sexta-feira, 9 de maio de 2008

PNBEPH - TÂMEGA: AMARANTE E O VALE DO TÂMEGA NA PENEIRA DOS ELEITOS LOCAI

 PNBEPH - TÂMEGA

AMARANTE E O VALE DO TÂMEGA NA PENEIRA DOS ELEITOS LOCAIS

Acabando de saber que na reunião da Câmara Municipal de Amarante, ocorrida no passado dia 5 de Maio de 2008 (Acta N.º 17/2008), o Executivo deliberou estudar a possibilidade de interposição de uma providência cautelar à abertura do concurso de concessão  da Barragem de Fridão, não me surpreende minimamente a posição contrária, assumida pelo Presidente da Câmara e pela sua Vereadora, ao arrepio daquilo que o próprio até aí vinha propalando, na comunicação social e nos órgãos do Município.

Ao fim de 14 anos, desde que algumas das problemáticas relativas ao projecto hidroeléctrico de Fridão/«cascata do Tâmega»  passaram ao domínio público por minha intervenção (enquanto membro-fundador da Associação Cívica e Ecológica «Os Amigos do Rio»), entre todas as iniciativas conhecidas da responsabilidade do Presidente da Câmara Municipal de Amarante, o que verdadeiramente me surpreendeu foi a que, sob sua proposta, em Setembro (17) de 2007, levou a Câmara Municipal de Amarante (Acta n.º 34/2007) a marcar posição contrária ao consignado no «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico» quanto ao projectado empreendimento para o escalão de Fridão. Tudo o mais, quanto ao que à designada «Barragem de Fridão» e à «cascata do Tâmega» diz respeito, dos actos de que não guardou reserva e não se me desvaneceram da memória, são de inteira coerência argumentativa, tanto nas posições “caseiras” que manifestou como pela influência que, certamente, exerceu em alguns dos seus vereadores a quem delegou o pelouro do Ambiente, até reflectida na falta de posicionamento e atitude, durante cerca de década e meia, do órgão executivo a que preside.

Portanto, quando no passado dia 19 de Abril de 2008, o Presidente da Câmara Municipal de Amarante se fez notar pela ausência na sessão realizada sobre as repercussões da Barragem de Fridão, nos Paços do Concelho, levada a efeito pela «Comissão de Acompanhamento da Barragem de Fridão» de que faz parte, creio podermos daí inferir, justamente, um sinal sintomático deixado pelo próprio no contexto mais apropriado.

 

O «CHUMBO» À CLASSIFICAÇÃO DA PAISAGEM DO TÂMEGA

Evitando, por agora, a exaustividade das circunstâncias e da cronologia, que não é propósito presente, retenho o que assisti na sessão ordinária da Assembleia Municipal de Amarante de Dezembro (22) de 2007. Confrontado com o meu dever de eleito, com a faculdade proponente que o estatuto me concede e com respaldo no Decreto-Lei n.º 19/93 de 23 de Janeiro (números 1 dos artigos 9.º e 26.º), nessa sessão plenária, para deliberação no período de «Antes da Ordem do Dia», apresentei uma moção visando a classificação de

«a) toda a faixa do território concelhio enquadrada na paisagem do vale percorrido pelo rio Tâmega, de área de «paisagem protegida», e

 b) das raras formações sedimentares insuladas existentes no rio Tâmega, no concelho de Amarante, tais como são exemplos a Ínsua dos Frades e a Ilha dos Amores, de «monumento natural».»

Estando os trabalhos a decorrer, comigo na tribuna a apresentar e a defender o que creio ser um desiderato legítimo e justo dos amarantinos e de Amarante, quando o Presidente da Câmara Municipal de Amarante, não encontrando melhor argumento para influenciar o sentido de voto da bancada municipal do PS, soltou dizendo em tom e som que obrigou à minha interrupção: «Isto é truque! Isto é truque!...»

A fase de discussão da proposta teve as provas mais eloquentes até onde pode ir a desvergonha da maioria dos eleitos, a desonestidade intelectual plantada no contorcionismo dos argumentos mais inverosímeis, e o descompromisso com o juramento a que todos devemos respeito: Juro que cumprirei com lealdade as funções que me são confiadas!. É o que cada um afirma em de viva voz, ante o Município, no acto de posse.

Perante tudo o que de mais insensato outros eleitos locais me fizeram presenciar, numa matéria que supunha pacífica e consensual – mas o que perderam de assistir in loco os cidadãos deste País que não se deslocaram naquela manhã de Dezembro ao Salão Nobre dos Paços do Concelho! – logo percebi que o «chumbo» era uma inevitabilidade política conjuntural, e que de positivo, para Amarante, ficaria o lastro incorruptível que o texto a seguir consubstancia. 


PREÂMBULO PARA CLASSIFICAÇÃO DO TÂMEGA E ILHAS

«Para o território que dá pelo nome de Amarante, para a cidade que constitui sua sede administrativa, e para a região Tâmega, a Natureza fundiu magma e água num tracto fecundo e generoso, legado remoto que temos em usufruto no lugar que tem por nome Amarante.

O chão comum que da terra se eleva em xisto e granito, do fundo do vale às alturas do Marão, fixa em Amarante marcas singulares de um cenário multi-milenar, activo, transposto e tornado fértil pela brandura do rio, onde o homem pacificamente se acolheu.

A paisagem diversa e prolífica que o rio edificou em terras de Amarante, é um fenómeno telúrico irrepetível, de equilíbrio entre cada um dos seus elementos naturais que a integram, estabelecido no permanente e necessário afeiçoamento do homem à terra. Desse diálogo insondável das civilizações com a Natureza, mantido ao longo do vale na constância fecunda das águas, advém para Amarante um valor cénico intrínseco, amplamente reconhecido, acima do próprio valor natural do ecossistema. A paisagem que o rio abriu, ora rasgando o vale e humificando a terra, ora brotando aquecidas águas das suas entranhas, e que o homem trabalha arroteando courelas vinhadeiras no sopé da serra, detém indelével cunho natural-civilizacional.

