quarta-feira, 27 de julho de 2011

Barragem de Fridão - Tâmega: Câmara contesta algumas medidas propostas no RECAPE






Barragem de Fridão - Tâmega
Câmara contesta algumas medidas propostas no RECAPE

A Câmara Municipal de Mondim de Basto apresentou uma exposição escrita à Agência Portuguesa do Ambiente, no âmbito do Acompanhamento Público do Relatório de Conformidade Ambiental do Projecto de Execução (RECAPE) do “Aproveitamento Hidroeléctrico de Fridão”, na qual contesta algumas das medidas propostas no referido Relatório. 

No documento apresentado, foram levantadas questões que se considera não terem sido devidamente salvaguardadas, nomeadamente o que diz respeito à recuperação dos moinhos existentes, aos restabelecimentos das ligações pedonais entre Bromela e Agunchos (Ponte dos Cabrestos) e entre Montão e Vilar de Viando (Ponte Medieval do Cabril) e ainda do acesso que liga as freguesias de Paradança a Rebordelo (Amarante).

Além disso, foram também manifestadas preocupações relativamente ao Nível Mínimo de Exploração referido no RECAPE (NmE 150), que difere do anteriormente colocado em Consulta Pública (NmE 155).


A autarquia mostra-se assim atenta ao desenvolvimento de todo este processo, intervindo, sempre, no sentido de salvaguardar o interesse dos munícipes.


in Notícias de Vila Real - 27 de Julho de 2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Programa Nacional de Barragens: Verdades sobre o barragismo que não interessam a todos

Programa Nacional de Barragens
Verdades sobre o barragismo que não interessam a todos

1 - O Plano Nacional de Barragens é a 3.ª Parceria Público Privada mais cara de todas: 7.000 milhões de euros, o equivalente a quase 10% do pacote de ajuda externa acordado por Portugal para adiar a resolução da dívida externa.

2 - Quer as albufeiras destas barragens tenham água para produzir energia eléctrica ou não, o Estado (todos nós) garante às concessionárias 30% de receitas, para além é claro do produto da facturação eléctrica aos consumidores (todos nós, mais uma vez), que já é das mais caras da Europa.

3 - O aumento do consumo de energia eléctrica entre 2009 e 2010 foi de 4,7%: o total de produção de energia eléctrica de todas as 10 barragens do Plano Nacional de Barragens (não esquecer que duas delas já foram canceladas) representa 3,2% da electricidade consumida em 2009. Trocado por miúdos, as 10 barragens juntas não produzem o suficiente para cobrir sequer o aumento do consumo de electricidade!

4 - Considerando os dados da REN, e considerando ainda as perdas nas turbinas e geradores, mais o factor de produção líquido de bombagem e respectivas perdas, o pacote de 10 barragens vai na verdade ter uma produção líquida de... ZERO energia.

5 - O reforço de potência da Barragem da Venda Nova (construída em 1951) é o suficiente para se conseguir o equivalente a 77% da energia que irão produzir 10 (DEZ!!!) novas barragens, tendo ainda um período de funcionamento 65% superior a estas e a um custo 58% inferior (em termos de unidade monetária por cada kW produzido). Portugal tem mais de 200 grandes barragens com possibilidade de reforços de potência.

Para além de todos os aspectos negativos e que os números bem elucidam... há a questão do tremendo impacto ambiental (e em quase todos os casos também cultural e social) da construção das barragens (que têm mesmo que começar a deixar de ser "vendidas" como uma energia limpa)... e perda em termos de biodiversidade é tremenda, sendo o caso mais grave de todos provavelmente o Sabor... sem dúvida um dos crimes ambientais da década em Portugal... já para não dizer do século...


Pedro Jorge Pereira (+351) 93 4476236 - 25 de Julho de 2011

PNBEPH - Tâmega: “OS VERDES” DERAM MAIS UM NÃO À BARRAGEM DE FRIDÃO













PNBEPH - Tâmega
“OS VERDES” DERAM MAIS UM NÃO À BARRAGEM DE FRIDÃO

O Partido Ecologista “Os Verdes” reiterou na passada sexta-feira, o seu NÃO categórico à construção da Barragem de Fridão (Rio Tâmega). Este não do PEV foi reafirmado no quadro da participação de “Os Verdes” no acompanhamento público, em fase de RECAPE, do Aproveitamento Hidroeléctrico do Fridão, enviado à Associação Portuguesa do Ambiente, entidade responsável pelo acompanhamento da Avaliação de Impacto Ambiental.

Desta participação pública, destaca-se a acusação de “Os Verdes” de falta de transparência na documentação disponível, citando nomeadamente, a não disponibilização ao público das informações sobre as medidas e mecanismos exigidos no ponto 5 da Declaração de Impacte Ambiental (DIA), relativas à compensação das construções afectadas por este empreendimento. Uma questão que “Os Verdes” consideram da maior importância, visto que este empreendimento, caso venha a ser concretizado, vai afectar cerca de 70 construções entre as quais, 48 com uso habitacional, sendo que 31 são residências permanentes e que a grande maioria se situa na Freguesia de Mondim de Basto que será gravemente afectada.

“Os Verdes” sublinham ainda que as medidas apresentadas nos documentos disponíveis, pouco ou nada vêm atenuar os gravíssimos impactos sociais e ambientais, e os riscos que este empreendimento vai gerar, dando como exemplo, a solução apontada para remediar a retenção sedimentar, solução que consideram ser “uma fuga para a frente”, que nada resolve e que tudo deixa em aberto.

