo.

No mar de água doce, nem sei que sabor terão as castas de vinho verde da Sub-Região demarcada, encostada ao longo do Tâmega. E as consequências de um semelhante erro compulsivo, terão também repercussões no Tua, onde a inundação daquele vale vai enterrar (passo a contradição) de vez a questão da linha ferroviária, juntamente com a riqueza única da sua fauna e flora.

Posto isto: não há exigência de fontes energias renováveis, nem de crescimento, que justifiquem a destruição de ecossitemas e paisagens culturais com esta violência e leviandade, sobretudo quando o resultado é alagar um país e sua identidade. Na verdade, estas soluções são, no efeito imediatista, erradas e ironicamente insustentáveis.

O “Plano Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico” (PNBEPH) é assim, um dos maiores atentados ao património de todos na loucura de obras públicas do Governo e tristemente sem alvo da consulta da opinião das pessoas. Os impactos ambientais serão abafados na ilusão dos barquinhos de recreio. Enfim, no entusiasmo das cimenteiras, não admirarão os prováveis candidatos à empreitada e os vencedores. Lá está: há que alimentar os fornos da co-incineração e justificar a nomeação de ex-ministros para gestores executivos de empresas de fundação amarantina, oportunistas como a Somague e ali, tão à mão, nesta bacia hidrográfica...



A ler também: Barragem de Fridão: Consequências Previsíveis sobre o Rio Tâmega e Amarante.

Vítor Pimenta, in Mal Maior - 07 de Abril de 2008
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Cabeceiras de Basto)

terça-feira, 1 de abril de 2008

2008 - Vão nascer quatro novas barragens no Rio Tâmega: Lembrando os carrascos do Tâmega no dia das mentiras






2008 - Vão nascer quatro novas barragens no Rio Tâmega
Lembrando os carrascos do Tâmega no dia das mentiras

Os ambientalistas protestam; o Governo assegura que estão asseguradas todas as normas ambientais.


in RTP - 1 de Abril de 2008

PNBEPH - A barragem de Fridão versus «cascata do Tâmega»

PNBEPH - RIO TÂMEGA

A barragem de Fridão versus «cascata do Tâmega»


Hoje, Terça-feira, dia 1 de Abril, por mais uma vez, reincido num tema que tem 14 anos de ampla abordagem pública e outros tantos de alheamento pela parte da autarquia amarantina, a barragem de Fridão versus «cascata do Tâmega».

Depois do recurso expedito e falacioso do Governo à patranha que o designado «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH)» constitui do ponto de vista ambiental, do desenvolvimento sustentável e da exploração exaustiva e massificada dos rios, em particular do Tâmega, pelo ministro do Ambiente (Francisco Nunes Correia) e pelo primeiro-Ministro (José Sócrates), com a divulgação do concurso público para a construção das barragens de Gouvães, Padroselos, Vidago (Alto Tâmega) e Daivões, acabaram de anunciar que no final deste mês será a vez de Fridão, integrando o mesmo «lote» de Alvito e Almourol.

Sendo dia primeiro de Abril ainda haverá quem possa admitir que se tenha tratado de alguma partida alusiva à data, mas de tantas partidas que o Governo vem “pregando” aos portugueses, admito que a experiência governativa aconselhasse, precisamente, reservar o dia de hoje para tratar de assuntos sérios e de grande complexidade.

Por isso, só à posteriori seremos confrontados com a cega rudeza da decisão e a crueldade da alienação de rios e da segurança da cidade de Amarante por via da construção betonada, em plenos leitos, de centrais produtoras de hidroelectricidade.