As marcas naturais e culturais, singulares na sua origem e na resultante da sua conjugação inscritas no cerro da terra amarantina, são produto da mesma categoria de forças que atraíram o Santo à beira-Tâmega, ditaram a fundação da vila e do concelho, impulsionaram Pascoaes na descoberta do valor deste nosso «vale sagrado», e despertaram em Amadeo o traço e as cores da sua profunda sensibilidade criativa.

O vale do Tâmega, com o rio fluindo no seu curso natural, sempre fugidio e sempre reflexivo aos pés da cidade, nem sempre foi entendido e defendido na dimensão genesíaca dos valores equilibrados e únicos que possui. E, só por isso, o vale, o rio, a cidade e o seu povo, reflectem injustificadas faltas que o verdadeiro trabalho político há que realizar, definindo localmente regras de reconciliação com a Natureza.

Sem pressas nem agravos, enquanto a cidade se conscientiza ou se alheia, o rio Tâmega trabalha a paisagem ao ritmo equilibrado da auto-regeneração do vale, incutindo em Amarante uma prosperidade natural registada na sucessão dos ciclos temporais. Sazonalmente, oferece a descida das águas, no Verão, e, no Inverno, a subida e as cheias do Tâmega (quando as há!) que tratam de limpar as margens e o leito, e de renovar os depósitos aluvionares e as areias, que na cidade há quem compreenda e estime.

Amarante, erigida no vale sobre ambas as margens do Tâmega, mantém com o rio uma relação de estreita convivialidade, tão necessária quanto dela está dependente a existência da própria cidade e o reflexo da sua imagem.

Esta paisagem crescida em diálogo perene entre o rio Tâmega e as características geomorfológicas do vale, cuja história remonta à remota história geológica do planeta, teve florescimento autónomo e ganhou harmonia singular, que se observa no território onde Amarante ganhou lugar, até chegar a concelho e o lugar a cidade. E, hoje, na tomada de consciência do factor determinante de vida que o rio consubstancia e gera em curso natural, perscruta-se o seu apelo ao homem para que evite mais desmandos e novos excessos, que impeça a degradação da qualidade das águas e a destruição dos biótopos, que limite a introdução de mais desarranjos no sistema biofísico e perturbação à harmonia dinâmica da paisagem.


QUANTO VALE A PAISAGEM DEFINIDA PELO RIO TÂMEGA

1. Reconhecendo a relevância e dando expressão pública ao valor estético – pictórico e poético – da paisagem definida pelo vale percorrido pelo rio Tâmega em território concelhio, fonte do forte sentimento que os amarantinos desenvolvem pelo Tâmega e pela paisagem que de si se eleva em multímodos cenários na presença constante do rio, e que constitui verdadeiro potencial propulsor do turismo para o concelho e para a região, ainda pouco aproveitado;

2. Considerando que o rio Tâmega, a geomorfologia do tracto e o cenário do vale são a estrutura de suporte à vida na região e no concelho, e permanecem factores de importância vital extrema no arranjo biofísico e na dinâmica natural da paisagem de Amarante, na estabilidade de todo o contexto sócio-económico, patrimonial, e de equilíbrio entre todos os elementos que alimentam a complexidade ambiental regional e local;

3. Em ordem à:

a) consagração definitiva do valor geográfico, ecológico, e estético da paisagem irrepetível do vale do Tâmega, resultante da necessária inter-relação existente, com o seu curso fluindo a ritmo natural, pelo reconhecimento do seu valor patrimonial natural e construído, ecológico, cultural e social, insubstituíveis;

b) promoção da melhoria da qualidade de vida dos amarantinos, à garantia da gestão e utilização equilibrada da paisagem definida pelo vale do Tâmega, à conservação da Natureza e ao desenvolvimento sustentado;

c) protecção dos nossos recursos naturais, bem patentes no rio e no vale do Tâmega, contra todas as formas de degradação do meio e do nosso ambiente;

4. Considerando que:

a) no âmbito do Regulamento do Plano Director de Amarante (PDM) – ratificado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 165/97, em conformidade com o regime da Reserva Ecológica Nacional Decreto-Lei n.º 93/90 de 19 de Março – o leito do rio Tâmega está classificado de «reserva ecológica nacional (REN)», bem como toda a rede hidrográfica instalada em território do concelho (al. a) – número 2 - Anexo I);

b) com a publicação do Decreto-Lei n.º 152/97 de 19 de Junho, a Bacia Hidrográfica do Tâmega, foi classificada de «zona sensível», em virtude de se «revelar eutrófica»;

c) pelo normativo regulamentar do Plano de Bacia Hidrográfica do Douro, em vigor – aprovado pelo Decreto Regulamentar n.º 19/2001, de 10 de Dezembro –, para a sub-Bacia do Tâmega se estabelece e classifica de «ecossistema a recuperar» o sector terminal do rio Tâmega «desde Mondim de Basto, confluência da ribeira de Cabresto, à confluência com o Douro», em cuja secção do vale está integrado o seu percurso feito em território deste concelho (al. n) - Parte VI);

d) pela Lei n.º 58/2005 de 29 de Dezembro (Lei da Água), toda a Bacia do rio Tâmega recebeu o estatuto de «zona protegida» (Artigo 4.º - al. jjj));

5. Observando o regime jurídico estabelecido pela Lei n.º 11/87, de 7 de Abril (Lei de Bases do Ambiente), nomeadamente quanto aos princípios específicos enunciados – «Da prevenção», «Do equilíbrio», «Da participação», «Da procura do nível mais adequado de acção», e «De recuperação» (all. a), b), c), f), g), h) - Artigo 3.º) –, e no qual se consagra a «protecção e valorização das paisagens» como instrumentos da política de gestão das próprias paisagens (Artigo 19.º);

6. Tendo em vista dotar o Município de Amarante dos instrumentos legais que proporcionem limitar os processos degradativos que se registam sobre cada um dos componentes da paisagem amarantina atravessada pelo rio Tâmega, e promover, nomeadamente, a recuperação da qualidade das águas do rio e das paisagens do vale por si percorrido em território concelhio.»