“Os Verdes” relembram ainda neste Parecer, que o seu não a este empreendimento, por razões de ordem económica, social, energética e ambiental, já foi diversas vezes expresso, nomeadamente em sede parlamentar, onde o PEV apresentou várias iniciativas, entre as quais se destaca uma proposta para suspender e travar o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico. “Os Verdes” apresentam agora o endividamento nacional como mais uma razão para parar com a construção deste empreendimento.

“Os Verdes” consideram que as barragens deste Programa, caso venham a ser concretizadas, darão mais um forte contributo para o endividamento do país que se reflectirá, mais uma vez, no bolso dos cidadãos, através do aumento dos impostos ou da tarifa da electricidade. Para “Os Verdes”, os “lucros e benefícios” das barragens deste Programa só servem os interesses das grandes empresas hidroeléctricas, nomeadamente a EDP, e dos seus accionistas, e não os das regiões envolvidas ou do país.


O Partido Ecologista “Os Verdes” (Gabinete de Imprensa) - 25 de Julho de 2011

domingo, 24 de julho de 2011

Interesse Nacional - EDP: O mito das grandes obras e a ilusão do 'Eldorado'

Interesse Nacional - EDP
O mito das grandes obras e a ilusão do 'Eldorado'


Ao ler a notícia acima no «Público» de hoje (24/07/2011) lembrei-me da ilusão de muitos dos nossos autarcas e comerciantes locais, agarrados ao mito de que as grandes obras (auto-estradas barragens, etc.), trazem por arrastamento um surto de desenvolvimento local.

Aqui está a prova acabada de que nem sempre é assim, mesmo descontando o facto de que o tão propalado 'Eldorado' só dura o tempo preciso das obras. E, mesmo assim, estamos a ver o que acontece em tempos de crise como o que infelizmente vivemos.

Daí que seria altura de as pessoas abrirem, de vez, os olhos e perceberem que todo este prometido "desenvolvimento" no fundo é uma grande ilusão e que como nos tempos do volfrâmio, depois dos charutos acesos com notas de conto, ficam as dívidas, o lixo à porta de casa, os buracos nas estradas, as escombreiras, os estaleiros abandonados, as águas desviadas e inquinadas, enfim, um rol de desgraças com que mais ninguem se vai importar, muito menos os que foram responsáveis por elas quantas vezes em nome de um falso interesse nacional, como tem sido o caso da EDP e do seu paladino, o incontornável dr. Mexia.

Luís van Zeller de Macedo - 24 de Julho de 2011
Presidente da Direcção da Associação Cívica Pró-Tâmega (Amarante)

domingo, 17 de julho de 2011

Rio Douro (Portugal): Banhos perigosos no Douro devido aos níveis de poluição




Rio Douro (Portugal)
Banhos perigosos no Douro devido aos níveis de poluição


Eduardo Pinto e Patrícia Posse, in Jornal de Notícias, N.º 46, Ano 124 (p. 22) - 17 de Julho de 2011

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Brasil - Amazónia: Barragem de Belo Monte "o cavalo de Tróia do rio Xingu"





Brasil - Amazónia
Barragem de Belo Monte "o cavalo de Tróia do rio Xingu"

Lá nas américas do Brasil e do Chile como cá no envergonhado Portugal europeu do século XXI a pirataria atlântica passou dos mares para os rios com a descoberta da fórmula pacífica do assalto ao património da Terra, de todos e de sempre, com o ultrajante proteccionismo corsário dos governos dos Estados actuais.
Lá como cá, na Patagónia (Baker e Pascua), na Amazónia (Xingu) e no Tâmega, sabe quem paga a exorbitância dos garimpos e o arrojo dos assaltos aos territórios indígenas?


Raúl Silva Telles do Valle (director do Instituto Socioambiental), in Painel Brasil TV - Julho de 2011

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Tâmega (Mondim de Basto) - Barragem de Fridão: Freguesia de Mondim promove esclarecimento público com Joanaz de Melo






Tâmega (Mondim de Basto) - Barragem de Fridão
Freguesia de Mondim promove esclarecimento público com Joanaz de Melo


No próximo dia 15 de Julho (sexta-feira), pelas 21H30, a Junta de Freguesia de Mondim de Basto vai levar a efeito uma palestra sobre os impactos negativos que resultarão da construção da Barragem de Fridão (Amarante) e das Linhas de Muito Alta Tensão que vão atravessar os territórios do Tâmega desde o Carrapatelo (Marco de Canaveses) até Vila Pouca de Aguiar.

O orador convidado para esta sessão pública é o Prof. Eng.º João Joanaz de Melo, Presidente do GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente) e Professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa(FCT-UNL).

Este evento terá lugar no auditório da Escola EB 2,3/Secundária de Mondim de Basto e está inserida no conjunto de iniciativas de esclarecimento e debate que a Junta de Freguesia tem realizado sobre as problemáticas relacionadas com a Barragem de Fridão, agora no âmbito do período de Acompanhamento Público do Aproveitamento Hidroeléctrico de Fridão (RECAPE), em curso durante 12 dias úteis, de 07 a 22 de Julho de 2011.