É este o respeito do Governo pelos amarantinos e a consideração que têm por Amarante o primeiro-Ministro e o Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, é esta a gestão dos recursos naturais de que o «socialismo» dá prova, salvo as devidas proporções, mas em nada diferente à orientação do Partido Comunista Chinês. Em contraponto, e em mais este caso, ficamos com a prova da eficácia, e da enérgica e consequente acção da Câmara Municipal de Amarante, «socialista», como gostam de sublinhar, junto dos membros do Governo do mesmo Partido, quando se trata de assegurar o Interesse Público local. Quanto ao que aqui é abordado a propósito da barragem de Fridão/«cascata do Tâmega», estamos falados, e este não será propriamente caso único ou apenas primeiro…

Por causa das nefastas decisões que foram já tomadas a propósito da construção das barragens no rio Tâmega, os alarmes estão a ressoar em Amarante e nesta acção de consciencialização e de militância verdadeiramente amarantina, relevo o papel do Coronel Artur Freitas, bem patente na última diligência efectuada junto do presidente da Câmara Municipal de Amarante, e que transcrevo com a indispensável permissão e reconhecimento:

«Sr. Presidente da Câmara Municipal de Amarante:

Independentemente do que V. Exa. houver por bem transmitir-nos na reunião que se dignou conceder-nos na próxima 5.ª feira, à tarde, creio que esta notícia será de molde a que V. Ex.ª tenha que reajustar o calendário que certamente teria em mente para  concretizar acções consequentes para  impugnar o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, no que toca à barragem de Fridão, em harmonia com a vossa posição e promessas públicas, a que estarão atidos os amarantinos que em V. Ex.ª continuam a depositar as suas  expectativas, em função dessas mensagens relativamente tranquilizadoras.

    Perante este anúncio perturbador, que vos terá surpreendido tanto quanto a  nós, permitimo-nos sugerir a V Exa. a urgência de alertar a Comissão de Acompanhamento erigida na Assembleia Municipal e a que preside o ilustre deputado municipal Exmo. Sr. Dr. Abel Afonso, comissão cuja dedicação e trabalho nos não merece quaisquer críticas nem louvores, porquanto não transparecem minimamente para o domínio público.

    Se no entender de V. Exa. a questão atingiu o ponto de não retorno, e V. Exa. se reconhece ultrapassado  pelos factos, teremos que ponderar na reunião da próxima 5.ª feira, e em conjunto com V. Exa., se fará algum sentido agastarmo-nos em esperanças vãs, ou continuar a alimentar ilusões no povo amarantino, ou de outro modo, é vossa e nossa obrigação, alertar os munícipes, em relação  a que o cenário se precipitou, só lhes restando equacionar todas e quaisquer formas de fazer chegar, aos responsáveis,  a nossa sentida inconformação e revolta por mais este esbulho e atentado à nossa cidade de que as gerações futuras, certamente, e com toda a legitimidade, pedirão contas a todos nós, a começar naturalmente por V. Exa.  que nos representa junto do poder central.

    Só assim nos demarcaremos do que possa induzir que adormecemos ou beijamos demasiado a mão ao sistema, amolecendo a opinião pública com retóricas bizantinas ou discursos de circunstância (não excluindo a nossa quota-parte de ingenuidade cúmplice).

   A V. Exa., e como sempre, pertence a primeira e última palavra, contando incondicionalmente connosco, em alinhamento com os interesses de Amarante a que V Exa. deve indeclinável e cristalina fidelidade.

    Com os nossos mais respeitosos cumprimentos,

     A Freitas»

Do meu ponto de análise, tudo quanto havia a fazer por parte das instâncias representativas dos amarantinos, visando a preservação da terra amarantina e do rio Tâmega como rio, já deviam ter sido tomadas há mais de uma década, mas ainda hoje estamos confrontados com decisões do Governo que reflectem uma indecorosa falta de senso local, e de verdadeiro empenhamento autárquico pela nossa causa comum amarantina.

As promessas de acção, de oposição consequente do presidente da Câmara Municipal de Amarante, até ao recurso às instâncias judiciais à nefasta e vil decisão do Ministro do Ambiente, do Ministro da Economia, e do primeiro-Ministro, preparada conjuntamente com a REN, o Director-Geral do Instituto de Geologia e Energia e o Presidente do Instituto da Água (INAG), ficaram por certo mais uma vez coladas ao gongorismo da vã retórica truculenta que a sociedade amarantina digere desatenta.