AMARANTE E O VALE DO TÂMEGA AINDA PODEM ESPERAR?

O que poderá constituir surpresa para muitos, é que esta minha iniciativa – enquanto no cumprimento da função de eleito local – visando dar início a um processo de classificação do vale e das ilhas do Tâmega, esbarrou com as «nomenclaturas» partidárias formadas e instaladas nos órgãos representativos do Município de Amarante. E, sem dúvida, deram provas insofismáveis de estar muito rotinadas nestas coisas dos «usos» do poder. Mas, simultaneamente, provaram também que se comportam por cânones recônditos e por propósitos castradores onde não se vislumbram reais interesses colectivos do concelho nem respeito pelos valores que Amarante em si comporta.

No atoleiro político-partidário em que Amarante mergulhou, muito por falta de exigência cívica e por força do afastamento que os cidadãos deram aos seus eleitos, episódios semelhantes a este são rotina no órgão fiscalizador e deliberativo do Município de Amarante, onde contra o facto do PS exibir o seu poderio sectário atroz, não há argumentos que possam vingar fora do recalcitrado espírito de horda.

José Emanuel Queirós, in PlenaCidadania - 9 de Maio de 2008

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Ainda a Barragem de Fridão

Ainda a Barragem de Fridão








Tâmega - S. Gonçalo - Amarante - Portugal
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Hoje volto à carga para reforçar a ideia de perda irreparável que se verificará em Amarante se tudo o que está previsto pela construção desta malfadada barragem se vier a concretizar. 

Perda irreparável para Amarante e perda irreparável para cada um de nós, amarantinos que amam a terra que os viu nascer.

Por isso postei as mesmas fotografias de ontem, desta vez sem cortes, e no maior tamanho em que é possível publicá-las aqui no blogue. 

Já o disse e repito. Não é um tamanho de fotografia que eu use muito. Porque gosto de postar o tamanho mais pequeno e deixar que as pessoas as ampliem investigando e absorvendo um ou outro pormenor que achem mais interessante. Mas, porque a hora é grave, aqui ficam as mesmíssimas fotografias que ilustraram o meu "post" de ontem no maior tamanho possível.

Para que as pessoas interiorizem o que corremos o risco de deixar afogar, e de perder, sem possível reparação futura.

E nós, amarantinos, não estamos já fartos de perder?

Anabela Magalhães, in Anabela Magalhães - 8 de Maio de 2008

terça-feira, 6 de maio de 2008

Votação sobre a barragem de Fridão

Votação sobre a barragem de Fridão

Barragem de Fridão
Vantagens
Desvantagens
  • Produz grandes quantidades de energia;
  • Responde rapidamente a necessidades de pico de consumo;
  • Permite o desenvolvimento económico;
  • Benefícios para as zonas rurais, na área do turismo, indústrias e agricultura;
  • Destruição de importante património histórico e natural;
  • Em anos de seca a produção de energia baixa muito;
  • Degradação da água do rio Tâmega;
  • Esta construção irá criar enormes questões ao nível da segurança.

No dia 9 de Abril de 2008, organizámos uma votação acerca da Barragem de Fridão.

A mesma questão foi colocada a 111 membros da comunidade escolar (professores, funcionários e alunos) da Escola Secundária/3 de Amarante:


«Como sabe a construção da barragem de Fridão irá trazer benefícios para a nossa cidade, mas ao invés, traz inúmeros prejuízos a nível paisagístico, patrimonial e levantará inúmeras questões de segurança.

A pergunta que colocamos é a seguinte:

“Amarante deveria aceitar a construção da barragem de Fridão?”»

Resultados:


31 pessoas votaram "SIM" e 80 votaram "NÃO", o que permite concluir que a comunidade amarantina, na sua grande maioria é contra a construção da barragem de Fridão.

Enzo, in The Awesome Stuff - 6 de Maio de 2008

segunda-feira, 5 de maio de 2008

FRIDÃO/BARRAGEM: Câmara de Amarante pede parecer jurídico sobre providência cautelar contra concurso







FRIDÃO/BARRAGEM: Câmara de Amarante pede parecer jurídico sobre providência cautelar contra concurso


A Câmara de Amarante decidiu hoje, por maioria, estudar a possibilidade de intentar uma providência cautelar contra a abertura do concurso para a barragem de Fridão, lançado pelo Ministério do Ambiente a 30 de Abril.

A decisão foi tomada na reunião camarária desta segunda-feira, tendo o executivo deliberado – por cinco votos a favor (PSD, MAA/Ferreira Torres e IND.) e dois contra (PS) – solicitar um parecer ao gabinete jurídico da autarquia acerca dos fundamentos da referida providência cautelar.

O vereador independente Carlos Silva apresentou uma proposta para o executivo aprovar a apresentação da providência cautelar, mas uma contra-proposta de Amadeu Magalhães acabou por levar à retirada da primeira, depois de ambas terem sido admitidas a discussão.

Carlos Silva defendia que se deve impugnar desde já o concurso, tendo acusado o presidente de "pouco ou nada ter feito para travar a construção da barragem".

Armindo Abreu, por seu lado, considerou que a proposta estava mal fundamentada, não expressando sequer "que acto do Governo deve ser impugnado e quais os fundamentos da impugnação".

"Só depois da barragem construída é que vai fazer alguma coisa?", perguntou Carlos Silva, num comentário às posições de Armindo Abreu.

Ferreira Torres também entrou na discussão: "Ele [presidente] não vai fazer nada, como no caso da maternidade. [Armindo Abreu] É uma peça do Governo".

O vereador Amadeu Magalhães (PSD) interveio para alertar "que [a barragem] é um assunto demasiado sério para haver clivagem no executivo", considerando, também, que a proposta de Carlos Silva, ao não fundamentar a impugnação, é "insensata".