Freguesia de Mondim de Basto

Av. Dr. Augusto Brito S/N
4880-232 Mondim de Basto
tlf.: 255 382 741 - Fax: 255 386 571
www.jf-mondimdebasto.pt

Barragens - Linhas de Muito Alta Tensão: Palestra sobre impactes da Barragem do Fridão em Mondim de Basto







Barragens - Linhas de Muito Alta Tensão
Palestra sobre impactes da Barragem de Fridão em Mondim de Basto

Vai realizar-se a 15 de Julho, às 21h30, na Freguesia de Mondim de Basto, uma palestra sobre a Barragem de Fridão, no âmbito do acompanhamento público do Aproveitamento Hidroeléctrico de Fridão, subordinada ao tema “Linhas de Muito Alta Tensão - Os Impactes Negativos no Território”.

A palestra terá lugar no auditório da Escola EB 2,3/S de Mondim de Basto. O orador convidado é João Joanaz de Melo, professor na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e presidente da Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA).

in Notícias de Vila Real - 14 de Julho de 2011

segunda-feira, 11 de julho de 2011

As novas barragens são um crime!: 15 MIL MILHÕES DE EUROS para nada!






As novas barragens são um crime!
15 MIL MILHÕES DE EUROS para nada!





Exmo. Senhor Primeiro-Ministro (José Sócrates):

Vimos pedir-lhe os seguintes esclarecimentos:
  1. Em que se baseia para afirmar que as novas barragens vão poupar a importação de Petróleo, se as nossas centrais termo-eléctricas utilizam gás e carvão?

  2. Em que estudo fundamenta o cálculo de que Portugal poupará, com as novas barragens, a importação de 3,3milhões de barris de Petróleo?

  3. Como comenta o facto de as dez novas barragens terem, em conjunto, um produtibilidade média média de 1672 GWh/ano, conforme informação retirada das propostas de adjudicação constantes do site do INAG, o que representa 3,2 por cento do consumo de energia em 2010 e 72% da variação do consumo 2010/2009?
Com os melhores cumprimentos,
Ass.

NOTA: O GABINETE DO 1.º MINISTRO NÃO RESPONDEU A NENHUMA DAS PERGUNTAS

Números redondos, as novas barragens (do Mexia e Cª) vão custar aos consumidores-contribuintes quatro vezes o montante do investimento inicial (por causa dos lucros das eléctricas e juros bancários), e vão agravar os encargos mensais das famílias com electricidade em 10%, pelo menos... Para quê? Para obter um acréscimo marginal na produção energética nacional (3%). Uma bagatela, portanto, de 15 MIL MILHÕES DE EUROS, que somados aos milhares de milhões de euros que está previsto gastar com as PPP são uma canga cada vez mais insuportável e criminosa sobre o presente e o futuro do país.

Este cálculo foi realizado por gente que sabe, e se peca por alguma coisa, é por defeito. Basta ver onde estão as cotações da EDP, dos bancos portugueses e da República ao dia de hoje; imaginar o impacto duradouro da actual crise financeira; e ainda o que o petróleo a 200 dólares irá fazer daqui a dois anos à maioria dos project finance fantasistas como aqueles que a EDP, a Ibertrola (perdão, Iberdrola) e Endesa gostam de fabricar, para imaginar o destino trágico do Plano Nacional de Barragens desenhado à medida dos interesses especulativos da EDP.

De momento, a Propaganda intensiva do senhor Mexia, e da turma de jornalistas que traz no bolso, tem ofuscado o espectador distraído, os especuladores locais, os deputados e os governantes. Cá estaremos para lembrar este post quando mais esta vigarice monumental cair!

Já agora, mais uma informação importante: as albufeiras do país, graças à falta de manutenção adequada por parte dos concessionários, e à nova agricultura intensiva do olival e da vinha (duas imbecilidades como muitas outras), estão a evoluir para verdadeiros pântanos, de onde em breve não sairá, nem água para beber, nem água limpa para a agricultura, nem turismo —salvo talvez o da pesca de carpas! O aviso sobre a inutilidade turística de albufeiras eutróficas já foi dado pelo New York Times. Leram?

POST SCRIPTUM — como bem observou Marco Gomes, o "acréscimo marginal" da produção energética das novas barragens planeadas será mesmo nulo se a taxa de consumo se mantiver aos níveis actuais. Ou seja, 15 MIL MILHÕES para coisa nenhuma, salvo para salvar a pele do senhor Mexia.


António Cerveira Pinto, in O António Maria - 11 de Julho de 2011

terça-feira, 5 de julho de 2011

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Universidade Católica - Cursos de Verão: Rios e Ribeiras em Movimento: cidadania activa








Universidade Católica - Cursos de Verão 2011
Rios e Ribeiras em Movimento: cidadania activa

Formação sobre a importância e a actuação dos movimentos cívicos na preservação dos recursos hídricos. 
O objetivo principal é levar os participantes a descobrir alguns movimentos cívicos de defesa dos nossos rios e ribeiras e as ações de sucesso na área da preservação destes recursos.

Data de realização: 12 de Julho de 2011 (9h30 às 12h30 e das 14h00 às 18h00)


Programa

Movimentos de cidadania em defesa dos Rios. O Projecto Rios e a reabilitação de Rios e Ribeiras. Visita de campo ao Rio Tinto, na foz e no Parque Oriental do Porto.

