quinta-feira, 23 de outubro de 2014

TÂMEGA - BARRAGEM DE FRIDÃO: Barragem deixa moradores e empresários de Mondim de Basto com vida suspensa






TÂMEGA - BARRAGEM DE FRIDÃO
Barragem deixa moradores e empresários de Mondim de Basto com vida suspensa


Moradores e empresários de Mondim de Basto, que serão afetados pela Barragem de Fridão, dizem estar com a "vida em suspenso" devido ao impasse na construção e pedem uma clarificação à EDP e Estado.

"Já há uma média de três anos que isto está parado, a gente nem sabe se a barragem vem ou não. Fala-se muito na barragem, eu queria fazer obras e, neste momento, está isto tudo parado", afirmou José Tapado, de 53 anos, morador no Alto da Corda, freguesia de Mondim de Basto.

Esta é a freguesia que vai ser mais afetada pelo empreendimento. A subida das águas poderá atingir cerca de 30 casas, algumas empresas e um parque de campismo.
José Tapado trabalhou na Suíça e investiu o dinheiro que ganhou na construção da moradia.

"A casa é muito importante para mim. Foi ganha pelo meu suor", afirmou. José Tapado disse ainda que, agora, "precisava de transformar o telhado e de fazer mais umas obras nos baixos" mas não sabe se há de "gastar ou não o dinheiro".

Do outro lado do rio Cabril, um dos afluentes do Tâmega, onde vai ser construída a barragem, a empresa Emiliano vive também uma situação delicada.

"Antes de mais temos uma limitação de energia. Não temos energia neste momento que nos foi cortada pela EDP e esse facto deve-se a que não podemos acabar o licenciamento deste estaleiro", referiu Carlos Amorim, um dos responsáveis pela empresa.

O responsável explicou que a EDP, de acordo com as novas regras, "não faz contratos de fornecimento de energia sem ter esse licenciamento", uma situação que diz que está a causar "um grande transtorno".

Este estaleiro acolhe várias empresas do grupo ligadas à área da construção, desde uma central de betão, uma loja de materiais, transportes e oficina. Para trabalhar a empresa recorre a um gerador.

Por todos estes constrangimentos e o impasse na barragem, a Junta de Freguesia de Mondim de Basto decidiu liderar uma ação popular contra a EDP e Estado português, que deu entrada esta semana no Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela.

A empresa de Carlos Amorim associou-se a esta ação popular.

"Só queremos que nos digam se realmente a barragem vai para frente ou não. Porque isto assim defrauda as empresas e as pessoas que têm terrenos que vão ser afetados pela barragem", sublinhou.

O presidente da Junta de Mondim de Basto, Fernando Gomes, disse que todos os dias é confrontado com a angústia das pessoas que "não sabem o que se vai passar".

"Esta ação é um 'basta!' a esta situação e tem dois objetivos: ou constrói ou não constrói. Se constrói quando e, se não constrói, que digam que não vai haver barragem e que a lei que já limita esta freguesia e concelho que seja revogada", salientou.

É que foram também já criadas as áreas de proteção da futura albufeira o que condicionou a realização de obras ou outras intervenções nestes espaços e foram, segundo o autarca, criadas expectativas quanto à criação de postos de trabalho.

O empreendimento afeta os concelhos de Amarante (onde se situará a barragem), Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Mondim de Basto e uma pequena parcela do território de Ribeira de Pena.

A Lusa contactou a EDP, que se escusou a comentar esta situação, e o Ministério do Ambiente que, até ao momento, ainda não se pronunciou.

Em julho, o ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, afirmou que o contrato de concessão da barragem do Fridão à EDP, em Amarante, deveria ser "assinado no máximo até setembro", o que não veio a acontecer.

O processo da barragem de Fridão, um investimento de 242 milhões de euros, tem sofrido sucessivos adiamentos face à programação inicial.