Acabou por vingar a proposta do primeiro vereador do PSD: "Sou contra a barragem, mas uma providência cautelar deve ser um acto ponderado e a sua oportunidade [logo após o lançamento do concurso público] é questionável".

A proposta aprovada hoje determina que os serviços jurídicos da câmara avaliem as possibilidades de travar nos tribunais o concurso da construção da barragem de Fridão e apresentem um parecer no prazo de 15 dias.

Se o Município apresentar uma providência cautelar contra o concurso o processo desencadeado pelo Ministério do Ambiente pára imediatamente e, pelo menos, terá a vantagem, segundo alguns ambientalistas, para separar o caso de Fridão das outras nove barragens.

Recorde-se que a construção do aproveitamento hidroeléctrico de Fridão, a menos de uma dezena de quilómetros a montante da cidade, tem sido apresentado pelos movimentos ecologistas e de cidadãos como “um atentado ambiental” à região de Amarante.

in Marão online - 5 de Maio de 2008

quarta-feira, 30 de abril de 2008

PNBEPH - BARRAGEM DE FRIDÃO: Bloco propõe ao Governo suspensão das barragens do Foz Tua, Fridão e Baixo Sabor






PNBEPH - BARRAGEM DE FRIDÃO
Bloco propõe ao Governo suspensão das barragens do Foz Tua, Fridão e Baixo Sabor

O Bloco de Esquerda (BE) propôs hoje a suspensão das barragens de Foz Tua, Fridão e Baixo Sabor, do Plano Nacional de Barragens, e dos concursos de concessão até se concluírem estudos de impacte ambiental. Propôs ainda o estudo da possibilidade de substituir a barragem de Almourol por mini-hídricas ou que a sua albufeira não ultrapasse a cota 19. Ver aqui a proposta.

Numa proposta de resolução entregue hoje (29) na Assembleia da República, os bloquistas propõem que o executivo de José Sócrates “recue na decisão de construção das barragens de Foz Tua, Fridão e Baixo Sabor”.

Por outro lado, a bancada do BE quer que o Governo “suspenda todos concursos de concessão das barragens” previstas no Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) “até estarem concluídos os processos de avaliação de impacte ambiental”.

O BE considera, no texto da resolução, “elemento decisivo para a tomada de decisão sobre a construção ou não de cada uma das barragens” a conclusão dos processos de avaliação do impacte ambiental de cada barragem.

Preocupações ambientais explicam a sugestão para que seja estudada a possibilidade de substituir por mini-hídricas a barragem de Almourol, aproveitando-se para fazer a beneficiação do parque de campismo de Constância.

Os bloquistas recomendam ainda ao Governo que “não permita que a albufeira da barragem de Almourol, caso avance, tenha um nível de pleno armazenamento superior à cota 19” e que seja elaborado “um plano de recuperação da qualidade da água do rio Tâmega”, impedindo-se que a albufeira da Barragem do Torrão “ultrapasse a cota 62”.

O Governo aprovou no início de Dezembro de 2007 o Programa Nacional de Barragens, tendo aprovado a construção de 10 novas barragens: Foz Tua, no rio Tua, Pinhosão, no rio Vouga, Padroselos, Vidago, Daivões, Fridão e Gouvães, no rio Tâmega, Girabolhos, no Mondego, Alvito, no rio Ocreza, e Almourol, no rio Tejo.

O plano nacional de barragens vai implicar, segundo o executivo, um investimento total entre 1.000 e 2.000 milhões de euros e aumentar a capacidade hídrica instalada no país em mais 1.100 megawatts (MW).

in Ecoblogue, 30 de Abril de 2008

terça-feira, 22 de abril de 2008

TÂMEGA: BARRAGENS PODEM AUMENTAR POLUIÇÃO

TÂMEGA: BARRAGENS PODEM AUMENTAR POLUIÇÃO

As quatro barragens previstas para o rio Tâmega podem provocar um desastre ambiental devido à poluição do rio, alertou à RR Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. 

Para o especialista, o caso mais grave é o da barragem de Fridão que pode agravar o ambiente na cidade de Amarante. 

O Tâmega é dos cursos de águas internacionais que apresenta um maior grau de poluição em Portugal.

in Tribuna Médica Press - 22 de Abril de 2008

segunda-feira, 21 de abril de 2008

PNBEPH - Rio Tâmega: Amarante - Barragem de Fridão pode provocar desastre ambiental na cidade







PNBEPH - Rio Tâmega
Amarante: Barragem de Fridão pode provocar desastre ambiental na cidade

A cidade de Amarante corre o risco de sofrer um desastre ambiental devido à elevada poluição do rio Tâmega, se a barragem de Fridão for transformada em aproveitamento reversível, ficando emparedada entre dois açudes e duas barragens, alertou hoje um especialista ambiental. A afirmação foi feita num debate, em Amarante, por Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e especialista em estudos de impacte ambiental.

Segundo o técnico, que tem colaborado em estudos ambientais de diversas barragens - nomeadamente Alqueva, Sabor e Foz Tua - o Tâmega é o curso de água, dos rios internacionais, que apresenta maior grau de poluição, devido à eutrofização (formação de algas tóxicas).

Rui Cortes sustenta, ainda, que se for construído um contra-embalse/açude a jusante da barragem, para permitir a recolocação da água na albufeira principal durante a noite, aproveitando a energia das eólicas, a qualidade da água colocada no curso de água (caudal ecológico) será de pior qualidade.

Outro problema crucial a debater no âmbito do estudo de impacte ambiental (EIA), a cargo do consórcio que ganhar o concurso, será a profundidade a que a água será turbinada.

"Quanto mais fundo for turbinada mais poluição terá o caudal libertado. Será necessário diminuir as fontes de poluição, a montante, se não vamos ter em Amarante um desastre ambiental", avisou o professor da UTAD.