Inscrições limitadas: de 8 a 20.

Católica (Porto), Projecto Rios, ARH do Norte, I.P., in Cursos de Verão na Católica - Julho de 2011

domingo, 3 de julho de 2011

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Assembleia Intermunicipal da CIM-TS (28 de Junho de 2011) - Rio Tâmega: Breve relato da discussão do relatório «Albufeira do Torrão»









Assembleia Intermunicipal da CIM-TS (28 de Junho de 2011) - Rio Tâmega
Breve relato da discussão do relatório «Albufeira do Torrão»

Estando agendado no ponto 2.º da Ordem do Dia da Assembleia da Comunidade Intermunicipal, realizada no passado dia 28 do corrente mês, a análise do Relatório Técnico «Albufeira do Torrão - Registo do Estado da Situação», tal veio efectivamente a verificar-se.

Sobre este assunto o Presidente da Mesa da Assembleia deu de imediato a palavra ao Presidente Executivo da Comunidade, simultaneamente Presidente da Câmara de Penafiel, Sr. Dr. Alberto Santos que esclareceu ter agendado o assunto e enviado cópia do Relatório Técnico sobre o estado da albufeira do Torrão, após solicitação nesse sentido do membro da Comunidade sr. Eng. van Zeller. Deu ainda nota da preocupação da Comunidade sobre a situação detectada na Albufeira do Torrão, sugerindo trazer a uma próxima assembleia o Presidente da A.R.H.Norte, com quem as câmaras da zona afectada já reuniram, por forma a ser por ele exposta a estratégia a seguir no sentido de ser contrariada a poluição das aguas do rio Tâmega, na Albufeira do Torrão, origem das ocorrências detectadas.

De seguida interveio Luís Rua van Zeller de Macedo, que esteve na origem do agendamento do assunto em debate, que se congratulou com a pronta inclusão deste logo na assembleia seguinte, bem como o prometido e concretizado envio de uma cópia do Relatório a todos os membros da Comunidade.

Referiu também a sua preocupação com a repetição dos problemas nas albufeiras das barragens previstas para o rio Tâmega caso a sua construção vá por diante, o que não espera, tendo em atenção o actual nível de poluição do rio desde a sua nascente em Espanha, até à foz em Entre-os-Rios. Chamou, ainda, a atenção para a responsabilidade de todas as câmaras da bacia do rio Tâmega, no bom e correcto funcionamento das respectivas ETARs, bem como a necessária colaboração técnica na deteção dos principais focos de poluição a referenciar e intervencionar ao longo do curso do rio.

Falaram ainda sobre o assunto outros membros da Assembleia da Comunidade, nomeadamente um para dizer da gravidade que as conclusões do relatório lhe suscitavam, e outra para apenas referir que o relatório lhe parecia não ter grande valor científico, (apesar da colaboração nele de reputados especialistas e professores!) universitários, posição esta que não deixa de ser no mínimo curiosa, na nossa opinião.


No final do debate sobre este tema interveio ainda o senhor Dr. Pedro Cunha, eleito por Amarante, que propôs que quando da vinda do Presidente da A.R.H.-Norte este esclarecesse se a questão da eutrofização da água verificada na albufeira do Torrão é previsível acontecer nas de montante, nomeadamente na de Fridão.

Aguardamos, naturalmente, a publicação da acta que foi entretanto aprovada em minuta para apreciar o relato oficial do que se passou e aqui acabei de descrever resumidamente e de memória.


Luís van Zeller de Macedo (eng.º) - 1 de Julho de 2011
Membro da Assembleia da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa

quarta-feira, 29 de junho de 2011

SIC - Grande Reportagem: "As Novas Barragens"

SIC - Grande Reportagem
"As Novas Barragens"



Rio Tâmega em Setembro de 2009 - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

No próximo dia 3 de Julho, já no próximo Domingo, a SIC vai emitir, no Jornal da Noite, a Grande Reportagem "As novas barragens" onde será abordada a problemática, entre outras ligadas ao programa do anterior (des)governo no que à política de construção de barragens diz respeito, da Barragem de Fridão.

Os intervenientes são - José Emanuel Queirós, António José Lourenço, Francisco Ferreira, Vale do Tua, Artur Freitas, Luís van Zeller, Paula Chainho, Melissa Shinn, Pantos Quercus, Susana Fonseca, José de Sá, Rui Manuel Vitor Cortes e Carla Castelo, a jornalista que tomou este assunto nas mãos.


A imagem é de Jorge Pelicano. Não perca e siga quem ainda não desistiu de lutar pelos rios deste país, Tâmega incluído.

Anabela Magalhães, in Anabela Magalhães - 29 de Junho de 2011

Grande Reportagem SIC: As novas barragens





Grande Reportagem SIC
As novas barragens


Está em marcha a maior iniciativa de construção de barragens desde a década de 60. Nove grandes empreendimentos hidroeléctricos deverão entrar em funcionamento nos próximos anos. Nos governos de José Sócrates, foram anunciados como forma de reduzir a dependência energética externa, criar emprego e promover o desenvolvimento local. Com o plano de resgate financeiro em curso, há quem questione a racionalidade destes investimentos. Os críticos do programa nacional de barragens garantem que o país tem mais a perder do que a ganhar.