As provas estão à vista de todos, mas há luz que, não eléctrica, para alguns, ainda cega mais do que os deixa exercitar a visão.

Parafraseando um velho aforismo popular muito amarantino, sempre será desta que lá vamos todos “numa cheia de calondros”…

No «primeiro de Abril» do ano de dois mil e oito, não é por acaso que há «águas mil», e  não será por engano que em Portugal são concursadas barragens aos «lotes».


José Emanuel Queirós, in PlenaCidadania - 1 de Abril de 2008

PNBEPH - RIO TÂMEGA: GOVERNO LANÇA CONCURSOS PARA BARRAGENS NO ALTO TÂMEGA







PNBEPH - RIO TÂMEGA
GOVERNO LANÇA CONCURSOS PARA BARRAGENS NO ALTO TÂMEGA


O Governo lança esta terça-feira o primeiro concurso público para a construção das barragens de Gouvães, Padroselos, Alto Tâmega e Daivões, incluídas no plano nacional, cujo investimento será entre 450 e 760 milhões de euros.

O primeiro-ministro, José Sócrates, vai presidir à sessão de lançamento do 1º Concurso Público para a construção das barragens, onde estarão também presentes os ministros do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Francisco Nunes Correia, e da Economia e da Inovação, Manuel Pinho.
Em declarações à Lusa, Nunes Correia lembrou que o plano nacional foi aprovado em Dezembro de 2007 e que a barragem de Foz Tua já foi adjudicada, sendo agora lançado o concurso para mais quatro barragens.
O ministro anunciou ainda que as obras das cinco barragens (incluindo Foz Tua) deverão começar, “o mais tardar, em 2010 e poderão prologar-se até 2015” e ainda que o Governo vai lançar em meados deste mês o concurso para mais três barragens – Frisão, Alvito e Almourol – e no final de Abril o concurso das barragens do Pinhosão e Girabolhos, que deverão ser adjudicadas até Setembro deste ano.
Nunes Correia sublinhou que a construção das quatro novas barragens representa “um grande reforço do potencial hídrico que vai aumentar em 424 megawatts a capacidade de produção hídrica, passando a faltar 366 megawatts para o objectivo do Governo de alcançar os 7000 megawatts (actualmente cerca de 5.000 megawatts).
O prazo de entrega das propostas para o concurso público de atribuição de concessão, construção, exploração das barragens vai decorrer até 30 de Junho deste ano.
A classificação das propostas para efeitos de adjudicação será feita em função da mais elevada quantia oferecida que acresce ao valor base de 120.000.000 euros.
O Governo estabelece um prazo de concessão de 65 anos.
As barragens de Padroselos, Alto Tâmega (Vidago) e Gouvães representam um investimento entre 100 a 170 milhões de euros cada uma e a de Daivões terá um investimento que oscilará entre 150 e 250 milhões de euros.
Segundo o Governo, os investimentos das barragens constituem “uma importante alavanca para Portugal”, sendo nomeadamente uma “valia económica e social”, permitindo a criação de empregos, o aumento do PIB e o desenvolvimento regional.
O Governo aprovou no início de Dezembro o Programa Nacional de Barragens, tendo aprovado a construção de 10 novas barragens: Foz Tua, no rio Tua, Pinhosão, no rio Vouga, Padroselos, Vidago, Daivões, Fridão e Gouvães, no rio Tâmega, Girabolhos, no Mondego, Alvito, no rio Ocreza, e Almourol, no rio Tejo.
O Plano Nacional de Barragens vai implicar, segundo o ministro do Ambiente, um investimento total entre 1.000 e 2.000 milhões de euros e aumentar a capacidade hídrica instalada no país em mais 1.100 megawatts (MW).
Lusa, in Construir - 1 de Abril de 2008