Linha de alta tensão traz mais problemas

Participaram também no debate Hélder Leite, que chamou a atenção para os problemas da construção de uma linha de alta tensão de 400 KVA com 22 quilómetros de extensão, e Berta Estevinha, que considerou preocupante o aumento da eutrofização das águas do rio, devido à poluição.

A eutrofização é um problema que afecta o rio Tâmega há quase uma década, sobretudo na albufeira formada pela actual barragem do Torrão, localizada na foz do rio.

Durante o debate, o deputado municipal por Amarante, Emanuel Queirós, alertou para o perigo dos sismos induzidos, um problema que, afirmou, "está completamente desvalorizado e foi até descurado" na análise dos dez empreendimentos considerados prioritários.

Dos dez aproveitamentos seleccionados pelo Governo, a barragem de Fridão é a segunda infraestrutura em potencial hidroeléctrico, logo a seguir a Foz Tua, já adjudicada à EDP.

O Ministério do Ambiente anunciou que o concurso para a concessão da barragem de Fridão será lançado a 30 de Abril.

Lusa, 21 de Abril de 2008






Devido à elevada poluição do rio Tâmega. Em causa está a barragem de Fridão

Amarante em risco de desastre ambiental

A cidade de Amarante corre o risco de sofrer um desastre ambiental devido à elevada poluição do rio Tâmega, se a barragem de Fridão for transformada em aproveitamento reversível, ficando emparedada entre dois açudes e duas barragens, alertou esta segunda-feira um especialista ambiental, noticia a Lusa.

A afirmação foi feita num debate, em Amarante, por Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Segundo o técnico, que tem colaborado em estudos ambientais de diversas barragens - nomeadamente Alqueva, Sabor e Foz Tua - o Tâmega é porventura o curso de água, dos rios internacionais, que apresenta maior grau de poluição, devido à eutrofização (formação de algas tóxicas).

Rui Cortes sustenta ainda que se for construído um contra-embalse/açude a jusante da barragem, para permitir a recolocação da água na albufeira principal durante a noite aproveitando a energia das eólicas - a qualidade da água colocada no curso de água (caudal ecológico) será de pior qualidade.

Quanto mais fundo, mais poluição
Outro problema crucial a debater no âmbito do estudo de impacte ambiental (EIA), a cargo do consórcio que ganhar o concurso, será a profundidade a que a água será turbinada. «Quanto mais fundo for turbinada mais poluição terá o caudal libertado. Será necessário diminuir as fontes de poluição, a montante, se não vamos ter em Amarante um desastre ambiental», avisou o professor da UTAD.

Participaram também no debate Hélder Leite, que chamou a atenção para os problemas da construção de uma linha de alta tensão de 400 KVA com 22 quilómetros de extensão, e Berta Estevinha, que considerou preocupante o aumento da eutrofização das águas do rio, devido à poluição.
A eutrofização é um problema que afecta o rio Tâmega há quase uma década, sobretudo na albufeira formada pela actual barragem do Torrão, localizada na foz do rio.

Sismos induzidos
Durante o debate, o deputado municipal por Amarante, Emanuel Queirós, alertou para o perigo dos sismos induzidos, um problema que, afirmou, «está completamente desvalorizado e foi até descurado» na análise dos dez empreendimentos considerados prioritários. 

Dos dez aproveitamentos seleccionados pelo Governo, a barragem de Fridão é a segunda infraestrutura em potencial hidroeléctrico, logo a seguir a Foz Tua, já adjudicada à EDP.

O Ministério do Ambiente anunciou que o concurso para a concessão da barragem de Fridão será lançado a 30 de Abril.

CLC, in Portugal Diário - 21 de Abril de 2008

TÂMEGA - BARRAGEM DE FRIDÃO: Amarante em risco de desastre ambiental

CNN Portugal

TÂMEGA - BARRAGEM DE FRIDÃO

Amarante em risco de desastre ambiental


Devido à elevada poluição do rio Tâmega. Em causa está a barragem de Fridão

A cidade de Amarante corre o risco de sofrer um desastre ambiental devido à elevada poluição do rio Tâmega, se a barragem de Fridão for transformada em aproveitamento reversível, ficando emparedada entre dois açudes e duas barragens, alertou esta segunda-feira um especialista ambiental, noticia a Lusa.

A afirmação foi feita num debate, em Amarante, por Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Segundo o técnico, que tem colaborado em estudos ambientais de diversas barragens - nomeadamente Alqueva, Sabor e Foz Tua - o Tâmega é porventura o curso de água, dos rios internacionais, que apresenta maior grau de poluição, devido à eutrofização (formação de algas tóxicas).

Rui Cortes sustenta ainda que se for construído um contra-embalse/açude a jusante da barragem, para permitir a recolocação da água na albufeira principal durante a noite aproveitando a energia das eólicas - a qualidade da água colocada no curso de água (caudal ecológico) será de pior qualidade.


Quanto mais fundo, mais poluição

Outro problema crucial a debater no âmbito do estudo de impacte ambiental (EIA), a cargo do consórcio que ganhar o concurso, será a profundidade a que a água será turbinada. «Quanto mais fundo for turbinada mais poluição terá o caudal libertado. Será necessário diminuir as fontes de poluição, a montante, se não vamos ter em Amarante um desastre ambiental», avisou o professor da UTAD.

Participaram também no debate Hélder Leite, que chamou a atenção para os problemas da construção de uma linha de alta tensão de 400 KVA com 22 quilómetros de extensão, e Berta Estevinha, que considerou preocupante o aumento da eutrofização das águas do rio, devido à poluição.

A eutrofização é um problema que afecta o rio Tâmega há quase uma década, sobretudo na albufeira formada pela actual barragem do Torrão, localizada na foz do rio.


Sismos induzidos

Durante o debate, o deputado municipal por Amarante, Emanuel Queirós, alertou para o perigo dos sismos induzidos, um problema que, afirmou, «está completamente desvalorizado e foi até descurado» na análise dos dez empreendimentos considerados prioritários. Dos dez aproveitamentos seleccionados pelo Governo, a barragem de Fridão é a segunda infraestrutura em potencial hidroeléctrico, logo a seguir a Foz Tua, já adjudicada à EDP.