Em Outubro de 2007, foi lançado o Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico. José Sócrates tinha chegado ao Governo há 2 anos. No programa eleitoral, fixara o objectivo de criar de 150 mil empregos e prometera apostar na produção de electricidade a partir de fontes renováveis. A grande hídrica não constava do programa eleitoral, mas a energia eólica sim.

A iniciativa pública para a construção de 10 barragens foi apresentada com objectivos de interesse nacional, desde logo, o de reduzir a dependência energética externa do país.

O Presidente do Instituto da Água defende o programa que o INAG desenhou: "Nós não temos petróleo nem gás, o nosso petróleo e o nosso gás é a água", assegura Orlando Borges.

Das 10 barragens que foram a concurso internacional, em 2008, 8 foram concessionadas. Fridão, Foz-Tua e Alvito à EDP; Padroselos, Alto Tâmega, Daivões e Gouvães à Iberdrola; e Girabolhos à Endesa. Padroselos acabou por ser chumbada na avaliação de impacto ambiental, devido ao aparecimento de uma espécie rara de bivalve. Além das 7 incluídas no Programa Nacional, outras 2, Ribeiradio e Sabor estão a ser construídas pela EDP.

Nos vários locais onde está prevista a construção de novas barragens esgrimem-se argumentos a favor e contra. Mas, com o plano de resgate financeiro em curso, é preciso olhar para a situação do país.

Os críticos da aposta nas barragens avisam que o investimento inicial de 3 mil e 600 milhões de euros há-de reflectir-se na factura dos consumidores, multiplicado várias vezes. Pelas contas de Joanaz de Melo, professor do curso de Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa (FCT UNL), o encargo total será "mais de 15 mil milhões de euros sobre os bolsos dos consumidores contribuintes."

Quanto à redução da factura energética externa, o docente da FCT UNL garante que quase não se fará sentir. As novas barragens terão uma produção média estimada por ano de cerca de 2000 GWh, 3,8% do consumo de electricidade em Portugal. Em 2010 o país consumiu 52 200 GWh de electricidade, mais 4,7% do que no ano anterior. Ou seja, a produção das novas barragens nem sequer chega para cobrir o aumento do consumo.


AS NOVAS BARRAGENS
Jornalista - Carla Castelo; Repórter de Imagem - Jorge Pelicano; Edição de Imagem - Ricardo Piano; Grafismo - Cláudia Ganhão; Produção - Isabel Mendonça; Coordenação - Cândida Pinto; Direcção - Alcides Vieira.

in SIC notícias - 29 de Junho de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

Rio Tâmega - Barragem do Torrão: Comunidade Intermunicipal analisa estado da massa de água na albufeira

Rio Tâmega - Barragem do Torrão
Comunidade Intermunicipal analisa estado da massa de água na albufeira


No final dos anos oitenta, logo nos primeiros anos após o enchimento da albufeira criada em Alpendorada e Matos (Marco de Canaveses), o rio Tâmega começou a evidenciar perda de qualidade das águas expressa no manto verde fulgurante que passou a apresentar nos meses de estio.

A jusante da cidade de Amarante as alterações físicas do estado da água retida no paredão da central hidroeléctrica são um ex libris do entendimento do valor do rio e do serviço da água nas políticas autárquicas, reflexo do conceito que nossos decisores têm do Ambiente em contexto hidrofluvial.

O rio Tâmega - água, caudal, vale e paisagem - é na cidade de Amarante a mais extensa praça pública e o seu mais visitado monumento natural, mas tem sido tratado, muito mais, como a mais eficaz escapatória dos efluentes marginais que transbordam na cidade. E aquilo com de que de melhor a natureza nos dotou foi transformado pelo homo politicus num caldo químico produtor de gás nocivo para o ambiente e capaz de colocar em «risco» a Saúde pública.

Com Amarante furtiva e alheada de um problema que também é seu, o vizinho concelho do Marco de Canaveses não compactuou na omissão do processo de eutrofização e colocou na mesa dos mais responsáveis a condição de extrema degradação do meio hidrofluvial transformado em produtor de metano.

O estado da massa de água do «rio Tâmega» represada na Barragem do Torrão (Alpendorada e Matos - Marco de Canaveses) é um dos pontos inscritos na Ordem de Trabalhos da Assembleia Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa (CIM-TS), sessão que vai decorrer hoje (28 de Junho) na sede da Comunidade, em Penafiel (ex-GAT do Vale do Sousa).

O sentido da reabilitação do rio, como artéria da Terra revitalizadora e estruturante para as comunidades do Tâmega, prossegue tendendo para a mais do que necessária recuperação da qualidade das águas que passam por Amarante, até por imperativos legais comunitários determinados para 2015, em que poucos acredita(ra)m. Para esses, contudo, está cumprida uma etapa fundamental para a recuperação possível do rio Tâmega, assim o cremos, com o envolvimento das entidades responsáveis para a situação marginal e o estado de calamidade a que os mais responsáveis votaram o «nosso» rio.

Agora que o assunto deixou de estar exclusivamente na mão de «poetas» e passou para o plano dos decisores é de seguir o curso da luta até vermos resultados consequentes e desejáveis por todos e para todos.