Lusa, in Porto Canal - 23 de Outubro de 2014

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

New Research: Deadly Chinese Earthquake May Have Been Man-Made





Deadly Chinese Earthquake May Have Been Man-Made


Rescue workers look through the ruins left by the August 3, 2014 earthquake. Lin Yiguang/Xinhua Press/Corbis

In August a large earthquake hit China's Yunnan Province, killing more than 600 people and injuring nearly 2,000 as tens of thousands of buildings collapsed and the shaking, along with heavy rains, caused the land to slide. Now, an engineer has laid out preliminary evidence suggesting that the earthquake was induced, that human activity pushed the fault to slip, says Nature.

Southwestern China is no stranger to earthquakes — the region has seen dozens of earthquakes stronger than magnitude 6 in the past 100 years. But Fan Xiao, an engineer with the Bureau of Geology and Mineral Resources in neighboring Sichuan province, says Nature, is arguing that the magnitude 6.2 earthquake was part of the increasingly common crop of human-assisted earthquakes. Seismologists call these “induced" earthquakes.

According to Xiao, the pressure put on the Earth's crust by filling a nearby reservoir with water may have caused an existing fault to slip. Nature:

Criss-crossed by active faults, the upper Yangtze region is seeing a boom in dam-building for the generation of hydropower. But when water flows quickly into the resulting reservoirs, it can change the stress on faults deep underground, either from the sheer weight of the water, or when water infiltrates the rocks through cracks and pores. These events might accelerate a fault’s natural ‘seismic clock’, hastening an earthquake that is already building, or increase the chance of one occurring at all.


Although it may seem like science fiction, man-made earthquakes have been a reality for decades. It has long been understood that earthquakes can be induced by impoundment of water in reservoirs, surface and underground mining, withdrawal of fluids and gas from the subsurface, and injection of fluids into underground formations.

As Smart News has written before, there is a long history of induced earthquakes in the scientific record. According to Nature, confirmation of Xiao's hypothesis will likely need to wait until other scientists can look at the more detailed seismic measurements captured of the earthquake, records which are, conveniently, “tightly controlled by hydropower companies.”

Colin Schultz, in Smithsonian magazine - September 10, 2014




(TRADUÇÃO) 

Nova pesquisa 
Terramoto mortal na China pode ter sido causado pelo homem 
Mais de 600 pessoas morreram no terramoto de 3 de agosto em Yunnan

Em agosto, um forte terremoto atingiu a província de Yunnan, na China, matando mais de 600 pessoas e deixando cerca de 2.000 feridas; dezenas de milhares de edifícios desabaram e os tremores, somados a chuvas fortes, provocaram deslizamentos de terra. Agora, um engenheiro apresentou evidências preliminares sugerindo que o terramoto foi induzido — ou seja, que a atividade humana forçou o deslizamento de uma falha geológica —, segundo a revista Nature. 

O sudoeste da China está acostumado a terramotos; a região registrou dezenas de abalos com magnitude superior a 6 nos últimos 100 anos. No entanto, Fan Xiao — engenheiro do Departamento de Geologia e Recursos Minerais da província vizinha de Sichuan, conforme relata a Nature — argumenta que o terramoto de magnitude 6,2 faz parte de uma série cada vez mais comum de sismos provocados pela ação humana. Os sismólogos chamam esses eventos de terramotos "induzidos". 

Segundo Xiao, a pressão exercida sobre a crosta terrestre pelo enchimento de um reservatório próximo pode ter causado o deslizamento de uma falha já existente. A Nature explica:

Cortada por falhas ativas, a região do alto Yangtze vive um boom na construção de barragens para a geração de energia hidroelétrica. Contudo, quando a água flui rapidamente para os reservatórios resultantes, ela pode alterar as tensões nas falhas em grandes profundidades, seja pelo peso da própria água ou pela infiltração do líquido nas rochas através de rachaduras e poros. Esses eventos podem acelerar o "relógio sísmico" natural de uma falha, antecipando um terramoto que já estava em gestação ou aumentando a probabilidade de que ele ocorra. 

A ideia não é inédita — nem de longe, afirma o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS): 

Embora possa parecer ficção científica, terramotos provocados pelo homem são uma realidade há décadas. Já se sabe há muito tempo que sismos podem ser induzidos pelo represamento de água em reservatórios, pela mineração (tanto de superfície quanto subterrânea), pela extração de fluidos e gás do subsolo e pela injeção de fluidos em formações subterrâneas. 