O Ministério do Ambiente anunciou que o concurso para a concessão da barragem de Fridão será lançado a 30 de Abril.


CLC, in CNN Portugal - 21 de Abril de 2008

PNBEPH - Rio Tâmega: Amarante: Barragem de Fridão pode provocar desastre ambiental na cidade









PNBEPH - Rio Tâmega
Amarante: Barragem de Fridão pode provocar desastre ambiental na cidade

O Tâmega é o curso de água, dos rios internacionais, que apresenta maior grau de poluição, devido à eutrofização NELSON GARRIDO (ARQUIVO)

A cidade de Amarante corre o risco de sofrer um desastre ambiental devido à elevada poluição do rio Tâmega, se a barragem de Fridão for transformada em aproveitamento reversível, ficando emparedada entre dois açudes e duas barragens, alertou hoje um especialista ambiental. A afirmação foi feita num debate, em Amarante, por Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e especialista em estudos de impacte ambiental.

Segundo o técnico, que tem colaborado em estudos ambientais de diversas barragens - nomeadamente Alqueva, Sabor e Foz Tua - o Tâmega é o curso de água, dos rios internacionais, que apresenta maior grau de poluição, devido à eutrofização (formação de algas tóxicas).

Rui Cortes sustenta, ainda, que se for construído um contra-embalse/açude a jusante da barragem, para permitir a recolocação da água na albufeira principal durante a noite, aproveitando a energia das eólicas, a qualidade da água colocada no curso de água (caudal ecológico) será de pior qualidade.

Outro problema crucial a debater no âmbito do estudo de impacte ambiental (EIA), a cargo do consórcio que ganhar o concurso, será a profundidade a que a água será turbinada.
 
"Quanto mais fundo for turbinada mais poluição terá o caudal libertado. Será necessário diminuir as fontes de poluição, a montante, se não vamos ter em Amarante um desastre ambiental", avisou o professor da UTAD.



Linha de alta tensão traz mais problemas


Participaram também no debate Hélder Leite, que chamou a atenção para os problemas da construção de uma linha de alta tensão de 400 KVA com 22 quilómetros de extensão, e Berta Estevinha, que considerou preocupante o aumento da eutrofização das águas do rio, devido à poluição.

A eutrofização é um problema que afecta o rio Tâmega há quase uma década, sobretudo na albufeira formada pela actual barragem do Torrão, localizada na foz do rio.

Durante o debate, o deputado municipal por Amarante, Emanuel Queirós, alertou para o perigo dos sismos induzidos, um problema que, afirmou, "está completamente desvalorizado e foi até descurado" na análise dos dez empreendimentos considerados prioritários.

Dos dez aproveitamentos seleccionados pelo Governo, a barragem de Fridão é a segunda infraestrutura em potencial hidroeléctrico, logo a seguir a Foz Tua, já adjudicada à EDP.

O Ministério do Ambiente anunciou que o concurso para a concessão da barragem de Fridão será lançado a 30 de Abril.


Lusa, in Público - 21 de Abril de 2008

segunda-feira, 7 de abril de 2008

PBNEPH - Rio Tâmega: O Mau Castor (ou o lobby das águas paradas)

PNBEPH - Rio Tâmega
O Mau Castor (ou o lobby das águas paradas)

Sempre tive uma renitência grande face a construção de barragens e represas, no exagero das mesmas, de paredões de betão erguidos ao alto e a inundar em albufeiras grandes pedaços de terra. Mas em Cabeceiras de Basto, como na restante região de Basto e Alto Tâmega, a anunciada alteração da face da sua paisagem, parece ter passado ao lado. Isto quando este lobby do Mau Castor, sob o encobrimento distorcido da nobre causa das energias renováveis, vai modificar profundamente os costumes e apagar da memória, irreversivelmente, muita da sua identidade histórica, cultural, humana e paisagística.

O investimento no estupro, é já por si um enormidade - para lá de 700 milhões de euros - porque é em betão, sem contar, claro, os habituais juros da demora, derrapagens e custos da subavaliação. Sobretudo quando o mesmo valor num programa nacional de eficiência energética traria melhores resultados económicos, cívicos e de educação ambiental, sem a desfiguração absurda e inconsequente do país.


Mas assim de resumido: 4 Barragens vão prender o rio Tâmega em enormes albufeiras: Daivões, Gouvães, Padroselos e Alto Tâmega (Vidago). Uma delas criará um enorme lago em redor de Ribeira de Pena (lá se vai a ponte de arame e umas aldeias em redor) e outra, a de Padroselos, irá inundar grande parte do trajecto do rio Beça, um dos últimos rios selvagens e sem poluição da Europa, que faz a fronteira norte de Gondiães em Cabeceiras, com Boticas. Para não falar da barragem do Fridão (entre Fidrão e Codeçoso) a montante de Amarante, com um paredão de 110 metros que vai levar a cota de enchimento até à histórica ponte de Cavez.


Desta escadaria de colunas de água aliás, que além inquietar as populações a jusante, teme-se que roce os tabuleiros das pontes da Barca entre Arco de Baúlhe e Atei de Basto, como a ponte em Mondim (na imagem acima). Isto sem falar na possibilidade da Barragem de Daivões ter localização mais abaixo e destruir a Pista de Pesca de Cavez. Uma coisa é certa: os salmonídeos, trutas e bogas, vão dar lugar a lúcios e carpas; no ar ainda mais humedecido da Região de Basto, espera-se o fedor das águas paradas, escuras, ácidas, profundas e perigosas, e os caiques nos rápidos dos afluentes vão dar lugar a iates para o pior do novo-riquismo.