José Emanuel Queirós - 28 de Junho de 2011
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Amarante)

sábado, 25 de junho de 2011

Tâmega - Barragem de Fridão: Autarcas de Basto atrás do maná da EDP





Tâmega - Barragem de Fridão
Autarcas de Basto atrás do maná da EDP




(...) A Barragem de Fridão, no rio Tâmega, que vai afectar território dos quatro municípios de Basto, é vista pelos presidentes como uma oportunidade para potenciar a empregabilidade e o turismo.

No entanto, os quatro não esconderam o desconforto com os problemas ambientais associados à infraestrutura, exigindo conpensações financeiras da EDP, como vincou Joaquim Barreto.


Armindo Pereira Mendes / Lusa, in Tâmega online (25 de Junho de 2011) e Tâmega Jornal, N.º 72, Ano 3 (p. 12) - 15 de Julho de 2011

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Barragem do Torrão (Rio Tâmega) - Assembleia Municipal de Amarante: Luís van Zeller questiona Presidente da Câmara sobre o estado do rio na albufeira






Barragem do Torrão (Rio Tâmega) - Assembleia Municipal de Amarante
Luís van Zeller questiona Presidente da Câmara sobre o estado do rio na albufeira



Luís van Zeller de Macedo (eng.º), in Assembleia Municipal de Amarante - 24 de Junho de 2011

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Rio Tâmega - Barragem do Torrão: Estado da Albufeira do Torrão nas preocupações da Câmara do Marco de Canaveses

Rio Tâmega - Barragem do Torrão
Estado da Albufeira do Torrão nas preocupações da Câmara do Marco de Canaveses


(clicar na imagem para abrir o documento integral)


SUMÁRIO EXECUTIVO

INTRODUÇÃO


O documento reflecte a manifestação de ocorrências observadas na massa de água da albufeira do Torrão (Sobre-Tâmega - Marco de Canaveses).
Os factos observados no rio Tâmega, em Abril de 2010, apontam para o cúmulo de um processo de degradação progressiva do meio hidrofluvial.
Foram feitas diversas diligências para caracterização dos factos, junto de académicos, da tutela da bacia hidrográfica do Douro, e consulta de estudos analíticos e científicos sobre a caracterização das águas e estado do Tâmega.
Os pareceres obtidos sobre o estado físico, químico e biológico da água concluem que «pode colocar em risco as populações humanas que utilizam a água para consumo ou recreio.» (Pereira; Vasconcelos, 2002).
O ‘fenómeno’ observado aponta para a perda da qualidade do meio hídrico na albufeira do Torrão.

CONTEXTO HIDROFLUVIAL NA ABUFEIRA DO TORRÃO

A massa de água na albufeira do Torrão apresenta grandes alterações do seu estado natural – físico, químico e microbiológico.
As margens, apresentam aspecto pantanoso, constituído de lodos onde se acumulam pastas verdes e sobras de todo o tipo.
As alterações são resultantes da transformação de um meio lótico em meio semi-lêntico, onde o aumento da luminosidade, calor e excesso de nutrientes despoleta uma progressiva degradação da água na albufeira.
O processo designa-se «eutrofização», caracterizado pela proliferação de fitoplâncton dominado por cianobactérias (algas azuis), Microcystis aeruginosa e Pseudanabaena mucicola, diatomáceas e clorófitas (Pereira; Vasconcelos, 2002), que torna as águas do rio muito tóxicas.




ESTUDOS DA MASSA DE ÁGUA (ALBUFEIRA DO TORRÃO)


Os documentos técnicos e científicos analisados são compreendidos entre o ano hidrológico de 1990/91 e o ano de 2008.
  1. Relatório (1992) da Direcção de Serviços Regionais de Hidráulica do Douro (DSRHD) conclui: «não será aconselhável o recreio com contacto directo e indirecto», adiantando, «essa proibição deverá ser acautelada nos meses de Agosto e Setembro por se tratarem dos meses críticos». (Maria do Rosário Norton)

  2. Estudo (Setembro de 1999 e Setembro de 2000) de Pereira e Vasconcelos, refere: «Os dados obtidos permitem-nos concluir que a ocorrência de cianobactérias tóxicas neste troço do rio Tâmega, pode colocar em risco as populações humanas que utilizam a água para consumo ou recreio.»
  3. Estudo fitoplanctónico (2000), refere: «o contacto directo de cianobactérias é um risco, principalmente tratando-se de estripes produtoras de toxinas». As conclusões acentuam: «as actividades náuticas, o banho e mesmo pontos de captação para águas de abastecimento público, em massas de água contaminadas, são susceptíveis de produzir exposição às cianotoxinas».

  4. Estudos paramétricos microbiológicos (2000 e 2001) à «água bruta» do rio, junto à captação (ETA do Semealho), demonstram o aumento da densidade Algal Total, densidade de clorófitas e densidade de cianobactérias.

  5. O relatório de avaliação à eficiência da ETA - Semealho (2002) refere: «É necessário encarar a situação (fluorescências de cianobactérias em albufeiras e rios) como um problema de saúde pública, justificando-se a aplicação de medidas fundamentais, que passam pela vigilância das águas e pela protecção das águas de superfície, de modo a melhorar o seu estado eutrófico.» De onde se relevam as advertências: «As cargas orgânicas elevadas e variáveis, existentes durante os blooms, podem comprometer aparentes sucessos de tratamento. Será necessário continuar estudos pormenorizados sobre a eficiência da remoção de cianobactérias e cianotoxinas nas várias etapas de tratamento de água da E.T.A. do Marco de Canaveses.».