Como o Smart News já registrou anteriormente, existe um longo histórico de terramotos induzidos documentado pela comunidade científica. Segundo a Nature, a confirmação da hipótese de Xiao provavelmente terá de aguardar até que outros cientistas possam analisar as medições sísmicas mais detalhadas obtidas durante o terramoto — registros que, convenientemente, são “rigorosamente controlados por empresas hidroelétricas”.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

IBERDROLA - ALTO TÂMEGA: MUNICÍPIOS DO ALTO TÂMEGA ACORDAM COMPENSAÇÕES DE 50 MILHÕES DE EUROS PELA CONSTRUÇÃO DAS BARRAGENS










IBERDROLA - ALTO TÂMEGA
MUNICÍPIOS DO ALTO TÂMEGA ACORDAM COMPENSAÇÕES DE 50 MILHÕES DE EUROS PELA CONSTRUÇÃO DAS BARRAGENS

 Municípios do Alto Tâmega acordam compensações de 50 milhões de euros pela construção das barragens


Após várias reuniões entre a Iberdrola e os Municípios do Alto Tâmega, foi acordado, no passado dia 10 de Janeiro, o Plano de Ação, que envolve uma verba de 50 milhões de euros. Obras das barragens deverão começar este ano.
Lançada a conceção do Aproveitamento Hidroelétrico do Alto Tâmega, fazendo parte do plano Nacional de Barragens, foi a empresa espanhola Iberdrola que ganhou a referida concessão, onde se previam a construção de quatro Barragens (Gouvães, Tâmega, Daivões e Padrozelos). Porém, com a Declaração de Impacto Ambiental (DIA) foi inviabilizada a barragem de Padrozelos.
Decorrente da DIA, previa-se para os Municípios do Alto Tâmega uma compensação socioeconómica pela edificação das barragens e, em Setembro de 2011, os municípios apresentaram um Plano de Ação, a ser discutido com a Iberdrola, no valor de 50 milhões de euros, mas que nunca teve uma aprovação formal, pelo que os municípios não puderam ainda beneficiar dessas compensações.
Na sequência das últimas eleições autárquicas, das quais resultaram novos executivos à frente das Autarquias do Alto Tâmega, os Municípios insistiram em fazer um ponto de situação com o Governo sobre o Aproveitamento Hidroelétrico do Alto Tâmega, de que veio a resultar uma reunião com o ministro do Ambiente no dia 20 de Dezembro de 2013. Decorrente dessa reunião, o ministro mostrou abertura e empenho, para que o Plano de Ação, ao nível das compensações decorrentes da DIA, fosse formalmente aprovado. Agendadas, depois, reuniões com a Iberdrola, algumas das quais com a presença do ministro do Ambiente, os Municípios do Alto Tâmega chegaram a um acordo no passado dia 10 de Janeiro.
O Plano de Ação aprovado, recalcado e apresentado em 2011, prevê um investimento de 50 milhões de euros de contrapartidas que serão aplicados em projetos a desenvolver em cada um dos seis municípios do Alto Tâmega ( Boticas, Chaves, Ribeira de Pena, Montalegre, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar) e no concelho de Cabeceiras de Basto, que também é afetado pela construção das barragens. Neste valor não se incluem as verbas que a Iberdrola terá que dispensar pelos danos causados pela construção das barragens, tais como a expropriação de terrenos, realojamento de pessoas e construções de vias, entre outros prejuízos que possam ser causados pela edificação das barragens.
Estas verbas do Plano de Ação não serão diretamente disponibilizadas a cada município, mas aplicadas nos projetos apresentados no âmbito do Quadro Comunitário de Apoio, que entrou em vigor em Janeiro de 2014 e se prolongará até 2020, ou então nas obras a executar ou já em execução aprovadas no anterior Quadro Comunitário, cobrindo a parte não financiada.
in Câmara Municipal de Boticas - 21 de Janeiro de 2014