No mar de água doce, nem sei que sabor terão as castas de vinho verde da Sub-Região demarcada, encostada ao longo do Tâmega. E as consequências de um semelhante erro compulsivo, terão também repercussões no Tua, onde a inundação daquele vale vai enterrar (passo a contradição) de vez a questão da linha ferroviária, juntamente com a riqueza única da sua fauna e flora.

Posto isto: não há exigência de fontes energias renováveis, nem de crescimento, que justifiquem a destruição de ecossitemas e paisagens culturais com esta violência e leviandade, sobretudo quando o resultado é alagar um país e sua identidade. Na verdade, estas soluções são, no efeito imediatista, erradas e ironicamente insustentáveis.

O “Plano Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico” (PNBEPH) é assim, um dos maiores atentados ao património de todos na loucura de obras públicas do Governo e tristemente sem alvo da consulta da opinião das pessoas. Os impactos ambientais serão abafados na ilusão dos barquinhos de recreio. Enfim, no entusiasmo das cimenteiras, não admirarão os prováveis candidatos à empreitada e os vencedores. Lá está: há que alimentar os fornos da co-incineração e justificar a nomeação de ex-ministros para gestores executivos de empresas de fundação amarantina, oportunistas como a Somague e ali, tão à mão, nesta bacia hidrográfica...



A ler também: Barragem de Fridão: Consequências Previsíveis sobre o Rio Tâmega e Amarante.

Vítor Pimenta, in Mal Maior - 07 de Abril de 2008
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Cabeceiras de Basto)

quarta-feira, 2 de abril de 2008

BARRAGEM DE FRIDÃO - CASCATA DO TÂMEGA: A CRUELDADE E A INCOMPETÊNCIA DO «SOCIALISMO» NO GOVERNO E EM AMARANTE

 BARRAGEM DE FRIDÃO - CASCATA DO TÂMEGA

A CRUELDADE E A INCOMPETÊNCIA DO «SOCIALISMO» NO GOVERNO E EM AMARANTE


Hoje, Terça-feira, dia 1 de Abril, por mais uma vez, reincido num tema que tem 14 anos de ampla abordagem pública e outros tantos de alheamento pela parte da autarquia amarantina, a barragem de Fridão versus «cascata do Tâmega».

Depois do recurso expedito e falacioso do Governo à patranha que o designado «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH)» constitui do ponto de vista ambiental, e do desenvolvimento sustentável, pela exploração exaustiva e massificada da água dos rios que nele está consagrada, em particular do Tâmega, pelo ministro do Ambiente (Francisco Nunes Correia) e pelo primeiro-Ministro (José Sócrates), com a divulgação do concurso público para a construção das barragens de Gouvães, Padroselos, Vidago (Alto Tâmega) e Daivões, acabaram de anunciar que no final deste mês será a vez de Fridão, integrando o mesmo «lote» de Alvito e Almourol.

Sendo o dia primeiro de Abril ainda haverá quem possa admitir que se tenha tratado de alguma partida alusiva à data, mas de tantas partidas que o Governo vem “pregando” aos portugueses, admito que a experiência governativa aconselhasse, precisamente, reservar o dia de hoje para tratar de assuntos sérios e de grande complexidade.

Por isso, só a posteriori seremos confrontados com a cega rudeza da decisão e a crueldade da alienação de rios e da segurança da cidade de Amarante por via da construção betonada, em pleno leito fluvial, de centrais produtoras de hidroelectricidade.

É este o respeito do Governo pelos amarantinos, e a consideração que têm por Amarante o primeiro-Ministro e o Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional; é esta a gestão dos recursos naturais de que o «socialismo» dá prova, salvo as devidas proporções, mas em nada diferente à orientação do Partido Comunista Chinês para o rio Yang Tze. Em contraponto, e em mais este caso, ficamos com a prova da eficácia, e da enérgica e consequente acção da Câmara Municipal de Amarante – «socialista», como gostam de sublinhar – junto dos membros do Governo do seu Partido, quando se trata de assegurar o Interesse Público local. Quanto ao que aqui é abordado a propósito da barragem de Fridão/«cascata do Tâmega», estamos falados, e este não será propriamente caso único ou apenas primeiro…

Por causa das nefastas decisões que foram já tomadas a propósito da construção das barragens no rio Tâmega, os alarmes estão a ressoar em Amarante e nesta acção de consciencialização e de militância verdadeiramente amarantina, relevo o papel do Coronel Artur Freitas, bem patente na última diligência acabado de efectuar junto do presidente da Câmara Municipal de Amarante, e que transcrevo com a indispensável permissão e reconhecimento:

«Sr. Presidente da Câmara Municipal de Amarante:

Independentemente do que V. Exa. houver por bem transmitir-nos na reunião que se dignou conceder-nos na próxima 5.ª feira, à tarde, creio que esta notícia será de molde a que V. Ex.ª tenha que reajustar o calendário que certamente teria em mente para  concretizar acções consequentes para  impugnar o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, no que toca à barragem de Fridão, em harmonia com a vossa posição e promessas públicas, a que estarão atidos os amarantinos que em V. Ex.ª continuam a depositar as suas  expectativas, em função dessas mensagens relativamente tranquilizadoras.

    Perante este anúncio perturbador, que vos terá surpreendido tanto quanto a  nós, permitimo-nos sugerir a V Exa. a urgência de alertar a Comissão de Acompanhamento erigida na Assembleia Municipal e a que preside o ilustre deputado municipal Exmo. Sr. Dr. Abel Afonso, comissão cuja dedicação e trabalho nos não merece quaisquer críticas nem louvores, porquanto não transparecem minimamente para o domínio público.

    Se no entender de V. Exa. a questão atingiu o ponto de não retorno, e V. Exa. se reconhece ultrapassado  pelos factos, teremos que ponderar na reunião da próxima 5.ª feira, e em conjunto com V. Exa., se fará algum sentido agastarmo-nos em esperanças vãs, ou continuar a alimentar ilusões no povo amarantino, ou de outro modo, é vossa e nossa obrigação, alertar os munícipes, em relação  a que o cenário se precipitou, só lhes restando equacionar todas e quaisquer formas de fazer chegar, aos responsáveis,  a nossa sentida inconformação e revolta por mais este esbulho e atentado à nossa cidade de que as gerações futuras, certamente, e com toda a legitimidade, pedirão contas a todos nós, a começar naturalmente por V. Exa.  que nos representa junto do poder central.