  6. Dissertação de Mestrado de Ana Regueiras (2009) identifica a existência de «22 estirpes de cianobactérias», com dominância de Aphanizomenon flos-aquae e Microcystis aeruginosa e «a produção de microcistinas-LR (até 10,62µg/L)» em concentrações «cerca de 10 vezes superiores aos legislados e semelhantes aos referidos pela OMS para águas recreativas.»

AS OCORRÊNCIAS-ALVO

Os serviços municipais foram informados, a 14 de Abril de 2010, da formação de “bolsas de ar” ou “erupções” no leito do rio Tâmega, (ponte de Canaveses).
Os técnicos deslocados ao local presenciaram o seguinte:

► a emersão de bolhas gasosas, trazendo o que aparentavam ser lamas que, à superfície, abrem em círculos com a produção de auréola de espuma.
As ocorrências observadas registam-se em localizações de algumas centenas de metros para montante da captação de água de Semealho, que alimenta 87,5% do sistema de abastecimento público do concelho.


PROCEDIMENTOS OBSERVADOS

As ocorrências aconselhavam ao esclarecimento prévio da situação.
Os procedimentos foram:

  1. contacto com o Professor Doutor António Luis Crespí (UTAD), visando a explicação do ‘fenómeno’;

  2. contacto com a Administração Regional Hidrográfica do Norte (ARH-N), alertando para «o facto de existir uma captação de água, que fornece o abastecimento de água de grande parte do concelho».

RESULTADOS ALCANÇADOS

A situação foi explicada pelo Professor Doutor António Crespí (UTAD) como podendo tratar-se de um processo de «fermentação anaeróbica».

O Professor Doutor Rui Cortes (UTAD), no parecer transmitido referiu:
— «São bolhas de metano que resultam da decomposição de matéria orgânica nos sedimentos. É um fenómeno comum em meios eutrofizados.»
Da Administração da Região Hidrográfica do Norte, I.P. (ARH-N), a Directora do Departamento de Recursos Hídricos Interiores (Maria José Moura), salienta:
— «Poderá também haver uma acidificação do meio, mas o mais provável é que a qualidade habitual da água naquele troço de rio decorra do estado de eutrofização em este se encontra.»



EQUADRAMENTO DE PRINCÍPIOS

O estado alterado da massa de água do rio Tâmega (albufeira do Torrão) leva em consideração os princípios internacionais relativos ao Ambiente com incidência no recurso da Água:
► «pôr fim à exploração insustentável dos recursos hídricos» – princípio consagrado pela ONU (2.000) na Declaração do Milénio (n.º 23 - IV, p.6);
► «Assegurar a sustentabilidade ambiental em 2015» – meta para cumprir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), estabelecidas na Década Internacional para a Acção «WATER FOR LIFE» (2005-2015), da Assembleia-Geral das Nações Unidas;

► «2015 o prazo para alcançar uma boa qualidade das águas de superfície» – Directiva 2000/60/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 23 de Outubro de 2000 (Quadro de Acção Comunitária no domínio da política da água);

► «desenvolvimento sustentável» e «uso eficiente, racional e parcimonioso deste recurso» – Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água (PNUEA) – Resolução do Conselho de Ministros n.º 113/2005, de 30 de Junho.

CLASSIFICAÇÕES ATRIBUIDAS NA LEI
Sobre este troço terminal do rio Tâmega e a massa de água da albufeira da Barragem do Torrão (EDP, S.A.) recaem diversas classificações:
  • «reserva ecológica nacional» (REN) – leito do Tâmega e rede hidrográfica, ( Decreto-Lei n.º 93/90, de 19 de Março);

  • «zona sensível» – reserva de água da Albufeira da Barragem do Torrão (Decreto-Lei n.º 152/97, de 19 de Junho);
  • «ecossistema a recuperar» – Plano de Bacia Hidrográfica do Douro (Decreto Regulamentar n.º 19/2001, de 10 de Dezembro);
  • «albufeira de utilização protegida» – plano de água e zona terrestre de protecção (Decreto Regulamentar n.º 3/2002 de 4 de Fevereiro), reclassificada no novo regime (Portaria n.º 522/2009 de 15 de Maio);

  • «zona protegida» – reserva de água na Lei da Água (Lei n.º 58/2005, de 29 de Dezembro );

  • «corredor ecológico» na categoria de «zona sensível» – vale do Tâmega no Plano Regional de Ordenamento Florestal do Tâmega (Decreto Regulamentar n.º 41/2007, de 10 de Abril).

CONCLUSÕES

Os resultados descritos pelo Professor Doutor Rui Cortes (UTAD) como «bolhas de metano» resultante de «decomposição de matéria orgânica nos sedimentos», em processo de «fermentação anaeróbica» (Professor Doutor António Crespí – UTAD), conjugado com a informação da Directora do Departamento de Recursos Hídricos Interiores (Maria José Moura) da ARH-Norte, referenciando que «poderá também haver uma acidificação do meio», como resultado do «estado de eutrofização» da massa de água, e o recurso a vários estudos científicos permitiram apurar que a situação hidrofluvial reportada reflecte acentuado estado de degradação.

As directivas internacionais, a Lei comunitária do Parlamento Europeu e a legislação nacional, têm o ano de 2015 como limite para «pôr fim à exploração insustentável dos recursos hídricos» e «para alcançar uma boa qualidade das águas de superfície».

O estado de alteração física, química, biológica e microbiológica da água no troço do rio Tâmega em referência, aponta no sentido da progressiva perda de qualidade do meio, traduzido anualmente na densidade crescente do fitoplâncton e no aumento da ocorrência de cianobactérias tóxicas.

A alteração microbiológica e a toxicidade da massa de água está patente em todos os estudos consultados, onde é manifesto tratar-se de «um problema de saúde pública», pelo «risco» para as populações, nomeadamente, as «que utilizam a água para consumo ou recreio».

Os estudos consultados confirmam a ocorrência de florescências de fitoplâncton na massa de água da albufeira do Torrão, «podendo ser responsáveis por danos a nível do ecossistema e da saúde humana». O grupo das cianobactérias é um dos organismos mais comuns e «que causam os efeitos mais negativos em termos de diminuição da qualidade das águas.».

O ‘fenómeno’ é o resultado cumulativo de um processo de degradação ambiental do meio dulciaquícola, desenquadrado dos princípios internacionais em matérias de ambiente e de recursos hídricos, em desconformidade com a Lei nacional e comunitária e em ruptura com as classificações atribuídas.

Trata-se de um problema do interesse público local, regional, nacional e comunitário, que importa acautelar pela gravidade ambiental e pelas potenciais repercussões susceptíveis de incidir na saúde pública.


Câmara Municipal do Marco de Canaveses - 23 de Julho de 2010

terça-feira, 21 de junho de 2011

Assembleia da República - «Salvar o Tâmega»: Um caso exemplar da grande falperra à portuguesa

Assembleia da República - «Salvar o Tâmega»
Um caso exemplar da grande falperra à portuguesa

Durante a legislatura anterior (2009-2011) enviei diversos e-mails aos deputados da República sob a temática «Ajude a Salvar o Tâmega», e as escassíssimas respostas que deles recebi ou foram meramente evasivas, provindas do secretariado de algum dos Grupos Parlamentares, ou obedeceram ao designado tipo «chapa cinco» na fórmula repetida, com endereço identificativo do deputado e do grupo partidário.

Talvez o assunto abordado nos contactos aos eleitos tenha para mim uma importância sem o mesmo reflexo entre os nossos distintos representantes, talvez não tenha sabido expor à «nata» dos políticos portugueses e defender convenientemente uma causa sentida no Tâmega como justíssima de hoje e de sempre. 


Fica, para mim, claríssima a ideia de que entre os 230 membros com assento no órgão mais representativo do sistema democrático em Portugal, o Tâmega (rio e região) não teve em algum dos distritos que o envolve (Braga, Porto e Vila Real) nenhum representante capaz de, por si e pelos que potencialmente representa, se opor à chacina que sobre ele e nós impende.

No entanto, numa das respostas automáticas que o email do Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega recepcionou proveniente de um deputado da República, havia de ficar registado um episódio de contornos sui generis: o feedback electrónico do eleito, justificando estar de «licença de paternidade» até àquele dia (inclusive), estranhamente, vinha marcado pela sua qualidade de jurista e para «qualquer assunto urgente» mandava o contacto de sua secretária na sociedade de advogados, que nem me passaria pela intenção contactar qualquer que fosse a razão, muito menos sabendo antecipadamente que se tratava da empresa que detém em Portugal a assessoria jurídica dos apetites hidroeléctricos da Iberdrola pelo Tâmega.

Cortez e de aparentes bons modos, com voz cuidadamente melodiosa e levemente acentuada pelo tracto minhoto, como muito bem se apresenta na TêVê, também não deixaria supor-se capaz uma refrega ordinária com a linguagem soez como protagonizou no areópago da democracia com o socialista Afonso Candal tendo as energias como tema de fundo.

Mesmo à custa dos esquálidos peitos centenários da república, a nação portuguesa não deixará de ser uma falperra para uns quantos privilegiados do regime que, quando aportados a Lisboa, se abarbatam com as melhores carnes da esvaída madona, indistintamente dos grupos em que resguardam a sua volúpia mercenária e seus vorazes apetites republicanos.

Nesta insana luta pelo desejo de «Salvar o Tâmega», obtive uma confirmação: a de que, os portugueses, somos merecidamente «comidos» (literalmente!) por aqueles em quem colocámos os nossos depósitos de confiança mais genuínos e o grande CANCRO da nossa democracia tem presença contaminante no hemiciclo parlamentar. E são passíveis de reconhecimento as raízes desta estirpe de maleita que sufoca o Estado com residência efectiva um pouco mais a montante nas sacralizadas organizações partidárias que em casos semelhantes são tão protectoras do descompromisso ético e da imoralidade como qualquer sociedade secreta.

Com a garantia curricular do desempenho de altos cargos na Administração, este caso fortuitamente identificado é exemplo exemplar (passo a redundância) da genuína falperra à portuguesa que grassa no grande pagode alfacinha, em que o paladino parlamentar para as matérias do Ambiente compagina sem esforço o Interesse Público com os avultados interesses da eléctrica, sendo por certo muito melhor conhecido da Iberdrola do que dos seus potenciais eleitores no seu distrito de origem.


E viva a falperra alfacinha enquanto a democracia os aguenta!


José Emanuel Queirós - 21 de Junho de 2011
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Amarante)