    Só assim nos demarcaremos do que possa induzir que adormecemos ou beijamos demasiado a mão ao sistema, amolecendo a opinião pública com retóricas bizantinas ou discursos de circunstância (não excluindo a nossa quota-parte de ingenuidade cúmplice).

   A V. Exa., e como sempre, pertence a primeira e última palavra, contando incondicionalmente connosco, em alinhamento com os interesses de Amarante a que V Exa. deve indeclinável e cristalina fidelidade.

    Com os nossos mais respeitosos cumprimentos,

     A Freitas»

Do meu ponto de análise, tudo quanto havia a fazer por parte das instâncias representativas dos amarantinos, visando a preservação da terra amarantina e do rio Tâmega como rio, já deviam ter sido tomadas há mais de uma década, mas ainda hoje estamos confrontados com decisões do Governo que reflectem uma indecorosa falta de senso local, e de verdadeiro empenhamento autárquico pela nossa causa comum amarantina.

As promessas de acção, de oposição consequente do presidente da Câmara Municipal de Amarante, até com recurso ao Presidente da República e às instâncias judiciais europeias, à nefasta e vil decisão do Ministro do Ambiente, do Ministro da Economia, e do primeiro-Ministro, preparada conjuntamente com a REN, o Director-Geral do Instituto de Geologia e Energia e o Presidente do Instituto da Água (INAG), ficaram por certo mais uma vez coladas ao gongorismo da vã retórica truculenta que a sociedade amarantina digere desatenta.

As provas estão à vista de todos, mas há luz que, não eléctrica, para alguns, ainda cega mais do que os deixa exercitar a visão.

Parafraseando um velho aforismo popular muito amarantino, sempre será desta que lá vamos todos “numa cheia de calondros”…

No «primeiro de Abril» do ano de dois mil e oito, não é por acaso que há «águas mil», e não será por engano que em Portugal são concursadas barragens aos «lotes».


José Emanuel Queirós, in PlenaCidadania - 2 de Abril de 2008

terça-feira, 1 de abril de 2008

2008 - Vão nascer quatro novas barragens no Rio Tâmega: Lembrando os carrascos do Tâmega no dia das mentiras






2008 - Vão nascer quatro novas barragens no Rio Tâmega
Lembrando os carrascos do Tâmega no dia das mentiras

Os ambientalistas protestam; o Governo assegura que estão asseguradas todas as normas ambientais.


in RTP - 1 de Abril de 2008

PNBEPH - RIO TÂMEGA: GOVERNO LANÇA CONCURSOS PARA BARRAGENS NO ALTO TÂMEGA







PNBEPH - RIO TÂMEGA
GOVERNO LANÇA CONCURSOS PARA BARRAGENS NO ALTO TÂMEGA


O Governo lança esta terça-feira o primeiro concurso público para a construção das barragens de Gouvães, Padroselos, Alto Tâmega e Daivões, incluídas no plano nacional, cujo investimento será entre 450 e 760 milhões de euros.

O primeiro-ministro, José Sócrates, vai presidir à sessão de lançamento do 1º Concurso Público para a construção das barragens, onde estarão também presentes os ministros do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Francisco Nunes Correia, e da Economia e da Inovação, Manuel Pinho.
Em declarações à Lusa, Nunes Correia lembrou que o plano nacional foi aprovado em Dezembro de 2007 e que a barragem de Foz Tua já foi adjudicada, sendo agora lançado o concurso para mais quatro barragens.
O ministro anunciou ainda que as obras das cinco barragens (incluindo Foz Tua) deverão começar, “o mais tardar, em 2010 e poderão prologar-se até 2015” e ainda que o Governo vai lançar em meados deste mês o concurso para mais três barragens – Frisão, Alvito e Almourol – e no final de Abril o concurso das barragens do Pinhosão e Girabolhos, que deverão ser adjudicadas até Setembro deste ano.
Nunes Correia sublinhou que a construção das quatro novas barragens representa “um grande reforço do potencial hídrico que vai aumentar em 424 megawatts a capacidade de produção hídrica, passando a faltar 366 megawatts para o objectivo do Governo de alcançar os 7000 megawatts (actualmente cerca de 5.000 megawatts).
O prazo de entrega das propostas para o concurso público de atribuição de concessão, construção, exploração das barragens vai decorrer até 30 de Junho deste ano.
A classificação das propostas para efeitos de adjudicação será feita em função da mais elevada quantia oferecida que acresce ao valor base de 120.000.000 euros.
O Governo estabelece um prazo de concessão de 65 anos.
As barragens de Padroselos, Alto Tâmega (Vidago) e Gouvães representam um investimento entre 100 a 170 milhões de euros cada uma e a de Daivões terá um investimento que oscilará entre 150 e 250 milhões de euros.
Segundo o Governo, os investimentos das barragens constituem “uma importante alavanca para Portugal”, sendo nomeadamente uma “valia económica e social”, permitindo a criação de empregos, o aumento do PIB e o desenvolvimento regional.
O Governo aprovou no início de Dezembro o Programa Nacional de Barragens, tendo aprovado a construção de 10 novas barragens: Foz Tua, no rio Tua, Pinhosão, no rio Vouga, Padroselos, Vidago, Daivões, Fridão e Gouvães, no rio Tâmega, Girabolhos, no Mondego, Alvito, no rio Ocreza, e Almourol, no rio Tejo.
O Plano Nacional de Barragens vai implicar, segundo o ministro do Ambiente, um investimento total entre 1.000 e 2.000 milhões de euros e aumentar a capacidade hídrica instalada no país em mais 1.100 megawatts (MW).
Lusa, in Construir - 1 de Abril de 2008